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RELATO DE EXPERIÊNCIA PROJETO TRANSFORMARTE

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Academic year: 2022

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RELATO DE EXPERIÊNCIA

PROJETO TRANSFORMARTE

Oreni Soares Vieira [email protected] Maria Antônia de Medeiros [email protected]

Resumo

O presente relato propõe uma reflexão sobre o ensino de Arte na Educação Especial, a partir de uma prática com desenho. A proposta interdisciplinar foi articulada às atividades desenvolvidas pelo Programa Oficinas Ocupacionais, com alunos de 16 a 52 anos (06 mulheres e 22 homens), na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Patos de Minas. Depois de vivenciarem situações práticas de preparo da terra, semeadura e colheita de alimentos, os alunos fizeram um registro visual das ações, valendo-se de desenhos de memória, que posteriormente, foram transferidos para retalhos de tecidos, usados pela comunidade escolar na produção final de um painel.

Introdução

Trabalhar arte na escola de Educação Especial implica propor práticas que levem os alunos ao reconhecimento dos seres e das coisas do seu entorno, oferecendo-lhes uma infinidade de experiências visuais e sonoras. Existe uma contemplação que precisa ser sempre estimulada, de forma significativa e sensível.

No caso da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Patos de Minas, a escola conta com um espaço diferenciado para suas práticas, um terreno em área rural, hoje denominada APAE RURAL, aonde vem desenvolvendo o Programa Oficinas Ocupacionais, com ações que resgatam a criatividade e a auto-estima dos alunos, através do plantio de hortas e jardins (laborterapia).

Neste contexto, são recorrentes projetos em que a educação em arte associa-se à educação laboral, propiciando o desenvolvimento do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido à existência humana. O ato de transformar o ambiente em hortas e jardins e, a partir daí, desenhar e bordar desenvolve a sensibilidade, a percepção e a imaginação dos

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envolvidos, dando-lhes prontidão para realizar formas artísticas e apreciar e conhecer as formas produzidas.

A ideia de associar arte e natureza se justifica não só pela possibilidade de valorização do meio ambiente, mas também pela necessidade de se utilizar recursos acessíveis aos alunos, visto que se trata de pessoas com necessidades especiais, de 16 a 52 anos (06 mulheres e 22 homens), de baixo poder aquisitivo e que não contam com recursos materiais para a produção artística.

Do cultivo da terra ao fazer artístico: processos e reflexões

Por considerar a construção do percurso criador pessoal como um dos objetivos centrais para as aulas de Arte, os projetos desenvolvidos na APAE são interdisciplinares, geralmente voltados para o fazer artístico que articula arte, vida e meio ambiente.

Este Projeto teve seu início em 2012, durante as comemorações dos 40 anos da APAE, quando foi lançada a proposta Verde é Vida, que contou com o apoio dos Correios, na doação de 40 mudas de árvores para serem plantadas nesse dia: ipês, palmeiras e outras. A coordenação dos trabalhos ficou na responsabilidade de duas professoras Oreni Soares Vieira e da Professora/Coordenadora das Oficinas Ocupacionais Maria Antonia de Medeiros. Como colaboradores, participaram da ação Antonio Celso Lamounier - Agrônomo e Diretor de Patrimônio da APAE de Patos de Minas e João Bosco de Castro Borges.

Nessa primeira etapa, foi feita a limpeza do terreno, a pintura das porteiras, das estacas das cercas e do meio fio da rodovia. Depois houve o plantio das orquídeas nos troncos das árvores e a organização de um jardim com variadas flores e folhagens. Na sequência, houve o plantio de frutas, legumes e verduras para a manutenção da cantina da escola e para comercialização.

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Fig. 01 – Plantio da horta

Em 2013, a coordenação do projeto foi informada sobre a crise financeira em que estava a escola, impossibilitando a continuidade da horta na unidade rural. Ao observar que havia um espaço ocioso no quintal da escola, foi proposta a ação Horta Educativa. Essa nova proposta contou com a parceria das famílias.

De início, os alunos observaram o espaço, analisaram o que poderia ser aproveitado. Houve, então, a doação do esterco. Foi feita a limpeza do local, todo o entulho foi retirado. Ao picar a terra, perceberam o quanto o terreno estava compactado, com restos de areia, cascalho e brita que sobraram da construção.

Fig. 02 – Limpeza do terreno

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Foi um momento difícil para os alunos e profissionais, para transformar a terra improdutiva em terra produtiva. No início, foram utilizadas algumas mudas de cebolinha que já havia no local, que foi transformado em três grandes canteiros. Foram utilizados esterco bovino e areia para a fertilização do solo.

Depois surgiram canteiros de couve, com mudas vindas da unidade rural e doação das famílias. Foram arrancados os pés de mandiocas existentes e replantadas as ramas. Novos canteiros foram feitos para espinafre, alface, beterraba, rúcula, almeirão, repolho, rabanete, quiabo. Temperos como: coentro, salsinha cebolinha e pimenta e também o cultivo de plantas medicinais; hortelã, manjericão, barbatimão, alfavaca, capim cidreira e boldo.

A rotina dos alunos era capinar, regar e manter a limpeza do local. Também cuidaram das vendas da produção e das entregas dos produtos.

Fig. 03 – Horta pronta

Além de educar o olhar para a contemplação das paisagens, quadros vivos, onde se percebe nitidamente as cores, formas, linhas e texturas, o cultivo da terra trouxe alguns questionamentos em relação às reações do corpo durante os trabalhos realizados:

semear, cultivar, colher.

Nas aulas, os alunos comentavam sobre a possibilidade de criar a vida, de transformar as coisas do entorno, um dos maiores prazeres que o ser humano pode experimentar. Foi um momento em que todos os participantes se despiram da sofisticação da modernidade, dos recursos tecnológicos para serem terra e ser humano.

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Como todas as ações foram registradas em vídeo e fotografias, na última etapa do Projeto, os alunos quiseram desenhar o que vivenciaram. Este foi o momento deles, de mostrarem o potencial artístico que adquiriram com todas aquelas experimentações com a terra. Nos desenhos produzidos pelos alunos, percebe-se que ampliaram os traços de seus desenhos e compreenderam a importância do desenho como registro da memória.

Considerando as fases do desenho observadas por Rosa Maria Stabile (1988), os desenhos dos alunos vão além do estágio esquemático (6 a 9 anos), em que a linha de base exprime: base, terreno e os objetos são desenhados perpendiculares a esta linha.

Observou-se que apuraram o olhar para perceber texturas, densidades e plasticidade da linha, embora muitos ainda estejam presos a estereótipos em suas produções.

Fig. 04 – Produção dos desenhos

Passadas as ações para o papel, os alunos pediriam a ajuda das mães para transferirem os desenhos para retalhos de tecidos. A proposta final era produzirem um painel de tecido, medindo 2,30m X 2,50m, com a junção de todos os desenhos para apresentarem na mostra Cultural da Escola.

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Fig. 05 – Painel final

Considerações finais

Por se tratar de uma modalidade de ensino diferenciada da regular, um dos objetivos deste projeto foi permitir que os alunos fossem os protagonistas de todo processo. No que se refere à produção dos desenhos, incentivou-se a auto-expressão, embora alguns ainda tenham apresentado o desenho estereotipado.

Na Educação Especial, é importante que a apropriação do conhecimento seja proporcionada pelas reflexões que surgem a partir de experimentações e observações práticas. .

Mais importante que os resultados obtidos, vale a participação dos alunos. Neste caso, a avaliação foi processual, sendo observada a participação em todas as etapas.

Cada aluno realizava atividades de acordo com suas condições físicas e intelectuais.

Cada dia uma nova descoberta, um novo aprendizado, que compartilhavam com seus familiares e amigos. Com isso, houve a integração escola – comunidade, pois puderam aprender e aplicar o que aprenderam.

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Referências

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino de Artes. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. MEC/SEF, Brasília, 1997.

CIVITA,Victor.Revista Guia Rural: horta.São Paulo: Editora Abril, 1990.

DIAS,Salete Benefícios do jiló.Disponível em:

<http://saude.culturamix.com/nutricao/beneficios-do-jilo-para-a-saude/> Acesso em Março de 2013.

DONDIS, D. A. Sintaxe da linguagem visual. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

LOWENFELD, V.Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

LOUREDO, Paula.Suor. Disponível em:

<http://www.brasilescola.com/biologia/suor.htm> Acesso em Março de 2013.

Portal da Educação.Biomecânica: Músculos e suas funções . Disponível em:

<http://www.portaleducacao.com.br/educacao-fisica/artigos/34321/biomecanica- musculos-e-suas-funcoes> Acesso em: Março de 2013.

Portal da Sociedade Brasileira de Dermatologia Higiene capilar. Disponível em:

<http://www.sbd.org.br/cuidados/higiene-capilar/>Acesso em Março de 2013.

STABILE, R. M.. A expressão artística na pré-escola. São Paulo: FDT, 1988.

Referências

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