• Nenhum resultado encontrado

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO FINAL - LITERATURA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO FINAL - LITERATURA"

Copied!
9
0
0

Texto

(1)

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO FINAL - LITERATURA - 2018 Nome: ________________________ Nº____ 1a.​ série ____

Data: ___ / ___ / ___ Professores: Fernando Monteiro e Nicolas Winck

Introdução:

Este roteiro é um material que consiste na soma de todos os momentos da recuperação contínua. Está contemplado, portanto, todo o conteúdo estudado em 2018​​. Vale lembrar que os níveis de dificuldade e as exigências de resolução desses exercícios são similares aos das provas regulares. Por esse motivo, é importante que os procedimentos de escrita da resposta sejam compatíveis com o padrão já exigido nas provas mensais e bimestrais de Literatura. ​Realize as atividades desta ficha com o auxílio do monitor.

Textos para a questão 01. ​Texto 1

(2)

Texto 2 Thomas, entre o parque e o estúdio ​Texto 3

Para Edgar Allan Poe, a composição de uma narrativa deve se dar pela criação

raciocinada. Ele afirma que o escritor deve começar a construção de uma ficção

“com a consideração de um efeito” e que, na consideração desse efeito, o escritor

deve ter em mente a originalidade. Delimitado o efeito, a criação atinge seu objetivo

por meio da lógica. Em “A queda da Casa de Usher”, Poe escolhe o efeito do terror,

do medo. O narrador já nos coloca de início que, encontrando-se em frente à Casa

de Usher, ele foi invadido de uma “insuportável tristeza” provocada pelas “imagens

naturais mais severas da desolação e do terrível”. Logo mais, essa sensação será

acentuada: a consciência da superstição (assim diz Poe) potencializou aquela

sensação, o sentimento de terror.

Fábio Della Paschoa Rodrigues. “A composição lógica e a lógica da composição de Poe”. Disponível em: ​https://bit.ly/2FWEzhN​ (adaptado).

(3)

Q 01.

Edgar Allan Poe é conhecido pela habilidade única com que organizou a estrutura narrativa de suas histórias, sempre conduzindo o leitor conforme pediam os seus enredos. Neste ano, fizemos diversas comparações entre esse estilo de composição de Poe, no livro ​Histórias extraordinárias​, e a estética do diretor de cinema Alfred Hitchcock, especialmente pela análise do filme ​Psicose​. Além disso, também vimos alguns traços de elementos narrativos importantes entre o protagonista do filme ​Blow-up​ e os personagens obsessivos do escritor americano. Faça uma releitura atenta dos contos “A queda da casa de Usher” e “O retrato ovalado” e, se possível, reveja os filmes ​Psicose e ​Blow-up​. Em seguida, com base nos Textos 1 e 2, cenas dos filmes, e no Texto 3, um trecho crítico sobre a obra de Poe, compare o modo como ambos os autores retratam o ​terror e a ​obsessão ​em seus cenários e personagens.

Texto para a questão 02.

Assiste ao enterro de um trabalhador de eito e ouve o que dizem do morto os amigos que o levaram ao cemitério

— Essa cova em que estás, com palmos medida,

é a conta menor que tiraste em vida. — É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe deste latifúndio.

— Não é cova grande, é cova medida,

é a terra que querias ver dividida.

— É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo. — É uma cova grande para teu defunto parco, porém mais que no mundo te sentirás largo.

— É uma cova grande

para tua carne pouca, mas a terra dada não se abre a boca.

— Viverás, e para sempre, na terra que aqui aforas: e terás enfim tua roça. — Aí ficarás para sempre, livre do sol e da chuva, criando tuas saúvas. — Agora trabalharás só para ti, não a meias, como antes em terra alheia. — Trabalharás uma terra da qual, além de senhor, serás homem de eito e trator. — Trabalhando nessa terra, tu sozinho tudo empreitas: serás semente, adubo, colheita. — Trabalharás numa terra

(4)

que também te abriga e te veste: embora com o brim do Nordeste. — Será de terra tua derradeira camisa: te veste, como nunca em vida.

— Será de terra e tua melhor camisa: te veste e ninguém cobiça.

— Terás de terra

completo agora o teu fato:

e pela primeira vez, sapato. — Como és homem,

a terra te dará chapéu: fosses mulher, xale ou véu. — Tua roupa melhor

será de terra e não de fazenda: não se rasga nem se remenda.

(João Cabral de Melo Neto, ​Morte e vida Severina​)

Vocabulário:

de eito: ​​que trabalha diretamente com a terra, na roça.

ancho: ​​largo, amplo.

parco: ​​pouca quantidade. No contexto, “magro”, “miúdo”.

aforas: ​​do verbo “aforar”, significa ter privilégio sobre algo.

saúvas:​​ formigas consideradas pragas; danificam plantações.

a meias:​​ contrato em que os lucros são divididos à metade.

brim: ​​tecido forte feito de linho e algodão.

fato:​​ vestimenta completa.

fazenda:​​ tecido.

Q 02.

​Morte e vida Severina​, poema dramático de João Cabral de Melo Neto, narra o percurso de Severino um retirante pernambucano perdido em meio à seca e a morte do sertão.

Relendo a passagem acima, contextualize o momento da obra, relembrando a questão da identidade do personagem e a sua relação com a ​terra​.

(5)

Texto para a questão 03 Texto 1

(...) ​FIDALGO: Que leixo na outra vida

quem reze sempre por mi.

DIABO: (...) E tu viveste a teu prazer,

cuidando cá guarecer por que rezem lá por ti! (...)

ANJO: Que quereis?

FIDALGO: Que me digais,

pois parti tão sem aviso, se a barca do paraíso é esta em que navegais.

ANJO: Esta é; que me demandais?

FIDALGO: Que me leixeis embarcar.

sou fidalgo de solar, é bem que me recolhais.

ANJO: Não se embarca tirania

neste batel divinal.

FIDALGO: Não sei por que haveis por mal

Que entr’a minha senhoria.

ANJO: Pera vossa fantesia

mui estreita é esta barca.

FIDALGO: Pera senhor de tal marca nom há aqui mais

cortesia? (...)

ANJO: Não vindes vós de maneira

pera ir neste navio. Essoutro vai mais vazio: a cadeira entrará

e o rabo caberá

e todo vosso senhorio. Vós ireis mais espaçoso com fumosa senhoria, cuidando na tirania do pobre povo queixoso; e porque, de generoso, desprezastes os pequenos, achar-vos-eis tanto menos quanto mais fostes fumoso. (…)

(6)

Texto 2

SAPATEIRO: (...) E pera onde é a viagem?

DIABO: Pera o lago dos danados.

SAPATEIRO: Os que morrem confessados,

onde têm sua passagem?

DIABO: Nom cures de mais linguagem!

Esta é a tua barca, esta!

(...) E tu morreste excomungado: não o quiseste dizer.

Esperavas de viver,

calaste dous mil enganos… tu roubaste bem trint'anos o povo com teu mester. (...)

SAPATEIRO: Pois digo-te que não quero!

DIABO: Que te pês, hás-de ir, si, si!

SAPATEIRO: Quantas missas eu ouvi,

não me hão elas de prestar?

DIABO: Ouvir missa, então roubar,

é caminho per'aqui.

​(Gil Vicente, ​Auto da barca do Inferno​).

Vocabulário:

leixo: ​​deixo.

mi: ​​mim.

guarecer:​​ salvar-se.

parti tão sem aviso:​​ morri de maneira tão inesperada.

demandar: ​​pedir, desejar.

leixeis: ​​deixeis.

batel divinal: ​​barco divino.

fantesia: ​​vaidade, orgulho, presunção.

essoutro: ​​esse outro.

fumoso: ​​pretensioso, arrogante.

pera:​​ para.

tanto menos:​​ em tão pior situação.

generoso:​​ por serdes de família nobre.

cuidando:​​ refletindo sobre a opressão (sobre os humildes).

lago dos danados:​​ eufemismo para inferno.

trint'anos:​​ trinta anos.

mester:​​ ofício, profissão.

(7)

Q. 03

​​

Gil Vicente é considerado o fundador do teatro em Portugal, pois, além do domínio da linguagem e do gênero, em sua obra é possível encontrar um verdadeiro painel da sociedade de sua época. Entre as suas obras, ​Auto da barca do Inferno​, de 1517, destaca-se por trazer as principais características do teatro medieval: o caráter pedagógico e a perspectiva moralizante.

Considerando essas observações, indique por que motivo específico o fidalgo e o sapateiro são condenados e, em seguida, explique como era a relação de ambos com a religião. Utilize trechos dos textos 1 e 2 para justificar sua resposta.

Textos para a questão 04. Texto 1

​​Depois de receber o aviso foi ao banheiro para ficar sozinha porque estava toda

atordoada. Olhou-se maquinalmente ao espelho que encimava a pia imunda e

rachada, cheia de cabelos, o que tanto combinava com sua vida. Pareceu-lhe que o

espelho baço e escurecido não refletia imagem alguma. Sumira por acaso a sua

existência física? Logo depois passou a ilusão e enxergou a cara toda deformada pelo

espelho ordinário, o nariz tornado enorme como o de um palhaço de nariz de papelão.

Olhou-se e levemente pensou: tão jovem e já com ferrugem.

Clarice Lispector, ​A hora da estrela​. Texto 2

— O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria;

como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias.

Mas isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria. Como então dizer quem fala ora a Vossas Senhorias? Vejamos: é o Severino

lá da serra da Costela, limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco: se ao menos mais cinco havia com nome de Severino

filhos de tantas Marias mulheres de outros tantos, já finados, Zacarias,

vivendo na mesma serra

magra e ossuda em que eu vivia. Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos

(8)

morremos de morte igual, mesma morte severina:

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia (...)

João Cabral de Melo Neto, ​Morte e Vida Severina​.

Q. 04

​​Explique em que medida é possível associar os dramas vivenciados por Macabéa e por Severino, protagonistas de ​A hora da estrela e ​Morte e Vida Severina​,

respectivamente.

Textos para a questão 05. ​Texto 1

A jandaia que acompanhava Iracema.

(9)

​Texto 2

Poti voltou de perseguir o inimigo. (...)

O cão fiel o seguia de perto, lambendo ainda nos pelos do focinho a marugem

do sangue tabajara, de que se fartara; o senhor o acariciava satisfeito de sua coragem

e dedicação. Fora ele quem salvara Martim (...).

— Os maus espíritos da floresta podem separar outra vez o guerreiro branco de

seu irmão pitiguara. O cão te seguirá daqui em diante, para que mesmo de longe Poti

acuda a teu chamado.

— Mas o cão é teu companheiro e amigo fiel.

— Mais amigo e companheiro será de Poti, servindo a seu irmão que a ele. Tu o

chamarás Japi; e ele será o pé ligeiro com que de longe corramos um para o outro. (...)

Tanto que os dois guerreiros tocaram as margens do rio, ouviram o latir do cão,

que os chamava, e o grito da ará, que se lamentava.

(José de Alencar. ​Iracema​). ​Texto 3

A ará, pousada no jirau fronteiro, alonga para sua formosa senhora os verdes

tristes olhos. Desde que o guerreiro branco pisou a terra dos tabajaras, Iracema a

esqueceu. (...)

Iracema lembrou-se que tinha sido ingrata para a jandaia esquecendo-a no

tempo da felicidade; e agora ela vinha para a consolar no tempo da desventura. (...)

Na seguinte alvorada foi a voz da jandaia que a despertou. A linda ave não

deixou mais sua senhora (…).

A jandaia pousada no olho da palmeira repetia tristemente: — Iracema!

Desde então os guerreiros pitiguaras, que passavam perto da cabana

abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, se afastavam, com a

alma cheia de tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia.

E foi assim que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e

os campos onde serpeja o rio.

(José de Alencar. ​Iracema​).

Q 05.

​​

(UNICAMP - adaptada) Os animais desempenham um papel simbólico no romance ​Iracema​. Dentre eles, destacam-se o cão Japi e a jandaia (ou ará), que aparecem nos Textos 2 e 3. Com base em sua leitura integral da obra e utilizando-se dos excertos acima, explique quais são os papéis desempenhados por cada um desses animais dentro da narrativa, relacionando-os à protagonista.

Referências

Documentos relacionados

O mesmo autor ainda diz que “é preciso deixar-se ser contaminado pela poesia” e para entender um poema é preciso ter o espírito de liberdade, a mesma que nos

Por último, temos o vídeo que está sendo exibido dentro do celular, que é segurado e comentado por alguém, e compartilhado e comentado no perfil de BolsoWoman no Twitter. No

Tais restrições, sendo convencionais, operam efeitos entre o loteador e os que vão construir no bairro, enquanto não colidentes com a legislação urbanística ordenadora da cidade e

Nas últimas décadas, a ruptura, o efêmero, o descartável incorporam-se cada vez mais ao fazer artístico, em consonância com a pós-modernidade. b) apropriação de materiais e

- Prova Didática; - Prova Escrita. O memorial deverá ser elaborado de modo que resultem nítidas e separadas as atividades desenvolvidas pelo candidato antes e após

Esta pesquisa discorre de uma situação pontual recorrente de um processo produtivo, onde se verifica as técnicas padronizadas e estudo dos indicadores em uma observação sistêmica

No código abaixo, foi atribuída a string “power” à variável do tipo string my_probe, que será usada como sonda para busca na string atribuída à variável my_string.. O

[r]