3
U~JlMODELO
ALTERNATIVO PARA O
ESTUDO DO TURNOVER
Banca examinadora:
Prof. Orientador Prof.
Prot.
i .~ Fundação Getuli~ varg~s
- Escola de Admimstraçao .
FG V de Empresas dê São Paulo B ibliott'!'ca '
1199600365
--FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO
RICARDO LACHAC
UM MODELO ALTERNATIVO PARA O ESTUDO DO TURNOVER
Dissertação apresentada ao Curso MBA da FGV/EAESP Área de concentração: Organização e Recursos Humanos como quesito para obtenção de título de mestre em Administração
Orientador: Praf. Dr. Sigmar Malvezzi
SÃO PAULO
Resumo: Trata do problema do turnover nas empresas. Apresenta e discute os
principais modelos que estudam e, variáveis relevantes que influenciam no
turno ver e na sua relação como desempenho dos indivíduos. Critica os modelos e
apresenta um modelo alternativo que é testado através de uma pesquisa. Os
dados não confirmaram o modelo proposto em sua totalidade.
Palavras-Chaves: Turnover, Modelos, Visibilidade Profissional, Desempenho.
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Intordução
Conceitos e Variáveis Relevantes no Estudo do Turnover
Modelos para o Estudo da Relação Entre Turnover e Desempenho
Modelos para Explicação entre Turnover e Custos Associados Críticas aos Modelos Apresentados
Modelo Proposto
Proposta de Pesquisa e Teste das Hipóteses Apresentadas Conclusões e Comentários Bibliografia Anexo 1 Anexo 2 pg. 01 pg.
08
pg.13 pg. 18 pg.20 pg.24 pg. 31 pg.44
pg. 51 pg.53
pg. 55INTRODUÇÃO
A relação entre empresa e empregado está mudando
drasticamente. As grandes corporações, onde existiam as
melhores oportunidades de emprego. estão ficando menores,
terceirizando
e
otimizando tudoo
que podeme.
conseqüentemente, eliminando a grande massa de trabalhadores.
O emprego, um artefato inventado pela industrialização para
racionalizar o processo de produção, já não responde às
necessidades de flexibilidade da empresa moderna. Isso tem
exposto os trabalhadores e empresas a riscos e oportunidades
desconhecidos. Os futurólogos até há bem pouco tempo previam
2
semana e teriam o resto do tempo livre para o lazer. Na prática o
que ocorre
é
uma tendência de que metade das pessoas trabalhei :
60 horas por semana e a outra metade fique sem emprego "
(Handy, 1995). O que está acontecendo?
O fato
é
que as condições que originaram há 200anos o emprego na forma que se conhece hoje - produção em
massa utilizando grande número de pessoas estão
desaparecendo. A automação, permitindo cada vez mais uma
produção dos bens independente de pessoas, está acabando com
as tarefas repetitivas. As organizações estão deixando de ser
uma estrutura de empregos definida rigidamente e se tornando
um aglomerado de atividades flexíveis. Várias companhias estão
cortando empregos e se utilizando de outras maneiras de
realização das tarefas para ter mais flexibilidade. Embora essa
seja uma tendência, onde a empresa deverá conviver cada vez
mais com empregados temporários, de tempo parcial, consultores
e contratados, ainda não se encontrou um modelo adequado de
Sempre há o risco de queda de eficiência e qualidade. Estas
mudanças estão forçando às pessoas a trocarem de emprego
numa frequência cada vez maior, e tendo que assumir as
consequências disso. Essa troca freqüente faz com que cada
trabalhador se veja como uma empresa que tem um serviço a
vender para alguém, e não mais como um simples assalariado.
Esse processo, porém, enfraquece as três qualidades
que Beer (1994, Fortune, pago 48) identificou como a fonte de
vantagem competitiva: comprometimento, competência
e
coordenação. O que se vê são pessoas inseguras, tendo que se
afastar de seus amigos de empresa (diminuindo o
comprometimento), realizando tarefas novas e não tão bem
dominadas (diminuindo a competência) com novos chefes, novas
equipes times e novos clientes (diminuindo a coordenação).
Nesse contexto as pessoas focam seus esforços
individuais e os recursos coletivos no trabalho a ser realizado e
função dos atuais gerentes passa a ser diferente da que
conhecemos hoje. Eles evoluem para ser agentes facilitadores.
Isso quer dizer que na equipe são um membro a mais, agindo e
contribuindo como os demais. Novas qualificações são exigidas
do profissional: que ele realmente queira realizar o trabalho
(desejo). que seja competente no que o trabalho requer
(habilidade). adaptável às peculiaridades do ambiente e da
situação (temperamento) e que possua os outros recursos que o
trabalho possa exigir (ativos) (Bridges, 1994). Os conceitos de
risco e responsabilidade estão mudando. O bom emprego, que já
foi associado à noção de responsabilidade,
é
hoje algo arriscado,e o velho tipo de atividade autônoma que era relacionada a risco
está hoje alinhada com as tendências do futuro, sendo a escolha
de muita gente que pretende agir de maneira responsável.
O destaque dessa nova condição
é
o turno ver. Dadoque os profissionais são alocados a projetos e suas carreiras
serão fortemente focalizadas neles, constata-se o nascimento do
(Chief Executive Officer). O novo executivo principal chega
à
empresa com uma missão bastante clara e definida: realizar um
turnaround, já sabendo que em seguida a deixará. O mesmo
tende a acontecer com os outros profissionais: terminado um
dado projeto, o profissional deverá "se vender" novamente no
mercado.
Há uma tradição de que o turnover é maléfico e que
as empresas devem evita-lo. Será que esse tabu tem
fundamento? Uma pesquisa apresentada por Staw and Oldham
(1978) realizada pelo Departamento do Trabalho dos Estados
Unidos em 1975 revelou que a média de permanência dos
empregados no ramo ferroviário era de 19,6 anos, enquanto que
no setor manufatureiro de bens não duráveis era de 5,3 anos. O
primeiro é visto como menos eficiente do que o segundo (Dalton,
Todor & Krackhardt, 1982). Neste exemplo o turnover aparece
como um aspecto positivo. Observando friamente, a rotatividade
de profissionais traz uma série de problemas (custos de
G
trabalho, perda de um funcionário-chave e maior necessidade de
supervisão. entre outros) e benefícios ( "sangue novo" na
organização. novas idéias, maior capacidade de adaptação para a
empresa como um todo, possibilidade de contratação de um novo
empregado com menor salário e retorno de custos relativos a
fundos de pensão, entre outros.). Este trabalho tem como objetivo
estudar essa questão. O turnover, nas condições atuais, é um
benefício ou dano para as empresas?
O
desenvolvimento desse estudo ocorreráinicialmente através de uma análise teórica que será uma
discussão dos modelos e teorias já desenvolvidas, usando a
correlação entre turnover e desempenho como um critério de
análise para se determinar se o primeiro é bom ou ruim para as
empresas. Em seguida será feita uma crítica dos modelos mais
conhecidos, mostrando seus pontos falhos. Na discussão final
será proposto um modelo único que visa integrar todos os
apresentados anteriormente. que será confrontado com os
real de uma grande empresa multi nacional que recentemente mudou seu modo de ver o turnover.
8
CAPíTULO"
CONCEITOS E VARIÁVEIS RELEVANTES NO
ESTUDO DO TURNOVER
Nesse capítulo será feita uma análise teórica do
turno ver. identificando conceitos e variáveis relevantes para a
sua compreensão e para a viabilização do presente estudo.
Pode-se definir o turnover como a medida da taxa de
troca de uma dada população de profissionais (saída de antigos e
entrada de novos em sua substituição) de uma empresa ou
companhia em um espaço de tempo determinado. Em geral
é
1.000 funcionários e 100 deles saem a cada ano sendo
substituídos por outras 100 novas pessoas diz-se que essa
empresa tem um turnover de 10% ao ano (100% x 100 / 1000).
o
turnover é um tema controverso. Analisar aextensão do problema do turnover levando em conta apenas sua
taxa absoluta causa uma série de conclusões errôneas (Abelson
& Baysinger, 1984). Uma parcela do turnover se deve a
separações involuntárias, como doença, morte, invalidez ou
aposentadoria. Se esses casos forem levados em conta de modo
desavisado, poderão elevar a taxa irrealisticamente. Muitas
pesquisas vistas aparentemente não levam esse item em conta ou
não o citam quando da apresentação dos dados.
Para melhor compreender o turno ver pode-se
separá-lo em dois tipos: funcional e disfuncional. O primeiro tipo se
relaciona ao desligamento de funcionários que a organização
preferiria que ficassem, e o segundo
à
saída daqueles que não se10
parcela do turno ver
é
bom (saída de funcionários cujapermanência não se deseja) da que
é
ruim (saída de funcionárioscuja permanência se deseja). numa primeira análise.
Existem muitas variáveis que influenciam na taxa de
turnover das empresas. Dreher (1982) identificou duas variáveis
importantes na discussão da relação entre turnover e
desempenho. A primeira se refere a sistemas de premiação
organizacionais (ou seja, pagamento por performance ou
pagamento fixo) e a segunda ao grau em que um empregador
pode com clareza e confiança avaliar o histórico de desempenho
de um dado candidato. Dreher propõe que a relação entre
turnover voluntário e desempenho
é
função da interação dessasduas variáveis. Ele afirma que quando se faz premiação por
desempenho (salário variável) e
é
difícil ao mercado enxergar odesempenho do mesmo (baixa visibilidade)
é
mais fácil reter umbom empregado e se livrar de um ruim. Isso se explica pois
nessas condições o melhor empregado em termos de desempenho
enxergará o potencial desse indivíduo. Reciprocamente o
funcionário de desempenho ruim terá um ganho baixo (dado que
seu ganho será condicionado a sua produção) e, como o mercado
tem dificuldade em enxergar seu baixo rendimento (e portanto
não sabe muito bem qual se o mesmo tem boa ou má
performance), ele poderá conseguir um emprego melhor
remunerado com um grau de dificuldade relativamente baixo.
Observando o outro extremo, se o salário é fixo e é fácil para o
mercado reconhecer o desempenho do indivíduo, é difícil tanto
reter os melhores empregados quanto fazer com que os ruins
saiam espontaneamente. Artistas, arquitetos, desenhistas,
pesquisadores, jornalistas, esportistas e alguns altos executivos
teriam seu trabalho naturalmente mais visível a possíveis
empregadores e portanto uma tendência maior ao turnover caso
fossem bons empregados em termos de desempenho e tenham
salário fixo. Em contrapartida se alguém desse grupo tiver um
desempenho baixo terá dificuldades de trocar de emprego, pois o
mercado poderá ver com facilidade as deficiências desse
12
o
pagamento porperformance
é aderenteà
argumentação de outros autores. Lockes (1959) afirma que a
satisfação é determinada pela diferença percebida entre o que
uma pessoa quer e o que é recebido. Ou seja, níveis crescentes
de recompensa são associados a satisfação crescente. Assim nas
organizações onde se utiliza de pagamento baseado em
desempenho os funcionários mais produtivos tenderiam a ter uma
maior satisfação e a portanto procurariam menos por
oportunidades fora da empresa, diminuindo o
fumaver
disfuncional. A recíproca é verdadeira para os maus empregados.
Eles tendem a ganhar menos através dessa sistemática de
pagamentos, tendo uma menor satisfação e conseqüentemente o
tutnover
funcional aumenta. Essa argumentação é válida seconsiderarmos que a remuneração é um dos fatores principais de
MODELOS PARA O ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE
TURNOVERE DESEMPENHO
Existem três grandes modelos que pretendem explicar
a relação entre turno ver e desempenho, que são os de March
&
Simon (1958), Williams & Livingstone (1994) e Jackofsky (1984).
o
primeiro diz que a performance e o turnover estãopositivamente relacionados. O modelo defendido por March &
Simon (1958) parte da hipótese que os melhores empregados
tendem a ter as melhores ofertas de outras empresas. A
facilidade de movimento real e percebida do indivíduo em relação
à
organização resultaria num maior turnover dos melhoresfuncionários.
fig 1 - Modelo de March &Simon d 10 e 9 8. s 7 _ 6 m 5. e fJ 4 .: 3. e
..
L., h n o O --1 C1 ~ _ ---. 00; /0 20% 40% 60% 800; /0 100% turno ver._~---o
modelo defendido por Williams&
Livingstone,(1994) prevê uma relação negativa entre performance e turno ver.
Ou seja quanto pior a performance de um indivíduo, maior a
probabilidade que ele receba sinais que ele não é desejado como
colaborador, tendo piores ganhos e reduzidas possibilidades de
carreira, o que o levaria a deixar a empresa. O oposto ocorreria
com o bom funcionário, que seria valorizado e teria uma carreira
promissora, o que o levaria a ficar por mais tempo na empresa.
Essa hipótese
é
fortemente reforçada por dados coletados emafirmar que "a relação linear negativa entre desempenho e
turnover voluntário é robusta".
figura 2 - Modelo de Williams & Livingstone
d 10 -9 e 8 s 7 , e 6-m 5 -P 4 e 3 n 2 Q -. h 1j o 0-' __ ._---+_ 0% 20% 40% 60% 80% ._-_._-_. I 100% umover
o
terceiro modelo, idealizado por Jackofsky (1984)prevê uma relação curvilinear (em forma de "U") entre
desempenho e turnover. Neste modelo a hipótese é de que os
empregados de baixa contribuição seriam informados de várias
formas (diretas e indiretas, através de avaliações ou boatos) que
seu desempenho estaria aquém do desejado, o que em geral
seria reforçado pela sua autocrítica. Essa situação faria com que
16
voluntariamente, antes que ocorresse seu desligamento, evitando
assim ficar desempregado . Para um funcionário de desempenho
marginalmente superior, os sinais descritos acima ocorreriam de
uma maneira menos intensa, o que faria com que a intensidade
da busca por uma nova posição fosse decrescente. Essa situação
evoluiria até que para um dado perfil de desempenho o indivíduo
não se sentiria ameaçado em sua posição. onde haveria um nível
mínimo de turnover. A partir desse patamar mínimo, conforme o
desempenho fosse crescente, a situação se inverteria. O
profissional com características de contribuição superiores teriam
consciência de que poderiam encontrar melhores oportunidades
no mercado. Assim esses indivíduos tenderiam a ter trocar mais
de empregos, de maneira proporcional a sua performance, com os
melhores mudando mais.
BIBLIOTECtü
r.f •
r~ ,figura 3 - Modelo de Jackovsky 9 : 8 -; ---_._- ...•
-
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-." • P 4": ..• ". e _. n 3·- - -._ h 2:----.~.
o ---..
-OS'é· 10% 20% 309S 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% turno verObservando a explicação que cada um dos modelos
descritos apresenta, constata-se que há controvérsias na
descrição do fenômeno. Os dois primeiros modelos (March &
Simon e Williams & Livingstone) apresentam explicações opostas
para a mesma questão. Já o modelo de Jackofsky se utiliza em
parte do primeiro modelo e em parte do segundo, gerando um
terceiro modelo. Esse último modelo, embora se inspire nos dois
primeiros não é suficientemente abrangente para engloba-los.
Assim pode-se dizer que os três modelos são conflitantes entre
18
MODELO PARA A EXPLICAÇÃO ENTRE TURNOVER E CUSTOS
ASSOCIADOS
Muitas vezes o turnover, mesmo quando é
desfuncional (ou seja, a saída de alguém que a empresa não
gostaria de perder) pode ser bom para a organização como um
todo. Abelson e Baysinger (1984) apresentam o conceito de nível
de turnover ótimo, onde se busca minimizar os custos com o
turnover . Para encontrar o nível de turnover ótimo, que nesse
modelo é associado ao custo mínimo (vide figura 4) deve-se
decompor os custos relativos ao turnover em duas parcelas
principais: o relacionado
à
saída de funcionários (custo S - figura4) e o relacionado
à
sua permanência (custo P - figura 4). Aprimeira parcela se refere a custos de separação do funcionário
que sai e aos de recrutamento, seleção e treinamento do que
chega. Esse custo é diretamente proporcional
à
taxa de turnoverda empresa. Ou seja, quanto maior o turno ver, maiores esses
custos. A segunda parcela é relativa ao custo de retenção dos
plano de saúde, de aposentadoria, automóvel. clube, e outros).
Esse custo é inversamente proporcional ao aumento do turno ver.
Somando-se essas duas parcelas para se ter o custo total do
turriover, surge uma curva em forma de "U" (S
+
P - figura 4). Oponto mínimo dessa curva indica o menor custo global possível
para aquela empresa relativo ao turno ver. segundo esse modelo
(vide figura 4) . E a a taxa de turnover associada a esse custo
seria a ótima. Para se determinar se um dado nível de turnover é
bom ou não se deve portanto observar não apenas quem são as
pessoas que estão saindo (bons ou maus funcionários) mas
também o custo global dessa movimentação. Por esse segundo
critério, conclui-se que pode valer a pena perder um funcionário
considerado bom para se manter os níveis de custo globais em
20
figura 4 - Modelo de Abelson & Baysinger
25 -15 . S t u c 20 .; ~
'.!1 ponto de ni nirro custo ttumover ótirro) E
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l3. • ~. :,
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CRíTICAS AOS MODELOS APRESENTADOS
Cada um dos modelos apresentados tem pontos fortes
e
fracos
Nenhum deles pode ser considerado suficientementegenérico para explicar o turnover como um todo.
o
modelo de March & Simon falha ao considerar queé
condição suficiente que um empregado tenha alta performancepara que o mesmo tenha uma proposta de emprego melhor
remunerado. Essa análise
é
simplista pois não leva em conta -aleva em conta a influência do grau de visibilidade para outros
empregadores do desempenho de um dado empregado, nem a
influência do pagamento por resultados. O modelo assume
implicitamente que todos tem uma alta visibilidade no mercado (o
que faria os mais capazes a saírem mais) e pagamento fixo,
independente da
performance
(o que incentivaria aos maiscapazes a procurar outros empregos, devido a alta probabilidade
deles conseguirem melhor remuneração).
O modelo de Williams & Livingstone peca pelos
mesmos motivos: é também simplista quando relaciona o
fumover
e a perfomance, não levando em conta as variáveis apontadas
acima. Ele assume implicitamente o oposto: que as empresas
tendem a pagar mais para os empregados de alta
performance
eque estes não teriam em geral muita visibilidade no mercado, o
que os incentivaria a ficar no emprego por ter bons ganhos e uma
22
Jackovsky fez sua pesquisa em uma amostra de
professores universitários, de onde inferiu o seu modelo, que é.
um meio termo entre os de Williams
&
Livingstone e March&
Simon . Para os desempenhadores ruins, ele usa o modelo de
Williams & Livinsgstone, relacionando negativamente
performance
eturnover.
Para os desempenhadores bons, ele seutiliza do modelo de March & Simon. Esse modelo também não
reflete completamente a realidade, pois assume implicitamente
que as pessoas de alta contribuição terão alta visibilidade e
salário independente da
performance
e as pessoas de baixodesempenho tem o pagamento baseado em desempenho e baixa
visibilidade (ou seja, o mercado tem dificuldades em visualizar a
baixa
performance
desse grupo).As variáveis propostas por Dreher também têm seu
viés. A aversão ao risco é algo generalizado nas pessoas, sendo
mais crítica nas pessoas de baixa renda. Se é oferecida uma
possibilidade de altos ganhos para uma pessoa desde que ela se
seus gastos básicos, é muito provável que um bom
desempenhador venha nessas condições a abrir mão de altos
ganhos futuros em nome de uma remuneração fixa suficiente no
presente.
Finalmente o modelo de Abelson
&
Baysinger tem olimitante de levar em conta apenas a parcela dos custos
associados ao
turnover,
de onde tira o nível deturnover
ótimo.Essa visão do fenômeno é apenas parcial, dado que não leva em
conta os benefícios que cada empregado pode trazer.
Observando-se os vários modelos. vê-se que cada um
deles tem limitações, mas também tem a capacidade de explicar o
fenômeno do
turnover
sob determinadas condições. Em seguida éproposto um modelo que se utiliza dos pontos fortes de cada um
CAPíTULO 111
MODELO PROPOSTO
Todos os modelos apresentados tem vantagens e
limitações, porém isoladamente não têm a capacidade de explicar
o fenômeno do turnover, nem auxiliam a determinar qual seria o
real nível de turnover ótimo.
Este trabalho pretende apresentar um modelo para o
turnover que permite sua explicação de uma maneira genérica e
que possibilite determinar com mais precisão o valor da taxa
ótima de turnover.
a) Duas variáveis afetam a reiação do turnover com a
performance: os sistemas de premiação (ou seja, pagamento por
performance ou pagamento fixo) e o grau em que um empregador
pode com clareza e confiança avaliar o histórico de desempenho
do candidato (ou seja, a visibilidade do mesmo no mercado de
trabalho );
b) Em cargos com alta visibilidade para o mercado e
pagamento fixo, o desempenho do profissional tende a ser
diretamente proporcional
à
taxa de turnover para aquelacategoria de cargos (modelo de March & Simon). Reciprocamente,
em cargos com baixa visibilidade e pagamento variável, o
desempenho do profissional tende a ser inversamente
proporcional
à
taxa de turnover (modelo de Williams&
Livinsgstone).
Supondo uma relação de proporcionalidade entre o
26
descontar os custos associados) gerado por um dado profissional
para a empresa e sendo o último uma variável mais relevante
para a companhia. dado que ela mede o benefício financeiro que
o funcionário dá a empresa, que é uma variável mensurável,
iremos daqui por diante trabalhar com o retorno, ao invés de
utilizar o desempenho como variável relevante.
Será usado o modelo de Abelson & Baysinger como
referência para o cálculo dos custos relativos ao turnover para
um dado tipo de cargo.
Dada a curva de custos (modelo do Abelson
&
Baysinger, curva C nas figuras 5 e 6) e a de retorno bruto (RB
nas figuras 5 e 6) relativo ao corpo de funcionários, faz-se a
subtração entre as duas e é gerada uma terceira que é a curva de
retorno Iíquido gerados por essa população (curva RB - C
=
RLnas figuras 5 e 6). Para se encontrar o nível de turnover ótimo
palavras: o mesmo ponto que determina o retorno máximo para
uma dada função
é
a que aponta a taxa ótima de turnover.Supondo duas companhias com estruturas de custos
associadas ao turnover iguais, temos duas situações extremas
descritas pelo novo modelo. A primeira ocorre quando o retorno
bruto
é
inversamente proporcional ao turno ver (situação A - figura5) e a segunda quando o retorno bruto
é
diretamente proporcionalao turnover (situação B - figura 6)
Segundo o modelo proposto, a situação A reflete uma
empresa que tem remuneração dependente do desempenho e
funcionários cuja performance tem baixa visibilidade no mercado.
Já a situação B reflete o oposto: uma companhia que oferece
remuneração fixa, independente do desempenho, e funcionários
com performance bastante visível no mercado. Uma empresa
enquadrada na situação A tende a reter os melhores funcionários
e a perder os piores. Já uma empresa na situação B tem um
28
observação é compatível com os níveis de tumover ótimos para
as situações A e B. Na situação
A
onde a empresa atrairia emmédia melhores funcionários, o tumover ótimo é menor que na
situação B, onde a empresa atrairia em média piores
desempenhadores. Vale mais a pena na situação B ter um nível
de tumover mais alto do que aumentar os custos de retenção dos
funcionários, dado que eles não darão um retorno proporcional.
Tanto na situação A quanto na situação B observa-se que há
certos intervalos onde o retorno líquido (RL) é negativo. Isso
significa que se a empresa trabalhar nesse intervalo, ela terá
prejuízos. Ou seja: para toda empresa haveria um tumover
mínimo e um tumaver máximo. Caso a empresa venha trabalhar
abaixo do primeiro ou acima do segundo ela não só estaria fora
do ponto ótimo mas também teria prejuízos, sendo que no
primeiro caso ela teria custos excessivos associados a
permanência de funcionários e no segundo custos excessivos
Dessa discussão poderia se concluir que a questão
não
é
se oturnover
é
bom ou ruim, alto ou baixo para uma dadaempresa, mas se ele está dentro ou fora dos limites
economicamente viáveis para a sobrevivência da companhia em
estudo.
tigura 5 - Modelo Proposto - situação A 25 20 • -~o. 15 -10 $ 5 -, i $ o _5°.{b
..
-10 .., 15 20-•
-·-c -:-- RS 5% 10% -·'1~% "..•...
20% ._-- • - RS - C =RLturnover ótimo - retorno líquido máxime '
..
•
..
•
turnover
figura 6 -Modelo Proposto - situação B
s
$---c
RB -.--- RB - C RL turno ver30
A seguir será apresentado um estudo empírico realizado
CAPíTULO IV
PROPOSTA DE PESQUISA E TESTE DAS HIPÓTESES
APRESENTADAS
Foi realizada uma pesquisa para testar as hipóteses sobre o modelo apresentado. Foi aplicado um questionário para os alunos de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, sendo que 100%
dos pesquisados freqüentavam o curso CEAG. Apresentamos a seguir
cada uma das questões colocadas no questionário e seu propósito, e no
anexo 1
é
apresentada uma cópia do questionário no formato em que elefoi aplicado. Os itens colocados em negrito sublinhado após as
alternativas das questões se refere a uma parte das colunas tabuladas no anexo 2, onde as colunas preenchidas com número 1 corresponde a uma resposta afirmativa no item em questão.
"
.
32
ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO
São colocadas no início do questionário questões genéricas, para se ter uma idéia básica do perfil do pesquisado:
1)/dade" anos(id) 2) Sexo: ( )M(sm)
()FMl
3)Formação: ( ) AdministraçãoCfa) ( ) Engenharia(fe)
( ) Outros (especificar): ( ) Exatas(fe) () Humanas(fh) ( )Biológicas(fb)
4)Há quantos anos você terminou sua graduação? _
5)Cursando qual tipo de pós:
() CEAG () MBA ( ) Mestrado () Doutorado ( )Especialização
6) Cargo: ( ) Operacional(co) () Gerencial{gJl ( ) Alta Direção(ca)
" "
..•
" I
A função das questões abaixo
é
o de determinar apetiormance do profissional em questão, baseado em seu salário x idade
(coletada nas questões acima). e níveis de remuneração e ascensão
profissional em comparação a seus colegas de empresa e de faculdade.
7)Salarial Mensal Bruto (em reais).·
lW.
8)Sua ascensão profissional, se comparada
à
de seus colegas deempresa, tem ocorrido numa velocidade () menor(ae-) () igua/(ae=)
( ) maior(ae+) que
a
média de velocidade de ascensão deles.9)Sua remuneração, se comparada
à
de seus colegas de empresa como
mesmo tempo de esse. está num patamar () menor(re-) () igua/(re=)
() maior(re+) que
a
média de remuneração deles.10)Sua ascensão profissional, se comparada
à
de seus colegas defaculdade, tem ocorrido numa velocidade ( ) menor(af-) ()igua/(af=)
14
11)
Sua remuneração. se comparada à de seus colegas de faculdade estánum patamar (-' menor(rf-) () igual(rf=) () maior(rf+) que
a
médiadeles.
A questão a seguir tem como objetivo medir se o tipo de
remuneração do profissional
é
fixo ou variável e. no segundo caso, medirem que grau isso ocorre em termos de percentagem da remuneração total.
12) Você tem salário ( ) fixo{§!l () variável(sv). No segundo caso,
qual porcentagem de sua remuneração total é variável? ( )
1
a
20% () 21
a40%
( ) 41
a60%
() 61
a80%
() 81 a
100%.A questão abaixo tem por objetivo medir a aversão ao risco do profissional em questão.
1
sunoeoenaeme
de sua situação atual: você acha melhor ser remuneradoA próxima pergunta mede a visibilidade do trabalho daquele profissionai para o mercado de trabalho como um todo.
14)A natureza de seu trabalho permite que suas realizações e méritos profissionais possam ser observados, apreciados e comparados a padrões
de mercado ( ) facilmente{vaJ () com alguma dificuldade(vm)
( ) com muita dificuldade(vb). por um possível empregador.
As questões seguir serão utilizadas, em combinação com o
número de anos que o profissional tenha depois de graduado, como uma medida de tendência de turnover de um dado profissional.
15)Qual o número de empresas em que
já
trabalhou? (neJ16)Sua motivação principal para cursar pós-graduação
é
a
busca demelhor oportunidade profissional em ( ) sua atual empresa(tnJ ( )
36
17)Para finalizar
a
pesquisa, preencha por favora
tabela abaixo comdados de seu histórico profissional, listando informações
a
partir de suaúltimo/atual emprego:
I
Ano de Ano de Cargo inicial em relação Promoções Pediu
I
admissão saída ao da empresa anterior no período demissão?1.9?? 1.9?? superior igual inferior quantidade sim não
I
I
I
I
I
ANÁLISE DOS DADOS DO QUESTIONÁRIO
Foram aplicados 114 questionários. Uma parcela significativa
dos questionários teve algumas questões omitidas, e muito poucos
completaram o quadro do final do questionário (questão 17). Foram
utilizados para tabulação apenas os questionários
100%
respondidos e foidesconsiderada a questão 17 para o estudo. No total, foram tabulados 67
questionários, apresentados no anexo 2.
Para teste das hipóteses apresentadas, foram criadas as
seguintes variáveis auxiliares (vide anexo 2):
a) inperf: (índice de performance) mede a performance de
um indivíduo, através do seguinte cálculo: 3 x
(!!tt +
re+ + af+ + rf+)+
2 xb) insl: (índice salarial) mede o tipo de remuneração atual e
o desejado sob o ponto de vista de ser fixo ou variável.
É
medido peloíndice: 3 x (sv + m!) + (sf + Qf).
c) invis: (índice de visibilidade) mede a visibilidade que um
indivíduo tem no mercado, e é definido por 3 x ~ + 2 x
y!!!..
+ vbd) inrnod: (índice do modelo) mede o grau em que o situação
a que o profissional está exposto se aproxima da situação A ou B
conforme definido no modelo.
É
medido por insal + invis.e) into: (índice de turno ver) mede a propensão de um
profissional sair de sua atual empresa e de por consequência gerar
turnover, sendo calculado através da seguinte fórmula: ne/g + m! + 2 x
rt.
f) inar: (índice de aversão ao risco) mede a aversão ao risco de um dado profissional e é dado por sf.
Como deseja-se testar
a
correlaçãoentre
turnoverívisibiiidade e turnoverltipo de remuneração (salário fixo ou
variável), a população de 67 amostras foi ordenada de forma crescente
segundo o índice inperf, e divida em três categorias: os de baixo
desempenho (80), médio desempenho (MO) e alto desempenho (AO),
sendo que os primeiros 21 foram tomados como BO, os 25 seguintes como
Mo
e os 21 superiores como AO.Para o cálculo da correlação foi utilizado o coeficiente de correlação de Kendall (tau), muito eficiente quando as variáveis estão
ordenadas segundo índices pré-estabelecidos, conforme o caso em
questão (ref. Siegel, 1956). Realizando os cálculos, chegamos
à
seguintetabela:
Cálculo do Tau de Kendall ,
desempenho into x invis into x sf inperf x inar into x inmod inperf x to
BO 0.1706 0.1761 -0.5088 0.1001 0.0982
MO -0.0443 0.1045 0.0043 0.0346 0.1148
~
40
Obs.: Tau id x
n:
0.4947Observando os valores de Tau obtidos para os vários pares de variáveis considerados chegamos às seguintes conclusões:
a) para os indivíduos de baixo desempenho (80), tem-se
uma tendência de baixa correlação positiva para a primeira, segunda,
quarta e quinta colunas e uma forte correlação negativa para terceira coluna;
b) para os indivíduos de médio desempenho (MO), nada se pode afirmar, dado os valores de correlação praticamente nulos (menores ou muito próximos a 0.1 em módulo);
c) para os indivíduos de alto desempenho (AO) constata-se a
correlação negativa que pode ser considerada como tendência na
primeira, segunda e quarta colunas e correlações baixas nas demais,
d) observando apenas os sinais (+ ou -) das correlações,
observa-se que há correlação positiva tanto para turnoverlvisibilidade
(primeira coluna) quanto para turnoverlparcela de salário fixo (PSF _
segunda coluna) dos indivíduos BO. O oposto se observa para os
indivíduos de AO: há uma clara correlação negativa entre
turnoverlvisibilidade e turnoverlparcela de salário fixo (figura 7). Em outras
paiavras: para os indivíduos BO, quanto maiores a visibilidade ou a maior PSF, mais esses indivíduos tendem a sair da empresa. Reciprocamente, quanto maiores a visibilidade ou PSF para esta parcela da população,
maior a probabilidade que essa parcela da população permaneça no
emprego. A afirmação feita para os AO
é
mais provável de ser verdadeiraque a feita para os BO, dada que a correlação vista no primeiro grupo
é
bem maior que a vista no segundo (vide tabela). Esse fato empírico traz informações opostas às hipóteses colocadas no modelo: que há uma forte
correlação entre turnoverlvisibilidade e turnoverlPSF para qualquer
população e que ela seria negativa para os BO e positiva para os AO.
r·
42
figura 7 - Relação entre visibilidade (e parcela de salário fixo) e turnover 100% - 80%- 60%--40% 20%--0% 0% ..0 ---[' - BP 20% 40% 60% 100% tumover
e) observa-se uma alta correlação negativa entre aversão ao
risco e performance para os
BO
e baixa correlação positiva entre osindivíduos AO. Isso significa que os empregados de menor desempenho em geral estão dispostos a correr mais riscos que os de alta performance, embora os primeiros tenham maior chance de obterem resultados ruins que os segundos, dado seu histórico de contribuição_
f) não se observa correlações significativas entre
performance e turnover para os indivíduos de nenhum dos qrupos.
g) a amostra apresenta um alto grau de correlação entre salário e
experientes tem condição de contribuir mais em média que os novatos
devido sua experiência e isso se reflete peio salário maior. Esse fato
mostra que a amostra coletada tem consistência.
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CAPíTULO V
CONCLUSÕES E COMENTÁRIOS
Os resultados, conforme item D do capítulo anterior, rejeitam as hipóteses que sustentam o modelo proposto. Pelos dados coletados, conclui-se que os profissionais de alto desempenho, com alta visibilidade no mercado e uma parcela de salário fixa grande em sua remuneração tendem a não trocar de emprego com muita frequência. Para os de perfil oposto. com baixo desempenho, e as mesmas condições de visibilidade (o
que faria com que mercado visse sua baixa performance) e parcela
grande de salário fixo (o que faria com que esses indivíduos não
quisessem correr riscos, pois em média tenderiam a ter mais resultados
economicamente desfavoráveis do que favoráveis caso o fizessem),
Há uma série de interpretações possíveis para os resultados
empíricos. Uma delas é que o fenômeno do turno ver
é
mais complexo doque o modelo apresentado pode explicar. Pode existir uma série de outras variáveis tão ou mais relevantes que as coletas que, se corretamente detectadas e estudadas, poderiam ocasionar outras conclusões.
Outro ponto a se considerar
é
o tamanho e perfil típico daamostra. Embora a pesquisa tenha recolhido 114 questionários
respondidos, apenas 67 estavam completos e foram usados no estudo. Além disso, para testar as hipóteses, fez-se necessário quebrar essa amostra já pequena em três partes, (indivíduos de alto, baixo e médio desempenho) para se testar as hipóteses do modelo. Isso fez com que a possibilidade da amostra considerada para cada um dos casos (21, 25 e
21 indivíduos respectivamente) não ser significativa crescesse muito.
Outro ponto a se considerar é o perfil do pesquisado típico: estudante de pós-graduação de FGV-SP freqüentando o CEAG. Essa amostra têm um
viés bastante grande se tomarmos o mercado como um todo: são pessoas i:
46
e em geral ambiciosos sob o ponto de vista de carreira. Esses fatos podem ter introduzidos variáveis reievantes não detectadas nesse estudo.
Observando a amostra dos 21 profissionais de alto
desempenho. observa-se uma idade média de 31.3 anos e salário médio de R$ 4.100,00 (US$ 4.550,00) enquanto que os 21 de baixo desempenho tem em média 25,6 anos e salário médio de R$ 1.300.00 (US$ 1.450,00). Se. além dessas informações observarmos pelas correlações calculadas
que os indivíduos de baixo desempenho tem uma aversão ao risco
correlacionada de uma maneira fortemente negativa com sua performance e os de indivíduos de alto desempenho tem uma correlação baixa porém positiva com as mesmas variáveis, vemos que aqueles que poderiam se arriscar para ganhar mais já ganham bem (em relação aos de baixo
desempenho) sem ter que se arriscar: sua alta performance por si só
garante uma boa remuneração fixa. Se aliarmos a isso a idade média do grupo de alto desempenho superior ao de baixo, tem-se que esses, em média, devem ter mais compromissos financeiros, serem mais aversos ao . risco (conforme constatado acima) e portanto não vão querer arriscar seu atual ganho ou mesmo terão dificuldade em aumenta-lo significativamente,
mesmo se remunerados por performance. Já os de baixo desempenho tem
um salário bastante inferior. o que faria com que esses indivíduos
tendessem a arriscar mais. dado que eles tem pouco o que perder, bem como a baixa idade refletiria um menor comprometimento financeiro. Uma outra conclusão que se poderia ter é de que a amostra realmente não é boa, pois em tese a média de idades de indivíduos de alta e baixa
performance deveria ser a mesma: a performance para um dado indivíduo
deveria ser independente da idade do mesmo, dado que o índice de
performance utilizado compara o indivíduo com os seus pares, e não com
a população em geral.
Outro efeito que a aversão ao risco dos indivíduos de alto desempenho poderia gerar era uma resistência a mudança de emprego
pura e simples, por medo do desconhecido. Esse medo pode superar a
confiança que esses indivíduos tem em si, fazendo com que eles venham i'
a pensar que sejam muito bons apenas na atual empresa ou cargo que
4S
Outros pontos a se questionar seriam a estrutura dos índices
utilizados para medir tanto desempenho quanto
turnover.
dado que essasvariáveis são básicas para toda a análise realizada, se os mesmo não têm a precisão necessária no que pretendem medir podem vir a distorcer todo o estudo.
Em resumo: seria muito interessante que novas pesquisas fossem realizadas utilizando uma amostra maior, de uma população mais
heterogênea, com um leque de perguntas ainda mais abrangente que
permitisse analisar outras variáveis que poderiam ser relevantes para o estudo como um todo.
Vale ressaltar que, embora as correlações encontradas
sejam o oposto das previstas em teoria, uma boa parcela do raciocínio
continua válida: o conceito de ponto ótimo apresentado pelo modelo
independe dessa correlação. Encontrar esse ponto
é
bastante importantepara que as empresas possam otimizar a utilização de seu capital
Um exemplo prático pode ilustrar isso muito bem. Uma conhecida empresa multinacional americana teve por anos urna política de
não demissão, mantendo em seus quadros seus colaboradores até a
aposentadoria. Recentemente essa empresa demitiu boa parte de sua
população mais antiga, num claro sinal que queria diminuir custos, e tem
mantido sob controle também a remuneração de sua população mais
jovem, através de um mecanismo muito interessante, com um perfeito racional econômico. A empresa tem uma população bastante homogênea
e o salário da população se encontra abaixo da média. Todos os
indivíduos se queixam de seus salários, mas seus superiores se recusam a dar aumentos, mesmo para os com desempenhos ligeiramente melhores que a média, sendo que inclusive alguns desse indivíduos acabam saindo da empresa por salários maiores. Nesse momento a empresa dá um sinal
claro para a massa de empregados: se você quiser um salário
substancialmente maior, terá que sair da empresa, arriscando sua posição
de relativo conforto que tem hoje. Dado que a maioria
é
aversa ao risco,acaba se conformando e deixa de reclamar, não piorando muito seu
desempenho por problemas de salário. Caso tivesse dado um aumento para aquele indivíduo que saiu apenas, e não para a população como um
50
todo, o nível de insatisfação seria bem maior na população como um todo, o que faria com que o desempenho global desse empresa caisse mais do
que ocorreu com a saída desse colaborador ligeiramente superior
à
média. Por fim. dada sua imagem forte no mercado como boa
empregadora, rapidamente ela consegue novas pessoas no mercado para substituir as que perdeu, com um custo muitas vezes menor do que as que
saíram
Esse exemplo portanto auxilia na ratificação do ponto de
vista econômico aplicado ao modelo. Essa grande empresa
aparentemente descobriu que seu nível de turnover estava abaixo do
ótimo, e resolveu se reposicionar. Sob o ponto de vista econômico, pode valer mais a pena fazer com que a mão de obra (cada vez mais
abundante) gire mais rapidamente do que manter profissionais fiéis e
antigos de casa com relação custo/benefício perigosamente alta.
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-Williams, C. R. & Livingstone L. P. Another look at the relationship between (~
(j
!\
r:
Essa é uma pesquisa para coleta de dados de pós-graduandos, visando determinar o histórico típico desse grupo. Obrigado por sua colaboração.
Idade: anos
Formação: () Administração
( ) Engenharia
( ) Outros (especificar): ( ) Exatas ( ) Humanas ( )Biológicas
Há quantos anos você terminou sua graduação? _
Cursando qual tipo de pós:
( ) CEAG ( ) MBA ( ) Mestrado ( ) Doutorado ()Especialização
Cargo: ( ) Operacional ( ) Gerencial ( ) Alta Direção
Salarial Mensal Bruto (em reais): _
Sua motivação principal para cursar sua pós-graduação busca de melhor
oportunidade profissional em () sua atual empresa () outra empresa.
Sua ascensão profissional, se comparada a seus colegas de empresa, tem
ocorrido numa velocidade () menor () igual () maior que a média.
Sua remuneração, se comparada a seus colegas de empresa com o mesmo
tempo de casa está num patamar () menor () igual () maior que a
média.
Sua ascensão profissional, se comparada a seus colegas de faculdade, tem
ocorrido numa velocidade () menor ()igual () maior que a média.
Sua remuneração, se comparada a seus colegas de faculdade está num
patamar () menor () igual () maior que a média.
Você tem salário () fixo () variável. No segundo caso, qual porcentagem
de sua remuneração total é variável? () 1 a 20% ( ) 21 a 40% ( ) 41 a
60% () 61 a 80% ( ) 81 a 100%.
Independente de sua situação atual, você acha melhor ser remunerado com
salário () fixo () variável.
A natureza de seu trabalho permite que as suas realizações e méritos
profissionais possam ser observados e comparados a padrões por um possível
empregador () facilmente () moderadamente () com dificuldade.
Para finalizar a pesquisa, preencha por favor a tabela abaixo com dados de
seu histórico profissional, listando informações a partir de sua último/atual
emprego:
Ano de I Ano de
admissão
1
saída Pediudemissão? Cargo inicial em relação
ao da empresa anterior Promoções no período 1.9?? 1.9?? I
I
uantidade .,-,82 231 1I I 1 I i 2' : 2500i 1; 1 i 1, f---=-,,=---:3=-::,~f-':-;---!--'---i--1=-'-, ~-f---'--7::-'-! ---'---:--:-c---:-! 2=-:5:-:0=-::0~i--:---'----;"'--'- '--.----'--.-,.---/---:1:-:3=---=2:-:4"---:,;-'---~~--'----:';-'---~---:2=-·--'--I---:=---:-:'-:0:-0::-.:0:-i-i----::---'--- ---.--, - i,--,---:---'--''----;'--,---,-,---
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