INTRODUÇÃO À FILOSOFIA
A VISÃO MITOLOGICA
DO MUNDO
A VISÃO MITOLÓGICA DO MUNDO
Por filosofia entendemos uma
forma completamente nova de
pensar, surgida na Grécia por volta
de 600 a.C.
Antes disso, todas as perguntas dos
homens haviam sido respondidas
pelas diferentes religiões.
Essas explicações religiosas tinham
sido passadas de geração para
geração através dos mitos.
O que é Mito?
Um mito é uma história de deuses e tem por
objetivo explicar por que a vida é assim como é.
Ao longo dos milênios, espalhou-se por todo o
mundo uma diversificada gama de explicações mitológicas para as questões filosóficas. Os
filósofos gregos tentaram provar que tais explicações não eram confiáveis.
A fim de entendermos o pensamento dos
primeiros filósofos, precisamos entender primeiro o que significa ter uma visão mitológica do mundo.
Pois os gregos também tinham a sua visão
mitológica do mundo, quando surgiram os primeiros filósofos. Ao longo dos séculos, as histórias dos deuses foram sendo passadas de geração em geração. Na Grécia, os deuses eram chamados de Zeus e Apolo, Hera e Atena,
Dioniso e Asclépio, Heracles e Hefestos, apenas
para citar alguns nomes.
Por volta de 700 a.C., Homero e Hesíodo
registraram por escrito boa parte do tesouro da mitologia grega. Isto levou a uma situação
completamente nova. É que, a partir do
momento em que os mitos foram colocados no papel, já se podia discutir sobre eles.
Os primeiros filósofos gregos criticaram a
mitologia descrita por Homero, porque para eles os deuses ali representados tinham muitas
semelhanças com os homens. De fato, eles eram exatamente tão egoístas e traiçoeiros como
qualquer um de nós. Pela primeira vez na história da humanidade foi dito claramente que os mitos talvez não passassem de frutos da imaginação do homem.
Um exemplo dessa crítica aos mitos pode ser encontrado no filósofo Xenófanes, nascido por volta de 570 a.C. Para ele, as pessoas teriam criado os deuses à sua própria imagem e
Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e teogonias.
A palavra gonia vem de duas palavras
gregas: do verbo gennao (engendrar, gerar, fazer nascer e crescer) e do substantivo
genos (nascimento, gênese, descendência,
gênero, espécie). Gonia, portanto, quer dizer: geração, nascimento a partir da concepção sexual e do parto.
Cosmos, como já vimos, quer dizer mundo
ordenado e organizado. Assim, a
cosmogonia é a narrativa sobre o
nascimento e a organização do mundo, a partir de forças geradoras (pai e mãe)
Teogonia é uma palavra
composta de gonia e theós,
que, em grego, significa: as
coisas divinas, os seres
divinos, os deuses. A
teogonia
é, portanto, a narrativa da
origem dos deuses, a partir de
seus pais e antepassados.
Quais são as diferenças entre Filosofia e mito?
Podemos apontar três como as mais importantes:
1. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou
tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A Filosofia, ao contrário, se preocupa em explicar como e por que, no passado, no presente e no
futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são;
2. O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas
sobrenaturais e personalizadas, enquanto a
Filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e
3. O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como
também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.
O mito do deus do trovão
Para explicar de onde
se originava o
fenômeno natural do
trovão os povos
nórdicos elaboraram
um mito na qual um
deus(Thor) batia seu
martelo produzindo um
raio.
O mito de Prometeu
No mito grego o FOGO tem origem celeste. Prometeu roubou o fogo dos deuses e entregou-o a nós, humanos. Isso possibilitou-nos sair da condição "primitiva" em que vivíamos e, aos poucos adquirirmos consciência, nos sociabilizarmos e desenvolvermos técnicas de intervenção na Natureza.
Prometeu foi castigado por Zeus : ficou acorrentado a uma rocha por milhares de anos, até ser resgatado por Hércules. Enquanto acorrentado, tinha seu fígado devorado dia a dia, por uma águia. A noite o fígado era recomposto para no dia seguinte ser novamente dilacerado.
Zeus enviou um grande dilúvio para destruir a humanidade.
Condições históricas para o surgimento
da Filosofia
as viagens marítimas
:
Asviagens produziram o desencantamento ou a desmistificação do mundo, que
passou, assim, a exigir uma explicação sobre sua origem, explicação que o mito já não podia oferecer;
a invenção do calendário
, queé uma forma de calcular o tempo segundo as estações do ano, as horas do dia, os fatos
importantes que se repetem, revelando, com isso, uma capacidade de abstração nova, ou uma
percepção do tempo como algo natural e não como um poder divino incompreensível;
a invenção da moeda
,que permitiu uma forma de troca que não se realiza através das coisas concretas ou dos objetos concretos trocados por
semelhança, mas uma troca abstrata, uma troca feita pelo cálculo do valor semelhante das coisas diferentes,
revelando, portanto, uma nova capacidade de abstração e de generalização;
o surgimento da vida urbana
, com predomínio do comércio e do artesanato, dando desenvolvimento a técnicas de fabricação e de troca, e diminuindo o prestígio das famílias da aristocracia proprietária de terras, por quem e para quem os mitos foram criados; além disso, o surgimento de uma classe de comerciantes ricos, que precisava encontrar pontos de poder e deprestígio para suplantar o velho poderio da
aristocracia de terras e de sangue (as linhagens constituídas pelas famílias), fez com que se
procurasse o prestígio pelo patrocínio e estímulo às artes, às técnicas e aos conhecimentos,
favorecendo um ambiente onde a Filosofia poderia surgir;
a invenção da
escrita
alfabética
, que, como a do calendário e a da moeda, revela o crescimento da capacidade de abstração e de generalização, uma vez que a escrita alfabética ou fonética, diferentemente de outras escritas - como, por exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou os ideogramas dos chineses -, supõe que não se represente uma imagem da coisa que está sendo dita, mas a idéia●
A invenção da política, que introduz três
aspectos novos e decisivos para o
nascimento da Filosofia:
1. A idéia da lei como expressão da vontade de uma
coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações
internas. O aspecto legislado e regulado da cidade - da
polis - servirá de modelo para a Filosofia propor o
aspecto legislado, regulado e ordenado do mundo como um mundo racional.
2. O surgimento de um espaço público, que faz
aparecer um novo tipo de palavra ou de
discurso, diferente daquele que era proferido pelo mito. Neste, um poeta-vidente, que
recebia das deusas ligadas à memória (a deusa Mnemosyne, mãe das Musas, que guiavam o poeta) uma iluminação misteriosa ou uma revelação sobrenatural, dizia aos homens quais eram as decisões dos deuses que eles deveriam obedecer.
3. A política estimula um
pensamento
e um discurso que nãoprocuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que
procuram, ao contrário, ser públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e discutidos. A idéia de um pensamento que todos podem compreender e discutir, que todos podem comunicar e transmitir, é fundamental para a Filosofia
.
Os Mitos Hoje
O Mito da Ciência: O ideal asséptico;
O Mito da Técnica e da Tecnologia;
O Mito das Ideologias;
Os Mitos do Poder
O Mito da Competência Medida: O vestibular
QUESTÕES VESTIBULAR
QUESTÃO 05 UFMG 2001Leia estes trechos: TRECHO 1
Terra primeiro gerou igual a si mesma
Céu constelado, a fim de cobri-la toda ao redor
e de que fosse aos deuses venturosos sede segura para sempre. E gerou altas montanhas, belas moradas das deusas
Ninfas que habitam as montanhas frondosas.
E gerou também a infecunda planície impetuosa de ondas, o Mar, sem desejoso amor.
TRECHO 2
A água envolve a terra, tal como ao redor daquela encontra-se a esfera de ar e, ao redor desta, a esfera dita de fogo [...] por outro lado, o sol, movendo-se do modo como ele o faz, produz as mudanças da geração e
da corrupção e, por causa disto, a água mais leve e mais doce é aspirada todo dia e, uma vez dividida e vaporizada, é transportada para a alta atmosfera; lá, ela é novamente condensada por causa do frio e desce então, mais uma vez, para a terra. E isto, como dissemos anteriormente, a natureza sempre quer produzir deste modo.
ARISTÓTELES. Meteorológica, 354 b23-32.
Os dois trechos caracterizam formas distintas de conhecimento.
1. IDENTIFIQUE o tipo de conhecimento representado em cada um deles.
CARACTERIZE os dois tipos de conhecimento identificados.
Fontes consultadas
Convite à Filosofia
De Marilena Chaui
Ed. Ática, São Paulo, 2000.
O mundo de Sofia
De Jostein Gaarder
Cia. das Letras, São Paulo, 1998 Tradução de João Azenha Jr.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena
Pires. Filosofando. Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna 2002