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GETULIO VARGAS
INSTITUTO BRASILEIRO DE
ECONOMIA
TEXTO PARA DISCliSS.t\.O - CEEG:\"o 9
EI\1PREGO NO BRASIL: TRAl"iSFOR1\1UÇÕES E POLÍTICAS PL13LICAS ~=-~~=---\ P/IBRE CEEG TD 9 -
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.... I de Jáneiro - Brasil' \ ' \ ' ) '\ ' \ ") "1
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TEXTO PARA DISCliSS.Ã.O -CEEG N° 9E~1PREGO NO BRASIL: TRA.l\iSFORlVIAÇÕES E POLÍTICAS PÚBLICAS 199711 1420 P/lBRE CEEG TD 11111111111111111111111111111 1000080929
~~---Junho de 1996
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nria
Cedlia Prates Rodrigues Versão Preliminar, " " _ ., __ o _ . _ __- . ,
B I B L I O T E C A FU.iDAÇÃO GETÚLIO VAFlGAS
EB-OODS8S1 ~-2
ÍNDICE
Página
1!\7RODUÇÃO 1
PRIMEIRA PARTE: TRANSFORi'vlAÇÕES NO ENlPREGO 3
I - Globalização e Emprego: um enfoque geral 3
11 - O Desemprego no Brasil e no Resto do :\1undo 5
III -Abertura: :Modernização Industrial, Ocupação e Produtividade 8
IV -Ocupação Geral: A Reestruturação e Qualidade dos Postos de Trabalho 11
IV.1 - Evolução recente nas regiões metropolitanas 11
1\'.2 - O setor terciário no Brasil 12
v
-
Desemprego e Nível de Atividade 15V.l -O longo prazo (1983-95) 16
V.2 - O Plano Real (1994- 96) 17
VI -O Emprego Formal: Reestruturação e Qualidade dos Postos de Trabalho 19
VLl - A reestruturação do emprego inter-setores 19
VL2 - A qualidade dos postos de trabalho no terciário formal 21
VL3 - O IIp-grllde na qu.:llificaçào do emprego 22
VI.4 - Setor moderno x Setor tradicional: A indústria de material de transporte e
a indústria têxtil 24
\"1.5 -Empregos nos micro e pequenos estabelecimentos 27
SEGlTI\cl)A PARTE - POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇ.L\.O AO
TRABALK~OR 32
VII - Ampliação dos Direitos Individuais do Trabalhador x Custos Trabalhistas 34
vln
-
O Seguro-Desemprego 39L'\: - Os Programas de Qualificação e Requalificação do Trabalhador 41
x
Os Programas de Geração de Emprego e Renda 45XI - O F ATe sua Real capacidade de Financiamento 48
CO~CLeSÃO 51
, I
K\1PREGO NO BRI\SIL: TR<\:.~SFOR\lAÇÕES E POLÍTICAS Pl13LICAS
111aria Cecúia Prates Rodrigues:
L"'rrRODUCÃO
A cnse do emprego é uma realidade mundial. A globalização e a modernização
tecnológica vêm destruindo postos de trabalho tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento; tanto entre os trabalhadores pouco qualificados como entre os mais qualificados.
o
Brasil promoveu a abertura de sua economia no início dos anos 90 e, além disso, vem 'vivendo sob a égide de sucessivos planos de estabilização. No entanto, sua taxa de desemprego segue sendo muito bai\:a quando comparada ao padrão internacional vigente, o que está longe de significar que o trabalhador brasileiro vive uma situação confortável de emprego.Como o nosso país vem conseguindo manter este baixo nível de desemprego? Este parece ser um resultado surpreendente quando que se sabe que grande parte das empresas brasileiras vêm passando por um intenso processo de reestruturação e modernização fortemente poupador de mão-de obra. Basta ver que a ocupação na indústria já sofreu um corte de 300.'0 entre 1989-95 - é bem verdade que num primeiro momento da abertura, este setor tende a ser justamente o mais afetado, por concentrar aí a produção dos bens
tradeables.
Em outras palavras, buscaremos aqui compreender o funcionamento do nosso mercado de trabalho nestes anos 90, e como ele vem absorvendo e se ajustando a este violento
encolhimento no emprego industrial e à falta de dinamismo da atividade econômica.
Para isso, analisaremos a dinâmica da ocupação como um todo (consideradas aí todas as categorias de ocupação: empregado com e sem carteira, conta-própria e empregador), e depois particularmente, a do emprego formal (empregos devidamente registrados, captados pelas estatísticas do !\1inistério do Trabalho). As especificidades e semelhanças entre esses dois cortes do mercado de trabalho (total e parcial) serão comentadas, mas a nossa
: Economista da FGV/IBREiCEEG. A autora agradece as valiosas explicações e informações de Luiz Gonçalves Filho (FGV1, Vandeli dos Santos Guerra (lBRE), Sônia Helena T. C. Cordeiro (MTh), Antônio Barretto (B~DES\ Valdi Fernandes Leite (Mtb), Jorge Jatobá (~1tb): e ao competente apoio técnico de Simone Rezende Pinto (Cl\'Pq) na elaboração dos gráficos e tabelas.
'1 '1
dolorosa. até que os frutos da integração lhe sejam benéficos. Particulannente no caso do Brasil. onde apesar das nonnas rígidas existentes de proteção ao trabalhador. as relações de trabalho são frágeis e. na realidade. o trabalhador acaba sendo pouco protegido. Sem f.:dar que o seu grau de qualificação está longe de atender aos padrões minimos exigidos para operar nesta nova realidade competitiva. Torna-se. pois. fundamental uma percepção clara acerca das rransfonnações que vêm oconendo no men:ado ck trabalho brasih::iro nessa Ü1S':
de transição, se se pretende ter uma politicJ de emprego consistente, que
'.1
coni.gindo as distorções que aí vão surgindo - e que não são poucas.~ào resta dú,iclas de que a aruação do governo em prol do trabalhador ganhou nova dimensão a partir do final dos anos 80. :\ Constituição de 1988 foi um marco neste sentido. seguido pela política do seguro-desemprego. os programas de (re)qualificação profissional e de geraç,~o de emprego e renda. Até qUE' ponto estas políticas de gOYerno yém sendo
realmente efetivas para (i) tornar o trabalhador brasileiro competitivo e garantir a sua empregabilidade; e (ü) combater os efeitos sociais adnrsos da reestruturação empresarial e pn'seryar o emprego'?
Por outro lado. como veremos. o F.-\ T (Fundo de Amparo ao Trabalhador) ",em sendo a fonte [manciadora por excelência destes programas de prot:::çilo ao trabalhador. Comenta-se sobre o seu déficit prim<Íti.o em 1995, e muito possivelmente em 1996. Qual, portanto, a sua rcal capacidade de seguir financiando as políticas pú blicas de emprego que v&m se tornando cada YeZ mais imprescindínis'?
.-\0 longo deste texto, procuraremos elucidar as questões acima colocadas. ~a primeira parte. trataremos das transformações do emprego com ênfase no período 1989-95. E na segunda parte. ayaliaremos as principais políticas públicas de proteção ao trahalhador adotadas neste período.
,
,
PRL\IEIR-\ PARTE: TR-\.. ,"SFOR\L\ÇÕES .\"0 E~1PREGO
I. GLOBALIZAC.~O E E\IPREGO: l""?\l E.\"FOQFE GER--\.L
~
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o
avanço da globalização e da modernização tecnológica vem representando cadtl YeZ mais uma ameaça a postos de trabalho, até bem recentemente tidos como seguros e estáveis. Uma ameaça que amedronta tanto os trabalhadores dos países desenvolvidos como aqueles dos países em desenvoh-imento.Rifkin. em seu li'TO "0 fIm dos empregos". prevê que os países ricos nào terão maIS necessidade de traballiadores, já no próximo século. A modemização tecnológica, que no passado recente reduziu drasticamente o papel dos chamados "trabalhadores manuais", está prestes a vitimar os ditos "trabalhadores do colarinho branco":'
Ritlin nota ainda que. até então. quando as novas tecnologias substituíam os
traballiadores. um novo setor sempre emergia para absorver aqueks tmb:ühadores que hmiam sido expulsos de seu emprego. Assim, quando os trabalhadon:s IUrais foram substituídos por tratores e arados, o setor industrial tomou-se o grande empregador. Com a postelior automação das ülbricas. o setor seniços tomou a frente na geração de empregos. Por quase meio século (1930-80). os serviços foram os responsáveis p~10s novos postos criados nos países desenvolvidos. Só que agora também este setor está sendo <tutomatiz<tdo com o avanço das novas tecnologias. sobretudo das tecnologias da infonnação. Com isto. muitos dos trabalhadores qualificados já começam a temer pela perda de seus empregos.
Some-se ainda o processo de globalização em curso que, destIUindo as fi"onteiras tenitoriais nacionais. petmite a li\Te mobilidilde dos capitais desles países ricos. que vêm se transferindo. muitas vezes. para os países em d;;s;;:l1\"Ohimi:.nlo ondç e:J.st~ um men,;ado consumidor potencial e onde os seus custos (sobn:tudo eli: m50-(k-obr~l) chçg~lln a ser b.;m menores. Ou seja, é ~ glohalização, qUi: engendrando a transnacionalizaçào C OlVor:1tiva. vem contribuü1clo também p<tra a subtraç30 ele postos de trabalbo dos países (ksc:1Yolyiclo~ em favor dos paises em desenyo~, imento ...
De fonna alguma. isto signiti.:.a que a situação do emprego nestes últimos paise~ só tenha n ganhar com a globalização. Pelo contr:irio. os trabalhadores do~ países em
-Thc Economl~T. !~bruaíy 11 th IU,):-.
. : In Jer~nly Brcch~L "(;lo~),Jiz,tti0r: ,ffid [('enonlic _-\ll!;:nl(tti\··=~". JOlli11:lll .... f!~1.: S\.")('iery f0i" In;~n1\-lril..)n~tl
incessame de competitividade vem provocando a expulsão de levas e levas de trabalhadores.
atingindo nlio apenas aqueles de baixa qualificaçlio, como também os mais qu.1lificados.
Ressalte-se que as empresas mais afetadas vém sendo iniciahnente as do setor industlial. produtoras de bens "trudeables ", onde a internalização do produto importado, muitas vezes de melhor qualidade e mais barato. vem se tornando prática cada vez mais freqüente nestes países em desenvohimento.
Ao longo desta primeira parte, procuraremos analisar as especificidades do caso brasileiro, ou seja. de que forma o nosso mercado de trabalho vem se adaptando a esta nova inserção internacional. Sem íàlar que até agora. o Brasil dos anos 90 vem sendo também o palco de
seguidos planos (ptimeiro, os dois Planos Collor; e depois. o Plano Real) e medidas de estabilização da economia, que por si só. já engendram algum grau de recessão e desemprego, justificados pela prioridade maior do controle inflacionário.
lI. O DESE\1PREGO ~O BR.\SIL E ~O RESTO DO \fC\1)O
Ao se comparar a taxa de desemprego e sua duração média no Brasil com as dos países desenvolúdos, fica-se com a impressão de que a tão propalada crise intemacional do emprego nào atingiu o nosso país (ver tabela 1).
Assim, confonne os indicadores do desemprego para os principais países desenvolvidos
encontrados no último Relatório Sobre o Desenvohimemo Hemano (l99~) das }.Jações
Cnidas, constata-se que o nível do desemprego no Brasil só não é menor do que no Japão, país conhecido por vir conseguindo. até então, administrar com sucesso a situação do pleno
emprego.
Da mesma fOlma que nos países desenvolvidos, a situação do desemprego no Brasil parece também bastante fàvonivel no contexto dos países de média e bai.'l:a renda per capita,
confonne levantamento do Banco :\:lundial 4 (gráfico 1 l. Só para exemplificar, 'veja-se que
países com renda per cápira sem~lhante ao Brasil. como Jordánia e Polónia. chegam a apn:sentar um nível de desemprego três vezes superior ao nosso,
É impol1ante esclarecer que o IBGE (órgão oficial de produção de estatístic,ls no Brasil)
segue a metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho) na identificação do
desemprego. Assim. de acordo com a
orr.
são consideradas OClP.illAS as seguintescategorias de pessoas:
(1) Ocupadas sào todas as pessoas aCllna de uma certa idade que durante o período de referência pesquisado, (seja uma semana ou um dia) estejam na seguinte condição:
(a) trabalho pago - pessoas que executam um trabalho em troca de salário, em dinheiro
ou em espécie: ou pessoas que não trabalham (por motivo de férias ou licença) mas
que mantêm o 'vinculo empregatício.
(b) trabalho autônomo - pessoas que executam um trabalho em troca do lucro ou de ganhos fàmiliares. seja em dinheiro ou em espécie: ou pessoas que. tendo seu próprio negócio. estejam afastadas por alguma razão,
(2) Por trabalho, compreende-se a ath,idade desempenhada por pelo menos 1 (uma) hora
no perído de referência.
J in Banco l\lunrual, "R.:!latório sobr~ o D~"em'ohim~nto \Il:):DIA.L J 095", p,'tg 34 fig. 3.3 . P~B p.:!r capita .:! d.:!sempr.:!go
: in Oficina internacional del Trabajo'Ginebra (OITl. "Armário de Estaclisticas del Trabuj0 - Jol)4", ~otas
Tabela 1
o
desemprego:
Brasil X Países
Desenvolvidos
Taxa
de
Duração média
Países
Desemprego
do desemprego
1993
(%)
(1)
(meses) (2)
Alemanha
8,2
16
França
11,6
21
Reino Unido
10,2
10
Espanha
22,7
105
Itália
11,5
36
Japão
2,5
5
Estados Unidos
6,7
3
Canadá
11,2
3
Brasil
6,2 (3)
1,6
Fonte:(1) In PNUD. Humen Development Report 1995
(2) Estimetive pare 1988 feite por Wasméliô. 8iver. "Aspectos
dô. estruture do desemprego no 8resil: composição por sexo
e dureção" (8NDES. 1993)
(3) in IBGE. PNAD 93.
1 1 ' ) ') "1 Sb
Gráfico
1
Desemprego x PNB per capitn: Países de média e baixa renda
Mesmo entre países situados no mesmo nível de renda há acentuadas diferenças nos
níveis de desemprego
(5) Os trabalhadores familiares não remunerados são também tidos como ocupados (trabalhadores autônomos), independente do número de horas trabalhadas no periodo de referencia.
(6) As pessoas trabalhando na produção de bens e serVIços econOm1Cos. para o consumo prôprio ou de sua família são classificadas como ocupadas (trabalhadores autônomos), se esta produção tiver um peso relevante no consumo familiar.
(7) Os aprendizes recebendo em dinheiro ou espécie são considerados pessoas ocupadas: o mesmo oconenclo com os estudantes que estejam exercendo simultaneamente ati,.idades na função de empregados ou de autônomos.
(8) Os membros das Forças Armadas integram também a população ocupada.
Basta esta e:\"tensa lista de categorias dr pessoas consideradas ocupadas pela OIT para se concluir que taxas de desemprego semelhantes podem espelhar situações do mercado de trabalho totalmente distintas. Ou seja, o conceito de ocupação adotado pela OIT é tão amplo que a taxa de desemprego em si torna-se pouco releyante na identificaçelo das condiçües de trabalho em um dado país/região.
Senão. vejamos a título de exemplificação. o caso do Brasil e da França. ~o Brasil. conforme a metodologia da OIT acima explicitada~ são considerados ocupados: os camelôs e até mesmo os filhos que os ajudam na "balTaca de camelô" sem receber nenhuma remuneração.: os lavadores e guarcladores de cano nas ruas: os vendedores de balas nos sinais: o biscateiro que presta sen·i<{os esporadicamente nas casas: o íilho que ajuda o pai na roça sem nenhum pagamento em troca: a faxineira: et;;... Portanto, estas ocupações de
carater extremamente precálio e sem nenhuma proteção da legislação trabalhista não
contribuem para engrossar as estatísticas do desemprego no Brasil - assim~ no auge da crise
econômica em 1993. a taxa de desemprego no país ficou em "apenas" 6.2~o' .
. " Estil tiL'",: je. COI1"idt!ril a moàificê!ção CC'll1ceitual introduziciil !lê! P\.AD 93 de inclui.r como peS;;Oil;; ocupadas
o:> qu~ praticam agricultura de 5ub"ist~ncÜL a constlUçàC' ciúl para uso proprio e o trabalho nào-remunerado
por menos de 15 h0ra~ semanai,," :<ãc' fosse a inc!Lb~lo desta:> categoritls, (\ clesemprego em I L1Sl3 [l!Íngú'i,1
"'
"'
Ja
na Franp, a situação é bastante diferente. Quase todos os franceses ditos empregados têm contratos de trabalho. ;;om todas 3S garantias. É raríssimo o trabalho infonual (salvoentre os imigrantes mais recentes) - mesmo que não fosse proibido, pelo menos por enquanto, nenhum francês pensaria em anuar uma bmTa~a de hugigangas nos Champs-Elysées. O seguro-desemprego de 4 mil trancas (cerca de RS 800.00) mensais é um direito assegurado. assim como a assistência médica e a escola pública totalmente gratuitas. Por conta da Previdência Social. a família do desempregado ainda recebe uma ajuda mensal de
ess
150 por cada frlho.-Estes exemplos são releyantes para mostrar que a qualidade da ocupação na França é muito superior à qualidade da o~upaçào no Brasil. .-\ssi.m, se por razões estruturais ou conjunturais, o trabalhador tranc~'s perde o seu emprego, ele conta com as benesses do Poder Púhlico para lhe garantir e à sua família um padrão de ,ida razoável, enquanto estiver desempregado - daí "ter tempo" para procurar uma ocupação. que não implique em um
rebai~amento drástico em suas condições anteriores de trabalho.
:\"0 Brasil, a re~üi(bde do desemprego é outra. A.o ser demitido, o trabalhador brasileiro conta com o seguro-desemprego por no m.:íximo 5 meses, e seu \'alor-teto é de atualmente apenas 1. 87 salários-mínimos. .-\ necessidade ele garantir a sua sobre\lviência e a ele sua família faz com que este trabalhador demitido tenha que encontrar logo uma ocupação que lhe renda alguns trocados. mesmo que isto represente uma disfunção ocupacional aviltante.
Como se vê, embora o desemprego e a sua duração média sejam bem menores no Brasil (6,2%) e 1,6 meses) do que na França (11.6% e 21 meses), não é difícil se perceber que as condições do mercado de trabalho brasileiro são muito inferiores ao francês, tendo em yista o alto grau de precariedade e de subemprego aqui existentes.
:\'as seções st:guintes, a nossa ~ní:1se. pOl1anto. não será a questão do desemprego e sim avaliar ele que fOlma as transformações por que vem passando a economia brasileira nos anos 90 estão afetando as condições do nosso mercado de trabalho. Ou seja, a questão fundamental é averiguar se estas transfonnações econômicas estão resultando ou não na melhoria geral da qU41lidade dos postos de trabalho gerados em nosso país. :\'luito embora o desemprego não seja a variável rele"ante para a"aliar o mercado de trabalho no Brasil. procuraremos mostrar a sua estreita ,inculação com o desempenho da atividade económica. salientando. assim. o seu aspecto conjuntural.
in JOl11ül do Brasil. 28 'o-r~lÍ: (Cld~n\C' Esp~ci.:tl sobre Empr~go. :\hlt'::11.1: ··D~:;."mpr~go aS5U5ti1 os franc""es", de Cluuma _-\ntune~, d", Pam l.
alguma, o íàtor propulsor da modemização industrial no pais. Sem mais políticas e medidas protecionistas. que muitas vezes acobenavam e perpetuavam ineficiências produtivas, a busca
da competitividade pelos diversos setores da indúst11a brasileira tornou-se condição básica
para a sua sobrevivência. Ou as empresas se modernizavam. ou então seriam eliminadas pela conconência internacional. ~Iuito a propósito, na époc.a. o então Presidente Collor chamou os canos brasileiros de "calToças" - como, então. competir com os modelos alemães ou japoneses ou italianos de melhor qualidade e de menor preço?~
"'veste sentido. a politica de abertur,7 pode ser cOlisideradD como bem sllcedid(/ por ter
sido capa:: de gerar os efeiros posiT!vOS esperados - \ytÍe di::er.
°
inióo dC' U11] processo dec..?j1lste capa:: de cOl?ferir 111aior eficiência e comperirh'idade aos prodUTOres locais - dO
mesmo tempo que revelava il?fundados os remares de um SUC,:iTea11lenro cio jh.7rque fabri/ do pais. De fala, J pouco e.\prCSsi",;.7 a \'aric..lçeÃo do coeficiente de importaçSo do paIs e de
cado U111 dos setores industriaiS. Por oitlro l.:/do. (; sign{ficarf)'() o esforça de .:?illSíamel1iO
empreendido por amplos st!gmcmos do setor IJICl111{klTureiro ji.;·ra se tornarem m,tis
compC'ririw)s aTrm'es dei reduç,Jo d{? custos e da meihoria d" quolid...1Cle dos seus produto.) ",
segundo E. A .. Guimaràeso
Questiona-se, no entanto, o Iiimo demais acelerado da abel1ura da economia, alegando-se
que as "pOltas do país foram escancaradas" sem que se adotassem as medidas adequadas de
salvaguarda para aqueles setores mais fragilizados. como é pratica comum na m:-tioria dos
países. Basta ver que a tariíà média de imp0l1a~ão caiu clt: 32,200 em 1990 para P.2°0 em
julho.93: sem í~1br que foi remo,·ida
.1
estlUtura das baneiras não-tat1fárias consubstanc.iaclaal~ então no poder discricionário da CACEX (Carteira de Comércio Exterior do Banco do
Brasil) que foi extinta.
o
impacto da abenura da econorrua brasileira sobre a mão-de-obra industrial toma-sebastante ,isível quando se detém na evolução da ocupação neste setor nos últimos dez anos, a partir das estatísticas da Pesquisa Indust11al ~lensal (PI\-1) do IBGE. Ao longo deste pellodo, podem ser identificados três momentos distintos no que se refere à ocup:-tç50 industrial e produti\.idade - ver gráfico 2. A.ssim. no primeiro momento (1985-1989). que
i Eduardo _-\ugmt0 Guinlill"~'::S. "A .::xp.::riência f.::cent.:: da POlitiC'l indusniül no Bí3Sil: 1ml,l a\·.:tli'"lÇ1íc,", Texte'
8a
Grafico 2
Indústria I Brasil: Os três" momentos" na evolução da produtividade e da ocupação ' ) ' \
-
o o-
11 . " 110 cn-
CP CII ta B-CP u:s
.5 oz
155 145 135 125 115 105 95 85 75 c:: c:: I'CI I'CIi
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--,,...
~ Produçao " Fonte: IBGElPIM. " Elaboraçao: FGVlIBRElCEEG.,
,
Obs: Média m6vel12 meses
c:: I'CI
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c:: I'CI --,g:
~ Meses I anos / c:: I'CI~
/ . / /,,"
c::i
Ocupaçao - - - ProdutividadeI
/ I / c::i
"1 ' \ """"'\ """"'\ """"'\ '"\
foi o auge da absorção dt m50-de-obra da indústria como um rodo, nota-se que as flutuações
conjunturais do emprego acompanhavam de p;:110 as alteraç()çs nos \·olumes de produção. Daí, a produti\.iclade neste pe11oc1o, entendida como a relação entre o "quantum produzido" e
a "população ocupada na produção". manteve-se praticamente estável.
~o segundo momento (1990-1992), que marca a entrada do país na era da globalização, é
que se velifica. de fato, a forte queda na ocupação industrial, que despencou aproximadamente 23°ó~ em apenas três anos. A recessão (sobretudo em 1990). achinda das medidas de estabilização adotad..1s. aliada aos ajustes estlUturais do emprego provocados pelo \-1olento processo da modernização e da ahertura comerci"l do govemo Collor. explicam este acentuado encolhimento na mâo-de-obra industrial. :\ produthidack ainda permaneceu relativamente relati"vamente estável em 1990, já que a redução na produção e na ocupação foram proporcionais neste ano. Já o f0l1e aumento da produtiúdade em 1991 e 1992 em tomo de 16°0: . tido como '-perverso" (ganho ele produtiúdade simultimeo com queda de produção), é atribuído à maior queda verificada na ocupação do que no q1l0l1t1l1ll produzido.
Já no terceiro momento (1993-1995). a ocupação na indústria como um todo ·vem
apresentando tend~ncia mais ou menos est.ível. com ligeiro dedinio a cada ano que passa. Pode-se dizer, p011anto. que o efeito devastador da reesTIumraçào indusn1al sobre o emprego
concentrou-st' no periodo 1990-92. Por sua vez, a produtiúdade seguiu crescendo (250
of.
tendo-se em vista que a recuperaçilo na produção inclustri:11 al.::ançacla ~m 1995 aos niyeis de
198i deu-se com um p:1tamar de mão-de-obra quase 30°(j inferior ao daquele ano.
o
abrandamento da~ demissões nesta terceira bse não se deu iguah11entc em todos ossetores. Pelo contrálio, em alguns setores o ritmo da" demissões ainda foi \io1entü, como::
na extrativa mineral (28°0) e no fumo (32°0) - neste último. o rú\·ej cle emprego praticamente não hou\"cra alterado na segunda fase . .lá nos setores dinâmicos e politicamente
fortes. como maTelial de transporte e matelial elétlico comunicaç30. o emprego chegou até a
crescer.
, Con:;iderilnJo-~e a ,·.::riaç:0!o j<iIlelh1 ~\3 .Janeiro ~)O, utilizando-so: o n110r cl~l media mO\'çJ 12 me~eo. nest;;::. ponto;. .
.. Considçrand0-se n \"ariaçà0 júnelIo 93 janeiro 01. utiltzando-sç () medIrl m0"çl12 mÇsÇs neo;tçs pontos. " Considerando-sç ~, \\ll1ilc{"i janeirl~ l16 j(lJleirO 93. utilizandO-Se i:l 11l~did 1:: me"es n;;:;te ... pontos.
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"1 "\ ]0EstE' Yigoroso ganho d(' produtiYidade industrial a partir de 1991 deye ser
interpretado com certa cautela. Isto porque a abeltura comercial ora inkiad" ,iabilizou a
queima de etapas do processo produtivo nacional (como por exemplo. ,ia imp0l1ação de
peças já prontas que passam agora apenas a ser montadas no país). aC:llTetando.
conseqüentemente. a menor demanda por mão-de-obra industtial. muito embora a variável
qlla17tum produzido (da fónnula da produtividade) não venha captando esta alteração na
cadeia produtiva. Daí, engrossannos aqui o coro dos que consideram ser fundamental na
estimativa da produti,.idade industrial a substituição da variá,:el "qu1-7nt7lJlJ produzido" por
;'qllant1ll11 agregado na produção", que deveria passar, então. :1 ser também calculado pelo
IBGE'P:L\1.
~ão se pretende, de fOlma alguma transmitir a impressão de que a situação do emprego
industrial tenha se tomado tranquila desde 1993. O que se busca é alertar para a real
dimensão da crise do emprego industrial: houve um violento c011e de postos em 1990-91-92
e. a partir de 1993. o nível do emprego geral na indústtia praticamente se estabilizou em um
patamar 30°'0 inferior ao nível atingido em 1987. Ou seja. o que é preocupante do ponto
de Yista do mercado de trabalho no Brasil. é constatar que a capacidade de demanda
por mão-de-obra pela indústria foi rebaixada ollcefor ali. e se ajustou ao noyo modelo
de produçào competitiYo (e não mais protegido como antes), nitidamente poupador de
mão-de-obra. Isto significa que o emprego industlial não vem crescendo desde 1993 (ao
contrário~ ainda se comprimiu mais em 5°0). apesar da expansão de 2°0 ao ano na taxa de miúdacle urbana.
.-\ mão-clç-obra que sobre,·iveu à esta dolorosa (na malona dos casos) reestruturação
industlial vem auferindo aumentos reais crescentes em seu salátio médio. que chegou a
registrar ganho de 240.0 entre 1991-95 ("ef gr. :\a realidade. o que vem ocot1'endo é mais
uma recomposição do salálio media da indústlia. que foi carcomido em grande parte pela
inflação galopante do penado 1987-90. Aliado. é claro. ao fato de que as demissões
concentraram-se. sobretudo. nos trabalhadores menos qualiJicados e conseqüentemente com
niveis mais bai ... os de remuneração. Por si só. mesmo que os trabalhadores rem:mescentes
nào tenham tido ganhos reais ele salátio. isto já implica em elevação do salálio médio da
125
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o Z 85 75 c c c IV IV IVIndústria I Brasil: Salário médio crescente a partir de 1992 c c c c c IV IV IV IV IV c IV ~ ...., ...., ...., ...., ...., ...., ~
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~ N <Xl ~ O> 8lO> O> O> O>
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Fonte: IBGE/PIM
Elaboração: FGV/lBRElCEEG. Obs: Médias móveis 12 meses.
Deflator: INPC centrado.
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Meses I anos
1--
Ocupação - S alário médio1
c c
IV IV
II
IV. OCVPAC.\O GER-\L: A REESTRrTl"RAc.ÁO E OC-\LIDADE DOS POSTOS
DE TR-\BALHO
IV.l - Eyolucão R~c~ntt' nas R~giõE's :\l~tJ'opolitana<:
Da comparação ~ntre a evolução da ocupação pré-1989 e pós-1989 nas seIS principais regiões metropolitanas (~\ls) do país (SP, RJ. BH SAL RE e POA), podemos detectar padrões de comportamento bastante distintos - ver tabda 2. ~aque1e primeiro periodo (1983-89), a pat1icipação ela população ocupada no setor terciário (comércio e serviços) mantém-se estável em tomo de 60°0 e o grau de infonnalidack da mâo-de-obra (medido aqui pelo percentual dos empregados sem c~111eira e dos conta-própria na população ocupada) apresenta pequena flutuação entre 38.-l°0 em 1983 e 36.5°0 em 1989, atribuída sobretudo a flutuações de ordem conjunrural da economia.
Já o segundo peIÍodo (1989-96) é marc.ado por uma tendência crescente e tlnne
(1.1 terciarização da ocupação (com o percentual da população ocupada no setor terciário
saltando de 60,900 para ó7.3°o) e da infonnalização das rda~ões dç trabalho, com o percenrual dos empregados sem ca11eira e dos conta-próp11a aumentando 10 pontos
percentuais~ de 36,5° o para -+6.8° ° da população ocupada nestas R..\ ls.
Esta tercim1zação e infonnalização da mão-de-obra observadas na segunda etapa representam. sem dúvid:l alguma, subprodutos ela inserção do Brasil na nova era da globalização iniciada no govemo Collor. Isto porque a modemização eb indústria brasileira deflagrada a partir de então, condi;;ão s!ne-que-nol1 para a inserção competitiva do país no contexto intemacion:ll. teve por base um \ iolento en'\ug:lmeniO em sua mão-de-obra, como se ,iu no capírulo antelior. O qUç os números da tabela ~ mostram é que a contrapa11ida desta modemização industri:ll vem senclo a migração d:l mão-cle-obra industrial para os setores de çom~rcio e seniços: proL:esso aliás. hastante natural e compreensivel se se considera CJue também nos países desenvolvidos. 3. proporção ela população ocupada no setor
ter;:;i:irio é cada vez maior.
:: A.~ ~st~itItiSCiJ~ "obr~ (: m:::rcildc d~ !rr.k.ll1,~ m~ p~:lS "'0 :::~rJC ciJ."'P;)Tll'·'::JS at~ 1 :)~'·3 i P:\.-\D IBGE LdiJi optarrno.~ aqui p:::Ias c.;;tari.;;ticas da Pcsqui,,(J \t~nsa] d,:' Empr~go - P\[E (IBGE i. qu::: cobrem apena5 a~ seis p;ulCipai:> rcgiô~.;; mi!~.ropC'lilüJlfl.", ! R\h i de pais m~l';; com ,) \"(ml~I?;;;nl eb arll~óz<lçfl() d~l" infomlilç·õ::s. (1 qu,:' p~!mit~ <i [mulise "ob!';;! (' comp0!1üITl,:'!110 d.~ m~n::,,·::;,~ d~ tn,balll') !lO p~n~~cl~, r;::c~nt~.
Tabela 2
Desemprego X Informalidade X Terciarização.
Evolução: 1983 - 96
, , , ,
Médias anuais das RMs' RJ SP BH RE SAL e POA Taxa de % Empregados % da População % da População Anos desemprego sem carteira + Ocupada no setor Ocupada na
aberto (%) conta-própria na Terciário (serviços Indústria de Pop. Ocu~pada + comércio) de Transformação
1983 6,7 38,4 60,4 23,9 1984 7,1 39,9 61,6 23,0 1985 5,3 38,7 60,9 24,5 1986 3,6 37,0 59,7 25,5 1987 3,7 36,7 ÓO,O 26,6 1988 3,9 37,0 60,6 24,9 1989 3,4 36,5 60,9 24,1 1990 4,3 37,6 61,8 24,3 1991 4,8 40,9 63,2 22,3 1992 5,8 43,2 64,6 21,0 1993 5,3 44,2 65,3 20,1 1994 5,1 45,5 65,5 20,0 1995 4,ó 46,1 66,3 20,3 19961*1 5,8 46,8 67,3 18,5 Fonte: IBGE/PME. Elaboração: FGV/IBRE/CEEG.
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,
,..,
J-'-.:\0 entanto, a crescente informalização das relações de trabalho entn'
1989-96 não corresponde a uma decorrência natural (' esperada do processo n10dernizador
em curso. Sugere. ao contrário, uma disfunção entre (I ritmo com qUE' H'1l1 se dando a
expulsão na mão-de-obra industrial (advinda da modernização do setor) e a capacidade
de absorção dfsta mão-de-obra pelo sftor terciário de forma consistfntf. Ou seja, o
sftor terciário não vem tendo tfmpo hábil para se expandir e criar novas frentes de
trabalho segundo uma noya estrutura organizacional ampliada: o que Yem ocorrendo é
qUf os trabalhadores fxpulsos da indústria vêm sendo simplesmente agregados ao setor
terciário, de maneira periférica e marginal. AleIta-se aqui, portanto, para este efeito
perverso do processo de globalizaçào sobre o mercado de trabalho brasileiro,
consequência não da modernização industrial em si, mas da forma como esta YE.'m se
dando.
1\".2 - O setor terciário no Brasil
Quando se analisa o mer~ado d~ trabalho no Brasil como um todo. wtií"ica-se
que a terciariz.1ção. entendida como a crescente pat1icipação do setor terciário na absorção de
mão-de-obra. não é um fenômeno especifico do novo modelo de desenvolvilTIçnto
globalizado. Tanto é assim que entre 1981-89. quando a economia brasileira ainda era muito
fechada ~m re1a~ào ao exterior. o percentual da população ocupada no setor terciário subira de ..j.6°0 para 53.2°0 (tabela 3), segundo as estatísticas da Pesquisa :\"acional por Amostra de
Domicilios - P:\"AD (IBGE).
Pode parecer (;Ontraditório este resultado do avanço da terciarização antes ck
1989. com aquele analisado para as regiões metropolitanas no subcapítulo antelior (1\'.1).
que apontava para uma participação estável da ocupação no setor terciário t!ntre 1983-89.
:\"a realidade. não o é. O avanço ela terciarização (em 7.2 pontos percentuais) nesta primeira
etapa (1981-89). quando se trata do Brasil como um todo. deu-se sobretudo em funç.ão do
rec.uo da ocupação no setor agropecu.:1rio (em 6,1 pontos percentuais). dinâmica esta que não
era captada na análise das regiões metropolitanas. Já no 2° momento contemplado na tabela
3 (1989-93). a terciarização segue crescendo. absorvendo agora a mão de obra liberad<l da
indústria - resultado coerente. p011anto. com o qm: foi visto anterionnente.
Embora a terciarização não seja um fenômeno típico do no\'o modelo de
"'
"1
Tabela 3
Brasil: Evolução compatibilizada (1) da População Ocupada por principais ramos de atividade, 1981 - 93 (%)
Principais ramos de atividade 1981 1. j\grícola 29,3 2. Indústria (2) 16,6 3. Construção 8,1 4. Terciário 46,0 Comércio de mercadorias 10,3 Prestação de serviços 15,3 Demais (3) 20,4 Total 100,0 Fonte: IBGElPN.® 1981, 1989, 1993.
Elaboração: FGVIIBRE/CEEG.
Notas: .-\nos 1989 1993 ~3,2 23,4 17,4 15,1 6,2 6,6 53,2 54,9 12,3 13,5 17,6 18,8 23,3 22,6 100,0 100,0
(1) Em 1993 o universo considerado da população ocupada foi
expandido em relação aos anos anteriores pesquisa dos pela PNAD,
passando a incorporar os trabalhadores na produção agrícola para o
próprio consumo (3.198.486), os trabalhadores na construção para o
próprio uso (133.661), e os não-remunerados trabalhando menos
de 15 horas semanais (338.859 na atividade agrícola e 262.383 na
atividade não-agrícola)
(2) Inclui a Extrativa Mineral e os Serviços Industriais de Utilidade Pública.
(3) Inclui a Administração Pública e os Serviços auxiliares da atividade econômica, de transporte e comunicação, social, e as atividades mal
' ) "\
"\
13
no,"o no Brasil a partir de 1990: a ocupação no setor terciário, que antes crescia, com os
egressos da agropecuária, passa a ser acelerada com os egressos da indústria.
~ão se pocle dizer que o processo brasileiro de terciarização difIra dos país~s
desenvol"idos~ e muito menos que o nosso setor terciálio esteja inchado. Segundo as ~ações
Cnidas. a proporção da população economicamente ativa (PL\) no setor terciário é de
.l70014 no Brasil, saltando para 72°010
nos Estados Unidos e 65°014 na França.
Como mencionado anteriolmenie, a questão preocupante é o ritmo acelerado
que a globalização imprimiu ao movimento migratório da mão-de-obra da indústria em
direção ao setor terciário. Ou seja. a estratégia da modemiz.1ção industtial adotada (via
en~ugamento ,·;olento do emprego) pode estar levando à troca (ir; posros de trabalho de boa
qualidade (na indústria) por postos de trabalho de pior qualidade (no tercüilio). ?\a elapa
anterior (1981-89), este problema praticamente nlio existia. na medida em que, na grande
maioria das vezes, o deslocamento da mão-ele-obra da agropecujria para o tercüiIio não
implicava em deterioração da qualidade dos postos de trabalho, haja ,isto a infeliOlidade das
condições de trabalho naquele primeiro ramo.
É importante entender que, quando se considera o mercado de trabalho no Brasil
como um todo, a qualidade dos postos de trabalho no terciátio é em média bem pior do que
na indústria. É claro que existem subsetores no terciário com postos de trabalho de melhor
qualidade do que na indústt1a. mas por enquanto ainda são mmOl1a.
Assim a taxa de infOlmalidade. estimadJ aqui como o percentual dos empregados
sem cat1eira infonnais na população empregada. é de 21.1 °0 na indústria de transfonnação.
chegando a -lO,6°·0 nos serúços e 33.2°0 no comércio (tabela -+). Deve-se lembrar qUt: neste
último. J pat1icipação dos contJ-próprin nJ população ocupadJ é das mais altas (33.3°0
contrJ 21.5°0 no:-, serü;os). so sup~rJda por sua pmli.;ipaçào no ramu d;l \.:onstruçàü ;;iúl -
-embora a P:\'.ill (illGE) não tl!nha aind;i um le\"anwmento ~sp;;cifi.co sobre a taxa de
mfonnalidadç para os conta-própria. estima-s~ que ela seja bastante expr~ssi\'J nesta
categOt1a. .\demais. o percentual da popula~ão ocupada sem rendimento e auferinc10
remuneração mensal de até 1 c,;alário-mínimo que é de 24Aoo na indúsnia. sJ!ta para 3-+.9°0
no comércio e 39.]
°
0 nos serviços::. \"ale notar que na agropecuana esta taxa de:" in P:<L.;D. HurniJn D'::\Odopm.::nt R..:purt 1~)~15 -l.J°u.::hl ::\io
:: Para qut': .::st~5 j.'.::r(~nrua15 poso.am dt': fale) caracterizar coniliçào prt':Cül1i1 d~ r~mlm~nlçào. s.::ria impi)ltant~
fazel o cruzamento entre remuneração auferida e hora~ nabalhadas, poi~ pode OCOITer sInlações de bai.-...;:a
r'::llnmeraç,'JO condiz~nte~ com as pouca~ honol~ U'ilbalhüdns no penodo de rcfel°~nciil. Infelizment~. ü P:--:.-\D (IBGE) nào ài\"Ulgil este cruzamento por ramo de atiYidad.::.
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Tabela 4 A precariedade do setor terciário
T axa e d ' f In orma rd d d I a e a popu açao emprega a por ramos 1 - d d e atlvl a e-'d d B rasl'1 1993 . Ramos
de atividade:
1 - Agropecuária
2 - Ind. de transformação
3 - Outras atividades industriais (**) 4 - Ind. de construção
5 - comércio de mercadorias 6 - Serviços
6.1 - prestação de serviços 6.2 - Servo aux. ativo econômica 6.3 - Transporte e comunicação
6.4 - Social ( Médico:Ensino:Comunitários ) 6.5 - Mal def. ou não declaradas (***) 7 - Administração Pública Total Fonte: IBGE/PNAD 93 Elaboração: FGV/IBREiCEEG. Notas: Com Carteira (1 ) 1.276.920 5.688.981 569.673 1.177.158 2.802.225 7.749.984 2.568.740 817.751 1.287.210 2.198.965 877.318 821.654 20.086.595 Empregados Sem carteira Militares Outros Funcionários (Empregados Públicos informais) (2) (3) O 3.657.623 15.525 1.523.002 117.558 173.979 13.632 1.257.098 4.972 1.394.953 2.191.935 6.798.787 11.716 5.121.989 (*) 33.780 305.580 72.781 281.963 2.001.708 928.566 71.950 160.689 1.765.159 435.269 4.108.781 15.240.711
(*) Inclui os trabalhadores domésticos sem carteira. que representam 74%
desta categoria.
(U) Compreende extrativa mineral e serviços industriais de utilidade pública.
(***) Compreende instituições de crédito. seguros e capitalizações: organismos internacionais e representações estrangeiras: comércio e adm. de imóveis e valores mobiliários: e atividades mal definidas ou não declaradas.
Taxa de Total informa-lidade (3)/(4) (4) ("lo) 4.935.051 74.1 7.228.662 21.1 861.904 20.2 2.451.668 51.3 4.203.087 33.2 16.760.969 40.6 7.714.222 66.4 1.158.113 26.4 1.643.649 17.2 5.133.811 18.1 1.111.174 14.5 3.027.790 14.4 39.469.131 38.6
l-l
precariedade da remuneração chega à marca dos 75,8°0 - o qUê significa que 3 ..J. da população ocupada neste setor ou n50 auferem renda monetália alguma Oll rec-:-bem em
moed..'1 apenas até 1 salálio mínimo por mês (tabela 5),
A nível dos ramos de athidade do setor ten:iálio. há também diferenças marcantes na qualidade dos seus postos de trabalho, A. taX<1 de infOllnalidade no ramo de prestação de seniç,os;' chega a 66.-1-°0 contra ]8,]°0 na área sociall~ e ]4AOo na
administração pública, Por outro lado. a aqui chamada taxa de precariedade da remuner<1ção é de apenas 13°0 nos senlços de transp0l1e e comunicação. enquanto atinge 56°'0 na prestação de serviços.
Alerta-se aqui para o fato de que, no processo de terciarização no Brasil, justamente os ramos do terciário de pior qualidade nos seus postos de trabalho - a prestação de sen'iços e o comércio - , é que vêm tmdo maior expansão de ocupação.
Esta tendéncia torna-se bastante evidente sobretudo entre 1989-93: enquanto nestes dois ramos, houYe crescimento em suas participações na população total ocupada (de 12,3 para 13,5% no comércio, e de 17,6 para 18,8% na prestação de seITiços), no conjunto dos demais ramos do terciário, esta participação chegou, inclusin, a declinar
(de 23,3 para 22,6%) - ver tabela 3. .:\'otar que estes dois ramos passaram a responder sozinhos por 59% dn população ocupada no setor terciário em 1993.
o
lamo de p1 ;;:"taç~,~ de ~elYlçOS inclui (,~s 5;;:r\'iç,~~ de alo.1ament0 e alLrn~ntaçào, d~ r~paraçôo econ~cn·aÇeiO. pc~SOiÚS: donliciliill'e5 ~ d~ CÜ\'cr~ô~~ -r:! diodiftlS;'; o t~lc',·i~ilo. .; l1r~i'! ~0cüll inclui 05 S~lyi~'os
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TabelaS A precariedade do setor terciário
Brasil. 1993 Estimativa da taxa de precariedade da remuneração do trabalho por ramos de atividade População Ocupada por classe de
rendimento mensal do trabalho principal (%) Ramos de
atividade: Sem Até meio Mais de meio Taxa de
rendimento salário a 1 salário precariedade
mínimo mínimo (esti mativa)
1 - Agrícola 46.9 (3) 14.1 14.9
2 - Ind. de transformação 3.1 5.8 15.5
3 - Outras atividades industriais (1) 1.5 7,3 15,5
4 - Ind. de construção 4.6 (4) 9.3 18,8
5 - comércio de mercadorias 9.6 7.9 17.4
6 - Serviços 3,2 14.4 21,4
6.1 - prestação de serviços 4.9 22.4 28.7
6.2 - Servo aux. ativo econômica 2,0 3.6 13.1
6.3 - Transporte e comunicação 1.1 3.2 8.6
6.4 - Social (Médico:ensino:Comunit.) 1.6 8.3 17.2
6.5 - Mal det. ou não declaradas (2) 0.7 4,3 9.0
7 - Administração Pública 0,3 7.5 14.8
Total 15.9 11.6 17.8
Fonte: IBGElPNAD 93
Elaboração: FGVIIBRElCEEG.
Notas:
(1) Compreende extrativa mineral e serviços industriais de utilidade pública.
(2) Compreende instituições de crédito. seguros e capitalizações: organismos internacionais e
representações estrangeiras: comércio e adm. de imóveis e valores mobiliários: e atividades
mal definidas ou não declaradas.
75.8 24.4 24,3 32.7 34,9 39.1 56.0 18.6 13,0 27,1 14.0 22,7 45.4
(3) Inclui os trabalhadores na produção para o próprio consumo que representam 38% desta categoria.
15
y - DESE~IPREGO E ::\"ÍYEL DE ATIVIDADE
Como mencionado no capítulo 1, o nível do desemprego não deve ser a variável relevante
e conclusiva para a avaliação sobre a situação do mercado de trabalho no Brasil. );a
realidade, as condições e as mudanças estruturais do mercado de trabalho nào são captadas por esta taxa.
A título de exemplificaçào~ veja-se que a taxa de dE'sE'mprego em março último (1996)
de 7,7% para R\lSP e de ~,4% para a R\1RJ não indica uma situação mais
confortável do mercado de trabalho carioca. \lesmo que ambas as taxas tenham sido
calculadas pelo mesmo Instituto, e segundo a mesma metodologia. Na realidade, slio as
especificidades do mercado de trabalho em cada uma destas regiões metropolitanas que
explicam estas diferenças em seus níveis de desemprego: o mercado de trabalho na RMSP é
muito mais fonnaL qualificado e baseado na atividade industrial "de ponta" do país. Em
'1 outras paIauas, pode-se dizer que as c.ondições de trabalho são melhores na R.\<fSP do que
'1 na R.vIRJ, apesar de sua taxa de desemprego mais eleva
1\las, por outro lado, é inegáv(') o papel da taxa de desemprego como aferidor das
" flutuações conjunturais da atiyidade econômica. Como se nrá logo a seguir, o
" desemprego tende a cair se a economia cresce; e "ice-versa, o desemprego tende a subir,
" se a economia entra em compasso de recessão.
"
,
"\ "\Há situações de exceção à esta regra geral. Primeira, a economia cresce~ e passa a atrair
mais pessoas para o mercado de trabalho. que começam a procurar emprego - ou seja.
pessoas antes na condição de ';inativas", passam para a categOlla de desempregado~
pressionando para cima a taxa de desemprego (a economia cresce e o desemprego sobe). E
segunda. pode OCOITer o contrário: a economia entra em recessão. e pessoas, antes na
condição de desempregadas, "cansam" de procurar trabalho e voltam a ser "inativas", del...:ando de pressionar a taxa de desemprego (a economia entre em recessão e o desemprego
cai). :Mas, vale lembrar que ambas as exceções representam situações transitóllas ele
(Produto Interno Bruto), por representar uma vatiável-síntese do nível de atividade econômica.
Para a taxa de desemprego, o ideal seria poder utilizar esta taxa a nível-Brasil a
partir das estatísticas da P::\.-\D (IBGE). Como não se tém disponíveis estes valores para os anos de 1991, 199-t. e 1995, optou-se. então. pela taxa média do desemprego das seiS principais regiões metropolitanas (R.\ls) do país. a panir dos dados da P\1E (IBGE).
o
gráfico 4 permite \lsualizar a cOlTelaçào negativa entre as vadações no PIB ena taxa de desemprego nos últimos 12 anos, e ainda identificar 4 momentos distintos nesta
com~lação:
• Primeiro momento (1983-87) - O PIB chega a crescer 27°0 neste petiodo. puxado pela recuperação da economia pós-recessão 1981-83 e
ainda pelo dinamismo do Plano Cruzado (1986), viabilizado pela política de congelamento de preços. A taxa de desemprego despenca pela metade. de 6.9~() em 1984 para 3,7°0 em 1987 (consideradas as médias móveis bianuais).
• Segundo momento (1987-89) - A taxa de desemprego pennanece estivel. e o PIB pennanece estagnado. sobe apenas 3°0 neste ínterim.
• Terceiro momento (1989-93) - Paralelamente ao movimento de reestlUturação da economia (advindo da abertura ao extelior e da crescente
busca de competitiviclade). o país viveu um período fortemente recessivo.
consequência sobretudo das medidas aí adotadas para a estabilização dos
preços. Basta ver que o total dos bens e sef\'lços produzidos no país em 1992 chegou a ser infelior ao que fora produzido em 1987. O desemprego de 3.6°0 em 1989 cresceu 50°'0 em 1993 (considerando-se as médias móveis bianuais)
Ressalte-se que mesmo no auge do processo recessivo e de reestruturação do mercado de trabalho em 1992, o desemprego neste ano foi bem menor do que em 198~. De forma alguma, isto significa
1 "\
,
")"'
") 1 Grafico 4 Desemprego X PIS 7.0 6.5 6.0 o[
5.5 E CI•
5.0 li 'O li 'O ,c ~ 4.5 4.0 3.5iJi
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I-TX.
de desemprego - PIa (Base: 83-100) IFonte: IBGElPME e Contas Nacionais. Elaboraçlo: FGVlIBRElCEEG.
Notas: Média Móvel bianual. O desemprego refere-se a média das RMs: RJ,SP,BH,POA,RE e SAL.
16a 150 140 130
.,
~ 'a c 120 ;; c ai ii: 110 100 90~
quase dez anos, a estrutura do mercado de trabalho brasileiro alterou-se
significativamente; o que, portanto, exige mais cautela nestas comparações
intertemporais. Em 1983/84, as relações de trabalho eram mais formais, e
o ideal de traballio era o chamado emprego vitalício, do "berço ao caixão",
numa empresa sólida, quer fosse pública, estatal, nacional ou
multinacional. Nos anos 90, a mentalidade mudou e se tomaram cada vez
mais distantes as oportunidades de emprego "naquela empresa sólida": o
mercado de trabalho se tomou mais pulverizado e agressivo, e as pessoas
vêm tendo que "criar" cada vez mais alternativas de sobrevivência, quer
sejam formais ou informais. Isto significa que a taxa de desemprego
tomou-se menos wIneráve1 a flutuações no nível de atividade - ou seja, a
elasticidade emprego-produto é bem menor nos anos 90 do que naquele
início da década de 80 .
• Quarto Momento (1993-95) - A recuperação da economia dos governos
Itamar Franco e Fernando Henrique (até o fmal do primeiro semestre de
95) repercutiu favoravelmente em novas quedas do desemprego.
Finalmente, cabe mencionar que se tentou também a correlação entre taxa real de juros e taxa de desemprego, a partir da suposição de que a taxa de juros tivesse uma influência direta no nivel de atividade: a correlação mostrou-se muito baixa, indicando que esta influência não é tão imediata e direta como se imaginava. Donde se conclui que, além da taxa de juros,
outros fatores influem no nível de atividade, tais como: nivel de expectativa
dos empresários e consumidores, taxa de câmbio, incentivos fiscais e de
crédito, etc ...
V.2 - O Plano Real (1994-96)
Durante a vigência do Plano Real de julho/1994 para cá, toma-se nitida a
estreita correlação entre as medidas de política econômica adotadas e o seu efeito sobre o
comportamento do emprego. Reforça-se, assim, o papel da taxa de desemprego como
"
'1
18econômica sobre o mercado de trabalho - sobretudo no curto prazo. Senão vejamos
(gráfico 5):
A confiança dos agentes econômicos no Plano Real gerou um razoável
reaquecimento da atividade econômica - basta ver que no primeiro trimestre de 1995, o PIB
chegou a crescer 10,4°/ó em relação a igual trimestre do ano anterior (e de forma alguma,
pode-se alegar ser aquela uma base fraca de comparação), variação incompatível com um
país em fase de estabilização. Daí, a queda do desemprego aberto nas seis principais Rl\1s do
país de 5,50,,0 emjulho/94 para 4°10 em abri1/95 (valores dessazonalizados).
Sob pena do descontrole inflacionário. as Autoridades Econômicas do país
acharam por bem a adoção de medidas de contenção de demanda naquele momento, tais
como elevação dos juros, redução do crédito e aumento dos depósitos compulsórios dos
bancos no BACEN. O impacto deste "tranco macroeconômico":- sobre o nível de atividade
foi imediato, culminando com a queda do PIB de 2,1% no primeiro trimestre de 96 em
relação ao primeiro trimestre de 95 - na indústria de transformação, esta queda atingiu
10,4%. O desemprego voltou a subir rapidamente, e já em outubro de 95 atingira o patamar
elevado do início do Plano Real.
17 Termo utilizado por Jorge Jatobá, assessor especial do i\1inistério do Trabalho, no Encontro Nacional de
Produtores e Usuários de Informações do IBGE (maio 9ó).
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'Ri 'S iií >no "' o "' no o ~ ~ ~ ~ (J) z ~ ~ ~ ~ (J) z '<t III a> a> a> a> ~ meses/anos i - T x . de desemprego dessazonalizado I t I Fonte: IBGElPME. Elaboração: FGVIIBRE/CEEG.
Notas: Dados dessazonalizados.Média Móvel bimestral. Média das 6 RMs: RJ,SP,BH,POA,RE e SAL.
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VI - El\1PREGO FOlli'1AL: REESTRlTTliR.\C . .\O E Ql7ALIDADE DOS POSTOS
DE TRABALHO
Passa-se a seguir a avaliar a dinâmica do emprego fonnal, entendido como aquele
devidamente registrado e com carteira de trabalho assinada~ com ênfase no período posterior
à entrada do Brasil na era da globalização. Tomar-se-á por base as estatísticas do :\1inistério
do Trabalho (rvITb)~ apuradas a pal1ir da RAIS (Relação Anual de InfOlmações SociaL,) e do
CAGED - Lei 4923/65 (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
\1.1 - A reestruturação do emprego inter-setores
Também a nível do emprego fOlmal, é nítido a reestruturação do emprego
intersetorial. Da observação da tabela 6, não se pode afllmar que foi a globalização da
'1 economia que engendrou esta reestruturação: ela já vinha ocorrendo mesmo antes de 1990.
'1 Mas~ sem dúvida a globalização representou um fator de aceleração deste re-arranjo dos
'1 empregados com carteira.
'1
A mão-de-obra na indústria (de transfOlmação e extrativa mineral), que em
1986 (ano de publicação da P RAIS) representava 27,8°iO do total dos postos fonnais de
trabalho no país, teve sua participação reduzida para 26,5°'0 em 1989, e ainda para 23,4°'0 em
1995. Por sua vez, estima-se que a participação do setor terciário (comércio e serviços)
tenha pulado dt: 41,2% em 1986 para 42,70.·'0 em 1989~ e fmalmente para 46,6%) em 1995.
A trajetória do emprego na administração pública é um pouco distinta: sua
patlicipação sobe dt: 23,9% para 25.3°'0 entre 1986 e 1988, quando decresce para 23,3% em
1989 (final do governo Sarney). É no mínimo curioso se constatar que justamente no
período seguinte 1990/91 (governo Collor), quando tanto se falou em refonna administrativa
e extinção de órgãos públicos como estratégia de redução do déficit público, a participação
do emprego público tenha avançado de 23,3 (1989) para 24.40.'0 em 1991. Uma possível
hipótese é que este esforço tenha ficado restrito apenas à esfera federal~ enquanto nas áreas
estaduais e sobretudo municipais, as contratações continuaram frouxas e livres. A partir de
Tabela 6
A,rasil: Estrutura do emprego formal por setor· percentual (%)
~es 1986 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1995
t:XIrativa Mineral 0.7 0.7 0.6 0.6 0.6 0.6 0.6 O.!
~s1ria de Transfonnaçlo 27.1 25.1 25.9 24.9 24.0 23.7 23.9 22.!
'lrv.Irx1. ualdade púbica 1.3 1.3 1.3 1.5 1.5 1.6 1.6 1.4
~Cívtl 4.5 4.5 4.5 4.4 4.6 4.5 4.5 4.: l.OI'1'1ércIo 13.0 12.9 13.3 13.6 13.2 13.3 13.7 14.1 ~ços 28.2 29.0 29.4 29.4 29.9 30.9 30.6 31.1 "'"'1Tirishçlo fJ(d)k:a 23.9 25.3 23.3 24.0 24.4 23.1 22.7 21.1 ~a 1.2 1.3 1.6 1.7 1.7 2.4 2.5 2.4 I <>tal Ce) 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.( J1aI de 8f11)regos ""i de erJ1)rego&) 22.163,827 23,661,579 24,486,553 23,198,656 23,004,264 22,272,843 23,165,027 24,107,49! ~: MTblRAJS e CAGED. F-laboraçAo: FGVnBR~EEG.
')ta: De 1986 a 1993, dados obtidos a partir da RAlS. Para 1995, estimativas a parir de r8COl'11)OSlçAo de estoques da RAlS 93 e do
") movimento das amissOes I deslgamentos -CAGED I M6cUo 2. C No CAGED, o M6cUo 2 capta a movImentaçAo dos erJ1)regos
" provenientes da entrada de .",resas novas e da salda das .",resas ~ fecharam; clferentemente do rncXUo 1, ~ 6 uIIlzado
pelo MTb para a eIabonIç6o do lnclce Mensal de en"rego). / ) Excki as c:ategortas dos IglOnldos e outros.
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' \ 20Ressalte-se o peso da administração pública no emprego formal do país. Enquanto aqui representa 22,7° b (RAIS 1993) do emprego total, quando se trata da ocupação como um todo, este percentual é de apenas 4,6% (pNAD 1993).
o
inverso ocorre no caso do emprego na agropecuária. Sua participação no emprego formal do país é muito pequena, de 2,5'?-'o (RAIS 93), destoando de sua participação na ocupação total do Brasil que chega a 27,4% (PNAD 93). Como vimos, isto se explica pela elevada ta.. .... a de informalidade deste setor, onde 74% dos seus empregados não têm carteira de trabalho assinada.Apesar da "mirrada" participação atual da agropecuária no emprego formal do país, há que se considerar o seu avanço a partir de 1988, quando esta era ainda de apenas 1,3%. Vale notar que entre 1986-88. ela houvera se mantido praticamente estável nesse patamar. A Constituição de 1988, porém, que estendeu ao trabalhador rural os direitos trabalhistas do trabalhador urbano, é a grande responsável por este impulso dado à
formalização das relações de trabalho no campo a partir de então.
Se por um lado, como vimos, não podemos afl1ll1ar que a globalização da economia engendrou a reestruturação do emprego formaL por outro lado, as estatísticas do MTb apontam para uma mudança de sentido na evolução do número de postos de trabalho a partir de 1989. Assim, o emprego formal no país, que crescera de 22,2 milhões (1986) para 24,5 milhões em 1989, altera o seu sentido e passa a declinar voltando em 1992 ao seu patamar de seis anos antes (1986). Se a recuperação da economia havida no período 1992/95 conseguiu projetar o PIB do país de 1995 em um nível 9go superior ao de 1989, tal não se verificou no que se refere ao total dos empregos formais no país, que ainda decresceu
1,5% entre 1989/95.
Esta questão do níYeI do emprego formal é realmente preocupante. As
estatísticas do l\ITb sugerem que a globalização e a modernização da economia não trouxeram a expansão dos postos formais de trabalho no país, em geral tidos como os
de melhor qualidade. Ao contrário, o nível do emprego formal em 1995 não conseguiu
sequer recuperar o seu patamar de 1989. Considerando-se que a taxa de crescimento
da população economicamente ativa (PEA) urbana está em torno de 2% ao ano,
voltamos aqui novamente a reforçar o que foi dito no capítulo IV.l de que a
informalização das relações de trabalho pode estar sendo a válvula de escape na geração dos novos postos de trabalho.
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na indústria de transformação - ver tabela 7. Com efeito, com base no Índice de
Qualidade do Emprego FOlmal- IQEF18
, constata-se esta semelhança: IQEF de 0,34 e 0,36
respectivamente para os setores de comércio e de serviços, contra 0,33 para a indústria de transformação.
Pode-se dizer que a indústria de transformação remunera relativamente melhor do que os setores de serviços e de comércio. Basta ver que apesar do seu baixo grau de instrução (apenas 38,5% dos seus empregos formais têm pelo menos o 10 grau completo), a remuneração média aí chega a 5,6 salários, ou seja alcança o mesmo IÚvel do setor serviços onde o IÚvel de instrução é bem mais elevado (56% dos empregos têm no núnimo o 10 grau completo). No comércio, a rotatividade do emprego formal (chega a 56,2°/0 o percentual dos empregos com menos de 2 anos de serviço no mesmo emprego) é maior do que na indústria e nos serviços; no entanto, sua distribuição de rendimentos (coeficiente de Gini de 0,41) é menos desigual do que nestes dois outros setores.
No terciálio formal (que inclui os setores de comércio e serviços), são identificados três grupos distintos de atividades segundo a qualidade dos seus empregos
18 Nota metodológica:
O Índice de Qualidade do Emprego Formal (IQEF) é um índice aqui proposto para medir a qualidade dos postos de trabalhos gerados nos diversos setores/subsetoresiati"idades da econOInla. Deriva aqui da média dos 4 índices parciais construídos para as seguintes vanavelS:
• Remuneração média (em salátios-núnimo)
• Distribuição das remunerações (coeficiente de Gini)
• Grau de instlUção: Percentual dos empregos com pelo menos o 10 grau completo (%).
• Taxa de rotatividade: Percentual dos empregos com menos de 2 anos de tempo de serviço no mesmo emprego (~·ó).
A metodologia do IQEF é semelhante à utilizada pelas Nações Unidas, em seu Índice de Desenvolvimento Humano - lIDI. Os índices parciais refletem a posição relativa de cada setor/atividade no tocante à variável analisada, e variam no intervalo entre zero (O) e hum (1).
A setor/ati"idade com melhor resultado para uma dada variável, o valor do índice é considerado igual a (1); àquele com pior desempenho, o valor é tomado como (O). Os índices para os demais setores/atividades referentes à esta variável são obtidos por interpolação linear.
A cada um dos índices parciais é atribuído peso igual na caracterização da qualidade do emprego geral do setoriatividade; daí o IQEF é obtido através da média aritmética simples dos 4 índices parciais apurados.