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A enfermagem: o lugar da vida, do sofrimento do profissional cuida(dor).

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A ENFERMAGEM: O LUGAR DA VIDA, DO SOFRIMENTO DO

PROFISSIONAL CUIDA(DOR).

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DHE- DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO

CURSO DE PSICOLOGIA

A ENFERMAGEM: O LUGAR DA VIDA, DO SOFRIMENTO DO

PROFISSIONAL CUIDA(DOR).

PATRICIA MARIA FRANCK MOGNHON

ORIENTADOR: NILSON HEIDEMANN

IJUÍ, DEZEMBRO, 2015

Trabalho de conclusão de curso de graduação

apresentado ao curso de Psicologia da

Universidade Regional do Noroeste do Estado do

Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito

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AGRADECIMENTOS

Minha gratidão:

A todos que percorreram comigo este caminho na concretização deste ideal. Caminho este que iniciava-se ainda no Paraguai quando começava a me organizar para migrar. Entre os planos para a nova vida ouve espaço para a psicologia e foi esta um grande suporte na travessia das fronteiras, não só geográficas. A psicologia me sustentou no momento da dor da saudade da família e amigos que lá ficaram, nas dificuldades encontradas por não poder exercer minha profissão de enfermagem. Neste movimento a psicologia me possibilitou um lugar onde colocar meu desejo, minhas energias e assim continuar meu caminho de busca, nesta caminhada por vezes dura, por hora tão fascinante que é o estudo da psiquê humana.

Ao Professor Nilson Heidemann pelo conhecimento e prática partilhado durante o percurso acadêmico, e agora de maneira especial pela dedicação e atenção na minha orientação. Ao Professor Daniel Ruwer por aceitar o convite de participação e contribuições na banca.

Ao meu esposo Élvis Mognhon, agora também colega na profissão por ter possibilitado a realização deste ideal, para que assim eu tivesse uma profissão reconhecida neste país. Obrigada amor por sempre acreditar em mim, por ser suporte de amor nos momentos de dificuldade, que só nós sabemos como foram. Te amo também por isso!

À minha (nossa) querida filha Brenda que durante os nove meses em meu ventre me acompanhava na faculdade, depois também foi companhia entre leituras, trocas de fraldas, aleitamento, as vezes acompanhando a mamãe em aulas e outros compromissos acadêmicos. Sou imensamente grata por assim me permitir conciliar maternidade e vida acadêmica e hoje perceber que é possível, que tudo valeu a pena. Filha meu amor por ti é infinito.

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Aos meus queridos pais Iriceu e Maria Lourdes, quem me deixaram as primeiras marcas de afeto, sendo presença amiga em minha travessia, deixando-me sempre livre nas minhas escolhas e apoiando quando estas eram feitas. Pai e Mãe vocês são meu orgulho e maior exemplo. Gracias por todo. Rohaihu.

Aos meus amados irmão/as Beatriz, Carlos, Claudiane e Angélica com quem tive as primeiras noções de convivência, as maiores aventuras e travessuras. Hoje mesmo distante geograficamente me animam com vosso bom humor, alegria e quando um encontro é possível, este é sinônimo de festa. Amo vocês.

À Ivani e Agostinho, meus sogros quem muitas vezes se fizeram mãe e pai, preocupados com meu desempenho e obrigações, se fazendo presente sem medir esforços. A vocês meu amor e minha gratidão.

Aos cunhados/as e sobrinhos/as que de perto ou de longe me apoiaram e torceram por mim e também por compreenderem que nem sempre foi possível estar presente nos lindos momentos de suas vidas. Obrigada pelo carinho.

Aos todos/as professores do Curso de Psicologia que contribuíram para meu conhecimento, em especial a Sonia Fengler, Luciane Veronese e Cristian Giles que me acompanharam nos estágios, supervisionando meu fazer de psicologia educacional, organizacional e clínica. Também à Professora Janete Goulart pelo conhecimento partilhado e incentivo no estudo desta temática. A vocês minha estima e reconhecimento.

Aos colegas de caminhada, às minhas amigas e amigos que a psicologia me deu. De maneira especial aos que partilharam de minha alegria e foram suporte nos momentos difíceis, entre estes você Valéria Morocini quem me acompanhou muito de perto durante estes anos. Nossas trocas, encontros, estudos jamais serão esquecidos.

Às amigas e colegas na profissão de enfermagem: Aline e Arlete pela amizade, pela ajuda e principalmente pelas partilhas das dificuldades no trabalho as quais serviram de inspirações para o estudo do tema escolhido.

Compartilho com todas e todos, a alegria deste momento, pois esta conquista é nossa!

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RESUMO

A ENFERMAGEM: O LUGAR DA VIDA, DO SOFRIMENTO DO PROFISSIONAL CUIDA(DOR).

O presente trabalho de conclusão de curso consiste em uma pesquisa sobre o sofrimento psíquico dos profissionais de enfermagem. Para tanto, utiliza-as da metodologia de análise bibliográfica para dar conta de seus objetivos. Nele são investigadas as formas de organização e as condições do trabalho de enfermagem, considerando que o labor cumpre uma função estruturante na vida do trabalhador podendo ser fonte de prazer ou mal-estar. O estudo faz um atravessamento entre os campos de estudos da enfermagem e da psicologia. Organizado em um único capítulo, conta como eixo norteador o trabalho e o sofrimento psíquico do trabalhador de enfermagem, considerando que este concilia cuidados e gestão. Essa forma de organização do trabalho, acrescida da exposição do profissional a dor, contribui para as manifestações de sofrimento psíquico.

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ABSTRACT

NURSING: THE PLACE OF LIFE, OF THE SUFFERING OF THE CAREGIVER PROFESSIONAL

This course conclusion paper consists of a research on the psychological distress of the nursing professionals. For this, bibliographical analysis methodology is used to reach the paper goals. It investigates the forms of organization and the nursing work conditions, considering that work fulfills a structural role in the worker's life, which can both be a source of pleasure or uneasiness. This study makes a crossing through the fields of studies in nursing and psychology. Organized in a single chapter, its guiding axis is the work and psychological suffering of the nursing professional, considering that such professional combines caregiving and management. This form of work organization plus the professional exposure to pain contribute to the manifestations of psychological distress.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 7

1. COTIDIANO DO TRABALHO DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM: CUIDAR, EDUCAR, PESQUISAR E GERENCIAR NA DOR E NO SOFRIMENTO. 9

1.1. Concepções sobre o trabalho e o cotidiano do trabalhador de enfermagem. ... 9

1.2. A função de assistir e cuidar... 12

1.3. Educação e pesquisa no fazer da enfermagem ... 16

1.4. O profissional de enfermagem com principal responsável no processo de gestão... 18

1.5. Sofrimento psíquico no trabalho ... 22

1.6. Trabalho de enfermagem e Sofrimento Psíquico ... 24

CONSIDERAÇÕES FINAIS 30

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INTRODUÇÃO

Estudos apontam a forte relação entre subjetividade, modelos de gestão e a psicodinâmica do trabalho. As pesquisas e contribuições de Christophe Dejours ampliaram o campo de estudos das relações do homem com o trabalho, indo além da investigação de patologias, buscando uma análise psicodinâmica das situações de trabalho para explicar a centralidade dessa atividade na vida do sujeito. A Psicologia Organizacional e do Trabalho, por sua vez, compreende e intervém em relação a fenômenos e processos relativos ao mundo do trabalho e das organizações. Neste campo de atuação o profissional de psicologia busca analisar, compreender e interagir com as múltiplas dimensões que caracterizam as pessoas, grupos e organizações.

A escolha pelo tema surge a partir de uma implicação pessoal com o assunto originado da primeira formação da autora na área da enfermagem. A questão emerge em forma de implicação com a realidade dos demais profissionais de enfermagem que além do exercício do cuidado com os pacientes, tem a tarefa de exercer cargos de gestão dentro das organizações ou instituições de saúde, lugar este composto por um conjunto de pessoas, funcionários de diferentes setores, equipes e ainda com uma circulação considerável de pessoas da comunidade externa, especialmente pacientes e familiares.

Percebe-se a necessidade de uma revisão no que concerne ao modo como se concilia cuidados e gestão dos processos de trabalho na categoria, ou em determinados setores de atenção à saúde, modos estes que têm origem em conjunto com a própria profissão. Diante disso, observa-se a importância de discutir as questões referentes às formas de organização do trabalho de enfermagem e como estas podem interferir na vida destes profissionais, por vezes gerando uma espécie de sofrimento psíquico.

O nascimento da enfermagem moderna com o protagonismo de Florence Nightingale no século passado traz consigo a divisão técnica e social do trabalho que desempenham estes profissionais. Com esta divisão surge um novo modo de organização do trabalho de enfermagem, o qual se diferencia entre trabalho manual

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e trabalho intelectual, permanecendo assim até a atualidade onde esta é demarcada pelos níveis de formação da categoria: auxiliares, técnicos e enfermeiros.

Após mais de um século de existência da profissão, a categoria ainda luta para superar a visão dicotômica de seu fazer: cuidar e administrar, para uma visão que possa integrar sua ação, isto é, para o gerenciamento do cuidado. Esta árdua tarefa de cuidar e administrar todos os processos neste campo, somado ao constante processo de interação entre os diferentes sujeitos em um único local, tende a desencadear o sofrimento psíquico do sujeito em seus inúmeros desdobramentos, decorrente de seu trabalho.

Em termos metodológicos o presente trabalho constitui-se de pesquisa bibliográfica, e foi construído a partir de livros e artigos elaborados por autores tanto da área da enfermagem quanto da psicologia, fazendo o atravessamento entre estes dois campos, estabelecendo uma relação entre a história da profissão de enfermagem, seu trabalho e formas de organização e as repercussões deste na vida psíquica do trabalhador de enfermagem.

Como forma de organização, esta pesquisa foi articulada em um único capítulo, dividido em subtítulos. A princípio tem como eixo principal e norteador o trabalho de enfermagem, considerando as concepções gerais do trabalho, posteriormente adentrando naquilo que se refere ao fazer específico da categoria, o qual se desdobra em assistência, cuidados, educação, pesquisa e a gestão de enfermagem. Tendo abordado as particularidades do fazer cotidiano da enfermagem, parte-se para a discussão do conceito de sofrimento psíquico, sendo este referenciado a partir de Dejours, findando com as considerações sobre o sofrimento psíquico do trabalhador de enfermagem decorrente das formas de organização do trabalho, principalmente da função de gerenciamento da enfermagem.

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1.

COTIDIANO

DO

TRABALHO

DO

PROFISSIONAL

DE

ENFERMAGEM: CUIDAR, EDUCAR, PESQUISAR E GERENCIAR NA

DOR E NO SOFRIMENTO.

1.1. Concepções sobre o trabalho e o cotidiano do trabalhador de enfermagem.

As questões referentes ao trabalho e suas formas de organização vêm sendo tema de estudo e debate no campo da psicologia e outras áreas que se veem implicadas. Considerando que o trabalho é uma das bases fundamentais e responsáveis pelo desenvolvimento do ser humano, muito mais do que organizador da sociedade, o trabalho é constituinte da subjetividade do sujeito moderno. Por ser uma das atividades mais significativas da vida humana, ele é uma das referências simbólicas pelas quais o sujeito se sustenta e se representa. Indo para além de ser um meio de sobrevivência, o trabalho caracteriza-se como um suporte para a existência do sujeito trabalhador.

Desde o ponto de vista social e cultural o trabalho ocupa um lugar central na vida do sujeito. Consiste na atividade principal do ser humano, como mediação entre a natureza e o homem. Para Marx:

Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana (MARX, 1980, p. 202).

O mesmo autor apresenta o processo de trabalho em três elementos: o objeto do trabalho, aquilo sobre o que incide a atividade e que será transformado no decorrer do processo, constituindo-se em produto; os instrumentos e meios do

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trabalho; e a atividade apropriada que leva a um fim, isto é, o trabalho propriamente dito, que se organiza de uma forma específica (MARX, 1980).

Neste processo caracterizado pela transformação que requerem as necessidades humanas, o trabalho da Enfermagem se preocupa com as questões referentes às necessidades de saúde do ser humano. Ao mesmo tempo em que pode ser visto como uma atividade econômica de uma determinada instituição é também um trabalho que responde a uma necessidade social, no qual os profissionais buscam realizá-lo por meio de uma junção de saberes, técnicas e afetos (FELLI; PEDUZZI, 2005).

Referente à centralidade do trabalho na vida do sujeito, o pesquisador da psicopatologia do trabalho Christophe Dejours (1994), aponta aspectos teóricos da relação entre saúde mental e trabalho, pelo viés da psicodinâmica do trabalho. O autor coloca em discussão aquilo que, no enfrentamento do homem com sua tarefa, põem em perigo sua vida mental, analisando a articulação entre as diferentes formas de organização do trabalho e as vivências de prazer e sofrimento daí decorrentes.

No que tange ao trabalho de enfermagem Felli e Peduzzi (2005), afirmam:

O trabalho de saúde e de enfermagem não produz bens a serem estocados e comercializados, e sim serviços que são consumidos no ato de sua produção, isto é, no momento da assistência, seja ela coletiva, grupal ou individual. No entanto, diferencia-se de outros trabalhos do mesmo setor terciário de prestação de serviços, na medida em que lidam com um objeto humano, como os usuários, coletivamente, os grupos sociais e populações, que trazem, aos serviços de saúde, demandas relacionadas ao processo saúde-doença, expressas como

necessidades ou problemas de saúde (FELLI; PEDUZZI, 2005, p. 1,2).

Para melhor situar a ação desta profissão encontra-se em Almeida & Rocha (1989), a definição da enfermagem como uma profissão que integra a ciência e a arte no cuidado do ser humano, com a finalidade de promover, manter e restaurar a saúde. Assim considera-se a enfermagem como arte e ciência de pessoas que cuidam de outras pessoas, a qual possui por essência o cuidado ao ser humano nas diferentes formas, tanto individual, quanto na família ou na comunidade. Suas atividades estão voltadas à promoção, recuperação e reabilitação da saúde e a prevenção de doenças.

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A enfermagem moderna surge num contexto histórico marcado pelo advento do capitalismo, o qual traz como projeto político a recuperação da força de trabalho, transformando o indivíduo em instrumento de trabalho e neste modelo modificando a forma de organização do trabalho que vem a ser sua divisão ou fragmentação (FELLI; PEDUZZI, 2005).

Neste sentido, a ação do profissional de enfermagem passa a ser organizada em três direções: a primeira refere-se à organização dos cuidados do paciente na qual faz uso da sistematização de técnicas de enfermagem que contribuem na assistência; a segunda direção de sua ação se dá no sentido de organizar as questões referentes ao ambiente terapêutico, como purificação do ar, higiene e limpeza; e a outra direção diz respeito à organização dos agentes de enfermagem, a gerencia propriamente dita, onde o profissional utiliza treinamento, técnicas e mecanismos disciplinares com seus subordinados, para assim obter o bom desempenho do trabalho que a profissão exige (GOMES, 2007 apud FELLI; PEDUZZI, 2005).

Desta forma, trabalho de enfermagem se apresenta em forma de rede ou subprocessos como cuidar ou assistir, administrar ou gerenciar, pesquisar e ensinar. Cada subprocesso pode ser tomado como um processo à parte com seus próprios elementos (objeto, meios/instrumentos e atividade), assim como podem ou não coexistir em algum momento e instituição. Nesses diferentes processos os trabalhadores de enfermagem, inserem-se de forma heterogênea e hierarquizada, expressando a divisão técnica e social do trabalho de enfermagem (FELLI; PEDUZZI, 2005).

Entre as responsabilidades professionais primordiais está o cuidado de enfermagem sempre apoiado numa ética que busca proteger e respeitar a dignidade humana daqueles que demandam atenção e cuidados.

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1.2. A função de assistir e cuidar

No âmbito da enfermagem a ação de assistir e cuidar remete a um fazer e um saber que acompanha e faz sentido a profissão desde sua origem. Florence Nightingale1 é a personagem principal e de referência para a enfermagem, pois com ela a arte de cuidar torna-se ciência do cuidado. Esta ação, antes realizada em nome de uma religião ou em forma de caridade, pautada no conhecimento empírico, passa a fundar-se num conhecimento e numa prática científica.

Pode se dizer que no campo da saúde é o profissional de enfermagem que tem maior contato com os pacientes e seus familiares, se fazendo presente nas horas de alegria como, por exemplo, o nascimento de uma criança ou a alta de um paciente assim como também, nas horas difíceis de dor, sofrimento e morte.

Assim como Pitta nos fala:

Nas três últimas décadas, a saúde enquanto instituição, atividade econômica e necessidade social tem preenchido espaços cada vez mais amplos nos meios de comunicação e nas políticas públicas. Cresce com ela o numero de trabalhadores com as suas tarefas de combater as doenças, alongar a duração da vida, ou, quando não, bem acompanhar os que morrem (PITTA, 2003, p 17).

Para atender esta demanda, o hospital tem sido um local de amparo, caracterizado por abrigar o sofrimento. Em seu cotidiano um tanto difícil, percebe-se que a qualidade e eficácia da atenção e tratamento dispensado naquele local é determinado pelo trabalho daqueles que se ocupam do cuidado (Pitta, 2003).

Para aqueles que carregam em si a responsabilidade e o dever de cuidar do outro, Donald Winnicott, pediatra e psicanalista através de seus conceitos traz importante contribuição para pensar essa prática.

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Florence Nightingale, considerada a pioneira da enfermagem moderna, nasceu aos 12 de maio de 1820 em Florença- Itália quando seus pais faziam uma viagem de férias para aquela cidade. Filha de família Britânica de classe social bastante favorecida rechaçou a vida social cômoda que estava destinada, para trabalhar como enfermeira, buscando ser útil para a humanidade. Ficou conhecida como a “Dama da Lâmpada” por fazer uso deste instrumento no cuidado aos enfermos durante o período noturno (PADILHA & MANCIA, 2005).

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A prática do cuidar traz em si uma interessante relação com os conceitos winnicottianos: a preocupação materna primária, mãe suficientemente boa, ambiente facilitador e holding (WINNICOTT, 1983). Estes conceitos estudados ilustram a relação estabelecida mãe-bebê, que trazidos para o campo da enfermagem auxiliam a pensar a relação de cuidado entre a enfermagem e o paciente. O conceito teórico que melhor exemplifica esta sua linha de pensamento é o da sustentação ou holding, o qual Winnicott usa para descrever uma conduta emocional da mãe a respeito de seu filho. Esta capacidade da mãe em se identificar com o filho lhe possibilita satisfazer a função descrita pelo autor como holding e basicamente o apoio que a mãe dá ao bebê na fase de dependência absoluta.

A sustentação protege contra a afrontação fisiológica; leva em conta a sensibilidade epidérmica da criança seja tato, temperatura, sensibilidade auditiva, sensibilidade visual, sensibilidade às quedas assim como o fato de que a criança desconhece a existência de tudo o que não seja ela própria; inclui toda a rotina de cuidados ao longo do dia e da noite, que nunca é a mesma em duas crianças diversas, pois faz parte delas e não há duas crianças iguais; deste modo, acompanha as mudanças quase imperceptíveis que, dia a dia, vão tendo lugar no crescimento e desenvolvimento da criança, mudanças tanto físicas como psicológicas. A sustentação compreende, em especial, o fato físico de sustentar a criança nos braços e que constitui uma forma de amar (WINNICOTT, 1983).

Por sua vez, o profissional de enfermagem é convidado a ter, diante do paciente, uma postura semelhante a da mãe nos primeiros anos de vida do bebê. É importante que construa um processo de cuidar que possibilite a sustentação ou holding, basicamente o apoio que o paciente necessita em sua passagem ou atravessamento do adoecimento.

Com o os avanços da medicina e a reorganização dos hospitais a enfermagem foi ganhando espaço, sendo reconhecida como profissão. O profissional de enfermagem passa a ser visto como agente principal na organização das demandas que o cuidado implica. No contato com o paciente, a equipe tem a função de acalmar, conversar, orientar e dar atenção aos familiares e amigos.

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O trabalho de enfermagem comporta em sua estrutura o conhecimento (saber de enfermagem) corporificado em um nível técnico (instrumentos e condutas) e relações sociais específicas, visando atendimento de necessidades humanas que podem ser definidas biológica, psicológica e socialmente (ALMEIDA & ROCHA 1989. p. 24).

Desta forma o trabalho da equipe de enfermagem, por sua complexidade, pode ser considerado desgastante, incessante, repetitivo e de enorme responsabilidade, com a contínua possibilidade de sofrimento psíquico que pode repercutir em sua vida pessoal.

Ainda recordando sobre a importância da ação de cuidar, aponta-se que desde os primórdios de sua existência o ser humano tem demandado a atenção e o cuidado de outros, seja para sua sobrevivência, como para manter a saúde ou para recuperar-se quando a enfermidade invade. O cuidado em enfermagem possui uma centralidade no paciente enfermo, porém sem descuidar de seu entorno, isto é, da família e da comunidade onde está inserido.

Neste sentido, Souza et al. (2005), aponta:

O cuidado de enfermagem promove e restaura o bem-estar físico, o psíquico e o social e amplia as possibilidades de viver e prosperar, bem como as capacidades para associar diferentes possibilidades de funcionamento factíveis para a pessoa. Nessa perspectiva, o cuidar em enfermagem insere-se no âmbito da intergeracionalidade, pois se revela na prática com um conjunto de ações, procedimentos, propósitos, eventos e valores que transcendem ao tempo da ação. Abraça, pois, diferentes gerações, imprimindo-lhes realização e bem-estar. (SOUZA et. al, 2005. p. 268)

Este cuidado, sustentado no conhecimento cientifico, se fundamenta nas necessidades humanas universais, no reconhecimento e respeito pelo ser humano. O ato de cuidar é uma característica inerente ao ser humano, pois é inato assim como a necessidade de ser cuidado. Neste sentido Silva e Gimenes (2000), referem que a prática do cuidado é uma tarefa desafiadora, um servir onde aquele que cuida entrega-se ao outro como forma de serviço.

Tradicionalmente o cuidado direto dos pacientes corresponde ao profissional de enfermagem quem precisa cumprir as indicações prescritas pelo médico. Este

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modelo de atuação de enfermagem assistencial possui uma ligação muito estreita com a dor e o sofrimento (PITTA, 2003).

Mesmo atuando num setor de assistência que demanda o contato direto e por vezes mais próximo com os pacientes, desenvolve ações que vão para além da assistência, como a planificação, educação, pesquisa e a gestão, cabendo a este profissional demonstrar suficiente grau de responsabilidade e eficiência. Neste sentido a mesma autora assinala:

Todo profissional de saúde, independentemente do papel que desempenha como produtor de atos de saúde é sempre um operador de cuidado, isto é, sempre atua clinicamente, e, como tal, deveria ser capacitado pelo menos para atuar no terreno específico das tecnologias leves, dos modos de produzir acolhimento, responsabilizações e vínculo, pensá-los na direção de atos comprometidos com as necessidades do usuário (PITTA, 2003, p. 132).

Como forma organização dos cuidados do paciente, principal objeto de seu trabalho, a ação do profissional de enfermagem passa a ser organizada da seguinte forma:

Enquanto os enfermeiros assumem, preponderantemente, a concepção do trabalho e o seu gerenciamento, os auxiliares e técnicos de enfermagem assumem a execução e a assistência direta (CASTELLANOS, et, al apud FELLI; PEDUZZI, 2005, p.3).

Com esta divisão do trabalho, não significa que o enfermeiro gestor fica isento do cuidado. A responsabilidade recai sobre este, pois uma atividade especifica do gerenciamento é cuidar. E, neste campo de saber e prática que trabalha com a dor e o sofrimento, precisa ser capaz de promover ações coordenadas, as quais consistem em defesa contra o sofrimento.

As ações no campo da enfermagem têm o hábito de ser complexas e abrangentes, fato este que implica do profissional uma ação consciente e uma preparação técnica elevada, pois o que está em jogo não são somente os processos, métodos ou tratamentos, mas é a vida e a saúde de um sujeito, que

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possui dignidade e valor. A prática do cuidado de enfermagem demanda o reconhecimento dos valores intrínsecos do ser humano. Desta maneira se coloca a forma obstinada de como o campo da enfermagem produz o conhecimento através da pesquisa.

1.3. Educação e pesquisa no fazer da enfermagem

Ao abordar a prática do cuidado de enfermagem, pensa-se em uma dimensão mais abrangente, indo além do cuidar como ação, mas um cuidado que traz em si um pouco da maternagem presente no ser e fazer destes profissionais. E pensando em maternagem, naquela que cuida e que também educa. As diferentes atividades exercidas pelos profissionais de enfermagem possuem uma perspectiva de educação, o qual consiste num processo educativo constante para ampliar os conhecimentos relacionados a saúde e adquirir práticas que possibilitem o aumento de autonomia da população no que se refere a saúde, bem como os motivem para a participação na elaboração e controle das politicas sanitárias.

A educação em saúde serve de estímulo aos indivíduos, famílias ou comunidades para que estes possam refletir sobre suas ações, sejam estas com respeito a si, seu próprio corpo, assim como na relação com o meio em que vive, gerando desta forma uma melhor conscientização, exercício de autonomia e autocuidado. Apontando para uma referência psicanalítica, o exercício do cuidado antes centrado na doença se desloca para uma nova perspectiva onde a centralidade volta-se ao sujeito para que este possa transcender e tomar uma nova direção, a direção de seu desejo, participando ativamente de seus cuidados e sua recuperação. Com esta ação o sujeito quem demanda cuidado pode emergir e reposicionar-se diante de sua vida e do adoecimento.

Entre as atividades do profissional de enfermagem está a ação de pesquisar constantemente a fim de diagnosticar e apresentar soluções para os diferentes problemas de saúde. Precisa ser capaz de tomar decisões com a equipe no momento de encontrar estratégias para o enfrentamento de determinadas situações. A capacidade de comunicação deve ser uma das habilidades do profissional desta

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área para junto com a equipe poder intervir e encontrar alternativas corretas no processo de trabalho.

A Enfermagem apoia-se na produção do conhecimento para buscar respostas aos seus questionamentos. As trocas de saberes, a disseminação de ideias, têm levado os enfermeiros (docentes, graduandos, pós-graduandos, assistenciais) ao enriquecimento da profissão. A pesquisa possibilita o confronto entre as ideias de diferentes autores, a validação do conhecimento e a divulgação dos resultados. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teorias e dados (MINAYO apud JORGE et al.p.81. 2007).

Com os avanços tecnológicos e sua implementação no campo da saúde os profissionais de enfermagem se veem convocados a acompanhar e adaptar-se as novas tecnologias, assim percebe-se que a necessidade de pesquisar emerge da prática, do fazer que exige constantemente o aprimoramento do conhecimento e de sua ação.

Pesquisar e buscar novos conhecimentos, sejam estes de caráter técnico, cientifico ou humano, tanto nas áreas assistencial, gerencial ou educacional tem sido ações que os profissionais de enfermagem assumiram com muito interesse. Mesmo que não exista uma legislação que diga que a educação em saúde é papel do profissional de enfermagem, é este quem assume com frequência este desafio (COLOMÉ; OLIVEIRA, 2008).

A enfermagem em seu campo de pesquisa se utiliza da epidemiologia2 como estratégia de produção de conhecimento e consequentemente implementação de programas ou protocolos de atendimento e avaliação do cuidado, promoção da saúde e prevenção de doenças. Da mesma forma que uma determinada situação apresentada na comunidade ou local de trabalho chama atenção para a investigação, os estudos epidemiológicos contribuem, de um modo geral, no

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Conforme a Organização Mundial da Saúde (1973,) a epidemiologia consiste no estudo dos fatores que determinam a frequência e a distribuição das doenças nos agrupamentos de pessoas. Debruça-se sobre os problemas de saúde no âmbito coletivo, às vezes grupos pequenos, na maioria das vezes envolvendo populações numerosas.

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planejamento assistencial e no estudo de modelos assistenciais e gerenciais que possam qualificar a prática do cuidado, o que designa-se gerenciamento do cuidado.

1.4. O profissional de enfermagem com principal responsável no processo de gestão

O profissional de enfermagem, além atuar na área de assistência e cuidado direto com os pacientes, tem seu trabalho vinculado à atuação em um de seus campos de domínio que é a área gerencial. Esta ação inicia-se com Florence Nightingale quem, juntamente com outras 38 voluntárias no atendimento aos feridos da Guerra da Criméia3, mostrou-se extremamente capaz de administrar os serviços relacionados à saúde, assim como em organizar tudo o que nela possa interferir, alcançando desta forma a redução da taxa de mortalidade de 40% para 2% num hospital que abrigava 4000 soldados feridos (PADILHA; MANCIA, 2005). Com este feito fica explícito na história e na profissão o valor do trabalho de gerenciamento em enfermagem.

Conforme mencionado, a profissão de enfermagem desde sua institucionalização traz consigo a prática e o saber administrativo e dos processos gerenciais como importantes na direção do tratamento e da cura do paciente, sendo este o gerenciamento do cuidado.

Fazendo esse atravessamento com outros campos do saber, a enfermagem precisa ter presente os princípios e valores próprios da enfermagem, pautados na prática do cuidado, o que possibilita uma visão específica da gestão, buscando exercer com compreensão, humanização e cuidado.

Tanto o ato de cuidar quanto os processos gerenciais no campo da enfermagem possuem um peso e valor muito importante, por vezes estes sintetizam o fazer cotidiano, o trabalho em si desta profissão. Quando aborda-se o tema

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A guerra da Criméia foi um conflito bélico, onde Turquia declarou guerra a Rússia. O conflito desencadeou em 1853 e estendeu-se até 1856, na península da Criméia, no mar negro. Neste embate milhares de pessoas não sobreviveram e as principais causas de morte além dos ferimentos resultantes das batalhas, foram as doenças infectocontagiosas e a falta de higiene nas enfermarias. (LOPES; SANTOS, 2010).

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gerencia ou gestão, fala-se de um processo que possui foco nas organizações do trabalho, onde o enfermeiro atua como gestor ou chefe de um determinado setor ou local.

Jorge et al. (2007), traz uma importante contribuição conceituando a prática de gerenciamento em enfermagem:

A palavra gerenciamento é utilizada para definir as ações de direção de uma organização ou grupo de pessoas. A Enfermagem utiliza o gerenciamento no seu processo de trabalho e vem, ao longo dos anos, buscando meios mais eficazes de adequar modelos administrativos ao seu cotidiano, de modo a não a afastar do seu principal foco de atenção, o cuidado com o paciente (Jorge et al.p.82. 2007).

O processo de trabalho gerencial engloba as questões do planejamento, organização e controle dos recursos, sejam estes humanos, financeiros ou propriamente os materiais, com a intenção de cumprir os objetivos de determinada instituição. Para dar conta deste labor, o profissional que realiza a gestão precisa guiar suas atividades pautadas no conhecimento das ciências administrativas, politicas, econômicas, entre outras.

O gerenciamento em Enfermagem, seja em instituições hospitalares, seja no âmbito da saúde coletiva, constitui-se de atividade complexa e polêmica visto que, cada vez mais, exige dos profissionais competências (cognitivas, técnicas e atitudinais) na implementação de estratégias adequadas às atuais tendências administrativas contemporâneas que convergem para os

anseios da organização e de seus gestores(Jorge et al.p.81. 2007).

Conforme Bendassolli, Magalhães e Malvezzi (2014), a gestão propriamente dita, está ligada a elementos como eficiência, planejamento, procedimentos, regulação e controle. Neste sentido, percebe-se no gerenciamento do cuidado que é realizado pelo profissional de enfermagem, um compromisso muito grande, exigente já que sua prática vai interferir ou recair na vida dos pacientes ou dos demais trabalhadores que estão sob sua condução.

No cotidiano de toda organização podem surgir eventos ao acaso, principalmente em organizações ou instituição de saúde. Este consiste em um dos

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desafios enfrentados cotidianamente por um gestor quem precisa estar atento e ser capaz de encontrar de forma rápida soluções para as possíveis eventualidades.

Conforme Ferraz (2000), o modelo clínico de assistência e o modelo científico de administração de certa forma embaçam o olhar do enfermeiro enquanto exerce o papel gerencial, tirando-lhe muitas vezes a clareza de quais ações fazem parte da concretização desse cuidado. O enfermeiro, na área hospitalar, ainda se perde no exercício das funções administrativas, voltado para a tecnoburocracia, fazendo o gerenciamento das unidades de internação com a lógica do gerenciamento científico, enfatizando o controle mecânico das atividades, muitas vezes desenvolvidas por outros agentes.

Dessa forma Felli; Peduzzi (2005) destacam que:

No processo de trabalho gerencial, os objetos de trabalho do enfermeiro são a organização do trabalho e os recursos humanos de enfermagem. Para a execução desse processo, é utilizado um conjunto de instrumentos técnicos próprios da gerencia, ou seja, o planejamento, o dimensionamento de pessoal de enfermagem, o recrutamento e seleção de pessoal, a educação continuada e/ou permanente, a supervisão, a avaliação de desempenho e outros. Também utilizam-se outros meios ou instrumentos como força de trabalho, os materiais, equipamentos e instalações, além dos diferentes saberes administrativos (FELLI; PEDUZZI, 2005, p. 7).

Do ponto de vista econômico e administrativo, para as instituições que prestam serviços de saúde, a gestão de enfermagem pode ser determinante para a obtenção dos objetivos colocados em pauta.

A precursora da enfermagem moderna Florence Nightingale, também considerada a primeira administradora hospitalar, demonstrou com os resultados do trabalho desenvolvidos por ela e sua equipe junto ao hospital militar da Criméia, o quanto é importante conhecer e aperfeiçoar as técnicas e instrumentos administrativos, para uma melhor organização do ambiente terapêutico, mediante a divisão do trabalho desenvolvido pelas Lady nurses e nurses4, essa divisão do

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Categorização dos serviços de enfermagem onde as Lady nurses eram as candidatas de classes abastadas, as quais possuíam uma posição social de maior privilégio, eram preparadas para as atividades de supervisão, direção e organização do trabalho em geral que tinham sob sua responsabilidade o cuidado indireto, e na sistematização dos procedimentos e das técnicas de

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trabalho na enfermagem profissional emergente origina-se na divisão do trabalho intelectual e trabalho manual, e tem se mantido a atualidade (CHISTOVAM, apud FELLI; PEDUZZI, 2005).

Nesta mesma perspectiva, continua até os tempos atuais a distribuição ou divisão técnica e social do trabalho da equipe de enfermagem, distribuídos entre as categorias de trabalhadores onde aparece diferentes níveis de formação, sendo alguns enfermeiros, outros técnicos de enfermagem e auxiliar de enfermagem. Conforme ao Conselho Federal de Enfermagem (COFEN, 2015), a enfermagem no Brasil conta com um quadro de 80% técnicos e auxiliares de enfermagem e 20% de enfermeiros. Sendo assim, o gerenciamento em enfermagem busca dar uma melhor atenção aos demais trabalhadores para que estes possam sentir-se satisfeitos com os recursos que a instituição oferece, e como consequência disto, prestar um melhor serviço assistencial ao paciente, considerando a base cientifica, as competências e afeto.

Neste trabalho gerencial, onde as funções da gerência requerem planejamento das ações tendo em vista as necessidades do paciente, observando as reais condições do ambiente, a disponibilidade de insumos e materiais e o total funcionamento dos equipamentos que possam vir a ser utilizados, o gestor precisa estar atento ao diagnóstico dos pacientes, pois este poderá determinar os recursos humanos necessários para atender a demandas de forma segura e humanizada. Por outro lado deve estar atento à saúde e segurança do próprio cuidador já que qualquer incidente que possa vir a ocorrer recairá sobre si, pelo qual terá que responder.

Assim sendo a gestão uma prática constante na atuação do enfermeiro nos diferentes âmbitos da saúde, seja em instituições hospitalares ou de atendimento básico, observa-se que este por vezes se encontra desassistido e com dificuldade de lidar com a carga e o sofrimento psíquico decorrente das obrigações que este lugar lhe exige.

cuidado de enfermagem. Já as Nurses eram de nível socioeconômico inferior, provenientes das aldeias, que eram preparadas para o trabalho manual, o cuidado direto junto ao doente, a obediência e a submissão. (PADILHA; MANCIA, 2005)

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1.5. Sofrimento psíquico no trabalho

O sofrimento humano é causado por diferentes razões, devido a sua complexidade, por vezes se torna difícil conceituar ou expressar em palavras. Aparece como um sofrimento anímico, um complexo estado afetivo e cognitivo negativo onde o ser humano sente-se impotente frente às ameaças que o afrontam. Pode também demonstrar-se no corpo através de sintomas mal definidos, sem causa justa aparente.

É característico do sujeito moderno a angústia e o sofrimento por estar este em constante busca pela satisfação, pelo tamponamento da falta deixado pelo

objeto primordial perdido. Entende-se que determinadas características da

sociedade contemporânea contribuem significativamente, ou são determinantes, para a produção de uma subjetividade que em determinados aspectos levam o indivíduo a experimentar a sensação de mal-estar ou provocam algum tipo peculiar de sofrimento psíquico.

Freud em seus escritos busca dar uma explicação para as origens do sofrimento, ou o que ele chama de mal-estar. Seus estudos apontam de que as origens estariam em conjunto com a civilização, quando, em nome da cultura o individuo é chamado a renunciar a satisfação de suas pulsões as quais são da ordem do desejo, “O homem da cultura trocou uma parte de felicidade por uma parte de segurança” (FREUD, 1930 p.112). Conforme o autor, o sofrimento humano está associado a ameaça da natureza, o declínio do corpo e as relações com os outros seres humanos. Sendo que Freud considera este último como sendo aquele que produz mais sofrimento.

Conforme Freud (1930), a preocupação do homem é com sua felicidade, para tanto, algumas produções do humano na cultura dão sentido a sua existência. Uma delas, e segundo o autor, é o trabalho, o qual prende o homem a sua realidade. Por outro lado, assim como o trabalho pode produzir prazer, também produz sofrimento.

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Assim o trabalho ocupa um espaço significativo na vida do sujeito, sendo um fator constituinte de sua identidade, interferindo constantemente em sua subjetividade. Dejours (1992), apresenta como questão central de sua pesquisa o sofrimento do ser humano, para ele, o trabalho possui uma forte relação com a vida psíquica do sujeito trabalhador.

Conforme o autor, o sofrimento no trabalho não é sinônimo de loucura, é antes um estado compatível com a normalidade, porém que implica uma série de mecanismo de regulação. O sujeito sofre e o sofrimento é mais do que dor. É uma luta contra dores psicológicas, lembranças e sensações nada agradáveis.

O sofrimento se faz presente na relação do homem com o trabalho, porem não somente em seu caráter patológico. Existem outras dimensões a serem pensadas nesta relação. A capacidade criativa do homem, voltado para a criação e para as novas descobertas são exemplos de que o processo de sublimação do sofrimento traz efeitos positivos às relações do homem com o trabalho. Nesse caso, o sofrimento no trabalho adquire um sentido pela criatividade a medida que lhe confere reconhecimento e identidade. Ele deixa de ser representado como algo negativo e passa também significar criatividade, pois o trabalhador passa a criar novas formas defensivas para lidar com as agressões da organização do trabalho (DEJOURS, 1992).

Na busca de respostas aos interrogantes que deixam o sofrimento psíquico do sujeito, Dejours (1992), afirma que todo trabalho supõe a produção de uma carga física e uma carga mental. A carga mental está nas origens do sofrimento psíquico. É ela produtora de tensão interior que necessita ser descarregada no trabalho sob o risco de produzir alguma forma de sofrimento ao trabalhador. E, embora ele tenha teorizado mais sobre o trabalho de um modo geral, os aspectos relacionados à carga psíquica produzida pelo trabalho e os modos de enfrentamento do sofrimento, oriundo dessa, podem ser associados aos indicadores vislumbrados na atualidade, no mundo do trabalho.

A Psicopatologia se preocupa com o estudo ou conhecimento do sofrimento mental, através da observação, descrição e avaliação de condutas que não se

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enquadram dentro de um padrão de normalidade, ou seja, procura dar uma atenção especial para aquilo que traz sofrimento para o sujeito.

O sofrimento começa quando a relação homem-organização do trabalho está bloqueada: quando o trabalhador usou o máximo de suas faculdades intelectuais, psicoafetivas, de aprendizagem e de adaptação. Quando um trabalhador usou de tudo de que dispunha de saber e de poder na organização do trabalho e quando ele não pode mais mudar de tarefa: isto é, quando foram esgotados os meios de defesa contra a exigência física (DEJOURS, 1992. p.52).

O mesmo autor aponta para os modos de descarga da energia pulsional dizendo que a produção de ideias, fantasias, representações mentais seria uma das vias possíveis, sendo uma segunda possibilidade a descarga motora como o uso da musculatura seja por uma crise de raiva motora ou por exercícios contínuos, caminhadas, e aponta ele, na impossibilidade de uma dessas, a descarga se daria pela desorganização das funções somáticas por ele nomeada como “via visceral” fonte das doenças psicossomáticas.

Na vivência e cotidiano dos trabalhadores de enfermagem, quando este não encontra formas de descarga de sua energia pulsional, fica exposto a uma carga psíquica a qual provêm do próprio objeto de trabalho, como dito anteriormente, que é a dor e sofrimento, somado aos processos desgastantes do cotidiano do gerenciamento os quais são fontes geradoras de fadiga, tensão e sofrimento.

1.6. Trabalho de enfermagem e Sofrimento Psíquico

Conforme mencionado, a vida humana transita entre a felicidade e o mal- estar. O sofrimento, por sua vez, é intrínseco à vida do sujeito. No que concerne ao sofrimento dos profissionais de enfermagem, onde o cotidiano de trabalho é marcado pela dor dos pacientes, apresentando continuamente demandas problemáticas de difícil resolução, fator este que os torna vulneráveis ao sofrimento psíquico.

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A principal responsabilidade no exercício dessa tarefa costuma recair com maior intensidade sobre a equipe médica, diretoria técnica e, de modo mais contundente, sobre o serviço de enfermagem que deve prover de cuidados contínuos os pacientes ali internados, durante as vinte e quatro horas do dia, dia após dia, até o desfecho esperado, um amplo leque de possibilidades que vai da cura à morte (PITTA, 2003.p.62).

Em se tratando de sofrimento psíquico do profissional de enfermagem, seria possível se satisfazer com as inúmeras contribuições dadas sobre o sofrimento daquele que cuida de quem sofre, isto é, dos profissionais cuida(dores). Neste sentido Pitta (2003), afirma que tais profissionais têm a “dor e a morte como oficio”, no entanto, o que aqui se quer enfocar é no sofrimento que surge em virtude de uma organização do trabalho que é a gestão de enfermagem ou gerenciamento do cuidado.

Este sofrimento, em detrimento de outros quiçá mais visíveis, como por exemplo, lidar com a agonia de ver o final da vida ou com doenças incuráveis, passa despercebido. Não se desconsidera a carga e o sofrimento provocadas pelo trabalho com dor, sofrimento e morte. O que se pretende é dar um olhar especial, uma passagem pelas formas de organização que no trabalho gerencial de enfermagem possa ser fonte de desprazer e consequentemente de sofrimento psíquico.

Para Dejours (1992), o padecimento psíquico ou mental é resultado das formas de organização do trabalho:

Por organização do trabalho designamos a divisão do trabalho, o conteúdo da tarefa (na medida em que ele dela deriva), o sistema hierárquico, as modalidades de comando, as relações de poder, as questões de

responsabilidade etc. (DEJOURS, 1992. p.25).

A forma como o trabalho está organizado, de certa forma limita ao trabalhador a realização do seu projeto espontâneo, já que este não se organiza de acordo com sua vontade, estando o trabalhador submerso à vontade de outros. No campo da enfermagem a organização do trabalho se dá por meio da divisão de tarefas e da separação da categoria, baseada no modelo hierárquico, provocando assim a confrontação do desejo do trabalhador a aquilo que lhe é imposto.

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Considerando a divisão do trabalho no campo da enfermagem Ana Pitta (2003) aponta:

Contemporaneamente, entretanto as leigas e religiosas são fatos quase passados, substituídas que foram por profissionais de enfermagem que parcelam suas atividades, dividindo-as entre os mais e os menos graduados. Os atos técnica e socialmente mais qualificados, herdados, por sua vez, dos atos médicos, ficam com a enfermagem de nível superior – os enfermeiros, que chefiam e supervisionam, por sua vez, a enfermagem de nível médio e elementar, auxiliares e atendentes que executam o trabalho menos qualificado, expondo-se mais tempo aos enfermos. Tal organização piramidal recupera a disciplina enquanto técnica, docilizando e contendo os corpos, através de uma competente estratégia de controles e olhares hierarquizados, aproveitando a mesma hierarquia instituída com base no saber (PITTA, 2003.p. 53).

Desta forma percebe-se que a enfermagem trabalha pelo médico e isto se repete na categoria. A ação de gerenciamento predominantemente busca responder às exigências daqueles que se ocupam da administração na instituição. É uma profissão que possui significativo contingente de profissionais os quais desenvolvem suas funções em diferentes lugares e atuam de acordo ao grau de saber adquirido.

As tarefas dos auxiliares e atendentes são, a um só tempo, as mais intensas, repetitivas e social e financeiramente pior valorizadas. Além de conviver mais tempo com os enfermos, os acompanham mais de perto, anotam com detalhes suas reações, cumprindo toda a estratégia de vigiar a vida e a morte dos internados, que é, em si, a atribuição do hospital como um todo (PITTA, 2003.p.44).

O enfermeiro responsável pela gestão é quem coordena a equipe, entre eles os auxiliares e técnicos de enfermagem, a partir disso é possível pensar que a tensão vivida pelos técnicos e auxiliares é passada ao gestor e este de certa forma precisa se haver com esta situação a qual pode levá-lo ao sofrimento.

Como visto o serviço de enfermagem é marcado pelos níveis hierárquicos, com uma equipe numerosa que realiza diversas e complexas atividades que de certa forma precisam responder ao modelo de produção, atingindo metas e resultados. Neste sentido é presumível que o sofrimento do enfermeiro gestor está

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muito alinhado ao discurso dominante, o qual interfere significativamente na sua vida e na qualidade de sua ação.

A questão que aqui se coloca, no interior da divisão do trabalho hospitalar, são as estratégias que fazem com que a inteligência necessária na administração dos cuidados aos enfermos cada vez mais se concentre em um número restrito de trabalhadores (alguns médicos e algumas enfermeiras) que concebem instrumentos, automatismos, rotinas e padronizações de conduta, e cada vez mais subtraem a atividade de reflexão dos demais trabalhadores sobre seu objeto de trabalho. Cabe a esses executar as prescrições dos primeiros de modo autômato (PITTA, 2003.p.54).

O trabalhador de enfermagem, tomado pela frustração de não atingir as exigências impostas a ele, acaba promovendo o adoecimento, gerando sofrimento psíquico. Por vezes instituição realiza uma exigência geralmente desproporcional às capacidades humanas. Esta situação pode levar os profissionais a buscar outras vias de refúgio como o fechamento em si mesmo ou as manifestações psicossomáticas.

No campo da enfermagem as consequências deste tempo também são percebidas, principalmente como resposta a forma como o trabalho que é organizado em turnos e plantões, sem momentos de descanso, sem remuneração correspondente.

Sobre este assunto, Pitta(2003) refere:

O regime de turnos e plantões abre a perspectiva de duplos empregos e jornadas de trabalho, comum entre os trabalhadores de saúde, principalmente num país onde os baixos salários pressionam para tal. Tal prática potencializa a ação daqueles fatores que por si só danificam suas integridades física e psíquica (PITTA, 2003.p.59).

A mesma autora, na apresentação dos resultados de sua pesquisa aponta que os profissionais de enfermagem trabalham mais de oito horas diárias, realizando tarefas repetitivas sem uma distribuição adequada. Terminado a jornada de trabalho estes profissionais buscam somente o descanso, não apresentando disposição para

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o lazer ou estudo. Entretanto isto revela uma alta vulnerabilidade ao sofrimento (PITTA, 2003).

Outra situação muito comum no fazer do enfermeiro gestor é o gerenciamento dos conflitos gerados no ambiente de trabalho, que segundo Ciampone; Kurcgant (2005), é um ambiente permeado por incertezas e turbulências as quais demandam estratégias de negociação a fim de superar os impasses e conflitos no âmbito das relações interpessoais, intergrupais e interinstitucionais.

Considerando esses fatores, os quais podem ser responsáveis pelas desordens da ordem psíquica e física é comum que os profissionais busquem como forma de proteção algumas estratégias defensivas.

Contra a angústia do trabalho, assim como contra a insatisfação, os operários elaboram estratégias defensivas, de maneira que o sofrimento não é imediatamente identificável. Assim disfarçado ou mascarado, o sofrimento só pode ser revelado através de uma capa própria a cada profissão, que constitui de certa forma sua sintomatologia. (DEJOURS, 1992, p.133).

Uma saída encontrada pelos profissionais de enfermagem área é a estratégia defensiva da sublimação. Neste sentido Pitta (2003) refere:

Para entender alguns mecanismos pelos quais a “vocação” para o trabalho em hospitais se institui e mantém, apesar do trabalho duro de esforço físico e do penoso lidar com dejetos e situações mais desfavoráveis dos usuários dessas instituições, parece ter na sublimação uma forma de lidar com pulsões instintivas, transformando-as em atos e atividades socialmente reconhecidos e possibilitando a realização transacional do desejo num caminho alternativo à repressão (PITTA, 2003.p.78).

Pensando no sofrimento psíquico ser decorrente das dificuldades no gerenciamento, refere-se que todo o sofrimento que ocorre dentro de uma instituição recai sobre o enfermeiro chefe. Considera-se que o gestor padece de um duplo sofrimento: aquele que provêm de sua ação de cuidar do paciente e o sofrimento decorrente da responsabilidade pelos demais colegas cuidadores, isto é, gestar o cuidado e o trabalho desta profissão.

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Diversos estudos abordam as dificuldades apresentadas na prática do gerenciamento em Enfermagem, e, apesar de cada autor representar uma determinada realidade, diferentes contextos e momentos históricos, observa- se que os cenários se repetem, os problemas se assemelham. Nesse contexto, cada vez mais o enfermeiro encontra-se insatisfeito com o seu trabalho, referindo sentimentos de frustração, impotência e insegurança diante da realidade vivenciada (JORGE ET AL.P.84. 2007).

O desempenho de funções um tanto burocráticas pela maioria dos enfermeiros gerentes de instituições de saúde tem sido a causa de muita polêmica na profissão. O enfermeiro responsável pela gestão precisa conciliar a assistência e os cuidados dos pacientes com as tarefas administrativas e de gerenciamento as quais envolvem desde os materiais e insumos até a gestão do pessoal integrantes de sua equipe, pela qual ele responde.

Estas questões podem gerar obstáculos na vida deste trabalhador fazendo com que ele, sem conseguir levar adiante ambas as tarefas impostas, sinta-se frustrado e consequentemente entre em sofrimento psíquico.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa teve como foco principal o sofrimento psíquico do trabalhador de enfermagem, principalmente quando este se configura ou é decorrente das formas de organização do trabalho, conciliando cuidado e gestão.

É possível sustentar, a partir do referenciado até aqui, que o trabalho é uma das atividades mais significativas da vida humana, e uma das referências simbólicas pelas quais o sujeito se representa e se sustenta. Porém quando as circunstâncias do trabalho ou suas formas de organização não possibilitam o movimento do trabalhador, ele entra em sofrimento.

Diante disso, fica explícito a importância de discutir as questões referentes ao sofrimento psíquico do trabalhador de enfermagem e a necessidade de uma revisão no que concerne ao modo como se concilia cuidados e gestão dos processos de trabalho na categoria, ou em determinados setores de atenção à saúde.

Este sofrimento não deve passar despercebido pelos profissionais das ciências humanas e da saúde já que tem um grande impacto sobre a integridade psicológica do trabalhador de enfermagem, interferindo na maioria das vezes sobre seu trabalho, seu projeto de vida, e consequentemente na sua relação com os outros colegas de profissão ou os pacientes os quais estão sob seus cuidados.

A relação com o trabalho se dissocia gerando um mal-estar entre a equipe e a organização. O surgimento deste mal-estar revela a incongruência entre certos modos ou estilos organizacionais, onde prevalece os valores do capital, ao valor do ser humano. Quando este sofrimento se coloca em palavras pode aparecer ali uma demanda de trabalho da psicologia.

Tanto o mal-estar quanto o prazer de trabalhar passam pela palavra e pelos vínculos que ela constitui, caracterizando um suporte para a existência do sujeito

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trabalhador. Aos profissionais da psicologia cabe atender a esta demanda, realizando esta função importante de sustentar um lugar que possibilite a circulação da palavra auxiliando no resgate e no reposicionamento do sujeito frente a seu sofrimento.

Dada à incipiência desta pesquisa, considera-se importante o prosseguimento desta, aprofundando os estudos teóricos existentes sobre o assunto e posteriormente um lançamento a uma pesquisa de campo que envolva os profissionais implicados na temática.

Considerando a pertinência do tema, algumas questões emergem: ponderando que uma das bases fundamentais do exercício da profissão se dá na formação universitária ou acadêmica, as universidades que oferecem os cursos de graduação estariam disponibilizando suficientes construtos teóricos e possibilitando experiência prática no âmbito do gerenciamento de enfermagem aos futuros profissionais? No que tange aos potenciais e limitações da função, estariam estas atreladas a capacidade de liderança do profissional que exerce a gestão?

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