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LIVRO DO ANIMADOR ANO 2

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Academic year: 2021

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Texto

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ANO 2

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Itinerário de preparação para a JMJ Lisboa 2023

Ficha técnica Nada obsta

08 de setembro de 2021, Natividade da virgem de Santa Maria D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa Textos bíblicos

CEP, Bíblia, Os Quatro Evangelhos e os Salmos, 2019 Edição litúrgica dos textos bíblicos

Elaboração

Direção de Pastoral e Eventos Centrais da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 Fotografias

Vatican Media Design Gráfico Douglas Azevedo Leila Ferreira Fundação Salesianos Propriedade

Fundação JMJ Lisboa 2023 Equipa de redação

Alice Neto (Paróquia de Alcochete, Diocese de Setúbal); Ana Ferreira (Paróquia de Odivelas, Patriarcado de Lisboa); Ana Rita Soares (Juventude Mariana VIcentina); Pe.

André Batista (Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, Diocese de Leiria – Fátima);

António d’Oliveira (Comunidade Emanuel) Pe. Bruno Dinis (Missionários Passionistas);

Carlota Cardoso (Paróquia de S. Julião do Tojal, Patriarcado de Lisboa); Cátia Sousa (Jovens Sem fronteiras), João Paulo Monteiro (Equipas de Jovens de Nossa Senhora), Liliana Maia (Leigos Missionários Combonianos); Ir. Linda Vieira (Filhas de Maria Auxiliadora, Salesianas); Ir. Idalécia Videira (Irmãs Doroteias); Pe. Luís Rafael Azevedo (Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil, Diocese de Lamego); Maria Lopes (Paróquia da Póvoa de Santa Iria, Patriarcado de Lisboa); Pedro Feliciano (Serviço da Juventude, Patriarcado de Lisboa); Romana Esteves (Paróquia de Olhalvo, Patriarcado de Lisboa); Rui Lourenço Teixeira (Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português); Ir. Sandra Bartolomeu (Servas de Nossa Senhora de Fátima); Susana Ferreira (Comunidade Emanuel)); Teresa Lehrfeld (Equipas de Jovens de Nossa Senhora); Pe. Tiago Neto (Patriarcado de Lisboa Zuzanna Szpura (Paróquia de São Jorge de Arroios, Patriarcado de Lisboa).

Revisão teológica

D. Vitorino José Pereira Soares (Bispo Auxiliar da Diocese do Porto) Cón. Luís Miguel Figueiredo Rodrigues (Arquidiocese de Braga) Cón. Mário José Rodrigues de Sousa (Diocese do Algarve)

LIVRO DO ANIMADOR – ANO 2

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RISE UP - ANO 2

Levanta-te!

O segundo ano do itinerário Rise Up, acompanhando os textos de São Lucas (Evangelho e Atos), propõe a descoberta de Jesus como Aquele que se levanta! Na sua morte e res- surreição, Ele realiza plenamente a atitude de levantar-se, fazendo da sua vida um dom generoso e gratuito de si aos outros, derrotando o pecado e levantando-se da morte como Senhor da vida e da história. Os jovens são convidados a contemplar o imenso amor de Jesus por nós, de que a sua cruz é o sinal. Imitando Jesus, são desafiados a levantarem-se dando a vida pelos outros. A experiência do encontro com Cristo ressuscitado valoriza a dimensão comunitária da fé, através da partilha da própria vida com os outros; da expe- riência de serem acompanhados no seu caminho de vida e de se tornarem, também eles, companheiros de caminho junto de outros jovens, servindo-os e despertando-os para o sentido cristão da vida. As experiências de serviço aos outros que poderão vivenciar no projeto “Eu sou uma missão” ajudarão a fomentar a sua vocação missionária e a captar o interesse de outros jovens pela fé. Está previsto realizar-se a partir do encontro 17, se bem que possa ser realizado noutra altura.

ENCONTROS

Momentos/Dimensões de cada um dos encontros

Ambientação:

“Prepara-te” – Jornada Mundial da Juventude Palavra de Deus:

“Escuta” – Querigmática

Atualização da mensagem cristã:

“Acolhe” – Querigmática

Confronto individual com a mensagem cristã:

“Interroga-te” – humana, espiritual e litúrgica Partilha de vida em grupo:

“Partilha” – humana, espiritual e litúrgica Oração pessoal e comunitária:

“Reza” – espiritual e litúrgica

Compromisso pessoal e comunitário:

“Levanta-te” – missionária e pastoral

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44 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #10| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #10

ENCONTRO #10

Levanta-te e sê persistente

Texto bíblico:

Lc 11, 1-8 Objetivos:

• (Re)descobre que Deus é um Pai próximo.

• Valoriza o que é realmente importante.

• Motiva-te para realizar gestos de partilha.

Observações pedagógicas/Indicações práticas:

• Ter 3 pães no cenário.

• Se o grupo está a iniciar os encontros Rise Up pela primeira vez, dever-se-á realizar o encontro 0 do primeiro ano, com o qual se pretende que os jovens tenham uma introdução ao itinerário, bem como ao significado bíblico do verbo “levantar-se” nos escritos de São Lucas.

PREPARA-TE

Jornada Mundial da Juventude

O animador faz uma pequena introdução em que aborda o caminho percorrido pelo grupo no ano anterior e a centralidade do verbo “levanta-te” como um elemento central de todos os encontros.

Se o grupo está a iniciar este itinerário de preparação para a JMJ, o animador faz alusão à importância deste verbo “Levantar-se”, decorrente do encontro 0.

Materiais:

• Papéis com a Palavra “Pai” em várias línguas.

• Letras necessárias para dinâmica.

• Recipiente.

• Tela, computador, projetor e colunas.

• Hino da JMJ 1991.

Tempo: 20 minutos

Dinâmica com a palavra “Pai”

• Preparar vários papéis com a palavra “Pai”, escrita em várias línguas, uma delas terá de ser Aramaico (“Abba”).

• Colocar num recipiente todas as letras que estão presentes nas palavras escolhidas (Por exemplo: se usarem a palavra Father, no recipiente devem estar recortadas as seguintes letras F-A-T-H-E-R).

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• A quantidade de letras no recipiente deve ser ligeiramente superior às que serão necessárias (Por exemplo: se forem necessárias 4 letras “A”, devem colocar 6).

• No início da dinâmica, o animador distribui por cada jovem um papel onde estará escrita a palavra “Pai” (em línguas diferentes).

• O objetivo é que os jovens, no mínimo tempo possível, consigam encontrar no reci- piente as letras correspondentes à palavra que está no seu papel.

No fim da dinâmica, o animador pergunta aos jovens se conhecem o significado da pala- vra que lhes calhou. Depois de entenderem que a todos calhou a palavra “Pai” numa lín- gua diferente, é referido que existe uma delas que vai ter mais destaque neste encontro porque está relacionada com o texto bíblico que vai ser escutado, trata-se da expressão Aramaica “Abba”, que era a palavra utilizada por Jesus para se referir ao Pai.

Na história das JMJ, houve um Hino onde essa expressão assumiu um papel muito impor- tante, sendo cantada no refrão. Escuta-se, então, o Hino da JMJ 1991, realizada em Czestochowa, na Polónia.

ESCUTA

Querigmática

Materiais: Bíblia Tempo: 5 minutos

De seguida, o animador convida um jovem a fazer a leitura do texto bíblico.

Evangelho segundo S. Lucas (Lc 11, 1-8)

1 E aconteceu que, estando Ele num certo lugar a rezar, quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a rezar, tal como João ensinou os seus discípulos».

2 Disse-lhes, então: «Quando rezardes, dizei:

Pai,

santificado seja o teu nome, venha o teu reino,

3 dá-nos cada dia o nosso pão quotidiano,

4 perdoa-nos os nossos pecados,

pois também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende e não nos deixes cair em tentação».

5 E disse-lhes: «Quem de vós terá um amigo e irá ter com ele a meio da noite para lhe dizer: “Amigo, empresta-me três pães, 6 visto que um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe pôr à frente”; 7 e ele, de dentro, respondendo, dirá: “Não me importu- nes, a porta já está fechada, e os meus filhos estão na cama comigo; não posso levantar- -me para tos dar”? 8 Digo-vos: ainda que não se levante para lhos dar por ser seu amigo, levantar-se-á por causa da falta de vergonha dele e dar-lhe-á tudo quanto necessite».

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor.

Hino da JMJ 1991

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66 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #10| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #10

ACOLHE

Querigmática

Tempo: 15 minutos

Depois da leitura do texto, o animador orienta o grupo no sentido de compreender que o texto tem duas grandes partes:

• Na primeira, Jesus reza e ensina os discípulos a rezar, tratando a Deus como Pai.

• Na segunda, através de uma história, a parábola do amigo inoportuno, Jesus fala da importância de insistir quando pedimos algo que é de facto necessário (seja para nós ou para os outros).

De seguida, apresenta a relação entre as duas partes do texto, destacando:

• Jesus mostra-nos que, na oração, existe uma relação de proximidade entre Deus e nós, uma intimidade tal em que o podemos tratar como nosso Pai ou melhor como “ABBA”, que significa “PAPÁ”; uma expressão carinhosa utilizada, muitas vezes, pelas crianças com a certeza de que diante do Pai estão perante alguém em quem podem confiar e pedir aquilo de que precisam.

• Na nossa vida quotidiana vamos tendo necessidades; para as vermos solucionadas é necessário que não desistamos de lutar. Aconteceu com aquele homem que pre- cisava de alimentar um amigo e não tinha pão em casa. Porque precisava de ver- dade, insistiu até conseguir aquilo que lhe fazia falta.

• Através desta parábola, Jesus convida-nos a sermos perseverantes na oração e a pedirmos a Deus o que nos faz falta: pedir ao Pai, insistir com Ele, ser “importuno”

no horário ou no que quer que seja até obter uma resposta afirmativa. Se no nosso coração sentimos verdadeiramente uma necessidade, não tenhamos receio de falar com o Pai sobre isso, as vezes que forem precisas.

Sugestão: Vídeo com o testemunho de um jovem que passe a mensagem de que é pre- ciso insistir (na vida concreta e na oração).

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INTERROGA-TE

Humana, espiritual e litúrgica

Materiais: papéis para todos os jovens Tempo: 15 minutos

Este momento será composto por três pequenas etapas, nas quais os jovens serão convi- dados a refletir individualmente sobre algumas questões relacionadas com o tema deste encontro (entregar as questões em 3 papéis diferentes).

1º Eu

• No dia a dia, sou alguém que insiste ou que desiste?

• Luto, com empenho, por coisas que valem a pena?

2º Eu e Deus

• Quando rezo, faço-o com a consciência de que Deus é um Pai carinhoso e em quem posso confiar? A oração é para mim ocasião de descoberta do que Deus me quer dar?

3º Eu e os outros

• Estou atento às necessidades daqueles que mais precisam de mim?

• Quando insistem comigo para fazer algo que será bom para os outros, faço-o ou, quando é exigente, acabo por desistir? Porquê?

PARTILHA

Humana, espiritual e litúrgica

Tempo: 20 minutos

De que modo é que estas três dimensões são um alimento para a tua vida?

Depois do tempo de reflexão o animador introduz o momento de “Partilha” convidando os jovens a olharem para os três pães que estão no cenário do encontro.

Depois lembra a importância do pão na nossa alimentação e que o texto bíblico se refere a alguém que vai pedir três pães para alimentar um amigo.

De seguida indica que os três pães do cenário representam as três etapas do momento anterior: A minha relação comigo próprio, a minha relação com Deus e a minha relação com os outros.

Finalmente, lança a partilha em grupo, pedindo aos jovens que indiquem de que modo estas três dimensões são um alimento para a sua vida.

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88 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #10| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #10

(Permite que os jovens partilhem a sua opinião livremente. No fim o animador faz uma sín- tese das várias perspetivas indicando o mais relevante).

REZA Espiritual e litúrgica

Materiais: Exortação Apostólica “Cristo Vive”

Tempos: 5 minutos

De seguida, propõe que, em silêncio, cada participante leia o seguinte texto, quiçá com- pletando o que foi partilhado pelos jovens.

Exortação Apostólica CRISTO VIVE, 117

Quando (Deus) te pede alguma coisa ou quando, simplesmente, permite aqueles desa- fios que a vida te apresenta, espera que lhe dês espaço para te poder fazer seguir em frente, para te promover, para te amadurecer. Não o incomoda que lhe apresentes as tuas interrogações, aquilo que o preocupa é que tu não fales com Ele, não te abras, com sinceridade, ao diálogo com Ele. Conta a Bíblia que Jacob teve uma discussão com Deus (cf. Gn 32,25-31), e isso não o afastou do caminho do Senhor. Na realidade, é Ele mesmo que nos exorta: «Vinde então para discutirmos» (Is 1,18). O seu amor é tão real, tão ver- dadeiro, tão concreto, que nos oferece uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo.

Finalmente, procura o abraço do teu Pai do Céu no rosto amoroso das suas valentes tes- temunhas na terra!

Depois, convida a rezar a oração do Pai Nosso.

Pai-Nosso

LEVANTA-TE

Missionária e pastoral

Tempo: 5 minutos

“INSISTE; PERSISTE; NÃO DESISTAS! Ámen”

Insiste no diálogo com Deus... fala com Ele todos os dias e não te esqueças de que é teu Pai.

Persiste naquilo que és… não tenhas medo de arriscar.

Não desistas de ajudar os outros… partilha um pouco do que tens, mesmo que te custe.

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CONTINUA

O animador desafia os jovens a convidar alguém, INSISTENTEMENTE, para integrar este Itinerário de Preparação para a JMJ (RISE UP). Na verdade, é essencial passar a mensa- gem de que não basta querer participar na JMJ, mas que também é necessário fazer um caminho de preparação. Quanto mais preparados estivermos, melhor aproveitare- mos aqueles dias incríveis.

EU CREIO

A expressão tradicional «oração dominical (isto é, oração do Senhor) significa que a prece dirigida ao nosso Pai nos foi ensinada e legada pelo Senhor Jesus. Tal oração, que nos vem de Jesus, é verdadeiramente única: é «do Senhor». Efectivamente, por um lado, nas palavras desta oração o Filho Único dá-nos as palavras que o Pai Lhe deu: Ele é o mestre da nossa oração. Por outro lado, sendo o Verbo encarnado, Ele conhece no seu coração de homem as necessidades dos seus irmãos e irmãs humanos e revela-no-las:

Ele é o modelo da nossa oração. (Catecismo da Igreja Católica, n. 2765)

Guardar para o caminho

• Este encontro levou-nos a tomar mais consciência de que Deus é nosso Pai e está sempre connosco.

• Recordou-nos como Jesus ensinava os discípulos a rezar com as palavras que nós repetimos quando rezamos o Pai-nosso.

• Compreendemos melhor que podemos pedir tudo a Deus, nosso Pai, e que Ele nos dá sempre aquilo que é melhor para nós.

• Descobrimos ainda que para sermos filhas/filhos do Pai do Céu temos de estar dis- poníveis para partilhar com os irmãos aquilo que recebemos.

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1010 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #11| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #11

ENCONTRO #11

Levanta-te e deixa-te abraçar pelo Pai

Texto bíblico:

Lc 15, 11-32

Objetivos:

• Toma consciência do imenso amor que Deus tem por ti.

• Faz a experiência da reconciliação, deixando-te abraçar pelo amor do Pai.

• Vai ao encontro dos outros, com gestos de fraternidade.

Observações pedagógicas/Indicações práticas:

• Quadro do Filho pródigo de Rembrandt.

• Vídeos.

• Nos momentos “Partilha” e “Reza”, se não for possível realizar a proposta indi- cada, sugere-se que, em vez do abraço, os jovens fiquem em pares, frente a frente, olhando-se nos olhos e dizendo um ao outro palavras que exprimam o gesto do abraço. Se o encontro não for presencial, pode realizar-se esta dinâmica em salas simultâneas.

• Pode prever-se, para este encontro ou noutro momento, a celebração do Sacramento da Reconciliação.

PREPARA-TE

Jornada Mundial da Juventude

Tempo: 10 minutos

O animador relembra o encontro anterior e o desafio a serem convidados outros jovens para participar. Se veio alguém de novo, é acolhido com cordialidade e convidado a apre- sentar-se brevemente.

De seguida, o animador sugere que os jovens, olhando em volta, pensem em uma ou duas pessoas do grupo.

O animador convida a que fechem os olhos e pensem como Deus está feliz porque as pessoas em que os jovens pensaram estão ali no meio deles. Deus Pai acolhe-nos a todos e por isso temos que nos alegrar por cada pessoa presente.

De seguida, referindo que a Jornada Mundial da Juventude é um forte momento de encon- tro e de abraço entre pessoas e culturas, convida o grupo a expressar a alegria pela pre- sença de todos, através da forma que considerar mais apropriada, se possível com um abraço. (Outras formas, por exemplo, um sorriso, um elogio, um agradecimento, uma mensagem que expresse a alegria por alguém estar presente).

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ESCUTA

Querigmática

Materiais:

• Bíblia / texto Bíblico

• Quadro de Rembrandt

• Vídeo com explicação do quadro: https://www.youtube.com/watch?v=0TgUikT-_Oc

• Vídeo Filho pródigo atualizado: https://youtu.be/C3g0X92Q3UY

Tempo: 20 minutos

De seguida, o animador convida um jovem a fazer a leitura do texto bíblico.

Evangelho segundo São Lucas (Lc 15, 11-32)

11 Disse ainda: «Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo deles disse ao pai: “Pai, dá-me a parte dos bens que me toca”. O pai repartiu os bens entre eles. 13 Não muitos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma região distante e aí esbanjou os seus bens, vivendo dissolutamente. 14 Depois de ele gastar tudo, surgiu uma grande fome naquela região, e ele começou a passar privações.

15 Uniu-se, então, a um dos cidadãos daquela região, que o mandou para os seus cam- pos guardar porcos[5]. 16 Desejava saciar-se com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

17 Então, caindo em si, disse: “Quantos assalariados de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui morro de fome! 18 Vou levantar-me, ter com meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei con- tra o céu e para contigo; 19 não mais sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus assalariados’”. 20 E levantando-se foi ter com o seu pai.

Ainda ele estava longe, quando o seu pai o viu e se compadeceu profundamente; cor- rendo, então, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o repetidamente. 21 Disse-lhe o filho:

“Pai, pequei contra o céu e para contigo; não mais sou digno de ser chamado teu filho”.

22 O pai, porém, disse aos seus servos: “Trazei depressa a melhor veste[6] e vesti-lha, dai- -lhe um anel para a sua mão e sandálias[7] para os pés; 23 trazei o vitelo gordo, matai-o e festejemos comendo, 24 porque o meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado”. E começaram a festejar.

25 Ora, o seu filho mais velho estava no campo[8]. Quando voltou e se aproximou da casa, ouviu músicas e danças, 26 chamou um dos servos e procurou saber o que era aquilo.

27 Ele disse-lhe: “O teu irmão voltou, e o teu pai matou o vitelo gordo, porque o recebeu de volta são e salvo”. 28 Ficou irado e não queria entrar, mas o seu pai saiu para lhe supli- car. 29 Em resposta, disse ao seu pai: “Eis que há tantos anos te sirvo, nunca transgredi uma ordem tua e nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos.

30 Mas, quando veio esse teu filho, que devorou os teus bens com prostitutas, mataste- -lhe o vitelo gordo”. 31 Ele disse-lhe: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é

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1212 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #11| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #11

teu; 32 mas era necessário festejar e alegrarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado”».

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor.

Depois da um momento de silêncio, propõe-se a visualização:

• do vídeo com a explicação do quadro de Rembrandt “O regresso do filho pródigo”.

• ou do vídeo Filho pródigo atualizado:

Depois, o animador convida os jovens a colocarem-se na cena:

a. Imaginando-se no lugar do filho pródigo, procurando ver o que de comum têm com ele.

b. Imaginando-se no lugar do filho mais velho, procurando ver o que de comum têm com ele.

c. Imaginando-se no lugar do Pai, procurando sentir-se a abraçar e a ser abraçados por Ele.

No final, propõe um breve diálogo em que cada um partilha o que sentiu ao colocar-se no lugar dos diferentes personagens e com qual se identificou mais.

Depois, comenta, brevemente, outros aspetos do texto com a ajuda do seguinte texto de D. António Couto:

«(…) Jesus traz para a cena, (…) um Pai excecionalmente maravilhoso e bom, em quem pulsa um imenso coração e vibram entranhas de misericórdia. Tem dois filhos, que nos represen- tam a todos: um claramente pecador, que opta por sair de casa, depois de ter pedido ao pai a sua parte da herança. Note-se que todo o pai dá três coisas aos seus filhos: o pão, todos os dias; roupas novas, nos tempos festivos; a herança, uma única vez na vida, pouco antes de morrer. (…) O pedido deste filho de receber a herança assume, portanto, um imenso dra- matismo. Fazendo o pedido que faz, este filho como que mata o pai, ao mesmo tempo que morre como filho! Não quer mesmo mais ser filho nem depender de nenhum pai.

Parte para longe, gasta tudo, torna-se um assalariado desamparado, guarda porcos, vive abaixo de porco (não lhe é sequer permitido comer com os porcos, como os porcos!). É o seu ponto mais baixo. Pensa então em voltar para casa, mas como assalariado, não como filho. Prestemos atenção ao discurso em três pontos que prepara: 1) «Pai, pequei contra o céu e contra ti; 2) não sou mais digno de ser chamado teu filho; 3) trata-me como um dos teus assalariados» (Lucas 15,18-19).

Ei-lo, portanto, que regressa. Mas já o Pai está à espera dele com um imenso abraço de alma a alma. Mas o filho tinha preparado o seu discurso em três pontos, e ei-lo que começa a debitá-lo: 1) «Pai, pequei contra o céu e contra ti; 2) não sou mais digno de ser chamado teu filho» (Lucas 15,21). Como se compreende, o terceiro ponto do discurso que tinha preparado era fatal, e o filho já não o diz. Não porque não quisesse, mas porque o Pai o interrompe, dizendo aos criados: «Depressa…» (Lucas 15,22).

É então que a surpresa enche outra vez a cena. Quando nós regressamos a casa, a Deus, nunca encontraremos um Pai distraído, ou que mudou de residência, ou que responde de forma brusca, distante e fria. Está lá sempre à nossa espera, na soleira da porta ou à janela, verdadeiramente comovido, a transbordar de misericórdia desde as entranhas (splagchnízomai) (Lucas 15,20), de braços abertos, precede-nos, recebe-nos, reabilita-nos como filhos fazendo-nos vestir «o primeiro vestido» (stolê tê prôtê) (Lucas 15,22), isto é, O Regresso do

filho pródigo

Filho pródigo atualizado

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o que vestíamos antes e abandonámos, portanto, o de filhos, quando nós queremos é ser assalariados. Depois, faz uma festa, mata o vitelo gordo, prepara um banquete de arromba (euphraínô), vai mesmo até ao ponto de chamar uma orquestra (symphônía)!

Alegria excessiva deste Pai pródigo de amor e misericórdia!

É aqui que surge em cena o outro filho, que estava no campo (Lucas 15,25). Esta nota do

«campo» serve só para nos dizer que é um dia de semana, e que o Pai desta história faz festa sem esperar pelo fim-de-semana! Este filho mais velho é retratado como um bom cumpridor de ordens, um «justo» e zeloso fariseu, igualzinho aos fariseus «justos» e zelo- sos que tinham aparecido no início da história. Tal como estes, também este filho se acha com direitos e créditos sobre Deus. Em Deus não vê um Pai, mas um patrão que tem de lhe pagar, pois «nunca transgrediu uma ordem dele» (Lucas 15,29). Sempre igualzinho aos fariseus que no início da história recriminavam Jesus porque acolhia e comia com os pecadores, também este filho recrimina o seu pai por acolher e ter tudo preparado para comer com um pecador! O Pai implora-lhe que entre para o banquete da alegria.»

Texto completo:

www.educris.com/v3/liturgia/8872-domingo-xxiv-do-tempo-comum-esta-parabola-da- -misericordia

ACOLHE E INTERROGA-TE

Querigmática

Materiais:

• Espaço para registo das respostas.

• Música de fundo.

Tempo: 15 minutos

O animador prossegue o encontro, propondo, com base no seguinte texto do Papa Francisco, no Angelus de 15.09.2019, um momento de interrogação pessoal.

“Deus é o Pai que espera o regresso do filho pródigo: Deus espera sempre por nós, não se cansa, não desanima. Porque somos nós, cada um de nós, o filho abraçado de novo (…). Ele espera todos os dias que nos apercebamos do seu amor. Tu dizes: «Mas eu com- portei-me mal, tive muitos comportamentos maus!». Não tenhas medo: Deus ama-te, Ele ama-te tal como és e sabe que só o Seu amor pode mudar a tua vida.”

Como é a minha relação com Deus? Em que ocasiões experimentei que sou amado infinitamente por Ele?

“Mas este amor infinito de Deus por nós, pecadores, que é o coração do Evangelho, pode ser rejeitado. É o que faz o filho mais velho da parábola. Ele não entende o amor naquele momento e tem em mente mais um dono do que um pai. É um risco para nós também:

acreditar num deus mais rigoroso do que misericordioso, um deus que derrota o mal com o poder e não com o perdão.”

Papa Francisco, Angelus, 15.09.2029

Papa Francisco, Angelus, 15.09.2029

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1414 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #11| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #11

Qual é a imagem que tenho de Deus? Em que ocasiões rejeitei o seu amor? Há alguma coisa que me dificulta levantar-me e ir ter com o Pai? O que me dificulta acolher o abraço do Pai?

“Não é assim, Deus salva com o amor, não com a força; propondo-se e não se impondo.

Mas o filho mais velho, que não aceita a misericórdia do seu pai, fecha-se, comete um erro pior: ele presume que é justo, presume que é atraiçoado e julga tudo com base no seu conceito de justiça. Então ele zanga-se com o irmão e reprova o pai: «Mataste o bezerro gordo agora que este teu filho voltou» (cf. v. 30). Este teu filho, não lhe chama meu irmão, mas o teu filho. Ele sente-se como um filho único. Também nós erramos quando acha- mos que temos razão, quando achamos que os maus são os outros.”

Como é a minha relação com as outras pessoas (da família, colegas, etc.)? Que dificuldades experimento nas minhas relações? Que experiências tenho de me

“zangar” com alguém? Alegro-me com a alegria dos outros?

PARTILHA

Humana, espiritual e litúrgica

Tempo: 20 minutos

Segue-se, depois, um momento de partilha da reflexão individual. O animador refere que, assim como o filho mais novo desabafou com o Pai e experimentou o dom do abraço, assim cada jovem é convidado, se possível, a receber um abraço e a partilhar o que medi- tou. Um de cada vez é convidado a abraçar quem está à sua direita. Após sentir o abraço, faz a partilha sobre a sua reflexão.

Como alternativa, em vez de um abraço, pode enviar-se a seguinte mensagem para outro jovem: “Um abraço especial para ti”.

REZA Espiritual e litúrgica

Tempo: 10 minutos Materiais:

• http://conferenciaepiscopal.pt/biblia/index.php/Sl_86

• Quadro de Rembrandt Papa Francisco,

Angelus, 15.09.2029

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Depois, reza-se o Salmo 86

De seguida, o animador, referindo que “Deus espera sempre por nós, não se cansa, não desanima” e recordando a passagem de São Lucas: “E levantando-se foi ter com o seu pai.”, convida cada um a levantar-se e a olhar para o quadro de Rembrandt fazendo uma ressonância (repetindo uma frase/palavra de que mais gostou) do salmo ou da passa- gem bíblica de Lucas.

No final, reza-se o Pai Nosso, se possível, abraçados.

LEVANTA-TE

Missionária e pastoral

Tempo: 5 minutos

Os jovens são desafiados a reconciliar-se com alguém que os tenha ofendido ou que tenham ofendido e a celebrar o Sacramento da Reconciliação.

Podem, também, organizar uma festa para alguém/conjunto pessoas que esteja(m) a passar dificuldades.

CONTINUA

Ver o filme: “Dead Man Walking”

EU CREIO

Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a fazer-se ouvir na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que contém pecadores no seu seio» e que é, ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e de renovação. Este esforço de conver- são não é somente obra humana. É o movimento do «coração contrito» atraído e movido pela graça para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1428 Salmo 86

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1616 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #12| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #12

Guardar para o caminho

Compreendemos melhor que Deus é um Pai que nos ama tanto que nos espera de bra- ços abertos, como o Pai do Filho Pródigo, cada vez que nos afastamos dele.

Tomámos consciência de que é no sacramento da Reconciliação que Deus nos acolhe com um amor imenso.

Compreendemos como temos, também nós, de perdoar a quem nos ofende e magoa.

ENCONTRO #12

Levanta-te e Agradece

Texto bíblico:

Lc 7, 11-17

Objetivos:

• Desperta para a importância do agradecimento.

• Valoriza a proximidade como fonte de cura.

Observações pedagógicas/Indicações práticas:

• Se o encontro não for presencial, adapta-se a proposta do momento “Prepara-te”, por exemplo pedindo a cada jovem que faça o gesto de atirar a “bola” dizendo o nome da pessoa que a vai receber.

• Reforçar o valor da palavra “obrigado” (que pode aparecer como pano de fundo).

• A visualização do filme pode ser vista em conjunto (num outro encontro).

PREPARA-TE

Jornada Mundial da Juventude

Materiais:

• Pequena bola (se for presencial).

• Fotos do “Parque do perdão” da JMJ

Tempo: 10 minutos

(17)

O encontro começa com uma breve partilha relativa à experiência de reconciliação vivida pelos jovens. Para esta partilha propõe-se a dinâmica da “batata quente” em que cada jovem, depois da sua partilha com o grupo, atira uma bola para outra pessoa ou, simples- mente diz o seu nome para que faça o mesmo.

No final, fazendo também a sua partilha, o animador refere a importância que tem na Jornada Mundial da Juventude a celebração do Sacramento da Reconciliação, mostrando algumas fotos dos parques do perdão.

Faz, depois, a passagem à proclamação do texto bíblico, afirmando o valor do agradeci- mento como fruto do perdão.

ESCUTA

Querigmática

Materiais:

• Bíblia

• https://mesadepalavras.wordpress.com/2019/10/

Tempo: 20 minutos

De seguida, o animador convida um jovem a fazer a leitura do texto bíblico.

Evangelho segundo São Lucas (Lc 17, 11-19)

11 E aconteceu que, ao ir para Jerusalém, Ele atravessava a Samaria e a Galileia. 12 E, tendo Ele entrado numa povoação, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram à distância.

13 Eles levantaram a voz, dizendo: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!». 14 Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E aconteceu que, enquanto eles iam, ficaram purificados.

15 Mas um deles, ao ver que fora curado, voltou glorificando Deus com voz forte, 16 e caiu com o rosto por terra aos pés de Jesus, dando-lhe graças. Era um samaritano. 17 Em res- posta, Jesus disse: «Não foram os dez purificados? Onde estão os outros nove? 18 Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?». 19 Disse- lhe, então: «Levanta-te e vai; a tua fé te salvou».

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor.

Depois da proclamação da passagem bíblica, os jovens, em pares, são convidados a aprofundar o sentido do texto bíblico, destacando o que consideram mais importante

(18)

1818 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #12| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #12

em apenas um dos textos seguintes. No final faz-se uma partilha, em jeito de chuva de ideias, com os aspetos essenciais, começando pelos pares do texto 1 e terminando com os do texto 4.

Texto 1

Os leprosos, devido à sua doença contagiosa, eram excluídos da sociedade, literal- mente excomungados, e obrigados a andar longe dos povoados, não se podendo aproximar de ninguém. E, à vista de alguém, deviam gritar: «Impuro, impuro!», para que as pessoas se desviassem deles, de acordo com as prescrições que podemos ver no Livro do Levítico 13,45-46.

Texto 2

O Evangelho diz-nos que se trata de um grupo de dez leprosos, certamente judeus e samaritanos. Já sabemos que os judeus não se dão com os samaritanos (cf. João 4,9).

Mas aqui, afinal, andam juntos uns e outros. É bem verdade que a doença, a miséria, a dor e o sofrimento juntam as pessoas, sem olhar a credos e raças! E o grito que lançam juntos a Jesus é igualmente estranho e significativo, dado que, no seu grito, chamam a Jesus “Mestre” (cf. Lucas 17,13), eles que têm necessidade de cura e não de ensina- mentos, pois, ainda que o desejassem, nem sequer podiam ir à escola. Então é como se estes leprosos estivessem a pensar em nós, a fazer-nos compreender que Jesus veio sobretudo curar os males do espírito e iluminar o escuro dos corações, desfazer os pre- conceitos que toldam tantas vezes a nossa vida quotidiana!

Texto 3

É claro que Jesus escuta o seu pedido (nós é que não sei!), e manda que se vão apre- sentar aos sacerdotes, para que estes, dentro das suas competências de autoridade sanitária de controlo (Levítico 13,2-3), os pudessem declarar curados da lepra. Note-se bem que Jesus os manda apresentar-se aos sacerdotes, antes de os curar, como quem diz que requeria deles uma fé total na sua capacidade de os curar. Eles partem, sinal da plena confiança que depositam em Jesus, pois, quando se põem a caminho, ainda con- tinuam possuídos pela lepra.

Texto 4

Na verdade, é depois de partirem, enquanto caminham, que se sentem curados! (Lucas 17,14).

O centro do episódio começa agora. Os holofotes do narrador põem em grande des- taque um dos dez leprosos que, sentindo-se curado, interrompeu a sua viagem e vol- tou para trás, louvando a Deus com voz grande, e veio agradecer a Jesus, prostran- do-se aos seus pés! O narrador informa-nos que era um samaritano (Lucas 17,15-16), portanto herético, estrangeiro, excluído, marginalizado, descartado, da região «daquele estúpido povo que habita em Siquém», para o dizer com as palavras de Ben-Sirá 50,26.

É-nos permitido deduzir ainda que este samaritano se sente pobre e devedor a Deus pela graça concedida, enquanto que os restantes, talvez todos judeus, não sentiram tal D. António Couto,

Mesa de palavras, um coração samaritano

D. António Couto, Mesa de palavras, um coração samaritano

D. António Couto, Mesa de palavras, um coração samaritano

(19)

necessidade, bem pelo contrário, porque o seu pensamento teológico os levava a pen- sar que era Deus que estava em dívida para com eles, e que, portanto, Jesus não terá feito mais do que devia!

ACOLHE

Querigmática

Materiais: Vídeo com o texto Tempo: 5 minutos

Depois da partilha, o animador relaciona a experiência da pandemia atual com os efei- tos provocados pela lepra. Ambas impõe o distanciamento (físico, social, etc.) e requerem outras e novas formas de proximidade.

Introduz, de seguida, o exemplo criativo de São Francisco de Assis na forma como se rela- cionava com os leprosos, convidando os jovens a verem um pequeno vídeo.

São Francisco é curado dos seus temores por um leproso

Um dia, indo o jovem Francisco a cavalo perto de Assis, veio ao seu encontro um leproso.

Habitualmente, Francisco tinha horror aos leprosos, pelo que teve de fazer violência sobre si para descer do cavalo, dar-lhe uma moeda de prata e beijar-lhe a mão. Tendo recebido do leproso um beijo de paz, voltou a montar e seguiu caminho. A partir de então, come- çou a ultrapassar, a pouco e pouco, aquela sua limitação, até conseguir, pela graça de Deus, uma vitória perfeita sobre si próprio.

Alguns dias mais tarde, muniu-se de uma grande quantidade de moedas, dirigiu-se ao hospício dos leprosos e, reunindo-os a todos, deu uma esmola a cada um, beijando-lhes a mão. No regresso, o que anteriormente lhe parecia repugnante – ver ou tocar os lepro- sos – tinha-se transformado em verdadeira doçura. Ver leprosos fora-lhe tão penoso, que não só se recusava a vê-los como a aproximar-se das suas habitações; e, se lhe aconte- cia vê-los ou passar perto da leprosaria [...], desviava o rosto e apertava o nariz. Mas a graça de Deus tornou-o tão próximo dos leprosos que, como atesta no seu testamento, vivia entre eles e servia-os humildemente. A visita aos leprosos tinha-o transformado.

Narrativa de três compa- nheiros de São Francisco de Assis [c. 1244], § 11 D. António Couto, Mesa de palavras, um coração samaritano

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2020 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #12| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #12

INTERROGA-TE

Humana, espiritual e litúrgica

Materiais:

Música: Obrigado (https://youtu.be/-uR8exVJCoE) Tempo: 20 minutos

Após o vídeo, os jovens são convidados a um tempo de reflexão pessoal, com base nas questões apresentadas.

Este momento pode ser acompanhado com a música “Obrigado” ou outra.

• De que maneira deixo as minhas dificuldades para estar ao lado do outro, como fez São Francisco de Assis ao aproximar-se daquele leproso?

• Estou grato/a por aqueles que põem de parte as suas dificuldades para me ajudar?

• Que graça quero pedir a Deus para que me aproxime d’Ele?

PARTILHA

Humana, espiritual e litúrgica

Materiais:

Se o encontro for digital, criam-se salas múltiplas e dividem-se os participantes por elas.

Tempo: 20 minutos

No final do momento de reflexão pessoal, em pequenos grupos, os jovens partilham as suas respostas às questões anteriores, operacionalizando-as em aspetos concretos.

REZA Espiritual e litúrgica

Materiais:

JMJ Rio 2013 – Vigília (https://www.youtube.com/watch?v=YB9KkD1jvas) Tempo: 10 minutos

Obrigado

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Depois do momento de partilha em grupos, os jovens são convidados a acolher o con- vite do Papa Francisco, que na Exortação Cristo Vive os convida a darem-se à maneira de S. Francisco de Assis, através da oração de São Francisco.

A vossa vida não é «entretanto»; vós sois o agora de Deus, que vos quer fecundos. Porque

«é dando que se recebe», e a melhor maneira de preparar um bom futuro é viver bem o presente, com dedicação e generosidade. (Papa Francisco, Cristo vive 96, 178).

Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me um instrumento de Vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvida, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

E onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó mestre, fazei que eu procure mais Consolar que ser consolado

Compreender que ser compreendido Amar que ser amado

Pois, é dando que se recebe É perdoando que se é perdoado

E é morrendo que se vive para a vida eterna (2x).

LEVANTA-TE

Missionária e pastoral

Tempo: 5 minutos

Participar na Eucaristia (que significa ação de graças) em conjunto, consciencializando a comunidade para o valor do agradecimento.

Criar uma dinâmica de dizer “obrigado” na família e na comunidade.

JMJ Rio 2013 – Vigília

(22)

2222 RISE UP

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CONTINUA

Filme: Ben Hur

EU CREIO

A ação de graças caracteriza a oração da Igreja que, ao celebrar a Eucaristia, manifesta e cada vez mais se torna naquilo que é. De facto, pela obra da salvação, Cristo liberta a criação do pecado e da morte, para de novo a consagrar e fazer voltar ao Pai, para sua glória. A ação de graças dos membros do corpo participa na da sua Cabeça. (Catecismo da Igreja Católica, n. 2637)

Guardar para o caminho

• Refletimos sobre a importância de saber reconhecer e agradecer tudo quanto temos recebido na nossa vida.

• Tomámos consciência de que muitos nos têm ajudado e de que como é necessário partilhar o que temos com os outros.

• Recordámos que cada Eucaristia é uma ação de graças por tudo quanto o Senhor nos dá constantemente.

ENCONTRO #13

Levanta-te e reza para não caíres em tentação

Texto bíblico: Lc 22, 39-46

Objetivos:

• Toma consciência de que Jesus vive “de pé” os momentos de tentação e sofrimento.

• Descobre a força da oração perseverante no combate espiritual.

• Fortalece a tua confiança em Deus, unindo-te à sua cruz.

Observações pedagógicas/Indicações práticas:

• Cordas e paus ou canas para cada participante e de uma corda grande e grossa

• Deverão assegurar-se condições de projeção de um filme

• O encontro termina com um momento de oração pelo que deverão prever e prepa- rar esse ambiente de recolhimento (cruz grande tipo JMJ, velas...)

(23)

PREPARA-TE

Jornada Mundial da Juventude

Materiais:

• Corda grossa, lenço.

• Excerto do vídeo - 1m30 (https://www.youtube.com/watch?v=PWBeZTvMbpM)

Tempo: 20 minutos

O animador relembra o encontro anterior e a sua temática. Refere depois que normal- mente o Evangelho apresenta o verbo “levantar” como uma ação de Jesus em benefício de outras pessoas. No entanto, no texto bíblico deste encontro, os jovens poderão ver o que levava Jesus a levantar-se e a viver levantado na vida.

De seguida, o animador propõe a dinâmica do “jogo da corda”. Prepara-se uma corda com um lenço no meio e vários nós espaçados ao longo da corda. Constituem-se duas equipas e cada uma segura num extremo da corda. O objetivo é puxar a corda para o seu lado, até passar o lenço, experimentando que quanto mais força se faz de um lado, mais força pre- cisamos de fazer do outro. Constata-se que a equipa que perde tem menos força e que alguns elementos terão estado a “dormir” não exercendo a força necessária para vencer.

O animador refere, depois, que a Via Sacra (Via Crucis) é, em cada Jornada Mundial da Juventude, um momento particular em que os jovens são convidados a contemplar a forma como Jesus esteve de pé na vida. A sua caminhada para o Calvário transportando a cruz é um exemplo de luta, perseverança e fidelidade à verdade, ao bem, ao amor e à justiça, diante da adversidade e do sofrimento. Pode-se visualizar um pequeno vídeo referente à Via Sacra (Via Crucis) da JMJ de 2011 Madrid que teve a particularidade de apresentar diversas imagens relacionadas com as tradições locais da semana santa.

ESCUTA

Querigmática

Materiais:

• Excerto do Filme A Paixão de Cristo

• Folhas com palavras impressas

• Folhas brancas

• Marcadores

Tempo: 20 minutos Via Sacra JMJ 2011

(24)

2424 RISE UP

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O animador introduz o episódio que irá ser escutado e trabalhado neste encontro.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 22, 39-46)

39 Então, saindo, foi como de costume para o Monte das Oliveiras. Seguiram-no também os discípulos.

40 Quando chegou ao lugar, disse-lhes: «Rezai para não entrardes em tentação». 41 E Ele afastou-se deles quase à distância do lançamento de uma pedra e, ajoelhando-se, rezava,

42 dizendo: «Pai, se queres, afasta de mim este cálice! No entanto, não se faça a minha von- tade, mas a tua». 43 Apareceu-lhe, então, um anjo do céu a confortá-lo.

44 Tendo entrado em agonia, rezava mais intensamente, e o seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam na terra. 45 Levantando-se da oração, ao ir ter com os discí- pulos, encontrou-os a dormir de tristeza.

46 E disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e rezai, para que não entreis em tentação».

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor.

Depois da proclamação do Evangelho, o animador contextualiza o texto, propondo que os jovens se situem face aos sentimentos vividos por Jesus no momento narrado. Pode fazê-lo seguindo duas opções:

Opção 1

Referir os seguintes aspetos: Neste momento da vida de Jesus, vemos como Ele está numa encruzilhada: está prestes a ser aprisionado pelos inimigos, será rejeitado, sofrerá muito, da maneira mais humilhante e aviltante. Jesus sente-se sozinho diante das suas dúvidas e angústias. Valerá a pena? Isso é que vai salvar a humanidade? Quem dará valor? Diante do sofrimento atroz, mas salvador, que o espera sente-se tentado a desistir – ou a não continuar com a missão, com o projeto de salvação e de amor redentor do Pai – motivo pelo qual Jesus foi enviado ao mundo e chegou a este momento? Por isso Jesus escolhe recolher-se em oração e pede aos seus para o acompanhar.

Opção 2

Visualizar o trecho do filme “A Paixão de Cristo” que mostra este episódio e, com base nele, explorar-se os sentimentos de Jesus e tentações que o terão atravessado naquele momento.

No final de qualquer uma das opções, os jovens são convidados a registar, num quadro, os sentimentos experimentados por Jesus (coluna 1) e a atitude dos discípulos (coluna 2).

Depois deste trabalho individual, partilha-se em grande grupo, construindo um quadro comum.

(25)

No final, o animador conclui, explorando a contraposição entre a atitude de Jesus: Jesus de pé (=vigilante embora angustiado) face ao comportamento dos discípulos deitados (= a dormir/alheados). Jesus permanece fiel à sua missão graças à oração, ainda que no meio da angústia e do abandono.

ACOLHE

Querigmática

Materiais: vídeo a produzir

Para ajudar os jovens a aprofundar a mensagem contida no texto bíblico, propõe-se uma das duas opções:

Opção A

Testemunho de um jovem que toque os seguintes pontos: missão segundo a vontade de Deus que traz alegria e realização; momento de crise, adversidade e difamação/aban- dono; as tentações que sentiu de desistir; como a oração foi fundamental para perma- necer e não desistir (sentimentos).

Opção B

Leitura individual do seguinte texto:

“A oração é o leme que guia a rota de Jesus. Não é o sucesso, não é o consentimento, não é aquela frase sedutora “todos te procuram”, que ditam as etapas da sua missão. É o modo menos confortável que traça o caminho de Jesus, mas que obedece à inspiração do Pai, que Jesus ouve e acolhe na sua prece solitária.” (Papa Francisco, Audiência Geral 4 de novembro. Catequese - 13. Jesus, mestre da oração)

INTERROGA-TE

Humana, espiritual e litúrgica

Tempo: música de fundo

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2626 RISE UP

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Tendo por base o quadro construído pelo grupo, segue-se um momento de reflexão pes- soal com base nas seguintes questões:

• Olho para a minha experiência de discípulo: aprendo com Jesus e sigo-O?

• Reconheço que também abandono Jesus. Em que circunstâncias?

• Procuro com Deus identificar as minhas tentações (=tudo o que me afasta de Deus e conduz ao pecado): o que me faz afastar do bem?

• Tenho consciência que a fidelidade e constância exigem luta, vigilância e oração perseverante?

PARTILHA

Humana, espiritual e litúrgica

Tempo: 20 minutos

Segue-se uma partilha a pares sobre as respostas de cada um.

REZA Espiritual e litúrgica

Tempo: 20 minutos

Propõe-se um tempo de oração diante de uma grande cruz (pode ser a de Taizé ou uma cruz semelhante à das JMJ). Pretende-se que este seja um momento de oração que forta- leça a confiança em Deus, confiança essa que sustentou a perseverança de Jesus. Assim, podem utilizar-se, em vez dos sugeridos, cânticos ou orações que expressem a confiança em Deus que cuida de nós e nos guia.

O espaço da oração pode ser o mesmo ou um espaço distinto. Contudo, importa prepa- rar a ambiência:

• Cruz

• Pouca luz (de preferência)

• Música de fundo

• Velas (e/ou outra decoração que favoreça a oração de recolhimento)

• Cordas de sisal para todos os participantes.

(27)

1. (Voltar a) projetar o trecho do filme “A Paixão de Cristo” ou voltar a ler Lc 22, 39 – 46 2. Convidar os jovens a porem-se na pele de Jesus e na dos discípulos.

a. Ver o que sentem, as motivações. Pôr em mim: Que medos/ tentações tenho? (Dar nós na corda de sisal, conforme vou identificando essas ocasiões.)

b. Jesus pediu aos discípulos que lhe fizessem companhia pela oração.

E eu como discípulo? Quanto do meu tempo e de que forma Jesus quer que lhe dê na oração? Faço-lhe companhia? Alimento a minha amizade com ele?

c. Formula um compromisso com Jesus: O que Ele me chama a fazer diante da tentação?

d. Oração final

Sou Tua, ó Jesus, dispõe de mim como melhor Te aprouver.

Renuncio a todo o caminho que a Ti não conduza, pois outro caminho não quero.

Consagro-Te a minha vontade, que só na Tua ela se confunda,

consagro-Te inteiramente o meu coração, que só em Ti ele se consuma,

consagrando-Te a minha vida, é só para Ti eu quero viver.

Tantos dons comigo repartiste numa generosidade incompreensível para com a mais miserável das Tuas criaturas...

Tudo quero restituir-Te

para que de tudo disponhas segundo a Tua vontade, e só quisera ter mais para mais depor a Teus Pés.

Eu quero fechar-me para sempre na Chaga bendita do Teu dulcíssimo Coração.

Prende-me mais e mais nas cadeias do Teu Amor.

Quero ser Tua e só Tua no tempo e na eternidade.

(Luiza Andaluz)

Cântico: Quanto esperei este momento.

LEVANTA-TE

Missionária e pastoral

Tempo: 5 minutos

A oração, relação com Deus, é fonte da fidelidade.

1. Pessoal:

Constrói em tua casa, uma cruz, o teu Monte das Oliveiras; o teu canto de encontro de Deus, onde irás colocar essa cruz. Na cruz que construíste, ata o cordel da oração de hoje. Por cada vez que “superas” uma tentação, de cada vez que uma tentação é ven- cida na força da oração, dás um nó. À medida que superas as tentações, os nós venci- dos na cruz encurtam a corda que te aproxima de Jesus.

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CONTINUA

2. Comunitária:

Organizar um tempo de oração diante de uma grande cruz (pode ser a de Taizé, ou uma semelhante à das JMJ) e/ou cenário do Getsémani (projeção).

EU CREIO

Não entrar em tentação» implica uma decisão do coração: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração [...] Ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6, 21, 24). «Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito» (Gl 5, 25). É neste consen- timento ao Espírito Santo que o Pai nos dá a força. «Não vos surpreendeu nenhuma ten- tação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar» (1 Cor 10, 13). (Catecismo da Igreja Católica, n. 2848)

Guardar para o caminho

• Contemplando a Agonia e todo o sofrimento de Jesus, tomámos consciência de como a oração lhe deu forças para levar a sua missão até ao fim.

• Descobrimos que também podemos fazer companhia a Jesus na sua oração, em vez de ficarmos a dormir como os discípulos.

ENCONTRO #14

Levanta-te com Cristo ressuscitado

Texto bíblico: Lc 24, 1-12

Objetivos:

• Olha o vazio e o silêncio como lugares fecundos

• Vai ao encontro do outro que experimenta o vazio

Observações pedagógicas/Indicações práticas:

• Ver o filme “Risen” (2016) na semana anterior ao encontro, como preparação.

(29)

PREPARA-TE

Jornada Mundial da Juventude

Tempo: 10 minutos

Fazendo a ponte com o encontro anterior, o animador refere que um dos objetivos da Jornada Mundial da Juventude é proporcionar a cada jovem um encontro com a pessoa de Jesus Cristo, cujo mistério pascal constitui o coração da revelação de Deus à humanidade.

“Cristo vive e quer-te vivo” é uma das expressões emblemáticas da exortação “Cristo Vive”, escrita pelo Papa Francisco. A sua ressurreição de entre os mortos é fonte de vida para todos nós. Pelo Batismo, ressuscitámos com Cristo e podemos viver uma vida nova, como filhos de Deus. Na Jornada Mundial da Juventude de Paris, a Vigília de oração, na qual foram batizados alguns catecúmenos, teve como elemento central o sacramento do Batismo.

O animador prossegue, convidando os jovens a aprofundar o sentido da ressurreição através da apresentação de um ícone bizantino da ressurreição. Convidando os jovens a identificar alguns elementos do ícone, vai destacando os seguintes aspetos:

• Este ícone foi pintado por Youssef Al-Musawwer em 1645.

Representa a descida de Cristo ao mundo dos infernos e a sua vitória sobre a morte e sobre toda a espécie de mal. O título deste ícone aparece descrito na inscrição central: “Hanactacic”

(a ressurreição).

• Cristo ocupa o centro da composição. O seu corpo parece sus- penso no espaço: com o seu corpo ressuscitado, escapa às leis do mundo. Ele derruba as portas do Inferno, depois de as ter despedaçado. Está revestido de uma túnica branca, sob um manto dourado, e é circundado por uma mandorla (figura seme- lhante a uma amêndoa), composta por múltiplos cambiantes de azul atravessadas por raios de luz que emanam do corpo.

• Cristo agarra os pulsos de Adão e de Eva, que extrai vigorosa- mente das trevas da morte. Eva veste-se de vermelho, símbolo da carne e da humanidade, ela que é a mãe dos vivos. Adão e Eva estão sobre um rochedo que forma uma montanha. De um lado e de outro de Cristo figuram dois grupos de personagens do Antigo Testamento.

• O inferno. Pregos e fechaduras cobrem o buraco negro dos Infernos, semelhante a uma caverna. Satanás surge, sob uma forma repugnante, emergindo de um fogo entre dois sarcófa- gos de pequenas dimensões. Satanás é representado de per- fil, rodeado de chamas, e ergue a cabeça para olhar para Cristo;

eleva igualmente as suas mãos para mostrar a sua derrota e a sua submissão a Cristo.

• Sobre as montanhas comparecem os anjos Gabriel (“Γ”) e Miguel (“M”), tendo nas mãos os instrumentos da Paixão: o pri- meiro com a esponja e a lança, o segundo a cruz gloriosa.

Descida de Cristo ao mundo dos infernos

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No final da explicação do ícone, leem os seguintes textos que se referem explicitamente ao mistério da ressurreição de Cristo representado no quadro:

Texto 1

Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;

nasceu da Virgem Maria;

padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;

desceu à mansão dos mortos;

ressuscitou ao terceiro dia;

subiu aos Céus;

está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.

(Credo, Símbolo dos Apóstolos)

Texto 2

«Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão.

Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte, Ele que é ao mesmo tempo seu Deus e seu Filho.»

(De uma antiga homilia de Sábado Santo)

Depois da leitura dos textos e de uma breve referência à forma como ilustram o que está representado no quadro, introduz-se o texto bíblico da ressurreição.

ESCUTA

Querigmática

Tempo: 15 minutos

O animador introduz o episódio que irá ser escutado e trabalhado neste encontro.

Evangelho segundo São Lucas (Lc 24, 1-10)

1 Mas, no primeiro dia da semana, ao amanhecer, foram ao sepulcro levando os aro- mas que tinham preparado. 2 Encontraram a pedra removida do sepulcro 3 e, ao entra- rem, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4 E aconteceu que, estando elas perple- xas com isto, eis que se lhes apresentaram dois homens em vestes resplandecentes.

(31)

5 Estando elas cheias de medo, e com o rosto inclinado para a terra, eles disseram-lhes:

«Porque procurais entre os mortos aquele que está vivo? 6 Não está aqui; ressuscitou.

Recordai-vos de como vos falou quando ainda estava na Galileia, 7 dizendo: «É necessá- rio o Filho do Homem ser entregue às mãos de homens pecadores, ser crucificado e ao terceiro dia ressuscitar».

8 Recordaram-se, então, das suas palavras 9 e, ao voltar do sepulcro, anunciaram tudo isto aos onze e a todos os outros. 10 Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras que estavam com elas. Diziam estas coisas aos apóstolos, 11 mas estas pala- vras pareceram-lhes sem sentido e não acreditavam nelas. 12 Mas Pedro, levantando-se, correu para o sepulcro e, debruçando-se, viu apenas as ligaduras de linho. E voltou para casa, admirado com o sucedido.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor.

No final da proclamação do texto, o animador comenta alguns dos aspetos seguintes:

O confronto com o túmulo vazio que as mulheres experimentam é a primeira expressão da ressurreição. É no silêncio que Deus, pela Sua morte, resgata a humanidade.

É do silêncio que brota o anúncio. Esta leitura mostra que o silêncio deu lugar ao anún- cio dos anjos.

Esta experiência tem de ser vivida, porque a simples notícia do sucedido não é suficiente para os apóstolos. Pedro tem de experimentar o silêncio do túmulo vazio para compreen- der a Ressurreição.

Pedro corre para o túmulo vazio. A relação com Deus cria a necessidade de um espaço em que Ele Se revele. Pedro levantou-se, correu e encheu-se de pressa (referência ao hino das JMJ 2023 “há pressa no ar”) para tocar o silêncio em que Deus o espera.

O vazio em que a Ressurreição tem lugar é condição para a vida eterna.

ACOLHE

Querigmática

Materiais: Testemunha em vídeo Tempo: 5 minutos

Propõe-se, de seguida, a visualização do testemunho de uma irmã de clausura, no qual se faz referência ao silêncio como condição para a escuta de Deus. O testemunho deve tocar os seguintes aspetos: Em que medida pode o silêncio ser fecundo, lugar de encon- tro? Em que medida os momentos de incompreensão, incapacidade, vazio ou dor nos conduzem também à salvação?

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3232 RISE UP

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INTERROGA-TE

Humana, espiritual e litúrgica

Materiais:

• Grelha “A presença de Deus na minha vida” (exemplo no final do encontro)

Tempo: 30 minutos

Após o vídeo, propõe-se o preenchimento de uma grelha “A presença de Deus na minha vida” em que cada um é convidado a referenciar as experiências da ausência ou da pre- sença de Deus por si vividas, com base nos seguintes passos:

• Identifico os momentos em que me senti mais cheio/a e mais vazio/a de Deus - senti Deus mais próximo ou senti Deus mais ausente. Nos momentos mais altos, de que forma senti a presença de Deus? E nos momentos mais baixos, será que Deus esteve presente, mesmo que de uma forma diferente, e eu não percebi?

• Na coluna “Momentos da vida”, os jovens registam diversos momentos da sua vida em que sentiram a ausência ou a proximidade de Deus. Nas colunas “presença/

ausência” descrevem o que sentiram nesses momentos.

• O objetivo é fazer com que o jovem olhe para toda a sua vida e identifique os momentos em que se deparou com o vazio. Olhar para a sua própria história como um todo e tentar ver se desse vazio brotou mais vida. Tentar perceber se Deus esteve ou não presente nesses momentos. A pergunta que predomina quando nos encontramos num sofrimento é ‘Porquê?’, ‘Porquê a mim?’, ‘Porquê agora?’,

‘Porquê?’.

• Mas a pergunta que move um cristão é ‘Para quê?’. Desafiar o jovem a olhar para esses momentos e perceber se já existe resposta para a pergunta do ‘Para quê?’.

PARTILHA

Humana, espiritual e litúrgica

Tempo: 20 minutos

Neste momento, os jovens são convidados a partilhar o resultado do gráfico e, se quise- rem, situações concretas das suas vidas.

No fim da partilha, o animador deve enfatizar que nenhuma história é melhor ou pior que a outra. Que são histórias conduzidas por Deus e onde Deus atua concretamente.

Todas as histórias são santas e bonitas, pois é a história da salvação de cada um. Durante a nossa vida somos confrontados com vazios e sofrimentos que não têm resposta. As mulheres foram também confrontadas com o túmulo vazio, mas os anjos foram ao encon- tro delas e relembraram-lhes que aquele momento não era razão para preocupação pois,

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na verdade, Jesus tinha ressuscitado. Jesus morreu na cruz para que pudesse ressusci- tar gloriosamente. A cruz é gloriosa. Assim também na nossa vida, Deus não se engana.

Deus permite os vazios para se manifestar de forma gloriosa. Por vezes a compreensão desta realidade demora tempo.

Termina-se esta reflexão com a leitura do seguinte texto:

«A formação da pérola pode levar anos. E tem como origem um sofrimento da própria ostra, em que essa ferida é envolvida por uma substância cicatrizante originando a pérola.

E ninguém discute a beleza desta imperfeição transformada. Às vezes, o tempo, a ora- ção perseverante, pode levar-nos a perceber, mesmo que demore. Portanto, também nós temos de ser pacientes, e perseverar no Senhor, pois Ele também envolve os nossos

‘vazios’ com a Sua matéria cicatrizante, o amor. Não devemos ter medo de testemunhar a mão de Deus na nossa própria vida, traduzida em factos concretos.» (Paolo Scquizzato, Elogio da Imperfeição)

REZA Espiritual e litúrgica

Materiais:

• Cântico: https://www.youtube.com/watch?v=lkdtYoZj_Ug

Tempo: 10 minutos

Propõe-se como momento de oração em silêncio diante do Santíssimo Sacramento, onde os jovens são convidados a rezar o gráfico da sua vida.

Cântico inicial: “Sim, Jesus”

Momento de silêncio para oração pessoal a partir do gráfico da própria vida.

Oração em conjunto: “Rezar o vazio”

Ensina-nos, Senhor, a rezar este vazio. O vazio transportado por um medo que não conhe- cíamos e que parece agora um inquilino da nossa alma.

O vazio dos espaços em isolamento.

O vazio da vida que se faz sentir como suspensa.

O vazio das horas que quem está na solidão conta de maneira diferente.

O vazio das incertezas que se acumulam, e das quais ainda não falámos.

O vazio dos olhos daqueles que veem sofrer e os olhos dos muitos que sofrem sem que nós os vejamos.

O vazio de tudo aquilo que, de um instante para o outro, é adiado.

O vazio daquela mulher idosa que passa o dia inteiro com o rosto contra o vidro da janela.

O vazio do refugiado que vê a sua esperança negada por um carimbo.

Sim, Jesus

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3434 RISE UP

RISE UP | LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #14| LIVRO DO ANIMADOR | ENCONTRO #14

O vazio do jovem diante de um futuro que escapa cada vez mais, como um pensamento distante.

O vazio que nos chega como um aviso de despejo da vida autêntica.

O vazio dos encontros e das conversas de que agora precisaríamos.

O vazio que os amigos notam.

O vazio dos risos.

O vazio de todos os abraços não dados.

O vazio da proximidade proibida.

O vazio no qual não Te vemos.

Card. José Tolentino Mendonça In Avvenire

Segue-se a bênção, ou simplesmente a reposição do Santíssimo.

LEVANTA-TE

Missionária e pastoral

Tempo: 5 minutos

Os jovens são convidados a visitar alguém que esteja a viver alguma forma de vazio ou de perda, individualmente ou em grupo.

CONTINUA

Ler o livro (ou 1.º capítulo, pelo menos) “O Elogio da Imperfeição” de Paolo Scquizzato

EU CREIO

Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus, sepultado à pressa por causa do início do Sábado, no fim da tarde de Sexta-feira Santa, foram as primeiras pessoas a encontrar-se com o Ressuscitado. Assim, as mulheres

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foram as primeiras mensageiras da ressurreição de Cristo para os próprios Apóstolos. Em seguida, foi a eles que Jesus apareceu: primeiro a Pedro, depois aos Doze. Pedro, incum- bido de consolidar a fé dos seus irmãos, vê, portanto, o Ressuscitado antes deles e é com base no seu testemunho que a comunidade exclama: «Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (Lc 24, 34.36). (Catecismo da Igreja Católica, n. 641)

Guardar para o caminho

• Diante do túmulo de Jesus vazio, descobrimos o valor do silêncio.

• Compreendemos que vale a pena fazer silêncio na nossa vida para nos encontrar- mos verdadeiramente com Deus e com a sua vontade a nosso respeito.

• Entendemos também que podemos e devemos ir ao encontro de quem se sente vazio, ajudando a encher esse vazio.

Grelha: “A presença de Deus na minha vida”

Momentos da vida Presença de Deus Ausência de Deus

ENCONTRO #15

Levanta-te e regressa

Texto bíblico: : Lc 24, 13-35

Objetivos:

• Sente que Jesus caminha ao teu lado, fala contigo e se preocupa com o que sentes.

• Acredita que a Paixão de Jesus é expressão da plena solidariedade de Deus com a nossa humanidade.

• Assume-te como peregrino/a da JMJ Lisboa 2023.

Observações pedagógicas/Indicações práticas:

• Neste encontro propõe-se a realização de uma pequena peregrinação, pelo que se deve avisar os participantes com antecedência e agendar um dia e horário que seja mais conveniente.

• Os jovens deverão levar uma pequena mochila com água, Bíblia, o guião do pere- grino e um pequeno pão.

• Propõe-se uma peregrinação curta, podendo escolher-se uma igreja da paróquia, um santuário diocesano, a paróquia vizinha ou a “Igreja JMJ” da diocese, mas funda- mentalmente que a longa distância, ou a dificuldade do caminho, não seja o mais determinante na escolha do lugar.

Referências

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