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Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2006

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nº 30/2005

20 de Outubro de 2005

Proposta de Lei do Orçamento do Estado para

2006

Foi apresentada à Assembleia da República a Proposta de Lei do

Orçamento de Estado para 2006. Passamos seguidamente a identificar as principais medidas de natureza fiscal previstas na Proposta. Alertamos para o facto de se tratar apenas de uma proposta de lei, que poderá ser objecto de alterações quando da respectiva discussão e aprovação.

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares

(IRS)

Incrementos patrimoniais

Passam a estar expressamente excluídos de tributação, enquanto

incremento patrimonial, os prémios provenientes do jogo social do Estado, explorado pela Santa Casa da Misericórdia, denominado de «Liga dos Milhões» (à semelhança do que já acontecia com o denominado prémio Euromilhões).

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2/12 | PORTUGAL Conceito de residência fiscal

Conforme já tinha constado de autorizações legislativas, veio finalmente concretizar-se na lei a possibilidade de um dos cônjuges do agregado familiar que não detenha uma ligação entre a maior parte das suas actividades económicas e o território português poder ser tratado como não residente fiscal em Portugal, desde que comprove a inexistência de tal ligação. O outro cônjuge, residente em território nacional, deverá, neste contexto, preencher uma declaração fiscal, declarando apenas os seus rendimentos próprios e a sua parte nos rendimentos comuns.

Deduções ao rendimento de pensões – Categoria H

A dedução máxima ao rendimento de pensões é reduzida de € 8.283 para € 7.500 (redução de 9,45%). Esta medida insere-se na já anunciada intenção de harmonizar o tratamento fiscal das pensões com o dos rendimentos do trabalho dependente, aproximando assim o montante da dedução ao rendimento das pensões do valor da dedução específica aplicável aos rendimentos do trabalho dependente.

Para além do acima referido, a supra mencionada dedução ao rendimento das pensões sofre ainda limitações quando o valor anual deste rendimento exceda € 40.000, o que até 2006 só se passa quando o rendimento em causa excede o vencimento anualizado do primeiro-ministro.

Escalões/taxas de IRS

É criado um escalão adicional para os rendimentos superiores a € 60.000, ao qual é aplicável uma taxa de 42% (2 pontos percentuais mais elevada que a taxa mais alta actualmente vigente – 40%). Em geral, os restantes escalões foram actualizados em 2,3%.

Com a criação do novo escalão, passa a haver um escalão imediatamente abaixo desse, com uma taxa marginal de 40% e um intervalo de apenas € 4.261.

Deduções à colecta

Ao nível das deduções à colecta, verificaram-se, em termos gerais, aumentos de 2,3%.

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Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas

(IRC)

Pessoas colectivas de utilidade pública e de solidariedade social

As pessoas colectivas de utilidade pública administrativa, as instituições particulares de solidariedade social e entidades anexas, bem como as pessoas colectivas àquelas legalmente equiparadas, passam a beneficiar de uma isenção de IRC automática, deixando assim de depender de reconhecimento do Ministro das Finanças.

A isenção de IRC que beneficiam as entidades acima identificadas e as pessoas colectivas de mera utilidade pública que prossigam fins científicos ou culturais, de caridade, assistência, beneficência, solidariedade social ou defesa do meio ambiente não abrange os rendimentos empresariais auferidos no âmbito de actividades não abrangidas pelos seus fins estatutários, bem como os rendimentos de títulos ao portador, não registados nem depositados, nos termos da legislação em vigor.

Encargos não dedutíveis

Deixam de constituir custos fiscalmente dedutíveis os encargos que se encontrem suportados por documentos emitidos por contribuintes cuja cessação de actividade tenha sido oficiosamente declarada. Para estes efeitos, a Direcção-Geral dos Impostos deve disponibilizar a informação relativa à situação cadastral dos sujeitos passivos.

Perdas ou variações patrimoniais relativas a partes de capital

O regime de não dedutibilidade fiscal em metade do seu valor é alargado a outras perdas ou variações patrimoniais negativas relativas a partes de capital ou outras componentes do capital próprio, designadamente prestações suplementares.

Preços de transferência

Passam a estar incluídas no conceito de “relações especiais”, para efeitos de aplicação do regime de preços de transferência, as relações entre uma entidade não residente com estabelecimento estável em território nacional e uma entidade sujeita a um regime fiscal claramente mais favorável, residente em país, território ou região constante da lista aprovada por Portaria do Ministério das Finanças.

Subcapitalização

Passam a estar expressamente excluídas do âmbito de aplicação do regime de subcapitalização, na sequência da jurisprudência comunitária já produzida, as situações de endividamento de um sujeito passivo residente em território nacional perante entidades residentes em outro Estado- -Membro da União Europeia.

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Nos casos de endividamento excessivo perante entidades residentes em país, território ou região com regime fiscal claramente mais favorável, conforme Portaria do Ministro de Estado e das Finanças, deixa de ser possível afastar a aplicação das regras de subcapitalização, mediante a apresentação de comunicação a demonstrar que o mesmo nível de endividamento poderia ser obtido em condições análogas junto de uma entidade independente.

Liquidação oficiosa por falta de entrega da Declaração modelo 22

A liquidação oficiosa de IRC, quando não for apresentada a Declaração modelo 22 pelos respectivos sujeitos passivos, passa a ter por base, para além da matéria colectável do exercício mais próximo que se encontre determinada, o montante mínimo do lucro tributável apurado nos termos do regime simplificado de tributação.

Nestes termos, a liquidação oficiosa passa a ter por base o maior dos seguintes valores: (i) 6.250 Euros ou (ii) a matéria colectável do exercício mais próximo que se encontre determinada.

Pagamento especial por conta

É aumentado significativamente, de € 40.000 Euros para € 70.000, o limite máximo do pagamento especial por conta.

Reintegrações e amortizações

É aumentada a taxa máxima de reintegração fiscalmente dedutível dos veículos automóveis pesados e reboques para mercadorias e pesados para passageiros, afectos a serviço público, de 20% para 25%.

É, igualmente, incrementada a taxa máxima de reintegração dos computadores de 25% para 33,33%.

Transferência de residência de uma sociedade para o estrangeiro e cessação de actividade por parte de entidades não residentes

É transposta para o ordenamento jurídico nacional a Directiva n.º 2005/19/CE, do Conselho, de 17 de Fevereiro de 2005, que alterou a Directiva n.º 90/434/CEE, do Conselho, de 23 de Julho de 1990, relativa ao regime fiscal comum aplicável às fusões, cisões, entradas de activos e permutas de acções entre sociedades de Estados-Membros diferentes. Por força da transposição em apreço, passa a considerar-se, para efeitos de determinação do lucro tributável do exercício da cessação de actividade de uma entidade com sede ou direcção efectiva em território português (incluindo a Sociedade Europeia e a Sociedade Cooperativa Europeia), por força da mudança da sua sede e a direcção efectiva para o estrangeiro, as componentes positivas ou negativas resultantes das diferenças entre os valores de mercado e os valores contabilísticos fiscalmente relevantes dos elementos patrimoniais à data da cessação.

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No entanto, não será aplicável o regime acima referido, caso os elementos patrimoniais permaneçam afectos a um estabelecimento estável em Portugal da mesma entidade, desde que sejam observados relativamente aos mesmos determinados requisitos, nomeadamente, sejam inscritos na contabilidade do estabelecimento estável pelos mesmos valores que tinham na da sociedade anteriormente residente e pelos montantes fiscalmente relevantes.

É, ainda, estabelecida a possibilidade de utilização dos prejuízos fiscais apurados anteriormente à cessação da actividade da sociedade, na sequência da deslocalização da sua sede e da sua direcção efectiva para fora de Portugal, pelo estabelecimento estável em Portugal na medida em que correspondam aos elementos patrimoniais ao mesmo afectos, desde que seja obtida autorização do Director-Geral dos Impostos, mediante requerimento a entregar até ao final do mês seguinte ao da data da cessação de actividade.

De igual modo, no caso de ocorrer a cessação de actividade de um estabelecimento estável de uma entidade não residente em território português, incluindo a transferência dos elementos patrimoniais que lhe estão afectos para fora do território nacional, a qualquer título, aplicar-se--á a tributação acima descrita, com as necessárias adaptações.

Os sócios de entidades cuja sede e direcção efectiva deixe de se localizar em território português serão tributados pela diferença entre o valor do património líquido a essa data (avaliado ao valor de mercado) e o preço de aquisição que corresponder às respectivas partes sociais, aplicando-se com as necessárias adaptações as disposições do Código do IRC relativas à tributação do resultado da partilha.

Contribuições para a Caixa Geral de Aposentações

Foram transferidas, com efeitos a 1 de Dezembro de 2004, para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) as responsabilidades pelos encargos com as pensões de aposentação e de sobrevivência do pessoal de algumas empresas, as quais passaram a efectuar diversas contribuições para a CGA a título de compensação financeira, nas condições e pelo período estabelecido em cada diploma.

As contribuições efectuadas para a CGA, relativas às responsabilidades não provisionadas pelas empresas abrangidas, passam a ser dedutíveis, sem observância de qualquer limite, para efeitos de determinação do lucro tributável, nas condições e pelo período estabelecido em cada diploma específico, desde que sejam registadas na contabilidade em contas de custos ou de capital apropriadas.

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IRS e IRC

Rendimentos da dívida pública e não pública – autorização legislativa

O Governo fica autorizado a rever o regime de isenção de IRS e IRC aplicável aos rendimentos de capitais e mais-valias resultantes de valores mobiliários representativos de dívida pública e não pública, o qual já foi aprovado em Conselho de Ministros, aguardando publicação, no sentido de excluir do seu âmbito as pessoas colectivas detidas, directa ou indirectamente, em mais de 20% por entidades residentes em Portugal, bem como de incluir os bancos centrais e as agências de natureza governamental, dos países, territórios ou regiões com regimes de tributação privilegiada, constantes da Portaria nº 150/2004, de 13 de Fevereiro.

Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)

Créditos incobráveis

É incrementada a possibilidade de dedução de IVA em créditos considerados incobráveis, através do aumento do valor das dívidas

susceptíveis de inclusão no regime que permite a recuperação de imposto, que oscilavam entre € 349,16 e € 4.987,98 e passam a variar entre € 750 e € 8.000.

É criada uma nova possibilidade de recuperação de IVA quando o devedor, sendo particular ou sujeito passivo que realize exclusivamente operações isentas que não confiram o direito a dedução, conste do registo

informático de execuções como executado contra quem foi movido processo de execução anterior entretanto suspenso por não terem sido encontrados bens penhoráveis, devendo o valor dos créditos estar abrangido nos limites acima referidos.

Prevê-se a obrigatoriedade de incluir no processo de documentação fiscal (normalmente designado por dossier fiscal) a informação que deve ser reunida ao nível da recuperação do IVA contido em créditos incobráveis.

Controlo de sistemas informáticos relativos a facturação

Estabelece-se que os sujeitos passivos que processem facturas ou outros documentos fiscalmente relevantes através de sistemas informáticos (incluindo a facturação electrónica mas não só), devem assegurar a respectiva integridade operacional, a integridade da informação arquivada electronicamente e a disponibilidade da documentação técnica relevante, sendo detalhadas diversas condições processuais/técnicas para atingir aqueles três objectivos.

Criam-se, assim, diversos constrangimentos que permitirão contribuir para assegurar uma cada vez maior uniformidade das condições de facturação dos diversos sujeitos passivos, prosseguindo-se o objectivo de combate à fraude e evasão fiscais.

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Operações imobiliárias – autorização legislativa

A exemplo do sucedido no Orçamento de Estado para 2005 e na primeira alteração ao mesmo, o Governo fica, uma vez mais, autorizado a

consagrar normas especiais que obstem à concretização de negócios que visem impedir, minorar ou retardar a tributação em IVA, no âmbito de transmissões, locações ou cedências doutra natureza de bens imóveis ou partes autónomas destes, com o seguinte sentido:

- Prevenir práticas de subavaliação na transmissão de imóveis ou em prestações de serviços conexas, quando o destinatário das operações seja um sujeito passivo sem direito à dedução integral ou quando as partes tenham relações especiais, prevendo-se o valor normal como base tributável;

- Definir, nas operações praticadas entre sujeitos passivos, como devedor de imposto o destinatário de prestações de serviços conexas com a construção de edifícios, bem como o adquirente, locatário ou cessionário no caso das operações sobre imóveis sujeitas a tributação; - Rever os requisitos necessários ao exercício do direito a renunciar à

isenção de IVA em operações imobiliárias, introduzindo restrições quando estejam envolvidos sujeitos passivos sem direito à dedução integral ou quando entre eles existam relações especiais, e

reformulando todo o respectivo procedimento administrativo.

Impostos Especiais sobre o Consumo

Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas

É aumentada em 2,3% a taxa do imposto sobre a cerveja, produtos intermédios e bebidas espirituosas.

Imposto sobre o Tabaco

São aumentadas as taxas aplicáveis no Continente e nas Regiões Autónomas em cerca de 13% e 9%, respectivamente.

Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos

São fixados novos intervalos das taxas do ISP com acréscimos significativos nos limites máximos, de modo a ter em conta os preços internacionalmente estabelecidos, bem como os objectivos de

consolidação orçamental.

Imposto Automóvel (IA)

É proposta a introdução no dia 1 de Julho de 2006 das alterações legislativas que determinam a tributação em IA, incidente sobre os veículos ligeiros de passageiros, em função não apenas da cilindrada, mas igualmente das emissões de dióxido de carbono (CO2).

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Até 30 de Junho de 2006, o nível de tributação do IA é aumentado em cerca de 2,3%.

É proposta a prorrogação até 31 de Dezembro de 2006 do incentivo fiscal de € 1,000 à destruição de automóveis ligeiros em fim de vida.

Impostos de Circulação e Camionagem

São estabelecidas novas tabelas do Imposto de Circulação (ICi) e Camionagem (ICa) aplicáveis aos transportes pesados de passageiros e mercadorias, introduzindo como critério adicional de determinação do montante de imposto o ano da primeira matrícula do veículo.

Imposto Municipal sobre Veículos

São actualizados em 2,3% os valores do Imposto Municipal sobre Veículos actualmente em vigor.

Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis

(IMT)

Escalões

Os escalões, para efeitos de incidência de IMT na aquisição de prédio urbano ou de fracção autónoma de prédio urbano destinado

exclusivamente à habitação, são actualizados em 2,3%. Assim, o valor máximo nas aquisições de prédio urbano ou fracção autónoma de prédio urbano destinado exclusivamente a habitação, cujo valor beneficia de isenção de IMT, passa de € 81.600 para € 83.500.

Fundos de reforma, educação e poupança-reforma/educação.

É revogada a isenção de IMT que beneficiam os fundos de poupança-reforma, poupança-educação e poupança-reforma/educação.

Imposto do Selo

Entradas de capital

Procede a um alargamento da base de incidência das operações de entradas de capital, passando a estar sujeitas a Imposto do Selo as entradas de capital de sociedades de capitais, não só quando esta se faça por escritura pública, mas também por documento particular ou por qualquer instrumento de natureza legal.

Operações de reporte em bolsa de valores

É reintroduzida a isenção de Imposto do Selo aplicável às operações de reporte de valores mobiliários ou direitos equiparados, realizadas em bolsa de valores, repondo-se assim a isenção que, por possível lapso, foi revogada com a publicação da vulgarmente designada Reforma do Património.

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9/12 | PORTUGAL Operações de reestruturação

É reintroduzida a isenção de Imposto do Selo aplicável às operações de constituição e de aumento do capital resultantes da entrega, por uma ou mais sociedades de capitais, da totalidade do respectivo património ou de um ou vários ramos da sua actividade a uma ou mais sociedades de capitais em vias de constituição ou já existentes.

Valor tributável

O valor tributável, para efeitos de Imposto do Selo, nos negócios jurídicos sobre bens imóveis é determinado de acordo com as regras do Código do IMT. Esta norma tem natureza interpretativa.

Responsabilidade do depositário nas transmissões gratuitas

A responsabilidade solitária pelo imposto das entidades a quem tenham sido confiados os valores monetários em depósito, entretanto objecto de transmissão gratuita, limita-se aos casos em que tenham conhecimento da mesma.

Benefícios Fiscais

Fundos de Poupança-Reforma

É reposta a dedução à colecta, que existiu até 2004 inclusive, relativa às contribuições para Planos de Poupança-Reforma (PPR), embora não abranja Planos Poupança-Educação (PPE) e PPR/E’s.

Assim, estabelece-se a possibilidade de dedução à colecta de um

montante correspondente a 20% dos valores aplicados no respectivo ano em PPR, com os seguintes limites máximos:

- € 400, se o participante tiver idade inferior a 35 anos; - € 350, se o participante tiver entre os 35 e os 50 anos; - € 300 Euros, se o participante tiver idade superior a 50 anos.

Paralelamente, prevê-se que, em caso de reembolso parcial ou total, de PPR, situação em que a tributação se efectua de acordo com as regras aplicáveis aos rendimentos da categoria E (rendimentos da capitais), a matéria colectável passe a ser constituída por dois quintos do rendimento (actualmente é considerado apenas um quinto do rendimento).

Quanto aos rendimentos de PPE e PPR/E’s, os mesmos passam a ser tributados na sua totalidade nas situações de resgate, total ou parcial, contrariamente ao que até agora se verificava – tributação sobre um quinto.

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No entanto, prevê-se que, relativamente aos planos celebrados até à data da entrada em vigor do Orçamento de Estado para 2006, se continue a aplicar a actual regra, relativamente à parcela do rendimento que corresponder às contribuições efectuadas até àquela data.

Aquisição de computadores e outros equipamentos informáticos

Estabelece-se a possibilidade de dedução à colecta do IRS, até à sua concorrência, de 50% dos montantes despendidos com a aquisição de computadores de uso pessoal, incluindo software e aparelhos de terminal, até ao limite de € 250. A dedução é aplicável uma única vez durante os anos de 2006 a 2008, e fica dependente da verificação das seguintes condições:

(i) a taxa normal aplicável ao sujeito passivo seja inferior a 42%; (ii) o equipamento tenha sido adquirido no estado de novo;

(iii) o sujeito passivo tenha a seu cargo estudantes de qualquer nível de ensino ou seja, ele próprio, estudante de qualquer nível de ensino; e (iv) a afectação seja suportada por factura que contenha o número de

identificação fiscal do adquirente e a menção “uso pessoal”.

As aquisições efectuadas em Dezembro de 2005 serão dedutíveis ao IRS de 2006.

Lucro tributável das operações realizadas no âmbito das Zonas Franca da Madeira e da Ilha de Santa Maria

Estabelece-se em 60% a afectação ao regime de isenção das Zonas Francas das entidades que exerçam predominantemente a sua actividade na Zona Franca da Madeira e Ilha de Santa Maria, considerando-se que tal acontece quando a proporção entre o valor dos activos líquidos afectos à sucursal financeira exterior e o valor total dos activos líquidos da

instituição seja superior a 50%.

Quando a proporção entre o valor dos activos líquidos afectos à sucursal financeira exterior e o valor total dos activos líquidos da instituição seja superior a 80%, o Ministro das Finanças pode, a requerimento dos interessados, fixar diferente percentagem.

Fundos de investimento – autorização legislativa

O Governo fica autorizado a rever o regime de tributação dos fundos de investimento, através do estabelecimento de uma taxa reduzida de IRC para os rendimentos dos fundos e da tributação em IRS e IRC dos rendimentos atribuídos aos participantes.

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Incentivos excepcionais para o descongestionamento das

pendências judiciais

Nas acções cíveis declarativas e executivas que tenham sido propostas até 30 de Setembro de 2005 e venham a terminar em razão de desistência do pedido, de confissão, de transacção ou de compromisso arbitral

apresentado até 31 de Dezembro de 2006, será possível deduzir o IVA incluído nos créditos reclamados nas seguintes condições:

- Nas acções de valor inferior a € 7.500, quando o demandado seja sujeito passivo com direito à dedução, devendo ser-lhe comunicada a anulação do imposto para efeitos da rectificação da dedução

inicialmente efectuada.

- Nas acções de valor inferior a € 10.000, quando o demandado seja particular ou sujeito passivo que realize exclusivamente operações isentas que não confiram direito a dedução.

Quando a extinção da instância tenha como fundamento a desistência do pedido, o valor deste é dedutível para efeitos de determinação do lucro tributável dos sujeitos passivos de IRC e de IRS que aufiram rendimentos da categoria B e possuam contabilidade organizada. Esta dedução não é aplicável quando as acções sobre créditos envolvam entidades

relacionadas.

Lei Geral Tributária

Responsabilidade dos técnicos oficiais de contas

A responsabilidade pelas dívidas tributárias, aplicável aos técnicos oficiais de contas, passa a ser igualmente considerada em casos de violação negligente, e não apenas dolosa, dos deveres de assunção de

responsabilidade pela regularização técnica nas áreas contabilística e fiscal ou de assinatura de declarações fiscais, demonstrações financeiras e seus anexos.

Os técnicos oficiais de contas passam a ser responsáveis, ainda que subsidiariamente ou solidariamente com os demais membros dos órgãos sociais da sociedade, pelas coimas devidas pela falta ou atraso de quaisquer declarações que devam ser apresentadas no período de exercício de funções.

Lista de contribuintes

Passará a não se encontrar abrangida pelo dever de confidencialidade, que os dirigentes, funcionários e agentes da administração tributária se encontram obrigados, a divulgação de listas dos contribuintes cuja situação tributária não se encontre regularizada.

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Por situação tributária regularizada dever-se-á entender: (i) o pagamento integral de quaisquer tributos, (ii) a inexistência de situações de mora ou (iii) a sua regularização em conformidade com as disposições e planos previstos no Código de Procedimento e de Processo Tributário e demais legislação em vigor.

Código de Procedimento e de Processo Tributário

Prazo da reclamação graciosa

É alargado o prazo para a dedução da reclamação graciosa de 90 para 120 dias, o qual só é aplicável para os prazos que se iniciem após a entrada em vigor do Orçamento do Estado.

Por outro lado, é revogada da possibilidade de apresentação de

reclamação graciosa no prazo de um ano, quando o fundamento consista em preterição de formalidades essenciais ou na inexistência, total ou parcial, de facto tributário.

Regime Geral das Infracções Tributárias

Falsidade informática

Passa a ser punido, com coima variável entre € 500 e € 25.000, quem criar, ceder ou transaccionar programas informáticos, concebidos com o objectivo de impedir ou alterar o apuramento da situação tributária do contribuinte.

Passa a ser, igualmente, punido, com coima variável entre € 500 e o triplo do imposto que deixou de ser liquidado, com o limite de € 25.000, quem utilizar, alterar ou viciar programas, dados ou suportes informáticos, necessários ao apuramento e fiscalização da situação tributária do contribuinte, com o objectivo de obter vantagens patrimoniais susceptíveis de causarem diminuição das receitas tributárias.

Introdução irregular no consumo

É aumentado significativamente o limite máximo da coima – de € 150.000 para € 300.000 – quando ocorra a introdução no consumo ou

comercialização de produtos com violação das regras de selagem, embalagem ou comercialização estabelecidas no Código dos Impostos Especiais sobre o Consumo.

Referências

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