Gerenciamento de
Áreas Contaminadas
Secretaria de Estado do Meio Ambiente
José Goldemberg - Secretário
CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
Dráusio Barreto - Diretor Presidente
de Áreas Contaminadas
Projeto CETESB - GTZ
Cooperação Técnica
Brasil - Alemanha
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Deutsche Gesellschaft für Technische ZusammenarbeitCompanhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
Agência Brasileira de Cooperação
Deutsche Gesellschaft für
Technische Zusammenarbeit
(GTZ) Gmbh
Projeto
Recuperação do solo e das águas subterrâneas em áreas
de disposição de resíduos industriais
Coordenação brasileira: Eduardo Luís Serpa
Coordenação alemã: Dr. Andreas Marker
pela Dr. Krätzig Ingenieurgesellschaft mbh
2ª edição
Equipe
Álvaro Gutierrez Lopes
Andreas Marker
Elton Gloeden
Marco Antonio Günther
Maria José de Barros Fraccaroli
Nádia Azevedo de Almeida
Rodrigo César de Araújo Cunha
Vicente de Aquino Neto
Wagner França Aquino
Com apoio de
Ero Hermínio Crozera, consultor
Jan Weber, consultor
Estagiários
Marcelo Itacarambi Albergaria
Marta Tereza Deucher
Projeto Gráfico e Editorial da Publicação
Copyright
ã 1999 da CETESB – GTZ
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(CETESB – Biblioteca, SP, Brasil)
CDD (18ª ed.)
614.77
628.55
CDU (2ª ed. Med. Port.)
628.396
628.516
Contato:
Projeto CETESB – GTZ
Eduardo Luís Serpa
Andreas Marker
Telefone/Fax: (0xx11)
3030-6577
E-mail: [email protected]
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
do Estado de São Paulo – CETESB.
Av. Prof. Frederico Hermann Jr., 345
C418m CETESB
2.ed. Manual de gerenciamento de áreas contaminadas / CETESB, GTZ.
2.ed. - - São Paulo : CETESB, 2001.
[389] p. em várias paginações : il. ; 30 x 21 cm
Projeto de Cooperação Técnica Brasil – Alemanha - CETESB –
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental e GTZ – Deutsche
Gesellschaft fur Technische Zusammenarbeit.
ISBN
1. Água subterrânea – poluição 2. Meio ambiente – administração 3.
Meio ambiente – legislação 4. Meio ambiente – políticas 5. Poluição –
controle 6. Solo – poluição I. GTZ. II. Título.
0010
Apresentação
A questão da contaminação do solo e das águas subterrâneas tem sido objeto de grande preocupação nas três últimas décadas em países industrializados, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Esse problema ambiental torna-se mais grave para centros urbanos industriais como a Região Metropolitana de São Paulo.
O encaminhamento de soluções para essas áreas contaminadas por parte dos órgãos que possuem a atribuição de administrar os problemas ambientais, deve contemplar um conjunto de medidas que assegurem tanto o conhecimento de suas características e dos impactos por elas causados quanto da criação e aplicação de instrumentos necessários à tomada de decisão e às formas e níveis de intervenção mais adequados, sempre com o objetivo de minimizar os riscos à população e ao ambiente decorrentes da existência das mesmas.
A CETESB, responsável pelas ações de controle ambiental no Estado de São Paulo e preocupada com o problema no âmbito do Estado, tem procurado organizar-se no sentido de dotar a instituição de estrutura que possibilite a sua efetiva atuação e encaminhamento de soluções para esse grave problema ambiental.
Para tanto, procurou apoio técnico e suporte financeiro viabilizado através de cooperação técnica com o governo da Alemanha, por meio de sua Sociedade de Cooperação Técnica (Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit, GTZ), desenvolvendo projeto específico dentro do tema Áreas Contaminadas com o objetivo de capacitar a instituição para sua atuação no gerenciamento dessas áreas. O Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas é o resultado dessa cooperação, do trabalho e da experiência adquiridos pela equipe técnica da CETESB que atua no projeto.
Este manual, sendo o primeiro desse gênero na língua portuguesa, pretende ser um documento consultivo e propositivo. Consultivo no que diz respeito a fornecer aos técnicos da CETESB, de outros órgãos e de empresas privadas, os conceitos, informações e metodologias que venham uniformizar as ações dessas instituições que deverão agir em conjunto para a solução dos problemas gerados por estas contaminações. Propositivo no sentido de que serve para mostrar as propostas da equipe do projeto em termos de atuação e do estabelecimento de metodologias de trabalho a serem seguidas nas futuras ações da CETESB em termos de áreas contaminadas.
A sua apresentação em forma de fascículo por assunto tem como objetivo possibilitar a sua contínua revisão, atualização e inserção de novos capítulos.
Dr. Dráusio Barreto Diretor Presidente
0020
Notas explicativas para o usuário
A apresentação deste manual em formato de fascículos individuais tem como objetivo possibilitar a contínua revisão e atualização dos textos. A biblioteca da CETESB receberá as atualizações do gerente do setor responsável, possibilitando aos usuários manter-se informados sobre as mesmas.
Ao receber as novas versões, o usuário deve substitur as já existentes.
Para controle, encontra-se uma Ficha de Atualização, na seção 0021, na qual deverão ser registradas as modificações efetuadas e na qual constará o estado atual do manual.
Este está dividido em 12 capítulos, numerados em milhares, subdivididos em seções (algarismos arábicos) com os respectivos anexos.
Cada seção terá a sua própria numeração de páginas, facilitando assim a atualização para troca das páginas de toda a seção.
A seguir, encontra-se uma descrição sucinta de cada um dos capítulos que constituem este manual.
Capítulo I: é uma introdução geral do assunto, descrevendo os conceitos básicos
e o estado-de-arte mundial sobre áreas contaminadas (ACs) quanto ao seu gerenciamento e tratamento institucional.
Capítulo II: aborda as bases legais existentes no Brasil e na Alemanha sobre ACs,
contemplando as normas legais para gerenciamento dessas áreas.
Capítulo III: apresenta métodos, técnicas e procedimentos na identificação de áreas potencialmente contaminadas em escala regional e local.
Capítulo IV: discorre sobre a estrutura e o uso do cadastro de áreas contaminadas.
Capítulo V: apresenta os instrumentos de avaliação preliminar e explica o uso da
ficha cadastral, na qual estão registrados todos os dados disponíveis sobre a área a ser analisada.
Capítulo VI: descreve os procedimentos propostos para confirmar a existência de
uma contaminação e os critérios aplicados para essa confirmação através da
investigação confirmatória. Os procedimentos incluem métodos empregados em
campo, amostragem, análise e interpretação dos resultados, utilizando-se listas de valores-limite.
Capítulo VII: apresenta a metodologia de priorização que é aplicada para identificar
áreas com maior urgência de intervenção, dentro do universo de áreas potenciais.
Os capítulos VIII ao XII são apresentados em itálico no índice do Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, entretanto estes não estão incluídos nesta 1a edição, devendo ser acrecentados nas próximas edições.
Capítulo VIII: aborda os métodos e procedimentos de investigação detalhada de
uma AC, para a caracterização dos contaminantes e de sua distribuição espacial em nível suficientemente detalhado para decidir sobre a realização de ações posteriores.
Capítulo IX: descreve os aspectos da avaliação de risco e seus métodos.
Capítulo X: apresenta os métodos e procedimentos aplicados na investigação de
uma área contaminada para planejar e projetar sua recuperação/remediação.
Capítulo XI: aborda a elaboração do projeto de recuperação de uma área
contaminada.
Capítulo XII: apresenta informações e critérios sobre a aplicação de tecnologias de
remediação, incluindo métodos de contenção, descontaminação e revitalização de áreas contaminadas.
Atualizações
Capítulo Seções Data Objetivo
Capítulo 0 0010 – 0999
Capa - 0010 – 021 – 0200 – 0300 - 0400
11/99
10/01 Alterações gerais - Nova apresentação - português Capítulo I 1000 – 1999 1000 11/99 10/01 Figuras 1000-1 e 1000-2 Capítulo II 2000 – 2999 11/99 Capítulo III 3000 – 3999 11/99 Capítulo IV 4000 – 4999 11/99 Capítulo V 5000 – 5999 5101 5102 11/99 10/01 10/01 Atualização da Ficha Cadastral Atualização da Guia de Preenchimento Capítulo VI 6000 – 6999 11/99 Capítulo VII 7000 – 7999 7101 11/99 10/01 Atualização da Ficha de Pontuação de Áreas Contaminadas
Atualizações
Capítulo Seções Data Objetivo
Capítulo VIII 8000 - 8999
Capítulo IX 9000 - 9999
Capítulo X 10 000 – 10 999
Capítulo XI 11 000 – 11 999
Índice
A estrutura geral
(capítulos e seções)
Informações e dados básicos
Capítulo 0
0001 –
0999
Apresentação e dados técnicos
Capítulo I
1000 –
1999
Aspectos gerais
Capítulo II
2000 –
2999
Bases legais
O procedimento do gerenciamento
de áreas contaminadas
Capítulo III
3000 –
3999
Identificação
de áreas contaminadas
Capítulo IV
4000 –
4999
Cadastro
de áreas contaminadas
Capítulo V
5000 –
5999
Avaliação preliminar
Capítulo VI
6000 –
6999
Investigação confirmatória
Capítulo VII
7000 –
7999
Priorização
Capítulo VIII*
8000 –
8999
Investigação detalhada
Capítulo IX*
9000 –
9999
Avaliação de risco
Capítulo X*
10000 – 10999
Investigação para remediação
Capítulo XI*
11000 – 11999
Projeto de remediação
Índice
Apresentação
0010
Notas explicativas para o usuário
0020
Atualizações
0021
Índice
0100
Glossário - Definições
0200
Abreviaturas
0300
Autores
0400
Capítulo I
Aspectos gerais
Conceituação
1000
O gerenciamento de áreas contaminadas
1100
Capítulo II
Bases legais
Bases legais – Introdução
2000
`
Legislação brasileira
2100
Legislação alemã
2200
Lei estadual sobre o reconhecimento, contenção e
remediação de áreas contaminadas
Capítulo III Identificação de áreas
potencialmente contaminadas
Identificação de áreas potencialmente
contaminadas – Introdução
3000
Definição das atividades
potencialmente contaminadoras
3100
Lista de atividades potencialmente
contaminadoras
3101
Utilização de fotografias aéreas para
a detecção de áreas contaminadas
3200
Ficha de identificação de áreas suspeitas
em fotografias aéreas
3201
Exemplos de análise de fotografias aéreas
3202
Capítulo IV O Cadastro de áreas contaminadas
O Cadastro de áreas contaminadas
4000
Capítulo V
Avaliação preliminar
Avaliação preliminar – Introdução
5000
A ficha cadastral de áreas contaminadas
5101
Guia para preenchimento da ficha cadastral
Capítulo VI Investigação confirmatória
Investigação confirmatória – Introdução
6000
Métodos de “screening”
6100
Métodos geofísicos
6200
Procedimentos de amostragem do solo
6300
Protocolo de amostragem de solo
6301
Preservação de amostras do solo
6310
Amostragem de águas subterrâneas
6400
Amostragem e monitoramento das
águas subterrâneas – Norma CETESB, 1988
6410
Preservação de amostras de água/ chorume
6420
Parâmetros de qualidade do solo e
águas subterrâneas para a
Investigação Confirmatória
6500
Regulamentação da Lei Federal
da Proteção do Solo e Áreas Contaminadas
6510
Níveis de avaliação para solo –
“Soil Screening Levels” – aplicados pela USEPA
6520
Lista holandesa de valores de qualidade
do solo e da água subterrânea – Valores STI
6530
Capítulo VII Priorização
Priorização – Introdução
7000
Estrutura básica
da ficha de pontuação
7100
A ficha de pontuação
7101
Capítulo VIII* Investigação detalhada
8000
Capítulo IX*
Avaliação de risco
9000
Capítulo X*
Investigação para remediação
10000
Capítulo XI*
Projeto de remediação
11000
Capítulo XII*
Remediação
12000
* Os capítulos VIII ao XII são apresentados em itálico no índice do Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas; entretanto, esses capítulos não estão incluídos nesta edição, devendo ser acrescentados nas próximas edições.
0200
Glossário – Definições
Com o objetivo de facilitar o entendimento do gerenciamento de áreas contaminadas, alguns termos serão aqui definidos de forma que todos tenham uma interpretação uniforme dos conceitos aqui utilizados. Alguns termos foram criados pelo grupo de trabalho para facilitar a verbalização e o entendimento de situações, e alguns outros foram mantidos em inglês por serem termos bastante difundidos mundialmente, podendo ser encontrados em qualquer literatura estrangeira.
Área contaminada (AC)
Área onde há comprovadamente poluição causada por quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados, e que determina impactos negativos sobre os bens a proteger.
Análise temporal Estudo de documentos e fotos aéreas de diferentes datas, visando à realização do estudo histórico de uma determinada área.
Área degradada Área onde há a ocorrência de alterações negativas das suas propriedades físicas, tais como sua estrutura ou grau de compacidade, a perda de matéria devido à erosão e a alteração de características químicas, devido a processos como a salinização, lixiviação, deposição ácida e a introdução de poluentes.
Área potencialmente contaminada (AP)
Área onde estão sendo desenvolvidas ou onde foram desenvolvidas atividades potencialmente contaminadoras. Área suspeita de
contaminação (AS)
Área na qual, após a realização de uma avaliação preliminar, foram observadas indicações que induzem a suspeitar da presença de contaminação.
Atividade potencialmente contaminadora
É aquela em que ocorre o manejo de substâncias cujas características físico-químicas, biológicas e toxicológicas podem acarretar danos aos bens a proteger, caso entrem em contato com os mesmos.
Avaliação de risco Em relação à investigação de áreas contaminadas, é o processo pelo qual se identificam e avaliam os riscos potenciais e reais que a alteração do solo pode causar à saúde humana e a outros organismos vivos.
Avaliação preliminar Etapa do gerenciamento de AC que objetiva encontrar indícios de uma possível contaminação do solo e águas subterrâneas, através das informações obtidas nos estudos histórico e de fotos aéreas e em inspeções em campo. A partir dessa etapa, a área em estudo poderá ser classificada como suspeita (AS) ou contaminada (AC).
Bens a proteger Bens que, segundo a Política Nacional do Meio Ambiente e legislações decorrentes desta, devem ser protegidos. São considerados como bens a proteger:
• saúde e bem-estar da população; • fauna e flora;
• qualidade do solo, das águas e do ar;
• interesses de proteção à natureza/paisagem;
• ordenação territorial e planejamento regional e
urbano;
• segurança e ordem pública.
Cadastro de Áreas Contaminadas (AC)
Conjunto de operações que estabelecem o registro e o armazenamento dos dados obtidos sobre áreas potencialmente contaminadas (APs), áreas suspeitas de contaminação (ASs) e áreas contaminadas (ACs). É considerado o instrumento central do gerenciamento de AC, sendo composto de duas partes principais: cadastro físico e cadastro informatizado.
Cadastro físico Parte do Cadastro de AC, em que devem ser armazenadas as informações disponíveis sobre as áreas na forma de fichas cadastrais, mapas, relatórios, etc.
Cadastro informatizado
Parte do Cadastro de AC, constituído por um banco de dados alfanumérico, associado ou não a um Sistema Geográfico de Informações (SGI), de forma a agilizar a visualização da situação e facilitar o planejamento das ações posteriores.
Classificação de áreas
É o procedimento central que, através das informações da Ficha Cadastral de ACs, permite definir se as áreas são APs, ASs ou ACs.
Contaminação Introdução no meio ambiente de organismos patogênicos, substâncias tóxicas ou outros elementos, em concentrações
Definição de região de interesse
Definição dos limites da região a ser considerada no gerenciamento de AC.
Estudo histórico industrial
Coleta e análise de informações existentes sobre a área, visando definir as formas como eram manuseadas as substâncias.
Ficha Cadastral de AC
Formulário básico utilizado para o levantamento de dados sobre as AP, AS e AC, em que são anotadas as informações obtidas sobre o histórico do local, os contaminantes presentes e as características dos arredores da área. Esses dados alimentarão o Cadastro de Áreas Contaminadas.
Ficha de Pontuação de AC
Formulário utilizado como instrumento para a realização das etapas de priorização. É composto de quatro partes denominadas “critérios” 1, 2, 3 e 4, consideradas “critérios de priorização”.
Foco de contaminação (“Hot spot”)
São os pontos, em uma AC, onde são detectadas as maiores concentrações do(s) contaminante(s), na maioria das vezes relacionados à fonte de contaminação.
Fonte de contaminação
Local onde foi gerada a contaminação ou onde funciona ou funcionou uma atividade potencialmente contaminadora. Gerenciamento
de AC
Conjunto de medidas tomadas com o intuito de minimizar o risco proveniente da existência de áreas contaminadas, à população e ao meio ambiente. Essas medidas devem proporcionar os instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às formas de intervenção mais adequadas. “Hot spot” Ver: Foco de contaminação.
Identificação de AP Etapa do gerenciamento de AC em que são identificadas, dentro da região de interesse, as áreas potencialmente contaminadas, a partir de denúncias, reclamações e do levantamento das atividades potencialmente contaminadoras.
Investigação confirmatória
Etapa do gerenciamento de AC em que são feitos estudos e investigações com o intuito de comprovar a existência da contaminação em uma AP ou AS.
Investigação detalhada
Etapa do gerenciamento de AC em que devem ser avaliadas as características da fonte de contaminação e do meio afetado, através da determinação das dimensões da área afetada, dos tipos e concentração dos contaminantes presentes e da pluma de contaminação, visando obter dados suficientes para a realização da avaliação de risco e do projeto de recuperação.
Investigação para
remediação O objetivo é selecionar, dentre as várias opções de técnicasde remediação existentes, aquelas, ou a combinação destas, que são possíveis, apropriadas e legalmente permissíveis para o caso considerado.
Métodos diretos de investigação
Métodos de investigação em que a aquisição de informações sobre o meio ou extensão da contaminação é realizada através da coleta e análise de amostras de solo e águas subterrâneas, utilizando-se diferentes técnicas de perfuração.
Métodos geofísicos São técnicas indiretas de investigação das estruturas de subsuperfície através da aquisição e interpretação de dados instrumentais, caracterizando-se, portanto, como métodos não invasivos ou não destrutivos.
Métodos indiretos de investigação
Métodos de investigação em que são realizadas medidas de certas propriedades do meio que possam indicar as características da área, sem a realização de coleta de amostras para análise, por exemplo os métodos geofísicos. Modelo conceitual Constitui-se numa síntese das informações relativas a uma
área em estudo, onde se pode visualizar, através de texto explicativo ou ilustração, a localização da contaminação, a sua forma de propagação e a sua relação com os bens a proteger existentes.
Monitoramento Medição contínua ou periódica da qualidade ou características de um meio.
Pluma de contaminação
Delimitação da extensão da contaminação de um meio (água, ar e solo).
Poluição É definida através da Lei Federal nº 6938/81:
Art 3º: III - “Degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”.
Priorização Ação que conduz a um ordenamento das áreas a ser investigadas/remediadas, em função da importância relativa dos impactos que cada uma das áreas poderá causar, observando-se as características das substâncias presentes, importância dos bens a proteger e possibilidade destes serem atingidos pela contaminação.
Processo de
identificação de áreas contaminadas
É a base do gerenciamento de áreas contaminadas, tendo como objetivo principal a localização das áreas contaminadas.
Processo de
recuperação de áreas contaminadas
Etapa do gerenciamento de AC, que visa a compatibilização da qualidade da área com o uso do solo. Inclui medidas como remediação ou restrição ao uso do solo.
Projeto de remediação
É a base técnica para o órgão gerenciador ou órgão de controle ambiental avaliar a possibilidade de autorizar ou não a implantação e operação dos sistemas de remediação propostos.
Remediação de áreas contaminadas
Aplicação de técnica ou conjunto de técnicas em uma área contaminada, visando à remoção ou contenção dos contaminantes presentes, de modo a assegurar uma utilização para a área, com limites aceitáveis de riscos aos bens a proteger.
Risco
(referente a ACs)
É a probabilidade de ocorrência de um efeito adverso aos bens a proteger em decorrência da sua exposição aos contaminantes presentes em uma AC.
“Screening” (métodos de “screening”)
São levantamentos expedidos que têm como função confirmar ou não a suspeita de contaminação numa determinada área de interesse, através de técnicas que economizam tempo e investimentos.
Sistema Geográfico de Informações (SGI)
É um sistema destinado ao tratamento de dados referenciados espacialmente. Esse sistema manipula dados de diversas fontes, como mapas, imagens de satélite, cadastro e outras, permitindo recuperar e combinar informações e efetuar os mais diversos tipos de análise sobre os dados.
Valores de intervenção
São valores–limite usados para induzir medidas de remediação imediata.
Valores de investigação
São valores–limite para uma investigação simplificada (“screening-tool”) que poderá indicar a necessidade de uma investigação mais detalhada na área avaliada.
Valores - limite Teor máximo de determinado elemento ou substância no meio avaliado, que ao ser ultrapassado implica a adoção de ações específicas.
Valores naturais São as concentrações observadas naturalmente no solo, água subterrânea e outros meios.
Via de exposição São os caminhos de entrada dos contaminantes no organismo: via inalação, ingestão e contato com a pele. Via de propagação Meios pelos quais a contaminação se propaga a partir de
uma fonte de contaminação: solo, ar, águas superficiais e águas subterrâneas.
0300
Abreviaturas
AC Área(s) Contaminada(s)
AIA Avaliação de Impacto Ambiental
AP Área(s) Potencialmente Contaminada(s) APA Área de Proteção Ambiental
APC Atividade industrial / comercial Potencialmente Contaminadora APM Área de Proteção dos Mananciais
Art. Artigo
AS Área(s) Suspeita(s) de Contaminação
BDT Boletim de Dados Técnicos da Prefeitura de São Paulo BP Bem a Proteger (item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101) CADES Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável de São Paulo
CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental CGC Cadastro Geral de Contribuinte
(item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101) CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
CONSEMA Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo CP1(2,3) Critério Principal 1(2,3)
(da Ficha Cadastral de AC, veja 5101)
DIN Deutsche Industrie-Norm (norma industrial alemã) EC Coordenadoria de Gestão em Áreas Contaminadas (da
CETESB)
ECC Grupo de Gestão em Áreas Contaminadas (da CETESB)
EIA Estudo de Impacto Ambiental
EMPLASA Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
GPS sistema de posicionamento global por satélite
GRAPROHAB Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais de São Paulo
GTZ Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis
IBGE Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101)
Inc. Inciso
ISAL Informationssystem Altlasten
(sistema de Informações sobre AC) de NRW - Alemanha
M.A. Meio Ambiente
NRW Nordrhein-Westfalen (Estado da RFA)
PA Propagação via ar (item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101) PAS Propagação via águas subterrâneas
(item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101) PASP Propagação via águas superficiais
(item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101)
PMDI Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado de São Paulo
PS Propagação via solo (item da Ficha Cadastral de AC, veja 5101) RAP Relatório Ambiental Preliminar
RIMA Relatório de Impacto Ambiental
RIVI Relatório de Impacto de Vizinhança (do Município de São Paulo) RMSP Região Metropolitana de São Paulo
SIS (ex SAR) Secretaria de Implementação das Subprefeituras – antiga Secretaria de Administrações Regionais
do Município de São Paulo
SEHAB Secretaria Municipal da Habitação e Desenvolvimento Urbano do Município de São Paulo
SEMPLA Secretaria Municipal de Planejamento Urbano do Município de São Paulo
SGI Sistema Geográfico de Informações SISNAMA Sistema Nacional do Meio Ambiente
SMA Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo
SMT Secretaria Municipal de Transporte do Município de São Paulo STM Secretaria dos Transportes Metropolitanos de São Paulo
SP Estado de São Paulo
SMMA Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Município de São Paulo
0400
Autores
Alvaro Gutierrez Lopes
Geólogo, Mestre, CETESB
Andreas Marker
Geólogo, Doutor, Coordenador alemão
do Projeto CETESB/GTZ
Elton Gloeden
Geólogo, Doutor, CETESB
Ero Hermíno Crozera
Eng
oAgrônomo,
Consultor do Projeto CETESB/GTZ
Jan Weber
Eng
oPlanejamento Ambiental,
Consultor do Projeto CETESB/GTZ
Maria José de B. Fraccaroli
Eng
aQuímica, CETESB
Nádia Azevedo de Almeida
Eng
aQuímica, CETESB
Rodrigo César de Araujo Cunha Eng
oAgrônomo, Doutor, CETESB
Vicente de Aquino Neto
Eng
oAgrônomo, Mestre, CETESB
Wagner França Aquino
Geofísico, Mestre, CETESB
Obs.: Se houver, no futuro, a inserção de novos textos, os autores destas
contribuições serão indicados nas seções correspondentes.
Várias partes da tese de doutoramento do Sr. Elton Gloeden foram
adaptadas e incluídas neste Manual, sem ter sido citada explicitamente no
texto do mesmo.
1000 Conceituação
O conceito da proteção dos solos foi o último a ser abordado nas políticas ambientais dos países industrializados, bem após os problemas ambientais decorrentes da poluição das águas e da atmosfera terem sido tematizados e tratados.
O solo foi considerado por muito tempo um receptor ilimitado de substâncias nocivas descartáveis, como o lixo doméstico e os resíduos industriais, com base no suposto poder tampão e potencial de autodepuração, que leva ao saneamento dos impactos criados. Porém essa capacidade, como ficou comprovado posteriormente, foi superestimada e, somente a partir da década de 70, direcionada maior atenção a sua proteção.
Dentro desse assunto, o conceito de "Áreas Contaminadas", como sendo um local cujo solo sofreu dano ambiental significativo que o impede de assumir suas funções naturais ou legalmente garantidas, é relativamente recente na política ambiental dos países desenvolvidos, o mesmo ocorrendo no Brasil.
BEAULIEU (1998) descreve que o mundo industrializado começou a se conscientizar dos problemas causados pelas áreas contaminadas no final da década de 70 e início da década de 80, após a ocorrência de "casos espetaculares", como "Love Canal", nos Estados Unidos; "Lekkerkerk", na Holanda; e "Ville la Salle", no Canadá. Após esses eventos foram criadas políticas e legislações em vários países, províncias e estados.
Ao mesmo tempo, percebeu-se que o passivo ambiental é maior que o esperado, ameaçando exceder as previsões e as abrangências dos danos causados por ele. Na Alemanha, os custos ecológicos relacionados a problemas do solo foram calculados em cerca de US$ 50 bilhões, sendo quase o dobro dos custos ecológicos relacionados à poluição das águas e do ar (US$ 33 bilhões) – Der Spiegel 16/93, p. 292. Pelos cálculos da Comunidade Européia, foram identificadas cerca de 300.000 áreas contaminadas nos 12 países membros, estimando um total de 1.500.000 áreas potencialmente contaminadas (EEA, 1999).
A complexidade do problema exige sem dúvida uma atenção especial por parte das esferas política e administrativa. Uma pesquisa da PNUD revelou que, apesar de 78% dos países consultados considerem a contaminação do solo um problema sério, somente 28% dos países possuem regulamentos e procedimentos que tratam do assunto (BUTLER, 1996).
A conceituação do assunto "'áreas contaminadas" representa o primeiro passo em direção à criação de estruturas políticas, legais e institucionais e serve para a conscientização de toda a sociedade para que novas áreas contaminadas não sejam geradas.
Este manual apresenta e tematiza os conceitos já consagrados e os propostos pelo grupo de trabalho que o elaborou, colocando-os numa ordem lógica e seqüencial, voltado para o objetivo principal, que é o gerenciamento de áreas contaminadas. Os conceitos apresentados nesta seção foram utilizados para o desenvolvimento da metodologia do gerenciamento de áreas contaminadas. Estes foram definidos a partir da consulta à literatura nacional e internacional sobre o assunto bem como da experiência de atuação dos profissionais da CETESB.
1
Área contaminada
Nos vários países onde são desenvolvidas políticas no sentido de solucionar os problemas causados pela existência das áreas contaminadas, existem diferentes definições para esse termo.
As definições presentes nas legislações do Reino Unido, Região de Flandres (Bélgica) e Alemanha são apresentadas a seguir, como exemplos.
Na legislação do Reino Unido (“Section 57 of the Environment Act, 1995”), que necessita de regulamentação para ser implantada, “uma área contaminada é qualquer área ou terreno que apresenta-se para a autoridade local em tal condição, apresentando substâncias dentro ou abaixo da superfície do terreno, onde um dano significativo está sendo causado ou existe a possibilidade de tal dano ser causado; ou a poluição de águas controladas está provavelmente sendo causada” (POLLARD, HERBERT, 1998).
Segundo VAN DYCK (1995), na região de Flandres, na Bélgica, “uma área contaminada é definida como um local onde, como resultado das atividades humanas, resíduos estão presentes ou a poluição dos solos e águas subterrâneas ocorrem ou podem ocorrer”.
Na legislação federal da Alemanha, que vigora a partir de 1999 (“Bodenschutz-gesetz”), uma área contaminada é definida como “locais abandonados de disposição, tratamento ou armazenagem de resíduos e áreas industriais abandonadas onde substâncias ambientalmente perigosas foram manejadas, causando mudanças prejudiciais à qualidade do solo ou outros perigos para o indivíduo ou para o público em geral” (BIEBER et al., 1998).
Nota-se que, nessas definições, existe uma preocupação em considerar não apenas a presença de poluentes, mas também a ocorrência de danos ou riscos aos bens a
proteger, como a qualidade das águas em geral, a qualidade dos solos e das águas
subterrâneas, a saúde do indivíduo e do público em geral.
A definição do Reino Unido inclui a importância do órgão gerenciador, ou autoridades ambientais, que deverão decidir se uma área poderá ser classificada como um área contaminada ou não.
Na Alemanha, a saúde do indivíduo e da população em geral é destacada e salienta-se alguns tipos de fontes de poluição do solo, áreas de disposição de resíduos e áreas industriais abandonadas (veja Figuras 1000-1 e 1000-2)
Portanto, para o desenvolvimento da metodologia do gerenciamento de áreas contaminadas propõe-se, neste manual, uma definição ampla para o termo "área contaminada", visando englobar a maioria das possíveis formas de ocorrência e problemas gerados pela existência destas, apresentada a seguir.
Uma área contaminada pode ser definida como uma área, local ou terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação, causada pela introdução de quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural. Nessa área, os poluentes ou contaminantes podem concentrar-se em subsuperfície nos diferentes compartimentos do ambiente, por exemplo no solo, nos sedimentos, nas rochas, nos materiais utilizados para aterrar os terrenos, nas águas subterrâneas ou, de uma forma geral, nas zonas não saturada e saturada, além de poderem concentrar-se nas paredes, nos pisos e nas estruturas de construções. Os poluentes ou contaminantes podem ser transportados a partir desses meios, propagando-se por diferentes vias, como, por exemplo, o ar, o próprio solo, as águas subterrâneas e superficiais, alterando suas características naturais ou qualidades e determinando impactos negativos e/ou riscos sobre os bens a proteger, localizados na própria área ou em seus arredores.
Segundo a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81), são considerados bens a proteger:
• a saúde e o bem-estar da população; • a fauna e a flora;
• a qualidade do solo, das águas e do ar;
• os interesses de proteção à natureza/paisagem;
• a ordenação territorial e planejamento regional e urbano; • a segurança e ordem pública.
Segundo SÁNCHEZ (1998), na literatura especializada internacional e nacional são empregados vários termos que podem ser considerados sinônimos do termo "área contaminada", como, por exemplo, “sítio contaminado”, “terrenos contaminados”, “solos contaminados” e “solo poluído”.
Outro termo normalmente encontrado na literatura especializada, principalmente quando se trata de áreas mineradas e de grandes obras civis, é o termo “área degradada”. Segundo SÁNCHEZ (1998), dando enfoque ao compartimento solo, o termo “degradação” é o termo mais amplo e engloba o termo “poluição”. Esse autor considera, por exemplo, que o termo “degradação do solo” significa a ocorrência de alterações negativas das suas propriedades físicas, tais como sua estrutura ou grau de compacidade, a perda de matéria devido à erosão e a alteração de características químicas devido a processos como a salinização, lixiviação, deposição ácida e a introdução de poluentes.
Dessa forma, pode-se definir uma área degradada como uma área onde ocorrem processos de alteração das propriedades físicas e/ou químicas de um ou mais compartimentos do meio ambiente. Portanto, uma área contaminada pode ser considerada um caso particular de uma área degradada, onde ocorrem alterações principalmente das propriedades químicas, ou seja, contaminação.
Portanto, pode-se concluir que as áreas degradadas podem ocorrer em duas formas principais: as áreas degradadas predominantemente por processos físicos e as áreas degradadas predominantemente por processos químicos, ou áreas contaminadas, destacando-se que em determinadas áreas os dois processos podem ocorrer simultaneamente.
Poder considerar uma área contaminada como um tipo particular de área degradada é um fator importante, pois propicia a utilização da legislação federal existente nos casos de adoção de medidas de remediação de áreas contaminadas. A Lei 6.938/81, regulamentada pelo Decreto 99.274/90, sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, que introduz instrumentos de planejamento ambiental e determina a responsabilização e penalidades para casos de poluição, em seus artigos 2º e 4º apresenta como objetivo dessa lei a "recuperação de áreas degradadas e ao poluidor obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados".
2
Poluição e contaminação
Para a definição de “área contaminada” foram utilizados os termos poluição e
contaminação. Neste manual, esses termos são considerados como sinônimos por
serem utilizados amplamente na literatura especializada e nas legislações ambientais.
Na legislação ambiental federal do Brasil e do Estado de São Paulo, o termo mais aplicado e claramente definido é "poluição", enquanto o emprego do termo "contaminação" é limitado a algumas citações, como, por exemplo, na Lei 6.134/88, que dispõe sobre a preservação dos depósitos naturais de águas subterrâneas do Estado de São Paulo; no seu artigo 4º, é citado que "os órgãos estaduais competentes manterão serviços indispensáveis à avaliação dos recursos hídricos do subsolo, fiscalizarão sua exploração e adotarão medidas contra a contaminação dos aqüíferos e deterioração das águas subterrâneas".
A Lei 997/76, que dispõe sobre o controle da poluição ambiental no Estado de São Paulo, apresenta a seguinte definição para o termo “poluição”: “Considera-se poluição do meio ambiente a presença, o lançamento ou a liberação, nas águas, no ar ou no solo, de toda e qualquer forma de matéria ou energia, com intensidade, em quantidade, de concentração ou com caraterísticas em desacordo com as que forem estabelecidas em decorrência dessa lei, ou que tornem ou possam tornar as águas, o ar ou solo:
• impróprios, nocivos ou ofensivos à saúde; • inconvenientes ao bem-estar público;
Essa definição favorece assumir os dois termos como sinônimos, pois nela está incluído o conceito de risco e/ou danos à saúde das pessoas e a outros bens a proteger.
3
Fontes de contaminação do solo e das águas
subterrâneas
As áreas contaminadas e os problemas gerados devido à existência destas podem ser originados a partir de uma enorme quantidade de tipos de fontes potenciais de contaminação, pois na maioria das atividades humanas são geradas substâncias, resíduos e/ou efluentes com potencial para contaminar os diferentes compartimentos do meio ambiente, destacando-se, neste estudo, o solo e as águas subterrâneas. FETTER (1993) apresenta uma complementação do relatório do Congresso americano, "Protecting the Nation's Ground Water from Contamination, the Office of Technology Assessment (OTA)", de 1984, mostrando as fontes de contaminação das águas subterrâneas que podem ser consideradas também como fontes de contaminação do solo, classificadas em seis categorias:
• a primeira categoria é constituída por fontes projetadas para descarga de substâncias no subsolo, incluindo tanques sépticos e fossas negras (normalmente descarregam efluentes de origem doméstica, vários tipos de compostos orgânicos e inorgânicos); poços de injeção de substâncias perigosas, águas salgadas da exploração de petróleo, etc. (a contaminação das águas subterrâneas pode ocorrer devido à má construção do poço ou falhas de projeto); aplicação de efluentes municipais ou industriais no solo, lodos de tratamento de água utilizados como fertilizantes, resíduos oleosos de refinarias (“landfarming”);
• na segunda categoria estão incluídas as fontes projetadas para armazenar, tratar e/ou dispor substâncias no solo, na qual estão incluídas as áreas de disposição de resíduos (aterros sanitários e industriais, lixões, botas-fora, etc.); lagoas de armazenamento e tratamento de vários tipos de efluentes industriais; depósitos ou pilhas de resíduos de mineração; tanques de armazenamento de substâncias, aéreos ou subterrâneos;
• na terceira categoria estão enquadradas as fontes projetadas para reter substâncias durante o seu transporte, como oleodutos, tubulações para o transporte de esgoto e efluentes industriais; transporte de substâncias químicas, como combustíveis por meio de caminhões e trens;
• na quarta categoria estão as fontes utilizadas para descarregar substâncias como conseqüência de atividades planejadas, na qual estão incluídas a irrigação ou fertirrigação de lavouras, aplicação de pesticidas e fertilizantes na lavoura; percolação de poluentes atmosféricos;
• a quinta categoria é constituída por fontes que funcionam como um caminho preferencial para que os contaminantes entrem em um aqüífero, como, por exemplo, poços de produção de petróleo e poços de monitoramento com falhas de construção e projeto;
• na sexta categoria estão posicionadas as fontes naturais ou fenômenos naturais associados às atividades humanas, das quais pode-se citar a interação entre águas subterrâneas e superficiais contaminadas, a ocorrência natural de substâncias inorgânicas nas águas subterrâneas e a intrusão salina. A esta sexta categoria pode ser adicionada a contaminação do solo e das águas subterrâneas ocasionada pelos gases de processos produtivos, ou outras fontes de poluição atmosférica (por exemplo, veículos automotivos), quando estes, contendo substâncias perigosas de alta toxicidade, podem ser lançados à atmosfera e se infiltrarem no solo, carreados pelas águas de chuva.
• As Figuras 1000-1 e 1000-2 mostram as fontes e vias de contaminação de dois tipos de área contaminada: área industrial abandonada e área de disposição de resíduos.
Fonte: AHU, Consultoria em Hidrogeologia e Meio Ambiente, Alemanha, 1987
Figura 1000-1: Fonte de contaminação do solo e águas subterrâneas – área industrial abandonada.
Fontes de Perigo
1- Vazamento de tanques
enterrados e sistema de tubulação
2- Valas com barris enferrujados
com resíduos tóxicos
3- Percolação no subsolo de antigos
vazamentos
4- Resíduos abandonados lançados
sobre o solo
Cenários
5- Poluição do solo
6- Poluição de água subterrânea
7- Percolação de poluentes na água subterrânea em direção ao rio
8- Fluxo superficial e subterrâneo de poluentes em direção ao rio
9- Erosão de resíduos sólidos tóxicos em direção ao rio
10- Deposição de metais pesados no fundo do rio
12- Emissão de gases tóxicos
13- Efeitos na vegetação
Medidas de Identificação 31- Investigação Confirmatória
Fonte: AHU, Consultoria em Hidrogeologia e Meio Ambiente, Alemanha, 1987
Figura 1000-2: Fonte de contaminação do solo e águas subterrâneas – antiga área de disposição de resíduos.
Fontes de perigo
16- Resíduos domésticos 17- Resíduos sólidos industriais 18- Aterro com entulho, solo e escória
Cenários
19- Percolação de poluentes
lixiviados para água subterrânea
20- Poluição da água subterrânea pela percolação de contaminantes
21- Bombeamento de águas
23- Contaminação da água potável
24- Emissão de gases tóxicos por resíduos
25- Entrada de gases nocivos nas casas
26- Entrada de gases nocivos através da rede de esgoto,
27- Entrada de vapores na edificação
28- Rachaduras nas construções devido a recalques do aterro
29- Contato dermal e ingestão de material tóxico
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Problemas gerados pela presença das áreas
contaminadas
Vários são os problemas gerados pelas áreas contaminadas. SÁNCHEZ (1998) aponta quatro problemas principais: existência de riscos à segurança das pessoas e das propriedades, riscos à saúde pública e dos ecossistemas, restrições ao desenvolvimento urbano e redução do valor imobiliário das propriedades.
Um dos primeiros problemas a ser reconhecido como de grande importância é a contaminação das águas subterrâneas utilizadas para abastecimento público e domiciliar, além do comprometimento de aqüíferos ou reservas importantes de águas subterrâneas. A literatura especializada em todo o mundo descreve inúmeros casos de contaminação das águas subterrâneas por diferentes tipos de fontes de contaminação.
Como conseqüência da presença de áreas contaminadas podem ser geradas condições favoráveis para o acúmulo de gases em residências, garagens e porões a partir de solos e águas subterrâneas contaminadas por substâncias voláteis originadas, por exemplo, de vazamentos de combustíveis ocorridos em postos de serviço ou pela produção de gases, como o metano, em áreas de disposição de resíduos urbanos.
Segundo SÁNCHEZ (1998), a existência de áreas contaminadas gera não somente problemas evidentes, com a ocorrência ou a possibilidade de explosões e incêndios, mas também ocasiona danos ou riscos à saúde das pessoas e ecossistemas, ocasionados por processos que se manifestam, em sua maioria, a longo prazo, provocando: o aumento da incidência de doenças em pessoas expostas às substâncias químicas presentes em águas subterrâneas coletadas em poços; contato dermal e injestão de solos contaminados por crianças ou trabalhadores, inalação de vapores e consumo de alimentos contaminados (hortas irrigadas com águas contaminadas ou cultivadas em solo contaminado e animais contaminados). A presença de uma área contaminada pode representar também a limitação dos usos possíveis do solo, induzindo restrições ao desenvolvimento urbano e problemas econômicos relativos ao valor dos imóveis.
Durante a década de 80, nos Estados Unidos e Canadá, várias indústrias foram fechadas e essas antigas áreas industriais localizadas nos centros das cidades, próximas às áreas com infra-estrutura urbana e bom acesso, atraíram os investidores, sendo elaborados projetos para reutilização dessas áreas, criando-se novas áreas residenciais, comerciais e industriais.
Após a investigação dessas áreas, foi constatado que várias encontravam-se contaminadas, em decorrência das atividades desenvolvidas anteriormente. Como conseqüência desse fato, o número de áreas contaminadas registradas cresceu exponencialmente e um novo enfoque surgiu, que foi o de prevenir a ocupação de áreas industriais desativadas ou abandonadas contaminadas, sem que ações destinadas à remediação dessas áreas fossem realizadas.
Em função dos altos custos envolvidos na investigação e remediação dessas áreas, os investidores foram atraídos para áreas ainda não ocupadas localizadas fora dos centros urbanos, conhecidos como “greenfields”, causando o abandono das antigas áreas industriais denominadas “brownfields”, gerando um dos maiores problemas ambientais e sociais existentes nesses países atualmente. Nos Estados Unidos, são estimados que existam de 130.000 a 450.000 áreas enquadradas como “brownfields”, com um custo potencial para sua recuperação de US$ 650 bilhões. Apenas na cidade de Chicago, 18% das áreas industriais estão sem uso, o que corresponde a mais de 610 hectares ou cerca de 2.000 locais (BEAULIEU, 1998). As dificuldades em recuperar antigas áreas industriais também são observadas em outros países, como, por exemplo, no Reino Unido e Alemanha, onde existem propostas para utilização dessas áreas para uso residencial.
Na Região Metropolitana de São Paulo, principal região industrial do Brasil, antigas áreas industriais desativadas vêm sendo utilizadas para novos usos. A mudança do uso dessas áreas para outras, como residencial, comercial ou industrial leve, vem ocorrendo nessa região, indicando que existe grande possibilidade de sucederem os mesmos problemas observados nos países citados.
Dessa forma, as indústrias desativadas, conforme destaca CUNHA (1997), “provavelmente se incluam entre as fontes de contaminação do solo e das águas subterrâneas mais importantes na Região Metropolitana de São Paulo, uma vez que sobre elas já não se exerce qualquer forma de controle ambiental e as restrições à sua reutilização estão associadas às leis de zoneamento urbano, as quais ainda não consideram as questões relativas à poluição ambiental”.
5
Investigação e avaliação de risco das áreas
contaminadas
A escolha das técnicas de investigação de uma área contaminada é realizada em função das características específicas de cada área a ser estudada. Entretanto, alguns procedimentos gerais são aplicáveis.
Inicialmente, são levantados dados existentes sobre a geologia, pedologia, hidrogeologia e outros, visando indicar as características do fluxo das águas nas zonas não saturada e saturada na área a ser investigada, com o objetivo de definir os meios pelos quais os prováveis contaminantes irão se propagar, além de se definir os métodos de perfuração e amostragem que poderão ser utilizados para coleta de amostras de solo e/ou água (superficial ou subterrânea). Em seguida, devem ser identificadas e determinadas as características dos contaminantes presentes, ou provavelmente presentes na área. A identificação dos contaminantes pode ser executada realizando-se, por exemplo, um levantamento histórico da área, utilizando-se várias fontes de informação, como, por exemplo, registros de matérias-primas e resíduos gerados, além da interpretação de fotografias, para localizar as áreas onde estes eram manipulados, aplicados ou dispostos (NICHOLSON; SMYTH,
Em função dos resultados obtidos nos levantamentos, são planejadas e executadas investigações, utilizando-se de métodos indiretos e diretos para caracterização da contaminação nos diferentes compartimentos, definindo-se, dessa forma, o seu posicionamento e taxa de propagação e as concentrações que atingem os receptores ou bens a proteger (LAGREGA et al., 1994).
Os métodos indiretos são utilizados para medir parâmetros, que estão relacionados com as informações de interesse, enquanto os métodos diretos implicam na realização de sondagens, amostragens e testes para coletar as informações de interesse. Como exemplo de métodos indiretos, podem ser citados os métodos geofísicos de investigação, como a eletrorresistividade, eletromagnéticos, sísmica e radar de penetração do solo (USEPA, 1993b).
Os métodos diretos consistem da execução de sondagens, amostragens e testes utilizados para definir as propriedades dos solos, das rochas e outros tipos de materiais, além das concentrações dos contaminantes. Amostragens de águas subterrâneas podem ser realizadas utilizando-se vários tipos de poços de monitoramento; águas da zona não saturada podem ser amostradas por meio de lisímetros de sucção, e amostradores de drenagem livre, por exemplo. Diferentes métodos de perfuração, conjugados com diferentes tipos de amostradores, podem ser utilizados para a execução das amostragens e instalação de equipamento para a realização das mesmas.
Normalmente, com base nos dados obtidos na investigação da área são realizados estudos de avaliação de risco, cujos resultados são aplicados na decisão da necessidade de eliminar ou reduzir os riscos impostos pela presença de uma área contaminada. No processo de avaliação de risco são identificadas as populações potencialmente expostas aos contaminantes presentes na área sob investigação, determinadas as concentrações às quais esses indivíduos encontram-se expostos e quantificado o risco decorrente dessa exposição, considerando a toxicidade dos contaminantes envolvidos. Caso seja constatada a existência de risco, um plano de remediação deve ser desenvolvido.
6
Recuperação e remediação de áreas
contaminadas
No Brasil, diferentes termos são utilizados para descrever os processos pelos quais uma área contaminada recebe intervenções, visando à contenção, ao isolamento, à remoção ou redução das concentrações dos contaminantes. Normalmente, são utilizados os termos “recuperação” de áreas contaminadas, “remediação” de áreas contaminadas ou em alguns casos é utilizado o termo “restauração”. O emprego dos termos “recuperação” e “restauração”, que podem ser considerados como sinônimos, significam readquirir uma condição, enquanto o termo “remediação”, amplamente utilizado internacionalmente em língua inglesa (“remediation”), significa dar remédio, sanear, tornar uma área saudável, curar.
Dessa forma, propõe-se neste manual a aplicação desses termos, quando tratar-se do assunto "áreas contaminadas", segundo os princípios apresentados a seguir. Deve-se entender por recuperação de uma área contaminada o processo de aplicação de medidas corretivas necessárias para isolar, conter, minimizar ou
eliminar a contaminação, visando à utilização dessa área para um determinado uso. Essa definição considera que o princípio da “aptidão para um determinado uso” é mais viável técnica e economicamente em países onde os recursos são escassos do que o princípio da “multifuncionalidade” (restaurar as condições naturais, viabilizando todos os tipos de uso de uma área), que vem sendo abandonado pela maioria dos países. Dessa forma, para recuperar uma área contaminada pode ser feita uma escolha entre dois tipos de medidas: as que se destinam à compatibilização ao uso atual ou futuro da área contaminada e medidas de remediação.
As medidas de compatibilização ao uso atual ou futuro da área contaminada compreendem a definição de uma utilização (onde a contaminação continuará presente na área), que garante que não existirão vias de transporte de contaminantes ou receptores expostos à contaminação. Por exemplo, pode-se optar pela implantação de um estacionamento, com pavimento impermeável, ao invés da área ser utilizada para fins residenciais, o que pode implicar na não-necessidade de outras formas de intervenção na área. Esse tipo de ação pode ser tomado tendo como base a avaliação de risco e a conseqüente constatação de que a presença dos contaminantes e seu transporte ofereçam, aos bens a proteger, um risco considerado baixo.
As medidas de remediação (“aplicação de remédios”) podem ser divididas basicamente em dois tipos: medidas de contenção ou isolamento da contaminação e medidas para o tratamento dos meios contaminados, visando à eliminação ou redução dos níveis de contaminação a níveis aceitáveis ou previamente definidos. Deve-se considerar que medidas de contenção e tratamento podem ser adotadas conjuntamente. Dessa forma, pode-se considerar que o termo “recuperação” engloba os termos “remediação” (contenção e tratamento) e “compatibilização ao uso atual ou futuro da área”.
Basicamente, três abordagens são utilizadas no planejamento da remediação em uma área contaminada (USEPA, 1998):
• mudança do uso definido da área para minimizar o risco;
• remoção ou destruição dos contaminantes para a eliminação do risco;
• redução da concentração dos contaminantes ou contenção desses para eliminar ou minimizar risco.
A estratégia de remediação proposta para uma determinada área pode combinar essas três abordagens.
Em geral, a aplicabilidade de um método de remediação depende de vários fatores, como, por exemplo, as características do meio contaminado, dos contaminantes, objetivos da remediação, localização da área, tempo e recursos disponíveis.
7
Políticas e legislações utilizadas no
gerenciamento das áreas contaminadas
As políticas e abordagens de diversos países para lidar com áreas contaminadas diferem largamente devido a circunstâncias e fatores locais. Por exemplo, existem diferenças na definição de áreas contaminadas, nos procedimentos de avaliação de risco, na origem dos critérios de qualidade do solo, na metodologia para definir prioridades, nos conceitos de recuperação (“multifuncionalidade” e “aptidão para o uso”), nos procedimentos de remediação, na garantia de qualidade das investigações e remediação e no monitoramento (VAN DEN BRINK et al., 1995). SÁNCHEZ (1998) identificou cinco tipos de abordagem governamentais para lidar com os problemas gerados pelas áreas contaminadas: a negligente, a reativa, a corretiva, a preventiva e a proativa.
A abordagem negligente é observada em países ou regiões onde ainda não existe um reconhecimento público dos problemas gerados pelas áreas contaminadas. Sob a alegação de que a população não se preocupa com esses problemas, não efetuando reclamações, ou alegando a existência de outros problemas mais importantes, como, por exemplo, os vários problemas sociais existentes em países em desenvolvimento, o problema das áreas contaminadas na maior parte das vezes é ignorado.
A abordagem reativa caracteriza-se pela adoção de ações emergenciais em situações onde os riscos ou danos são evidentes e existe pressão da população para que os órgãos governamentais tomem alguma atitude.
Em geral os órgãos governamentais não estão preparados para tratar desses problemas, gerando ações desarticuladas.
A abordagem corretiva adota formas planejadas e sistematizadas de ação, prevendo-se as intervenções necessárias em áreas contaminadas prioritárias. Pressupõe a necessidade de remediar áreas contaminadas após a identificação e diagnóstico destas.
A abordagem preventiva considera que, embora os contaminantes possam ter-se acumulado durante a operação de um empreendimento, eles devem ser reduzidos ou eliminados quando de sua desativação ou fechamento. Tal enfoque pressupõe, no mínimo, a preparação e implementação de um plano de desativação do empreendimento.
A abordagem proativa é aquela que busca evitar que a contaminação se acumule durante a operação de um empreendimento, minimizando assim os impactos ambientais durante todo o ciclo de vida de uma instalação.
Segundo SÁNCHEZ (1998), os países que mais avançaram no trato da questão das áreas contaminadas, passando por etapas caracterizadas por posturas negligentes e reativas, evoluíram no sentido de adotar políticas corretivas e começaram também a esboçar ações de cunho preventivo voltadas para alguns setores industriais/comerciais, cujo potencial de contaminação de solos é elevado.
Fica evidente que uma atuação efetiva nesse assunto requer uma integração em nível político, jurídico-legal e institucional. O mecanismo que compreende essas três
esferas para uma atuação institucional eficaz e eficiente e o GAC - Gerenciamento de Áreas Contaminadas, podendo ser definido como uma "atuação interdisciplinar, interinstitucional e integral dos órgãos competentes no trato do problema ambiental gerado pelas áreas contaminadas, inclusive dos procedimentos institucionais e técnicos, o quadro normativo-legal e o sistema financeiro".
Os primeiros passos em direção a um Gerenciamento de Áreas Contaminadas, no Brasil, foram elaborados pela CETESB, que identificou as necessidades institucionais para atuar no assunto e propôs uma estruturação técnica-institucional para uma atuação na Região Metropolitana e no Estado de São Paulo (MARKER et al., 1993, 1995, 1998)
Neste Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, são apresentadas propostas de procedimentos para a adoção de uma política corretiva no Estado de São Paulo; essas propostas seriam a base para a elaboração de uma legislação específica sobre o assunto.
Para viabilizar as ações propostas neste manual, a futura legislação deve contemplar os seguintes aspectos:
• definição do universo de atuação, ou seja, estabelecer as definições de áreas potencialmente contaminadas, áreas suspeitas de contaminação e áreas contaminadas;
• estabelecer os objetivos básicos a ser atingidos pela lei, ou seja, adotar o princípio de que a realização da remediação de uma área deve viabilizar seu uso futuro, ou adotar o princípio de que devem ser restauradas as condições de multifuncionalidade;
• definir os órgãos competentes e suas atribuições;
• definir os procedimentos e regulamentos pelos quais as áreas contaminadas são identificadas, avaliadas, investigadas e remediadas;
• geração e administração, pelo órgão competente, de um cadastro de áreas potencialmente contaminadas, áreas suspeitas de contaminação e áreas contaminadas, cujos dados subsidiarão as decisões para o estabelecimento de ações corretivas nas áreas contaminadas, o planejamento urbano, os processos para aprovação de projetos, a transferência de propriedades e/ou mudança do uso do solo, além de tornar pública a localização dessas áreas; • procedimentos para a definição dos responsáveis (poluidores, proprietários,
ex-proprietários, acionistas, empresários, gerentes de empresas e agentes financiadores, etc.);
• estabelecer as obrigações do responsável/causador e do órgão competente; • definição dos procedimentos para definição das responsabilidades sobre os
custos da investigação e remediação das áreas contaminadas;
• criação e administração de recursos financeiros destinados à investigação e remediação de áreas contaminadas;
• colaboração entre o órgão estadual competente e os órgãos públicos municipais;
8
Referências bibliográficas
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