A questão do Poder
Antonio Gramsci
Michel Foucault
A questão do Poder
Antonio Gramsci
Gramsci
Poder é garantido fundamentalmente pela
"hegemonia" cultural que as classes
dominantes logram exercer sobre as
dominadas, através do controle do sistema
educacional, das instituições religiosas e
dos meios de comunicação;
Usando deste controle, as classes
dominantes "educam" os dominados;
Assim se forma um "bloco hegemônico"
Gramsci –
Sociedade Civil
Sociedade civil – forma um conjunto
ideológico complexo considerada sobre 3
aspectos (exemplos Igreja e escola
1- Como ideologia da classe dirigente,
abrange todos os ramos ideológicos
2- Como concepção de mundo que se
adapta a todos os grupos
3- direção ideológica da sociedade –
Sociedade Política
Função de coerção (estado)
Assegura legalmente a ordem e a disciplina
Sociedade civil e sociedade política estão ligadas
O poder no entanto não está na sociedade
política tanto que para qualquer mudança se
utiliza da sociedade civil (para ele é aí que está
de fato o poder), nas relações que se estabelece
de poder e força
Hegemonia
Não é um sistema formal, fechado, homogêneo e articulado É um processo que expressa a consciência e os valores
organizados praticamente por significados específicos e
dominantes num processo social vivido de maneira contraditória incompleta e até muitas vezes difusa
Em outras palavras a hegemonia de um grupo social equivale à
cultura que esse grupo conseguiu generalizar para outros segmentos sociais
Não é apenas consenso mas também dominação e violência Não é estática nem passiva estando sujeita a confrontações
reorganizações, mudanças etc
Hegemonia e contra-hegemonia – relação constante que num
A Função do Intelectual
Gramsci, distingue entre:
“Intelectualidade tradicional” que, sem razões, se considera uma classe distinta da sociedade
“ Intelectuais Orgânicos” que são grupos de intelectuais que cada classe gera “organicamente”.
Estes últimos não descrevem a vida social simplesmente por regras científicas, mas de preferência exprimem as experiências e os sentimentos que as massas por si
mesmas não conseguem exprimir. Deve ser um
“construtor, organizador, que consegue persuadir”, que deve partir “da técnica-trabalho para a técnica-ciência e a concepção humano-histórica, sem a qual permanece
Michel Foucault
(1926-1984)
Foucault
Filho de médico em uma família de classe média alta e conservadora na França
Na vida acadêmica tem diálogos com importantes
pensadores como Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros.
Na Escola Normal, Foucault é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Aqui Foucault já se revela um “adolescente frágil e instável emocionalmente, detestando a vida comum. Era um rapaz arisco, enigmático e fechado em si
mesmo. Com 19 anos, ele começa viver a solidão de quem é diferente, de quem não segue as normas, de quem sente desejos que não são como os da maioria”.
“Sua principal arma: a ironia, o sarcasmo. Logo é visto
como insuportável, a todos provoca e agride. Dá
apelidos ofensivos aos colegas com quem antipatiza, com os quais se atraca em público. Todos o têm por maluco”.
Em 1948 tenta pela 1ª vez o suicídio e após este
epiosódio é internado pela 1ª de muitas vezes em um hospital psiquiátrico
Em 1949 – se forma em psicologia Em 1951 – torna-se professor
Em 1961 – Doutorou-se
Sentindo-se um paria, Foucault busca, em sua obra e
em suas reflexões, reconciliar-se consigo mesmo, reformular a imagem que tem de si.
Dessa experiência dolorosa nascerá o pensador da
recusa, da rebelião cotidiana contra o poder.
Nascerá sua crítica profunda à instituição psiquiátrica, médica, jurídica, escolar, que chamará de intolerável. s”.
1975
Publicou Vigiar e Punir. “Este é um amplo estudo sobre a
disciplina na sociedade moderna, para ele, "uma técnica de produção de corpos dóceis".
O instinto da prisão teria por objetivo o marginal do
proletariado e assim reduzir a solidariedade e o processo da classe inferior; confinando as ilegalidades da classe
dominada, sobreviveriam mais facilmente às ilegalidades da classe dominante.
Foucault analisou os processos disciplinares empregados nas
prisões, considerando-os exemplos da imposição, às
pessoas, e padrões "normais" de conduta estabelecida pelas malhas sociais.
A partir desse trabalho, explicitou-se a noção de que as
formas de pensamento são também relações de poder, que implicam a coerção e imposição, mas também a
História da Sexualidade
Foucault não finalizou
seu mais ambicioso projeto, Historie de la Sexualité (História da Sexualidade), dos quais concluiu apenas três
dos seis volumes anunciados. Neste trabalho Foucault
pretende mostrar como a sociedade ocidental faz do sexo um
instrumento de poder, não por meio da
repressão, mas da expressão.
1984
Publicou O uso dos prazeres,
rompendo um silêncio de oito anos. Aqui Foucault analisa a sexualidade na Grécia antiga
Publicou Os cuidados de si
logo após O uso dos prazeres, onde analisa a sexualidade enfatizando a Roma antiga.
“Em junho de 1984, em
função de complicadores provocados pela AIDS,
Foucault tem septicemia e isso provoca sua morte por supuração cerebral no dia 25”.
Obras
Doença Mental e Psicologia, (1954);
História da loucura na idade clássica, (1961); Nascimento da clínica, (1963); As palavras e as coisas, (1966); Arqueologia do saber, (1969); Vigiar e punir, (1975); História da sexualidade: A vontade de saber, (1976);
O uso dos prazeres, (1984);
O Cuidado de Si, 1984;
Ditos e escritos; (2006);
A vontade de saber; (1970-1971)
Teorias e instituições penais; (1971-1972) A sociedade punitiva; (1972-1973)
Os anormais; (1974-1975)
Em defesa da sociedade; (1975-1976)
Segurança, território e população; (1977-1978) Nascimento da biopolítica; (1978-1979)
Microfísica do Poder; (1979)
Do governo dos vivos; (1979-1980) Subjetividade e verdade; (1980-1981) A hermenêutica do sujeito; (1981-1982)
Le gouvernement de soi et des autres; (1983) Le gouvernement de soi et des autres: le
courage de la vérité; (1984)
A Verdade e as Formas Jurídicas; (1996) A ordem do discurso; (1970)
O que é um autor?; (1983)
A microfísica do poder
“
“
O poder está em toda parte, não porque
O poder está em toda parte, não porque
englobe tudo” e sim “porque provém de todo
englobe tudo” e sim “porque provém de todo
lugar”
lugar”
Os micropoderes.
Os micropoderes.
Para
Para
Foucault
Foucault
este
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poder
poder
permeia a vida
permeia a vida
social, como um “feixe de relações”,
social, como um “feixe de relações”,
...
...
O
O
poder
poder
funciona e se exerce em rede. Nas
funciona e se exerce em rede. Nas
suas
suas
malhas...
malhas...
A disciplina como fonte de
poder
A disciplina social – conceito importante que
A disciplina social – conceito importante que
acaba por se constituir na própria micro
acaba por se constituir na própria micro
física do poder (“corpos dóceis, sujeição dos
física do poder (“corpos dóceis, sujeição dos
indivíduos, controle e coerção)
indivíduos, controle e coerção)
Para que esta disciplina aconteça deve ter os
Para que esta disciplina aconteça deve ter os
seguintes elementos para Foucault
seguintes elementos para Foucault
1- Distribuição dos corpos
1- Distribuição dos corpos
2- Controle da atividade individual
2- Controle da atividade individual
3- Internalização das funções
3- Internalização das funções
Os princípios da disciplina são
constituídos por métodos de
“adestramento dos corpos”
1- Vigilância Hierárquica – redes de relações
de controle exercidas por
dispositivos/observatórios que obrigam pelo
olhar que permite controle contínuo
2- Sanção normalizadora – recompensa e
punição para reduzir
(micro-penalidades/recompensas constantes)
3- Técnicas de Hierarquia (exame) em que as
relações de poder criam o saber e
constituem o indivíduo como efeito e objeto
de relações de poder/saber
Panóptipo
Pan-óptico é um termo utilizado para designar um “centro
ideal” desenhado. O conceito do desenho permite a um
vigilante observar todos os “prisioneiros” sem que estes possam saber se estão ou não sendo observados. De acordo com o
design de Bentham, este seria um design mais barato que o das prisões de sua época, já que requer menos empregados.
O nome aplica-se também a uma torre de observação localizada
no pátio central de uma prisão, escola, fábrica, sanatório etc. Aquele que estivesse sobre esta torre poderia observar todos os presos da cadeia (ou os funcionários, loucos, estudantes, etc), tendo-os sob seu controle.
Michel Foucault
“Quando digo poder não se trata de
detectar uma instância que estenda a sua
rede de maneira fatal, uma rede cerrada
sobre os indivíduos. O poder é uma
relação, não é uma coisa”.
Valorização as descontinuidades e rupturas
neste processo
Michel Foucault
Redes e relações de poder
Múltiplas relações e tensões
Volta-se para o cotidiano, onde estas
relações se materializam
Para que este poder se constitua é
necessário um discurso sólido e
coerente
Michel Foucault
“ Poder não está em um lugar não é algo
localizável ou passível de ser propriedade
de alguém....são as produções, discursos,
representações que o constituem;”
Poder ligado ao saber (que possibilitou a
sociedade disciplinar);
Necessidade de novas lentes para olhar a
Michel Foucault
“...a organização piramidal do poder dá o “chefe”,
mas é o aparelho inteiro que produz “poder”;
O poder é múltiplo, anônimo, não se pode
possuí-lo como uma coisa, tampouco repassá-possuí-lo como
uma propriedade
Poder, instância provisória – fruto de uma lógica
circunstancial
Poder ligado a “engenharia de participação”
Hoje novas formas de controle, alargamento do
poder de vigília, rompendo os “lugares tradicionais
dos panópticos” agora “ver sem ser visto”
Biopoder
Poder disciplinar a partir do sec XIX passa a
ser complementado pelo biopoder existindo
no mesmo tempo e espaço
Relação saber/poder presentes (legitimados
pela ciências (exatas e biológicas)
Poder disciplinar se faz sentir nos corpos dos
indivíduos o biopoder se aplica as suas vidas
Biopoder, fenômeno coletivo, que afeta uma
população; acarreta massificação (poder
disciplinar individualização)
Microfísica do
poder na escola
Diretor Supervisor Coordenador Secretaria Da Educação Estadual MEC Secretaria Municipal de Educação Igreja Serventes Professores Alunos Ex-alunos Sociedade Civil APM “Entorno” Da Escola Sindicatos Partidos políticos Associações deBairro internacionaisPressões
Poder (Fenômeno Linguístico) Emerge da capacidade de linguagem Gera Observações Experiências
Estratégias de Poder na
Escola
Saber Quem detém a informação detêm o poder
Autoridade
Institucional Investido em um cargo
A temática "saber/poder"
O poder não é uma coisa, algo que se toma
ou se dá, se ganha ou se perde. É uma
relação de forças.
Circula em rede e perpassa por todos os
indivíduos.
Neste sentido não existe o "fora" do poder.
Trata-se de um jogo de forças, de luta
transversais presentes em toda sociedade.
Onde há saber, há poder. Mas é importante
CONFIANÇA
“ Confiança é algo que você ou tem ou não tem”
CONFIANÇA SE CONSTRÓI
1– formulando adequadamente as ofertas
(promessas apresentadas) e petições (promessas
solicitadas);
2 – cumprindo as promessas;
3 – embasando os julgamentos
Senso comum - FALSO
Tornando-se a COORDENAÇÃO DAS AÇÕES impecável, por meio da LINGUAGEM, constrói-se a CONFIANÇA
Dimensões da Confiança
1- Sinceridade:o quanto as pessoas desejam
cumprir o que prometem;
2- Competência: o quanto as pessoas são
capazes de cumprir as promessas feitas com
sinceridade;
3- Envolvimento ou zelo:o quanto as pessoas
são capazes de cuidar dos pontos de vista
alheios.
Fontes
ECHEVERRIA, Rafael.
Ontologia del Lenguaje.
Chile, J.C.Saez Editora, 2008
MATURANA, Humberto e VARELA, Francisco.
A
Árvore do Conhecimento: as bases biológicas da
compreensão humana
. São Paulo, Ed. Palas
Athena, 2007