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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.51 número5

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2005; 51(5): 241-55 255

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Estatísticas mundiais, especialmente aquelas de países desenvolvidos, evidenciam que o número de pessoas obesas cresceu, consideravelmente, nos últimos anos. O mais preocu-pante é o fato de que a obesidade está associada a fatores de risco de doenças cardiovasculares, entre elas a hipertensão arterial, a dislipidemia e o diabetes que, em conjunto, caracte-rizam a síndrome metabólica.

Resultados de estudos acumulados nos últimos anos mos-tram que a obesidade humana leva a uma série de alterações autonômicas. Indivíduos obesos têm atividade nervosa simpá-tica para o coração e vasos sangüíneos aumentada, hipersen-sibilidade quimiorreflexa e diminuição no controle barorreflexo arterial1-4. Esta constelação de alterações autonômicas

contri-bui, também, para a disfunção vascular em obesos5. O estudo

de Brunetto et alBrunetto et alBrunetto et alBrunetto et alBrunetto et al. amplia nossa compreensão sobre a obesidade humana na medida em que descreve alterações no controle autonômico sobre o coração pelas vias vagal e simpática durante o teste de tolerância postural, em adolescentes obesos. Além disso, ele traz à tona um aspecto de grande relevância e preocupação. Isto é, a obesidade provoca alterações fisioló-gicas muito mais cedo do que se poderia esperar. Nesse sentido, vale a pena ressaltar, também, um estudo recente-mente publicado por Ribeiro et al.6, em que esses autores

mostram que a obesidade provoca alterações na resposta vasodilatadora muscular durante o estresse mental e o exercício físico, em crianças de 8 a 12 anos, antecipando possíveis disfunções vasculares na idade adulta.

Apesar deste prognóstico sombrio envolvendo a obesi-dade, resultados de outros estudos recentes apontam para uma

condição menos adversa. Mudanças no hábito de vida, funda-mentadas em condutas apropriadas, podem reverter, em gran-de parte, estas alterações fisiológicas provocadas pela obesi-dade. Dieta hipocalórica e exercício físico adequado levam à diminuição da atividade nervosa simpática e pressão arterial, e à melhora considerável no fluxo sangüíneo periférico, tanto em adultos quanto em crianças obesas6,7. Essas mudanças ocorrem

concomitantemente à melhora na sensibilidade à insulina, e diminuição nas concentrações plasmáticas de triglicérides, e ao aumento nas concentrações de HDL-colesterol. Resta saber se a dieta e o exercício físico levariam, também, a uma recuperação do controle autonômico no coração durante a manobra de tilt teste, em adolescente obesos.

Referências

1.Scherrer U, Randin P, Tappy L, Vollenweider P, Jequier E, Nicod P. Body fat and sympathetic nerve activity in health subjects. Circulation 1994;89:2634-40. 2.Ribeiro MM, Trombetta IC, Batalha LT, Rondon MUPB, Barretto ACP, Villares SM, et al. Muscle sympathetic nerve activity and hemodynamic alterations in middle-aged obese women. Braz J Med Biol Res 2001;34:475-8.

3.Grassi G, Seravalle G, Colombo M, Bolla G, Cattaneo BM, Cavagnini F, et al. Body weight reduction, sympathetic nerve traffic, and arterial baroreflex in obese normotensive humans. Circulation 1998;97:2037-42.

4.Narkiewicz K, Kato M, Pesek CA, Somers VK. Human obesity is characterized by a selective potentiation of central chemoreflex sensitivity. Hypertension 1999;33:1153-8.

5.Negrão CE, Trombetta IC, Batalha LT, Ribeiro MT, Rondon MUPB, Tinucci T, et al.. Muscle metaboreflex control is diminished in normotensive obese women. Am J Physiol Heart Circ Physiol 2001;281:H469-H75.

6.Ribeiro MM, Silva AG, Santos NS, Guazzelle I, Matos LN, Trombetta IC, et al. Diet and exercise training restore blood pressure and vasodilatory responses during physiological maneuvers in obese children. Circulation 2005;111:1915-23.

7.Trombetta IC, Batalha LT, Rondon MU, Laterza MC, Kuniyoshi FH, Gowdak MM, et al. Weight loss improves neurovascular and muscle metaboreflex control in obesity. Am J Physiol Heart Circ Physiol 2003;285:H974-H82. 8.Brunetto AF, Roseguini BT, Silva BM, Hirai DM, Guedes DP. Respostas autonômicas cardíacas à manobra de tilt em adolescentes obesos. Rev Assoc Med Bras 2005; 51(5):256-60.

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