O s R E F L E X O S D E P R E E N S Ã O ( L E S R E F L E X E S D E P R É H E N S I O N ) . L . M A S S I O N - V E R ¬
NIORY. Bibliotheca Phychiatrica et Neurológica. Suplemento do Monatsschr. f. Psychiat. u. Neurol., Fasc. 88, 1948, com 16 páginas e 14 figuras.
T r a t a s e de " m i s e au p o i n t " e m q u e o A . encara as modalidades d o r e -flexo de p r e e n s ã o ( R P ) em diversas fases do desenvolvimento o u t o g e n é t i c o , em condições n o r m a i s e patológicas, b a s e a d a em o b s e r v a ç õ e s clínicas e ex-p e r i m e n t a i s . E m b o r a r e c o n h e c e n d o q u e a n o m e n c l a t u r a a d o t a d a ex-p o s s a d a r m a r g e m a crítica, o A . distingue t r ê s m o d a l i d a d e s d e R P e m função d a n a t u -reza do estímulo: proprioceptivo, táctil e visual. Êsse modo de proceder tem a vantagem de eliminar a confusão que se fez em tôrno das denominações reflexo de p r e e n s ã o ( g r a s p reflex), p r e e n s ã o forçada (forced g r a s p i n g ) e t e n -dência a p r e e n s ã o ( g r o p i n g ) .
O R P proprioceptivo, observável n o s lábios, m ã o s e p é s , existe n o feto, n o n e o n a t o n o r m a l e anencéfalo b u l b o p r o t u b e r a n c i a l . D e n a t u r e z a e m i n e n -t e m e n -t e reflexa, êle é d e s p e r -t a d o pelo e s -t i r a m e n -t o dos flexores; s u a p r e s e n ç a n o adulto é a n o r m a l e implica em desinibição do m e c a n i s m o f r o n t o t e g m e n t a l . I n d e p e n d e d o psiquismo, t e n d o sido e n c o n t r a d o no e s t a d o de consciência, n o t o r p o r e, m e s m o , n o coma. E m b o r a a clínica e as o b s e r v a ç õ e s experimen-tais e m m a c a c o s m o s t r e m que as lesões da p a r t e posterior de F1 e d o 1.° giro
límbico p r o d u z a m c o m mais freqüência êsse fenômeno, q u a l q u e r lesão situada em qualquer nível d o c o m p l e x o f r o n t o t e g m e n t a l é susceptível de lhe dar n a s -cimento. O f e n ô m e n o é em geral, c o n t r a l a t e r a l à lesão, m a s pode ser t a m b é m ipsi e, m e s m o , bilateral.
O R P táctil consiste em flexão lenta dos dedos ou artelhos em resposta a uma excitação táctil; o visual, em tendência a agarrar um objeto posto no c a m p o visual d o paciente. E m c e r t o s casos, é necessário combinação d a s duas modalidades de excitantes. N ã o s ã o m o v i m e n t o s p r ò p r i a m e n t e reflexos, m a s s ã o i n v o l u n t á r i o s e forçados. E m b o r a sejam p a r c i a l m e n t e controláveis pelo paciente, êles se p r o d u z e m m e s m o c o n t r a sua v o n t a d e . E x i g e m relativa conservação d a consciência e desaparecem n o coma. I n t e g r a d o s n o córtex, a presença dêsses reflexos t r a d u z desinibição fronto-rolândica e sua p r e s e n ç a n o a d u l t o implica e m i n t e g r i d a d e da via piramidal, ao c o n t r á r i o d o p r o p r i o ceptivo, q u e é conduzido pela via extrapiramidal. O s R P táctil e visual t r a -duzem sempre lesão cortical na área 6a de Brodmann.
Q u a l q u e r q u e seja a m o d a l i d a d e do R P , êle t e m , n a opinião do A., a p r e -ciável valor localizador, p r i n c i p a l m e n t e q u a n d o unilateral, só ou associado a discreto déficit da motricidade voluntária ou a síndrome psíquica frontal, êle t r a d u z s e m p r e lesão n a área p r é - m o t o r a . O A. v ê n o R P u m a manifes-t a ç ã o g e r a l de m o v i m e n manifes-t o s reacionais d e a manifes-t i manifes-t u d e e defêsa; n o femanifes-to e n o lacmanifes-ten¬ te, faltando m a t u r a ç ã o dos m e c a n i s m o s corticais, a m a n u t e n ç ã o é g a r a n t i d a pelos reflexos de preensão, e n o adulto, cuja p o s t u r a e m circunstâncias p a t o -lógicas não pode ser assegurada pelo mecanismo normal, essa função rea-parece.