e de Mercados
12 de maio de 2014
Departamento de Estudos
Nos EUA, os dados divulgados durante a última semana parecem ter continuado a corroborar a tese da Fed de que o abrandamento económico em dezembro e janeiro se deveu, sobretudo, às condições meteorológicas adversas, pelo que a forte desaceleração da economia no 1ºT2014 terá sido pontual, daí que a autoridade monetária deva prosseguir, na próxima reunião (em junho) com a redução do ritmo de compras mensais de dívida pública e privada ligada ao imobiliário, para terminar este processo no final do ano, à medida que as expetativas de aceleração da economia e do emprego se forem materializando. Note-se que, num testemunho perante o Congresso, a Presidente da Fed reiterou que a condução da política monetária não está sujeita a nenhum calendário pré-definido, quer no que diz respeito à retirada de estímulos, quer relativamente à subida de taxas, estando antes condicionais à evolução da economia. O dado mais positivo conhecido durante a semana acabou por ser a subida do índice ISM Non-Manufacturing (NMI), que revelou que as condições no imenso setor não-transformador, continuaram a melhorar em abril, a um ritmo superior ao esperado e ao do mês anterior, aliviando em dois meses de mínimos desde fev-10 para máximos desde ago-13 e ficando praticamente alinhado com a mediana do anterior período de expansão. Tendo-se já observado na semana anterior uma aceleração do indicador análogo da indústria, o ISM Composite sugeriu uma aceleração em abril, com o ISM Composite – Production a sinalizar uma aceleração ainda superior do crescimento subjacente da economia, que passou do mais baixo desde jun-13 para o mais elevado desde ago-13, sinalizando um crescimento anualizado do PIB de 3.9% no 2ºT2014, prevendo-se que a economia cresça mais de 3%.
Na Zona Euro, o principal evento da semana foi a reunião de política monetária do BCE, não tanto pela apresentação de novas medidas – na verdade, não houve a esse nível qualquer novidade –, mas pela curiosidade de saber qual seria a reação e posicionamento da autoridade face aos recentes apelos da OCDE, que defendeu a necessidade de o BCE cortar a sua principal taxa de juro (a refi rate) para zero e mantê-la nesse nível por um longo período, defendendo, igualmente, a necessidade de medidas não convencionais se a inflação não recuperar ou se houver deflação. Apelos que, embora não fosse esse o nosso cenário central, poderiam ter motivado a tomada de medidas de política monetária adicionais na reunião da semana passada, mas com o BCE a optar por manter tudo na mesma, fazendo, contudo, questão de realçar a importância de contar com as perspetivas de médio prazo constantes nas próximas projeções macroeconómicas do seu staff (a divulgar aquando da reunião de junho) antes de avançar para eventuais novas medidas. Por detrás desta manutenção da política monetária, bem como sensivelmente do mesmo discurso da reunião anterior, deverá ter estado designadamente a valorização dos últimos dados sobre a inflação – que, como referido, revelaram uma reversão, em abril, da diminuição da inflação observada no mês anterior –, bem como sobre a atividade – que têm continuando a sustentar uma aceleração do crescimento económico na região no 1ºT2014 e na primeira metade do 2ºT2014.
Em
Portugal, em termos de divulgação de dados macroeconómicos, a semana ficou essencialmente marcada peladivulgação dos dados trimestrais do desemprego, publicados pelo INE, relativos ao 1ºT2014, que revelaram que a taxa de desemprego fixou-se nos 15.1%, diminuindo face aos 15.3% registados no 4ºT2013. Tratou-se do 4º desagravamento consecutivo, após 7 trimestres de subidas, com este comportamento da taxa de desemprego no 1ºT2014 a refletir uma diminuição do desemprego superior à do emprego, este um aspeto mais negativo, na medida em que traduz uma diminuição da população ativa. Estes dados continuam, ainda assim, a revelar-se animadores, levando- nos a rever em baixa as nossas previsões para a taxa de desemprego, apontando-se agora para uma taxa de desemprego de 14.9% para 2014, diminuindo face aos 16.2% observados em 2013, prevendo-se uma redução para cerca de 14.6% em 2015 (em ambos os casos, abaixo dos 15.4% e 14.8% recentemente previstos pelo Governo, no âmbito do Documento de Estratégia Orçamental para 2014-2018, apresentado em 30-abr). Na semana passada foram também divulgados importantes dados sobre a atividade económica, ainda referentes ao 1ºT2014, que revelaram leituras distintas, destacando-se, pela positiva, a diminuição do défice comercial de bens em março – de 843 milhões de euros (M€) para 779 M€ –, e, pela negativa, as quedas, também no derradeiro mês do trimestre, do volume de negócios nos serviços (-1.8% vs -2.0% no mês anterior) e da produção na construção (-3.1% vs +1.1% no mês anterior). Dados que continuaram a corroborar as nossas perspetivas para a evolução da atividade económica nesse trimestre, com o nosso indicador compósito para o PIB a permanecer a apontar grosso modo para uma estabilização no 1ºT2014 (+0.6% no 4ºT2013) – a estimativa inicial do PIB será conhecida esta 5ª feira –, com a procura interna a dever ter sido parcialmente condicionada pela entrada em vigor das medidas constantes no OE-2014 (a este fator junta-se o inverno anormalmente rigoroso, que terá afetado atividades como a pesca, a agricultura e a construção).
No Reino Unido, realizou-se mais uma reunião do Comité de Política Monetária (MPC) do Banco de Inglaterra (BoE), que não alterou a postura da sua política, como esperado, depois da revisão da forward guidance efetuada em fevereiro.
Continuamos a apontar para a 1ª subida de taxas apenas no início de 2015. Em termos de dados económicos foram
divulgados diversos indicadores, quer para o trimestre passado, quer para o atual, que vieram, por um lado, sugerir a
confirmação do crescimento do PIB do 1ºT2014 aquando da 2ª estimativa, e, por outro, sinalizar a manutenção do ritmo
de crescimento no 2ºT2014. Relativamente ao 1ºT2014, a produção na construção em março caiu 1.0% (consenso:
+0.6%), mas recaindo sob dados revistos em alta (em fevereiro, de -2.8% para -2.0%), pelo que o crescimento no 1ºT2014 foi de 0.6%, o dobro do divulgado pelo ONS na 1ª estimativa do PIB, mas sem impactos nos números do PIB a uma casa decimal. Ademais que, apesar de a produção industrial ter caído 0.1% em março e menos do que o esperado, apresentou um crescimento trimestral de 0.7%, inferior aos 0.8% divulgados na 1ª estimativa do PIB. Por outro lado, o défice comercial de bens e serviços ficou abaixo do esperado em março, depois de ter feito mínimos desde mar-11 em dez-13. Assim, no 1ºT2014 as exportações líquidas deverão ter apresentado um novo contributo positivo para o crescimento do PIB. Relativamente ao 2ºT2014, as vendas de carros caíram ligeiramente em abril (dados ajustados pelo Montepio), aliviando de um máximo desde dez-05, mas exibindo uma subida trimestral superior à observada no 1ºT2014, o que significa que o consumo privado deverá continuar a subir a bom ritmo. O indicador PMI Services subiu em abril, após 5 quedas consecutivas, continuando a dar conta de um forte crescimento, bem acima da tendência histórica e revelando-se – juntamente com os indicadores da indústria e da construção – consistente com uma subida de 1.2% do PIB no 2ºT2014 (acima do nosso cenário central: +0.8%, mais 0.1 p.p. do que anteriormente). Igualmente acima do nosso cenário central, mas dizendo respeito a um horizonte temporal diferente, refiram-se as estimativas do NIESR, que apontam para um crescimento em cadeia de 1.0% do PIB nos 3 meses terminados em abril, acima do observado no 1ºT2014 (+0.8%).
No Japão, foram divulgados poucos indicadores, tendo os movimentos sido mistos, mas continuando a emergir uma conclusão: depois de no 4ºT2013 a economia ter crescido apenas 0.2%, os indicadores para o 1ºT2014 sinalizam um ímpeto de crescimento superior àquelas que são as nossas perspetivas, sugerindo para o 2ºT2014 uma performance igualmente melhor do que a que perspetivamos, esperando-se uma retração da economia, em resultado do aumento do IVA no dia 1 de abril. Assim, o valor preliminar de março do indicador coincidente (COI) do ESRI apontou para uma subida face ao mês anterior, aproximando-se dos níveis de janeiro, quando atingiu máximos desde fev-08, sinalizando um acréscimo trimestral do PIB de 1.3% no 1ºT2014, acima do nosso intervalo de previsão, entre 0.8% e 1.2%.
Efetivamente, no 1ºT2014 a economia japonesa terá continuado a ser apoiada pela recuperação do setor industrial exportador, mas com crescimentos também nos serviços privados. Em termos de componentes da procura, a atividade terá sido impulsionada sobretudo pelo crescimento do consumo, em antecipação ao referido aumento da taxa do IVA.
Olhando para o 2ºT2014, o valor preliminar de março do indicador avançado do ESRI (LEI) veio apontar para uma descida, a 2ª consecutiva, após 5 subidas, passando em dois meses de máximos desde mai-06 para mínimos desde mar- 13, ainda assim sinalizando um crescimento do PIB de 0.3% no 2ºT2014, contrastando com a nossa previsão de uma queda entre 0.3% e 0.7%. Por sua vez, o índice de atividade dos serviços (PMI Services) desceu em abril de 52.2 para 46.4 pontos, a 3ª queda em 4 meses, ficando em mínimos desde set-11 e regressando a terreno negativo pela 2ª vez em 3 meses, refletindo também a subida do IVA. A descida do PMI Services veio juntar-se à queda da componente de produção do PMI Manufacturing, pelo que o PMI Compósito desceu de 52.8 para 46.3 pontos. Os registos médios ao longo do 1ºT2014 sinalizam um crescimento do PIB de 1.1% e para o 2ºT2014 uma queda de 0.2%, em ambos os casos mais otimistas que o nosso cenário: entre 0.8% e 1.2% no 1ºT2014 e entre -0.3% e -0.7% no 2ºT2014.
Nos
Mercados Financeiros, a semana revelou novamente uma evolução mista do sentimento global de mercado,refletindo dados económicos igualmente mistos e a ausência de grandes desenvolvimentos ao nível da crise entre a Ucrânia e a Rússia, num contexto de um novo alívio na pressão sobre os periféricos, de um ligeiro adensar das surpresas positivas na 5ª semana de Época de Resultados nos EUA e da manifestação de disponibilidade do BCE para um aumento dos estímulos monetários em junho, esta última com naturais impactos ao nível cambial e no mercado monetário.
Analisando os movimentos nos mercados financeiros, observou-se, tal como na semana passada, um comportamento
misto do sentimento de mercado, que se refletiu em movimentos igualmente mistos, mas tendencialmente ascendentes,
nas classes de ativos de risco. Este comportamento foi visível designadamente nas ações, onde se registaram
movimentos mistos, inclusivamente nos índices americanos, onde o índice americano S&P 500 desceu ligeiramente,
corrigindo de máximos históricos, mas com o Dow Jones a atingir novos máximos históricos. Também na Europa não foi
visível uma tendência, com uma queda ligeira no Reino Unido e uma subida (também ligeira) nas ações das principais
empresas da Zona Euro (Eurostoxx 50), ao passo que, na Ásia, as ações indianas atingiram novos máximos históricos,
mas as japonesas e chinesas caíram. Os spreads da dívida periférica prosseguiram o movimento descendente,
destacando-se a descida na dívida irlandesa, com a pressão sobre a dívida privada a aliviar também ligeiramente,
acompanhando as subidas na maioria das ações europeias e a referida continuação da redução da pressão sobre os
periféricos. No mercado cambial, a taxa de câmbio efetiva nominal do euro caiu, depois de ter estabilizado na semana
anterior, devendo ter sido essencialmente prejudicada pelo facto do Presidente do BCE ter admitido o lançamento de
novos estímulos monetários em junho. As yields da dívida de referência evidenciaram uma tendência de subida nos
prazos mais longos na Alemanha e nos EUA, mas acabando por cair nos prazos mais curtos nos EUA, ao passo que, no
MMI, as Libor do dólar mantiveram-se em mínimos históricos, com as taxas a 12 meses a fazerem mesmo novos
mínimos, tendo as Euribor descido nos prazos de 6 a 12 meses, confirmando o regresso aos movimentos descendentes
da semana anterior e refletindo, novamente, uma diminuição das expectativas em relação às taxas de juro. Por último,
as commodities apresentaram também comportamentos mistos entre a maioria das principais classes, mas com as
quedas nos metais preciosos e nas energéticas a determinarem as descidas nos índices compósitos CRB Index e GSCI
S&P, que caíram pela 3ª semana consecutiva.
Indicadores Anunciados na Semana Passada
Fonte: Thomson Reuters.; Legenda: nsa - não ajustado de sazonalidade; sa - ajustado de sazonalidade; wda - ajustado de dias úteis; saar - taxa anualizada ajustada de sazonalidade; WoW - variação semanal; MoM - variação mensal; QoQ - variação trimestral; YoY - variação homóloga; mm3m - média móvel 3 meses.
Indicadores Anunciados na Semana Passada
País Data Evento Período Consenso Actual Anterior Revisão
Portugal 08-maiVendas Industriais nsa (MoM) Mar -- 6.10% -2.40% -1.90%
Vendas Industriais nsa (YoY) Mar -- 0.30% -0.60% 0.10%
09-maiBalança C omercial (EUR) Mar -- -779M -794M -843M
Produção na C onstrução sa (mm3m/MoM) Mar -- -1.5% -1.3% --
Produção na C onstrução sa (mm3m/YoY) Mar -- -12.9% -13.7% -13.1%
Taxa Desemprego nsa 1Q -- 15.10% 15.30% --
Volume de Negócios nos Serviços (MoM) Mar -- -1.8% -1.7% -2.0%
Volume de Negócios nos Serviços (YoY) Mar -- -4.2% -1.0% -1.1%
Espanha 06-maiPMI C omposite Apr -- 56.3 54.2 --
PMI Services Apr 54.2 56.5 54 --
Variação Desemprego (milhares) Apr -51 -111.6 -16.6 --
08-maiProdução Industrial nsa (YoY) Mar 2.00% 8.10% 3.10% 2.70%
Produção Industrial sa Wda (YoY) Mar 1.60% 0.60% 2.80% 2.50%
Alemanha 06-maiPMI C omposite Apr F 56.3 56.1 56.3 --
PMI Services Apr F 55 54.7 55 --
07-maiEncomendas Industriais nsa (YoY) Mar 4.30% 1.50% 6.10% 6.50%
Encomendas Industriais sa (MoM) Mar 0.30% -2.80% 0.60% 0.90%
08-maiProdução Industrial nsa wda (YoY) Mar 4.40% 3.00% 4.80% 4.70%
Produção Industrial sa (MoM) Mar 0.20% -0.50% 0.40% 0.60%
09-maiBalança C omercial (EUR) Mar 17.4B 16.4B 16.3B 16.2B
Exportações sa (MoM) Mar 1.30% -1.80% -1.30% --
Importações sa (MoM) Mar 0.60% -0.90% 0.40% --
França 06-maiPMI C omposite Apr F 50.5 50.6 50.5 --
PMI Services Apr F 50.3 50.4 50.3 --
07-maiBalança C omercial (EUR) Mar -4650M -4937M -3368M -3771M
Indústria Transf (MoM) Mar 0.10% -0.70% 0.30% --
Produção Industrial (MoM) Mar 0.30% -0.70% 0.10% --
Itália 06-maiPMI C omposite Apr -- 52.6 51.1 --
PMI Services Apr 50.5 51.1 49.5 --
09-maiProdução Industrial sa (MoM) Mar 0.30% -0.50% -0.50% -0.40%
Produção Industrial wda (YoY) Mar 1.30% -0.40% 0.40% --
Zona Euro 05-maiIPP (MoM) Mar -0.20% -0.20% -0.20% --
IPP (YoY) Mar -1.70% -1.60% -1.70% --
Sentix - C onfiança do Investidor MAY 14.3 12.8 14.1 --
06-maiPMI C omposite Apr F 54 54 54 --
PMI Services Apr F 53.1 53.1 53.1 --
Vendas a Retalho - reais sa (MoM) Mar -0.20% 0.30% 0.40% 0.10%
Vendas a Retalho - reais wda (YoY) Mar 1.00% 0.90% 0.80% 1.00%
08-maiBC E - Decisão sobre Taxa de Juro May 8 0.25% 0.25% 0.25% --
BC E - taxa de facilidade de depósitos May 8 0.00% 0.00% 0.00% --
BC E - Taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez May 8 0.75% 0.75% 0.75% --
R. Unido 06-maiPMI C omposite Apr -- 59.2 57.6 57.8
PMI Services Apr 57.8 58.7 57.6 --
07-maiRegistos Automóveis (YoY) Apr -- 8.20% 17.70% --
08-maiBOE Asset Purchase Target MAY 375B 375B 375B --
Preços Habitação - Halifax (mm3m/YoY) Apr 9.10% 8.50% 8.70% --
Preços Habitação - Halifax sa (MoM) Apr 0.90% -0.20% -1.10% -1.20%
Preços Habitação - RIC S (Survey) Apr 55% 54% 57% --
Reunião do Banco de Inglaterra - Decisão de taxa de juro May 8 0.50% 0.50% 0.50% --
09-maiBalança C omercial de Bens (Visible) Mar -£9000 -£8478 -£9094 -£8749
Balança C omercial exc UE GBP/Mn Mar -£3000 -£3190 -£2919 -£2870
Balança C omercial Total (milhões GBP) Mar -£2000 -£1284 -£2058 -£1713
NIESR - Estimativa do PIB (QoQ) Apr -- 1.00% 0.90% 0.80%
Produção Industrial (MoM) Mar -0.20% -0.10% 0.90% 0.80%
Produção Industrial (YoY) Mar 2.40% 2.30% 2.70% 2.50%
Produção na C onstrução SA (MoM) Mar 0.60% -1.00% -2.80% -2.00%
Produção na C onstrução wda (YoY) Mar 7.10% 6.40% 2.80% 3.90%
EUA 05-maiISM C omposite Apr -- 55.2 53.2 --
ISM Non-Manufacturing Apr 54 55.2 53.1 --
PMI C omposite (Markit) Apr F -- 55.6 54.9 --
PMI Services (Markit) Apr F 54.5 55 54.2 --
Sentix - C onfiança do Investidor MAY -- 24.5 27.4 - -
06-maiBalança C omercial Mar -$40.0B -$40.4B -$42.3B -$41.9B
IBD/TIPP - Índice Otimismo Económico MAY 47.9 45.8 48 --
07-maiC rédito C onsumo Mar $15.500B $17.529B $16.489B $12.986B
C ustos do Trabalho (QoQ Anualizado) 1Q P 2.80% 4.20% -0.10% -0.40%
Produtividade por hora exc agric (QoQ) - Anualizada 1Q P -1.20% -1.70% 1.80% 2.30%
08-maiC onfiança do C onsumidor (Bloomberg; anterior ABC ) May 4 -- 37.1 37.9 --
Pedidos Subsídio de Desemprego - Acumulado Apr 26 2758K 2685K 2771K 2761K
Pedidos Subsídio de Desemprego - Novos May 3 325K 319K 344K 345K
09-maiOfertas de Empregos Mar 4125 4014 4173 4125
Stocks Grossistas (MoM) Mar 0.50% 1.10% 0.50% 0.70%
Vendas Grossistas (MoM) Mar 1.10% 1.40% 0.70% 0.90%
Japão 07-maiPMI C omposite Apr -- 46.3 52.8 --
PMI Services Apr -- 46.4 52.2 --
09-maiIndicador Avançado Mar P 106.7 106.5 108.9 108.7
Indicador C oincidente Mar P 114 114 113 112.9
Brasil 06-maiIPP - Ind. Transformadora (YoY) Mar -- 7.96% 8.24% --
PMI C omposite Apr -- 49.9 51 --
PMI Services Apr -- 50.4 51 --
07-maiC ommodity Price Index (YoY) Apr 17.50% 16.99% 17.70% --
Produção Industrial nsa (YoY) Mar -3.00% -0.90% 5.00% 4.40%
Produção Industrial sa (MoM) Mar -2.40% -0.50% 0.40% 0.00%
08-maiUtilização C apacidade Instalada Mar -- 80.90% 82.60% 81.90%
09-maiExportação de Veículos Apr -- 36735 23408 23592
IPC A - IBGE (MoM) Apr 0.79% 0.67% 0.92% --
IPC A - IBGE (YoY) Apr 6.41% 6.28% 6.15% --
Produção de Veículos Apr -- 277091 271217 272803
Vendas de Veículos Apr -- 293240 240808 --
China 03-maiPMI Non-Manufacturing (Oficial) Apr -- 54.8 54.5 --
05-maiPMI Manufacturing - HSBC Apr F 48.4 48.1 48.3 --
07-maiPMI C omposite Apr -- 49.5 49.3 --
PMI Services Apr -- 51.4 51.9 --
08-maiBalança C omercial - USD Apr $16.70B $18.46B $7.71B $7.70B
Exportações (YoY) Apr -3.00% 0.90% -6.60% --
Importações (YoY) Apr -2.10% 0.80% -11.30% --
09-maiIPC (YOY) Apr 2.10% 1.80% 2.40% --
IPP (YoY) Apr -1.90% -2.00% -2.30% --
Rússia 05-maiPMI Manufacturing Apr 48 48.5 48.3 --
06-maiIPC (MoM) Apr 0.90% 0.90% 1.00% --
IPC (YOY) Apr 7.30% 7.30% 6.90% --
IPC (YTD YoY) Apr 3.20% 3.20% 2.30% --
IPC C ore (MoM) Apr 0.80% 0.90% 0.80% --
IPC C ore (YoY) Apr 6.40% 6.50% 6.00% --
07-maiPMI C omposite Apr -- 47.6 47.8 --
PMI Services Apr 48.8 46.8 47.7 --
Índia 06-maiPMI C omposite Apr -- 49.5 48.9 --
PMI Services Apr -- 48.5 47.5 --
09-maiExportações (YoY) Apr -- 5.30% -3.10% --
Importações (YoY) Apr -- -15.00% -2.10% --
Venda de C arros Indianos Apr -- 135433 171489 --
EUA – Indicadores ISM sinalizaram acelerações da atividade em abril, corroborando a tese de que o abrandamento da economia no início do ano terá resultado de condições meteorológicas adversas…
Confiança fora da indústria transformadora subiu para máximos desde ago-13…
Os dados divulgados durante a última semana parecem ter continuado a corroborar a tese da Fed de que o abrandamento económico em dezembro e janeiro se deveu, sobretudo, às condições meteorológicas adversas, pelo que a forte desaceleração da economia no 1ºT2014 terá sido pontual, daí que a autoridade monetária deva prosseguir, na próxima reunião (em junho) com a redução do ritmo de compras mensais de dívida pública e privada ligada ao imobiliário, para terminar este processo no final do ano, à medida que as expetativas de aceleração da economia e do emprego se forem materializando. Note-se que, num testemunho perante o Congresso, a Presidente da Fed reiterou que a condução da política monetária não está sujeita a nenhum calendário pré-definido, quer no que diz respeito à retirada de estímulos, quer relativamente à subida de taxas, estando antes condicionais à evolução da economia.
Na realidade, mesmo no
1ºT2014, tinham sido visíveisleituras dos indicadores compósitos e de confiança relativamente robustas e sugerindo mesmo uma aceleração do crescimento, mas tendo a economia acabado por crescer uns meros 0.1% anualizados (devido justamente ao mau tempo). Refira-se que os dados de março da
balança comercial revelaram uma descida,aproximando-se dos mínimos de 4 anos registados em nov-13, sugerindo que o contributo das exportações líquidas para o crescimento do PIB do 1ºT2014 possa ser menos negativo (entre +0.1 p.p. e +0.3 p.p.) do que o estimado aquando da 1ª estimativa do PIB. Por sua vez, os dados de março dos stocks também sinalizam um menor contributo negativo da variação de existências, o que significa que o PIB poderá ter crescido entre 0.3% e 0.7%
no 1ºT2014.
Relativamente ao
mercado de trabalho, depois doemprego no setor privado em abril ter acelerado, a descida na última semana dos
novos pedidos de subsídio de desemprego, aproximando-se dos mínimos desde mai-07registados 4 semanas antes, sinaliza uma criação do emprego em maio entre 200 e 220 mil (setor privado), pelo que no 2ºT2014 a criação de empregos deverá ultrapassar os 600 mil pela 1ª vez em 4 trimestres e poderá atingir os 700 mil. Refira-se também que as
ofertas de emprego desceram em março, mas depois deno mês anterior se terem situado grosso modo num máximo desde jan-08, tendo a sua média móvel de 3 meses subido e se aproximado dos máximos desde mar-08 observados em nov-13.
Entre os indicadores qualitativos, o
sentimento dos investidores (Sentix) desceu em maio pela 3ª vez nosúltimos 4 meses, mas permanecendo ainda próximo do máximo desde fev-04 com que iniciou o ano e sinalizando pelo 19º mês um crescimento da economia americana acima da sua tendência histórica.
Ao nível da
confiança dos consumidores, já foramconhecidos 3 dos 5 indicadores que monitorizamos, com as indicações a serem mistas (queda do indicador da
IBD eda
Bloomberg; subida do índice da RBC), mas, emmédia, negativas, ainda que se perspetive que na
confiança dos consumidores, recuperando finalmente da queda do 4ºT2013, acompanhando a esperada aceleração da economia e do emprego. Efetivamente, no
1ºT2014, onosso
indicador compósito para a confiança dos consumidoresobtido através da média ponderada dos 5 principais indicadores de confiança dos consumidores – sinalizava um crescimento anualizado de 2.5% do consumo, mas este acabou por crescer 3.0%. Para o
2ºT2014, o indicador sinaliza um crescimento de 2.7%,mas prevendo-se que o consumo cresça novamente na ordem dos 3%, apontando-se para um crescimento entre 2.6% e 3.4%, com o centro do intervalo de previsão a situar-se acima da média dos crescimentos trimestrais de 2013 (+2.3%) e em linha com a mediana dos crescimentos dos últimos 40 anos (+3.0%).
-10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8
36 40 44 48 52 56 60 64 68 72
1994:
Q2 1996:
Q2 1998:
Q2 2000:
Q2 2002:
Q2 2004:
Q2 2006:
Q2 2008:
Q2 2010:
Q2 2012:
Q2 2014:
Q2
PIB - QoQ Anualiz. (esc. esq.)
ISM Comp. Prod. - Quarterly Average (esc.dir.) EUA - PIB (QoQ) Anualized vs ISM Composite Production
Previsão - 2Q14 YoY:2.7/QoQ Anz:3.9
Un: % Un: Indice
O dado mais positivo conhecido durante a semana acabou
por ser a subida do índice
ISM Non-Manufacturing(NMI), que revelou que as condições no imenso setor não-
transformador, continuaram a melhorar em abril, a um
ritmo superior ao esperado e ao do mês anterior, aliviando
em dois meses de mínimos desde fev-10 para máximos
desde ago-13 e ficando praticamente alinhado com a
mediana do anterior período de expansão. Tendo-se já
observado na semana anterior uma aceleração do
indicador análogo da indústria, o ISM Composite sugeriu
uma aceleração em abril, com o
ISM Composite – Production a sinalizar uma aceleração ainda superior docrescimento subjacente da economia, que passou do mais
baixo desde jun-13 para o mais elevado desde ago-13,
sinalizando um crescimento anualizado do PIB de 3.9% no
2ºT2014, prevendo-se que a economia cresça mais de 3%,
beneficiando do efeito de comparação com o 1ºT2014,
quando a atividade foi prejudicada pelo mau tempo,
continuando ainda condicionada pelos efeitos dos cortes na
despesa pública. Em dez-13 houve um acordo orçamental
entre Democratas e Republicanos, pelo que se espera uma
continuação da melhoria da confiança dos agentes
económicos e uma aceleração do emprego. O contexto
internacional tem vindo a apresentar-se cada vez menos
adverso, estimando-se uma recuperação do contributo das
exportações líquidas, que no 1ºT2014 foi negativo. O
contributo da variação de existências deverá deixar de
penalizar a atividade económica. O consumo privado
deverá, como referido, manter grosso modo o crescimento
na ordem dos 3%. Já o investimento em capital fixo deverá
regressar ao crescimento, esperando-se uma subida do
investimento em equipamentos e em construção
residencial, e uma aceleração da construção não
Aconteceu na semana passada… nos EUA Emprego
O número de novos pedidos de subsídio de desemprego desceu mais do que o esperado na semana terminada em 3 de maio, de 345 mil para 319 mil (consenso:
325 mil), aproximando-se do registo observado 4 semanas antes, quando desceu para um nível mínimo desde mai-07 (meio ano antes do início da última recessão).
Note-se que os pedidos de subsídio de desemprego são bastante voláteis, pelo que importa olhar para a média móvel de 4 semanas (mm4s), que já mesmo no final de 2012 apresentava leituras consistentes com os fundamentos económicos e que subiu pela 3ª semana consecutiva, mas permaneceu próximo dos 312 mil registados 3 semanas antes, que são um mínimo desde out-07. Ao subir de 320 mil para 325 indivíduos, a variável alargou ligeiramente a distância face à barreira psicológica dos 300 mil, sinalizando uma criação de postos de trabalho no setor privado entre 200 e 220 mil em maio, valores inferiores aos 273 mil criados em abril (o total do emprego não-agrícola subiu igualmente 288 mil naquele mês).
Importa contudo ter em mente que os novos pedidos de subsídio de desemprego refletem sobretudo os despedimentos, sendo que ao nível das contratações os dados têm-se revelado mais fracos. O último dado quantitativo disponível revelou que no trimestre terminado em março as ofertas de emprego subiram para muito perto do máximo desde mar-08 registado em nov-13.
A fraca criação de empregos em janeiro (+144 mil), acabou por ser determinante para que se observasse um abrandamento no 1ºT2014 (+569 mil), ficando, assim, aquém dos 600 mil. Em todo o caso, pelo 6º trimestre consecutivo, a criação de empregos situou-se acima da média durante os dois anteriores períodos de expansão (+503 mil), esperando-se que no 2ºT2014 esse valor seja batido. Note- se que caso em maio e junho a criação de empregos fosse idêntica à de abril – uma hipótese que nos parece neste momento demasiado otimista –, no trimestre seriam criados 864 mil empregos, ao maior ritmo desde o 1ºT2006. Em todo o caso, um valor na ordem dos 700 mil parece agora atingível, ademais que os novos pedidos de subsídio de desemprego sinalizam uma criação de empregos superior a 200 mil.
Apesar de, como referido anteriormente, a criação de postos de trabalho nos últimos trimestres ser consistente com crescimentos razoáveis do PIB, trata-se de crescimentos do emprego moderados (ainda que as perspetivas sejam de que no atual trimestre esse ritmo já seja relativamente robusto) comparativamente a outros períodos de expansão e, sobretudo, comparativamente à velocidade da perda de empregos registada durante a Grande Recessão. Este facto acaba assim por continuar a corroborar a manutenção de estímulos por parte da Fed, não obstante a autoridade ter vindo em 30-abr, pela 4ª reunião consecutiva, anunciar que irá continuar a reduzir ligeiramente o ritmo de compras mensais de dívida pública e de dívida privada, em resultado dos sinais de aceleração da atividade económica e da redução do desemprego. Os comunicados da Fed têm considerado que o abrandamento da economia e do emprego no início do ano se deve ao mau tempo – sendo que este relatório do emprego corrobora essa tese –, pelo que a Fed deverá prosseguir com a redução das compras mensais de dívida na reunião de junho, devendo terminar o processo no final de 2014, à medida que ao longo do ano vários dos objetivos forem sendo alcançados. Durante a conferência de imprensa da penúltima reunião, a Presidente da Fed referiu que a primeira subida de taxa poderá ocorrer cerca de 6 meses depois do programa de compra de dívida estar concluído, ou seja, a primeira subida poderá vir a ocorrer entre abril e junho de 2015 (no pressuposto que a Fed deixa de comprar divida a partir de outubro ou dezembro deste ano). Estas declarações de Yellen assustaram os mercados (que esperavam uma subida um pouco mais tarde), mas acabam por ser consistentes com o facto da maioria dos responsáveis da Fed esperarem agora que a taxas dos fed funds feche 2015 em 1.00%, o que pressupõe 3 subidas de taxas de 0.25%.
Em todo o caso, entretanto, Yellen salientou que não existe nenhum calendário para a retirada de estímulos e para a subida de taxas, estão condicionais à evolução da economia.
Em março, as ofertas de emprego dos empregadores americanos desceram, passando de 4.125 milhões (valor revisto em baixa dos anteriores 4.173 milhões) para 4.014 milhões de empregos disponíveis (consenso: 4.125 milhões), grosso modo aliviando de um máximo desde jan-08, permanecendo pelo 34º mês consecutivo acima do limiar dos 3 milhões, valores que, desde nov-08, apenas tinham sido ultrapassados em mar-11, fev-11 e abr-10. Também a média móvel de três meses das ofertas de emprego, uma medida menos volátil, registou uma ligeira subida, aproximando-se dos máximos desde mar-08 observados em nov-13.
Note-se que o registo de março do índice relativo às vagas por preencher no indicador de confiança das pequenas empresas (SBOI) sinalizava uma descida superior das ofertas de emprego no mês.
Em março, a taxa de ofertas de emprego desceu de 2.9% para 2.8%, aliviando de um máximo desde jan-08. Refira-se que, segundo o mesmo relatório, o número de contratações desceu de 4.699 para 4.625 milhões, permanecendo, assim, bem abaixo dos 5.0 milhões de dez-07. O número de indivíduos que se desvincularam da entidade patronal, voluntariamente ou não, registou também um decréscimo, de 4.459 para 4.431 milhões. Continua a existir, assim, uma elevada incongruência entre a oferta e a procura de trabalho, que, na opinião de alguns responsáveis da Fed, terá que ser combatida com medidas de estímulo orçamental e não apenas através da política monetária. De facto, a taxa de desemprego, já disponível para o mês de abril, até desceu de 6.7% para 6.3%, um mínimo desde set-08, encontrando-se, ainda assim, num valor acima do nível sugerido pela sua relação histórica com a taxa de ofertas de emprego (5.9%).
24 28 32 36 40 44 48 52 56 60
64 280
320 360 400 440 480 520 560 600 640 680
2004 :05
2005 :05
2006 :05
2007 :05
2008 :05
2009 :05
2010 :05
2011 :05
2012 :05
2013 :05
2014 :05
Índice Regionais de Emprego - média 7 (esc. esq.)
Novos Pedidos Subsídio Desemprego - Média 4 Semanas (esc. dir.) EUA - Índice Regionais de Emprego vs Pedidos Semanais
Un: Índice Un: Milhares (escala invertida)
-1,200 -1,000 -800 -600 -400 -200 0 200 400 600
800 280
320 360 400 440 480 520 560 600 640 680
2004:
05 2005:
05 2006:
05 2007:
05 2008:
05 2009:
05 2010:
05 2011:
05 2012:
05 2013:
05 2014:
05
Variação do Emprego Não-Agrícola
Pedidos Subs. Desemprego - MM 4 Semanas - esc dir. e invertida EUA - Variação do Emprego Não-Agrícola vs Pedidos Semanais
Un: 10^3 Empregos Un: 10^3 Empregos
3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
13 1.4
1.6 1.8 2.0 2.2 2.4 2.6 2.8 3.0 3.2 3.4
2004:04 2005:04
2006:04 2007:04
2008:04 2009:04
2010:04 2011:04
2012:04 2013:04
2014:04 Taxa de Desemprego (esc. esq.)
Taxa de Empregos Oferecidos (esc. dir.) EUA - Desemprego vs Empregos Oferecidos
Un: % Un: % (escala invertida)
Confiança dos Consumidores
O indicador de confiança dos consumidores divulgado pela IBD/TIPP desceu em maio 2.2 pontos, para 45.8 pontos, quando as expetativas do mercado eram apenas de uma queda marginal (consenso: 47.9 pontos), contabilizando apenas 2 decréscimos em 6 meses, corrigindo de um máximo desde jun-13. Recorde-se que no mês anterior o indicador tinha finalmente recuperado da descida de 7.6 pontos registada em out-13, provocada pelo impasse negocial no Congresso, quando caiu para um mínimo desde ago- 11 (justamente o mês em que os EUA estiveram à beira de entrar em incumprimento devido ao impasse relativamente ao aumento do teto de endividamento do Governo americano). O indicador da IBD/TIPP continua a ser, de entre aqueles que monitorizamos, o que revela um maior pessimismo, sinalizando uma subida do consumo a um ritmo anualizado de 1.6% no mês (+2.0% no mês anterior), aquém do crescimento de 2.4% que o conjunto dos demais indicadores que seguimos sinalizava para abril. O índice da IBD ficou 3.5 pontos abaixo da sua média histórica de 49.3 pontos, mas 0.9 pontos acima da sua média de 12 meses (44.9 pontos) e agora 1.4 pontos acima da leitura de 44.4 pontos de dez-07, quando a economia entrou em recessão. Tratou-se do 19º registo consecutivo abaixo do limiar do otimismo (50 pontos), de resto, algo que tem sido a norma desde set-09, com apenas 4 exceções (duas no início de 2011 e outras em setembro e outubro passados). Observaram-se descidas nas suas 3 componentes, mas em nenhum dos casos anulando a subida do mês anteriores. A relativa às expectativas sobre a evolução da economia corrigiu de um máximo desde set-13, afastando-se, assim, do registo de jun-13, quando estava em máximos desde out-12, situando-se pela 10ª vez consecutiva abaixo da sua média histórica. Esta componente ficou agora um pouco mais perto do mínimo desde ago-11 observado em out-13. O índice referente às expetativas sobre as finanças pessoais anulou ¾ da forte subida do mês anterior, mas sendo aquele que em termos acumulados mais tinha subido nos 6 meses anteriores, tendo então recuperado nesse período de mínimos desde ago-11 para máximos desde out-12, permanecendo em maio em níveis normalmente compatíveis com acréscimos do consumo privado, mas voltando a ficar aquém da média histórica, pela 10ª vez em 11 meses (a exceção foi em abril). O indicador relativo às políticas públicas corrigiu de um máximo desde jan-13, aproximando-se dos mínimos desde ago-11 observados em out-13). Refira-se que, pela 3ª vez em 4 meses (abril foi a exceção), excluindo esta componente, o indicador da IBD situa-se abaixo do limiar do otimismo.
O indicador de confiança dos consumidores divulgado pela Bloomberg desceu no 1º registo semanal de maio, de 37.9 para 37.1, após 3 subidas consecutivas, corrigindo de um máximo desde os 38.3 pontos registados na última semana de jul-13, quando se situou no valor mais elevado desde jan-08, no início da anterior recessão. Em termos médios mensais, observa-se também um decréscimo, mas anulando menos de 1/3 da subida do mês anterior, fazendo uma pausa no movimento de recuperação dos mínimos desde out-12 registados em out-13 e que culminaram em abril no nível mais elevado desde dez-07. Verificam-se descidas nas suas 3 componentes, com apenas a relativa ao estado da economia a anular a subida do mês anterior. A relativa à predisposição para consumir está a descer após 3 subidas consecutivas, aliviando de um máximo desde out-07. O índice relativo ao estado da economia está a aliviar de um máximo desde jul-13 (mês em que atingiu o nível mais elevado desde jan-08) e aproximando-se ligeiramente dos mínimos desde set-12 registados em out-13. O indicador referente às finanças pessoais está a corrigir de um máximo desde mar-08, tendo, em 2013, sido condicionado pelos aumentos de impostos que entraram em vigor em jan-13 (em resultado do acordo entre Democratas e Republicanos) e, a partir de meados desse ano, penalizado pela subida das taxas de juro de longo prazo de referência para as hipotecas.
O indicador da RBC subiu pela 4ª vez em 6 meses, aproximando-se da leitura de março, que juntamente com o de junho, consiste no valor mais elevado desde dez-07, ou seja, uns meses antes de ser conhecida a falência da Lehman Brothers.
Indicador compósito
O índice da IBD foi o 3º indicador a ser conhecido para o mês de maio, com as indicações a serem mistas (queda do indicador da IBD e da Bloomberg; subida do índice da RBC), mas, em média, negativas, ainda que se perspetive que na totalidade do 2ºT2014 se observe uma nova melhoria da confiança dos consumidores, recuperando finalmente da queda do 4ºT2013, acompanhando a esperada aceleração da economia e do emprego.
Recorde-se que em abril o nosso indicador compósito para a confiança dos consumidores americanos – obtido através da média ponderada dos 5 principais indicadores de confiança dos consumidores – registou a 2ª subida consecutiva e a 5ª em 6 meses, atingindo máximos desde jun-13, que, por sua vez, é o valor mais elevado desde o início do outono de 2007.
Cenário para o consumo
No 1ºT2014, o nosso indicador compósito para a confiança dos consumidores sinalizava um crescimento anualizado de 2.5% do consumo, mas este acabou por crescer 3.0%.
Para o 2ºT2014, o indicador sinaliza um crescimento de 2.7%, mas prevendo-se que o consumo cresça novamente na ordem dos 3%, apontando-se para um crescimento entre 2.6% e 3.4%, com o centro do intervalo de previsão a situar-se acima da média dos crescimentos trimestrais de 2013 (+2.3%) e em linha com a mediana dos crescimentos
-8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10
75 80 85 90 95 100 105 110 115 120
1994:Q2 1996:Q2
1998:Q2 2000:Q2
2002:Q2 2004:Q2
2006:Q2 2008:Q2
2010:Q2 2012:Q2
2014:Q2 Consumption - QoQ Anualiz. (esc. esq.)
Consumer Confidence - Quarterly Average (esc. dir.) EUA - Consumo Anualisado (QoQ) vs Conf. Consumidor Composite
Previsão - 2Q14 YoY:2.7/QoQ Anz:2.7
Un: % Un: Indice
50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100
-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6
2004:
04 2005:
04 2006:
04 2007:
04 2008:
04 2009:
04 2010:
04 2011:
04 2012:
04 2013:
04 2014:
04
Confiança do Consumidor Uni. Michigan - (esc. esq.) Consumo Privado (YoY) (esc. dir.)
EUA - Confiança e Consumo Privado
Un: Índice Un: %
Ind. Confiança Abr-14 Mai-14 Abr-14 Mai-14
Conference Board 82.3 - -1.6 -
Bloomberg 37.9 37.1 2.9 -0.8
IBD 48.0 45.8 2.9 -2.2
Michigan 84.1 - 4.1 -
RBC 50.0 50.1 -1.8 0.1
Valor Variação EUA - Indicadores de Confiança dos Consumidores
20 30 40 50 60 70 80 90 100
35.0 37.5 40.0 42.5 45.0 47.5 50.0 52.5 55.0
2011:08 2011:11
2012:02 2012:05
2012:08 2012:11
2013:02 2013:05
2013:08 2013:11
2014:02 2014:05 Conf. Board (esc. esq.) Univ. Michigan (esc. esq.) IBD/TIPP (esc. esq.) Bloomberg (esc. dir.)
EUA - Confiança dos Consumidores
Un: Índice Un: Índice
Investimento Empresarial em Stocks
Os stocks dos grossistas registaram em março uma subida de 1.1%, superando as expetativas do mercado (consenso: +0.5%) e o crescimento do mês anterior (+0.7%, valor revisto em alta em 0.2 p.p.), tratando-se da 9ª subida consecutiva depois de 3 meses a cair, com os stocks a baterem novos níveis máximos históricos, prosseguindo com a tendência de subida iniciada em dez-09. Em março as vendas recuperaram finalmente da queda de janeiro, pelo que a performance acumulada dos stocks e das vendas nos últimos meses continua a revelar-se consistente com progressivas subidas nos stocks.
Em termos médios, no 1ºT2014, os stocks dos grossistas apresentaram um acréscimo nominal superior ao observado no 4ºT2013, algo que não se observava antes do registo de março. Em termos reais também se terá observado um crescimento superior, contrariamente ao que deverá ter sucedido no conjunto das diversas categorias de existências. Em todo o caso, estes dados dos stocks dos grossistas concorrem para uma revisão em alta do contributo negativo da variação de existência (entre +0.1 p.p. e +0.3 p.p.).
Recorde-se que, aquando da 1ª estimativa do PIB do 1ºT2014, a volátil componente da variação de existências apresentou um contributo negativo mais intenso do que o esperado, passando de -0.02 p.p. para -0.57 p.p.. Este contributo reflete ainda o facto de no 3ºT2013 esse mesmo contributo ter-se cifrado em 1.67 p.p.. Num contexto da referida incerteza nas negociações que se realizaram entre Democratas e Republicanos durante o 3ºT2013, admitia-se que parte do contributo da variação de existências fosse indesejado, nomeadamente porque o investimento em capital acabou por abrandar no 3ºT2013, quando no início desse trimestre era esperado justamente o contrário. Era neste contexto que se esperava para o 4ºT2013 uma redução do contributo para valores ligeiramente negativos, algo que acabou por suceder novamente no 1ºT2014. Depois de no ano terminado no 4ºT2013 o contributo médio da variação de existências se ter cifrado em 0.75 p.p., e que foi o mais elevado desde o 3ºT2010, no trimestre seguinte (4ºT2010) acabou por se observar um contributo negativo, algo que se voltou a repetir no 1ºT2014. No ano terminado no 1ºT2014, o contributo médio desceu para 0.37 p.p., um valor já aceitável, pelo que o contributo no atual trimestre poderá ser sensivelmente nulo, ademais que se perspetiva que os empresários continuem a acumular existências nos próximos trimestres, suportando a produção e o emprego, particularmente numa altura em que os rácios entre os stocks e as vendas se encontram em níveis historicamente baixos.
As vendas dos grossistas subiram 1.4% em março (consenso: +1.1%), em aceleração (+0.9% no mês anterior, cujo valor foi revisto em alta em 0.2 p.p.), recuperando agora da descida de 1.8% registada em janeiro, em que terão sido prejudicadas pelo mau tempo, contabilizando 11 subidas em 12 meses e atingindo novos níveis máximos históricos. O rácio entre os stocks e as vendas desceu de 1.19 para 1.18 meses, ficando a meio caminho entre o mínimo da série criada em 1992 observado em jun-08 (1.14 meses) e a sua mediana histórica (1.25 meses). Teoricamente, quanto mais baixos forem os níveis deste rácio, maior será o seu efeito positivo na produção industrial, via movimento de reposição de existências. No entanto, é de realçar que este indicador apresenta uma tendência histórica de descida, na medida em que vão sendo otimizados os modelos de gestão, designadamente modelos como o “just in time”.
Confiança dos Investidores
O indicador de sentimento económico dos investidores (Sentix) registou em maio uma descida de 2.9 pontos, para 24.5 pontos, anulando a subida do mês anterior e revelando a 3ª queda em 4 meses, ficando em mínimos desde nov-13. Ainda assim, contabiliza apenas 6 descidas em 19 meses, permanecendo próximo do máximo desde fev-04 observado em janeiro.
O indicador sinaliza pela 19ª vez consecutiva um crescimento da economia americana acima da sua tendência histórica, com os investidores a considerarem que o setor privado está robusto, mesmo perante a consolidação orçamental em curso, nomeadamente os pronunciados cortes nos gastos do Estado em defesa e os cortes automáticos na despesa a nível Federal colocados em prática em 2013. O sentimento dos investidores deverá estar a beneficiar da resiliência do setor privado, que também deverá estar a ser impulsionado pela política expansionista da Fed, não obstante a autoridade monetária ter iniciado a remoção de estímulos em dez-13 e voltado a aliviar os estímulos em jan-14, mar-14 e abr-14. Externamente, o Sentix deverá estar a beneficiar de alguma aceleração do crescimento na Ásia e da gradual aceleração do crescimento da economia da Zona Euro.
A descida de maio do Sentix resultou de um comportamento negativo de ambas as componentes, menos desfavorável ao nível da situação corrente, mas que terá sido provavelmente também penalizada pelo fraco crescimento da economia no 1ºT2014 (o PIB cresceu apenas +0.1% em termos anualizados). No entanto, a componente contabiliza apenas 5 descidas em 19 meses, fazendo o 19º registo positivo consecutivo, após 3 meses no vermelho, situando-se já desde nov-11 consecutivamente em níveis empiricamente compatíveis com um crescimento da atividade económica, e ficando num nível muito próximo do máximo desde jun-06 observado em janeiro. As expectativas desceram mais, depois de terem já subido menos no mês anterior, mas contabilizando subidas em 15 dos últimos 22 meses, permanecendo próximas dos máximos desde jan-04 observados em dez-13. Esta componente apresentou-se pelo 14º mês consecutivo num nível inferior ao da componente de situação, sendo que esse diferencial se situou num máximo desde dez-07. As expetativas ficaram em terreno positivo pela 19ª vez consecutiva, o que significa que sinalizam crescimentos superiores à tendência histórica para os próximos meses, algo que também constitui o nosso cenário central, depois de em 2013 o crescimento ter sido condicionado pelo aperto orçamental observado a nível Federal. Refira-se que durante o atual período de expansão iniciado no 2ºT2009 a economia cresceu a um ritmo mediano de 2.6%, aquém do ritmo mediano de 3.1%
observado nos últimos 30 anos, um ritmo que se espera ser atingido nos três últimos trimestres deste ano e que prossiga no próximo.
Un: % Fev Mar Fev Mar
0.8 - 1.7 -
0.8 1.2 1.4 3.6 0.9 1.4 3.3 6.5 0.9 0.3 0.8 2.6
0.4 - 4.2 -
0.0 - 5.5 -
0.7 1.1 5.0 5.9 0.7 0.1 2.5 2.6 Industriais
Var. Homól.
EUA - Vendas e Stocks
Grossistas Industriais Stocks Retalho Grossistas
Var. Mensal
Vendas Retalho
-3 -2 -1 0 1 2
-15 -10 -5 0 5 10 15
2004:0 2
2005:0 2
2006:0 2
2007:0 2
2008:0 2
2009:0 2
2010:0 2
2011:0 2
2012:0 2
2013:0 2
2014:0 2
Variação Mensal (esc. esq.) Variação Homóloga (esc. dir.) EUA - Stocks Empresariais
Un: % Un: %
-16 -12 -8 -4 0 4 8
12 1.24
1.28 1.32 1.36 1.40 1.44 1.48 1.52
2004 :03
2005 :03
2006 :03
2007 :03
2008 :03
2009 :03
2010 :03
2011 :03
2012 :03
2013 :03
2014 :03
Prod. Ind. - Var. Hom. (YoY) - esc. esq.
Rácio Stocks/Vendas mm3m (Comércio e Indústria) - esc. dir.
Rácio - média histórica - esc. dir.
EUA - Produção Industrial e Rácio entre Stocks e Vendas
Un: % Un: Meses
-80 -60 -40 -20 0 20 40 60
2004:05 2005:05
2006:05 2007:05
2008:05 2009:05
2010:05 2011:05
2012:05 2013:05
2014:05 Sentix Sentix - Expectativas Sentix - Situação Corrente EUA - Sentimento Económico dos Investidores (Sentix) Un: % (SRE)