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Acordam no Tribunal da Relação do Porto.

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Academic year: 2021

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________________________________________________________________________ PN 1634.011 ; Ag.: TC. VN Gaia; Ag.es2: Ag.a3 ________________________________________________________________________

Acordam no Tribunal da Relação do Porto.

1. As Ag.es discordam da decisão pela qual foi julgada extinta a execução que lhes moveu a Ag.a, mostrando-se, no dizer do tribunal, pagas a quantia exequenda e as custas, art. 919/1 CPC.

2. Concluíram:

(a) O recebimento dos embargos não suspende a execução, salvo se o embargante requerer e prestar caução, art. 818/1 CPC;

(b) E na verdade aqui, após o recebimento dos embargos foi requerida a suspensão da execução mediante oferecimento da garantia;

(c) Contudo, prestada a caução não foi a mesma, e deveria tê-lo sido, julgada validamente prestada com a consequente e imediata suspensão executiva, art. 986 CPC;

1 Vistos:

Des.) Des.).

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(d) Por outro lado, a caução prestada por um executado, em embargos

apresentados por todos, aproveita aos demais, no sentido de fazer suspender a execução, Ac. RC, 90.03.27, CJ (1990), 2/55;

(e) Ora, acaso tivesse ficado suspensa a execução por efeito imediato da prestação de caução, o despacho recorrido não teria cabimento;

(f) E uma vez que os termos da execução aguardariam a decisão dos embargos;

(g) Como assim não foi, às recorrentes não coube defesa de direitos e

legítimos interesses, art. 20 CRP: não lhes foi dada possibilidade de verem os termos da execução suspensa em virtude da caução prestada; consequentemente,

foi-lhes vedado o direito de discutirem o objecto dos embargos, cujos termos, inexplicavelmente aliás, pararam no tempo…

(h) Por fim, o depósito efectuado aconteceu como único meio de evitar a penhora de bens e a paralisação laboral das recorrentes, mas declararam, desde logo, a razão do mesmo depósito e o intuito de quererem continuar a bater-se no

campo dos embargos;

(i) Declarando extinta a execução, por ter considerado o depósito como

depósito executivo, a decisão recorrida infringiu o disposto nos arts. 3A, 818 e 986 CPC, art. 2, Lei 3/99, 13.01, art. 20 CRP;

(j) Deve ser revogada e substituída por acórdão que ordene terem de aguardar os autos a sentença de embargos.

3. Não houve contra-alegações.

4. Em face do processo, fica assente:

(1) 00.03.09, a Ag.a instaurou contra as Ag.es

executiva com processo ordinário para pagamento de quantia certa (Pte 114 642 287$00, i.é, Eu.s 571 833,30), fundada em letra de câmbio vencida e não paga em parte;

(3)

(2) 00.05.30, a Ag.a fez nomeação de bens à penhora, depois de as executadas

terem deduzido embargos à execução e a 1ª Ag.e ter requerido a prestação de caução suspensiva;

(3) Contudo, prosseguida a execução, estas interpuseram recurso do despacho que ordenou a penhora: Agravo de subida imediata em separado e efeito não suspensivo;

(4) Ao mesmo tempo, a 1ª Ag.e protestou a eficácia e valimento para todos os executados da caução requerida (e prestada, disse…) com a finalidade de obter a suspensão da execução;

(5) Mas logo depois, a 2ª Ag.e, depositou o montante da quantia exequenda (e

juntou guia comprovativa do depósito à ordem do tribunal), pedindo a imediata suspensão da presente execução e o levantamento imediato da penhora que recaiu sobre bens pertencentes a [esta] embargante;

(6) Acrescentava no requerimento: apesar de ter procedido a este depósito, e

como única forma de proteger o bom nome comercial de que goza junto da Banca, devedores e fornecedores, continua a ter o maior interesse em discutir a

exigibilidade da obrigação;

(7) 00.11.20, execução sustada, foi à conta, acompanhada de nota do despacho, para a exequente e para as executadas;

(8) Entretanto, a parte contrária opôs-se ao requerimento da 1ª Ag.e, referido em (4): contrariamente, a lei expressa o exacto inverso, art. 818 CPC;

(9) 00.11.22, foi proferido e notificado despacho de indeferimento: (a) foi requerida de facto a prestação de caução, sendo certo que o incidente ainda não

foi decidido nem a caução prestada; (b) …não é líquido que a procedência dos embargos determine a suspensão de execução em relação a todos os executados,

e se eles forem julgados improcedentes, o exequente perderá eventualmente oportunidade de nomear e obter a penhora de outros bens de outros executados; (10) 00.12.18, foi elaborada a conta e notificada às Ag.es no dia seguinte: nela não consta a imputação de qualquer pagamento, sequer parcial, no montante exequendo, mas apenas o total de custas da responsabilidade da executada: Pte

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(11) 01.01.05, foi dado pagamento a este mesmo débito de custas, através de guia emitida em 00.12.19 na qual consta a indicação: depositante- Adega Coop.

(12) 01.03.01, a exequente, solicitada para o efeito, respondeu considerar integralmente satisfeito o crédito executado, através da quantia depositada à ordem dos autos (Pte 114.642.287$00);

(13) Mas as Ag.es retorquiram: (a) não pagaram, repete-se, a quantia exequenda; (b) a executada embargante procedeu ao depósito [como] única atitude que lhe restou para evitar a penhora de bens face à morosidade processual verificada quanto à suspensão da execução

caucionada; (c) não se encontrando paga a quantia exequenda, a execução não pode ser dada como extinta; (d) as executadas embargantes, para além de não terem pago a quantia exequenda, pretendem, como aliás sempre disseram, discutir a justeza da exigibilidade da obrigação;

(14) 01.03.14, foi proferido o despacho recorrido, na letra apontado ao requerimento antecedente: (a) CRL depositou a quantia exequenda; (b) caso fosse intenção [de a Ag.e] sustar apenas as diligências para a penhora não usou do meio próprio, nos termos do art. 818 CPC: desejasse discutir a relação jurídica subjacente, teria de prestar caução que, só mais tarde, uma diferente executada [1ª Ag.e] veio requerer; (c) assim, e caso as Ap.es queiram discutir a justeza da exigibilidade do pagamento executivo, não será já no âmbito destes autos:…o objectivo deste processo está cumprido.

5. O recurso está pronto para julgamento.

6. A primeira dificuldade que oferece a matéria em crise de apreciação diz respeito às notificações (a que não reagiram as recorrentes), primeiro, do despacho de sustação, depois, da conta. Pareceria portanto não caber discutir já o problema de se tratar de um depósito para prestação de caução, ou de um depósito da quantia exequenda, aquele a que procedeu de : consolidara-se definitivamente o

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entendimento e a decisão sequente do tribunal, e o depósito seria só depósito do montante do débito executado.

Contudo, ao tratar-se de despacho tabelar (ou de actividade burocratico-tributária de processamento), cujos termos não esclarecem porventura senão do ponto de vista estrito da linguagem técnico-contábil, ou mesmo de que a singular configuração ocultava, em boa verdade, a fase do processo (aquele concreto momento executivo), não pode aceitar-se que estejam presentes os pressupostos preclusivos do trânsito intercalar. Na verdade, as partes, segundo a normal experiência, não obtiveram o conhecimento de dados suficientes e de relevo, em qualquer dos casos (despacho de sustação; conta), para compreenderem de manifesto qual estava a ser o entendimento

do tribunal quanto ao perfil do acto de uma delas, contraditório sem dúvida não só com o curso do processo até aí, como adverso ao texto do requerimento apresentado para justificar o depósito, esse pomo da discórdia precisamente.

Por tudo isto devemos pois mergulhar no fundo da discordância, ancorada no diálogo de surdos da celeridade processual. E rapidez executiva contraposta aqui contudo à demora surpreendente do incidente de prestação de caução, no tributo a uma lógica argumentativa em favor dos credores titulados, afinal a parte mais fraca e principais

vítimas dos devedores relapsos, blindados estes na manipulação dos efeitos de defesa.

Defende-se na posição de 1ª instância e do exequente que não lançou mão do procedimento devido para suspender o curso executivo; defende-se na

posição das Ag.es a injustiça de não terem sido ouvidos os protestos embargantes, afeiçoado o depósito em numerário à ideia de continuar o debate contra a

exigibilidade da dívida.

Ora bem, sem dúvida que o propósito defensivo, este propósito de suspender a execução foi expresso com transparência e clareza pelo interessado depositante. E sem dúvida também que falhou a fórmula adequada.

Todavia a regra processual, pelo menos após a reforma de 95, impõe, e numa base de privilégio do activismo do juiz, a lógica incontornável do aperfeiçoamento, justamente em ordem à celeridade, lógica que se não for seguida, frustra sem rebuço

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o programa legal: logo, omissão com influência no justo exame, nulidade (art. 201 CPC).

Ocorreu aqui este vício: o julgador deveria ter mandado aperfeiçoar o pedido da recorrente , mas não o fez e tomou-o de imediato como pagamento

em metálico, descartando depois a protecção valorativa do interesse da executada para outra acção, outro distinto solicitar do e ao tribunal.

Esta última circunstância parece dar-nos com rigor o tonus da influência omissiva no julgamento; afinal de contas, ordem legitimada de embolso por parte do contrário, mas sem a advertência do conflito, sem prevenir os direitos de oposição.

Por conseguinte, procedem as conclusões das Ag.es, e este processo de execução terá de ser tido apenas como virtualmente suspenso por efeito do depósito/caução promovido pela executada . Ainda assim, deverá ser lavrado evidentemente o despacho de idoneidade, bem possível no imediato, porque a parte contrária foi ouvida e pronunciou-se, quer contra a pretensão, num primeiro

momento, quer a favor da suficiência da caução, por fim, quando veio dizer bastar-se com o depósito.

7. Atento o exposto, vistos os arts. 201/1.2 e 508/2.6 CPC, decidem dar provimento ao presente Agravo, revogando a decisão recorrida e ordenando que seja proferido o sobredito despacho.

8. Custas pela Ag.a, sucumbente.

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