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Conselho Nacional de Saúde Mental. Ata nº 1/2014

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Ata nº 1/2014

A 15 de janeiro de 2014, reuniu no edifício da Administração Central do Sistema de Saúde, I.P, no nº 11 da Avenida João Crisóstomo, em Lisboa, o Conselho Nacional de Saúde Mental (CNSM), com a composição definida pelo Despacho do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde e nos termos do Decreto-Lei nº 304/2009, de 22 de outubro, com a alteração introduzida pelo Decreto- Lei nº 22/2011, de 10 de fevereiro, com a seguinte Ordem de Trabalhos, constante da Convocatória, emitida em 26 de dezembro último:

1. Aprovação da ata n.º 1b/2013;

2. Aprovação do Regulamento interno do Conselho;

3. Definição das prioridades dos assuntos a incluir na Agenda do Conselho;

4. Outros assuntos.

Estiveram presentes:

Além do Presidente do CNSM, Dr. António Leuschner;

Em representação do Ministério da Solidariedade e Segurança Social, a Dra Luísa Matias, da Direção-Geral da Segurança Social;

O Diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental, Dr. Álvaro de Carvalho;

Em representação do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, a Drª Graça Vilar;

Em representação do Ministério da Saúde para a área dos Cuidados de Saúde Primários, a Profª Drª Cristina Ribeiro Gomes, Assessora do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde;

Os Presidentes dos Conselhos Regionais de Saúde Mental do Alentejo, do Algarve, do Centro, de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte, respetivamente, Drs Érico da Silveira Alves, Ana Cristina Trindade, António Pires Preto, Manuel Cruz e Jorge Bouça;

Em representação dos profissionais de Enfermagem, os Enf.os Joaquim Oliveira Lopes e Helena Manuela Alonso Moura, indicados pela respetiva Ordem Profissional;

Em representação dos profissionais de Psicologia, por indicação da respetiva Ordem Profissional, o Prof. Samuel Antunes;

Em representação dos profissionais de Serviço Social, as Dras Ana Martinho e Patrícia Teixeira da Silva, designadas pela respetiva Associação Profissional;

A Terapeuta Aura Duarte, representando a Associação Portuguesa de Terapeutas Ocupacionais;

A Drª Maria João Vargas Moniz, da Federação Nacional de Entidades de Reabilitação de Doentes Mentais (FNERDM);

O Prof. José Luís Pio de Abreu em representação do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos;

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O Dr. Pedro Pires, representante do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Ordem dos Médicos, que representa igualmente a Associação de Psiquiatria da Infância e da Adolescência;

O Prof. António Palha, em representação da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental;

O Dr. João Redondo, em representação da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental;

O Enfº José Carlos Carvalho, em representação da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental;

O Dr. Edison Alves Dias, em representação da União das Misericórdias Portuguesas;

Em representação da União das Mutualidades Portuguesas, a Drª Joana Sá Ferreira;

O Dr. Pedro Varandas, em representação do Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus

O Dr. Orlando Silva, representando a Rede Nacional de Pessoas com experiência de doença mental;

A Drª Joselina Basílio, em representação da Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares, por impossibilidade do Dr Delfim Oliveira;

Em representação da Equipa de Projeto da Coordenação dos Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental, a Drª Paula Domingos;

O Dr José Madeira Serôdio em representação do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., a que preside.

Não estiveram presentes, tendo antecipadamente informado o Conselho, a Drª Sónia Martins, em representação do Secretário de Estado do Emprego; os Enf.os Jorge Cadete e José Carlos Santos, em representação dos Profissionais de Enfermagem; a Profª Graça Cardoso, em representação da Associação Portuguesa de Psiquiatria de Ligação e o Dr. Vítor Cotovio, em representação do Instituto de S. João de Deus, todos por compromissos profissionais.

Não estiveram igualmente presentes, o Dr. Alexandre Lourenço, em representação da Administração Central do Sistema de Saúde, I.P.; a Drª Inês Guerreiro; representando a área dos Cuidados Continuados Integrados do Ministério da Saúde e a Drª Maria José Gambôa em representação da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.

A Ordem dos Psicólogos informou que a Profª Constança Biscaia passaria a ser substituída pela Drª Maria Teresa Marçal Grilo Lobato de Faria em representação dos profissionais de Psicologia, que não pôde todavia estar presente por compromissos profissionais anteriormente assumidos.

Após a conclusão da reunião, foi este Conselho informado que a Drª Ana Correia Lopes, por ter sido nomeada Chefe de Gabinete da Senhora Ministra da Justiça, deixou de representar este Ministério, sendo posteriormente indicado a quem caberá essa responsabilidade.

1. Verificado o quórum, foram iniciados os trabalhos, tendo o Presidente colocado à consideração do Conselho a minuta da ata nº 1b/2013, da última reunião, oportunamente enviada, a qual não mereceu reparos dos membros presentes, considerando-se aprovada, sem votos contra e apenas

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2. Tendo sido oportunamente enviado uma nova versão do regulamento do Conselho, contemplando algumas alterações ao que vigorou no anterior mandato consentâneas com a prática estabelecida, foi entendido que deveria proceder-se a um melhor ajustamento ao que vem sendo a prática, nomeadamente no que se refere aos procedimentos relativos à aprovação das atas e das suas minutas, sendo delegada no Presidente essa responsabilidade, sendo a versão que daí resulte enviada em anexo à minuta desta ata e submetida à apreciação do Conselho na próxima reunião.

3. Na definição das prioridades para agendamento, foram tidas em conta as sugestões enviadas por vários membros, oportunamente remetidas em anexo à convocatória, a que acrescem as enviadas pelo Dr Jorge Bouça, que por lapso não tinham sido distribuídas:

• Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental – A urgência da entrada em vigor da lei para enquadramento de organizações já existentes e acesso a Fundos do Quadro Comunitária de Apoio pelas Regiões e/ou Serviços;

• Quadro Comunitário de Apoio 2014-20 – Oportunidades para a Saúde Mental;

• A violência e a Radicalização do comportamento – Cooperação com forças de segurança, tribunais, etc. Limites e direitos de pacientes e médicos nessas circunstâncias;

• Distinção entre fenómenos e dinâmica de Crise e outras áreas da perturbação / doença Mental – perspetivas de organização e intervenção dos Agentes da Saúde Mental e das outras áreas da Sociedade;

• Envelhecimento da população – Consequências a curto e médio prazo para a organização da Saúde Mental e dos outros agentes de ação, SS, etc;

• Que ações para uma maior cooperação entre SLSM, SS, Autarquias, e ONG, e CP.

Além dos temas sugeridos na reunião de 20 de novembro pelo Dr João Redondo

• Violência familiar;

• Assédio moral;

• Tráfico de seres humanos.

foi apresentada pela Drª Luísa Matias, representante da Direção-geral da Segurança Social, do Ministério da Solidariedade do Emprego e da Segurança Social, a proposta de inclusão dos seguintes temas:

• Perturbações afetivo-emocionais e do comportamento em crianças e jovens institucionalizadas;

• Estigmatização de pessoas com doença mental;

• A saúde mental e os sem-abrigo;

• A saúde mental e os idosos e dependentes isolados;

• A saúde mental e o envelhecimento;

• Continuidade do trabalho iniciado sobre “suprimento de incapacidade”.

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e pela Drª Maria João Vargas Moniz, representante da FNERDM, os temas:

• A desinstitucionalização das pessoas com problemáticas de saúde mental, abrangendo todas as etapas do ciclo vital (dos mais jovens aos mais seniores) e os desafios da sua integração na comunidade;

• A formação dos profissionais de suporte à integração comunitária (integrada nos curricula académicos e a formação profissional).

Subsistem ainda sem conclusões, os temas:

• Gestão do património dos Doentes mentais;

• Definição das competências dos profissionais de saúde mental.

Também está pendente o pedido de parecer do Senhor Ministro da Saúde de fevereiro último sobre:

• o ‘desenvolvimento e generalização de cuidados de especialidade em estruturas de cuidados primários, incluindo consultas presenciais e consultadoria prestada a médicos de Medicina Geral e Familiar’, acerca do que era igualmente pedida orientação.

Relativamente a estes últimos temas, que transitam do Conselho anterior, o Dr José Serôdio, que integrou a subcomissão do Património, deu conta do documento já elaborado de síntese dos preceitos legais que deverão ser objeto de alteração, tendo em vista a elaboração de um anteprojeto de diploma que regulamente esta matéria, ficando de ser enviado novamente a todos os membros, o que se faz em anexo a esta ata. Foi referida por alguns dos membros a dificuldade que tem resultado do facto de, frequentemente, o Ministério da Justiça não se ter feito representar nos trabalhos, sendo suscitada a necessidade de solicitar ao Senhor Ministro da Saúde que diligencie no sentido dessa omissão ser ultrapassada.

Quanto à definição das competências dos profissionais, o Prof. Samuel Antunes, que coordenou os trabalhos da anterior subcomissão, deu conta do estado o documento, ficando de convocar os membros interessados no tema para prosseguir a elaboração de um documento de consenso, o que mereceu a concordância do Prof. Pio de Abreu e do Enfº Joaquim Lopes, por entenderem que a última versão continha alguns aspetos em que não havia consenso.

A Profª Cristina Ribeiro, que coordenou a subcomissão dos Cuidados Primários, aceitou dar continuidade aos trabalhos com vista a responder à solicitação do Senhor Ministro da Saúde.

No prosseguimento dos trabalhos, o Dr Jorge Bouça fundamentou as sugestões que fez para agendamento, salientando a importância de apurar a possibilidade de aproveitamento de verbas do Quadro Comunitário 14-20, para os programas pendentes na área da saúde mental, para os aspetos da defesa da privacidade, no âmbito da salvaguarda dos direitos humanos, e também a importância da adaptação dos Serviços locais ao envelhecimento da população.

O Dr João Redondo, no seguimento da apresentação das questões da violência familiar, do assédio moral e sexual e do tráfico de seres humanos, propôs que, atendendo á multidisciplinaridade e multisetorialidade subjacentes ao trabalho em rede nestas áreas, se promovesse uma reflexão sobre as questões ético-deontológicas associadas.

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A Drª Maria João Vargas Moniz reiterou a importância dos aspetos relacionados com a desinstitucionalização das Pessoas com doença mental, num impasse dado o atraso na aplicação da legislação sobre os cuidados continuados.

O Dr Álvaro de Carvalho fez uma apresentação (anexa a esta ata) sobre o ponto de situação do Plano Nacional, as ações desenvolvidas pela Direção Nacional, nomeadamente o Workshop realizado em parceria com a Organização Mundial de Saúde Europa, e o Plano de Atividades para 2014 apresentado superiormente.

O Prof. António Palha questiona a probabilidade da execução do programa de cuidados continuados, reforçando a ideia dos prejuízos que o impasse tem causado.

O Prof. Pio de Abreu pediu esclarecimento quanto à forma como têm sido gastas as verbas postas à disposição do Plano, defendendo que a sua atribuição aos diferentes projetos deverá ser transparente e pública.

O Dr Érico Alves, propôs que seja feita uma recomendação sobre o apoio às Pessoas portadoras de doença mental desempregadas de longa duração, situações que se têm agudizado nesta altura de crise económico-financeira, nomeadamente através da criação de estágios profissionais para estas Pessoas, não descurando as medidas de prevenção do suicídio.

O Dr José Serôdio chamou a atenção para o paralelo com as situações de deficiência, tendo sido referidas as diferenças entre as duas situações, ainda que recentemente esbatidas pela assinatura da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Incapacidades.

A Terapeuta Aura Duarte referiu a importância da participação nas Redes Sociais, comissões locais de ação social e Plataformas supraconcelhias.

O Dr Manuel Cruz informa que a ARS de Lisboa e Vale do Tejo tem participado na Rede de Lisboa, sendo que há uma dificuldade grande de obtenção de dados sobre a situação real, seja de cuidados prestados, seja de necessidades.

A Drª Paula Domingos refere que é necessário garantir a disponibilidade dos diferentes Serviços Locais para participarem ativamente nas Redes e das Administrações Hospitalares para nelas se fazerem representar.

O Dr Pedro Varandas salienta a importância dos aspetos sociais, enquanto preocupação dos profissionais de saúde mental, o que os distingue de outras especialidades.

A Drª Ana Cristina Trindade informa que na Região do Algarve está em curso essa articulação entre os serviços de saúde mental e a Rede social.

A este respeito foi sugerido o convite a um representante do setor social com vista à clarificação dos conceitos de ‘Rede Social’, ‘Comissões Locais de Ação Social’ e ‘Rede de Emprego’ e à sua articulação com os serviços de saúde mental.

Foi aceite a proposta de convidar para estar presente na próxima reunião do Conselho o Prof Doutor Henrique Martins, Presidente do Conselho de Administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E.P.E., para fazer uma apresentação sobre a partilha de informação em Saúde, nomeadamente na área da Saúde Mental (convite entretanto aceite).

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De igual modo, foi consensual o pedido a endereçar ao Senhor Ministro da Saúde para acesso aos dados relevantes da atividade da área da saúde mental no SNS, a solicitar à Direção-Geral da Saúde, Administração Central do Sistema de Saúde, I.P., INFARMED e Administrações Regionais de Saúde, por forma a melhor acompanhar o desenvolvimento do Plano Nacional de Saúde Mental, em particular, e os indicadores de saúde mental disponíveis, em geral.

4. Nada mais havendo a registar, foi agendada a próxima reunião do Conselho para o dia 2 de abril de 2014, às 14H00, no mesmo local, ou noutro a designar, solicitando-se aos membros que pretendam enviar contributos para a respetiva preparação que o façam até ao dia 3 de março.

Referências

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