• Nenhum resultado encontrado

BRASILCON. Consumer relations and air transport: the position of the Brazilian

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "BRASILCON. Consumer relations and air transport: the position of the Brazilian"

Copied!
5
0
0

Texto

(1)

r

elações de Consumo e o transPorte aéreo

:

a Posição do

s

uPremo

t

ribunal

f

ederal quanto às antinomias ConstituCionais

C

onsumerrelationsandairtransport

:

thepositionofthe

B

razilian

f

ederal

s

upreme

C

ourtregardingConstitutionalantinomies

e

duardo

b

iaCChi

g

omes Pós-Doutor em Estudos Culturais junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Direito

pela Universidade Federal do Paraná. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Especialista em Direito Internacional pela Universidade Federal de Santa Catarina. Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Professor-adjunto integrante do quadro do Centro Universitário Autônomo do Brasil – UniBrasil. Professor Titular de Direito Internacional da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Professor Adjunto do Curso de Direito da Uninter. Advogado.

g

abriel

v

argas

r

ibeiro da

f

onseCa Mestrando em Direito no Centro Universitário Autônomo do Brasil – UniBrasil. Especialista em Direito

Imobiliário pela Universidade Positivo. Graduado em Direito pela Universidade Positivo. Advogado.

Recebido em: 09.01.2018 Pareceres em: 08.03.2018, 20.03.2018 e 10.06.2018

Áreasdo direito: Civil; Consumidor

resumo: O presente artigo tem por finalidade

analisar as decisões do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário com Agravo 766.618/ SP e no Recurso Extraordinário 636.331/RJ, em que se aplicou a Convenção de Montreal sobre Transporte Aéreo Internacional em detrimento ao Código de Defesa do Consumidor. Objetiva verificar se tais decisões constituem um avanço ou um retrocesso dentre as relações consumeris-tas, vez que elas acarretam uma densa discussão acerca de qual legislação aplicar, afinal, para uma mesma situação, são dadas proteções jurídicas conflitantes. Dessa maneira, decidir que um có-dex internacionalmente conhecido seja colocado em primeiro lugar demonstra o quão relevante é

abstraCt: The purpose of this article is to

analy-ze the decisions of the Federal Supreme Court, in the Extraordinary Appeal with Apeal 766.618/SP and Extraordinary Appeal 636.331/RJ, in which the Montreal Convention on International Air Transport was applied in detriment to the Code of Consumer Protection. It seeks to ascertain whether such decisions constitute a step forward or backward in consumer relations, since they entail a dense discussion as to which legislation to apply in the same situation to conflicting le-gal protections. In this way, deciding that an internationally known codex be placed first de-monstrates just how relevant the discussion is in attempting to measure the constitutional values

(2)

a discussão para a tentativa de mensurar os va-lores constitucionais em questão. A metodologia escolhida é a dedutiva e indutiva utilizando-se de pesquisa doutrinária e jurisprudencial.

Palavras-Chave: Supremo Tribunal Federal – Có-digo de Defesa do Consumidor – Convenção de Montreal – Direitos fundamentais – Constituição Federal – Conflito de normas.

in question. The methodology chosen is the de-ductive and inde-ductive using doctrinal and juris-prudential research.

Keywords: Supreme Court – Consumer Protec-tion Code – Montreal ConvenProtec-tion – Fundamental Rights – Federal Constitution – Conflict of Laws.

sumário: 1. Introdução. 2. Direito internacional econômico e diálogo entre jurisdições:

im-portância da Convenção de Montreal sobre Unificação de Regras do Transporte Aéreo In-ternacional. 3. Relações de consumo e os direitos fundamentais. 4. As decisões do Supremo Tribunal Federal no RE 636.331/RJ e ARE 766.618/SP que definiram o posicionamento da Corte. 5. Considerações finais. Referências.

1. i

ntrodução

Dentro de uma sociedade globalizada, torna-se cada vez mais presente o fato de que as relações jurídicas, econômicas e sociais envolvam mais de um ordenamento jurídico. Nas relações de consumo, frequentemente surgem dú-vidas no sentido de se identificar a lei a ser aplicável em uma determinada situação, visto que os fatos podem conectar mais de um ordenamento jurídico.

Referida conexão faz com que possam surgir várias soluções para o mesmo caso e sempre a depender da jurisdição que analisará o caso e, consequente-mente, da lei a ser aplicada. Pensando no Brasil, a solução, até então vigente era pela aplicação do Código de Defesa do Consumidor. Aliás, o próprio Código de Processo Civil, em seu art. 21, estabelece que nas relações de consumo a autori-dade judiciária brasileira tem a competência para conhecer da ação. Neste caso, naturalmente que o juiz brasileiro aplicará o Código de Defesa do Consumidor.

Por outro lado, no que diz respeito ao transporte aéreo, há que se mencio-nar a “Convenção de Montreal”1, em vigor no Brasil desde 18.07.20062, define

1. Convenção para a Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo

Internacio-nal, celebrada em Montreal, em 28.05.1999, doravante denominada “Convenção de

Montreal”.

2. Protocolo de Montreal. Disponível em: [www.protocolodemontreal.org.br/eficiente/ sites/protocolodemontreal.org.br/pt-br/site.php?secao=viena-montreal]. Acesso em: 16.09.2017.

(3)

Doutro norte, o Direito Internacional se faz valer por meio da Convenção de Montreal, que busca, em nome da segurança jurídica a nível global, padro-nizar o resultado dos litígios comuns a diversos Estados.

Ocorre que, como mencionado, aparenta haver uma antinomia oriunda da observação das regulamentações, que se dá justamente pelo fato de que a im-pressão transmitida é de que alguns valores irrenunciáveis do ponto de vista constitucional brasileiro, acabariam sendo adstritos à regulamentação interna-cional, o que viria a ser um grande problema, pois em muito mudaria a juris-prudência brasileira e consequentemente a proteção do consumidor diante as falhas nas prestações de serviços que recorrentemente sofrem.

Tal fato desencadeou, portanto, a insatisfação de muitos diante do posicio-namento adotado pelo Supremo Tribunal Federal, que reputou a Convenção de Montreal como sendo a que deve prevalecer sobre os conflitos que natural-mente seriam regulamentados pelo Código de Defesa do Consumidor.

Entretanto, pode-se analisar que a Convenção de Montreal não é – nem será – a única fonte sobre esses casos. Ora, basta observar que várias lacunas presentes nela serão preenchidas por dispositivos do Código de Defesa do Consumidor, do Código de Processo Civil e, principalmente, da Constituição Federal.

Portanto, ao passo que o caso em análise trouxe segurança jurídica ao con-sumidor transnacional (mais especificamente, ao concon-sumidor de transporte aéreo internacional), vê-se a porta da instabilidade jurídica abrindo-se. Isto porque, em casos de transporte aéreo internacional, o consumidor verifica seus direitos (garantidos como fundamentais pela Constituição Federal) sendo re-lativizados; e porque o entendimento consolidado – em repercussão geral – pela Suprema Corte certamente servirá de apoio, como importante precedente, também para novas relativizações dos direitos fundamentais dos consumidores em diversas outras naturezas de relações de consumo.

r

eferências

ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. 5. ed. Alemã. Trad. Virgílio Afonso da Silva. São Paulo: Malheiros, 2004.

ALLARD, Julie; GARAPON, Antoine. Os juízes na mundialização: A nova revo-lução do Direito. Trad. Rogério Alves. Lisboa: Piaget, 2006.

BALASSA, Bela. Teoria da integração econômica. Lisboa: Clássica LCE, (trad. The

theory of economic integration). 1961.

BENJAMIN, Antônio Herman V. O transporte aéreo e o Código de Defesa do Consumidor. Ajuris, mar. 1998.

(4)

BOLZAN DE MORAIS, José Luis. Estado constitucional, Direitos Fundamentais:

limites e possibilidades. Porto Alegre: TRF-4ª Região. Caderno de Direito

Constitucional. 2008.

CACHARD, Olivier. Le transport international aérien des passagers. Haye: LPRecueils de Cours, 2015.

CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de responsabilidade civil. 12. ed. São Pau-lo: Atlas, 2015.

Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil: superação das antinomias pelo diálogo das fontes. Revista de Direito do Consumidor. São Paulo: Ed. RT, v. 51, jul.-set. 2004. Disponível em: [http://bdjur.stj.gov.br/xmlui/bitstream/ handle/2011/22388/superacao_antinomias_dialogo_fontes.pdf?sequence].

Convenção para a Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo Inter-nacional, celebrada em Montreal, em 28.05.1999.

Convenção Para a Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo Inter-nacional, assinada em Varsóvia, em 12.10.1929.

DE ALMEIDA, José Gabriel Assis. A Convenção de Montreal de 1999 e o Trans-porte Aéreo Internacional no Brasil. Revista Brasileira de Direito Aeronáutico

e Espacial. n. 91, dez. 2008.

Decreto-Lei 4.657, de 04.09.1942 – Lei de Introdução ao Código Civil.

DELMAS-MARTY, Mireille. Études juridiques comparatives et internationalization

du droit. Course au Collége de France, 2003a. Disponível em:

[www.college-de-france.fr/media/mireille-delmas-marty/UPL12910_r_sum_cours0405.pdf]. DOWBOR, Ladislau. A formação do capitalismo dependente do Brasil. Estudios

Latinoamericanos, n. 4, p. 53-72, 1978.

FERREIRA, Siddharta Legale. Internacionalização do Direito: reflexões críticas sobre seus fundamentos teóricos. Revista SJRJ, v. 20, n. 37, 2013.

FREITAS, P. H. de S. Responsabilidade civil no direito aeronáutico. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2003.

GULLO, Marcelly Fuzaro. A organização mundial do comércio e a jurisdicio-nalização do comércio internacional. Centro de Direito Internacional.

Revis-ta Eletrônica de Direito Internacional. Belo Horizonte, 2007. Disponível em:

[www.cedin.com.br/revistaeletronica].

HERDEGEN, Mathias. La internacionalización del orden constitucional. Anuário Latino Americano de Derecho Constitucional. Montevideo: Konrad Ade-nauer, 2010.

KELSEN, Hans, 1881-1973. Teoria pura do direito. 6. ed. Trad. João Baptista Machado. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

LIMA FILHO, Eujecio Coutrim. A defesa do consumidor como um direito fun-damental: aspectos relevantes da constitucionalização do direito. Revista Jus

(5)

Navigandi. Teresina, ano 20, n. 4.397, 16.07.2015. Disponível em: [https://

jus.com.br/artigos/40894].

LOPES, Gustavo Tonon. Integração na América Central e Caribe. Cadernos PRO-LAM/USP, v. 11, n. 21, 2012.

MAGALHÃES, José Carlos de. Direito econômico internacional: tendências e

pers-pectivas. Curitiba: Juruá, 2005.

MALISKA, Marcos Augusto. Fundamentos da Constituição. Abertura –

Coopera-ção – IntegraCoopera-ção. Curitiba: Juruá, 2013.

MALUF, Carlos Alberto Dabus. Do caso fortuito e da força maior: excludentes de culpabilidade no Código Civil de 2002. In: DELGADO, Mário Luiz; ALVES, Jônes Figueiredo (Coord.). Novo Código Civil. Questões controvertidas.

Res-ponsabilidade civil. São Paulo: Método, 2006.

MARQUES, Claudia Lima. O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor e o

Merco-sul. Estudos Sobre: a proteção do consumidor no Brasil e no MercoMerco-sul. MARQUES,

Claudia Lima (Coord.). Porto Alegre: Livraria do Advogado. v. 23, 1994. MARQUES, Claudia Lima. A responsabilidade do transportador aéreo pelo fato

do serviço e o Código de Defesa do Consumidor. Revista da Faculdade de

Direito UFRGS, Porto Alegre, v. 9, n. 9, 1992.

MARQUES, Claudia Lima; SQUEFF, Tatiana de A. F. R. As regras da Convenção

de Montreal e o necessário diálogo das fontes com o Código de Defesa do Consu-midor. Disponível em:

[www.conjur.com.br/2017-jun-21/regras-convencao--montreal-dialogo-fontes-CódigodeDefesadoConsumidor].

MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Da escola científica à competitividade na

economia globalizada. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

MAZZUOLI, Valério de Oliveira. O controle jurisdicional da convencionalidade

das leis. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009.

MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Integração das convenções e recomendações

interna-cionais da OIT no Brasil e sua aplicação sob a perspectiva do princípio pro homine. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Campinas, n. 43, 2013.

MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de direito internacional público. 9. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 1992.

MENDES, Gilmar Ferreira. Direitos fundamentais e controle de

constitucionalida-de. São Paulo: Celso Bastos, 1998.

PERLINGIERI, Pietro. Perfis do direito civil: introdução ao direito civil

constitu-cional. Renovar, Rio de Janeiro, capital. 1997.

Protocolo de Montreal. Disponível em:

[www.protocolodemontreal.org.br/eficien-te/sites/protocolodemontreal.org.br/pt-br/site.php?secao=viena-montreal]. REFOSCO, Helena. A Convenção de Montreal e a responsabilidade civil no

transporte aéreo internacional. Revista Trimestral de Direito Civil. v. 46. UPS, São Paulo, capital. 2011.

Referências

Documentos relacionados

Para fixar a posição das plataformas, foram fixadas ao chão quatro placas de base com os parafusos de ancoragem as quais já têm peças de bloqueio incorporadas para os pés

Do amor," mas do amor vago de poeta, Como um beijo invizivel que fluctua.... Ella

Outro dos importantes funcionalistas ingleses e que trabalhare- mos em outra aula, é Radcliffe-Brown. Diferente de Malinowski, que se utiliza muito de explicações psicológicas,

Benlanson (2008) avaliou diferentes bioestimulantes, (produtos à base de hormônios, micronutrientes, aminoácidos e vitaminas), confirmando possuir capacidade

Neste trabalho o objetivo central foi a ampliação e adequação do procedimento e programa computacional baseado no programa comercial MSC.PATRAN, para a geração automática de modelos

Arrais CA, Giannini M, Rueggeberg FA & Pashley DH (2007) Effect of curing mode on microtensile bond strength to dentin of two dual-cured adhesive systems in combination with

De forma a estabelecer parâ- metros que permitam o desenvolvimento da componente prática do projeto de mes- trado, estabelece-se: que o tamanho mínimo de 5 pontos é o ponto de