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EDNAR DO NASCIMENTO COIMBRA MELO

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Academic year: 2021

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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PESQUISA EM SAÚDE

EDNAR DO NASCIMENTO COIMBRA MELO

ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE VAGINOSE BACTERIANA E

DOENÇA PERIODONTAL COMO FATOR DE RISCO DE PARTO

PREMATURO E RECÉM NASCIDO DE BAIXO PESO

Maceió-AL 2016

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Centro Universitário CESMAC

M528a Melo, Ednar do Nascimento Coimbra.

Análise da relação entre vaginose bacteriana e doença

periodontal como fator de risco de parto prematuro e recém nascido de baixo peso / Ednar do Nascimento Coimbra Melo. - 2016.

108 p.: il.

Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde) Centro Universitário CESMAC, Maceió, 2016. 1. Higiene bucal. 2. Baixo peso ao nascer.

3. Doença periodontal. 4. Parto prematuro. 5. Vaginose I. Santos, Natanael Barbosa dos (Orientador) II.Título.

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PRÓ-REITORIA ADJUNTA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PESQUISA EM SAÚDE

EDNAR DO NASCIMENTO COIMBRA MELO

ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE VAGINOSE BACTERIANA E

DOENÇA PERIODONTAL COMO FATOR DE RISCO DE PARTO

PREMATURO E RECÉM NASCIDO DE BAIXO PESO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Pesquisa em Saúde do Centro Universitário CESMAC, nível Mestrado Profissional, como requisito para obtenção do título de Mestra, sob a orientação do Prof. Dr. Natanael Barbosa dos Santos.

Maceió-AL 2016

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PRÓ-REITORIA ADJUNTA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PESQUISA EM SAÚDE

EDNAR DO NASCIMENTO COIMBRA MELO

ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE VAGINOSE BACTERIANA E

DOENÇA PERIODONTAL COMO FATOR DE RISCO DE PARTO

PREMATURO E RECÉM NASCIDO DE BAIXO PESO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Pesquisa em Saúde do Centro Universitário CESMAC, nível Mestrado Profissional, como requisito para obtenção do título de Mestra, sob a orientação do Prof. Dr. Natanael Barbosa dos Santos.

Data da defesa: 01042016

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________________________ Prof. Dr. Natanael Barbosa dos Santos

Orientador

_______________________________________________________________ Profa Dra. Patricia Batista Lopes do Nascimento

Examinadora Externa

_________________________________________________________________ Prof. Dr. Luiz Henrique Carvalho Batista

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Dedico esta dissertação à minha família, esposo, e especialmente aos meus filhos, que são a razão da minha vida, por compreenderem minha ausência e pelo incentivo diário. E aos meus pais, pois são a essência do meu ser.

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A Deus, Senhor de todas as coisas, sempre presente na minha vida, e que me concedeu a graça de concluir esta dissertação, me fazendo acreditar a cada dia que tudo posso naquele que me fortalece.

Ao orientador Prof. Dr. Natanael Barbosa dos Santos por me fazer acreditar que conseguiria, pela dedicação, orientação, carinho, por me guiar em cada passo, pela imensa transmissão de conhecimento, minha eterna gratidão.

A todos os professores que compõem o Corpo Docente do Mestrado Pesquisa em Saúde do Cesmac, por me proporcionarem a base necessária nesta longa caminhada.

A instituição onde desenvolvemos a pesquisa, Hospital Universitário, que viabilizou a realização deste estudo.

Aos Professores Doutores Manoel Calheiros Silva e José Elias Soares da Rocha, pelo apoio na concretização deste objetivo.

Aos alunos da graduação, Leonel Inácio Santos de Carvalho e Carla Marinho Barreto Gois pela captação dos dados odontológicos.

À equipe do Laboratório de microbiologia do HU, especialmente Rosa, Jorge, Liege, Fátima e demais funcionários, imprescindíveis para a realização das análises das secreções vaginais.

Aos meus companheiros de ambulatório do HU, especialmente Beto e Juliana (Hospital Dia), Flávia (ginecologia), meus amigos, obrigada pela força.

Aos meus colegas médicos, profissionais competentes e dedicados, pelo incentivo.

A Equipe de enfermagem da maternidade pelo apoio durante a coleta de dados.

Ao Prof. Dr. Humberto Belmino Chaves, pela amizade, conselhos e orientações.

Ao SAME, especialmente Gilson e equipe, por serem tão prestativos. Ao setor do faturamento do Hospital Universiário, em nome de todos, pela enorme ajuda prestada.

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minha equipe da ESF, pelo estímulo e compreensão nos momentos em que estive ausente das minhas atribuições. Meu eterno apreço e confiança.

Aos amigos do mestrado, pelo estímulo e apoio contínuo no decorrer desta jornada.

Às pacientes gestantes que permitiram que todas as informações e exames se transformassem neste estudo.

A todos os meus amigos e amigas que sempre estiveram presentes me aconselhando e incentivando com carinho e dedicação

A todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para a execução dessa Dissertação de Mestrado.

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Gráfico 1 – Valores referentes aos escores médios do IPV das pacientes

que apresentaram partos a termo e prematuro. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; p=0,23)... 34

Gráfico 2 – Valores referentes aos escores médios do IPC das pacientes

que apresentaram partos a termo e prematuro. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; p=0,08)... 35

Gráfico 3 – Valores referentes aos escores médios do IPV de acordo

com a idade gestacional e o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; p=0,08)... 37

Gráfico 4 – Valores referentes aos escores médios do IPC de acordo

com a idade gestacional e o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; Diferença estatística, p≤0,05*)... 38

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Quadro 01 – Escores e condições analisadas pelo Índice Periodontal

Comunitário (OMS, 1999)... 27

Quadro 02 – Escores e condições analisadas pelo Índice de placa

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Tabela 1 – Características sócio-demográficas das pacientes analisadas.

HUPAA, 20152016... 29

Tabela 2 – Dadosreferentes a antecedentes pessoais, características

gestacionais e perinatais das pacientes analisadas. HUPAA,

20152016... 30

Tabela 3 - Características de acesso aos serviços odontológicos e percepção

das gestantes sobre hábitos de saúde bucal. HUPAA,

20152016... 31

Tabela 4 – Análise do acúmulo de placa bacteriana (IPV) em relação a

procedência, acesso aos serviços odontológicos e percepção das gestantes

sobre hábitos de saúde bucal. HUPAA,

20152016... 32

Tabela 5 – Análise da condição periodontal (IPC) em relação a procedência,

acesso aos serviços odontológicos e percepção das gestantes sobre hábitos

de saúde bucal. HUPAA,

2015... 32

Tabela 6 – Análise da relação entre as variáveis sócio-demográficas,

antecedentes pessoais, gestacionais e perinatais com a idade gestacional das

pacientes analisadas. HUPAA,

20152016... 33

Tabela 7 – Análise da relação entre as variáveis de saúde bucal e a idade

gestacional das pacientes analisadas. HUPAA,

20152016... 34

Tabela 8 – Análise da relação entre as variáveis sócio-demográficas,

gestacionais e odontológicas com a combinação da idade gestacional com o

peso da criança ao nascer. HUPAA,

20152016... 36

Tabela 9 – Análise da relação entre as variáveis de saúde bucal e a

combinação da idade gestacional com o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016... 37

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Tabela 11 – Análise da relação entre as variáveis IPV, IPC e a presença de

vaginose bacteriana. HUPAA, 20152016...

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LISTA DE SIGLAS

ACTH – Hormônio Liberador de Corticotrofina AIG – Adequado para a Idade Gestacional BPN–Baixo Peso ao Nascer

CDC – Centers for Disease Control

CPOD – Índice de ataque de cárie (Cariados, Perdidos, Obturados e Dentes

permanentes).

CNS/MS – Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde CRH – Hormônio Liberador de Corticotrofina

DP – Doença Periodontal

DUM – Data da Última Menstruação

FEBRASGO – Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia GIG – Grande para a Idade Gestacional

HAC – Hipertensão Arterial Crônica HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana HG – Hipertensão Gestacional

HU – Hospital Universitário

HUPAA – Hospital Universitário Professor Alberto Antunes

ICDAS - Sistema Internacional de Avaliação e Detecção de Cáries IG – Idade Gestacional

IL– Interleucina

IMC – Índice de Massa Corporal IPC – Índice Periodontal Comunitário IPV – Índice de Placa Visível

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OMS – Organização Mundial de Saúde PCR – Reação em Cadeia de Polimerase PIG – Pequeno para a Idade Gestacional PIP – Perda de Inserção Periodontal PP – Parto Prematuro

RCIU – Restrição do Crescimento Intra-uterino RN – Recém- nascido

RPM – Rutura Prematura de Membranas RNBP – Recém-nascido de Baixo Peso. SAM – Síndrome de Aspiração Meconial SAR – Síndrome de Angústia Respiratória TNF – Fator de Necrose Tumoral

TPP – Trabalho de Parto Prematuro

UCI – Unidade de Cuidados Intermediários UFAL – Universidade Federal de Alagoas VB – Vaginose Bacteriana

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RESUMO

A prematuridade e o baixo peso ao nascer constituem um grande desafio para a saúde pública mundial, pois mesmo com o progresso da medicina, ainda é considerado um grave problema médico, humano, social e econômico relevante, por ser responsável por altas taxas de morbidade e mortalidade infantil. A vaginose bacteriana na gestação, além de aumentar o risco para parto prematuro e recém-nascido de baixo peso, tem sido associada significativamente com infecção periodontal. O objetivo desta pesquisa foi analisar a relação entre infecção ginecológica por Vaginose Bacteriana (VB) e Doença Periodontal (DP), em mulheres gestantes, com o risco de parto prematuro (PP) e recém-nascido de baixo peso (RNBP). A pesquisa foi realizada na Maternidade do Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), através de estudo observacional, analítico, transversal. Foram incluídas no estudo 36 gestantes admitidas em trabalho de parto ou para tratamento clínico das seguintes patologias: trabalho de parto prematuro, síndrome hipertensiva, amniorrexe prematura, e outras comorbidades maternas, que evoluíram para parto pré-termo (anterior a 37 semanas) ou a termo (entre a 37ª e a 42ª semanas de gestação). Foram adotados para o diagnóstico da vaginose bacteriana, a microscopia a fresco e bacterioscopia pelo gram (seguindo os critérios de Nugent). Na avaliação periodontal foi aplicado o Índice Periodontal Comunitário (IPC), e para avaliar a higiene bucal das gestantes, o Índice de Placa Visível, com as pacientes internadas em até 72 horas após o parto. Observou-se associação entre parto pré-termo e bebês de baixo peso (p < 0, 0001) e diferença estatística entre as variáveis doença periodontal e parto prematuro de bebê de baixo peso (p ≤ 0,05), identificada pelo teste não-paramétrico de Mann Whitney. Não foi observada diferença estatística entre vaginose bacteriana, parto prematuro e bebê de baixo peso, com as variáveis odontológicas, inclusive doença periodontal. Apesar da vaginose bacteriana e da doença periodontal, não se apresentarem como fatores de risco neste estudo, mas sabendo-se da alta prevalência dessas patologias na população, são inquestionáveis os benefícios que essas gestantes e seus conceptos irão receber, caso se confirme esta relação causal.

PALAVRAS-CHAVE: Higiene bucal. Baixo peso ao nascer. Doença

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Prematurity and low birth weight is a major challenge to global public health, as even with medical progress, is still considered a serious medical problem, human, social and relevant economic, to be responsible for high rates of morbidity and child mortality. Bacterial vaginosis in pregnancy, and increases the risk for premature birth and infant low birth weight has been significantly associated with periodontal infection. The objective of this research was to analyze the relationship between gynecological infection Bacterial Vaginosis (BV) and Periodontal disease (PD), in pregnant women, the risk of preterm delivery (PP) and newborn of low birth weight (LBW). The survey was conducted in the maternity ward of the University Hospital of the Federal University of Alagoas (UFAL) through observational, analytical, cross. The study included 36 pregnant women admitted in labor or clinical treatment of the following conditions: preterm labor, hypertensive syndrome, premature rupture of membranes, and other maternal comorbidity, who developed preterm birth (before 37 weeks) or term (between the 37th and 42nd weeks of pregnancy. Were adopted for the diagnosis of bacterial vaginosis, microscopy fresh and bacterioscopy by gram (following the criteria of Nugent). In periodontal evaluation was applied to the Community Periodontal Index (CPI), and to assess the oral health of pregnant women, the Index of visible plaque, with patients admitted within 72 hours after delivery. There was an association between preterm birth and low birth weight babies (p <0, 0001) and statistical differences between the variables periodontal disease and preterm low birth weight baby (p ≤ 0.05), identified by the test non- parametric Mann Whitney. There was no statistical difference between bacterial vaginosis and preterm baby of low weight with dental variables, including periodontal disease. Although bacterial vaginosis and periodontal disease do not present themselves as risk factors in this study, but knowing is the high prevalence of these diseases in the population, are unquestionable benefits that these pregnant women and their fetuses will receive, if confirmed this causal relationship .

KEYWORDS: Oral hygiene. Low weight at birth. Periodontal disease.Premature

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 14

2 MATERIAL E MÉTODO ... 23

3 RESULTADOS ... 28

4 DISCUSSÃO ... 39

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 46

REFERÊNCIAS ... 48

APÊNDICES ... 57

ANEXOS... 88

(17)

1 INTRODUÇÃO

A gestação pode ser definida como um período de grandes mudanças no organismo feminino e que tem como objetivo proporcionar condições para o adequado desenvolvimento fetal em equilibrio com o organismo materno (SILVA et al., 2012). As mudanças são iniciadas, depois da concepção, quando a placenta invade o miométrio e cresce apoiada completamente na face interna do útero. Através dela, que é rica em vasos, há troca de nutrientes e resíduos entre o compartimento materno e fetal. Este transporte ocorre através do cordão umbilical que liga o feto à placenta. As paredes da cavidade uterina são revestidas por duas membranas: âmnio e cório. O âmnio é uma membrana que envolve completamente o embrião, delimitando um espaço, a cavidade amniótica. Essa cavidade contém o líquido amniótico. O cório reveste o âmnio e está em contato com a placenta, e a face interna da musculatura uterina, o miométrio (MADIANOS et al., 2013).

Sabe-se, no entanto, que o equilíbrio entre o desenvolvimento fetal e o organismo materno pode ser alterado pela ação de vários fatores, isolados ou múltiplos, de modo a prolongar ou a antecipar o parto. Quando ocorre a antecipação desse processo, estamos diante de um evento indesejável que implica em agravos à saúde perinatal: a prematuridade (HACKBART, 2015).

A prematuridade constitue um grande desafio para a saúde pública mundial, pois mesmo com o progresso da medicina, ainda é considerado um grave problema médico, humano, social e econômico relevante, por ser responsável por altas taxas de morbidade e mortalidade neonatal (VICTORA et al., 2013).

Já o baixo peso ao nascer (BPN) é considerado o mais relevante determinante biológico da sobrevivência do recém-nascido, tanto em países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento (CRUZ et al., 2005). Geralmente, a maioria dos nascimentos prematuros gera bebês de baixo peso e quando comparados aos recém-nascidos com peso normal, apresentam 40 vezes mais chances de morrer durante o período neonatal (VELASCO, 2010).

Diante disso, existe uma enorme preocupação com as crianças que nascem prematuramente e de baixo peso, pois apresentam um risco aumentado de morbimortalidade neonatal, condicionadas à imaturidade biológica que afetam a maioria de seus sistemas, levando a complicações durante toda a vida, tais como:

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problemas mentais, orgânicos e neurológicos, e que na idade adulta são mais graves que nas crianças nascidas a termo e com peso adequado (LIMA, SAMPAIO, 2004; GONÇALVES et al., 2007).

A prematuridade atinge 15 milhões de crianças anualmente ao redor do mundo e implica em importantes repercussões sociais e econômicas, visto que necessita de uma demanda crescente de leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal à curto prazo, e custos de atenção requerida, a longo prazo, por indivíduos sequelados, que carregam danos irreparáveis a saúde física e mental (SILVEIRA et al., 2013; PASSINI JR et al., 2014).

No Brasil a incidência média de prematuridade é de 9,3%, apresentando índices mais altos nas cidades mais pobres, agravados pelos sub-registros acentuados nessas regiões. Dados nacionais e regionais demonstram um aumento nas taxas de ocorrência da prematuridade no país, com base em estimativas corrigidas de prevalência em todas as unidades da federação, inclusive no Estado de Alagoas, que até 2011 era de 11% (MATIJASEVICH et al., 2013; PASSINI Jr. et al., 2014). A relevância do parto prematuro, no contexto de saúde pública, torna necessária a realização de levantamentos de dados confiáveis sobre o percentual de nascimentos prematuros, gerando um perfil epidemiológico para o planejamento e implantação de medidas preventivas, educativas e curativas relacionadas a esse grave problema.

A prematuridade é atualmente a maior causa de morte de crianças na população brasileira (VICTORA et al., 2013). Com a finalidade de diminuir essa perspectiva, pesquisas têm sido direcionadas para detectar as principais causas de parto prematuro e recém-nascido de baixo peso, e apontam vários fatores de risco de grande interessse e relevância, apesar de nem todos os resultados se mostrarem definitivos e esgotarem a discussão sobre esse tema (HACKBART, 2015).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o parto pré-termo ocorre quando o bebê nasce com menos de 37 semanas completas de gestação. A estimativa da idade gestacional (IG) geralmente é feita por meio da data da última menstruação e, na ausência desta, por ultrassonografia obstétrica realizada no primeiro trimestre da gestação, além do exame físico do recém nascido (RN). O baixo peso ao nascer é caracterizado quando as crianças nascem com menos de 2500g (DEMARTINI et al., 201; FEBRASGO, 2015).

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A classificação do RN quanto ao peso ao nascimento e idade gestacional pode ser realizada através das curvas de crescimento fetal, de acordo com as diferentes IG, usando-se o critério de percentis em: adequados para a IG (AIG): entre os percentis 10 e 90; pequenos para a IG (PIG): abaixo do percentil 10; grande para a IG (GIG): acima do percentil 90. Assim, RNs prematuros podem ser também AIG, PIG ou GIG, situações que podem interferir na evolução clínica da criança (RAMOS, 2006; DEMARTINI et al., 2011).

Considerando-se a idade gestacional ao nascimento, classifica-se a prematuridade segundo os critérios de Lumley em: 1) Prematuridade extrema: de 20 a 27 semanas; 2) Prematuridade moderada: de 28 a 31 semanas e 3) Prematuridade leve: de 32 a 36 semanas (FEBRASGO, 2015).

As complicações neonatais mais comuns da prematuridade incluem a síndrome do desconforto respiratório, a hemorragia intraventricular, a enterocolite necrosante e sepse. Essas intercorrências são mais comuns em idades gestacionais inferiores a 32 semanas e tornam-se ainda mais importantes abaixo de 28 semanas. A capacidade de sobrevivência, ou seja, viabilidade de fetos prematuros, é variável e depende de vários fatores. A incidência de incapacidades neuromotoras moderadas e graves, avaliadas entre 18 e 30 meses em bebês nascidos entre 23 e 25 semanas sobreviventes, é alta (30% a 50%). A maioria das maternidades de alto risco no Brasil adota 26 semanas como o limite da viabilidade(FEBRASGO, 2015).

De acordo com sua evolução clínica a prematuridade se classifica em eletiva e espontânea. Na prematuridade eletiva a gestação é interrompida em virtude de complicações maternas e/ou fetais. Dentre as situações que comprometem, em maior grau a saúde do feto, estão a restrição do crescimento e o sofrimento fetal. Nesses casos, o fator de risco é geralmente conhecido e corresponde a 25% dos nascimentos prematuros (WONG, GROBMAN, 2011; FEBRASGO, 2015).

A prematuridade espontânea corresponde a 75% dos casos e decorre do trabalho de parto prematuro (TPP) e rutura prematura de membranas. Nesse grupo, a etiologia é complexa e multifatorial ou desconhecida (FEBRASGO, 2015).

Os critérios para o diagnóstico do trabalho de parto prematuro (TPP) variam na literatura, sendo mais aceitos os seguintes sinais e sintomas (BITTAR, ZUGAIB, 2009): 1) Contrações uterinas regulares a cada cinco minutos com persistência das

• Contrações uterinas regulares a cada cinco minutos. O American Congress of Obstetricians and Gynecologists enfatiza a importância da persistência das

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contrações, totalizando pelo menos quatro contrações em 20 minutos ou oito contrações em 60 minutos; 2) Dilatacão cervical de pelo menos 1cm; 3) Presença de esvaecimento cervical - diminuição da espessura do colo uterino.

A fisiopatologia que busca explicar a associação de infecções genitais com a prematuridade ainda não está completamente elucidada, mas a literatura científica pertinente vem confirmando o papel das citocinas no desenvolvimento do trabalho de parto (OLIVEIRA, AQUINO, 2006; GONÇALVES et al., 2007; CASSINI, 2013). Os patógenos chegando ao espaço corio-decidual, seja por ascenção através da vagina e colo uterino, ou mesmo por disseminação hematogênica, liberam seus produtos, as endotoxinas, e com isso desencadeiam uma resposta no hospedeiro, estimulando a decídua e o âmnio a produzir mediadores químicos inflamatórios, com destaque para as interleucinas (IL) 1,6 e 8 e o fator de necrose tumoral (TNF α) (MARTINS, RUSSO, 2004; GONÇALVES et al., 2007; GALINSKY et al., 2013).

Estas substâncias estimulam a síntese e liberação de prostaglandinas e favorecem a migração, infiltração e ativação de neutrófilos, culminando com a síntese e liberação de metaloproteases e outras substâncias bioativas. Estas remodelam o colágeno da cérvice, tornando-a menos resistente, enfraquecem a membrana corioamniônica favorecendo a sua ruptura, levando ao parto prematuro. Por outro lado, a infecção crônica diminui a atividade das prostaglandinas desidrogenases do tecido coriônico, o que leva a um aumento dos níveis de prostaglandinas, que atuam no miométrio, provocando contrações uterinas precoces (GONÇALVES et al., 2007).

O componente genético, como causa da prematuridade, é um dos objetos recentes de estudo, onde se sugere que as características de suscetibilidade a infecções podem ser resultantes da interação entre fatores genéticos e ambientais. Mutações nesses genes podem desencadear produção excessiva de citocinas pró-inflamatórias, que resultam em uma resposta inflamatória exacerbada, predispondo a gestante ao parto prematuro (GONÇALVES, 2007; BEHRMAN, BUTLER, 2007).

O estresse fetal, provocado pela infecção, ou materno podem desencadear a liberação de hormônios hipotalâmicos e adrenais, como ocitocina, cortisol e hormônio liberador de corticotrofina (ACTH). Este último desempenha um papel fundamental, influenciando mecanismos de feedback para a produção de esteróides fetais e placentários, que provocam o término da síntese de progesterona e o aumento dos níveis de estrogénio e prostaglandinas, promovendo a contratilidade

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uterina (RAMOS et al., 2006; GALINSKY et al., 2013; PARIZEC, 2014). Outras situações, também podem promover a deflagração do trabalho de parto, como: a hiperdistensão uterina, que ocorre nas gestações gemelares e polidrâmnio (levando a liberação de ocitocina pela hipófise materna), a isquemia útero placentária e as hemorragias deciduais, contribuindo para o início das contrações uterinas e o parto (RAMOS et al., 2006; GALINSKY et al., 2013).

De acordo com a Febrasgo (2015) existem inúmeras causas e fatores de risco para o nascimento prematuro e podem ser classificados em: epidemiológicos, gineco-obstétricos, clínico-cirúrgicos, iatrogênicos e fatores genéticos. Dentre os possiveis fatores que conferem maiores riscos, destacam-se a história de parto prematuro espontâneo, a gemelidade e os sangramentos persistentes de segundo trimestre.

Um terço dos partos prematuros decorre de fatores de risco clássicos como: infecções, partos múltiplos, hipertensão induzida pela gravidez, tabagismo materno e uso de drogas ilícitas na gravidez, trabalho extenuante, baixo índice de massa corpórea, ganho de peso insuficiente na gravidez, reprodução assistida, colo uterino curto, intervalo inter- partal curto, baixa escolaridade e história anterior de nascimento pré-termo(BETTIOL, 2010). Também são considerados fatores de risco clássicos: a raça negra, que pode proporcionar maiores taxas de parto prematuro (PP), infecções por vaginose bacteriana (VB) que aumentam de 1 a 3 vezes a chance de ter um PP, e a doença periodontal (DP) apontada como um fator de risco independente para PP (GOLDENBERG et al., 2008).

Após um parto prematuro espontâneo, o risco de repetição varia de 14% a 22%, e de 28% a 42% após dois e de 67% após três partos prematuros. A ocorrência de partos a termo diminui o risco de partos prematuros em gestações subsequentes. O sangramento decidual persistente manifestado pelo sangramento vaginal de segundo trimestre é fator de risco para rotura prematura de membranas ovulares e parto prematuro (FEBRASGO, 2015).

A literatura científica tem mostrado, por meio de delineamentos descritivos e ensaios clínicos controlados, evidências de que muitos dos partos prematuros estão associados à infecção clínica ou subclínica dos sistemas genital (Vaginose Bacteriana, Trichomonas, Chlamydia e Cândida) e urinário, seja pelo reconhecimento de micro-organismos no líquido amniótico e no conteúdo vaginal e

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endocervical dessas gestantes, como também pela comprovação histológica de corioamnionite (SOUZA et al., 2005).

A vaginose bacteriana (VB) parece ser a forma de infecção mais prevalente entre gestantes com trabalho de parto prematuro e parto prematuro (PP). A VB é uma condição na qual a microbiota vaginal normal, predominantemente constituída por lactobacilos, é substituída por uma microbiota composta, principalmente, de bactérias anaeróbicas como: Gardnerella vaginalis e Mycoplasma hominis, e tem sido responsabilizada, sobretudo nas gestantes não-brancas com idades gestacionais inferiores a 32 semanas, por um aumento no risco para PP (PEREIRA, 2006). Tem sido observadas evidências de associação entre a suscetibilidade genética em portadores de polimorfismo no gene TNF-α (alelo 2) e a presença de vaginose bacteriana (VB) sintomática, com maior risco de ocorrência de parto prematuro espontâneo (SILVEIRA et al., 2008). O tratamento da VB, antes de 20 semanas de gestação, reduz o risco de parto prematuro (PP) (FEBRASGO, 2015).

Pesquisa realizada por Bijeta-Shreshtha (2015), com 100 mulheres grávidas, com idade gestacional entre 28 e 36 semanas, realizado na Índia, investigou a incidência da vaginose bacteriana em pacientes com trabalho de parto prematuro idiopático, e fatores maternos e fetais como preditores de parto prematuro. A incidência da VB em pacientes com trabalho de parto prematuro idiopático foi de 30% (p <0,05) e observou-se que das 15 pacientes que tiveram VB, 13 tiveram parto prematuro (<37 semanas). Os resultados mostraram que a VB está fortemente associada com: trabalho de parto prematuro (TPP), parto prematuro (PP) e recém nascido de baixo peso (RNBP) afetando negativamente o resultado neonatal.

Oakeshott et al (2004) pesquisaram a relação entre vaginose bacteriana e parto prematuro na cidade de Londres. A amostra foi composta por 1216 mulheres com vaginose bacteriana diagnosticada antes de 10 semanas de gestação. Os resultados mostraram uma prevalência de parto prematuro de 5%, em mulheres com vaginose bacteriana, concluindo que, neste estudo, não houve associação entre VB e risco de parto prematuro.

Nos últimos anos, tem-se atribuído maior importância às doenças periodontais (DP), na relação com o parto e trabalho de parto prematuro, pois o processo inflamatório e infeccioso local estaria também ligado à liberação de citocinas inflamatórias que determinariam o início das contrações uterinas (FEBRASGO, 2013).

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A DP é uma infecção induzida principalmente por bactérias anaeróbias gram negativas que colonizam a área subgengival e que afetam o periodonto (NEWMAN et al., 2007). Alterações na cor da gengiva, sangramento gengival, perda de inserção e mobilidade dentária são algumas das características clínicas da doença periodontal. Tal condição crônica e infecciosa pode ser definida como gengivite, nos seus estágios iniciais, e caracterizada por uma inflamação dos tecidos moles que circundam o dente e sangramento gengival. Nas fases mais avançadas é classificada como periodontite, e pode levar o indivíduo a perda de inserção dentária e destruição do osso alveolar que suporta os dentes (MUWAZI et al., 2014).

A doença periodontal (DP), principalmente pela sua natureza infecciosa, tem sido associada com algumas doenças sistêmicas como: artrite reumatóide, doença cardiovascular, diabetes mellitus, doenças respiratórias crônicas e, na gestante pode proporcionar parto pré-termo com bebê de baixo peso e pré-eclâmpsia (PARIHAR et al., 2015). A preocupação com a doença periodontal torna-se mais evidente por se tratar da segunda patologia bucal mais prevalente no mundo (CRUZ et al., 2005).

As infecções bucais, como a DP, podem constituir uma fonte importante de infecção e inflamação através dos microrganismos periodontopatogênicos, no qual estimulariam uma reação inflamatória através da liberação de mediadores pró-inflamatórios, como prostaglandina E2 (PGE2) e fator de necrose tumoral. Esta reação inflamatória seria uma ameaça à unidade feto-placentária, pois alguns mediadores estariam estritamente ligados ao trabalho de parto pré-termo (OFFENBACHER et al., 1996). A PGE2, presente em níveis elevados na DP, é importante regulador dos processos fisiológicos do parto, aumentando durante toda a gestação, até atingir o nível crítico para induzir contração, dilatação cervical e o nascimento (COLLINS et al., 1994).

O aumento da severidade da doença periodontal, implicaria em risco na proporção de 4 a 7 vezes maior de parto prematuro em relação a outros fatores (OFFENBACHER et al., 1998; PARIHAR et al., 2015).

A gravidez por si só não provoca doença periodontal (DP), mas o aumento dos níveis dos hormônios estrógeno e progesterona produzem alterações gengivais que, associadas ao estado transitório de imunodepressão, modificações na microbiota da cavidade oral e a negligência com os cuidados de higiene, fazem com que a inflamação gengival se agrave na gestação com maior tendência ao à

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sangramento, eritema intenso e certa tendência hiperplásica (ARAÚJO et al., 2009; PARIHAR et al., 2015).

Estudo realizado por Reddy, Sampathkumar, Aradhya (2015), em pacientes primíparas de 18 a 35 anos de idade da índia, analisou a associação entre DP materna e recém nascido de baixo peso (RNBP). A avaliação clínica incluiu a presença e profundidade de bolsa periodontal através do IPC (Índice Periodontal Comunitário). Os resultados mostraram que os fatores de risco para PP e RBPN foram: Índice de Massa Corporal (IMC), mães que não receberam assistência pré-natal antes de 20 semanas de idade gestacional, bolsa periodontal de 6 a 8 mm e 9 mm ou mais de profundidade. Os achados do presente estudo sugerem que doença periodontal materna é um potencial fator de risco independente para PP e BPN.

Moimaz et al., (2009) analisaram a condição periodontal de gestantes e a associação da doença periodontal materna com o peso e prematuridade dos recém-nascidos. A amostra foi composta por 119 gestantes paulistas. A condição periodontal foi analisada através do Índice Periodontal Comunitário (IPC) e do Índice de Perda de Inserção Periodontal (PIP). Os autores concluíram que não houve associação entre doença periodontal materna e nascimento de bebês prematuros e com baixo peso na população avaliada.

A vaginose bacteriana na gestação, além de aumentar o risco para trabalho de parto prematuro e recém-nascido de baixo peso, tem sido associada com a infecção periodontal (OITINEM et al., 2005; MARAKOGLU et al., 2008; OVALLE et al., 2009).

Em pesquisa bibliográfica realizada por Srinivasan et al. (2009) pode ser observado, através da biologia molecular, que existe um subconjunto de bactérias com potencial de colonizar tanto a cavidade oral como a vaginal, aumentando assim o risco para parto prematuro. Espécies microbianas comuns à cavidade bucal como Fusobacterium nucleatum, Fusubacterium spp, especificamente relacionadas às doenças periodontais, foram encontradas no trato genital de mulheres com vaginose bacteriana. A presença desses patógenos pode se dá devido à disseminação hematogênica e/ou transferência oro-genital (SANU, LAMONT, 2011).

A relação entre doença periodontal, vaginose bacteriana e práticas sexuais foi estudada por Zabor et al. (2010). A amostra foi composta por 3569 mulheres não gestantes, e os resultados mostraram que 28% de mulheres com vaginose bacteriana apresentaram doença periodontal, correspondendo a um risco de 1,29

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vezes maior de presenca de doença periodontal entre mulheres com vaginose bacteriana. Foi observado também que a realização de sexo oral, com parceiros não circuncisados, apresentou um risco de 1,28 vezes maior de desenvolvimento de doença periodontal, quando comparadas a parceiros circuncisados. A referida pesquisa concluiu que existiu associação entre periodontite e vaginose bacteriana, sendo importante também investigar a influência de hábitos sexuais como fatores predisponentes a infecções bucais e consequentemente relacionás-la a vaginose bacteriana.

Apesar de o parto prematuro ser considerado de etiologia desconhecida em cerca de 50% dos casos, a identificação de fatores de risco maternos e fetais, tornará possível adotar medidas preventivas secundárias e terciárias, visando diminuir a morbimortalidade neonatal. A especialização e o desenvolvimento da neonatologia e das técnicas de cuidado ao RN, nas últimas décadas, permitiram a sobrevivência de bebês que possivelmente alimentariam dados acerca da mortalidade, até alguns anos atrás, o que também contribui para o aumento dos casos de prematuridade (OMS, 2012).

Tem sido observadas mudanças na maneira como o trabalho de parto vem sendo conduzido nos últimos anos, principalmente pela popularização de cesáreas eletivas. No Brasil, a elevada porcentagem de partos cesáreos representa um grande desafio para a política de saúde e um fator responsável pelo aumento dos casos de prematuridade limítrofe. Enquanto a OMS recomenda uma taxa de cesáreas de até 10%, o 5º Relatório Nacional de Acompanhamento das Metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio elaborado pelo governo federal, mostra que o índice nacional está em aproximadamente 54% (IPEA, 2014; LEAL, GAMA, 2014).

Considerando-se que a prematuridade ainda é a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal, este estudo teve como objetivo analisar a relação da infecção ginecológica por Vaginose Bacteriana (VB) e Doença Periodontal (DP) com o risco de parto prematuro (PP) e recém-nascido de baixo peso (RNBP), bem como pesquisar a associção de alguns fatores de risco comportamentais, sociodemográficos, gineco-obstétricos, clínicos e odontológicos, com o risco de parto prematuro (PP) e recém-nascido de baixo peso (RNBP), em gestantes atendidas na maternidade Mariano Teixeira do Hospital Universitário, Maceió – AL.

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2 MATERIAL E MÉTODO

2.1 Tipo de estudo

A presente pesquisa trata-se de um estudo observacional, analítico e de caráter transversal.

2.2 Local do estudo

Esta pesquisa foi desenvolvida no Centro Universitário CESMAC e os dados coletados na maternidade do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (HUPAA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió-AL, que é uma das principais maternidades de alto risco de Alagoas, sendo referência no cuidado pré-natal, parto e puerpério, afiliada à Rede Cegonha desde 2011. Apresenta estrutura com aproximadamente 60 leitos obstétricos, 10 leitos em UTI (unidade de terapia intensiva) neonatal e 19 em UCI (Unidade de Cuidados Intermediários) neonatal.

Dada a sua abrangência, esta instituição constitui local apropriado para a implementação de iniciativas, que visem identificar os fatores etiológicos mais relevantes associados ao nascimento prematuro.

2.3 Amostra e amostragem

A amosta foi composta por 36 pacientes selecionadas por amostragem censitária, sendo os dados coletados entre os meses de setembro de 2015 a janeiro de 2016, obedendo aos critérios de inclusão pré-estabelecidos pela pesquisa.

2.3.1 Critérios de inclusão

Gestantes admitidas em trabalho de parto ou para tratamento clínico das seguintes patologias: trabalho de parto prematuro, síndrome hipertensiva, amniorrexe prematura, outras comorbidades maternas (cardiopatia, nefropatia, infecções, polidrâmnio, oligodrâmnio), primíparas e multíparas, que evoluíram para parto pré-termo (anterior a 37 semanas) ou a termo (entre a 37ª e a 42ª semanas de

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gestação), normal ou cesareana, dentro ou fora da instituição, e cujos recém-nascidos foram vivos (únicos ou gemelares).

2.3.2 Critérios de exclusão

Não participaram da pesquisa, as gestantes admitidas com sangramento transvaginal profuso, dilatação cervical completa (10 cm – caracterizando período expulsivo), bolsa amniótica herniada na vagina e uso recente de creme vaginal (até 3 dias anterior ao internamento), pela dificuldade técnica de realizar coleta de secreção vaginal nessas circunstâncias. Também foram excluídas pacientes diabéticas, HIV positivas e portadoras de patologias psiquiátricas, pois esses quadros poderiam levar a viéses na pesquisa. Gestantes que foram diagnosticadas com óbito fetal ou malformação fetal incompatível com a vida não participaram do estudo pela impossibilidade de acompanhamento desses recém-nascidos após o parto. E por fim, também não participaram do estudo pacientes em uso de aparelho ortodôntico e com menos de vinte dentes. Ao longo do estudo, excluíram-se as gestantes transferidas para outras unidades hospitalares, quando não foi possível contactá-las e coletar os dados do RN, e aquelas que não realizaram o exame odontológico.

2.4 Procedimentos

Todas as gestantes participantes foram recrutadas nas enfermarias e, após a explicação sobre o estudo, leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (ANEXO A), baseado na resolução número 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde (CNS/MS), concordaram em participar da pesquisa.

A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEPE – Centro Universitário Cesmac) sob Processo n°1346531 (Anexo B).

2.4.1 Coleta de dados ginecológicos, obstétricos, perinatais e do recém nascido.

Inicialmente foi realizada a consulta dos prontuários, para selecionar as gestantes que estavam aptas a participar da pesquisa. Cada gestante foi identificada

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por um número único sequencial de dois algarismos, para assim preservar a sua identidade.

Realizou-se entrevista individualizada, conduzida pela própria pesquisadora, que consistia na aplicação de um roteiro de perguntas, presentes num formulário de coleta de dados (Apêndice A), elaborado a partir da literatura científica, e modelo do cartão de pré-natal do Hospital Universitário (HU), referente aos fatores de risco de parto prematuro e recém nascido de baixo peso. Foram coletados os dados sócio-demográficos, antecedentes pessoais e obstétricos. Posteriormente foram anotados os dados referentes à evolução do trabalho de parto, os resultados do exame bacteriológico da secreção vaginal, e as informações do RN após o nascimento do bebê.

A coleta da secreção vaginal foi realizada, pela pesquisadora, na sala de triagem da maternidade, cujo objetivo foi averiguar a presença da vaginose bacteriana. Com a gestante em posição ginecológica foi introduzido um espéculo estéril na vagina, as secreções foram colhidas com um swab e acondicionadas em meio de transporte específico (meio de Stuart) e encaminhadas ao laboratório de microbiologia do HU.

Foram adotados para o diagnóstico da vaginose bacteriana microscopia a fresco e a bacterioscopia corada pelo método de gram, seguindo os critérios de Nugent (NUGGENT, 1991). No serviço de ginecologia e obstetrícia do HU, é rotina a realização desse dois procedimentos em todo exame de secreção vaginal.

Para determinação do pH vaginal utilizou-se uma fita reagente específica (UNIVERSAL MERCK). A fita ficava em contato com o terço superior e lateral da vagina, por aproximadamente 1 minuto, e mudava de cor ao entrar em contato com a secreção vaginal. A leitura foi interpretada com o gabarito padrão, por aproximação colorimétrica, que indicava vaginose bacteriana quando sinalizava valores de pH acima de 4,5 (GIRALDO et al., 2007).

O exame microscópico a fresco foi realizado em lâmina preparada com uma gota de soro fisiológico a 0,9%, secreção vaginal e coberta com lamínula. A presença de células-guia, chamadas “clue cells” (células epiteliais superficiais recobertas por cocobacilos), são achados sugestivos da presença de vaginose bacteriana (GIRALDO et al, 2007).

A literatura aceita como padrão ouro no diagnóstico da VB, a bacterioscopia pelo método de gram (ANEXO E). Nuggent et al. (1991) desenvolveram um critério

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para padronizar o diagnóstico da VB, que analisa os vários tipos de bactérias e suas concentrações. A interpretação do resultado é feita por meio de um sistema de escores, tornando mais fácil a sua compreensão. Escores de zero a três – referem-se à microbiota vaginal normal, onde predominam os lactobacilos. De quatro a referem-seis, pertencem ao conteúdo vaginal intermediário. Escores de sete a dez, confirmam a VB (FERREIRA et al., 2013) (ANEXO D).

A idade gestacional (IG) foi determinada através da regra de Naegele, baseada na data da última menstruação (DUM). Consiste em somar sete dias e subtrair três meses, ou somar nove meses em relação ao primeiro dia do último ciclo menstrual, para calcular a data provável do nascimento (VETTORE, 2006). Nas pacientes que desconheciam a DUM, para o cálculo da IG, foi utilizado o exame de ultra-sonografia mais precoce. A IG era confirmada após o nascimento do bebê pelo método de Capurro (MARGOTTO, 2015), que é determinada utilizando-se características somáticas ou somáticas associadas às neurológicas do recém-nato (ANEXO F). Por se tratar de uma maternidade de referência, para gestações de alto risco, todos os pediatras estão aptos para a utilização desse escore.

O peso de todos os recém-nascidos foi registrado com balanças calibradas imediatamente após o parto (em gramas). As informações das estimativas da idade gestacional pela DUM, pelo método do Capurro, e o peso ao nascer foram obtidos do prontuário médico, ou no caso das pacientes que tiveram parto em outra maternidade, através de contato telefônico com essas mães, que tinham acesso a essas informações no cartão do RN.

2.4.2 Coleta de dados odontológicos.

Foi aplicada uma entrevista relacionada a percepção sobre os hábitos de higiene bucal das pacientes gestantes (APÊNDICE B).

Para os exames das condições bucais das pacientes foram utilizados: um espelho de fibra óptica (Denlte®, Welch Allyn, USA) e sonda periodontal milimetrada Carolina do Norte nº 15, ponta única (Hu-friedy, Chicago, IL, USA). Os exames foram realizados em uma cadeira odontológica portátil, no próprio hospital, por dois discentes do 10° período do curso de Odontologia do Centro Universitário Cesmac, previamente treinados por um examinador experiente.

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Foram aplicados os seguintes índices: Índice Periodontal Comunitário – IPC (OMS, 1999) e Índice de Placa Visível - IPV (SILNESS, LOE, 1964).

2.4.2.1 Avaliação Periodontal (IPC)

Para o diagnóstico da condição periodontal foi aplicado o Índice Periodontal Comunitário, como segue:

 Foram examinados 6 pontos em cada um dos 10 dentes – índices (17, 16, 11, 26, 27, 31, 36, 37, 46 e 47), nas superfícies vestibular e lingual, abrangendo as regiões mesial, média e distal (OMS. 1999).

 A sonda foi introduzida levemente no sulco gengival ou na bolsa periodontal, ligeiramente inclinada em relação ao longo eixo do dente, seguindo a configuração anatômica da superfície radicular.

Quadro 01 – Escores e condições analisadas pelo Índice Periodontal Comunitário

(OMS, 1999).

ESCORES CONDIÇÕES ANALISADAS

0 Sextante hígido

1 Sextante com sangramento (observado com espelho após a sondagem)

2 Cálculo: qualquer quantidade, mas com toda a área preta da sonda visível

3 Bolsa de 4 a 5 mm: margem gengival na área preta da sonda

4 Bolsa de 6 mm ou mais: área preta da sonda não está mais visível

X Sextante excluído: menos de dois dentes presentes Fonte: OMS (1999).

Para a análise da situação periodontal foi considerado o escore mais grave, de todos os sextantes, como escore representativo da condição periodontal de cada paciente.

2.4.2.2 Índice de Placa Visível (IPV)

Foi utilizado Índice de Placa Visível para avaliação da condição de higiene bucal apresentada pelas gestantes. O índice foi aplicado, mediante avaliação de todos os elementos dentários presentes na cavidade bucal, de acordo com os escores e condições apresentadas no quadro 02 abaixo.

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Quadro 02 – Escores e condições analisadas pelo Índice de placa visível (SILNESS,

LÖE, 1964).

ESCORES CONDIÇÕES ANALISADAS

0 Ausência de placa bacteriana

1 Presença de placa bacteriana em até 1/3 da superfície dentária

2 Presença de placa bacteriana em até 2/3 da superfície dentária

3 Presença de placa bacteriana em mais de 2/3 da superfície dentária Fonte: (SILNESS, LÖE, 1964).

Para a análise da condição de higiene bucal foi considerado o somatório de escores de placa visível, de todas as superfícies dos dentes examinados, sendo dividido pelo número total de superfícies dentárias na cavidade bucal de cada paciente.

Após a aplicação dos índices IPV e IPC, cada paciente recebeu escova e creme dental para realização de escovação.

2.5 Análise estatística

Os dados foram tabulados no programa Excel (Microsoft Office®) e os resultados foram apresentados de forma descritiva através de freqüência, média e desvio padrão. A estatística inferencial foi realizada através do programa BioEstat® 5.0 (AYRES et al., 2007) aplicando-se o teste não-paramétrico de Mann Whitney com um valor de p≤0,05.

3 RESULTADOS

Após a coleta de dados, realizada de setembro de 2015 a janeiro de 2016, pode-se observar, na Tabela 1, as características sócio-demográficas das gestantes, atendidas na Maternidade Mariano Teixeira (MMT), no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), analisadas pela pesquisa (n=36).

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Tabela 1– Características sócio-demográficas das pacientes analisadas. HUPAA,

20152016.

VARIÁVEIS Amostra (n = 36) Percentual (%)

Idade

≤ 20 anos e ≥ 35 anos de idade 19 52,8

Entre 21 e 34 anos de idade 17 47,2

Procedência Capital 16 44,4 Interior 20 55,6 Estado civil Solteira 16 44,4 Casada 18 50 Separadadivorciada 2 5,6 Escolaridade Analfabeta 0 0 Ensino fundamental 18 50 Ensino médio 16 44,4 Superior incompleto 0 0 Superior completo 2 5,6 Atividade ocupacional Estudante 12 33,3 Dona de casa 19 52,8 Funcionária pública 2 5,6

Funcionária iniciativa privada 3 8,3

Autônoma 0 0

Fonte: Dados da pesquisa.

A tabela 2 mostra os resultados referentes aos dados de antecedentes pessoais, gestacionais e perinatais das pacientes atendidas no HUPAA no período da realização da pesquisa.

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Tabela 2– Dados referentes a antecedentes pessoais, características gestacionais e

perinatais das pacientes analisadas. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEIS Amostra (n = 36) Percentual (%)

Nº gestações anteriores

Primigestas 22 61,1

Multigestas 14 38,9

Parto prematuro anterior

Não 29 80,6

Sim 7 19,4

Uso de fumo durante a gestação

Não 30 83,3

Sim 6 16,7

Uso de álcool durante a gestação

Não 35 97,2 Sim 1 2,8 Síndrome hipertensiva Não 28 77,8 Sim 8 22,2 Infecção urinária Não 23 63,9 Sim 13 36,1 Presença de vaginose Não 21 58,3 Sim 15 41,7 Amniorexe prematura Não 30 83,3 Sim 6 16,7 Tipo de parto Normal 12 33,3 Cesareana 24 66,7 Idade Gestacional ≥ 37 semanas 19 52,8 < 37 semanas 17 47,2

Peso do recém nascido

≥ 2.500 24 66,7

< 2.500 12 33,3

Fonte: Dados da pesquisa.

Os resultados da tabela 3 mostram o acesso aos serviços odontológicos e percepção das gestantes sobre hábitos de saúde bucal.

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Tabela 3 - Características de acesso aos serviços odontológicos e percepção das

gestantes sobre hábitos de saúde bucal. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEIS Amostra (n = 36) Percentual (%)

Acesso aos serviços odontológicos

Sim 9 25

Não 27 75

Frequência de escovação

< 3 vezes ao dia 18 50

≥ 3 vezes ao dia 18 50

Uso de fio dental

Sim 5 13,9

Não 31 86,1

Uso de enxaguatório bucal

Sim 9 25

Não 27 75

Fonte: Dados da pesquisa.

A presente pesquisa também buscou analisar as seguintes condições de saúde bucal das gestantes: acúmulo de biofilme dental e situação periodontal. Para a obtenção dos resultados foram aplicados os índices: IPV (Índice de Placa Visível) e IPC (Índice Periodontal Comunitário). A análise de aspectos relacionados à higiene bucal, retenção de biofilme dental e condição periodontal das gestantes permite a investigação da relação com fatores de risco de parto pré-termo e bebê com baixo peso ao nascer, sendo um deles a presença de vaginose bacteriana.

Os resultados apresentados pelo índice de placa visível mostraram um escore médio de 1,22±0,75 (média±dp) representativo da prevalência de placa bacteriana, em até um terço das superfícies de cada elemento dental analisado, mostrando um baixo nível de acúmulo de placa bacteriana.

A condição periodontal das gestantes analisadas, mostrou um escore médio do índice periodontal comunitário de 1,61±0,9 (média±dp) que representa ausência de doença periodontal, tendo em vista este escore do IPC significar, apenas, presença de sangramento gengival.

Os dados de saúde bucal coletados pelo presente estudo foram submetidos à análise estatística inferencial representada pela tabelas 04 e 05 abaixo:

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Tabela 4 – Análise do acúmulo de placa bacteriana (IPV) em relação a procedência,

acesso aos serviços odontológicos e percepção das gestantes sobre hábitos de saúde bucal. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEL RESPOSTAS Média±dp Valor de p ÍNDICE DE PLACA VISÍVEL (IPV)

Procedência Capital 0,85±0,69

(n=16) 0,003*

Interior 1,51±0,68

(n=20)

Acesso ao serviço odontológico Sim

0,94±0,86 (n=9) 0,03* Não 0,67±0,66 (n=27) Freqüência de escovação < 3 vezes ao dia 1,01±0,73 (n=18) 0,04* ≥ 3 vezes ao dia 1,41±0,66 (n=18)

Uso de fio dental Sim

1,43±0,97 (n=5) 0,25 Não 1,21±0,65 (n=31)

Uso de enxaguatório bucal Sim

0,95±0,98

(n=9) 0,08

Não

1,29±0,59 (n=27)

* Teste Mann Whitney; p≤0,05. O asterisco mostra diferença estatisticamente significativa.

Fonte: Dados da pesquisa.

Tabela 5 – Análise da condição periodontal (IPC) em relação a procedência, acesso

aos serviços odontológicos e percepção das gestantes sobre hábitos de saúde bucal. HUPAA, 2015.

VARIÁVEL RESPOSTAS Média±dp Valor de p ÍNDICE PERIODONTAL COMUNITÁRIO

Procedência Capital 1,69±0,95

(n=16)

0,31 Interior 1,55±0,89

(n=20)

Acesso ao serviço odontológico Sim

1,22±1,20 (n=9) 0,15 Não 1,74±0,76 (n=27) Freqüência de escovação < 3 vezes ao dia 1,44±1,03 (n=18) 0,24 ≥ 3 vezes ao dia 1,72±0,65 (n=18)

Uso de fio dental Sim

0,40±0,49 (n=5) 0,004* Não 1,64±0,82 (n=31)

Uso de enxaguatório bucal Sim

1,33±0,94

(n=9) 0,29 Não

1,59±0,87 (n=27)

* Teste Mann Whitney; p≤0,05. O asterisco mostra diferença estatisticamente significativa.

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Os resultados referentes a influência das características sócio-demográficas, dos antecedentes pessoais, condição de saúde bucal, características gestacionais e perinatais com a idade gestacional das pacientes estão expressos nas tabelas 06 e 07 abaixo.

Tabela 6 – Análise da relação entre as variáveis sócio-demográficas, antecedentes

pessoais, gestacionais e perinatais com a idade gestacional das pacientes analisadas. HUPAA, 20152016. VARIÁVEIS IDADE GESTACIONAL Valor de p ≥ 37 semanas < 37 semanas (n = 19) (n = 17) Idade

≤ 20 anos e ≥ 35 anos de idade 11 (57,9%) 8 (47,1%)

0,28

Entre 21 e 34 anos de idade 8 (42,1%) 9 (52,9%)

Procedência Capital 8 (42,1%) 8 (47,1%) 0,39 Interior 11 (57,9%) 9 (52,9%) Escolaridade Analfabeta 0 (0%) 0 (0%) 0,28 Ensino fundamental 10 (52,6%) 8 (47,1%) Ensino médio 9 (47,4%) 7 (41,2%) Superior incompleto 0 (0%) 0 (0%) Superior completo 0 (0%) 2 (11,7%) Nº gestações anteriores Primigestas 12 (63,2%) 10 (58,8%) 0,41 Multigestas 7 (36,8%) 7 (41,2%)

Parto prematuro anterior

Não 16 (84,2%) 13 (76,5%)

0,34

Sim 3 (15,8%) 4 (23,5%)

Uso de fumo durante a gestação

Não 15 (78,9%) 15 (88,2%)

0.31

Sim 4 (21,1%) 2 (11,8%)

Uso de álcool durante a gestação

Não 18 (94,7%) 17 (100%) 0,39 Sim 1 (5,3%) 0 Síndrome hipertensiva Não 14 (73,7%) 14 (82,4%) 0,32 Sim 5 (26,3%) 3 (17,6%) Infecção urinária Não 12 (63,2%) 11 (64,7%) 0,46 Sim 7 (36,8%) 6 (35,3%) Presença de vaginose Não 12 (63,2%) 9 (52,9%) 0,30 Sim 7 (36,8%) 8 (47,1%) Amniorrexe prematura Não 16 (84,2%) 14 (82,4%) 0,46 Sim 3 (15,8%) 3 (17,6%)

Peso do recém nascido

≥ 2.500 18 (94,7%) 6 (35,3%)

0,001*

< 2.500 1 (5,3%) a 11 (64,7%)b

Teste Mann Whitney; p≤0,05. O asterisco e as letras diferentes mostram diferença estatisticamente significativa.

(37)

Tabela 7 – Análise da relação entre as variáveis de saúde bucal e a idade

gestacional das pacientes analisadas. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEISSAÚDE BUCAL

IDADE GESTACIONAL

Valor de p

≥ 37 semanas < 37 semanas

(n = 19) (n = 17)

Acesso aos serviços odontológicos

Sim 3 (15,8%) 6 (35,3%) 0,17

Não 16 (84,2%) 11 (64,7%)

Frequência de escovação

< 3 vezes ao dia 10 (52,6%) 8 (47,1%) 0,38

≥ 3 vezes ao dia 9 (47,4%) 9 (52,9%)

Uso de fio dental

Sim 1 (5,3%) 4 (23,5%) 0,17

Não 18 (94,7%) 13 (76,5%)

Uso de enxaguatório bucal

Sim 6 (31,6%) 3 (17,6%) 0,23

Não 13 (68,4%) 14 (82,4%)

Teste Mann Whitney; Nível de significância (p≤0,05).

Fonte: Dados da pesquisa.

Os gráficos 01 e 02 abaixo mostram os resultados inferenciais dos índices IPV e IPC relacionados à idade gestacional.

Parto a Termo Parto Prematuro

1,07±0,65

1,33±0,80

Gráfico 1 – Valores referentes aos escores médios do IPV das pacientes que

apresentaram partos a termo e prematuro. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; p=0,23).

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As tabelas 08 e 09 abaixo mostram os resultados referentes à influência das características sócio-demográficas, dos antecedentes pessoais, condição de saúde bucal, características gestacionais e perinatais de acordo com a congregação da idade gestacional com o peso da criança ao nascer.

Gráfico 2 – Valores referentes aos escores médios do IPC das pacientes que

apresentaram partos a termo e prematuro. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; p=0,08).

Parto a Termo Parto Prematuro

1,36±0,89

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Tabela 8 – Análise da relação entre as variáveis sócio-demográficas, gestacionais e

perinatais de acordo com a idade gestacional e o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEIS

IDADE GESTACIONALPESO DA CRIANÇA AO NASCER

Valor de p ≥ 37 semanas ≥ 2.500g < 37 semanas < 2.500g (n = 18) (n = 11) Idade

≤ 20 anos e ≥ 35 anos de idade 10 (55,6%) 4 (36,4%)

0,19

Entre 21 e 34 anos de idade 8 (44,4%) 7 (63,6%)

Procedência Capital 8 (44,4%) 5 (45,5%) 0,48 Interior 10 (55,6%) 6 (54,5%) Escolaridade Analfabeta 0 (0,0%) 0 (0,0%) 0,27 Ensino fundamental 9 (50%) 5 (45,5%) Ensino médio 9 (50%) 4 (36,4%) Superior incompleto 0 (0,0%) 0 (0,0%) Superior completo 0 (0,0%) 2 (18,1%) Nº gestações anteriores Primigestas 11 (61,1%) 7 (63,6%) 0,26 Multigestas 7 (38,9%) 4 (36,4%)

Parto prematuro anterior

Não 15 (83,3%) 9 (81,8%)

0,45

Sim 3 (16,7%) 2 (18,2%)

Uso de fumo durante a gestação

Não 14 (77,8%) 9 (81,8%)

0.42

Sim 4 (22,2%) 2 (18,2%)

Uso de álcool durante a gestação

Não 17 (94,4%) 11 (100%) 0,40 Sim 1 (5,6%) 0 Síndrome hipertensiva Não 13 (72,2%) 9 (81,8%) 0,33 Sim 5 (27,8%) 2 (18,9%) Infecção urinária Não 11 (61,1%) 7 (63,6%) 0,45 Sim 7 (38,9%) 4 (36,4%) Presença de vaginose Não 11 (61,1%) 5 (45,5%) 0,24 Sim 7 (38,9%) 6 (54,5%) Amniorrexe prematura Não 15 (83,3%) 9 (81,8%) 0,47 Sim 3 (16,7%) 2 (18,2%)

Teste Mann Whitney; Nível de significância (p≤0,05).

(40)

Tabela 9 – Análise da relação entre as variáveis de saúde bucal de acordo com a

idade gestacional e o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEISSAÚDE BUCAL

IDADE GESTACIONAL Valor de p ≥ 37 semanas ≥ 2.500g < 37 semanas < 2.500g (n = 18) (n = 11)

Acesso aos serviços odontológicos

Sim 3 (16,7%) 3 (27,3%) 0,31

Não 15 (83,3%) 8 (72,7%)

Frequência de escovação

< 3 vezes ao dia 9 (50,0%) 5 (45,5%) 0,41

≥ 3 vezes ao dia 9 (50,0%) 6 (54,5%)

Uso de fio dental

Sim 1 (5,6%) 3 (27,3%) 0,16

Não 17 (94,4%) 8 (72,7%)

Uso de enxaguatório bucal

Sim 6 (33,3%) 2 (18,2%) 0,25

Não 12 (66,7%) 9 (81,8%)

Teste Mann Whitney; Nível de significância (p≤0,05).

Fonte: Dados da pesquisa.

Os gráficos 3 e 4 abaixo apresentam os resultados inferenciais dos índices IPV e IPC relacionados à idade gestacional e o peso da criança ao nascer.

1 2 1,03±0,65

1,49±0,88

Gráfico 3 – Valores referentes aos escores médios do IPV de acordo com a idade

gestacional e o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; p=0,08).

1 – Parto e termo e criança de peso normal; 2 – Parto prematuro e criança de baixo peso.

(41)

Os resultados inferenciais da variável vaginose bacteriana podem ser visualizados nas tabelas 10 e 11.

Tabela 10 – Análise da relação entre as variáveis de saúde bucal e vaginose

bacteriana. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEISSAÚDE BUCAL

VAGINOSE BACTERIANA Valor de p Ausente Presente (n = 21) (n = 15) Procedência Interior 11 (55,0%) 9(45,0%) 0,35 Capital 10 (62,5%) 6 (37,5%)

Acesso aos serviços odontológicos

Sim 6 (66,6%) 3(33,3%) 0,31

Não 15 (55,5%) 12 (44,4%)

Frequência de escovação

< 3 vezes ao dia 8 (44,4%) 10 (55,5%) 0,07

≥ 3 vezes ao dia 13 (72,2%) 5 (27,7%)

Uso de fio dental

Sim 4 (80,0%) 1 (20,0%) 0,18

Não 17 (54,8%) 14 (45,1%)

Uso de enxaguatório bucal

Sim 7 (77,8%) 2 (22,2%) 0,12

Não 14 (51,8%) 13 (48,14%)

Teste Mann Whitney; Nível de significância (p≤0,05).

Fonte: Dados da pesquisa.

1 2 1,44±0,85

2,00±0,77*

Gráfico 4 – Valores referentes aos escores médios do IPC de acordo com a idade

gestacional e o peso da criança ao nascer. HUPAA, 20152016 (média±dp; Teste Mann Whitney; Diferença estatística, p=0,05*).

1 – Parto e termo e criança de peso normal. 2 – Parto prematuro e criança de baixo peso.

(42)

Tabela 11 – Análise da relação entre as variáveis IPV, IPC e a presença de

vaginose bacteriana. HUPAA, 20152016.

VARIÁVEISSAÚDE BUCAL

VAGINOSE BACTERIANA

Valor de p

Ausente Presente

(n = 21) (n = 15)

Índice de Placa Visível (IPV) 1,34±0,72 1,05±0,78 0,13

Índice Periodontal Comunitário (IPC) 1,71±0,78 1,47±1,06 0,26

Média±dp; Teste Mann Whitney; Nível de significância (p≤0,05).

Fonte: Dados da pesquisa.

Os resultados apresentados na presente pesquisa sugerem uma análise discursiva de aspectos importantes como: as características de risco que as gestantes apresentam quando admitidas nos referido serviço de saúde, as condições de saúde bucal e o conhecimento das mesmas sobre hábitos de higiene bucal; e o perfil do serviço prestado pelo Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) as mulheres gestantes oriundas da capital e do interior do estado de Alagoas.

4 DISCUSSÃO

Os resultados da presente pesquisa, mostraram que as gestantes atendidas no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), apresentaram como perfil sócio-demográfico: Idade média materna de 21,9 ± 5,58 anos (Média ± DP), o que as classifica como adultas jovens, provenientes do interior de Alagoas, com nível educacional básico, donas de casa e vivendo em situação conjugal estável. Foi observado também um número maior de gestantes primigestas, com idade gestacional maior ou igual a 37 semanas e que tiveram parto cesareana.

No período estudado, de setembro de 2015 a janeiro de 2016, observou-se maior percentual de gestantes com parto a termo (52,8%) e a maioria dos bebês nascidos apresentavam peso normal (66,7%). Tal situação mostra que o referido hospital não atendeu, nesse período, pacientes que justificassem perfil de gestação de alto risco.

Foram realizados cruzamentos das variáveis sócio-demográficas, gestacionais e odontológicas, entre os grupos parto a termo e bebê de peso normal, com parto prematuro e bebê de baixo peso, e a partir desses dados realizada inferência estatística.

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