AVALIAÇÃO DE ALUMÍNIO TOTAL EM FÓRMULAS
INFANTIS
E.L. Paiva
1, A.A. Pavesi
2, R.F. Milani
3, M.A. Morgano
41-Departamento de Ciências dos Alimentos – Universidade Estadual de Campinas – CEP: 13083-970 – Campinas – SP – Brasil, Telefone: 55 (35) 99102-5053 – e-mail: ([email protected])
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RESUMO
Alumínio pode ser encontrado em alimentos como resultado de sua ocorrência natural no ambiente, contaminação ou devido à ampla utilização como componentes de aditivos alimentares. Trabalhos recentes têm relatado a presença de alumínio em alimentos infantis e revelam que quando ingerido pode se acumular na mucosa intestinal podendo afetar o desenvolvimento cerebral. Devido a esta possível contaminação, os objetivos do presente trabalho são desenvolver um método para a determinação de alumínio e verificar sua ocorrência em fórmulas infantis usando a técnica de ICP OES. A ingestão deste contaminante através da dieta foi avaliada considerando a recomendação de consumo do Ministério da Saúde e rótulos presentes nas embalagens. Os dados obtidos neste trabalho refletem a importância na avaliação da qualidade e segurança de fórmulas infantis destinadas
especialmente aos lactentes e prematuros, que requerem maior complementação alimentar e exibem baixa tolerância ao alumínio.
ABSTRACT
Aluminum can be found in food as a result of its natural occurrence in the environment, contamination, or even because of its wide use as components of food additives. Recent studies have reported the presence of aluminum in infant foods and reveal that when ingested it may accumulate in the intestinal mucosa and affect brain development. Due to this possible contamination, the objectives of the present work are to develop a method for the determination of aluminum and verify its occurrence in infant formula using the ICP OES technique. The intake of this contaminant through the diet was evaluated considering the consumption recommendation of the Ministry of Health and labels present on the packaging. The data obtained in this study reflect the importance of quality and safety evaluation control of infant formulas regarding the presence of aluminum, especially for infants and premature infants, which require more food supplementation and exhibit low tolerance to aluminum. PALAVRAS-CHAVE: alumínio; fórmulas infantis; estimativa de exposição.
KEYWORDS: aluminium; infant formulas; exposure assessment.
1.
INTRODUÇÃO
A infância provavelmente é o período de vida em que as maiores necessidades nutricionais do corpo humano são observadas, sendo o leite materno considerado o melhor alimento para lactentes. Em circunstâncias em que a amamentação não seja possível ou suficiente, fórmulas infantis são usadas para suprir as demandas nutricionais dos lactentes (Zhao et al., 2013) sendo a complementação alimentar dos bebês realizada a partir dos primeiros meses de vida mediante carências energéticas e nutricionais relacionadas às suas características fisiológicas (Perales et al., 2006; Ma et al., 2016). Do ponto de vista nutricional é importante conhecer os conteúdos minerais de alimentos infantis bem como a fração do nutriente/elemento ingerido que é absorvida e subsequentemente utilizada para funções fisiológicas normais.
Alguns estudos (CAC, 2016; Zhao et al., 2013; Tomljenovic, 2011; Ma et al., 2016) têm relatado a presença de elementos acumulativos e tóxicos, conhecidos como contaminantes inorgânicos, em água potável, aditivos alimentares, matérias-primas e em alimentos processados destinados ao consumo humano. Quando ingeridos diretamente ou envolvidos em processos de produção de alimentos infantis, estes contaminantes inorgânicos podem ser gradativamente acumulados no organismo e podem estar associados ao desenvolvimento de diversas patologias, efeitos mutagênicos, carcinogênicos e neurológicos. Na literatura tem sido relatado que os bebês, especialmente os prematuros que requerem maior complementação alimentar, exibem baixa tolerância ao alumínio, sendo ainda mais sensíveis à exposição a este elemento do que os adultos (Mohamed et al., 2015). Sendo a dieta a principal fonte de ingestão de alumínio, o Comitê Conjunto FAO/OMS de Peritos em Aditivos Alimentares - JECFA (CAC, 2016) confirmou na 74º reunião o valor de PTWI (Provisional Tolerable Weekly Intake – Ingestão Semanal Tolerável Provisória) para este elemento de 2 mg kg-1 peso corpóreo (pc). A PTWI aplica-se a todos os compostos de alumínio nos alimentos, incluindo aditivos alimentares. O JECFA observou ainda que a PTWI é susceptível de ser ultrapassada em grande medida por alguns grupos populacionais, particularmente as crianças, que consomem regularmente alimentos que contêm aditivos à base de alumínio. O JECFA também inferiu que a exposição a este metal por lactentes alimentados com fórmulas infantis é alta. Diante do exposto os objetivos do presente trabalho são desenvolver um método para a determinação de alumínio (Al) em fórmulas infantis usando a técnica de espectrometria de emissão atômica com plasma indutivamente acoplado (ICP OES), verificar a ocorrência desse contaminante nestes alimentos e realizar o cálculo da estimativa de ingestão a partir dos dados obtidos.
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Amostras
Para o desenvolvimento deste projeto foram coletadas amostras de fórmulas infantis em estabelecimentos comerciais da cidade de Campinas, SP avaliando-se dez amostras de três diferentes marcas de produtos destinados a lactentes (0 a 6 meses), incluindo aqueles à base de leite de vaca e de soja. Foi realizada uma amostragem de pelo menos três lotes de cada produto e a determinação de alumínio foi realizada em triplicata.
2.2 Método analítico para determinação de alumínio total em
fórmulas infantis
Para a determinação do teor total do contaminante inorgânico alumínio foi usada a técnica de ICP OES com prévia digestão das amostras em um sistema fechado assistido por micro-ondas usando ácido nítrico, peróxido de hidrogênio e controle de temperatura.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados obtidos das amostras analisadas demonstraram elevados teores de alumínio total, com concentrações variando entre 870 µg kg-1 a 4511 µg kg-1 no conteúdo em pó (Figura 1). Para a avaliação dos riscos associados à exposição ao alumínio pela dieta, os valores de ingestão estimados foram comparados à ingestão semanal tolerável provisória (PTWI) estabelecida pelo JECFA (FAO/WHO, 2011). Considerando o número máximo de seis preparos (mamadeiras) por dia (168 g de fórmula infantil – cenário 1) e a recomendação de consumo do Ministério da Saúde (MS, 2005) (91,3 g de fórmula infantil – cenário 2), ao longo de toda a semana, os valores estimados de exposição representam entre 4% a 19% e entre 7% a 35% da PTWI, respectivamente, para os cenários 1 e 2 (Figura 2).
Figura 1 – Teores de alumínio total em fórmulas infantis (µg kg-1
)
Figura 2 – Avaliação da ingestão de alumínio total em fórmulas infantis (µg kg-1
5. CONCLUSÕES
Os dados obtidos neste trabalho demonstram a importância da avaliação da qualidade e segurança de fórmulas infantis em relação à presença do contaminante inorgânico alumínio. A atual pesquisa mostrou que as fórmulas infantis destinadas a lactentes podem contribuir como importante fonte de exposição a este elemento tóxico, sendo necessários maiores estudos direcionados especialmente aos prematuros que requerem maior complementação alimentar e possuem baixa tolerância ao alumínio, além de serem mais sensíveis à exposição a este elemento do que os adultos.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Artigo de periódico:
Ma, N., Liu, Z. P., Yang, D. J., Liang, J., Zhu, J. H., Xu, H.B., Li, F. Q., & Li, N. (2016). Risk assessment of dietary exposure to aluminium in the Chinese population. Food Additives & Contaminants: Part A, 5, 2-6.
Mohamed F. B., Zaky, E. A., El-Sayed, A. B., Elhossieny, R. M., Zahra, S. S., Salah Eldin, W., Youssef, W. Y., Khaled, R. A., Youssef. A. M. (2015). Assessment of hair aluminum lead, and mercury in a sample of autistic Egyptian children: environmental risk factors of heavy metals in autism. Behavioural Neurology, 201, 545 – 674.
Perales, S., Barberá, R., Largada, M. J., & Farré, R. (2006). Bioavailability of zinc from infant foods by in vitro methods (solubility, dialyzability and uptake and transport by Caco-2 cells). Journal of the Science of Food and Agriculture, 86, 971–978.
Tomljenovic, L. (2011). Aluminum and Alzheimer’s Disease : After a Century of Controversy , Is there a Plausible Link? Journal of Alzheimer’s disease, 23, 567–598.
Zhao, T. T., Chen, B., Wang, H. P., Wang, R., Zhang, H. (2013). Evaluation of toxic and essential elements in whole blood from 0- to 6-year-old children from Jinan, China. Clinical Biochemistry, 46, 612-616.
Legislação:
CAC - Codex Alimentarius Commission. (2016). Working document for information and use in discussions related to contaminants and toxins in the gsctff. 10 th Session Rotterdam, The Netherlands 4 - 8 April. Disponível em : http//ftp.fao.org/codex/Meetings/cccf/cccf9/cf09_13e.pdf. Acessado em (09.02.18).
FAO/WHO (2011). Seventy-fourth meeting of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives. Rome: Summary report of the seventy-fourth meeting of JECFA.
Ministério da Saúde. (2005). Guia Alimentar para Crianças menores de 2 anos. Ministerio da Saúde (Brazilian Ministry of Health). http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_criancas_menores_2anos.pdf. Acessado em (08.02.18).