Principais doenças não
infecciosas
Prof. Me. Diogo Gaubeur
Isoeritrólise neonatal
Definição
É uma condição caracterizada pela destruição dos eritrócitos circulantes no potro por anticorpos de origem materna absorvidos pelo colostro Equinos
Etiopatogenia
Incidência entre 1 a 2% Muares 10%
90% relacionados aos antígenos Aa e Qa
Grupos sanguíneos dos animais domésticos
Espécies Sistemas de grupos sanguíneos Equina A, C, D, K, P, Q, U Bovina A, B, C, F, J, L, M, R, S, T, Z Ovina A, B, C, D, M, R, X Caprina A, B, C, M, J
Epidemiologia
Varia com a raça
Mais comum em éguas multíparas Muar – fator jumento
Frequência de genes Aa- e Qa- em
equinos de diversas raças
Etiopatogenia
Produção de anticorpos pela égua Transfusão de sangue
Exposição ao sangue do potro durante o parto Enfermidade placentária durante a gestação Para que ocorra a doença é necessário
Égua negativa para o fator (Aa- ou Qa-) Sensibilização da égua para o fator Potro deve ser positivo – herdar do garanhão
Sinais clínicos
Ocorrem 24 a 36 horas após a ingestão do colostro Apatia
Decúbito
Mucosas pálidas Ictérica Hemoglobinúria
Respiração rápida e superficial dispnéia Aumento da FC Convulsões
Patologia clínica
Anemia Diminuição do Ht (13 a 19%) Contagem de eritrócitos Teores de hemoglobina Aumento da Bilirrubina Não conjugadaDiagnóstico
Testes de aglutinação ou líticos Colostro ou soro materno X sangue do potro Teste de Coombs (antiglobulina direta)
Tratamento
Não fornecer mais colostro Ordenhar todo colostro da mãe Repouso
Evitar estresse
Manter o equilíbrio hídrico-eletrolítico
Manter animal hidratado e evitar deposição renal de hemoglobina Enfermagem
Tratamento
Transfusão de sangue Qual sangue pode ser transfundido? Ideal
Um animal tipado O pai?
Mesmo tipo do potro, hemólise continua A mãe?
Os anticorpos estão presentes no plasma da égua
Papa de hemácias, lavar e re-suspender por no mínimo três vezes com solução fisiológica
Isoeritrólise neonatal em bovinos
Isoeritrólise neonatal em bovinos Não ocorre naturalmente Vacinas derivadas de sangue Anaplasma e babesia Grupos implicados A e F
Síndrome de asfixia
perinatal em potros
Sinonímia
Síndrome de mal ajustamento Asfixia neonatal
Encefalopatia hipóxico-isquêmica Definição
Anormalidades comportamentais Síndrome não infecciosa
Introdução
Reynolds, 1930
Síndrome caracterizada por anormalidades de comportamento Latidos, convulsões, potros alheios ao ambiente e a mãe, sem mamar e déficit
visual
Sinais nas primeiras 24 horas de vida, associado ou não a sinais respiratórios Latidores, abobados
Rosdalle, 1968
Síndrome de mal ajustamento neonatal Vaala, 1994
Síndrome de asfixia periparto
Etiopatogenia
Afeta todas as raças Incidência desconhecida
A mesma égua pode parir consecutivamente potros com a síndrome Nascimento normal – asfixia fisiológica transitória
Asfixia
Diminuição da chegada de O2 na célula
Combinação de hipoxemia (diminuição de O2 no sangue) e isquemia (diminuição da perfusão tecidual)
Etiopatogenia
Asfixia
Diminuição da perfusão uteroplacental pré ou intra-parto Alteração na distribuição de fluxo sanguíneo pós-parto Parto normal, distocias, partos induzidos, cesarianas, potros tingidos por
mecônio, gestação gemelar e gestações pós-termo
Trauma torácico, compressão do cordão, separação prematura da placenta, ruptura prematura do cordão
Etiopatogenia
Consequências da Asfixia Metabolismo anaeróbio
Aumento das concentrações de lactato sanguíneo Acidose celular Lesão de reperfusão Lesão cerebral Morte neuronal Edema vasogênico
Sinais clínicos
Partos normais sem complicações
Partos prolongados e difíceis (20% dos partos distócicos)
Partos prematuros
Potros nascem engasgados, cianóticos e apnéicos
Sinais clínicos
Potros apresentam normalidade nas primeiras 24 a 48 horas de vida Perda do reflexo de sucção
Perda de afinidade pela égua Fraqueza
Andar sem sentido (desorientação) Modelos anormais de respiração
Sinais clínicos
Vocalização anormal
Ausência de resposta a estímulos ambientais Cegueira
Posição de cão sentado Ranger de dentes Movimentos mastigatórios Hiperexcitabilidade
Sinais clínicos
Espasmos dos membros, pescoço, face e cauda Postura anormal
Convulsões Decúbito Coma Morte
Sequelas
Sistema nervoso central Asfixia leve
Isquemia tecidual transitória Dano reversível
Glutamato Convulsões – lesão cerebral
Hipoventilação e apnéia – hipoxemia e hipercapnia Aumento P arterial e fluxo sanguíneo cerebral Lesão neuronal
Esgotamento da reserva
Sequelas
Cadiopulmonar
Aumento resistência vascular pulmonar
Não produção surfactante Atelectasia pulmonar
Aumento da pressão atrial Hipertensão pulmonar Persistência das vias fetais de fluxo Aspiração mecônio
Obstrução mecânica Sufocamento ou atelectasia
Diminuição contratilidade miocárdio Disfunção ventricular esquerda Insuficiência da valva tricúspide Insuficiência cardíaca
Hipotensão Prejuízo renal Menor perfusão pulmonar
Sequelas
Renais
Diminuição fluxo renal Necrose tubular aguda Oligúria - <1 mL urina/ kg/ h
Sequelas
Gastrointestinal
Diminuição fluxo sanguíneo mesentérico e esplênico Enterocolite necrosante
Intussuscepção Íleo paralítico Impactação de mecônio
Diagnóstico
Não existem testes específicos ante-mortem
Exames laboratoriais compatíveis com estresse, septicemia ou doenças respiratórias
LCR ocasionalmente aumento de proteínas, eritrócitos Hemorragia do SNC
Eliminar outras causas
Diagnóstico
Cardiopulmonar Radiografia tórax
Sinais vasculares diminuídos Broncograma aéreo
Renal
Aumento creatinina
Diagnóstico
Necropsia
Edema e hemorragia do SNC
Aumento da pressão da vasculatura intracraniana
Severidade das lesões pode não se correlacionar com os sinais neurológicos
Tratamento
Sistema nervoso central Convulsão
Diazepam: 0,11 a 0,44mg/kg IV Fenobarbital: 2 a 10mg/kg IV cd 12h
Edema cerebral
DMSO: 0,5 a 1g/kg IV sol 20% por 1h Manitol: 0,5 a 1g/kg IV sol 20% cd 15 a 20 min
Tratamento
Cardiopulmonar
Corrigir hipoxemia, acidose, hipoglicemia Manutenção da ventilação Estimulador respiratório
Cafeína: 10 mg/kg VO; 2,5 a 3 mg/kg VO cd 24h
Fornecimento de oxigênio (2 a 8L/ min) Manter DC e P sanguínea Dopamina: 2 a 10ug/kg/min Dobutamina: 2 a 15ug/kg/min
Tratamento
Renal Furosemida: 0,25 a 0,50 mg/kg IV cd 6h Gastrointestinal Metoclopramida: 0,25 a 0,50 mg/kg/h cd 6 a 8h Cisaprida: 10 mg VO cd 6 a 8h Ranitidina: 8 a 10mg/kg VO cd 6 a 8h; 1 a 2mg/kg IV cd 8h Omeprazol: 2mg/kg VO cd 24hECN – suspender alimentação enteral
Tratamento
Terapia intensiva
Monitoração constante e se necessário Suporte respiratório
Suporte nutricional
Correção dos desequilíbrios Ácido-básicos Correção dos desequilíbrios hídricos-eletrolíticos Controle das convulsões
Tratamento
Administrar colostro Prevenir FTIP Cuidados com umbigo
Evitar infecções
Terapia intensiva 75 a 80% dos potros sobrevivem Condição estabiliza em 1 a 2 dias
Recuperação completa em 3 meses Se associado a septicemia
Síndrome de asfixia
perinatal em bezerros
Síndrome de asfixia perinatal em
bezerros
Comumente associado a distocia Comprometimento das transições fisiológicas Aumenta o risco de mortalidade neonatal Animais com hipóxia
Atividade física diminuída
Letárgicos, vagarosos ou incapazes de levantar e amamentar-se Dificuldade respiratória,
Taquipnéia e mucosas visíveis cianóticas e/ou pálidas
Síndrome da Angústia
Respiratória (SAR)
Maturidade pulmonar
Sistema surfactante Mistura de fosfolipídeos Pneumócitos tipo IIDiminuir a tensão superficial dos alvéolos Disfunção
Primária – prematuro
Secundária – asfixia, acidose, edema pulmonar, sepse e choque Importante para o início da SAR
Maturidade da parede torácica
Alta complacência Alta pressão
Abrir as vias aéreas fechadas Baixa complacência
Baixo volume final expiratório Colapso vias aéreas
Baixa permeabilidade alveolar epitelial Aumento permeabilidade Exsudação de proteínas para os alvéolos Afinamento da barreira capilar alveolar
SAR
Doença da membrana hialina Humanos, ovinos, suíno, equinos e bovinos
Definição
É caracterizado por uma insuficiência respiratória progressiva em um humano/ animal prematuro causada por função surfactante inadequada sobreposta ao pulmão estruturalmente imaturo
Causas
Bebês e bezerros
Alta relação com deficiência primária de surfactante Potros
Geralmente associado a asfixia, hipovolemia, prematuridade, dismaturidade e obstruções traqueais
Evolução clínica
Humanos
Grave após 24 a 48 horas de vida Sinais
Potros Antes das 24 horas Depende do paciente
Diagnóstico
Exame físico do sistema respiratório Avaliação do padrão e esforço Ruídos
Cianose Pneumonia inicial Raio x
LL e DV
Atelectasia e infiltrado intersticial Seriada – evolução US
Diagnóstico
Hemogasometria arterial Qualquer artéria Contenção Seringa apropriada - cuidados Armazenada no gelo – até 6 horas AnormalidadesHipoxemia PaO2 <70 mmHg com PaCO2 N ou D Hipoxemia + hipercapnia PaCO2 > 50 mmHg Hipercapnia + acidose respiratória
Venoso
Jugular Facilidade Condições metabólicas
Tratamento
Dependente de estrutura e valor do animal Oxigenioterapia
5L/min PaO2 80 a 100 mmHg Ventilação mecânica Hipercapnia progressiva Piora dos sinais
Posição esternal, tapotagem, alteração do decúbito, aspiração de líquidos
Tratamento
Pré parto Dexametasona
Ovino: 16 mg – 36 horas antes Bovino: 20 a 25 mg
Surfactante
Humanos: 100 mg/kg intratraqueal Caro!
Bezerros clones: 400mg/ cd 15 min – Primeira hora 400mg – 2, 4, 6, 12 e 24 horas