Plano Nacional de Integração Hidroviária
AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS - ANTAQ LABORATÓRIO DE TRANSPORTES E LOGÍSTICA – LABTRANS/UFSC
BACIA DO PARANÁ-TIETÊ
Desenvolvimento de Estudos e Análises das Hidrovias Brasileiras
e suas Instalações Portuárias com Implantação de Base de Dados
Georreferenciada e Sistema de Informações Geográficas
Dilma Roussef
Presidenta da República Secretaria de Portos (SEP)
José Leônidas Cristino Ministro Chefe
Ministério dos Transportes
Paulo Sérgio Passos Ministro dos Transportes
Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ)
Diretoria Colegiada
Pedro Brito (Diretor-Geral Substituto)
Fernando José de Pádua C. Fonseca (Diretor Interino) Mário Povia (Diretor Interino)
Superintendência de Navegação Interior (SNI) Adalberto Tokarski (Superintendente)
Superintendência de Portos (SPO)
Bruno de Oliveira Pinheiro (Superintendente Substituto)
Superintendência de Fiscalização e Coordenação (SFC) Giovanni Cavalcanti Paiva (Superintendente)
Superintendência de Navegação Marítima e de Apoio (SNM) André Luís Souto de Arruda Coelho (Superintendente)
Superintendência de Administração e Finanças (SAF) Albeir Taboada Lima (Superintendente)
FICHA TÉCNICA
AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS
Gerência de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Interior (GDI) José Renato Ribas Fialho - Gerente
Eduardo Pessoa de Queiroz - Coordenador Isaac Monteiro do Nascimento
Gerência de Estudos e Desempenho Portuário (GED) Fernando Antônio Correia Serra - Gerente
Herbert Koehne de Castro José Esteves Botelho Rabello Gerência de Portos Públicos (GPP)
Samuel Ramos de Carvalho Cavalcanti – Gerente Substituto Paulo Henrique Ribeiro de Perni
Camila Romero Monteiro da Silva
Superintendência de Fiscalização e Controle (SFC) Frederico Felipe Medeiros
Unidade Administrativa Regional do Paraná (UARPR) Fábio Augusto Giannini
ENTIDADES COLABORADORAS Ministério dos Transportes (MT) Administrações Hidroviárias
Unidades Administrativas Regionais da ANTAQ (UAR’s)
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A.
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) Agência Nacional de Águas (ANA)
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e suas Federações Confederação Nacional do Transporte (CNT) e suas Federações
Petrobras Transporte S/A (TRANSPETRO)
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (APROSOJA) Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (SOPH)
Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul (SPH) Porto Fluvial de Petrolina (PE)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Roselane Neckel - Reitora
Lúcia Helena Martins Pacheco- Vice-Reitora
Sebastião Roberto Soares- Diretor do Centro Tecnológico Jucilei Cordini - Chefe do Departamento de Engenharia Civil Laboratório de Transportes e Logística
Amir Mattar Valente - Coordenador Geral do Laboratório Equipe Técnica - Transporte e Logística
Fabiano Giacobo - Coordenador Estudos
André Ricardo Hadlich - Responsável Técnico Daniele Sehn - Economista
André Felipe Kretzer Carlo Vaz Sampaio Felipe Souza dos Santos Gabriella Sommer Vaz
Guilherme Tomiyoshi Nakao Humberto Assis de Oliveira Sobrinho Jonatas J. de Albuquerque Larissa Steinhorst Berlanda
Luiz Gustavo Schmitt Marjorie Panceri Pires Natália Tiemi Gomes Komoto Priscila Lammel Fernando Seabra - Consultor
Pedro Alberto Barbetta - Consultor
Equipe Técnica - Tecnologia da Informação Antônio Venícius dos Santos - Coordenador Base de dados Georreferenciada
Edésio Elias Lopes - Responsável Técnico
Caroline Helena Rosa Guilherme Butter
Demis Marques Paulo Roberto Vela Junior Sistema
Luiz Claudio Duarte Dalmolin - Responsável Técnico Emanuel Espíndola Rodrigo Silva de Melo José Ronaldo Pereira Junior Sérgio Zarth Junior Leonardo Tristão Tiago Lima Trinidad Robson Junqueira da Rosa
Design Gráfico Guilherme Fernandes Heloisa Munaretto Revisão de Textos
Lívia Carolina das Neves Segadilha Paula Carolina Ribeiro
Pedro Gustavo Rieger
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
ABIQUIM Associação Brasileira da Indústria Química AHRANA Administração da Hidrovia do Paraná ALLMP América Latina Logística Malha Paulista ANTAQ Agência Nacional de Transportes Aquaviários BIT Banco de Informações e Mapas de Transporte CESP Companhia Energética de São Paulo
CODOMAR Companhia Docas do Maranhão
DNIT Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
LabTrans Laboratório de Transportes e Logística PAC Programa de Aceleração do Crescimento PIB Produto Interno Bruto
PNLT Plano Nacional de Logística de Transportes Replan Refinaria de Paulínia
SECEX Secretaria de Comércio Exterior t Toneladas
TIR Taxa Interna de Retorno TMA Taxa Mínima de Atratividade TNL Transnordestina Logística
UFSC Universidade Federal de Santa Catarina VPL Valor Presente Líquido
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Circunscrição da Administração da Hidrovia do Paraná ... 2
Figura 2 - Localização do Rio Paraná e suas barragens e eclusas ... 3
Figura 3 - Localização do Rio Tietê e suas eclusas ... 4
Figura 4 - Bacia do Paraná-Tietê: Microrregiões da Área Inicial de Estudo ... 6
Figura 5 - Bacia do Paraná-Tietê: Área de Influência Final ... 7
Figura 6 - Área contígua e área influência total da Hidrovia Paraná-Tietê ... 12
Figura 7 - Principais produtos movimentados em comércio exterior pelas regiões da área contígua à Hidrovia Paraná-Tietê em 2010 e 2030 ... 15
Figura 8 - Representação da ferrovia da América Latina Logística - Malha Paulista e da Hidrovia Paraná - Tietê encontrando-se em Pederneiras (SP) ... 22
Figura 9 - Terminais já existentes e áreas propícias de novos terminais hidroviários com ano ótimo de abertura ... 30
Figura 10 - Carregamento na hidrovia - Fluxo 2015 (t) ... 35
Figura 11 - Carregamento na hidrovia - Fluxo 2020 (t) ... 36
Figura 12 - Carregamento na hidrovia - Fluxo 2025 (t) ... 36
Figura 13 - Carregamento na hidrovia - Fluxo 2030 (t) ... 37
Figura 14 - Hidrovia do Paraná-Tietê com seus terminais existentes e áreas propícias ... 40
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Grupos de produtos ... 10
Quadro 2 - Cenário modal rodoviário - Hidrovia Paraná-Tietê ... 23
Quadro 3 - Cenário modal ferroviário - Hidrovia Paraná-Tietê ... 24
Quadro 4 - Cenário modal hidroviário - Hidrovia Paraná-Tietê ... 24
Quadro 5 - Áreas propícias para instalação de novos terminais hidroviários... 25
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Quantidade movimentada por tipo de navegação e natureza da carga ... 7
Tabela 2 - Quantidade movimentada por produtos ... 8
Tabela 3 - Bacia do Paraná-Tietê: Representatividade de produtos com base no PNLT - 2004 (mil t) ... 9
Tabela 4 - Projeção quinquenal da movimentação de cargas, por sentido de comércio exterior e por grupo de produtos - área contígua à Hidrovia Paraná-Tietê - 2011-2030 (t) ... 13
Tabela 5 - Projeção quinquenal da demanda de cargas, por grupo de produtos na Área de Influência total da Hidrovia Paraná-Tietê - 2010-2030 (t) ... 16
Tabela 6 - Projeção quinquenal da carga alocada, por produtos, para a Hidrovia Paraná-Tietê - 2015-2030 (t) ... 18
Tabela 7 - Carregamentos nos terminais - Fluxo 2015 (t) ... 26
Tabela 8 - Carregamentos nos terminais - Fluxo 2020 (t) ... 27
Tabela 9 - Carregamentos nos terminais - Fluxo 2025 (t) ... 27
Tabela 10 - Carregamentos nos terminais - Fluxo 2030 (t) ... 28
Tabela 11 - Carregamento na Hidrovia do Paraná-Tietê - Fluxo 2015 (t) ... 31
Tabela 12 - Carregamento na Hidrovia do Paraná-Tietê - Fluxo 2020 (t) ... 32
Tabela 13 - Carregamento na Hidrovia do Paraná-Tietê - Fluxo 2025 (t) ... 33
Tabela 14 - Carregamento na Hidrovia do Paraná-Tietê - Fluxo 2030 (t) ... 34
Tabela 15 - Comparativo entre as áreas propícias para instalação de terminais ... 39
Relatório Executivo Bacia do Paraná-Tietê
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 1
2 A HIDROVIA ... 1
2.1 Localização ... 1
2.2 Determinação da Área de Influência ... 5
3 IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS RELEVANTES PARA ANÁLISE ... 7
3.1 Grupos ... 10
4 PROJEÇÃO DOS FLUXOS DE COMERCIALIZAÇÃO E TRANSPORTE ... 11
4.1 Resultados da projeção de demanda da área contígua à Hidrovia Paraná-Tietê .. 11
4.2 Resultados da projeção de demanda da Área de Influência total da Hidrovia Paraná-Tietê ... 15
4.3 Resultados da alocação da carga total para a Hidrovia Paraná-Tietê ... 17
5 DIAGNÓSTICO DA REDE DE TRANSPORTE ATUAL ... 20
5.1 Bacia do Paraná-Tietê ... 20
5.2 Portos, Intermodalidade e Acessos ... 20
6 DEFINIÇÃO DA REDE FUTURA A SER ANALISADA - NOVAS OUTORGAS DE TERMINAIS HIDROVIÁRIOS ... 23
6.1 Montagem dos cenários de infraestrutura ... 23
7 SIMULAÇÃO DOS PROJETOS ... 25
7.1 Carregamento em Terminais ... 26
7.2 Carregamento na Hidrovia ... 30
8 AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE PROJETOS... 38
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 40
REFERÊNCIAS ... 43
xi ANTAQ/UFSC/LabTrans
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS...
LISTA DE FIGURAS...
LISTA DE QUADROS...
LISTA DE TABELAS...
PREFÁCIO...
vi vii viii ix xiii
SUMÁRIO
PREFÁCIO
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ – tem a honra de apresentar à sociedade, ao setor produtivo e aos diversos órgãos governamentais o presente Plano Nacional de Integração Hidroviária – PNIH.
Conhecer as características físico-geográficas, as demandas e ofertas de cada segmento representativo de produção de cargas é ação primária para a geração de alternativas ao mercado sobre onde e como investir. Dessa forma, o trabalho ora apresentado significa uma maior com- preensão dos espaços produtivos brasileiros em relação aos movimentos de cargas, em especial, ao setor da navegação interior.
O foco foi gerar resultados sustentados em metodologia sólida, utilizando a experiência acadêmica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a grande vivência dos técnicos da ANTAQ, bem como com as evidências e expectativas do mercado que hoje lida com cargas produtivas. Dessa integração surge o PNIH, instrumento abrangente com fundamentação, base metodológica e coerência com a realidade dos agentes produtores e transportadores de carga.
O PNIH é, portanto, fruto da integração do conhecimento acadêmico e científico, do pla- nejamento, representado pela utilização dos dados disponíveis no Plano Nacional de Logística de Transportes – PNLT, e das bases de dados evidenciadas na realidade do transporte de cargas na navegação interior. Some-se a isso, sua característica dinâmica, representada pela ferramenta de informações geográficas denominada SIGTAQ, capaz de atualizar rapidamente novas projeções, e de responder adequadamente às variações naturais de mercados em evolução.
Contribuir com a readequação da matriz de transporte de carga e redução da emissão de poluentes atmosféricos, indicando possíveis áreas para a instalação terminais hidroviários, são apenas algumas das características que podem ser observadas da leitura do PNIH. Assim, a ANTAQ disponibiliza uma ferramenta moderna, atualizada e aberta aos desafios a serem en- frentados por aqueles que trabalham pela redução dos custos logísticos brasileiros de forma sustentável, objetivo para o qual as hidrovias tem papel importante. Esperamos com isso, tornar mais fácil a análise de novos investimentos, a seleção de caminhos alternativos para o transporte de cargas, bem como colaborar com os planejadores de políticas públicas, na medida em que poderão dispor de instrumento ágil e bem sustentado, na formulação dos instrumentos legais a eles incumbidos.
1 INTRODUÇÃO
O Relatório Executivo do estudo da Bacia do Paraná-Tietê destaca os principais resultados das análises de cenários logísticos para inserção de terminais hidroviários nas vias navegáveis que compõem a Hidrovia Paraná-Tietê. Os detalhes desse estudo constam nos cadernos de relatório técnico e de metodologia. Além dessa breve introdução, o presente relatório está organizado nos próximos oito capítulos, a saber:
Capítulo 2: A Hidrovia;
Capítulo 3: Identificação dos Produtos Relevantes para Análise;
Capítulo 4: Projeção dos Fluxos de Comercialização e Transporte;
Capítulo 5: Diagnóstico da Rede de Transporte Atual;
Capítulo 6: Definição da Rede Futura a Ser Analisada - Novas Outorgas de Terminais Hidroviários;
Capítulo 7: Simulação dos Projetos;
Capítulo 8: Avaliação Econômica de Projetos; e
Capítulo 9: Considerações Finais.
Além dos capítulos elencados nesse resumo executivo, foram disponibilizados à ANTAQ, os relatórios técnicos completos contendo tabelas com resultados mais detalhados referentes à etapa de simulação.
2 A HIDROVIA
Este capítulo do relatório traz, inicialmente, a caracterização da Bacia do Paraná-Tietê no que diz respeito às suas principais informações geográficas, como localização, principais rios e afluentes. Em seguida, apresentam-se os resultados da determinação da Área de Influência da Bacia, conforme os procedimentos detalhados no Relatório de Metodologia.
2.1 Localização
A Hidrovia Paraná-Tietê pertence à Região Hidrográfica do Paraná. O Rio Paraná e seus afluentes são administrados pela Administração da Hidrovia do Paraná (AHRANA). Essa entidade surgiu em 2008, quando foi assinado um Convênio de Apoio Técnico e Financeiro para a gestão das hidrovias e dos portos interiores nacionais com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O objetivo do convênio é descentralizar, mediante a transferência do DNIT à Companhia Docas do Maranhão (CODOMAR), a execução das atividades de administração das hidrovias e dos serviços de infraestrutura portuária e hidroviária prestados pelo DNIT nas hidrovias do Paraná (AHRANA, 2012).
O percurso da Hidrovia Paraná-Tietê abrange os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás e sofre influência socioeconômica dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Goiás (BRASIL, 2006). A Figura 1 apresenta a circunscrição da AHRANA.
Figura 1 - Circunscrição da Administração da Hidrovia do Paraná Fonte: Elaboração própria
A seguir apresenta-se cada via navegável que compõe as hidrovias, descritas de acordo com Costa (1998).
Rio Paraná
É um rio de planalto com declive representativo, interrompido por uma série de cachoeiras e corredeiras que dificultam a livre navegação de seu curso. Ele nasce na Serra do Espinhaço e desemboca no estuário da bacia do Prata, na Argentina. Tem cerca de 2.800 quilômetros, dos quais pouco mais de 600 quilômetros localizam-se em território nacional. No caso deste estudo serão mencionados apenas os trechos situados em território brasileiro.
Existem quatro barragens destinadas ao uso energético, a saber: Itaipu, Porto Primavera, Jupiá e Ilha Solteira.
As barragens de Itaipu e Ilha Solteira ainda não possuem eclusas, o que impede a navegação. Entretanto, existem projetos para sua construção, visando a efetivação da Hidrovia do MERCOSUL que liga a zona produtora de grãos à Argentina e ao Uruguai. As outras duas
barragens já possuem eclusas construídas. São navegáveis os trechos da barragem de Jupiá até a barragem de Itaipu, com extensão de 685 quilômetros. Entre Jupiá e a barragem de Ilha Solteira não existe fluxo devido à inauguração do canal Pereira Barreto, que liga o Rio Tietê ao tramo norte da hidrovia do Rio Paraná. Por fim, existe navegação entre a barragem de Ilha Solteira e a confluência dos rios Paranaíba e Grande. A seguir, na Figura 2, consta a localização do Rio Paraná e suas barragens e eclusas.
Figura 2 - Localização do Rio Paraná e suas barragens e eclusas Fonte: Elaboração própria
Rio Tietê
Nasce na Serra do Mar, em Salesópolis (SP) e tem extensão de 1.150 quilômetros.
Existem seis barragens, todas com eclusas, possibilitando a navegação em seu curso, a saber:
Três Irmãos, Nova Avanhandava, Promissão, Ibitinga, Bariri, e Barra Bonita. Na década de 1950, para o aproveitamento múltiplo das águas, foi idealizada a ligação com o Rio Paraná através da construção do canal Pereira Barreto, sendo desnecessária a construção de eclusas no aproveitamento da barragem de Ilha Solteira. O trecho do município de Conchas (SP) até o encontro com as águas do Rio Paraná é navegável, com extensão de 573 quilômetros. A Figura 3 apresenta a localização do Rio Tietê com barragens e eclusas.
Figura 3 - Localização do Rio Tietê e suas eclusas Fonte: Elaboração própria
Rio Grande
Nasce no interior de Minas Gerais, tem extensão de 1.300 quilômetros e desemboca na confluência do Rio Paranaíba, originando o Rio Paraná. Existem nove barragens nesse rio, quais sejam: Água Vermelha, Marimbondo, Porto Colômbia, Volta Grande, Igarapava, Jaguará, Estreito, Peixoto e Furnas. Seu aproveitamento é destinado apenas à obtenção de energia e, dessa forma, não existem eclusas para navegação. Atualmente, o Rio Grande é navegável apenas no trecho de 80 quilômetros, entre a confluência do Rio Paranaíba, onde forma o rio Paraná, até a barragem de Água Vermelha. A partir desse ponto seria necessária a construção de várias eclusas, canais e elevadores de embarcações. Por esse motivo não utiliza todo seu potencial.
Rio Paranaíba
Nasce na Serra Mata da Corda, no estado de Minas Gerais; tem extensão de pouco mais de 1.000 quilômetros e desemboca na junção com o rio Grande para dar origem ao rio Paraná. Existem quatro barragens, todas sem eclusas, quais sejam: São Simão, Cachoeira Dourada, Itumbiara e Emborcação. Seu projeto prevê a navegação de São Simão até a confluência dos rios Grande e Paraná, com extensão de 180 quilômetros. Devido ao fato da
inexistência de eclusas a montante da represa de São Simão, sua navegação é inexpressiva e não utiliza todo o seu potencial. Entretanto, tem importância por possibilitar, no futuro, a interligação das Bacias do Paraná, do Tocantins-Araguaia e São Francisco através da abertura de canal.
Rio Paranapanema
Nasce na Serra dos Agudos, no estado de São Paulo; possui extensão de quase 930 quilômetros e desemboca no Rio Paraná. Ao longo de seu trecho, existem seis barragens, todas sem eclusas. São elas: Rosana, Taquaruçu, Capivara, Salto Grande, Xavantes e Jurumirim.
O seu projeto prevê a navegação da confluência do Rio Paraná até a represa de Rosana, com extensão de 70 quilômetros. Da mesma forma que nos rios Grande e Paranaíba, seu potencial é pouco utilizado devido à inexistência de eclusas. Assim, sua navegação atualmente é inexpressiva. O aproveitamento de suas águas pode chegar até 610 quilômetros.
Rio Iguaçu
Nasce no estado do Paraná, da confluência dos rios Iraí e Atubá, na cidade de Curitiba (PR), e desemboca no Rio Paraná. Tem extensão de mais de 1.000 quilômetros. Tem seu aproveitamento voltado somente para o setor energético. Existem quatro usinas hidrelétricas, todas sem eclusas, quais sejam: Usina Governador Ney Aminthas de Barros Braga, Usina de Salto Caxias, Usina de Salto Santiago e Usina de Salto Osório. Sua navegação é realizada de forma irregular e, por esse motivo, é inexpressiva.
Rio Ivaí
Nasce no estado do Paraná, na confluência do Rio dos Patos e do Rio São João, desembocando no Rio Paraná, e tem extensão de 685 quilômetros. Não existem barramentos.
Não é bem utilizado como fonte de energia ou para transportes. Sua navegação é inexpressiva.
Seu trecho navegável vai do município de Doutor Camargo (PR) até a foz no Rio Paraná, com 220 quilômetros de extensão.
2.2 Determinação da Área de Influência
A Área Inicial de Estudo abrangeu uma grande área que incluía os estados de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo, do Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais, de Goiás e do Mato Grosso, além do Distrito Federal. Na Figura 4, destaca-se a Bacia Paraná-Tietê e os estados, os rios e as microrregiões constituintes de sua Área Inicial de Estudo. Também estão ilustrados os rios Paranaíba, Paraná, Grande, Tietê e Piracicaba. Os procedimentos utilizados para a determinação da Área de Influência encontram-se no Relatório de Metodologia, assim como mais detalhes da aplicação encontram-se no Relatório Técnico desta Bacia.
Figura 4 - Bacia do Paraná-Tietê: Microrregiões da Área Inicial de Estudo Fonte: Elaboração própria
Na Figura 5, observa-se a Área de Influência Final da Hidrovia Tietê-Paraná. A área resultante centra-se em São Paulo e estende-se pelos estados vizinhos, incluindo parte considerável de Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de trechos menores em Goiás e Santa Catarina. O estado do Mato Grosso, apesar de fazer parte da Área Inicial de Estudo, acabou não sendo incluído nessa área final. A Área de Influência Final segue aproximadamente o traçado da Hidrovia Paraná-Tietê, estendendo-se até alguns trechos no Paraná e em Santa Catarina.
Figura 5 - Bacia do Paraná-Tietê: Área de Influência Final Fonte: Elaboração própria
3 IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS RELEVANTES PARA ANÁLISE
De acordo com o “Relatório das Estatísticas da Navegação Interior”, da ANTAQ (2011), a Hidrovia Paraná-Tietê integra as regiões produtoras de grãos, cana-de-açúcar e etanol até o alto Tietê, a partir de onde a carga tem acesso aos centros consumidores e aos portos marítimos através de rodovias, ferrovias e dutos.
Em 2010, a hidrovia movimentou cerca de 5,8 milhões de toneladas, o equivalente a 23,33% do total movimentado pelas hidrovias brasileiras utilizando navegação interior, praticamente toda relativa a graneis sólidos. A Tabela 1 indica a quantidade movimentada por tipo de navegação e natureza de carga.
Tabela 1 - Quantidade movimentada por tipo de navegação e natureza da carga
Fonte: ANTAQ (2011)
Carga Geral (t) Granel Líquilo (t) Granel Sólido (t)
Interior 6.432 - 5.769.895 5.776.327
Estadual - - 2.589.409 2.589.409
Interestadual - - 2.936.832 2.936.832
Internacional 6.432 - 243.654 257.086
Cabotagem - - - -
Longo Curso - - - -
Tipo de Navegação Natureza da Carga
Total
Na Tabela 2 encontram-se dispostos os valores movimentados referentes a cada produto que é transportado pela hidrovia.
Tabela 2 - Quantidade movimentada por produtos
Fonte: ANTAQ (2011)
Seguindo os procedimentos detalhados no Relatório de Metodologia, foram encontrados os totais por produto da matriz do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) para a Área de Influência da Bacia do Paraná-Tietê e a representatividade destes. Na Tabela 3 estão destacados os produtos considerados relevantes, que somam 90% do total da movimentação.
GRUPO DE MERCADORIA QUANTIDADE (t) HIDROVIA TIETÊ-PARANÁ (%) HIDROVIAS BRASIL (%) Enxofre, Terras e Pedras, Gesso e
Cal 2.436.954 42,20 96,48
Soja 1.149.982 19,90 27,99
Produtos Hortículas, Plantas,
Raízes e Tubérculos 1.121.057 19,40 100,00
Milho 536.563 9,30 51,83
Farelo de Soja 341.009 5,90 52,45
Açúcar 85.367 1,50 100,00
Fertilizantes e Adubos 57.667 1,00 19,66
Outros 47.729 0,80 3,77
TOTAL 5.776.327 100,00 -
Tabela 3 - Bacia do Paraná-Tietê: representatividade de produtos com base no PNLT - 2004 (mil t)
Fonte: Dados do PNLT (documento reservado)
Produto Fluxo 2004 % % acumulada
Cana-de-açúcar 315889,75 36,466% 36,466%
Carga geral 124537,62 14,376% 50,842%
Minerais não metálicos 53949,1 6,228% 57,070%
Petróleo e gás natural 49918,33 5,763% 62,833%
Produtos da exploração florestal e da silvicultura 24919,7748 2,877% 65,710%
Milho em grão 24761,25 2,858% 68,568%
Óleos de milho, amidos e féculas vegetais e rações 23764,74 2,743% 71,311%
Produtos das usinas e do refino de açúcar 20044,28 2,314% 73,625%
Soja em grão 19944,79 2,302% 75,928%
Óleo diesel 19767,62 2,282% 78,210%
Produtos químicos inorgânicos 18513 2,137% 80,347%
Outros produtos e serviços da lavoura 17359,19 2,004% 82,351%
Frutas cítricas 17331,58 2,001% 84,351%
Óleo de soja em bruto e tortas, bagaços e farelo de soja 15035,4 1,736% 86,087%
Cimento 11510,91 1,329% 87,416%
Leite de vaca e de outros animais 10165,28 1,173% 88,589%
Outros produtos do refino de petróleo e coque 9310,3 1,075% 89,664%
Álcool 9143,03 1,055% 90,719%
Óleo combustível 8031,23 0,927% 91,647%
Gasolina automotiva 7708,91 0,890% 92,537%
Gasoálcool 6153,05 0,710% 93,247%
Semiacabacados, laminados planos, longos e tubos de aço 6103,2 0,705% 93,951%
Carne de aves fresca, refrigerada ou congelada 5713,74 0,660% 94,611%
Bovinos e outros animais vivos 4777,7204 0,552% 95,162%
Minério de ferro 3690,96 0,426% 95,589%
Produtos químicos orgânicos 3504,33 0,405% 95,993%
Celulose e outras pastas para fabricação de papel 3437,57 0,397% 96,390%
Trigo em grão e outros cereais 3007,49 0,347% 96,737%
Abate e preparação de produtos de carne 2944,68 0,340% 97,077%
Farinha de trigo e derivados 2597,15 0,300% 97,377%
Gás liquefeito de petróleo 2478,8799 0,286% 97,663%
Óleo de soja refinado 2338,1 0,270% 97,933%
Minerais metálicos não ferrosos 2060,9 0,238% 98,171%
Gusa e ferro-ligas 1922,4 0,222% 98,393%
Fabricação de resina e elastômeros 1890,48 0,218% 98,611%
Farinha de mandioca e outros 1761,94 0,203% 98,814%
Café em grão 1300,58 0,150% 98,965%
Carne de suíno fresca, refrigerada ou congelada 1270,28 0,147% 99,111%
Automóveis, camionetas e utilitários 1231,459 0,142% 99,253%
Aves vivas 1089,76 0,126% 99,379%
Suínos vivos 1003,46 0,116% 99,495%
Arroz beneficiado e produtos derivados 939,96 0,109% 99,603%
Algodão herbáceo 792,3 0,091% 99,695%
Arroz em casca 767,24 0,089% 99,784%
Mandioca 701,858 0,081% 99,865%
Café torrado e moído 417,55 0,048% 99,913%
Ovos de galinha e de outras aves 272,55 0,031% 99,944%
Pesca e aquicultura 120,07 0,014% 99,958%
Café solúvel 113,03 0,013% 99,971%
Fumo em folha 90,75 0,010% 99,982%
Carvão mineral 78,05 0,009% 99,991%
Produtos do fumo 69,63 0,008% 99,999%
Caminhões e ônibus 11,9233 0,001% 100,000%
TOTAL 866.259,13 100,000% 100,000%
Ao contrário dos estudos sobre a Bacia do São Francisco e da Amazônia, por exemplo, para o estudo da Bacia do Paraná-Tietê a cana-de-açúcar foi considerada, uma vez que este é um produto importante para essa bacia.
3.1 Grupos
Os produtos selecionados para o estudo da Bacia do Paraná-Tietê (e igualmente para as demais bacias) foram reunidos em cinco grupos distintos, de acordo com o acondicionamento das cargas e/ou valores dos fretes para que a simulação pudesse ser realizada de forma satisfatória. O Quadro 1 apresenta os cinco agrupamentos.
Quadro 1 - Grupos de produtos Fonte: Elaboração própria
Alimentícios Carga geral
Bovinos e outros animais vivos Carne bovina
Carne de aves Carne suína
Celulose e outras pastas para fabricação de papel (papel e celulose) Cerâmicos
Derivados de ferro Fumo
Madeiras Materiais elétricos Produtos cerâmicos
Produtos da exploração florestal e da silvicultura Reatores e equipamentos
Semi-acabacados, laminados planos, longos e tubos de aço Têxteis e calçados
Derivados de petróleo Etanol
Outros produtos do refino de petróleo e coque Petróleo e gás natural
Suco de laranja
Leite de vaca e de outros animais
Óleo de soja em bruto e tortas, bagaços e farelo de soja Óleos de milho, amidos e féculas vegetais e rações Adubos
Carvão mineral Cimento Gusa e ferro-ligas
Minerais metálicos não ferrosos Minerais não metálicos Minério de ferro
Produtos químicos inorgânicos Sal
Açúcar Cereais
Arroz beneficiado e produtos derivados Arroz em casca
Café em grão Cana-de-açúcar Cereais Milho em grão
Outros produtos e serviços da lavoura Produtos das usinas e do refino de açúcar Soja em grão
Trigo em grão e outros cereais GRUPO 4
Granel Sólido GRUPO 3 Granel Líquido
Agrícola
GRUPO 2 Granel Líquido
GRUPO 1 Carga Geral
GRUPO 5 Granel Sólido
Agrícola
4 PROJEÇÃO DOS FLUXOS DE COMERCIALIZAÇÃO E TRANSPORTE
Este capítulo do relatório trata da caracterização socioeconômica da Área de Influência, dos resultados das projeções de demanda da Área de Influência e do resultado da alocação da carga total da Hidrovia Paraná-Tietê. As projeções de demanda referem-se a todas as cargas movimentadas, em qualquer modal de transporte, na Área de Influência da hidrovia.
Uma vez obtida a estimativa do total da carga, a malha de transporte é carregada e obtém-se, por minimização de custos logísticos, a carga alocada à Hidrovia Paraná-Tietê.
4.1 Resultados da projeção de demanda da área contígua à Hidrovia Paraná- Tietê
Neste item descrevem-se os resultados obtidos a partir do modelo de expansão de demanda para as microrregiões contíguas à Hidrovia Paraná-Tietê, atentando para o fato de que não se trata de uma projeção de movimentação da hidrovia, mas sim de sua área contígua. A Figura 6 ilustra as regiões da chamada área contígua à hidrovia, bem como a Área de Influência total da Hidrovia Paraná-Tietê.
Figura 6 - Área contígua e área influência total da Hidrovia Paraná-Tietê Fonte: Elaboração própria
A Tabela 4 sintetiza os principais produtos movimentados na área contígua à hidrovia no ano de 2010 e suas respectivas projeções para o período 2011-2030.
Tabela 4 - Projeção quinquenal da movimentação de cargas, por sentido de comércio exterior e por grupo de produtos - área contígua à Hidrovia Paraná-Tietê - 2011-2030 (t)
Fonte: BRASIL (2012a)
Espera-se um crescimento da demanda de 122.852 milhões de toneladas, em 2010, para 236.425 milhões em 2030, o que significa um crescimento de 92%. As importações devem crescer, no mesmo período, 89%, saindo de mais de 50 milhões de toneladas em 2010 para quase 95 milhões em 2030, enquanto as exportações devem crescer aproximadamente 95%, saindo de quase 73 milhões de toneladas em 2010 para 141 milhões em 2030.
Produtos Importação 2010 2015 2020 2025 2030
Produto das Indústrias Químicas (t) 8.063.426 9.238.068 12.557.294 17.385.369 17.235.167 Minérios, Metais, Produtos Metalúrgicos e Pedras Preciosas (t) 8.058.484 10.643.574 12.950.576 14.774.193 16.326.442 Adubos e Fertilizantes (t) 7.114.821 6.201.432 9.188.821 12.509.190 15.349.277
Petróleo (t) 7.044.956 10.733.510 11.458.057 12.278.667 12.817.617
Derivados de Petróleo (t) 5.975.241 6.367.049 5.997.485 6.091.410 6.069.339 Derivados de Ferro (t) 3.167.633 3.068.761 4.262.467 5.314.794 5.929.152
Trigo (t) 2.335.787 2.470.378 2.542.630 2.543.705 2.543.720
Produtos Alimentícios (t) 1.827.697 1.555.848 3.136.561 4.045.576 4.281.205 Reatores Nucleares, Caldeiras, Máq., Aparelhos e Instr. Mecânicos (t) 1.148.123 1.336.912 1.953.927 2.786.263 3.694.095 Cereais (Exceto Trigo e Milho) (t) 1.108.451 1.562.531 1.748.529 1.852.505 1.935.634
Papel (t) 1.030.324 1.268.106 1.602.386 1.982.397 2.366.284
Sal (t) 874.567 1.055.294 1.123.683 1.206.826 1.316.874
Têxteis, Calçados e Couro (t) 834.068 1.268.059 1.699.216 2.118.454 2.604.057 Produtos Cerâmicos, Vidros e suas Obras (t) 648.972 676.761 742.814 1.026.158 1.037.956 Autopeças (t) 522.707 564.037 624.919 707.364 729.960 Celulose (t) 348.022 437.177 481.465 544.715 572.779 Total Importação (t) 50.103.278 58.447.498 72.070.831 87.167.584 94.809.558
Produtos Exportação 2010 2015 2020 2025 2030
Açúcar (t) 24.307.467 28.095.279 39.849.794 47.546.749 53.630.085
Grão de Soja (t) 13.441.845 15.945.431 16.928.777 17.457.878 17.801.889
Farelo de Soja (t) 5.986.375 7.057.793 7.388.476 7.394.184 7.394.271
Milho (t) 5.002.694 4.134.875 3.542.246 2.900.712 2.839.813
Carne de Aves (t) 2.632.314 3.148.311 4.212.091 4.295.011 4.396.194 Produtos Alimentícios (t) 2.473.550 2.740.440 2.999.842 3.140.051 3.258.712 Derivados de Ferro (t) 2.282.339 3.822.541 4.216.349 4.243.030 4.244.531
Celulose (t) 1.989.865 1.664.093 2.481.651 3.446.601 4.759.379
Suco de Laranja (t) 1.942.706 2.437.079 2.716.921 2.703.477 2.780.867
Papel (t) 1.836.372 1.568.118 1.568.118 1.568.118 1.568.118
Produto das Indústrias Químicas (t) 1.502.346 1.490.084 2.070.605 2.683.257 3.185.794
Café (t) 1.415.530 1.084.497 1.098.190 1.100.933 1.101.163
Etanol (t) 1.400.193 4.975.957 8.220.253 13.546.942 22.411.398
Minérios, Metais, Produtos Metalúrgicos e Pedras Preciosas (t) 1.274.419 1.580.323 1.564.086 1.613.442 1.639.443 Derivados de Petróleo (t) 1.128.489 2.578.846 2.643.667 2.644.212 2.644.216 Madeiras, suas Manufaturas e Mobiliário Médico Cirúrgico (t) 942.846 1.469.178 1.675.098 1.674.716 1.714.305
Trigo (t) 754.416 466.654 466.747 466.747 466.747
Óleo de Soja (t) 692.907 1.245.622 1.437.185 1.518.461 1.688.910 Produtos Cerâmicos, Vidros e suas Obras (t) 656.916 813.186 1.290.883 1.529.247 1.711.831 Carne Bovina (t) 552.748 602.266 956.270 1.015.396 1.024.417 Reatores Nucleares, Caldeiras, Máq., Aparelhos e Instr. Mecânicos (t) 532.476 348.544 558.902 858.375 1.353.041 Total Exportação (t) 72.748.812 87.269.116 107.886.151 123.347.539 141.615.124
Total (t) 122.852.090 145.716.614 179.956.983 210.515.123 236.424.682
Pode-se, ainda, inferir sobre a composição do comércio exterior da região contígua à Hidrovia Paraná-Tietê, que deve permanecer semelhante a 2010 ao final do período projetado.
Ou seja, as exportações, que em 2010 representavam 59,2% do comércio exterior da região, devem representar 59,9% em 2030.
A partir da análise dos principais produtos importados pela área contígua à hidrovia apresentados na Tabela 4, fica evidente a grande relevância dos produtos químicos, dos minérios, metais e demais produtos metalúrgicos e dos adubos e fertilizantes como cargas de importação. Esses três principais produtos de importação ganharam participação no total importado pela área considerada ao longo do período projetado. Em 2030, essas mesmas cargas continuam sendo as que possuem maior representatividade na movimentação. Cabe ressaltar que não se espera queda na movimentação de nenhuma dessas cargas.
Ainda observando as cargas de importação, pode-se inferir que há uma expectativa de queda da participação de derivados de petróleo nas importações totais. Embora a projeção seja de crescimento da demanda, de 5,9 milhões em 2010 para 6,1 milhões em 2030, a participação deve cair de 11,9% para 6,4%. A menor taxa de crescimento dessa carga, 2% em todo o período, pode ser justificada pelo fato de o Brasil estar desenvolvendo novas tecnologias para a prospecção de petróleo já existente, assim como pelos novos campos encontrados recentemente. Além disso, outro fator que influencia essa tendência decrescente de participação é o aumento gradativo do preço do barril de petróleo: de 2010 para 2011, por exemplo, o barril de petróleo passou de US$ 82 para US$ 117, e em 2012 esse valor já chega a US$ 125 (valores em US$/bep FOB) (BRASIL, 2012).
Dentre os principais produtos exportados, pode-se destacar o açúcar como predominante, seguido do grão de soja. A exportação de açúcar, como prevalecente na movimentação de cargas, aumentou de 33,4%, em 2010, para 37,9% na projeção de 2030. Em termos absolutos deve haver um aumento da quantidade movimentada de açúcar de mais de 29 milhões de toneladas de 2010 para 2030.
As exportações de grão de soja sofrerão redução da participação relativa, já que em 2010 correspondiam a 18,5% do total, enquanto que em 2030 correspondem a 12,6%. O produto cuja projeção de demanda apresenta maior taxa de crescimento é o etanol, e suas exportações devem crescer a 1.501% entre 2010 e 2030. Exportações de máquinas e equipamentos também apresentam elevada taxa de crescimento, 154% no período projetado.
Alguns produtos apresentaram taxas negativas, como é o caso das exportações de café (-22%), do milho (-43%), do papel (-15%) e do trigo (-38%). A Figura 7 relaciona os principais produtos movimentados na Hidrovia Paraná-Tietê em 2010 e previstos para 2030.
* A legenda “Outros” inclui: Trigo; Papel; Carne de Aves; Celulose; Suco de laranja; Reatores nucleares, Caldeiras, Máquinas, Aparelhos e Instrumentos
Mecânicos; Café; Produtos Cerâmicos, Vidros e suas Obras; Cereais (Exceto Trigo e Milho); Madeiras, suas Manufaturas e Mobiliário Médico Cirúrgicos; Sal; Têxteis, Calçados e Couro; Óleo de soja; Carne bovina e Autopeças.
Figura 7 - Principais produtos movimentados em comércio exterior pelas regiões da área contígua à Hidrovia Paraná Tietê em 2010 e 2030
Fonte: BRASIL (2012a)
Analisando o gráfico de participação relativa é possível inferir que as participações dos produtos no total da movimentação das regiões contíguas à hidrovia não sofrem alteração significativa na maioria dos casos. O açúcar, principal produto movimentado na área contígua com participação de 20% em 2010, passa para 23% em 2030. Ao contrário, o complexo de soja (grão, farelo e óleo), segundo principal produto, apesar de não perder posição, perde marketshare, de 16% em 2010 para 11% em 2030.
Percebe-se que o marketshare da movimentação de etanol é o que mais aumenta em relação aos demais. Em 2010, esse produto foi responsável por 1% da movimentação e passa a ser o terceiro principal produto em 2030, com participação de 9%. As características dos principais produtos, as movimentações previstas e suas condicionantes estão descritas a seguir.
4.2 Resultados da projeção de demanda da Área de Influência total da Hidrovia Paraná-Tietê
Após o detalhamento dos resultados da projeção da área contígua à Hidrovia Paraná- Tietê, pode-se agregá-los à projeção inicial do PNLT, ou seja, as projeções para as microrregiões do PNLT da região contígua são substituídas pela projeção da mesma área calculada pela metodologia alternativa, enquanto a projeção do restante das microrregiões da Área de Influência continua inalterada. Como descrito na metodologia, a mesclagem dessas duas projeções resulta na projeção modificada da demanda total das microrregiões consideradas como potencial de carga.
20%
11%
8%
8%
6% 6%
6%
5%
4%
3%
4%
1%
18%
2010 Açúcar (t)
Grão de Soja (t)
Produto das Indústrias Químicas (t) Minérios, Metais, Produtos Metalúrgicos e Pedras Preciosas (t) Adubos e Fertilizantes (t) Derivados de Petróleo (t) Petróleo (t) Farelo de Soja (t) Derivados de Ferro (t) Produtos Alimentícios (t) Milho (t)
Etanol (t) Outros (t)*
23%
8%
9%
8%
4% 6%
5%
3%
4%
3%
1%
9%
17%
2030 Açúcar (t)
Grão de Soja (t)
Produto das Indústrias Químicas (t) Minérios, Metais, Produtos Metalúrgicos e Pedras Preciosas (t) Adubos e Fertilizantes (t) Derivados de Petróleo (t) Petróleo (t)
Farelo de Soja (t) Derivados de Ferro (t) Produtos Alimentícios (t) Milho (t)
Etanol (t) Outros (t)*
Os resultados quinquenais dessa projeção total estão apresentados na Tabela 5. Por razões de processamento (diferentes classificações de produtos entre ANTAQ e PNLT), essa tabela não apresenta grupos de produtos iguais aos da área contígua, dispostos na Tabela 4.
Tabela 5 - Projeção quinquenal da demanda de cargas, por grupo de produtos na Área de Influência total da Hidrovia Paraná-Tietê - 2010-2030 (t)
Fonte: BRASIL (2012a); dados do PNLT (documento reservado)
Após análise da Tabela 5, pode-se inferir que as cargas de maior movimentação na área de influência total da Hidrovia Paraná-Tietê são as cargas gerais. Representam 21% do total dos principais produtos movimentados em 2010. Sua projeção para 2030 apresenta um aumento nesse percentual de participação, passando a compor 24% do total movimentado desses produtos.
A elevada demanda de produtos de cargas gerais e contêineres é justificada pelas características da área de influência da Hidrovia Paraná-Tietê, que é composta por regiões bastante desenvolvidas, com indústrias diversas de produtos manufaturados, de alta tecnologia e de maior valor agregado.
Produtos 2010 2015 2020 2025 2030
Carga geral 128.839.250 145.546.845 173.660.246 243.125.655 370.243.449
Petróleo e gás natural 96.077.889 103.017.375 106.077.165 98.283.480 121.484.330 Minerais não metálicos 61.973.355 76.297.336 91.846.352 125.255.806 199.173.133 Produtos da exploração florestal e da silvicultura 36.184.334 39.722.627 49.016.047 64.461.013 91.495.091 Produtos químicos inorgânicos 34.701.946 41.764.720 48.767.814 61.426.915 75.083.184 Óleos de milho, amidos e féculas vegetais e rações 25.542.947 34.038.304 41.342.589 57.669.384 97.832.915
Açúcar 24.307.466 28.095.279 39.849.794 47.546.749 53.630.085
Soja em grão 23.624.249 30.229.324 32.909.872 38.446.371 61.429.868 Outros produtos e serviços da lavoura 19.421.792 24.370.319 30.313.053 44.241.134 69.244.886 Óleo diesel 18.650.152 21.830.066 24.148.159 29.031.318 36.581.319 Cimento 18.587.883 20.961.582 24.923.141 29.725.582 38.647.079 Milho em grão 16.307.341 16.554.559 17.564.139 22.082.506 43.031.190 Óleo de soja em bruto e tortas, bagaços e farelo de soja 12.141.081 14.774.451 16.323.233 28.111.600 57.842.754 Gasoálcool 11.624.352 12.605.777 14.343.899 17.801.567 23.554.441 Leite de vaca e de outros animais 11.174.409 11.940.369 15.180.166 22.680.860 38.105.055 Outros produtos do refino de petróleo e coque 9.436.257 12.952.061 13.780.860 15.069.551 17.418.562 Minérios e metais 8.058.483 10.643.570 12.950.573 14.774.191 16.326.441 Adubos e fertilizantes 7.114.821 6.201.432 9.188.821 12.509.189 15.349.277 Óleo combustível 5.681.946 4.750.308 5.193.455 6.293.348 8.624.039 Derivados de ferro 5.449.969 6.891.298 8.478.815 9.557.823 10.173.682 Papel e celulose 5.204.576 4.937.490 6.133.616 7.541.827 9.266.554 Gasolina automotiva 4.566.762 4.456.549 4.889.474 6.345.519 9.729.758 Alimentos 4.301.245 4.296.286 6.136.402 7.185.626 7.539.916 Trigo em grão e outros cereais 3.090.203 2.937.032 3.009.378 3.010.453 3.010.467 Carne de aves 2.632.314 3.148.311 4.212.090 4.295.010 4.396.193 Suco de Laranja 1.942.705 2.437.079 2.716.920 2.703.477 2.780.867 Máquinas e Equipamentos 1.680.593 1.685.451 2.512.824 3.644.633 5.047.133 Café 1.415.529 1.084.493 1.098.187 1.100.930 1.101.161 Etanol 1.400.193 4.975.957 8.220.253 13.546.942 22.411.398 Produtos cerâmicos 1.305.881 1.489.938 2.033.688 2.555.397 2.749.780 Minério de ferro 1.274.417 1.580.321 1.564.084 1.613.440 1.639.441 Cereais 1.108.451 1.562.531 1.748.529 1.852.505 1.935.634 Madeira 942.846 1.469.177 1.675.097 1.674.715 1.714.304 Sal 874.567 1.055.293 1.123.681 1.206.826 1.316.873 Têxteis e calçados 834.065 1.268.058 1.699.215 2.118.452 2.604.056 Gás liquefeito de petróleo 681.203 786.869 963.283 1.345.194 2.007.959 Carne bovina 552.747 602.265 956.269 1.015.395 1.024.417 Total 608.708.218 702.960.701 826.551.187 1.050.850.382 1.525.546.691
Um resultado importante é a queda da participação da demanda de petróleo e gás natural na área de influência da hidrovia, o que pode estar relacionado à tendência de maior autonomia brasileira no ramo petrolífero nos próximos anos. É importante frisar que, apesar de reduzir sua participação relativa, a quantidade demandada aumenta.
Os minerais não metálicos, terceira principal carga da região de influência, ganham participação relativa, passando de 10%, em 2010, para 14% em 2030. Quase todos os produtos apresentam acréscimo de movimentação ao longo do período analisado, exceto o café e o trigo. Cabe ressaltar que o etanol, apesar de apresentar grande aumento em sua movimentação entre 2010 e 2030, apresenta pequena participação na quantidade total movimentada em 2030, cerca de 1%.
4.3 Resultados da alocação da carga total para a Hidrovia Paraná-Tietê
Os itens anteriores apresentaram a estimativa da projeção de demanda de carga para a Área de Influência da Hidrovia Paraná-Tietê - a qual é resultado da projeção do PNLT (interpolada e ajustada para os novos horizontes de planejamento) e de uma nova estimativa para a movimentação de cargas na denominada área contígua à hidrovia (obtida a partir de fluxos de comércio exterior).
A partir dessa movimentação total de carga na área de influência, o passo seguinte, em termos de perspectivas da hidrovia, é proceder à alocação da carga no modal mais eficiente, considerando a origem e o destino da carga. O capítulo 9 (Simulação dos Projetos) do Relatório de Metodologia relata o procedimento de carregamento da malha de transporte, o qual segue o princípio de minimização do custo logístico. De acordo com esse princípio, todas as cargas projetadas na área total de influência da Hidrovia Paraná-Tietê são alocadas ao modal mais eficiente do ponto de vista do custo logístico.
A Tabela 6 apresenta os resultados da alocação da projeção de demanda com a carga alocada na hidrovia durante a etapa de simulação. Tais resultados referem-se à movimentação total da Hidrovia Paraná-Tietê considerando os diferentes horizontes de planejamento. É importante notar que esta é a carga total transportada pela hidrovia em cada ano, independentemente da distância percorrida. Isto é, a carga alocada refere-se ao volume total transportado em toneladas indistintamente da origem e destino1. No capítulo 9 deste relatório serão apresentados os resultados de carregamento organizados por terminais, por grupo de produto e por trecho de hidrovia.
1Uma alternativa é ponderar o volume transportado pela distância percorrida e referir o resultado em tku