CAUSAS DE DEFICIENCIA
VISUAL EM CRIANCAS
Newton ‘Kara-José,’ Geraldo Vicente de Almeida,’
Carlos Eduardo Leite Arieta,’ Joelice dos Santos Araújo,’
Samir Jacob Becgara3 e Paulo Ricardo de Oliveira
0 presente trabalho fomece dados retrospectivos sobre as causas de deficiência tiual em crianpzs até 15 anos de idade atendidas em centros oftalmológicos de Brasil.
Introducáo
A Organizacao Mundial da Saúde (OMS), atentando para o crescimento do número de cegos no mundo - atualmente cerca de 20 milhok, que deveráo chegar a 40 milhoés no ano 2000 (‘11 -e conside- rando que dois tercos dos casos seriam de causas potencialmente evitáveis, tem en- fatizado a necessidade do desenvolvímen- to de programas de prevencão de ce- gueira. Sabe-se, por outro lado, que a prevalencia e as causas de cegueira va- riam enormemente em diferentes países, devido principalmente a condicóes geo- gráficas e sócio-econômicas. Neste pano- rama os países em desenvolvimento con- tribuem com 80% dos casos.
Enquanto na Índia, por exemplo, gran- de número de cegos sáo casos de catarata nao operados, por falta de estrutura mi%- co-hospitalar, em vários países da África,
t Universidade Estadual de Campinas, Hospital de Clínicas. Fa- culdade de Gbcias Médicas, Disciplina de Ofiahnologia. Enderece: Cidade Universitária “Zeferino Va?‘. 13100 Campmas, Sao Paulo, Brasil.
* Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, Departamento de Oftalmolagia. São EmIo.
s Universidade de Sào Paulo, Faculdade de Medicina, Sào PaOlO.
4 Centro CIínico de Olhos, ‘Goiãnia, Co&, Brasil.
Ásia, América Central e América do Sul, a hipovitaminose A, a oncocercose e o traco- ma sáo causas predominantes de cegueira. Em países mais adiantados economica- mente os traumas, lesões congênitas e degeneracões senis ocupan-r o primeiro lu- gar como causadores de deficiencia visual. A cegueira na infancia é particular- mente importante tanto pelos índices com que se apresenta nos países en desenvolvi- mento como porque representa um encar- go sócio-econômico mais grave (21. Entre as causas mais importantes de deficiencia visual neste grupo etário situam-se as úl- ceras de córnea por hipovitaminose A, a oncocercose e o tracoma, todas elas res- ponsáveís por grande contingente de ce- gos no mundo. Alves y Kara José (3), Bel- fort, Jr. (em comunica&%o pessoal) e as conclusóes do II Encentro de Oftalmolo- gia do Norte Nordeste, em 1’981 (41, des- tacam a pouca importancia destes agentes etiol@icos em nosso meio.
Ao se propor ‘urna planificacão de com- bate à cegueira é, pois, necessário que se conhecam as causas maís importantes na regiZo considerada, além dos recursos mé- dico-hospitalares e das formas de atuar no sentido de minorar as dificuldades econô- micas. Estima-se que o Brasil tenha no
406 BOLETIN DE LA OFICINA SANITARIA PANAMERICANA Noviembre 1984
momento 4 500 oftalmologistas (relacáo médico-paciente aproximadamente
1:26 000), o que está dentro dos padrôes estipulados pela OMS.
De outro lado, a OMS recomenda a rea- lizacáo de investigacão de problemas oftal- mológicos em amostras da popula@ío afim de se obter maior conhecimento do seu es- tado ocular. No Brasil náo se dispõe de da- dos sobre causas de cegueira, valendo-se os estudiosos de pesquisas realizadas em insti- tuicóes de amparo a cegos e deficientes vi- suais (5) e alguns estudos isolados (6,.
0 presente trabalho fornece dados retrospectivos sobre as causas de deficiên- cia visual em criancas de até 15 anos de idade atendidas nos hospitais-escolas da Faculdade de Ciencias Médicas da Univer- sidade Estadual de Campinas (UNI- CAMP) da Faculdade de Ciencias Médicas da Santa Casa de Sao Paulo, de duas clfni- cas particulares da cidade de Sáo Paulo (Centro Oftalmológico Pacaembu e Insti- tuto Médico de Oftalmologia) e de urna clínica particular da cidade de Coiânia (Centro Clínico de Olhos).
Materiais e métodos
Foi realizado um estudo retrospectivo de 8 000 criancas de 0 a 15 anos de idade, utilizando-se fichas clínicas de pacientes das seguintes instituicóes: Hospital de Clínicas da Faculdade de Ciencias Médi- cas da UNICAMP, 1 000 casos; Faculda- de de Ciencias Médicas da Santa Casa de Sao Paulo, 2 000 casos; Centro Oftalmo- lógico Pacaembu (COP), 1 000 casos; Ins- tituto Médico de Oftalmologia (IMO), 2 000 casos; e Centro Clínico de Olhos (CCO), 2 000 casos.
Levantaram-se de cada paciente dados relativos a idade, acuidade visual e diag- nóstico. Para a idade de 0 a 3 anos a acui- dade visual foi estimada pelas alteracões oculares encontradas. Para efeito de estu- do, agruparam-se os pacientes em faixas
etárias (0 a 1 ano, 1 a 3 anos, 4 a 6 anos, 7 a 10 anos, 11 a 15 anos) e quanto ao local de atendimento. Considerou-se deficiente visual o paciente portador de acuidade vi- sual menor ou igual a 013 no melhor olho com a melhor correcáo óptica.
Resultados
Os resultados são apresentados sob a forma de tabelas que correlacionam diag- nóstico, idade da crianca, local de atendi- mento e número de deficientes encontra- dos. Em 8 000 criancas examinadas foram registrados 224 casos de deficiencia visual, sendo: 86 (4,7%) na Faculdade De Ciên- cias Médicas de Santa Casa de Sao Paulo, 67 (6,7%), no Hospital de Clínicas da UNICAMP, 29 (1,45%) no Centro Oftal- mológico de Pacaembu, 33 (1,65 %) no Ins- tituto Médico de Oftalmologia e 10 (l,OQ/,) no Centro Clínico de Olhos (tabela 7).
TABELA 1 -Diagnósticos de pacientes portadores de deficiência visual de 0 a 1 ano, conforme locais de atendimento, 1982.
a b c d î Total
Diagnóstico No % No % No % No % No % No %
Catarata congenita Glaucoma congkxito Retinopatia congkita Nistagmo
Microftalmia Rubéola
Síndrome de Marfan Neurite óptica
4 57.1 2 16.6 2 50.0 6 60,O 1 100.0 15 44.5 1 14.2 2 16.6 - - 2 20,o - - 5 14.7 - - 2 16.6 2 50,o - - ~ - 4 11.7 - - 2 16.6 - - 2 20,o - - 4 11.7
- - 3 25,0 - - - 3 8,7
1 14.2 - - - ~ 1 2,9
1 14,2 - - - 1 2,9
- - 1 *,3- - - 1 2.9
Total 7 100,o 12 100.0 4 100,o 10 100.0 1 100.0 34 100,o Fonte: fichas clínicas dos pacientes atendidos
a Faculdadr de CiPnclas Médicas. UNlCAMP
’ Faculdade de Cikncias Médicas, Santa Casa. São Paulo ’ Centro Clínico de Olhos. Gok~ia. Golás
d Instituto Médico Oftalmológico. São Paulo. ’ Centro Oftahnoló,gico. Pacaembu. São Paulo.
Clínicas da UNICAMP, 4,30y0 na Facul- Discussäo e comentarios dade de Ciencias Médicas de Santa Casa de
São Paulo, 1,45% no Centro Clínico de 0 estudo realizado em 8 000 criancas Olhos, 1,65% no Instituto Médico de Of- de 0 a 15 anos de idade atendidas em cin- talmologia e 1 ,OO% no Centro Oftalmológi- co servicos de oftalmologia mostrou ser a
co de Pacaembu. ambliopia refracional a causa mais co-
TABELA 2-Diagnósticos de pacientes portadores de deficiência visual de 1 a 3 anos de idade, con- forme locais de atendimento, 1982.
Diagnóstico
a b c d e Total
N” % No % No % No % No % No %
Catarata congenita Retinopatia cong&ita Nistagmo
Coriorretinite Neurite óptica Catarata secundária Tumor
Glaucoma congenito Rubéola
Opacidade cong6mita de córnea
Total
6 60,O 2 10,5 2 2 20,o 4 7,1 -
3 15,7 - 1 10.0 2 10,5 - 3 15.7 - 3 15,7 - 1 5,2 - 1 5,2 -- 1 10.0 - - -
10 100,o 19 100,o 2
100,o - - - - 10 26.3
- 6 15,7
- - - 2 50,o 5 13,l - 1 33,3 1 25.0 5 13,l - 1 33,3 - - 4 10,4
- - - 3 7.8
- - - 1 25,0 2 5.2
1 2.6
- - - 1 2.6
- 1 33.3 - - 1 2.6
100,o 3 100.0 4 100,O 38 100.0 Fonte, fichas clínicas dos pacientes atendidos
a Faculdade de tXncias Médicas. UNlCAMP
b Faculdade de Ciéncias Médicas, Santa Casa. Sào Paulo ’ Centro Clínico de Olhos. Goiánia, Gol%.
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TABELA 3-Diagnósticos de pacientes portadores de deficiência visual de 4 a 6 anos de idade, con- forme locais de atendimento, 1982.
a b c d e Total
Diagnóstico N” % N” % No % No % No % No %
Ambliopia refracional 4 33,3 9 40,9 5 55.5 5 83,3 3 75.0 26 49,0 Catarata congénita 3 25.0 2 9.0 2 22,2 1 16,6 - - a 15,0
Neurite óptica - - 5 223 - - - 5 9,4
Retinopatia congénita - - 3 ,3,6 - - - 3 5,6
Coriorretinite 3 25,0 - - - 3 586
Glaucoma conghito - - - - 2 22.2 - - 1 25,0 3 5,6
Trauma 2 ,6,6 - - _ - - - 2 3,7
Nistagmo 1 4.5 - - - 1 138
Microftalmia - - 1 4.5 - - - 1 1,8
Doenca de Coat - - 1 4.5 - - - - 1 1,a
Total 12 100.0 22 100.0 9 100.0 6 100,O 4 100,o 53 100,o Fonte fichas clínicas dos pacientes atendidos
a Faculdade de C+nc~as Médicas, UNICAMP
b Faculdade de Citnclas Médicas, Santa Casa, Sào Paulo ~Centro Clínico de Olhos. Goiânia, Golás.
Instituto Médico Oftalmológico, Sào Paulo. ’ Centro Oftalmológxo, Pacaembu. Sâo Paulo
mum de deficiência visual, seguida de ca- e retinopatia congênitos nas criancas de tarata congênita, nistagmo, coriorretinite até 3 anos: após essa idade, a ambliopia e retinopatia congênita (tabela 6). Nota- refracional aparece como a causa mais se um predomínio de catarata, glaucoma importante (tabelas 1 a 5).
TABELA 4-Diagnósticos de pacientes portadores de deficiência visual de 7 a 10 anos de idade, con- forme locais de atendimento, 1982.
Diagnóstico
a b c d e Total
No % N” % No % No % N” % No %
Ambliopia refracional 3 12,5 4 22.2 5 50,o 3 42,a - - 15 26.7 Catarata congénita 7 29,I 3 16,6 1 10.0 - - - - 11 19.6
Coriorretinite 2 a,3 3 16,6 - - 1 14,2 - - 6 10,7
Nistagmo 4 16,6 - - 1 10,o - - - - 5 8-9
Ulcera córnea 1 4.1 - - 1 10,o 1 14,2 - - 3 5,3
Glaucoma congênito 1 4,l 1 5,5 1 10,o - ~ - - 3 5,3
Retinopatia congênita 1 5,5 - - 2 28,4 - - 3 5,3
Trauma 1 4,1 1 5,5 - - - 2 3,5
Neurite óptica 1 5,5 - - - ~ 1 100.0 2 3,5
Descolamento retina 2 8,3 - - - 2 3,5
Ceratocone 1 4,l - - - 1 1,7
Catarata secundária 1 5.5 - - 1 1,7
Trombose ocular 1 10,o - - 1 1,7
Sindrome de Marfan 1 4,l ~ - - ~ - - 1 1,7
Total 23 100,O 15 100,o 10 100,o 7 100,o 1 100,O 56 100,o Fonte~ fichas clímcas dos pacientes atendidos.
a Faculdade de Ciencias Médicas, UNICAMP.
b Faculdade de Ohcias Médicas, Santa Casa, São Paulo ’ Centro Chco de Olhos, Goiånia, Cok.
TABELA 5-Diagnósticos de pacientes portadores de deficiéncia visual de ll a 15 anos de idade, con. forme locais de atendimento, 1982.
Dia.gnóstico
a b c d e Total
N” % N” % No % No % N” % No %
Ambliopia refracional Catarata congenita Coriorretinite Trauma
Glaucoma congkito Nistagmo
Ceratocone Neurite óptica Ceratite superficial Retinopatia congênita Distrofia córnea Degeneracão mióptica Microftalmia
Úlcera de córnea Total
4 za,5 - -
3 21,4 2 14,2 2 14,2 2 14,2
- - 14 100,o
4 4 1 2 2 - - 1 1 1 - - 1 1 18
22.2 2 22,2 -
5,5 - ll,1 - ll,1 -
- 3
- - 5.5 - 5.5 - 5,5 -
- 1
5.5 ~ 5,5 - LOO,0 6
33,3 3 - -
- 1
- - - - 50.0 - - -
- 1
- 1
- - 16,6 - - - - - - - 100,O 6
50.0 - - 13 28.8 - 1 100.0 5 11.1 16.6 - - 5 11.1
- ~ - 4
a,a
-
-
4 8.8- - - 3 696
- - ~ 2 4.4
16,6 - - 2 4,4 16,6 - - 2 4.4
- - - 1 2.2
- ~ - 1 2.2
- - - 1 2.2
- 1 23
- - - 1 2.2
100,o 1 100.0 45 100.0 Fonte: fichas clínicas dos pacientes atendidos.
’ Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP.
b Faculdade de Cikcias Médicas, Santa Casa, Sào Paulo.
’ Centro Clínico de Olhos. Goiania. Goiás.
d Instituto Médico Oftalmológro, São Paulo.
e Centro Oftalmológico, Pacaembu. São Paulo.
Nota-se (tabela 7) urna maior percenta- gem de casos de deficiencia visual nos hospitais-escolas, o que pode ser explica- do por serem gratuitos e centros de refe- rencia para o qual sáo encaminhados ou se dirigem espontaneamente os pacientes com casos mais graves. A análise das tabe- las de 1 a 5 mostra que as principais causas de deficiencia visual se mantêm as mesmas nas diferentes instituicões estuda- das, o que sugere a hipótese de nao haver influencia de nivel sócio-econômico no seu aparecimento. Devido ao carater de gratuidade, é de se supor que o nível sócio-econômico dos pacientes que procu- ram os servicos universitários estudados é mais baixo do que o nível daqueles que procuram as clínicas particulares referi- das neste levantamento.
Nas 8 000 criancas, apenas seis casos de úlcera de córnea foram detectados, todos eles em pacientes com mais de 7 anos. Es- ses resultados vêm revelar que causas infec-
ciosas não sáo preponderantes em nosso meio como causas de deficiencia visual, pelo menos no que se refere às regiões ou áreas estudadas. 0 II Encentro Norte- Nordeste de Oftalmologia de 1981 (4) conclui igualmente náo serem a hipovita- minose A, a oncocercose e tracoma causas importantes de cegueira na região norte- nordeste do Brasil.
410 BOLETIN DE LA OFICINA SANITARIA PANAMERICANA Noviembre 1984
TABELA 6-Diagnósticos de pacientes portadores de deficiihcia visual por faixas etárias, 1982.
Até 1 ano 1 a 3 anos 4 a 6 anos 7 a 10 anos 11 a 15 anos Total
Diagnóstico No % No % No % No % No % No %
Ambliopia refracional Catarata congênita Nistagmo Coriorretinite
Retinopatia congênita Glaucoma congCnit0 Neurite óptica Trauma
Catarata secundária úlcera de córnea Rubéola Ceratocone
Síndrome de Marfan Tumor
Descolamento/retina Ceratite superficial Microftalmia Trombose ocular Distrofia de córnea DoenCa de Coats Degenera& miópica Opacidade congénita de córnea
Total
26 49,0 15 26,7 13 22,8 54 24,1 15 44,5 10 26,3 8 15,o ll 19,6 5 ll,1 49 21.8 4 ll,7 5 13,l 1 1,8 5 8,9 3 6,6 18 8,4 - - 5 13,l 3 5,6 6 10,7 5 ll,1 19 8,4 4 ll,7 6 15,7 3 5,6 3 5,3 1 2,2 17 7,5 5 14,7 1 2.6 3 5.6 3 5.3 4 8,8 16 7,l 1 2,9 4 10.4 5 9,4 2 3.5 2 4,4 14 6,2
- - 2 3,7 2 3,5 4 8,8 8 3,5
- - 3 7,8 - - 1 1,7 - - 4 1,7
3 5,3 1 2,2 4 1,7
1 2,9 1 2,6 - - - - 2 028
1 1,7 2 4,4 3 1,3 1 2,9 - - - - 1 1,7 - 2,2 2 0,8
- - 2 5,2 - - - - 2 038
2 3,5 - - 2 038
- - 2 4,4 2 0,8
3 8.7 - - 1 1.8 - - - - 5 2,2
1 1,7 - - 1 0,4 1 2,2 1 0,4
1 1,s - - - - 1 0,4
2 2,3 1 0.4
- - 1 2.6 _ - - - 1 0,4
34 100,o 38 100.0 53 100,o 56 100,o 45 100,O 226 100,O Fonte: fichas clínicas dos pacientes atendidos.
Já Roncada, Alves e Kara-José (3), Ma- em que outras malformacóes congenitas galháes, Souza Dias e Belfort Jr, haviam estejam associadas, o prognóstico de cata- chegado a conclusóes semelhantes. rata congênita é razoável principalmente
Na faixa etária de até 3 anos, a catara- considerando as novas técnicas e instru- ta congênita foi a causa mais importante mental cirúrgicos. 0 V Congresso Brasi- de deficiência visual (44% até 1 ano e leiro de Prevencão da Cegueira (9), reali- 2274 de 1 a 3 anos). A nao ser nos casos zado em Curitiba, Paraná, em 1982, colo-
TABELA 7-Número de casos atendidos de deficientes visuais em relapáo dos náo deficientes, con. forme locais de consulta, 1982.
Náo deficientes Deficientes Locais
Hospital das Clínicas, UNICAMP
Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa, São Paulo
Centro Clínico de Olhos, Goiânia, Goiás Instituto Médico Oftalmológico, São Paulo Centro Oftalmológico, Pacaembu. Sáo Paulo
Total
NO N” %
934 66 6,6
1 914 86 4,3
1 969 31 1,5
1 968 32 136
989 ll l,l
7774 226 2.8
-
Total
NO %
cou entre suas resolucões a necessidade de que os órgáos assistenciais de saíide consi- derem as cirurgias de catarata e glaucoma congénitas como urgencia, nao se justifi- cando qualquer restricão a sua pronta realizacão.
A ambliopia refracional foi causa mais importante de defkiência visual nesta pesquisa. Kara-José et al. (10) encontra- ram em escolares de primeiro grau de urna escola estadual em Sáo Paulo 4,07% de casos de ambliopia unilateral e 1% de ambliopia bilateral. Macchiaverni F. et al. (ll) verificaram 3,7$!& de ambliopia funcional em escolares de Paulínia, Sao Paulo, e relataram que 78% de escolares que necessitavam correcão óptica a tinham desatualizada ou nao a usavam.
Considerando-se a ambliopia refra- cional como causa altamente prevenível de deficiência visual e de bom prognósti- co, conclui-se pela necessidade de acão educativa junto à populacáo, sob a forma de programas que transformem em rotina a medida de acuidade visual em criancas de 3 a 4 anos de idade por elementos devi- damente treinados.
0 trauma constitui-se em fator impor- tante neste estudo tendo em vista as causas preveníveis de cegueira. Conforme assinalam Kara-José et al. (12), há urna alta incidencia de ferimentos perfurantes em criancas, que se deve principalmente a falta de esclarecimento do público em relacão às causas mais comuns destes aci- dentes, justificando programas de saúde pública que visem à orientacáo da populacão sobre as principais causas de trauma ocular em criancas, e suas formas de prevencào.
Conclusões
Em 8 000 criancas de 0 a 15 anos de idade atendidas, encontraram-se 224 ca- sos de deficiencia visual (2,8%). As prin- cipais causas de deficiencia visual nos tres
primeiros anos de vida evidenciaram-se como catarata, glaucoma, retinopatia congênitos, nistagmo e coriorretinite. As causas principais de deficiencia visual na faixa etária de 4 a 6 anos foram: amblio- pia refracional, catarata congênit a , neurite óptica, retinopatia congenita e coriorretinite. As principais causas de de- ficiencia visual em criancas de 7 a 10 anos foram: ambliopia refracional, catarata congênita, nistagmo, coriorretinite e reti- nopatia congênitos. A ambliopia refra- cional, a catarata congénita, 0 nistag;mo, a coriorretinite e a retinopatia congênita apresentaram-se como principais causas de deficiencia visual dos ll aos 15 anos de idade. Só foram detectadas causas infec- ciosas levando a úlcera de córnea bilateral a partir de 7 anos de idade, representan- do 2% dos casos de deficiente visual e 0,005y0 da populacão estudada. 0 pre- sente estudo náo detectou oncocercose, tracoma ou úlcera de córnea por hipovi- taminose A como causas de deficiéncia vi- sual.
Com base nos achados da presente pes- quisa, recomenda-se que os programas de preven@io de deficiéncia visual deveriam no memento atual, visar:
l A obrigatoriedade de exames oftal-
mológicos, ou pelo menos da medida de acuidade visual, em todas as criancas ao redor dos 4 anos de idade, assim como a obrigatoriedade desse exame por ocasiáo da matrícula nos primeiros anos de pré- escola ou ensino elementar;
l 0 diagnóstico e a cirurgia precoces
412 BOLETIN DE LA OFICINA SANITARIA PANAMERICANA Noziem bre 1984
. 0 desenvolvimento de programas de saúde pública, a fim de prover orientacáo da populacão sobre as principais causas de trauma ocular em criancas e educa@0 para as possívels formas de preveni-las;
l 0 controle de doencas hereditarias e
congênitas através de aconselhamento ge- nético e exames do líquido amniótico nos casos de alto risco. Este é um programa mais difícil e caro, mas que não deve ser descurado, dentro das possibilidades.
Resumo
Os autores estudaram 8 000 criancas de até 15 anos de idade atendidas em dois hospitais universitarios e três clínicas par-
ticulares nas cidades de São Paulo, Cam- pinas e Goiânia (regióes su1 e centro-oeste do Brasil). Encontram 224 casos de defi- cientes visuais (acuidade visual igual ou inferior a 0,30/,) sendo as principais causas: de 0 a 3 anos de idade, catarata, glaucoma, e retinopatia congênitos; de 4 a 6 anos de idade, ambliopia refracional, catarata congênita e neurite óptica; de 7 a 10 anos, ambliopia refracional, catarata congênita e nistagmo; e de ll a 15 anos ambliopia refracional, catarata congênita e nistagmo. Ressaltaram que a hipovita- minose A, o tracoma e a oncocercose náo serem causas importantes de deficiência visual, concluindo com consideracões sobre alguns pontos importantes de um plano de prevencão da cegueira. q
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Oftalmol42:289-294, 1979.
Causas de deficiencia visual en los niños (Resumen)
Los autores estudiaron 8 000 niños de hasta años, ambliopía refraccional, catarata 15 años de edad atendidos en dos hospitales congénita y neuritis óptica; de 7 a 10 años y universitarios y tres clínicas particulares en las también de ll a 15 años, ambliopía refraccio- ciudades de Sao Paulo, Campinas y Goiânia nal, catarata congénita y nistagmo. Se destaca (regiones sur y centro-oeste de Brasil). que la hipovitaminosis A, el tracoma y la Encontraron 224 casos de deficientes visuales oncocercosis no son causas importantes de (acuidad visual igual o inferior a 0,30/,) cuyas deliciencia visual. Se concluye con consideracio- principales causas eran: de 0 a 3 años, catarata, nes sobre algunos puntos importantes de un glaucoma y retinopatía congénitas; de 4 a 6 plan de prevención de la ceguera.
Causes of visual deficiency in children (Summary)
The authors examined 8 000 children up to
w,
refractional amblyopia, congenital 15 years of age who were attended at two cataracts and optic neuritis; from 7 to 10 and university hospitals and three private clinics in ako from 11 to 15 years of age, the main causes the cities of São Paulo, Campinas and Goiâna were refractional amblyopia, congenital in the southern and middle westem regions of cataracts and nystagmus. The fact that neither Brazil. They detected 224 cases of visual hypovitaminosis A, trachoma nor onchocercosis deliciency in which visual acuity was equal to or are important causes of visual deficiency is lower than 0,3%. From 0 to 3 years of age, the pointed out. The article concludes with some main causes were cataracts, glaucoma andcongenital retinopathies; from 4 to 6 years of considerations regarding important points in a blindness preventlon plan.
Causes de déficience visuelle chez les enfants (Résumé)
L’observation de 8000 enfants de moins de quinze ans recevant des soins dans deux centres hospitaliers universitaires et trois cliniques privées de São Paulo, Campinas et Goiânia (villes situées dans les régions du sud et du centre-ouest du Brésil) ont permis aux auteurs de cet article de détecter 224 cas de déliciences visuelies se traduisant par une acuité visuelle égale ou inférieure à 0,3%. Ces déticiences avaient pour cause, parmi les enfants de 0 a 3 ans: cataracte, glaucome et rétinopathie congé-