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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ECONOMIA BACHARELADO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

BACHARELADO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRAS:

UMA VISÃO A PARTIR DO RIO GRANDE DO NORTE

ELIANA PAULA FELIX FERREIRA DA SILVA

NATAL-RN 2021

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ELIANA PAULA FELIX FERREIRA DA SILVA

TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRAS:

UMA VISÃO A PARTIR DO RIO GRANDE DO NORTE

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do Título de Bacharel em ciências Econômicas.

Orientadora: Professora Dra. Valdênia Apolinário

NATAL-RN 2021

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Silva, Eliana Paula Felix Ferreira da.

Terceirização na Petrobras: uma visão a partir do Rio Grande do Norte / Eliana Paula Felix Ferreira da Silva. - 2021.

69f.: il.

Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) - Departamento de Economia, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2021.

Orientadora: Profa. Dra. Valdênia Apolinário.

1. Ciências Econômicas - Monografia. 2. Terceirização de serviços - Monografia. 3. Petrobras - Monografia. 4. Condições de Trabalho - Monografia. I. Apolinário, Valdênia. II. Título.

RN/UF/CCSA CDU 331.102.14

Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Centro Ciências Sociais Aplicadas - CCSA

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ELIANA PAULA FELIX FERREIRA DA SILVA

TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRAS:

UMA VISÃO A PARTIR DO RIO GRANDE DO NORTE

Esta Monografia foi julgada e aprovada para obtenção do Título de Bacharel em Ciências Econômicas, no Curso de Bacharel em Economia, da Universidade Federal

do Rio Grande do Norte.

Dia: 28 de abril de 2021 Horário: 16:00 horas Número de páginas: 69

BANCA EXAMINADORA

Professora Dra. Valdênia Apolinário

(Orientadora – Departamento de Ciências Econômicas – DEPEC/UFRN)

Professor Dr. Francisco Wellington Duarte

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, a Deus, pela minha vida, e por me permitir ultrapassar todos os obstáculos encontrados ao longo da realização deste trabalho.

Aos meus pais e irmãos, principalmente a minha mãe Iracema Felix da Silva e a minha irmã Elizabeth Carter, que sempre me incentivaram nos momentos difíceis e acreditaram que eu seria capaz.

Em especial à Orientadora e Profa. Dra. Valdênia Apolinário pela paciência, sabedoria e por aceitar conduzir o meu trabalho de pesquisa.

Aos amigos, que sempre estiveram ao meu lado, que de alguma forma, contribuíram direta ou indiretamente para o desenvolvimento e realização deste trabalho de pesquisa.

Por último, mas não menos importante a Marcelo de Oliveira Marinho pelas valiosas contribuições dadas durante meu processo na faculdade.

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RESUMO

Esta monografia analisa a terceirização de mão de obra na maior empresa petrolífera do país, a Petróleo Brasileiro S.A. no estado do Rio Grade do Norte. O objetivo é comparar as condições de trabalho entre trabalhadores efetivos e os terceirizados que exercem atividades semelhantes ou iguais, na Petrobras, precisamente em relação a salários, direitos e benefícios. A hipótese do estudo é que a Petrobras segue a tendência geral das subcontratações/terceirizações de mão de obra. Ademais, tais trabalhadores terceirizados, quando comparados aos efetivos, apresentam significativa redução de benefícios e/ou direitos, sendo este o caso dos trabalhadores empregados em várias empresas contratadas. A metodologia inclui uma pesquisa bibliográfica sobre a terceirização de mão de obra, com ênfase na indústria petrolífera. O estudo também contempla uma pesquisa exploratória, de natureza quali-quantitativa tendo por base entrevistas abrangendo trabalhadores terceirizados e efetivos da Petrobras e comparando condições de trabalho. Dentre os principais resultados destacam-se os inúmeros problemas que afligem os trabalhadores terceirizados da Petrobras: precarização dos salários, não cumprimento dos direitos trabalhistas, dentre outros. Como conclusão, a hipótese da pesquisa é confirmada, indicando que é bastante significativa a diferença entre os trabalhadores efetivos da Petrobras e terceirizados contratados pelas empresas prestadoras de serviços à Petrobras.

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ABSTRACT

This monograph analyses the outsourcing of labor at the country’s largest oil company, Petróleo Brasileiro S.A., in the state of Rio Grande do Norte. The objective is to compare working conditions between permanent staff and outsourced workers who carry out similar or equal activities at Petrobras, precisely with regards to wages, rights and benefits. The hypothesis of this research is that Petrobras follows the general trend of subcontracting/outsourcing of labor. In addition, the outsourced workers when compared to permanent staff present a significant reduction in benefits and/or rights, which is the case for workers employed by several contracted companies. The methodology includes a bibliographic research on outsourcing of labor, with emphasis on the oil industry. This study also includes exploratory research of a qualitative and quantitative nature, based on interviews obtained from Petrobras' outsourced workers and permanent staff, comparing their working conditions. Within the main results was the highlight of numerous problems that afflict Petrobras' outsourced workers: precarious wages, non-compliance with labor rights, among others. As a conclusion, the researched hypothesis is confirmed, indicating that the differences between permanent staff at Petrobras and outsourced workers hired by companies providing services to Petrobras is quite significant.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Fatores que motivaram a contratação de empresas na CIA Petroleira 2002 ... 31

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Trabalhadores Terceirizados e Efetivos da Petrobras Entrevistados ... 15 Quadro 2 - Perfil dos empregados terceirizados da Petrobras ... 35 Quadro 3 - Perfil dos empregados efetivos da Petrobras ... 47

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Resultante da pergunta 1 do Apêndice A – “As condições de trabalho quando comparado ao efetivo? ... 36 Gráfico 2 - Resultado da Pergunta 2 do Apêndice A – “Já ocorreu o não pagamento ou atraso do salário? ” ... 37 Gráfico 3 - Resultado da pergunta 3a do Apêndice A - “Como enxerga o posicionamento do sindicato? ” ... 37 Gráfico 4 - Resultado da pergunta 3b do Apêndice A - “O que é alcançado pelo sindicato dos empregados da Petrobras é repassado para os terceirizados? ” ... 38 Gráfico 5 - Resultado da pergunta 4a do Apêndice A - "Foi vitima, presenciou ou soube de alguém que sofreu assédio moral ou preconceito nas instalações da Petrobras?" ... 39 Gráfico 6 - Resultado da pergunta 4b do Apêndice A - "Presenciou ou soube de algum colegas terceirizado sofrendo assédio moral ou preconceito"? ... 39 Gráfico 7 - Resultado da pergunta 5 do Apêndice A - "As demandas são as mesmas de um empregado Petrobras?" ... 40 Gráfico 8 - Resposta da pergunte 6a do Apêndice A - "A Petrobras oferece treinamento aos seus empregados efetivos"? ... 40 Gráfico 9 - Resposta da pergunta 6b do Apêndice A - "O treinamento é realizado também para os terceirizados que fazem o mesmo trabalho?" ... 41 Gráfico 10 - Resultado da pergunta 7 do Apêndice A - "A empresa que o contratou oferece treinamento para suas atividades?" ... 42 Gráfico 11 - Resultado da pergunta 8a do Apêndice A - "Os acidentes de trabalho são mais comuns entre efetivos ou terceirizados?" ... 42 Gráfico 12 - Resultado da pergunta 8b do Apêndice A - "Os adoecimentos são mais comuns entre terceirizados ou efetivos?" ... 43 Gráfico 13 - Resultado da pergunta 9 do Apêndice A - "Empresas prestadoras de serviços oferecem os mesmos benéficos que a Petrobras oferece aos seus empregados?" ... 44 Gráfico 14 - Resultado da pergunta 10 do Apêndice A – Qual sua análise fazendo uma comparação da remuneração e de vantagens entre efetivos e terceirizados?" ... 44

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Gráfico 15 - Resultado da pergunta 11 do Apêndice A - "Qual é a sua visão sobre a terceirização na Petrobras?" ... 45 Gráfico 16 - Resultado da pergunta 12 do Apêndice A - "Quais implicações a Lei nº 13.429/2017 trouxe para os terceirizados da Petrobras?" ... 46 Gráfico 17 - Resultado da pergunta 1 do Apêndice B - "As condições de trabalho dos terceirizados, quando comparados com os efetivos?" ... 48 Gráfico 18 - Resultado da pergunta 2a do Apêndice B – “A Petrobras deixou de pagar ou atraso o pagamento do salário ou benefício?” ... 48 Gráfico 19 - Resultado da pergunta 2b do Apêndice B – “Teve conhecimento se empregados terceirizados já tiveram atrasos em relação aos pagamentos de salários e/ou benefícios?” ... 49 Gráfico 20 - Resultado da pergunta 3a do Apêndice B - "Como enxerga o posicionamento do sindicato na luta pelos direitos trabalhistas dos empregados efetivos?" ... 49 Gráfico 21 - Resultado da pergunta 3b do Apêndice B - “O que é alcançado pelo sindicato dos empregados da Petrobras é repassado para os terceirizados?” ... 50 Gráfico 22 - Resultado da pergunta 4a do Apêndice B – “Você foi vítima de algum tipo de assédio moral ou preconceito?” ... 50 Gráfico 23 - Resultado da pergunta 4a do Apêndice B – “Com terceirizados, você presenciou algum tipo de assédio moral ou preconceito?” ... 51 Gráfico 24 - Resultado da pergunta 5 do Apêndice B - “As suas demandas de trabalho são as mesmas de um empregado Terceirizado?” ... 51 Gráfico 25 - Resultado da pergunta 6a do Apêndice B – “Você recebe treinamento por parte da Petrobras?” ... 52 Gráfico 26 - Resultado da pergunta 6b do Apêndice B – “O treinamento é realizados pelos terceirizados que fazem o mesmo serviço?” ... 53 Gráfico 27 - Resultado da pergunta 7a do Apêndice B - “Você acredita que os acidentes de trabalho na Petrobras sejam mais comuns entre os efetivos ou os terceirizados?” ... 53 Gráfico 28 - Resultado da pergunta 7b do Apêndice B – “Quanto aos adoecimentos decorrentes do trabalho, é mais comum nos empregados terceirizados ou efetivos?” ... 54

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Gráfico 29 - Resultado da pergunta 8 do Apêndice B – “Qual sua análise comparando os benefícios que a Petrobras oferece com os que as empresas oferecem aos terceirizados?” ... 54 Gráfico 30 - Resultado da pergunta 9 do Apêndice B – Qual sua análise quando comparado a remuneração de um empregado efetivo a de um empregado terceirizado, que exerce a mesma função?” ... 55 Gráfico 31 - Resultado da pergunta 10 do Apêndice B – “Qual a sua visão sobre a terceirização na empresa Petrobras? ... 55 Gráfico 32 - Resultado da pergunta 11 do Apêndice B - “Com a nova Lei Trabalhista nº 13.429/2017, quais as implicações sobre efetivos da Petrobras?” ... 56

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 12

2 METODOLOGIA ... 14

2.1 Objetivo ... 14

2.2 Hipótese ... 14

2.3 Método e Tipo de Pesquisa ... 14

2.4 Amostra ... 14

2.5 Instrumentos Utilizados, forma de Obtenção e Análise dos Dados de Campo 15 3 A TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: REFLEXÕES A PARTIR DA PETROBRAS ... 17

3.1 O Debate Sobre a Terceirização no Brasil ... 19

3.2 O Debate Sobre a Terceirização na Petrobras ... 27

4 ANÁLISE E RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO – A TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRAS NOS DIAS ATUAIS NO RN ... 35

4.1 Voz dos Empregados Terceirizados da Petrobras ... 35

4.2 Voz dos Empregados Efetivos da Petrobras ... 46

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 57

REFERÊNCIAS ... 59

APÊNDICES ... 63

APÊNDICE A – Roteiro de Entrevista com Empregados Terceirizados ... 64

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1 INTRODUÇÃO

A terceirização se apresenta como um fenômeno cada vez mais presente, onde pesquisas e estudos reafirmam o aumento das subcontratações/terceirizações em todo o mundo. Por um lado, é uma forma de organização estrutural que possibilita empresas governamentais ou privadas transferirem a outras suas atividades, proporcionando às empresas contratantes uma diminuição dos custos, redução operacional e, em tese, ganhos de qualidade e eficiência. No entanto, por outro lado, a subcontratação pode estimular a precarização do trabalho.

Conforme Marcelino (2007, p. 3) “terceirização é todo processo de contratação por empresa interposta. Ou seja, é a relação onde o trabalhado é realizado para uma empresa, mas contratado de maneira imediata por outra”.

Pochmann (2016), se referindo ao interesse na universalização da terceirização e ao processo de aprovação que ocorreu no Brasil afirma:

[...] é o inverso do defendido por juristas, especialistas, trabalhadores e sindicatos, de regular a atividade terceirizada de modo a comprometê-la com o ganho da produtividade em vez da redução de custos. A legislação em tramitação não é para os terceirizados, é para universalizar os não terceirizados. (POCHMANN, 2016, p. 1)

A terceirização surge no setor petrolífero sob o argumento de elevação da produtividade e competitividade. Contudo, a experiência mundial e brasileira revela que, considerando o trabalhador o polo hipossuficiente na relação capital-trabalho, é possível observar que não há nenhum investimento, por parte da empresa contratante, nos terceirizados, suas competências e habilidades, estímulos estes que poderiam resultar em um trabalho mais eficiente. Além disso, a Petrobras conduz as empresas fornecedoras de mão de obra terceirizada, a concorrerem, por meio de licitações, pelo menor preço. Assim, a empresa prestadora de serviço, para obter ganhos a concorrência, é forçada a pagar, aos seus empregados, salários menores e reduzir custos com benefícios trabalhistas.

Diante do exposto, a questão central de pesquisa é saber: Quais são as condições de trabalho dos empregados terceirizados da Petrobras, quando comparados com os concursados?

Logo, este estudo objetiva analisar a terceirização de mão de obra na Petrobras, identificando as principais diferenças de direitos e condições de trabalho

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entre os trabalhadores terceirizados e os demais trabalhadores diretamente contratados pela Petrobras.

A hipótese é que a Petrobras segue a tendência geral das subcontratações/terceirizações de mão de obra, elevando a terceirização de mão de obra em várias atividades. Além do mais, há um declínio de direitos e condições de trabalho entre os terceirizados, quando comparados com os trabalhadores efetivos, ou seja, aqueles diretamente contratados pela Petróleo Brasileiro S.A.

Este estudo possui quatro seções além desta Introdução. O capítulo 2 contém a metodologia do estudo, enfatizando o tipo de pesquisa, formas de obtenção e tratamento dos dados, instrumentos de pesquisa utilizados, dentre outros. O capítulo 3 traz uma revisão bibliográfica enfatizando o surgimento da terceirização, bem como uma reflexão de diferentes atores sobre a terceirização no Brasil e na terceirização na Petrobras. O capítulo 4 é o de resultados. Nele são analisados e demonstrados os dados resultantes da pesquisa de campo junto aos trabalhadores terceirizados e efetivos da Petrobras. Por fim, o último capítulo contém as considerações finais.

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2 METODOLOGIA

2.1 Objetivo

O objetivo do presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é comparar as condições de trabalho entre trabalhadores efetivos e os terceirizados que exercem atividades semelhantes ou iguais na Petrobras, precisamente de salários, direitos e benefícios.

2.2 Hipótese

A Petrobras segue a tendência geral das subcontratações/terceirizações de mão de obra. E tais trabalhadores terceirizados, quando comparados aos efetivos, apresentam significativa redução de benefícios e/ou direitos, sendo este o caso dos trabalhadores empregados em várias empresas subcontratadas pela Petrobras.

2.3 Método e Tipo de Pesquisa

A metodologia utilizada neste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) está disposta em duas partes. A primeira consiste numa revisão bibliográfica. Nesta sistematização inúmeros autores e fontes foram analisados na expectativa de melhor compreender o tema central: TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRAS - UMA VISÃO A PARTIR DO RIO GRANDE DO NORTE, com destaque para dissertações, artigos publicados, relatórios técnicos e estudiosos do tema, como por exemplo, POCHMANN, ANTUNES E DRUCK.

Além da revisão da literatura, é feita uma pesquisa exploratória, de natureza quali-quantitativa, através de entrevistas junto a trabalhadores diretamente contratados pela Petrobras e com os trabalhadores contratados pelas empresas prestadoras de serviço, visando alcançar o objetivo definido, bem como a comprovação ou não da hipótese de estudo.

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A pesquisa de campo junto aos trabalhadores efetivos e terceirizados da Petrobras foi realizada entre outubro/2020 - março/2021, respeitando todas as medidas de segurança e distanciamento social, em função da pandemia por COVID-19 e com a plena aceitação dos entrevistados. Foi possível entrevistar 17 (dezessete) trabalhadores, conforme o Quadro 1 abaixo.

Quadro 1 - Trabalhadores Terceirizados e Efetivos da Petrobras Entrevistados

Entrevistados Quantidade %

Empregados Terceirizados da Petrobras 10 59%

Empregados Efetivos da Petrobras 7 41%

TOTAL 17 100%

Fonte: Elaboração própria.

Esclarece-se que todos os entrevistados trabalham dentro das instalações da Petrobras. Por se tratar de uma pesquisa exploratória, a escolha destes trabalhadores foi feita a partir de amostragem não probabilística, precisamente intencional, mas tentando atingir, da forma mais equitativa possível, os dois conjuntos de trabalhadores: empregados terceirizados e empregados efetivos da Petrobras no Rio Grande do Norte.

2.5 Instrumentos Utilizados, forma de Obtenção e Análise dos Dados de Campo

Os instrumentos de pesquisa aplicados foram roteiros de entrevistas junto aos trabalhadores terceirizados e efetivos. Tais roteiros foram elaborados e aplicados junto aos dois conjuntos de trabalhadores, com questões assim dispostas: ‘Roteiro de entrevista com empregados terceirizados da Petrobras’ (Ver Apêndice A), contendo 12 perguntas; e, ‘Roteiro de entrevista com empregados efetivos da Petrobras’, contendo 11 perguntas. (Ver Apêndice B). Em ambos são exploradas questões relacionadas ao perfil dos trabalhadores terceirizados e suas condições de trabalho. Nos ‘Roteiros de Entrevistas’ constam questões semiestruturadas, ou seja, em parte abertas, onde a resposta é livre, e também questões fechadas, onde há uma resposta previamente definida.

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Em função da pandemia por COVID-19, os questionários foram enviados pela autora deste TCC aos trabalhadores, através de mail. Ao todo foram enviados e-mails para 28 trabalhadores, sendo 10 efetivos (7 retornaram, 70%) e 18 terceirizados (10 retornaram, 56% retornaram). Ao todo, 17 dos e-mails enviados (61%) mostraram-se válidos, pois retornaram devidamente respondidos e dentro do prazo hábil para este estudo.

Ressalta-se ainda que a análise dos dados advindos de pesquisa de campo combina a abordagem quali-quantitativa, ou seja, desde uma perspectiva quantitativa se vale de números, demonstração de dados concretos, ao mesmo tempo em que a pesquisa qualitativa enfatiza a experiência e percepção dos entrevistados.

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3 A TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA: REFLEXÕES A PARTIR DA PETROBRAS

Não há consenso quanto à origem das subcontratações/terceirizações de mão de obra. Algumas fontes indicam a sua origem ainda no mundo medieval. Outras enfatizam o pós Segunda Guerra mundial.

Conforme Macedo (2002, p. 4 e 2), “a subcontratação em si não é algo novo. Enquanto forma de organização do trabalho ela possui raízes medievais, sendo sua expansão marcada em áreas específicas da Europa a partir do século XVI”. Todavia, adverte que “não é possível assimilar ou igualar as condições dos trabalhadores assalariados sob o “putting-out” às dos assalariados de hoje, das fábricas e dos escritórios”.

De outra parte, segundo Felício e Henrique (2004, p. 81), o surgimento da terceirização aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, com a necessidade do aumento da produtividade da indústria bélica, que tinha como objetivo dar continuidade as ofertas de armamento aos países envolvidos no conflito. E para suprir essa necessidade, a saída era reorganizar a forma de produção, cedendo a outras empresas atividades secundárias não essenciais a empresa contratante. Com o fim do conflito, os países vencedores tiveram grandes conquistas no plano econômico, com a consolidação do modelo de produção taylorista-fordista, que orientava extrair do trabalhador o seu melhor rendimento, fazendo a minuciosa separação de tarefas e a rotinização no processo trabalhista da empresa. No entanto, aliado ao modelo fordista, houve o crescimento da indústria capitalista com grandes quantidades de mão de obra, somada a funções pouco especializadas.

Independentemente do não consenso quanto à origem das subcontratações/terceirizações, o fato é que se trata de um fenômeno cada vez polêmico e crescente, pelo menos desde as últimas décadas no século XX.

No Brasil, as primeiras noções de terceirização ocorreram na década de 60 com as empresas multinacionais. Conforme explicitado por Frez e Mello (2016, p. 5), “tem-se a década de 60, onde as primeiras noções sobre serviços terceirizados foram enfatizadas no Brasil, pelas empresas multinacionais que naquele período aqui se estabeleciam”.

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No Brasil essa transição para um novo padrão de gestão do trabalho, em resposta à crise do fordismo, começa no início dos anos 1980, ainda que localizadamente em algumas indústrias dinâmicas. Mas a generalização do toyotismo, no quadro do processo de reestruturação produtiva, vai ocorrer nos anos 1990, em decorrência da implementação das políticas neoliberais no país e da inserção do Brasil na globalização da economia (DRUCK; FRANCO, 2008, p.1).

Neste sentido Sanches (2008, p. 7), afirma que a “terceirização ou subcontratação, como alguns autores denominam, não é propriamente um fenômeno novo, mas surgiu nas últimas décadas, principalmente na década de 1990 no Brasil, como um dos métodos mais difundidos pelos capitalistas para obter mais-valia relativa”.

O fato é que com a crise capitalista do final da década de 60 e início da década de 70, na Europa Ocidental, ocorreu um abalo nas relações de emprego e trabalho, atingindo países principais e os emergentes, já que a economia entre estes estava vinculada. A transformação se deu com um novo modelo de produção conhecido como modelo toyotista.

Neste sentido, Antunes (2008) destaca:

Sabemos que a partir dos inícios dos anos 1970, o capital implementou um processo de reestruturação em escala global, visando tanto a recuperação do seu padrão de acumulação, quanto procurando repor a hegemonia que vinha perdendo, no interior do espaço produtivo, desde as explosões do final da década de 1960 onde, particularmente na Europa ocidental, se desencadeou um monumental ciclo de greves e lutas sociais (ANTUNES, 2008, p. 4).

Na década de 70 houve a elaboração da Lei nº 6.019 de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas, e que Marcelino (2007) já considerava como uma forma de terceirização. Frez e Mello (2016) complementam falando:

Na década de 70, o sistema terceirizado foi implementado e, posteriormente, consolidado no país, através da adoção do modelo “toyotista” de divisão de trabalho. Não havendo uma legislação específica sobre o assunto, mas apenas legislações esparsas regulamentando determinados serviços e casos, as empresas impulsionaram novas técnicas de estratégias produtivas (just in time), programas de qualidade e a terceirização dos serviços (FREZ; MELLO, 2016, p. 5).

Na empresa, o modelo toyotista tem uma organização horizontal e um padrão de acumulação flexível, se contrapondo ao método taylorista/fordista, que tem como ideia a organização vertical. Em consequência, esta mudança no padrão de

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acumulação permitiu o surgimento de empresas menores, com o objetivo de prestar serviços às contratantes, serviços estes considerados de menor importância, deixando as empresas se concentrarem em sua principal atividade econômica.

Assim, complementa Antunes (2008):

Proliferaram, a partir de então, as distintas formas de “empresa enxuta”, “empreendedorismo”, “cooperativismo”, “trabalho voluntário”, etc, dentre as mais distintas formas alternativas de trabalho precarizado. E os capitais utilizaram-se de expressões que de certo modo estiveram presentes nas lutas sociais dos anos 1960, como controle operário, participação social, para dar-lhes outras configurações, muito distintas, de modo a incorporar elementos do discurso operário, porém sob clara concepção burguesa. O exemplo das cooperativas talvez seja o mais eloqüente, uma vez que, em sua origem, as cooperativas eram reais instrumentos de luta e defesa dos trabalhadores contra a precarização do trabalho e o desemprego (ANTUNES, 2008, p. 5).

Entretanto, é na década de 1990 que ocorreu o apogeu da terceirização no Brasil, onde as empresas, buscando a valorização do capital, desenvolvem “uma estrutura produtiva mais flexível, através da desconcentração produtiva, das redes de subcontratação (empresas terceirizadas) ”. Nesse bojo de transformações, a empresa flexível para a integrar “reengenharia, lean production, team work, eliminação de postos de trabalho, aumento da produtividade, qualidade total, envolvimento, terceirização ampliada”. Como resultado, o mundo do trabalho passa a conviver com alarmantes situações de “desregulamentação dos direitos do trabalho em escala global; terceirização da força de trabalho nos mais diversos setores e ramos produtivos e de serviços; derrota do sindicalismo autônomo e sua conversão num sindicalismo de parceria” (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 6).

Até aqui foi resgatado o debate sobre o nascimento da terceirização e os modelos de produção que deram origem a essa forma de estruturação do mercado de trabalho. Nas próximas subseções serão abordados os debates entre os vários atores sobre a questão da terceirização no Brasil e na Petrobras.

3.1 O Debate Sobre a Terceirização no Brasil

Desde as últimas décadas do século XX tem havido um debate crescente envolvendo a terceirização no Brasil, seja entre atores que representam os conjuntos trabalhadores e empresas, bem como diferentes atores sociais, como a academia.

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Antunes e Druck (2015) fazem um breve resumo dos séculos:

Se no século XX presenciamos a vigência da era da degradação do trabalho, nas últimas décadas do século XX e início do XXI, estamos defronte de novas modalidades e modos de ser da precarização, da qual a terceirização tem sido um de seus elementos mais decisivos (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 9).

De um lado temos atores que se posicionam contrariamente ao processo da terceirização, caracterizando-o como um trabalho precário, e do outro lado os interesses corporativos e financeiros do país, com um olhar otimista sobre a terceirização, tendo como argumento o aumento da produtividade, competitividade e a geração de empregos.

No Brasil, conforme posiciona-se Beordo (2008, p. 3), a “terceirização surgiu como forma de “flexibilização trabalhista”, vislumbrava inicialmente a geração de mais empregos, uma vez que descentralizava a relação direta empregador empregado, e passava para terceiro a responsabilidade do vínculo empregatício”.

Sob certo ponto de vista, o que favoreceu o crescimento desregulado dessa precarização do trabalho, foi a ausência de uma lei exclusiva e sólida para tratar da regulamentação do processo de terceirização. Até o ano de 2017, a única salvaguarda legal para os trabalhadores era a Súmula Nº 331, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em que “o TST reconheceu a legalidade na contratação de quaisquer serviços ligados à atividade meio da empresa”, mas proibia nas atividades-fim. (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 16).

A seguir, a Súmula Nº 331, do Tribunal Superior do Trabalho:

TST Enunciado Nº 331: Contrato de Prestação de Serviços – Legalidade (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011. I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo nos casos de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 03/ 01/ 1974). II – A contratação irregular de trabalhador, através de empresas interposta não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública Direta, Indireta ou Fundamental (art.37, II, da Constituição da República).

III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei 7102 de 20/ 06/ 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados a atividade meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta.

IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica na responsabilidade subsidiária do tomador do

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serviço quanto àquelas obrigações, desde que tenha participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V- Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.

VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral (TST, 2011, p. 1).

Ressalta-se que a atividade-meio “diz respeito à atividade secundária da empresa, isto é, não se referindo à sua própria atividade normal, como serviço de limpeza, de alimentação de funcionários, vigilância, etc.” (BEORDO, 2008, p. 3).

Para IPEA (2018):

A Súmula nº 331 funciona mais como uma instrução sobre o tema, deixando abertas muitas possibilidades de interpretação, o que acaba por gerar um risco para as empresas contratantes, inibindo a geração de mais postos de trabalho. A principal questão gira em torno do que seriam as atividades-fim e as atividades-meio, uma vez que, de acordo com a súmula, a terceirização é ilegal em se tratando de atividade-fim (IPEA, 2018, p. 51).

Contudo, foi a Súmula Nº 331 que prevaleceu por muitos anos sendo a regulamentadora da terceirização. Dessa forma, no decorrer dos anos constatou-se uma desenfreada contratação de mão de obra terceirizada nas empresas privadas e públicas, havendo um crescimento desmedido dessa mão de obra nas empresas contratantes, deixando o quadro de empregados próprios bem abaixo do quadro de empregados terceirizados.

Como cita Antunes e Druck (2015):

Essa relação do número de trabalhadores subcontratados (terceirizados) com o número de contratados (efetivos) diretamente modificou-se no tempo, pois houve um crescimento exponencial da terceirização em todos os setores de atividades, levando a aumentos muito maiores do número de terceirizados do que de efetivos (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 10).

Nesse processo da terceirização e da busca pela sua legalização no Brasil, os poderes Executivo e Legislativo permaneceram se posicionando a favor e incentivando, por meio de normas e leis, a terceirização. Em contrapartida, o poder

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Judiciário e o Ministério Público se posicionavam contra, como está descrito por IPEA (2018):

O Estado apresentou uma atitude ambígua diante desse fenômeno. Em diferentes momentos, os poderes Executivo e Legislativo têm fomentado terceirização. No sentido oposto, o Poder Judiciário e o Ministério Público a têm refreado, editando jurisprudências relativamente estritas sobre o assunto (IPEA, 2018, p. 143).

Para complementar, Antunes e Druck descrevem:

E foi com base no enunciado 331, que o poder público atuou, especialmente o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério do Trabalho e emprego (MTE), através da fiscalização dos auditores do trabalho. No caso do MPT, há uma definição de setores/empresas prioritárias a serem investigadas, que toma por base as denúncias de trabalhadores e de suas entidades de representação (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 33).

Um exemplo de estímulo, por parte dos poderes Executivos e Legislativo, foi a aprovação pela Câmara dos Deputados, em 08 de abril de 2015, do projeto de Lei Nº 4.330, de 2004, de autoria do empresário e ex-deputado federal Sandro Mabel. No qual, seu foco principal, além de tratar das regras dos trabalhadores terceirizados, permite a terceirização em qualquer tipo de atividades dentro das empresas, sejam elas privadas, públicas ou de economia mistas, ganhando destaque nos debates feitos pelos diversos atores.

Na visão empresarial sobre o projeto de Lei Nº 30/2015, citada por economistas e assessores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na pesquisa feito pelo Ipea (2018), tem-se:

O que o PLC nº 30/2015 faz é, sem alterar direitos, introduzir uma mo-dernização que alinha as relações de trabalho com as práticas de inúmeros outros países das chamadas economias avançadas, o que permite que a economia brasileira ganhe competitividade, por meio da especialização das atividades produtivas. Isso significa maior produção e prestação de serviços e, consequentemente, mais empregos (IPEA, 2018, p. 49).

Em contrapartida, para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), demostrado no seu dossiê acerca do impacto da Terceirização sobre os trabalhadores e propostas para garantir a igualdade de direitos, o Projeto de Lei Nº 30/2015 (doravante PL):

Significa institucionalizar a precarização do trabalho como padrão de contratação e aprofundar ainda mais todos os problemas dela decorrentes (redução dos postos de trabalho; intensificação do trabalho; incremento dos acidentes e doenças; rebaixamento dos

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direitos; fragmentação da organização sindical, etc) (CUT, 2015, p. 49).

No pensamento acadêmico, Pochmann alertava que:

Em havendo a ampliação ainda mais desregulada da terceirização para as atividades-fim, o risco apontado será o de aniquilamento do segmento interno do mercado de trabalho no país. Suas consequências apontam para o reforço ainda maior de uma economia de baixo salário, elevada instabilidade nas relações de trabalho e ampla polarização social (POCHMANN, 2014, p. 12).

Também ocorreram “movimentos de resistência organizados pelos sindicatos, juristas do trabalho, pesquisadores, instituições do direito do trabalho e até mesmo por 19 ministros, dentre os 26 que compunham o TST” (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 18).

Complementando, Biavaschi e Teixeira realçaram que:

O que as pesquisas têm demonstrado é que as terceirizações encontram freios na súmula 331 do TST. O PL, ao invés de avançar em relação a esse entendimento, retrocede. Ao ampliar a terceirização para qualquer tipo atividade abre a possibilidade de que todos os trabalhadores brasileiros sejam terceirizados, sem os direitos históricos – FGTS, 13º salário, férias, repouso, jornada, entre outros – e sem que responsabilidade solidária entre tomadora e terceiras seja definida. No limite, teremos empresas sem empregados e trabalhadores sem direitos (BIAVASCHI; TEIXEIRA, 2015, P.1).

Essas mobilizações realizadas contra o PL 4.330 tiveram sua importância, pois conseguiram barrar o seu andamento. Porém, o lado patronal, não satisfeito apenas com a legalidade das atividades-meio pela Súmula 331 do TST, e nem com a lenta tramitação no Senado do Projeto de Lei Nº 30, continuaram a pressionar o Estado e seus governantes a criarem uma regulamentação que definiria a liberalização da terceirização em todas as atividades da empresa, sejam elas atividades-meio ou atividades-fim.

Enquanto se discutia sobre o PL Nº 30, outro projeto foi colocado para aprovação da câmara, pelo então presidente Rodrigo Maia: o de Nº 4.302, de 1998, de autoria do poder Executivo, que “tratava inicialmente da ampliação do Contrato de

trabalho Temporário, mas, posteriormente, foi modificado para regular as empresas

que intermedeiam a contratação de trabalhadores temporários” (DIEESE, 2017, p. 2). Em 22 de março de 2017, a Câmara do Deputados aprova o Projeto de Lei 4.302/1998, que regulamenta a terceirização no Brasil e permite a terceirização de

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todas as atividades de uma empresa, inclusive na administração pública. Como já tinha sido aprovado pelo Senado no ano de 2002, o projeto seguiu para sanção do presidente Michel Temer.

Neste sentido, Lourenço e Nascimento relatam:

Mesmo sob forte protesto da oposição, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou hoje (22) o Projeto de Lei (PL) 4.302/1998, de autoria do Executivo, que libera a terceirização para todas as atividades das empresas. O projeto foi aprovado por 231 a favor, 188 contra e 8 abstenções. Ainda hoje serão votados alguns destaques. Após a votação dos destaques, o projeto, que já havia sido aprovado pelo Senado, seguirá para sanção presidencial. Pelo projeto, as empresas poderão terceirizar também a chamada atividade-fim, aquela para a qual a empresa foi criada. A medida prevê que a contratação terceirizada possa ocorrer sem restrições, inclusive na administração pública (LOURENÇO; NASCIMENTO, 2017, p. 1).

O presidente Michel Temer, no dia 31 de março de 2017, sanciona com três vetos o projeto, tornando-a Lei Nº 13.429 de 2017, que libera a terceirização irrestrita da mão de obra e estabelece as diretrizes regulatórias para o trabalho terceirizado.

Em 2018 foi a vez do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir. E por 7 votos a favor e 4 contra, os ministros decidiram, por maioria, que a terceirização irrestrita é constitucional.

Naquela oportunidade, o ministro do STF Luís Roberto Barroso defendeu a terceirização, reafirmando os benefícios da revolução tecnológica e dizendo que “hoje, milhões de pessoas se intercomunicam pela internet. Vivemos sob uma nova ideologia, uma nova gramática. Não há setor da economia que não tenha sido afetado” (CARTA CAPITAL, 2018, p. 1). E, em oposição, a ministra Rosa Weber afirmou: “Não se cogita de Estado social ou Estado Democrático de Direito que não se assente em sólida proteção ao trabalho e equilíbrio entre os valores sociais do trabalho e a livre iniciativa” (CARTA CAPITAL, 2018, p. 1).

O Dieese, na sua nota técnica de número 175, que fala sobre impactos da Lei 13.429/2017 (antigo PL 4.302/1998) para os trabalhadores, resume as regras previstas na Lei:

Altera o conceito de trabalho temporário, ampliando o uso dessa modalidade e eliminando o caráter de contratação para situações extraordinárias. Diz o seguinte: Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que a coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. Amplia o prazo

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de duração dos contratos temporários de 90 para 180 dias consecutivos, com possibilidade de extensão por mais 90 dias. O projeto aprovado permitia ainda alterar esse prazo por meio de acordo ou convenção coletiva –ou seja, a possibilidade de extensão do prazo do contrato, mas esse item foi vetado pelo Executivo. Prevê que um mesmo trabalhador poderá ser colocado novamente à disposição da mesma empresa tomadora somente após 90 dias de intervalo entre o término do contrato anterior e o novo contrato. Isso também pode ser facilmente gerenciado pela empresa prestadora de serviços, que pode “administrar o rodízio” dos contratos. Substitui a responsabilidade solidária pela responsabilidade subsidiária.

Define que o trabalho temporário pode ser utilizado tanto nas atividades-fim como nas atividades-meio da empresa contratante. Permite o uso desse contrato na administração pública nos três níveis e também na área rural. Quantos aos direitos dos trabalhadores temporários, embora o texto tivesse reduzido os poucos direitos previstos para o trabalho temporário, o Executivo vetou os artigos 11 e 12 do PL, que tinham o seguinte conteúdo: Substituição do conceito de remuneração pelo de salário: “é assegurado salário equivalente ao percebido pelos empregados que trabalham na mesma função”. O conceito de remuneração é mais amplo, pois nele está incluído o salário e demais benefícios como adicionais, comissões, gratificações etc.; Jornada de trabalho equivalente à dos empregados que trabalham na mesma função, diferente da lei atual que estipula jornada de 8 horas diárias. Neste caso, o veto parece ser o único avanço, considerando que a jornada deve ser equivalente, caso seja inferior a 8 horas diárias; Em caso de contratos de até 30 dias, pagamento direto das parcelas relativas ao FGTS, às férias e ao 13º salário proporcionais; Não há previsão das demais garantias incluídas na redação anterior da Lei 6.019 (a de 2008), entre elas, horas extras remuneradas a 20%, descanso semanal remunerado, indenização por demissão sem justa causa e adicional noturno; Proibição expressa da formação de vínculo entre a tomadora e o trabalhador temporário; Registro na Carteira de Trabalho de contratação por trabalho temporário (DIEESE, 2017, p. 4-5).

E na sua conclusão reforça que:

A aprovação da Lei 13.429/2017, combinada a outras medidas propostas no Projeto de Lei 6.787/2016, de alteração da CLT, e a Proposta de Emenda Constitucional 287, que trata da reforma da Previdência, afetará drasticamente, para pior, as condições de vida dos trabalhadores brasileiros. Além disso, alterará a estrutura do mercado de trabalho, aprofundando a heterogeneidade, a rotatividade e as desigualdades já existentes. Em consequência, serão ampliadas as desigualdades sociais no país (DIEESE, 2017, p. 11).

Portanto, atualmente, não há mais restrição para terceirização, e “o patronato conseguiu aprovar duas leis, em 2017, a Lei da Terceirização (13.429) e a Lei da Reforma Trabalhista (Lei 13.467), que liberaram a terceirização sem qualquer limite” (DRUCK, 2020, p. 1).

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Para o sociólogo Ricardo Antunes, a decisão do STF foi uma tragédia social e afirma que tal decisão “é uma derrota fragorosa da classe trabalhadora e mostra que Supremo Tribunal Federal está em plena sintonia com os interesses mais destrutivos das classes proprietárias” (ANTUNES, 2018, p. 1).

Também argumenta que:

O que na verdade todas as pesquisas mostram é que a terceirização não aumenta emprego. O aumento de emprego, repito, decorre do movimento da economia. A terceirização aumenta, em situações de crise, porque ela significa o aumento da exploração da classe trabalhadora brasileira, que no nosso caso tem traços de superexploração do trabalho. O Supremo Tribunal Federal legitimou a prática da superexploração do trabalho no Brasil, que atinge de maneira exponencial os trabalhadores rurais, os trabalhadores operários das Indústrias, os trabalhadores dos serviços, trabalhadores da agroindústria, serviços industriais e da indústria de serviços. Ou seja, é uma derrota da classe trabalhadora (ANTUNES, 2018, p. 1).

Entretanto, o patronato, conforme revela o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no livro Terceirização do Trabalho no Brasil: novas e distintas

perspectivas para o debate, conclui algo diametralmente oposto. Isto porque:

Os setores que apoiaram a aprovação e a sanção da medida, por sua vez, alegam que é um erro dizer que os trabalhadores terceirizados terão condições de trabalho diferentes. O que sustenta esse argumento é o fato de trabalhadores diretos e terceirizados serem contratados pelo mesmo regime: contrato por prazo indeterminado, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (IPEA, 2018, p. 35).

Na atual conjuntura em que todos vivem em meio a uma pandemia, a precarização do trabalho é um dos assuntos, depois da saúde, que mais se destaca. Houve uma intensificação da flexibilização dos direitos dos trabalhadores e de demissões.

Em entrevista feita com a Socióloga Graça Druck, pela EPSJV1/Fiocruz, a

pesquisadora comenta:

A pandemia desnudou e aprofundou a precarização do trabalho já existente no Brasil em todas as suas dimensões: nos indicadores do mercado de trabalho, com as altas taxas de desemprego, o alto nível de informalidade, a crescente taxa de subutilização da força de trabalho e os baixos rendimentos; no âmbito do processo de trabalho, as longas jornadas, a intensificação do trabalho, o desrespeito às normas de saúde e segurança do trabalhador, o assédio moral; no

1 EPSJV - Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz /Ministério da Saúde.

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campo da saúde do trabalhador, os altos índices de acidentes e adoecimento; e no âmbito do direito do trabalho, uma nova legislação que desobriga as empresas e o Estado com a proteção do trabalhador, dificulta o acesso à Justiça do Trabalho e retira poder dos sindicatos. Os dados revelados pelo IBGE, através da PNAD-Covid, vêm indicando a tragédia que se abateu sobre o trabalho no Brasil. Em maio, 18,5 milhões de brasileiros não trabalharam e não procuraram ocupação devido à pandemia; 19 milhões de pessoas foram afastadas do trabalho e 30 milhões tiveram alguma redução no rendimento do trabalho. As perdas de rendimento foram maiores entre os ocupados dos serviços, do comércio e da construção e entre os trabalhadores informais. As perdas de rendimento foram expressivas também entre os ocupados em serviços essenciais na pandemia, como os entregadores e os trabalhadores da saúde e da limpeza. Embora não se tenha estatísticas oficiais sobre terceirizados no país, pesquisas mostram que eles estão em sua imensa maioria na área de serviços. E, portanto, fazem parte dos setores mais atingidos pela pandemia. Inúmeros estudos qualitativos indicam que, diante de qualquer crise econômica, os primeiros a serem penalizados são os mais vulneráveis e, dentre esses, estão os terceirizados. No caso dos serviços públicos, por exemplo, cada corte de recursos do governo implica a redução das despesas de custeio, o que tem levado à demissão de terceirizados (DRUCK, 2020, p. 1).

Nesta subseção foi possível reunir importantes reflexões sobre a terceirização no Brasil. Na próxima subseção será destacada a terceirização na empresa Petróleo Brasileiro S.A.

3.2 O Debate Sobre a Terceirização na Petrobras

A empresa Petróleo Brasileiro S/A, doravante denominada de Petrobras ou companhia (CIA), começou sua história em 3 de outubro de 1953. Líder na exploração e produção de petróleo em águas profundas e descobridora de gás e óleo na camada do pré-sal atua, integralmente, na indústria de óleo, gás natural e energia. Ao longo dos anos a empresa concentrou a maioria de seus investimentos no segmento de exploração e produção, apresentando assim sucessivos recordes de produção e ganhando vários prêmios.

Destaca-se a importância estratégica da Petrobras para soberania, a CT&I e o desenvolvimento brasileiro, muito embora inúmeros percalços, sobretudo mais recentemente, devam ser destacados. Contudo, não é objetivo do presente estudo tratar destes importantes aspectos.

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No estado do Rio Grande do Norte, estado enfatizado por este estudo, a Petrobras atua, desde 1951, nos campos em águas rasas e em campos terrestres da bacia Potiguar. No ano de 2009, outra unidade de operação foi instalada no estado: a Refinaria Potiguar Clara Camarão, tornando o Rio Grande do Norte o único estado do país independente na produção de diesel, nafta petroquímica, querosene de aviação e gasolina automotiva. E ainda, a usina termelétrica do Vale do Açu, conhecida como Termoaçu, localizada no município de Alto do Rodrigues.

Apesar de ser uma das maiores empresas do mundo, sendo presente em 19 países nos continentes da América do Sul e do Norte, da África, da Europa e Ásia, outros eventos relacionados às condições de trabalho, foco do presente estudo, se destacam na sua história como empresa, deixando profundas raízes na companhia, como o caso do afundamento de uma plataforma em Macaé-RJ, e os milhares de casos de acidentes de trabalho em suas várias bases e plataformas de petróleo.

Nas investigações, inúmeros fatores foram identificados, mas um fator não menos importante foi a desenfreada contratação de mão de obra terceirizada, intensificada na década de 90 e início do século XXI, que aparece como uma das possíveis explicações para muitos dos acidentes ocorridos.

Como mencionado anteriormente, as empresas têm o objetivo de buscar garantir seus altos lucros em uma produção de curto prazo de tempo, numa estrutura horizontalizada e flexível. É nessa linha que a terceirização, como forma de acumulação flexível na precarização das relações de trabalho, é inserida na reestruturação produtiva, pois facilita aos capitalistas uma maior exploração nos regimes de contratação. Conforme expressa Antunes e Druck (2015):

Com a ampliação global da terceirização, é imprescindível enfatizar que se amplia o processo de produção da mais-valia, especialmente (mas não só) no setor de serviços, decorrente da privatização de inúmeras empresas públicas que passam a ter o lucro como atividade central. Em um universo em que a economia está sob a hegemonia do capital financeiro e o processo de privatização é intenso, as empresas procuram ampliar seus altos lucros exigindo e transferindo aos trabalhadores a pressão pela intensificação do tempo de produção, pelo aumento das taxas de produtividade, pela redução dos custos de remuneração da força de trabalho e pela flexibilização crescente dos contratos de trabalho (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 15).

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Conforme o Instituto Observatório social (IOS, 2011)2, em seu estudo ‘A

terceirização na Petrobras: características do processo de terceirização e iniciativas de representação dos trabalhadores’:

[...] a Petrobras tem incentivado a precarização das relações de trabalho nas empresas prestadoras de serviço, já que seu atual modelo de contratação – que prioriza o menor preço ao invés do melhor serviço – representa 98% dos contratos já existentes e apenas 2% priorizam a técnica. Essa prática tem gerado um enorme prejuízo aos trabalhadores, como a redução de postos de trabalho, massa salarial, benefícios e direitos já conquistados (IOS, 2011, p. 32).

Além do mais, a companhia tem feito as contratações de prestação de serviço numa nova forma de modalidade, chamada de contratos de “facilities”. No estudo feito pela IOS, a mesma descreve que

Nessa modalidade as prestadoras de serviços são contratadas para entregar o serviço pronto. Por exemplo, ao contratar uma empresa de limpeza, a mesma se responsabilizará pelo fornecimento de todo material utilizado e pelo pessoal, e em caso de serviços de manutenção, a empresa prestadora de serviços fornecerá as ferramentas e pessoal. Os contratos com as prestadoras de serviços já estão sendo renovados através dessa modalidade (IOS, 2011, p. 16).

As consequências dessas inúmeras contratações de prestação de serviço, remete a uma lógica de precarização das relações de trabalho, já citadas anteriormente, tais como: menores custos salariais, maiores jornadas de trabalho, descumprimento dos direitos, maior instabilidade e maiores ocorrências de acidentes de trabalho.

Outra consequência que cresce ano após ano, é quando se analisa o efetivo de empregados dentro da Petrobras, é possível observar que com as contratações de prestação de serviço, o número de trabalhadores terceirizados é bem maior do que o número de trabalhadores diretamente contratado. Antunes e Druck (2015) confirmam isto afirmando que:

A relação entre o número de terceirizados e o número de contratados diretamente pela empresa, para algumas categorias profissionais, revela uma proporção muito grande de empregados subcontratados, superando o de efetivos, como encontrado entre os petroleiros (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 10).

2 O Instituto Observatório social (IOS), nasceu em fins dos anos 1990 e é uma iniciativa da Secretaria de Relações Internacionais da CUT.

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CUT (2014), com base no dossiê ‘Terceirização e Desenvolvimento: uma conta que não fecha’, afirma que:

A relação entre o número de trabalhadores próprios e terceirizados, em 1995, na Petrobras, era de aproximadamente 46 mil por 29 mil, respectivamente. Ao longo dos anos, o que se viu foi o crescimento desenfreado do número de terceirizados. Em 2013, os trabalhadores próprios eram pouco mais de 62 mil, já os terceirizados, 320 mil, o que representa uma relação de 5 terceirizados para cada trabalhador próprio. Quando consideramos todo o Sistema Petrobras, não apenas a Petrobras Controladora, o número de terceirizados atinge 360 mil, contra 86 mil diretos (CUT, 2014, p. 43).

E nessa relação, quando os terceirizados são comparados com os trabalhadores diretamente contratados pela Petrobras, vários estudos mostram que os terceirizados têm menos direitos e piores condições de trabalho. Conforme a FUP (2018):

Estudos feitos pela CUT e o Dieese comprovam que a remuneração dos terceirizados é 24,7% menor em relação ao trabalhador contratado diretamente pela empresa, os terceirizados trabalham 3 horas a mais na jornada semanal e estão mais expostos ao adoecimento e à morte numa proporção de 8/10 (FUP, 2018, p. 1).

Uma das formas onde essa precarização existente é identificada, é através dos, contratos de “facilities”, pois nestes, a forma estabelecida de contratação pela Petrobras com as empresas prestadoras de serviços, as conduz a concorrerem entre si pelo contrato e pelo menor preço. Desse modo, essas empresas para terem chances de ganhar os contratos oferecidos pela CIA das concorrentes, são forçadas a pagar salários menores e ofertar poucas condições de trabalho.

Com base em Dieese (2007, p. 70), a companhia “reconhece em documentos internos que a quase totalidade de seus contratos de terceirização são definidos com base no menor preço”. Ver Figura 1.

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Figura 1 - Fatores que motivaram a contratação de empresas na CIA Petroleira 2002

Fonte: DIEESE, 2007, p. 71.

Além da subcontratação fundada no menor preço da força de trabalho, o benefício de vale-alimentação, como exemplo, é sempre menor comparado aos diretamente ligados à Petrobras. Afora a inexistência de muitos outros benefícios, como é citado pelos sociólogos Antunes e Druck (2015):

Quando se trata de benefícios ou outros elementos que são assim considerados para todas as categorias profissionais analisadas, os terceirizados não têm direto à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), ou a recebem num valor fixo e quase simbólico; também não recebem auxílio creche e educação, seu vale alimentação é sempre menor do que o dos empregados diretos, além de não receberem ajuda deslocamento e nem terem direito ao transporte da empresa. O valor pago para horas extras é menor do que aquele obtido por convenções coletivas (caso dos petroquímicos, petroleiros e bancários) (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 11).

É certo também que as jornadas de trabalho dos terceirizados são bem maiores que dos empregados diretamente contratados. Na Petrobras, conforme observado por Dieese (2017, p. 14) “85,9% dos vínculos nas atividades tipicamente terceirizadas possuem jornada contratada na faixa de 41 a 44 horas semanais contra 61,6% nas atividades tipicamente contratantes”.

No que diz respeito à rotatividade, os terceirizados muitas vezes não tiram férias, e “trocam de crachás” a cada ano, devido a uma realidade entre as empresas prestadoras de serviço e a Petrobras, onde não raro, antes de completar um ano de serviços prestados, a empresa contratada abre falência, rompendo o seu contrato com

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o empregado terceirizado, mas sem pagar os direitos trabalhistas. Assim, outra empresa entra substituindo a anterior e contratando os mesmos trabalhadores, mas sem a responsabilidade de pagar os direitos trabalhistas, pois a ‘outra empresa’ que a antecedeu ‘simplesmente faliu’. (IPEA, 2018, p. 127).

A seguir um exemplo exposto pela CUT dessa prática de calotes que acontece entre as empresas prestadoras de serviço:

Outra empresa estatal campeã de denúncias e ações na justiça devido a calotes que suas prestadoras contratadas dão aos trabalhadores é a Petrobras. As vítimas, dessa vez, foram os trabalhadores terceirizados da empresa Tenasa, a qual presta serviços para a Petrobras. No começo de 2014, cerca de 500 trabalhadores ficaram sem receber salários, FGTS e INSS da empresa. Devido a essa situação, a Petrobras rompeu o contrato com a Tenasa, deixando a situação pior para os trabalhadores terceirizados. Desde que a Petrobras adotou a terceirização como parte da política de redução de custos e privatização, os calotes se multiplicaram pelo país afora, ano após ano (CUT, 2014, p. 22).

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), numa forma de contornar os problemas referentes aos calotes, conquistou um importante avanço na luta pelas condições melhores de trabalho para os terceirizados, por meio do Acordo Coletivo de Trabalho, a implementação do Fundo Garantidor (cláusula 179) pela Petrobras. Assim, explica a FUP:

O fundo garantidor é uma luta histórica da FUP e de seus sindicatos, que há pelo menos oito anos, cobram da Petrobrás mecanismos de proteção dos direitos dos trabalhadores terceirizados e mudanças estruturais em sua política de contratação. Na última campanha reivindicatória, a empresa, finalmente, atendeu à reivindicação e passou a implementar um serviço de caução, seguro garantia ou depósito bancário no valor equivalente entre 1% e 5% do montante global do contrato firmado com as empresas terceirizadas, evitando, assim, os calotes recorrentes que os trabalhadores sofriam (FUP, 2014, p. 1).

Uma das principais facetas, se não a mais cruel, está relacionada aos inúmeros acidentes de trabalho e doenças que os trabalhadores terceirizados sofrem, bem mais do que os empregados efetivos da CIA. Conforme dados da CUT:

De 2005 para 2012, o número de trabalhadores terceirizados cresceu 2,3 vezes na Petrobras e o número de acidentes de trabalho explodiu: cresceu 12,9 vezes. Nesse período, 14 trabalhadores da Petrobras morreram durante suas atividades laborais. Entre os trabalhadores terceirizados, foram 85 (CUT, 2014, p. 25).

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Segundo Antunes e Druck (2015):

As razões desta maior acidentalidade entre os terceirizados do setor de petróleo são expostas em várias pesquisas de natureza qualitativa sobre a terceirização e as condições de trabalho, em que a falta de medidas preventivas, o excesso de horas de trabalho e a maior exposição a riscos, com a constante transferência de operações perigosas aos terceirizados numa clara ação de terceirização dos riscos, aparecem com maior incidência, além da ausência de treinamentos e qualificação adequados num quadro em que o número de terceirizados cresceu sete vezes nesse período, saltando de 49.217 em 2000 para 360.180 em 2013 (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 12).

Para CUT (2014):

São inúmeros os acidentes e mortes entre os trabalhadores terceirizados computados todos os anos. A conclusão é óbvia para trabalhadores, especialistas e profissionais do trabalho: os trabalhadores terceirizados estão mais sujeitos a acidentes e mortes no local de trabalho do que os trabalhadores contratados diretamente. As empresas não investem em medidas preventivas, mesmo que as atividades apresentem situações de maior vulnerabilidade aos trabalhadores (CUT, 2014, p. 23).

Um exemplo, exposto pela FUP (2019), foi a de um funcionário terceirizado, com idade de 64 anos, que perdeu sua vida após trabalho exaustivo na Refinaria Presidente Bernardes/SP. Segue a voz do diretor de SMS da FUB, Alexandre Guilherme Jorge, sobre a morte do trabalhador terceirizado:

Trabalhador em idade avançada, atuando em condições totalmente adversas e em jornada estendida, infelizmente, é sinal deste tempo. É resultado do ataque sistemático do governo aos direitos trabalhistas, às normas de segurança e às representações sindicais e fiscais do trabalho, com aval da bancada patronal. Impossível não correlacionar uma coisa com outra. Só nos resta lamentar mais essa tragédia e conclamar o poder público, auditores fiscais do trabalho, MPT e parlamentares a se somarem a luta diuturna dos dirigentes sindicais e cipistas por melhores condições de trabalho, com segurança e dignidade (FUP, 2019, p. 1).

Antunes e Druck (2015) refletem sobre as causas do maior número de acidentes dentre os terceirizados e afirmam que:

As causas que levam a essas mortes têm origem nas condições de trabalho, no descumprimento das Normas Regulamentadoras (em relação à prevenção em saúde e segurança), por falta de treinamento, por qualificação e capacitação profissional insuficientes, por falta de experiência e de conhecimento sobre o processo de trabalho (ANTUNES; DRUCK, 2015, p. 13).

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Outrossim, no âmbito da representação sindical, existe uma disputa, pois numa categoria de trabalho terceirizado pode existir de 4 a 6 sindicatos, gerando o enfraquecimento da organização, fragmentação da representação dos trabalhadores e piora nas conquistas em prol dos trabalhadores.

A CUT então conclui que:

Dessa forma, a terceirização reforça a pulverização e a fragmentação. Trabalhadores, antes representados por sindicatos com histórico de organização e conquistas, passam a ter como interlocutores entidades ainda frágeis do ponto de vista da capacidade de organização e reivindicação. As convenções e acordos coletivos, que estabelecem direitos para os trabalhadores terceirizados, expressam essas diferenças entre as entidades e apresentam patamares reduzidos. Por fim, a divisão entre empresas contratantes e diferentes sindicatos que as representam produz duros efeitos no cotidiano dos trabalhadores. Esta condição desestimula a ação conjunta e a solidariedade entre aqueles que dividem os mesmos problemas no local de trabalho. Este efeito perverso, às vezes imperceptível de imediato, rende resultados importantes e pode ser estratégico para os patrões (CUT, 2014, p. 30).

Observando a Lei da terceirização sancionada por Michel Temer, o IPEA complementa:

A sanção da Lei Nº 13.429/2017, que permite a terceirização ilimitada, fragilizará ainda mais o já restrito potencial das negociações coletivas no país, decorrente de uma legislação que tolhe fortemente a liberdade de organização sindical. A lei e suas consequências contradizem justamente um dos objetivos da reforma trabalhista proposta pelo governo, que é o fortalecimento da negociação coletiva (IPEA, 2018, p. 41).

Como poderá ser visto no capítulo de resultados, o não cumprimento dos direitos trabalhistas, conforme CLT, pelas empresas de prestação de serviços contratadas pela Petrobras, tornou-se ainda mais grave mais recentemente.

(36)

4 ANÁLISE E RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO – A TERCEIRIZAÇÃO NA PETROBRAS NOS DIAS ATUAIS NO RN

Como já assinalado, este estudo realiza uma pesquisa exploratória enfatizando as formas e causas da terceirização em geral, e especificamente na Petrobras. Nesta seção de resultados, o estudo analisa os resultados a partir de uma abordagem quali-quantitativa, visando melhor interpretar e analisar os dados de campo.

O esforço foi, além de sistematizar informações a partir da literatura sobre o tema, visibilizar as vozes dos empregados que trabalham no ambiente da empresa Petrobras, comparando terceirizados e efetivos.

4.1 Voz dos Empregados Terceirizados da Petrobras

Nesta subseção constam os resultados da pesquisa de campo junto aos funcionários terceirizados. Estes pertencem a empresas distintas, que prestam serviço a empresa Petrobras. (Ver Quadro 2)

Destes 10 empregados, 40% têm entre 30 e 39 anos; 30% têm até 30 anos de idade; 20% têm 42 e 49 anos; e, 10% com 60 anos. Logo, 70% estão abaixo de 40 anos. Acrescenta-se ainda que quanto à escolaridade, 90% dos entrevistados têm nível superior completo e 100% estes têm formação na área de Ciências Exatas. Chama a atenção também o fato de muitos destes terceirizados trabalharem na empresa no intervalo entre 30 e 2 anos, sugerindo que a terceirização na Petrobras acompanha a reestruturação indicada na literatura, e não é recente, muito embora se aprofunde ao longo dos anos.

Quadro 2 - Perfil dos empregados terceirizados da Petrobras

Empregado (a) Idade Empresa Escol*. Posição Local Tempo Cargo

1. Terceirizado A

42 Celiga SC Chefe Parn. 15 anos Eng. Mecânico

2. Terceirizado B

29 Núcleo SC Cônjuge Natal 10 anos Tec. Mecânico

3. Terceirizado C

(37)

4. Terceirizado D

49 Kempetro SC Filho (a) Natal 6 anos Eng.

Planejamento 5. Terceirizado E

29 Kempetro SC Filho (a) Natal 6 anos Eng.

Planejamento

6. Terceirizado F

39 Kempetro SC Cônjuge Moss. 15 anos Eng.

Planejamento

7. Terceirizado G

39 Kempetro SC Cônjuge Moss. 17 anos

Analista de Projeto

8. Terceirizado H 38 Kempetro SC Cônjuge Moss. 18 anos Analista de

Planejamento 9. Terceirizado I

60 Kempetro SC Chefe Natal 30 anos Eng.

Planejamento 10. Terceirizado J

29 Prática MC Cônjuge Natal 2 anos Aux. Adm.

Fonte: Pesquisa de Campo/Elaboração própria.

(*) Nota: SC – o funcionário (a) possui ensino superior completo; MI - o funcionário (a) possui ensino médio incompleto; FC - o funcionário (a) possui fundamental completo; MC - o funcionário (a) possui ensino médio completo; FI - o funcionário (a) possui fundamental incompleto e SI - o funcionário (a) possui ensino superior incompleto.

Pergunta 1 do Apêndice A, “Como avalia as condições de trabalho dos

terceirizados, quando comparados com os efetivos? ”. Esta questão mostra que 50%

dos empregados terceirizados acham que suas condições de trabalho são inferiores aos dos empregados efetivos.

Gráfico 1 - Resultante da pergunta 1 do Apêndice A – “As condições de trabalho quando comparado ao efetivo?

Fonte: Pesquisa de Campo/Elaboração própria. 40% 50% 10% Iguais Inferior Muito Inf.

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Pergunta 2 do Apêndice A, “No seu tempo de trabalho como prestador de

serviço da Petrobras, a empresa deixou de pagar alguma vez, ou teve algum atraso, em relação ao pagamento do salário? ”. Nesta questão foi observado que 60% dos

empregados terceirizados já passaram por atrasos salariais.

Gráfico 2 - Resultado da Pergunta 2 do Apêndice A – “Já ocorreu o não pagamento ou atraso do salário? ”

Fonte: Pesquisa de Campo/Elaboração própria.

Pergunta 3a do Apêndice A, “Como enxerga o posicionamento do sindicato na

luta pelos direitos trabalhistas dos terceirizados? ” O resultado demonstra que os

trabalhadores terceirizados não se sentem representados pelo sindicato, pois 90% têm uma percepção ruim ou regular da entidade.

Gráfico 3 - Resultado da pergunta 3a do Apêndice A - “Como enxerga o posicionamento do sindicato? ”

Fonte: Pesquisa de Campo/Elaboração própria.

60% 40% Sim Não 10% 50% 40% Bom Regular Ruim

Referências

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