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UM BREVE HISTÓRICO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL

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Academic year: 2021

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UM BREVE HISTÓRICO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

NO BRASIL

Zenaide Maria Gamarra dos Santos1

A assistência social no Brasil começa ligada a filantropia, a benemerência e, posteriormente ao clientelismo, focada em demandas pontuais executadas apenas por almas ligadas as tradições judaica cristãos.

Com isso o país custou a entender a pobreza como expressão da questão social o que retardou o Estado para se responsabilizar pela estrutura de politicas sociais e assistenciais.

Somente com o processo de industrialização, já no século XX com as mudanças econômicas, que o Estado sentiu a necessidade em adotar mudanças politicas e sociais. E a partir de 1923, iniciou-se a construção de um sistema de proteção social, e com leis trabalhistas que versavam sobre aposentadorias e pensões. A década de 1930 foi o primeiro momento na história brasileira que a questão social passou a ascender na agenda política focada no desenvolvimento de uma classe operaria que exigia direitos e, diante dessa nova realidade e com o fortalecimento da classe operaria que exigia leis trabalhista. Mas, foi somente em 1938 que ocorreu a primeira tentativa de regulamentar a Assistência Social no Brasil com a instalação do Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), órgão de cooperação do então Ministério da Educação e Saúde, embora esse Conselho tenha sido vinculado a filantropia, caridade, benemerência e a pratica do favor não deve-se desconsiderar o fato que o CNSS foi a primeira tentativa de colocar a temática da Assistência Social na burocracia do Estado.

E para lembrar como a Assistência Social era compreendida nesse período que foi criada a Legião Brasileira de Assistência (LBA) uma grande instituição de assistência social criada no país em 1942, liderada pela então primeira-dama Darcy Vargas, esposa do então presidente Getúlio Vargas que tinha como objetivo ajudar as famílias dos soldados brasileiros enviados a 2º Guerra Mundial e, como não fazia parte de uma politica social era destinada ao apoio de calamidades, em ações pontuais, emergenciais e fragmentada, mas isso, não garantia os direitos sociais e nem de uma politica pública em defesa da vida, direitos humanos e preservação da dignidade humana.

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Diante do avanço da sociedade industrial que em 1936 foi criado o salario mínimo e, em 1943 criou-se a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que valoriza a saúde do trabalhador e de todas as outras medidas sociais. Com o fim da ditadura de Vargas em 1945, forma-se novas forças sociais na arena politica formada por trabalhadores das fabricas, servidores públicos e autônomos que exercem uma pressão sobre o Estado para o desenvolvimento de novas politicas sociais, mas mesmo assim não se chegava a uma politica social pública que viesse efetivar os direitos sociais e da própria cidadania.

Os anos 1950 foram caracterizados pelo ímpeto do desenvolvimentismo com acúmulo de altos gastos pelo Estado com foco no incentivo ao crescimento econômico e no desenvolvimento social, os anos 1960 foram marcados por confrontos causados pelas contradições do capitalismo e, em 1964 quando instaurou-se o golpe militar, num regime de ditadura militar com forte apelo aos investimento externo e ao capital internacional a desigualdade social assume níveis extremos, surgem instituições sociais que direcionam seus programas para inclusão das classes mais pobres porem, dentro de uma dinâmica de repressão versus assistência.

Nos anos 1970 devido ao regime militar com pouca abertura politica a sociedade civil começa os seus movimentos fazendo frente a luta pela redemocratização que, junto com os movimentos sindicais, associações comunitárias e movimentos estudantis reivindicam os direitos civis, políticos e também o respeito aos direitos humanos.

Somente nos anos 1980 que foi organizada uma agenda politica econômica e social visando transformar a sociedade em todas as esferas a partir de um regime democrático e desenvolvimentista que possibilita a existência de um Estado social forte, universal e equânime sendo referendado pela Assembleia Nacional Constituinte que buscava debater a ampliação do Estado na questão social para que fossem garantidos os direitos civis ,políticos e sociais da população.

E é por essa razão que a Constituição Federal de 1988 entra para a história com a “Constituição Cidadã” sendo considerada até os dias de hoje, como a mais completa entre as Cartas Magnas que o Brasil já teve, dando um destaque especial para a garantia de acesso a cidadania por meio do reconhecimento dos direitos sociais. E é nessa Constituição, portanto, que surgem as bases do atual Sistema de Proteção Social Brasileiro. Embora a nova Constituição tenha redefinido o sistema de proteção social, ao assumir uma perspectiva em torno da proteção de todos os cidadãos ao redistribuírem riquezas e oportunidades e afastando riscos de situações de vulnerabilidades não impediu um contrassenso pois os anos de 1980 a 1990 representaram um forte período de crises econômicas e politicas não sendo possível a

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realização do previsto em lei que demandou mais uma vez a atuação dos movimentos filantrópicos e organizações da sociedade civil perante a questão social

Foi somente a partir dos anos 2000 que a questão social ascendeu como prioridade para a agenda da politica brasileira. Em 2004 é criado o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) unificando as politicas de combate a fome com as Politicas de Transferência de Renda e Assistência Social fazendo surgir programas como o Bolsa Família, o Sistema Nacional de Segurança de Alimentos e Nutricional. Em 2005 foi implantado Sistema Único de Assistência Social (SUAS) para organizar, regular e hierarquizar as ações da assistência social e a sua atuação passou a ser um objetivo compartilhado por todos os entes da federação e, a partir dai é possível constatar que a Politica de Assistência Social vem progredindo e, apesar de não haver resultados imediatos a Assistência Social vem se firmando como uma politica social relevante. Porém faz-se necessário a participação ativa dos atores envolvidos no processo de gestão desta politica dando um maior espaço para a participação da sociedade civil.

SERVIÇO SOCIAL E A SUA TRAJETÓRIA

O Serviço Social situa-se na luta de classes e da busca hegemonia, e só pode ser entendida no desenvolvimento das relações capitalista.

E, teve origem na Ação Católica que deliberava recristianização da sociedade através de um projeto de Reforma Social visando recuperar o poder ideológico da igreja.

A categoria intelectual mais típica, a ideologia religiosa, a filosofia, a ciência da época, a educação, a moral, o ordenamento dos costumes e a própria noção de justiça foi elaborada pelo clero.

Com o enfraquecimento do poder colonial e com o surgimento do capitalismo e no combate as ideias Marxistas e a proposta liberal a Igreja cria estratégias para restaurar seu domínio valorizando a participação ativa e organização dos crentes na vida social.

No decorrer da década de 50 e 60 o Serviço Social era realizado conforme o modelo desenvolvimentista assumido pelo país.

Em 1965 surge o movimento de reconceituação do Serviço Social cujo objetivo era os problemas estruturais da sociedade e não mais os relacionados aos problemas dos sujeitos tanto individuais como grupais, com uma construção de uma teoria e uma prática engajada na luta com a classe oprimida e explorada.

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No final da década de 70 e início da década de 80 iniciam-se novas discussões em relação à formação profissional, currículo e a questão metodológica. E, com a Constituição Federal de 1988 o Serviço Social deixa a caridade e caminha em direção a execução das políticas públicas trazendo ao conhecimento de seus usuários os seus direitos e deveres.

Como sabemos, no Serviço Social é comum primeiramente situar a profissão no mundo do trabalho: problematizar a realidade, analisar os dados da realidade, construindo assim um diagnóstico social, para em seguida propor modos e enfrentamento de diferentes expressões da questão social, as quais são merecedoras de uma posição crítica, propositiva e investigativa.

Nesse sentido pensar o Serviço Social em relação à sociedade civil significa abrir espaço para um mundo de possibilidades de análises, leitura e concepções exigentes uma vez que são os conceitos: concepções, olhares, ideias, imaginações e produções que permitem construir processos de entendimento de uma realidade por si só contraditória de inúmeros modos de pensar sua transformação e sua mera reprodução. Observa-se que a intenção exige não apenas algumas noções preliminares a cerca de alguns conceitos, mas um conhecimento que permite compreendê-lo no âmbito de sua criação e de sua posterior recriação. Isto é, deve-se obdeve-servar a carga ideológica que um conceito traz, em função do espaço em que foi gerado.

Diante disso, é possível notar que os conceitos não são neutros, que as teorias e práticas também não o são, que a reflexão e a investigação precisam permear as diferentes áreas do saber.

Deste modo, observa-se que o Serviço Social enquanto profissão que faz parte da divisão sócio-técnica do trabalho precisa apropriar-se do tema teórico prático de muitos conceitos, a fim de construir um entendimento real da realidade, para que seja possível intervir sem no entanto, reproduzir práticas conservadoras e desprovidas de uma ação investigativa e propositiva.

Portanto, despir-se dos preconceitos; assumir uma posição reflexiva e uma atitude investigativa e uma compreensão histórica do processo de criação e recriação dos conceitos, constitui-se em uma possibilidade concreta de agir a partir da ideia de que as teorias, assim como as práticas, não estão prontas, mas estão sempre em processo de construção uma vez que nada é estático e que a realidade é contraditória, considerando que o ser humano por natureza é um ser inacabado.

Por fim, pensar o Serviço Social significa, antes de tudo, provocar uma reação a cerca dos conceitos que permeiam essas duas estâncias e propor continuamente, análise que possam

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contribuir no processo de conceituação do Serviço Social e nas diferentes formas de intervenção operacionalizados pelos assistentes sociais.

Referências

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