M+¦dulo I Apostila II SENAC T+®cnicas de Locu+º+úo

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Texto

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SUMÁRIO

UNIDADE I - ELEMENTOS DA DICÇÃO ... 7

1. INTRODUÇÃO... 7

2. FUNDAMENTOS DA DICÇÃO ... 8

3. O EXERCÍCIO FUNDAMENTAL DA DICÇÃO ... 13

3.1 Articulação de Palavras e Frases Isoladas ... 16

4. A EXPRESSIVIDADE NA LEITURA EM PÚBLICO ... 23

ANEXOS – PRÁTICAS DE LEITURA E RITMO ... 26

UNIDADE II – FUNDAMENTOS DE LOCUÇÃO ... 35

1. ELEMENTOS DA LOCUÇÃO... 35

1.1 Locução de Rádio & TV ... 35

1.2 Elementos Básicos da Locução ... 36

1.3 Os elementos da voz ... 40

2. ELEMENTOS DINÂMICOS DA LOCUÇÃO ... 45

2.1 Inflexões de voz ... 45 2.2 Duração e estilo ... 46 2.3 Modulações de voz ... 47 2.4 Projeção de voz... 48 2.5 Expressividade... 49 2.6 Elementos de Locução ... 50

2.7 Locução, Técnica e Arte ... 51

2.8 Tipos de Locução... 52

2.9 Qualidades Básicas do Locutor... 52

3. GRUPOS EXPRESSIONAIS: DOMÍNIO RÁPIDO DA LOCUÇÃO ... 54

3.1 O Texto como Base da Locução... 55

3.2 Leitura de Locução ... 56

3.3 Praticando a Marcação Expressional... 60

4. SUAVIZADORES DA FALA E LEITURA DE LOCUÇÃO ... 64

4.1 Suavizadores da Fala... 65

4.2 Fala de Locução e Regionalismo... 68

UNIDADE III... 70

1. TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO DE PROGRAMAS ... 71

1.1 Apresentação dinâmica de programas ... 71

1.2 Programas de Notícias ... 72

1.2.1 Minuto da TV... 72

1.2.2 Outros programas para treinar ... 73

1.3 Programa de Variedade ... 74

1.3.1 Programa Domingo Sucesso... 74

1.3.2 Programa Agenda Capital ... 76

1.3.3 Programa de Coração a Coração... 78

1.4 Programas Musicais ... 79

1.4.1 Programa Tarde Total ... 79

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Técnicas de Locução

Para o Rádio

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UNIDADE I - ELEMENTOS DA DICÇÃO

1. INTRODUÇÃO

Nada acontece por acaso. O sucesso é um somatório de acertos e de erros; de trabalho e de ócio; de dedicação pessoal e afinco na busca de alcançar objetivos.

Se você ainda não tem objetivos na vida que mereçam sua dedicação e empenho, talvez você ainda não tenha verdadeiramente uma vida. Thomas Edson, o genial inventor norte-americano, definia sucesso como sendo composto por dois aspectos: 1% de inspiração e 99% de transpiração.

De modo simplificado, podemos afirmar que, para Edson, em cada 100 pessoas de sucesso, apenas uma teve aquela inspiração única, espetacular. As outras 99 pessoas conseguiram sucesso... trabalhando duro.

O sucesso é, portanto, mais uma questão de atitude perante a vida, de posicionamento pessoal nas mais diferentes situações. E depende, em muito, da forma como somos avaliados em nossa comunicação cotidiana.

Uma pesquisa americana identificou os fatores que definem nossa avaliação pessoal, no momento em que somos apresentados a uma nova pessoa. São eles: postura – forma de vestir, de gesticular e de olhar – em 55%, o conteúdo da nossa fala em 7% e a forma como falamos, em 38%. Como se vê pelos números, a pesquisa verificou que a forma de falar é mais importante quando somos avaliados do que a própria mensagem, o conteúdo da fala.

A forma como a pessoa fala, a forma de transmitir a mensagem, depende essencialmente da dicção. Nesse aspecto, este pequeno manual será um precioso auxiliar ao seu sucesso.

Este curso foi elaborado para o (a) auxiliar a conquistar o domínio da dicção. Aborda os seguintes tópicos: a leitura em voz alta como base da dicção; a articulação e a fonação das palavras; a expressividade da leitura e da fala para alcançar um objetivo comunicativo e, ainda, a arte de contar estórias. Bons treinos, bom aproveitamento do curso.

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2. FUNDAMENTOS DA DICÇÃO

Ao falar, quanto mais clara for a nossa expressão, mais rapidamente estabelecemos contato. A clareza diz respeito ao valor exato das palavras. Dizer leve o carrinho é diferente de falar leve o carrim. Se a pessoa diz, eventualmente, entregue as cópia não é o mesmo que solicitar entregue as cópias. Percebe-se que as palavras também indicam a situação cultural da pessoa que fala.

Para formar uma imagem que corresponda ao seu nível de conhecimentos, o ajuste da dicção é indispensável. Isto é, falar com erres e esses; com ei, ai, ou; com inhos e outros finais de palavras comumente omitidos, ou erradamente proferidos. Fale com destaque. A fala com dicção assegura projeção pessoal. Quando a dicção está ausente na fala, cria dúvidas sobre a capacidade do comunicador.

O que é dicção

Em sentido lato, amplo, dicção é apenas dizer, de forma escrita ou falada. De modo estrito, é falar de forma a ser entendido, com perfeita pronúncia das palavras, de forma agradável e com ritmo apropriado, com altura de voz e ressonância adequadas. Ter dicção é ler pelo menos uma página de livro ou revista, de forma clara, sem tropeços e com musicalidade na voz.

A chave para a conquista da dicção na fala, a forma que aqui nos interessa, está na pronúncia. E qual é a pronúncia a ser seguida: a paulista, a maranhense, a catarinense, a carioca, a gaúcha?

Em todos os estados brasileiros há pessoas que falam com dicção. Também em todas as cidades brasileiras há pessoas que falam descuidadamente. A solução está na forma de falar individual. As pessoas que articulam as palavras ao falar é que servem de modelo a ser seguido. O segredo delas está na apresentação correta dos sons das palavras, na correta enunciação dos fonemas.

A Maneira rápida de conquistar a dicção

Se você deseja reconhecimento público e eficiência comunicativa chegou a hora de trabalhar a dicção. Falamos trabalhar a dicção. Com o mínimo de esforço pessoal, em reduzido tempo, nos intervalos de suas atividades diárias, facilmente você vai falar com perfeita pronúncia das palavras.

Apenas trinta minutos diários, três vezes por semana, serão suficientes para lhe assegurar, em 180 dias, urna invejável pronúncia. Se você

metodicamente organizar seus treinamentos e executar todos os exercícios aqui apresentados, no tempo previsto, receberá elogios pelo seu novo modo de falar. E estará apto a desenvolver sua liderança pessoal, fechar mais negócios e, em consequência, aumentar seus rendimentos.

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Dicção e articulação das palavras

De forma rigorosa, dicção é a qualidade da fala. Se alguém fala corretamente, proferindo todos os fonemas, tem dicção. Do contrário, dizemos que fala sem dicção. No entanto, os nomes podem sempre receber qualificativos, como excelente, bom, boa ou má, e outros mais.

Com o termo dicção foi exatamente o que aconteceu no uso comum. Fala-se em boa ou má dicção, ou dicção ruim, talvez por influência das expressões boa ou má articulação das palavras. Ao longo desse trabalho, consideramos dicção como correspondente à perfeita articulação das palavras.

O que é articulação das palavras

Articular é movimentar em torno de um eixo peças ou partes de um todo. Portas articuladas, cadeiras articuladas, móveis articulados, por exemplo. No corpo humano também há partes articuladas: braço e antebraço; perna e coxa; queixo e estrutura fixa da cabeça, entre outras.

Articulação das palavras é o processo de emissão de fonemas, palavras e frases com movimentação do queixo e da língua no interior da boca. Observe que o papel da língua no processo da fala é tão importante que idioma tem como sinônimo língua: Língua Portuguesa.

Elementos adicionais concorrem para a completa emissão das palavras: dentes, palato, seios nasais e lábios, essencialmente. Pelo que vimos, a articulação das palavras exige exercícios de leitura em voz alta com movimentação da mandíbula e da língua ao proferir as palavras.

Falhas de articulação

Em geral, a maioria das pessoas apresenta falhas de dicção. Mesmo a ida à Universidade raramente corrige os defeitos da fala. Claro que a influência do grupo familiar é um fator decisivo na formação da fala e da dicção.

Na família é que se aprende a falar, com os erros e acertos presentes no padrão cultural de seus componentes.

No entanto, a dicção é mais uma característica individual e física, que depende exclusivamente do esforço direcionado de cada um ao próprio aperfeiçoamento comunicativo. Assim, conhecer as falhas é capacitar-se à conquista da dicção.

A falha de maior relevo diz respeito à falta de energia ao falar. Em consequência, as palavras são mal pronunciadas e a avaliação do falante é sempre negativa. Essa e as demais falhas relativas à dicção recebem tratamento neste manual. Basta praticar os exercícios.

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Dicção e disciplina pessoal

Este é um guia prático. O aproveitamento máximo será conseguido com um programa semanal de exercícios; nos moldes de uma academia atlética.

Programe suas atividades com hora, dia e local e cumpra seu calendário rigorosamente. Execute todos os exercícios e periodicamente, se possível, faça gravações em áudio para avaliação. As gravações não precisam ser diárias. As quinzenais registram mais adequadamente os progressos realizados.

Tenha o cuidado de guardar as primeiras gravações que realizar, pois servirão de base para atestar os avanços ao longo do período de treinamento. As orientações aqui sugeridas também funcionam para o trabalho em duplas.

Pela experiência acumulada ao longo dos anos, posso afirmar que o sucesso é uma questão de disciplina pessoal. Cumpra seu treinamento e conquiste o sucesso pela dicção perfeita. Capacite-se para os grandes desafios.

O valor dos treinos

A execução de treinos diários, pelo menos nos dois meses iniciais, é de grande importância. Reserve apenas trinta minutos diários, a qualquer hora do dia, para seu trabalho prático. Mesmo que disponha de muitas horas livres, não exagere nos exercícios.

Mais vale treinar todos os dias por trinta minutos do que se dedicar a treinos apenas um dia por semana durante duas horas. Se dispuser de tempo, treine duas vezes ao dia, com intervalo de pelo menos dez minutos entre um e outro momento.

A importância da leitura em voz alta

A aquisição da dicção tem início com os importantes exercícios de leitura em voz alta. Os benefícios advindos dessa leitura são muito amplos em nosso comportamento: influenciam e dinamizam nossas vidas em variados aspectos. Por isso, iniciamos o curso com leituras em voz alta. Antes de ler os textos iniciais, observe os principais benefícios que essa leitura nos propicia:

a) É essencial para a aquisição da dicção, pois destrava a fala e nos faz perceber a forma correta de proferir as palavras. Fortalece os músculos responsáveis pelo processo da fala e elimina a fraqueza da voz sem treino;

b) Aumenta a confiança individual, elimina parte da timidez e faz desaparecer o acanhamento ao falar em voz alta. Assegura clareza ao que dizemos. Com a leitura em voz alta, aprendemos a falar sem tropeço nas palavras;

c) Dá segurança aos profissionais que trabalham ou desejam trabalhar com a voz, como locutores, jornalistas, educadores, vendedores,

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Atividade prática – hora de treinar

Leitura 1 – Imagine estar lendo para uma pessoa ao seu lado

Relatório do Banco Mundial Elogia o Brasil

Apesar de ter a maior renda per capita e a maior expectativa de vida entre as regiões em desenvolvimento, a América Latina está atrás das outras regiões nas metas para redução da pobreza, de acordo com o relatório do Banco Mundial.

Entretanto, a região está atingindo os objetivos de desenvolvimento humano, à frente de outras regiões, na redução da mortalidade infantil, acesso à água limpa para a população e igualdade entre homens e mulheres no acesso à educação.

Um dos maiores desafios da região é o crescimento econômico. De acordo com o relatório, o número de pessoas vivendo com menos de US$ 2,00 por dia na região poderia cair de 128 milhões em 2001 para 122 milhões em 2015 se a renda per capita crescesse uma média de 2;4% ao ano. Nos anos 90, no entanto, o crescimento médio da região foi de apenas 1,5% ao ano.

O crescimento de 5,7% no ano passado, o maior de 25 anos, deve ser visto com "otimismo cauteloso" na avaliação dos economistas do Banco Mundial.

Eles alertam que apesar da redução do crescimento prevista para este e o próximo ano, a região deve aproveitar o momento de expansão para avançar na agenda de reformas estruturais, diminuindo as vulnerabilidades que impediram um crescimento sustentado no passado.

Jean Sarbib, presidente do Banco Mundial, citou o Brasil como um exemplo de país que está agindo para mudar a situação social, a partir dos dados coletados pelo Banco. "Se tomarmos o exemplo do Brasil, eles tentaram mobilizar o programa Fome Zero e o Bolsa-Família, fizeram muitos esforços neste sentido."

Na reunião do Comitê de Desenvolvimento, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que o relatório do Banco Mundial sobre desigualdade os levou a pensar no que precisa ser feito para combater o problema.

"O Brasil está bem situado em relação às metas e deve cumprir a maioria delas", afirmou o ministro Palocci depois da reunião. "Mas muitos países mais pobres têm dificuldade em cumprir", lamentou.

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A reunião do Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial foi a última antes da reunião de setembro na sede da ONU, em Nova York, quando todos os membros da organização vão discutir os progressos dos últimos cinco anos e novas fontes de financiamento dos projetos nos países

mais pobres.

Fonte: BBC Brasil, 2005.

Leitura 2 - Imagine estar lendo para o seu vizinho. Em cada ponto, levante a cabeça e olhe para a parede ou a janela, como se olhasse para o seu vizinho. Vitamina C pode ajudar a combater o câncer

Em testes de laboratório, os cientistas descobriram que aplicações intravenosas de vitamina C em forma de ascorbato matam células cancerígenas.

A pesquisa foi baseada em simulações de infusões clínicas de vitamina C em grupos de nove células cancerígenas e quatro células normais.

Cerca de 50% das células afetadas não conseguiram sobreviver, enquanto as células normais não apresentaram qualquer alteração.

Uma análise mais detalhada das células de linfomas, que são especialmente sensíveis ao ascorbato, mostrou que elas foram completamente destruídas. A dose testada tinha uma concentração de vitamina C muito maior do que uma dose oral.

Os cientistas não conseguiram explicar as causas desse resultado, mas disseram que o tratamento levou à formação de peróxido de hidrogênio, substância conhecida por ser tóxica às células.

O líder da pesquisa, Mark Levine, disse que o tratamento terá de ser considerado seguro antes de ser aplicado em pacientes. As descobertas desse estudo contradizem outras pesquisas que dizem que a vitamina C não é um tratamento efetivo contra o câncer.

Estudos realizados na década de 70, primeiro sugeriram que a aplicação de doses altas de vitamina C poderia ajudar no tratamento do câncer, mas pesquisas realizadas depois não conseguiram provar o fato.

"Esse trabalho está muito no começo. Há muitas pesquisas que já mostraram que diferentes substâncias podem matar células cancerígenas em laboratório, mas que não funcionaram quando testadas em pessoas", afirma Henry Scowcroft, do Cancer Research da Inglaterra.

Fonte: BBC Brasil, 2005.

Selecione outros textos da página 62 e faça a leitura em voz alta. Fale o texto como se o estivesse falando para o seu ouvinte, no Rádio. Fortaleça sua fala com treinos diários de pelo menos trinta minutos.

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3. O EXERCÍCIO FUNDAMENTAL DA DICÇÃO

Para tornar a fala ágil e evitar os tropeços na leitura, para destacar as palavras assegurando-lhes clareza, para abrir a articulação das palavras, pratique a leitura de pequenos trechos em voz alta, com um lápis colocado na boca transversalmente, preso entre os dentes superiores e inferiores. Sem deixar o lápis cair; sem segurá-lo com a mão e sem prender a língua por baixo dele, leia da forma mais clara possível.

Leia o texto três vezes com o lápis na boca e três vezes sem. Repita o ciclo até completar quinze minutos, diariamente, no horário mais conveniente a você. Os exercícios aqui indicados devem ser feitos dessa maneira.

Se for o caso, selecione novos textos e treine com essa técnica. O lápis na boca, e não a caneta que fere os lábios, deve ser sustentado apenas pelos dentes sem muita força e sem muita pressão no maxilar.

Importante: O lápis fica apoiado nos pré-molares, primeiros dentes, com a face plana depois dos incisivos (pontiagudos), praticamente no meio da arcada dentária. Se o lápis ficar na ponta dos dentes, não haverá abertura adequada do maxilar e se ficar muito no fundo da arcada dentária, vai machucar os lábios.

Nas três primeiras semanas, há uma certa 'babação' ao realizar o exercício. Depois a salivação diminui. Lembre-se de que engolir a saliva serve para hidratar a faringe (garganta).

Ao fazer a leitura com o lápis, busque falar as palavras de modo claro, como se não houvesse o lápis impedindo a perfeita emissão da voz. Realize treinos com essa técnica no mínimo por 180 dias. Nesse tempo você vai adquirir uma fala nova, realmente clara. Ao longo desse período, realize os treinos pelo menos três vezes por semana.

Se desejar fazer gravações para verificar o crescimento pessoal, faça-as quinzenalmente. Gravações em períodos menores que este não mostram o aperfeiçoamento alcançado nos treinos.

Insistimos para que você programe seus treinamentos. Estruture um calendário de atividades e verá que sempre há tempo disponível para as coisas importantes.

Chegou a hora de iniciar os seus treinos. Articulação, fonação e vocalização das palavras são ações básicas para quem deseja utilizar a voz como instrumento de comunicação.

Inicie os treinos de articulação com o lápis. Faça a sequência três vezes: inicie com o exercício 001 e vá até o 006 seguintes.

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Atividades Prática – hora de treinar

Ex – 001

Era à sobremesa; ninguém já pensava em comer. No intervalo das glosas, corria um burburinho alegre, um palavrear de estômagos satisfeitos; os olhos moles e úmidos, ou vivos e cálidos, espreguiçavam-se ou saltitavam de uma ponta à outra da mesa, atulhada de doces e frutas, aqui o ananás em fatias, ali o melão em talhadas, as compoteiras de cristal deixando ver o doce de coco, finamente ralado, amarelo como uma gema, ou então o melado escuro e grosso, não longe do queijo e do cará.

Fonte: Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Ex – 002

Que vida interessante a do primo Basílio! - pensava. O que ele tinha visto! Se ela pudesse também fazer as suas malas, partir; admirar os aspectos novos e desconhecidos, a neve nos montes, cascatas reluzentes! Como desejaria visitar os países que conhecia dos romances - a Escócia e os seus lagos taciturnos, Veneza e os seus palácios trágicos; aportar às baías, onde um mar luminoso e faiscante morre na areia fulva; e das cabanas dos pescadores, de teto chato, onde vivem as grazielas, ver azularem-se ao longe as ilhas de nomes sonoros! E ir a Paris! Paris sobretudo! Mas, qual! Nunca viajaria de certo; eram pobres; Jorge era caseiro, tão lisboeta!

Fonte: Eça de Queiroz (O Primo Basílio)

Ex – 003

Uma técnica fundamental na linguagem telejornalística é a regra dos 180 graus. Trata-se da sucessão de atitudes técnicas quanto ao enquadramento de planos para produção de entrevistas para a televisão. É uma regra imprescindível, e deve ser rigidamente seguida. Tem o seguinte fundamento: quando se realiza uma entrevista para telejornalismo, três participantes da reportagem – o entrevistado; o repórter e o cameraman – têm de estar posicionados de um só lado de uma linha imaginária que divide o cenário em dois. Para isso, deve-se traçar uma linha que ligue o repórter ao entrevistado. Essa linha se prolonga até o infinito, nos dois sentidos. Em seguida, deve-se realizar todo o trabalho visual da entrevista dentro de um só lado dessa linha. Com a regra dos 180 graus, fica mais claro o conceito da necessidade da realização dos contraplanos da entrevista. Os contraplanos são os enquadramentos que mostram o rosto do repórter no momento em que o entrevistado está falando ou ouvindo a pergunta do repórter.

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Fonte: Sebastião Squirra (Aprender Telejornalismo)

Ex – 004

Quero que todos os dias do ano todos os dias da vida

de meia em meia hora de 5 em 5 minutos me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,

creio, no momento, que sou amado. No momento anterior

e no ano seguinte, como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão que me amas que me amas que me amas. Do contrário, evapora-se a amação

pois ao dizer: Eu te amo, desmentes,

apagas

teu amor por mim.

Fonte: Carlos Drummond de Andrade (As Impurezas do Branco)

Ex - 005

Você sabe o que é a teoria da evolução? Como funciona uma astronave? Por que o céu é azul e a água do mar salgada? O que é a camada de ozônio? Como o cérebro cria ideias? Quando surgiu a vida na Terra?

As respostas para essas e milhares de outras perguntas você encontra em SUPERINTERESSANTE, a revista para leitores superinteressados, onde você logo percebe a enorme diferença que existe entre informação de verdade e simples notícias.

SUPERINTERESSANTE estimula sua curiosidade e respeita sua inteligência com assuntos intrigantes, fotos fascinantes e textos instrutivos. Você vai ver como é fácil e gostoso saber cada vez mais.

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Ex – 006

De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.

Fonte: Vinícius de Moraes (Soneto de Fidelidade)

Lembre-se: esse exercício pode ser praticado a qualquer hora do dia ou da noite. Utilize qualquer texto. O importante é que você saia da zona de conforto (desejar sempre o melhor e nada fazer para conquistá-lo). Continue com os exercícios. Em breve será elogiado pela voz melodiosa e pela clareza com que faz leituras ou fala aos amigos.

3.1 Articulação de Palavras e Frases Isoladas

Leia de forma clara, com o lápis na boca, por três vezes. Logo depois, leia outra vez sem o lápis por três vezes. Repita a sequência até completar quinze minutos de treinos.

Ex – 007

R em final de. palavra - Importante: faça o erre final suave, sem a vibração rrrrrrr. Pronuncie o erre carioca, suave, velar. Mas fique atento: amar é diferente de amá e atar é diferente de atá.

Atar Agir Abrir Miar Viver Dizer Sentir Bramir Partir Engravidar Alavancar Espargir Azucrinar Escorregar Espremer

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Refulgir Entender Instruir Talhar Exigir Nadar Comprar Lutar Sorrir Olhar Buscar Mexer Sair Orar Chorar estudar Recrear Pacificar Consentir Empenhar Ramificar Coalhar Amargurar Estabelecer Repartir Estremecer Edificar Amealhar Emagrecer Abocanhar Envelhecer Apunhalar Estratificar Felicitar Embevecer Endoidecer Capacitar Esmorecer Escrutinar Relampejar Entabular Multiplicar Aparelhar Comunicar Metralhar Envelhecer Redobrar Vivenciar Divagar Ex – 008

Pronúncia do S em final de palavra - Este esse é sibilante como o esse paulista. No rádio, evitamos o esse chiado carioca.

Lápis Trecos Lecos Frisos Ondas ruas Pães Raios Cordas Liras Roncos Falas Roucos Ilhas

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Ex – 009 S em final de palavra Janelas Novelas Histórias Pegadas Gramados Cartórios Animadas Batizados Chamuscados Rochedos Canelas Calçadas Vexatórias Encharcados Simplórias Rodeados Pisoteados Alimentados Chapiscados Cobertores Estrangeiros Obrigações Protetores Arrumações Empregadores Temerários Extraordinários Estimulantes Gritadores Amargurados Pisaduras Adornados Guardadores Limpadores Ordinárias Tremores Escriturários Promoções Plantações Arbitrários Acariciantes Ferraduras Agravantes Letreiros Pasteurizados Militarizados Avacalhados Destroçados Mendigados Estudantes Enervantes Refrescantes Apressados Elegantes Aloucados Emocionados Adocicados Estirados Compensados Alongados Compenetrados Reconquistados Arredondados Emparedados Encaminhados Enregelados Empolgados Recalcados Balbuciantes Estonteantes Limitantes Fulminados Endiabrados Enegrecidos Planejados Estipulados Desencorajados

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Ex – 010

R e S finais em frases. Torne o final das frases vivo, com energia. Não deixe a fala "morrer" no final da frase.

Quando você atar, eles atam.

Se atares, deixa que os outros atem também. Quando você agir, eles agem.

Se agires, deixa que os outros ajam também. Quando você abrir, eles abrem.

Se abrires, deixa que os outros abram também. Quando você amar, eles amam.

Se amares, deixa que os outros amem também. Quando você sorrir, eles sorriem.

Se sorrires, deixa que os outros sorriam também. Quando você agradecer, eles agradecem.

Se agradeceres, deixa que os outros agradeçam também. Se pedires, outros podem pedir.

Se sorrires, outros podem sorrir. Se lutares, outros podem lutar.

Se comprares, outros podem comprar. Se nadares, outros podem nadar. Se agires, outros podem agir.

Ex – 011

R e S em final de frase. Faça as pausas necessárias à interpretação da frase. Os ventos batiam forte e as telhas de barro das casinhas do bairro soltavam-se a todo o momento.

Pássaros multicoloridos presos em gaiolas faziam a festa das agitadas crianças na feira.

Pingos de luz em todas as gotas de orvalho e cheiros de flores enchiam os ares daquela primavera.

Postes enfileirados, ônibus, caminhões e automóveis exaustos subiam as rampas das ruas íngremes.

Duzentos, trezentos, quatrocentos ou talvez quinhentos soldados, quem sabe, bloqueavam as ruas.

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No temporal, relâmpagos, fortíssimos trovões e raios assustadores faziam os instantes intermináveis.

As planícies avermelhadas do centro-oeste eram desafiadoras e tinham encantos para os aventureiros.

Os dias corriam como águas de corredeiras e todos sentiam dificuldades em seguir seus passos.

Os papagaios comiam os frutos verdes e seus gritos lembravam festas de adolescentes em férias.

Os batedores eram esforçados no trabalho e suas gastas sandálias de couro diziam das suas qualidades.

Pequenas, médias e grandes - em cores variadíssimas - as bolas de gude eram disputadas pelos meninos.

Seis sóis se passaram antes de o índio retornar à aldeia com variadas caças e diversos peixes.

Cavar e retirar a terra molhada, no meio da chuva, era como construir castelos de areia à beira-mar.

Dizer do amor que tinha pelos pequeninos é tão difícil como falar da dedicação que tinha pelos mais velhos.

O ar estava cheio de uma música que lembrava o mar em tardes marcadas pelo subir e descer das ondas.

Errar é comum, mas errar tantas vezes como ele errou decididamente era errar mais que qualquer um.

O brilhar dos fogos, o ruído ensurdecedor das músicas e o passar rápido das pessoas anunciavam a festa.

Para conter o avanço do mar e proteger as construções das altas marés, ele mandou construir o quebra-mar.

Para romper a rede de proteção e alcançar a liberdade, o peixe ficava horas e horas a saltar até se cansar.

Ele gosta de rebuscar o desenho em que imaginava encontrar a mesma luz que encantara o seu olhar.

No shopping sua programação era passear, olhar roupas, comparar sapatos e observar, observar.

Caminhar cedo, trabalhar até o início da noite, ver teatro e beber com os amigos era o que gostava de fazer.

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Estava de férias e ia pescar, viajar, ler alguns livros e visitar alguns parentes que desejava encontrar.

O estalar das paredes e o ronco do motor do carro no interior da casa despertaram a vizinhança.

Ex - 012

R e S em final de frase. Fale com interpretação, imagine que está falando a frase para uma pessoa sentada ao seu lado.

Os amigos eram poucos, realmente selecionados, prontos para socorrê-los em todas as situações.

Ao comprar a casa o seu encanto fora o pomar rico em árvores frutíferas e um encanto ao olhar.

Os seres superiores apresentam luzes que irradiam a felicidade nas situações as mais diversas possíveis.

Seu olhar era terno e seus grandes olhos azuis pareciam encantar a todos os rapazes que lá iam estudar.

Rosas de todas as cores e de perfumes variados eram oferendas deixadas aos santos às sextas-feiras.

Pintar era uma arte que tentava dominar desde que, menina, começou a escrever e a desenhar.

Ruas, rampas, rosas, ramos, remos, rios, rumos, ralos, retos, ritos, rotos, ratos, reles, rolos, roucos, renas.

Amar, beber, curtir, sentir, ouvir, falar, cantar, escrever, viver, intuir, distrair, contrair, comparar, mostrar, prever.

Amados, queridos, admirados, enaltecidos, reconfortados, encaminhados, acompanhados, esquecidos.

Desejo de possuir, mania de comprar, ânsia de viver, sonhos a realizar, etapas a vencer, desafios a superar.

Casas amarelas, automóveis vermelhos, ruas brancas, homens amarelos, árvores marrons, pássaros verdes.

Brinquedos de armar, casas de montar, pastas para arquivar, aparelho de cortar, fogo para assar.

As longas noites do verão estavam chegando ao fim. Noites maravilhosas, inesquecíveis, intermináveis.

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Desejava fazer uma composição especial. Queria compor uma canção para ficar, para ser sempre lembrada.

Os meninos viviam em festas naquele inverno. As águas das bicas eram disputadas como brinquedos raros.

Os homens estirados debaixo das árvores pareciam bêbados. Mas estavam apenas tirando sestas no almoço.

Viver perigosamente, viver e saber que a morte a qualquer momento pode chegar: coisa de policial militar.

Seus sapatos estavam sempre lustrados e refletiam os cuidados pessoais que nele eram quase obsessivos.

Nossos melhores craques são vendidos como bananas muito maduras aos clubes internacionais.

Organizar e criar uma associação, motivar pessoas a ela dedicar horas de trabalho, é inovar, é liderar.

Os grupos vocais surgidos nas últimas décadas caracterizam-se pelas coreografias ousadas e sons originais.

Ao comandar o florescer da arte, inicialmente foi pintar e desenhar, junto ao mar, sempre ao entardecer.

Foram homens habilidosos, construtores dedicados, que construíram as trilhas que serviram de base às civilizações atuais.

Ao compreender como difícil era arrancar a verdade dos seus lábios preferiu partir a ouvir meias verdades.

Coisas importantes, como nascer ou morrer, são fatos únicos e ficam registrados para sempre na memória daqueles que nos amam.

O arrastar das sandálias, o falar manso, o olhar vagaroso e o acenar lento indicavam que a avó não ia viver muito mais.

Explosões, explosões e um céu de brilhos multicores, e o cheiro de pólvora no ar, eram seguidos de olhares exclamativos e de largos sorrisos: indicavam a alegria dos convidados.

O que fazer em uma manhã cinzenta? Caminhar, ler, ouvir música? Ver televisão, ligar para alguém, dormir? Que azar de domingo!

Os sonhadores querem sempre conseguir as coisas no amanhã; os empreendedores montam as peças e definem o futuro. Pena que nem sempre os sonhadores sejam também empreendedores.

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Eram anotações variadas, soltas em diversos cantos da casa: algumas na sala, outras no quanto de dormir, muitas na cozinha e umas tantas outras até mesmo no banheiro.

Lavar, lavar, lavar as mãos uma, duas, três,... Muitas vezes; limpar, limpar, limpar o sujo dos dedos uma, duas, três... Eram muitas e demoradas limpezas nas mãos engilhadas e esbranquiçadas.

4. A EXPRESSIVIDADE NA LEITURA EM PÚBLICO

A fala sem tropeços, clara, com a pronúncia correta das palavras é fundamental, mas não é tudo. A forma de dizer é a essência da dicção. Recorde que, na introdução, apresentamos uma pesquisa americana que verificou: a forma de dizer é mais importante que a mensagem, em termos de impacto pessoal, no primeiro momento.

A forma de dizer por meio da fala é um poderoso instrumento a serviço do indivíduo. E a forma de dizer depende do objetivo da comunicação: persuadir, informar, vender, converter, ensinar...

Portanto, temos sempre um objetivo na comunicação verbal. E ao falarmos, ou fazermos uma leitura em voz alta, precisamos, antes, identificar o nosso objetivo comunicativo para darmos expressividade às emoções e colocarmos as ênfases na fala ou leitura.

A forma de maior impacto na comunicação pela fala, verbal, é o contar estórias. Tanto na escrita quanto na fala narrativa, temos um poderoso modo de envolver as pessoas, de conquistá-las. A comunicação eletrônica – Rádio e TV – usa e abusa do contar estórias. Por isso fique atento: ao ler, imagine que o faz para um ouvinte específico, fale o texto – use um tom – como se contasse uma estória para essa pessoa.

Note que a leitura em voz alta é quase sempre uma leitura para terceiros. Assim, sempre idealize um ouvinte hipotético: a cadeira, a janela, a mesa... E leia com o tom de contador de histórias, olhando de quando em vez para essa pessoa hipotética.

Orientações para leitura - fala de um texto:

1. Primeiro leia o texto silenciosamente. Busque entender o significado e o objetivo da mensagem. É uma mensagem alegre? Informativa? Irônica?

2. Faça uma leitura preparatória com o lápis na boca. As palavras que oferecem dificuldade de leitura devem ser lidas isoladamente mais de uma vez. Leia a palavra separando as sílabas e depois de forma corrida.

3. Leia para uma pessoa em particular. Se estiver em um auditório, visualize uma pessoa de cada vez, e não o todo, e fale o texto para ela. Repito, fale como se contasse uma história ao seu ouvinte no Rádio.

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4. Não quebre a leitura no meio da frase por falta de fôlego. Respire no início das frases. Leia com voz mais alta os trechos mais importantes, que você já sublinhou (fez um traço embaixo), antes, na leitura silenciosa.

5. As mesmas orientações dadas na Aula 1 continuam valendo aqui. Leia: cada texto com o lápis três vezes e, logo depois, sem o lápis por mais três vezes. Fale o texto como se contasse uma história para o ouvinte hipotético, seja criativo, varie a leitura. No Rádio, usamos o ‘tom/jeito’, de contador de história para aumentarmos a nossa aproximação com o ouvinte, para tornamos a locução mais intimista.

Ex 013 - Textos para leitura – fala. Leia como se dirigisse a fala a um amigo. A língua que falamos

Esse negócio de língua estrangeira em país colonizado é fogo. A começar que a nossa língua oficial, o português, nós a recebemos do colonizador luso, o que foi uma bênção. Imagina se, como na África, nós tivéssemos idiomas nativos fixados em profundidade, ou, então, se fosse realidade a falada "língua geral" dos índios, que alguns tentaram, mas jamais conseguiram impor como língua oficial do brasileiro. Mesmo porque as tribos indígenas que povoaram e ainda remanescem pelos sertões, cada uma fala o seu dialeto; o pataxó, por exemplo, não tem nada a ver com o falar amazônico; pelo menos é o que nos informam os especialistas.

Mas deixando de lado os índios que nós, pelo menos, pretendemos ser, falemos de nós, os brasileiros, com o nosso português adaptado a estas latitudes e língua oficial dos nossos vários milhões de nativos. Pois aqui no Brasil, se você for a fundo ao assunto, toma um susto. Pegue um jornal, por exemplo: é todo recheado de inglês, como um peru de farofa.

Nas páginas dedicadas ao show business, que não se pode traduzir literalmente por arte teatral, tem significação mais extensa, inclui as apresentações em várias espécies de salas, ou até na rua, tudo é show. E o leitor do noticiário, se não for escolado no papão, a todo instante tropeça e se engasga com rap, punk, funk, soop-opera, etc, etc.

Cantor de forró do Ceará, do Recife, da Bahia só se apresenta com seu song book, onde as melodias podem ser originalmente nativas, mas têm como palavras-chave esse inglês bastardo que eles inventaram e não se sabe se nem os próprios americanos entendem.

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Ex - 014 - Conte essa estória para o ouvinte ideal (imagine que seja a cadeira, a mesa, a porta ao lado... personalize, personalize, personalize a sua fala), fale a ele(a) com o 'tom' de contador de histórias.

Chuí comanda o tráfego

No domingo, à hora cinzenta em que terminam as festas e todos voltam meio decepcionados para casa, rugiam de impaciência os automóveis ante o sinal vermelho. Alguns farolavam de longe, pedindo passagem. Mas só o vermelho não cedia ao verde. E com a força de seu símbolo, paralisava o tráfego.

Os terríveis moleques da praça perceberam a confusão. Chuí, o Principal deles, resolveu intervir. Vai para o meio do asfalto, começa a acenar aos motoristas.

Que passem! Livre estava o trânsito para a direita. - Podem vir! Não estou brincando! É de verdade...

Hesitaram alguns a princípio. Depois romperam. Outros os seguiram. Chuí imponente estende os braços para a rua principal. Os motoristas enfim acreditam nele. E a imensa massa de veículos – cadilaques, oldsmobiles, buíques, fordes e chevrolés – desfila ao comando único do pequeno maltrapilho.

Em enérgico movimento, Chuí ordena aos carros que parem. Gira o corpo, estica o braço e manda que sigam pela esquerda os da rua principal. No que é obedecido.

Passageiros e motoristas atiram moedas. Mas o improvisado inspetor, cônscio de suas responsabilidades, sabe que não pode abaixar-se para apanhá-las sem risco para o trânsito.

Quando, gritando de longe, a mãe do garoto o ameaçava com uma coça, aparece uniformizado, um inspetor de verdade. Prende Chuí e o leva para o Distrito.

- Nós apanhamos as moedas para você - gritaram-lhe os companheiros. Não eram as moedas que ele queria, oh! Não era isso! O que Chuí queria era voltar ao tráfego, continuar submetendo aqueles carros enormes, poderosos, ao seu comando único, ao aceno de seu bracinho...

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ANEXOS – PRÁTICAS DE LEITURA E RITMO Texto 1 – O crescimento

"O crescimento é um negócio que toda a gente fala nele quando nós somos pequenos. Só serve pra gente ter que começar a fazer tudo sozinho, como mudar de roupa e cortar a carne no prato. O bom no crescimento é a gente poder atravessar a rua sem pegar na mão da mãe, mas o ruim é quando ela diz que a gente já está muito grande pra fazer certas coisas.

O crescimento deixa também a gente aprender mais uma porção de palavras que todo mundo acha graça mas de vez em quando a gente diz uma que não devia e o papai berra que a mamãe está estragando esse menino completamente. Pensando bem crescimento não é nada bom ainda mais como o do Joquinha que cresceu tanto que foi mandado pra escola muito antes do tempo."

FERNANDES, Millôr. Conpozissõis infãtis. Rio de Janeiro: Nórdica, 1975. p. 18, 19.

Texto 2 – O comportamento

"O comportamento é isso que a gente leva zero na escola e tapa do bom em casa. O comportamento é isso que o soldado tem de ter e o comandante não, como lá em casa que as crianças estão sempre se comportando mal, agora a mamãe e o papai é só receberem uns amigos que fazem cada uma que eles nem sabem que eu e meu irmão saímos devagarinho lá da cama pra olhar eles, e se fosse no colégio nem zero era pouco pra dar pra eles todos.

O que eles fazem botam a culpa no uísque e a gente só tem Coca-Cola pra dizer que foi por causa dela que a gente ficou doente mas o que acontece é que a gente acaba de castigo sem beber nenhuma a semana inteira. O que eu não sei mesmo é quem foi que inventou essa idéia de que garoto só muito quietinho e bem sentadinho e não mexendo em nada e nem comendo coisíssima nenhuma na casa dos outros e nem falando pras visitas o que papai fala delas, é que é bonito. Ah, poxa!

O comportamento é uma coisa que a mamãe diz que não suporta o meu mas eu é que não entendo o dela. Uma hora ela me dá uma porção de beijinhos, outra hora ela me põe de castigo o dia todo. Uma vez ela diz que eu sou tudo lá na vida dela, outra vez ela grita: 'Que menino mais impossível, você vai ver só quando seu pai chegar!' Tem umas ocasiões que ela chora muito porque não sabe mais o que fazer comigo e outras eu ouvo ela dizendo pras visitas que 'o meu, felizmente, é muito bonzinho e muito carinhoso'. Eu já desconfio que a mamãe é a médica e a monstra."

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Texto 3 – A menina e o pássaro encantado

A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.

Mas chegava sempre uma hora de tristeza. "- Tenho de ir", ele dizia. “- Por favor, não vá. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar ..." E a menina fazia beicinho...

"- Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "Eu também vou chorar. Mas eu vou lhe contar um segredo: as plantas precisam de água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E você deixará de me amar"

ALVES, Rubem. A menina e o pássaro encantado. São Paulo: Loyola, 1992. [p. 13. 14]

Texto 4 – O espelho

Como seu Pássaro mudara!, a Menina pensou. Ela nunca o havia visto se olhando num espelho. Seus olhos estavam sempre cheios de mundos, de montanhas e campos nevados, florestas e mares... Tão cheios de mundos que não havia neles lugar para sua própria imagem. Mas agora era como se os mundos não mais existissem. Os olhos do Pássaro estavam cheios do seu próprio reflexo. A Menina percebeu que o seu Pássaro fora enfeitiçado.

Com certeza alguém, com inveja, como a madrasta da Branca de Neve. E que instrumento mais terrível para o feitiço que um espelho? Mais terrível que as gaiolas. De dentro das gaiolas todos devem sair. Mas dentro dos espelhos todos querem ficar.

ALVES. Rubem. A volta do pássaro encantado. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 1989. [p. 6]

Texto 5 – Desencontros dos corações Mônica Krausz

As meninas de 12 ou 13 anos querem ficar com os meninos de 15 ou 16 porque acham que os garotos da mesma idade só gostam de futebol e videogame. Mas os meninos mais velhos acham que elas são novas demais.

Com a entrada na adolescência, ao redor dos 12 anos, o organismo recebe uma carga enorme de hormônios. Além de transformarem os corpos, os hormônios mexem com a cabeça da moçada. É a época em que meninos e meninas descobrem que existe o sexo oposto.

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A fase não é muito fácil, especialmente porque meninos e meninas têm expectativas diferentes. As amigas Renata, de 12 anos, Laura, de 13, e Maria Clara, também de 13, preferem namorar os rapazes mais velhos do 1º colegial. "Os meninos da nossa idade querem ficar com a gente quando não têm mais nada para fazer", explica Renata. "Os mais velhos só ficam com a gente porque gostam mesmo", complementa. "O problema é que é raro os mais velhos darem bola pra gente", reclama Maria Clara.

Sorte dos mais novos. Ao contrário do que Renata pensa, seu colega de escola Luís Otávio, de 13 anos, gostaria de namorá-Ia. Ele não diz que esteja apaixonado, mas confessa que se Renata quisesse ele "ficaria" com ela umas "vinte" vezes.

Antes de começar a namorar o lance é "ficar". As pessoas se encontram, conversam e se beijam, mas sem compromisso. No dia seguinte, a história é outra: uns continuam amigos, outros nem se olham mais. Hermano, de 13 anos, ainda não namorou ninguém. "Só fiquei umas cinco vezes com a mesma menina", diz. A receita de sucesso de Hermano é simples. Depois de uma conversinha ele pergunta se a garota quer dar uma volta e, se ela topar, vão para "um lugar mais escondido", conta. Hermano é discreto e não gosta de beijar em público.

Mas Hermano diz que a primeira vez que se "fica" exige coragem. Ele lembra que contou com os amigos, que perguntaram à garota se ela queria ficar com ele. Ela topou e ele não se esquece que foi para o encontro tremendo.

Paulo, de 14 anos, já "ficou" com uma colega da escola, Carolina, de 13 anos, mas acha que namorar na escola é complicado. "Pinta ciúmes", explica. Carolina é mais romântica E gostaria de namorá-lo. "A gente sente mais segurança namorando do que ficando", diz.

O Estado de S. Paulo. 05.03.1994

Texto 6 – Teens se encontram nas portas de prédio Escada é lugar preferido para um bate-papo.

Antonina Lemos

Eles são o terror dos síndicos e dos porteiros. Rejeitam danceterias, shoppings e bares para ficar jogando conversa fora na frente de casa. São os integrantes das turmas de prédios, uma gente que lota as portarias e escadarias de edifícios nos finais de semana.

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Quem integra esse tipo de turma não sente necessidade nem de atravessar a rua para se divertir. "Isto aqui é melhor do que qualquer danceteria", diz Pedro, 17, morador da Rua Novo Horizonte, Cerqueira César (centro de São Paulo) e que passou todas as suas férias jogando "Imagem e Ação" e tocando violão no seu prédio.

Para aproveitar as maravilhas de seu condomínio – que na verdade só tem um hall, uma escada na frente e um improvisado campinho de futebol – ele conta com a companhia de seus vizinhos e até com amigos que não moram lá. “Eu venho para cá todo dia”, diz Luís Carlos, 17, que mora na Consolação e vai para lá de bicicleta.

Os integrantes da turma não sabem explicar ao certo por que o prédio foi adotado como point. ''Esta escada é muito agradável", diz Lazlo, 17. Pedro tem outra explicação: "Aqui tem muita gente da nossa idade, as pessoas acabam trazendo os amigos e a turma está formada".

Algumas galeras se dão ao requinte de juntar quase 50 pessoas. É este o caso da turma da Rua Gandavo, na Vila Mariana (zona sul). A "turma do mal", como eles se auto-intitulam, reúne um bando de jovens da mais variada faixa de idade – seus integrantes têm de 14 a 28 anos.

Os orgulhosos integrantes nutrem um verdadeiro amor ao prédio. “Todo mundo adora morar aqui, mesmo quem muda acaba voltando para passar as férias”, diz Manoel, 24, o "Mané". É esse o caso de Fernando Augusto, 18, o “Neném”. Ele mudou do prédio dá três anos, mas continua indo lá sempre que pode. “Os meus amigos estão todos aqui”, diz.

A turma, que afirma que é conhecida em todo o bairro, lota a porta do prédio nos fins-de-semana. "Vem gente de todo canto, um monte de carros ficam estacionados em fila dupla", orgulha-se Rodrigo, 18, o "Ruivão".

A adoção do prédio como point não vem de hoje. "Aqui tem turma desde 78, esse prédio sempre foi conhecido por ter muitos jovens", conta Fernando, 28, o "vovô" da moçada.

Honrando a tradição, os moradores do prédio acabam formando casais e até se metendo em brigas para defender algum vizinho. "Se for preciso a gente briga mesmo", diz Marcelo, 24, 'o "Xepa".: Ele conta que quando saem juntos, ninguém se atreve amexer com as meninas. Também, pudera, só de olhar para a cara do Xepa eles já devem morrer de medo. É que o cara é um verdadeiro “armário”.

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Texto 7 – Turmas são campeãs em arranjar confusão.

Confusões não faltam nos prédios que têm turmas. Sempre tem moradores que implicam com os "jovens baderneiros", síndicos que não suportam os vidros quebrados por causa da falta de pontaria dos craques e por aí vai. Os teens dos prédios colecionam histórias.

Pedro, 17, do prédio da Novo Horizonte, reclama de uma "velhinha" que vive reclamando. E também do síndico, que proibiu a turma de freqüentar o terraço, onde costumavam ver o pôr-do-sol. Mas eles aprontam. Já quebraram vários vidros jogando bola e simplesmente destruíram a mesinha que ficava no hall em uma das noites de cantorias que fazem por lá.

Outros "ratos" de prédios que costumam se meter em confusão são os freqüentadores do Kówarichi, na Aclimação (zona sul). Eles já perderam a conta das vezes em que se meteram em confusão. "A gente fica conversando alto de madrugada e sempre tem gente que vem reclamar", diz Patrícia, 14.

Muitas vezes as brigas acabam com os pais recebendo incontáveis reclamações e com tentativas, frustradas, de fazer que os integrantes da turma que não moram no prédio parem de freqüentá-lo.

É claro que a “turma do mal” podia ficar livre da confusão. Eles já brigaram com vários síndicos e porteiros, que tentam em vão evitar a aglomeração na portaria. Hoje em dia eles tentam acabar com a nova regra que foi imposta pelo condomínio: os teens foram proibidos de namorar nos corredores do prédio. Folha de S. Paulo, 14.02.1994. Folhateen, p. 6-6

Texto 8 – OVNIs sobrevoam São Gonçalo do Amarante

Populares de São Gonçalo do Amarante afirmaram ter visto Objetos Voadores Não-Identificados (OVNIs), nos dias 24 de janeiro, três e onze de fevereiro passados. Os objetos sobrevoaram o município, causando espanto e medo entre os que viram de vários pontos da cidade e de localidades vizinhas da sede.

O diretor do Centro de Estudos Ufológicos do Ceará (CEU), José Jean Pereira de Alencar, viu um OVNI no dia 24 de janeiro. Ele estava na fazenda Lagoas Novas, a quatro quilômetros da sede do município, junto a outras pessoas. O objeto veio do sentido norte, cruzou o céu numa velocidade média, com aparência de um foguete. De frente, parecia uma grande bola branca e brilhante, segundo o ufólogo, que também identificou uma cauda luminosa.

O mesmo objeto dói visto na sede de São Gonçalo por várias pessoas. Dentre elas, o sargento reformado da Polícia Militar, José Duca Soares da Silva, residente na rua Neco Martins, que notou a presença do objeto da varanda de seu apartamento. “Uma grande bola azul, que incidia um raio azul sobre o prédio da Prefeitura de São Gonçalo”, disse. O objeto ficou pairando no céu por mais de 20 minutos. Em seguida, subiu até desaparecer. Vários menores que jogavam bola na quadra esportiva Waldemar Alcântara também testemunham o aparecimento, descrevendo da mesma forma o objeto.

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A funcionária dos Correios, Ávila Gouveia, e o esposo Roberto Rodrigues pararam o carro para constatar o “disco voador”. José Jean diz que recebeu informações sobre o aparecimento do mesmo objeto nos municípios de Paraipaba, Paracuru, distrito de Sítios Novos, em Caucaia, e no bairro Jacarecanga, em Fortaleza.

No dia três de fevereiro, às 20h15min, os moradores da rua Coronel Barroso, em São Gonçalo, viram um OVNI vindo do sentido sudeste. Informado por Maria de Fátima Freitas Gomes, o diretor do CÉU foi ate o local. Para ele, foi uma das mais nítidas visões.

“O OVNI era bem visível. Saiu de dentro de uma grande nuvem e aparentava uma bola cinzenta. Deslocava-se lentamente, do sudeste para o leste. Após 15 minutos, parou e dele saíram dois objetos com o formato de estrelas que começaram a se locomover lentamente. Um dos objetos movimentava-se para baixo e o outro para cima”, descreve o ufólogo, complementando que os OVNIS ficaram nesse movimento por mais de 40 minutos, ate desaparecerem.

No dia 11 de fevereiro passado, Telma Morais estava com colegas na praça da igreja de São Gonçalo quando viram um objeto desconhecido voando em baixa altitude. Eram 22h40min e parecia uma bola com luzes coloridas. Após segundos, as luzes se apagaram, voltaram a acender e o objeto foi em direção ao poente. Segundo o major-aviador Oscar Machado Júnior, do Esquadrão de Comando da Base Aérea de Fortaleza, os radares da unidade não registraram nada de anormal nos dias e horários descritos pela população de São Gonçalo (Pedro Herculano). Diário do Nordeste (Fortaleza), 25.02.1994. Interior, p.12.

Texto 9 – Especialistas culpam pais por erotização de jovem

Psicólogos e educadores criticam o comportamento dos pré-adolescentes. Essas alterações têm culpados: os pais. "Eles estão favorecendo a antecipação da adolescência, o que é péssimo", acredita o psiquiatra Içami Tiba, Para não serem classificados como antiquados ou "fora da moda", acabam cedendo às pressões dos filhos. "Não querem repetir o esquema repressor de seus pais, mas acabam se perdendo nesse jogo", comenta.

Eles têm medo de dizer não e se transformam em vítimas de seus próprios atos. "Os pré-adolescentes estão buscando uma identidade que ainda não possuem e passam a copiar modelos que nem sempre são os mais adequados", explica.

É o caso da menina que reproduz nas roupas ousadas e justas o desejo de ser uma mulher tão sedutora quanto uma adulta, mesmo que não seja essa a real intenção dela. Quanto mais inseguro estiver, mais o pré-adolescente se apegará a símbolos da maturidade, como roupas, maneira de falar e de se comportar.

"Querem ser notados a qualquer custo e, dessa forma, compensam a insegurança", afirma. A erotização antecipada pode ser a culpada por uma sexualidade conturbada e sem preparo. "Passam a ter uma imagem falsa sobre si e ficam mais preocupados com os símbolos estéticos", diz.

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Para Tiba, os "antecipados" estão jogando fora o lado infantil sem controle da situação e, pior, com o aval dos pais. "Acabam copiando todos os modelos sem estar preparados para saber o que é certo ou errado."

Um adolescente fora de época coloca em dúvida, antecipadamente, o comportamento dos pais e o mundo. Com isso, sofre antes do tempo também as tradicionais crises de angústia dessa fase da vida. "São obrigados a enfrentar o conflito de querer serem aceitos como pseudoadultos enquanto ainda dependem dos pais para tudo", comenta o psicólogo Hugo Bianc Távola, especializado em adolescentes. "Eles acabam ampliando o período de incertezas e contestações, que é um processo cansativo e característico da adolescência e fase adulta", diz. Sofrem muito mais.

A professora Ana Luísa Vieira de Mattos, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, afirma que existe um abismo entre a maturidade física e a social. "Os pais precisam ter paciência, pois o que esses jovens precisam é do apoio de pessoas que conseguiram superar essa fase", explica.

Nas sociedades primitivas, a adolescência é mais curta. Geralmente, o jovem "passa para a idade adulta por meio de cerimônias de iniciação. "Esses jovens estão ampliando esse período de passagem", comenta o pedagogo Juliano Esteves Couto.

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Fundamentos de

Locução

Princípios que Fundamentam a

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UNIDADE II – FUNDAMENTOS DE LOCUÇÃO

1. ELEMENTOS DA LOCUÇÃO

1.1 Locução de Rádio & TV

O mundo da comunicação tem no Rádio e na TV dois dos mais importantes pilares. Neles, a utilização técnica da voz humana é que faz a diferença. Nesses veículos, a capacidade encontrada de influenciar e produzir mudança na sociedade, pelo dinamismo das programações, decorre do uso da locução pelos comunicadores. Sem a fala, rádio e TV pouco seriam. A locução, técnica de apresentação verbal e expressiva de programas, ou de eventos, desenvolvida com o aprimoramento da fala, pode ser aprendida, rápida e facilmente.

A locução é uma só, da mesma forma que o canto também é único. As variadas locuções, como os variados cantos, decorrem das alterações de ritmo, andamento, com as consequentes implicações de altura de voz e intensidade, uma vez que estes componentes da fala sempre estão presentes na locução. Fatores estilísticos, durações, podem ou não se apresentar nestas variações.

De modo geral, a locução no rádio é ampla, empolgada. Na TV é contida, ágil. Numa ou noutra situação, quando apoiada em texto, deve parecer uma fala animada, viva, e não uma leitura gramatical, inexpressiva. Modulação, projeção da voz e expressividade são os elementos da locução, base de apoio deste curso, e recebem cuidados especiais neste trabalho.

O maior distanciamento entre as locuções utilizadas no rádio e na TV está na locução esportiva. Abordaremos adequadamente estes aspectos no momento oportuno. Até lá, o curso ensina a locução de forma geral, com exemplos voltados para o rádio. Com o aprendizado da locução empregada no rádio, facilmente fazemos a locução de TV, de apresentação de eventos, de esportes, de telemensagens e de comerciais.

A estrutura de alguns textos presentes neste módulo foge aos padrões recomendados para o rádio. Textos de jornais e revistas, como aqui utilizados, são falados diariamente nas emissoras sem qualquer preparo inicial. O aprendizado com textos comuns assegura mais confiança e prepara o profissional para a realidade do dia a dia de muitas emissoras. Este é um curso essencialmente prático e, na prática, estes são os textos mais usados.

A fundamentação teórica do curso é a essencial. Para análise e maior aprofundamento dos tópicos, consulte as obras indicadas no final do módulo. Acelere seu aprendizado com a execução dos exercícios propostos no CD de apoio. Estude diariamente por 60 minutos.

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Este curso destina-se a pessoas sem limitações físicas na fala. Gagueiras, mesmo leves, e outros distúrbios orais exigem a consulta a médico otorrinolaringologista, para avaliação física do aparelho fonador, e a fonoaudiólogo, para ajuste dos problemas de pronúncia. Se for capaz de ler bem, em voz alta, com este curso as portas do sucesso estarão abertas para você.

1.2 Elementos Básicos da Locução

A locução é um aprimoramento da fala. O conhecimento dos elementos básicos da comunicação oral, que concorrem para o rápido domínio dessa técnica, proporciona ao comunicador o melhor rendimento de voz e o menor esforço físico. Portanto, fazer locução com qualidade e sem desgaste físico está ao seu alcance.

Como em todas as situações que envolvem desempenho pessoal, na locução os elementos básicos são mínimos. No entanto, a correta utilização destes recursos exige dedicação pessoal e uma boa soma de exercícios. Sua voz é boa para locução

Quando pensamos em locução, a mente focaliza imediatamente um locutor ou uma locutora de sucesso. Pensamos, sentimos a voz. A riqueza comunicativa do profissional invade nossa mente e imaginamos ouvi-lo mesmo que estejamos noutra cidade.

Essa locução que nos conquista foi aprimorada, polida, ao longo de certo tempo. A fala daquele comunicador, antes era tão comum como tantas outras falas sem treino. Esse é o detalhe: as falas saudáveis pertencem a duas categorias: as treinadas e as não-treinadas.

Este é um curso de treinamento da fala. Sua voz é boa para locução? Todas as vozes saudáveis são boas para locução, basta treinar corretamente para fazer locução com qualidade. Aqui você encontra a orientação técnica correta.

O que é a fala

De modo prático, a fala é a capacidade de estabelecer comunicação por meio da emissão de variadas combinações de sons, a partir da expiração, com a utilização dos códigos sonoros sistematizados em determinada língua. Simplificadamente, fala é a capacidade de nos entendermos, ou desentendermos, com pelo menos uma pessoa, utilizando a voz.

A fala é talvez a maior herança social. A forma de falar na família exerce poderosa influência sobre os seus integrantes. O padrão familiar é absorvido desde os primeiros anos de vida. A fala é inicialmente imitada, repetida, no aprendizado da criança. Aos seis, sete anos, esta já tem o domínio da estrutura

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A produção da fala

A fala é produzida a partir das cordas vocais, ou membranas vocais, situadas na glote que é a abertura por onde passa o ar que entra ou sai dos pulmões. Ao sair, o ar expelido pelos pulmões vem com certa força ou intensidade fazendo estas membranas vibrarem como cordas de instrumentos musicais.

Este som fundamental produzido na glote é modificado pelo movimento da língua, pelo subir e descer do queixo e pela ressonância no interior da garganta, boca e nariz. O som fundamental, nas contínuas modificações que sofre, é amplificado variadamente dando forma aos sons elementares da fala – fonemas.

Os fonemas – vogais, semivogais e consoantes – combinam-se formando palavras. A sequência de palavras forma a frase. As frases se unem, se interligam, criando o discurso, que é a fala entendida no sentido amplo da expressão (veja abaixo a representação esquemática do processo da fala).

Qualidade da fala e treinamento de voz

A qualidade da fala na locução é avaliada em frases do tipo: “É, ele fala muito bem, é locutor”. Ou ainda: “Puxa, que voz! Você é locutor?” O comunicador serve de padrão de referência quando se trata da fala. Significa dizer que tem a obrigação de falar corretamente.

O conhecimento gramatical é importante, mas não basta. Expressar-se com clareza, proferindo os fonemas corretamente, faz a diferença entre o ótimo e o bom locutor. Essa qualidade significa treino.

Quanto tempo treinar

O treinamento da voz – capacidade de falar, cantar ou fazer locução – deve ser constante nos próximos seis meses se seu desejo é alcançar a fala perfeita, a dicção. Com esta finalidade, as duas primeiras unidades desse curso estão estruturadas de forma a lhe assegurar ótima capacidade expressional em reduzido tempo.

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Alertamos para a essencial execução diária dos exercícios. Defina um horário – manhã, tarde ou noite – e pratique. Da mesma forma que é preciso malhar para ter músculos fortes, também é preciso treinar a dicção para ter pronúncia perfeita.

Ao praticar os exercícios inseridos neste módulo, e em todos os outros, não exagere. É mais correto praticar uma hora diariamente do que três horas seguidas. Qualquer ardência na garganta é sinal de excesso. A locução deve ser natural, sem dores na garganta e sem rouquidões.

Certo cansaço na fase inicial dos exercícios é comum, logo passa. De forma ideal, programe uma hora diária de exercícios, em etapas de 15 ou 20 minutos, com intervalos de cinco minutos entre uma fase e outra.

Respiração e fala

A respiração, ato totalmente reflexo do qual só percebemos a importância em situações extremas, é uma função vital do nosso organismo. Sem comer e sem beber, ao mesmo tempo, é possível sobreviver por alguns dias. Sem respirar, cinco minutos podem significar a morte ou danos irreversíveis ao cérebro.

A fala nada mais é do que o aproveitamento de uma fase da respiração para emissão dos sons e ruídos – fonemas – que formam as palavras com que nos comunicamos. Boa respiração, boa qualidade na fala.

O ciclo respiratório

A respiração efetua-se em três etapas:

1. inspiração, absorção pela boca ou nariz de parte do ar atmosférico que é levado aos pulmões, fase ativa da respiração;

2. transferência do oxigênio do ar inspirado ao sangue encontrado nos pulmões. O ar inspirado fica em repouso por breve momento no interior dos pulmões para que o sangue absorva o oxigênio e libere o gás carbônico;

3. expiração, fase passiva da respiração. O ar com o gás carbônico é liberado pelos pulmões e devolvido à atmosfera

E novamente o ciclo tem início com nova inspiração. (veja esquema abaixo).

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O Ciclo da fala

A fala também se realiza em ciclo. Inicia-se no ciclo respiratório, que é o apoio, também em três momentos:

Etapa 1 – inspiração, sempre pelo nariz, retirada do ar atmosférico que é levado aos pulmões pelo nariz e não pela boca por três motivos:

a) porque na Língua Portuguesa não existem fonemas inspirados (falados tomando ar pela boca);

b) porque conseguimos acumular quantidade de ar máxima nos pulmões quando inspiramos pelo nariz;

c) porque o nariz funciona como filtro que retém a poeira existente no ar, que fica presa no muco nasal; d) porque o ar inspirado pelo nariz, ao passar pelo muco nasal, fica aquecido na temperatura do corpo evitando o ressecamento da garganta.

Etapa 2 – Administração da reserva de ar dos pulmões. Com o ar absorvido pelo nariz devemos criar uma reserva máxima para que a fala seja clara e com finais fortes. Quando não há suficiente quantidade de ar, nossa fala tem finais fracos ou gritados, situações negativas na locução.

Com os pulmões bem abastecidos pela inspiração nasal, na locução, devemos liberar o ar dos pulmões com suavidade. E nas pausas da fala, fazer nova inspiração ou suspender a liberação do ar pelos pulmões. Dessa forma, a fala será sempre clara e os finais de frases vivos e expressivos.

Etapa 3 – Com o ar liberado pelos pulmões, falamos e paramos a fala; falamos e paramos a fala; falamos e paramos a fala até que a quantidade de ar dos pulmões se torne insuficiente para falarmos com clareza.

Nesse instante, iniciamos novamente o processo com nova inspiração. Lembre-se: devemos falar sempre com suficiente quantidade de ar liberada pelos pulmões para ter a fala ágil e não demonstrar dificuldade de leitura.

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Referências

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