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Só para que eles possam saciar meu desejo Incontrolável de apenas te olhar...

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Academic year: 2021

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1 APENAS...

Eu vivi a cor dos teus olhos E respirei o brilho do teu olhar... Depois percebi que estava morrendo, Porque fechaste teus olhos

E preferiste sonhar um outro sonho...

Chorei, mas não sei se por amar o sabor dos teus lábios Ou se por me odiar por querer prová-los a todo minuto... E às vezes ainda me odeio,

Porque meus olhos tentam me convencer A te procurar de novo,

Só para que eles possam saciar

O desejo incontrolável de apenas te olhar... O mais incrível de tudo o que aconteceu,

Foi que eu suspirava - não apenas por receber teus carinhos - Mas justamente por ter teu rosto para acariciar...

Sorri, mas não sei se por amar O sorriso delicado dos teus lábios

Ou se por poder prová-los a todo minuto...

Eu sei que me perdia em cada palavra que falava, A cada beijo,

A cada vez que eu me deixava encantar com o teu jeito único, Que não saberia descrever, e nem quero...

Eu sei que me perdia,

Mas não queria voltar mesmo... Então não tive medo de me perder...

Só que agora estou perdido com minhas palavras, Minhas lágrimas, meus sorrisos - lágrimas ou sorrisos, Depende de que momento passado eu me lembro - E não sei mais se tento aceitar,

Se tento uma maneira de mudar alguma coisa... Ou se apenas procuro convencer meus olhos A te procurarem de novo,

(2)

2 Só para que eles possam saciar meu desejo

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3 SEM SENTIDOS

A boca que não seja a tua A minha se recusa a beijar

E os olhos cujo interior não revele tua alma Os meus os desprezam, fitando-os de canto Minhas mãos buscam em outras peles A seda pura da tua

Porém teu cheiro de minha mulher nunca está lá

E o teu amor pelo meu não encontro mais

Percebo então a sina de ser eterno escravo de te querer em vão

E tu, meu coração, o que fazes? Faltou teu zelo apaixonado

Afinal, não deverias tê-la coberto de flores Acariciado-a de beijos

Cativado-a de palavras doces Engolido-a com olhares sedentos?

Ah, dizes-me agora, só agora

Que já sofrias com a falta de um jardim Para todas as flores que levaste

E as palavras, os beijos e os olhares?

Por que não me avisaste que ela ouvia outra língua E que não sabia ser engolida?

Quero a boca que não seja a tua

Para não chorar o choro do amor que é teu Só que a tua boca é a que desejo...

Que fascínio é este?

(4)

4 Como podem poucas lembranças boas

Sobrepujarem muitos sentimentos sofridos? A resposta é: Porque as vivi?

Ou porque foi maravilhoso, intenso, arrebatador, prazeroso? Só por isso?

Zombam de mim os meus pensamentos Eu sei, eles adoram pensar em ti...

E meus sentimentos, agora desesperados, apelam aos meus lábios, Que clamam aos meus olhos, cúmplices,

“Mas vocês estão chorando!...”

Eles fingem que não ouvem – olhos cegos e surdos

Quero o cheiro que não seja o teu Para não pensar na tua boca

Para não pensar nem mais uma vez em ti Impossível...

(5)

5 MEU SONHO

Ontem eu dormi e sonhei teu rosto... Implorei por teu corpo

E senti tua voz suave beijando minha boca. Penetrei em teu sonho, invadi teus olhos E viajei teus desejos.

Dancei a melodia dos teus cabelos, Roubei o perfume do teu pescoço

E deslizei meus lábios na maciez da tua pele. Desnudei teus mistérios, provoquei tua volúpia E conheci tua malícia...

Submeti-me às tuas curvas, estudei teus movimentos, Decorei teus suspiros e deliciei-me no teu prazer. Hoje eu acordei e gritei teu nome...

E chorei o fascínio de te amar.

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6 PRA DEPOIS DO VINHO TINTO

Preciso dos teus lábios A contestarem minhas mãos Corro os olhos pelo decote sensual Tuas mãos ligeiras me desarmam Por hora

Por horas

Sorrio um sorriso de Daqui a pouco

Acho que li um pensamento De nem morta

Nem vem Nem sei

Acho que li outro pensamento De apaga logo essa luz

(7)

7 ENTRELINHAS

Aqui estou eu, sozinho. Olho para ti,

Ansioso por te ter em meus braços... Não quero apenas que nos encontremos Por um simples instante,

E que depois me deixes. Mas, pior ainda,

Seria se escolhesses tomar o caminho Contrário ao meu...

Talvez ficasse imóvel, Sem saber como reagir. Ou então me atirasse ao chão, Desolado, chorando por ti...

Sei que um dia nos encontraremos de novo,

Porém percebo que este não será um momento nosso. Esta minha derrota, entretanto,

Não será culpa minha,

Pois fiz de tudo para te ter junto a mim. Nem posso culpá-la por isso também... Estavas aos pés de um homem

Em quem confiavas,

Mesmo assim ele não te quis. Agora encontras em tua vida Outro homem que jura fidelidade, E preferes morrer só,

Entre linhas, feliz.

(8)

8 MEU GRITO DE LIBERDADE

Hoje eu entrei em meu quarto,

E descobri que o silêncio que ali reinava Fazia parte do vazio daquele momento. Tudo imóvel, sem vida, sem alma, Meus medos, meus sonhos, meus gritos, Minha vida, meus sentimentos, minha raiva.

Meu quarto hoje me abrigou em minha fuga da realidade. Tranquei a porta com medo do mundo,

Ao mesmo tempo em que queria governá-lo, Ao mesmo tempo em que queria moldá-lo, Dar-lhe as formas do meu próprio mundo. Hoje eu entrei em minha alma,

E descobri que o silêncio que ali reinava Fazia parte do vazio daquele momento. Eram meus punhos, imóveis,

Eram meus pensamentos, sem vida, E também meu olhar, sem alma. Descobri que meus medos escondiam Meus sonhos, como um grito sufocado, Clamando por vida, lutando com raiva Para emergir no silêncio do quarto, Forte o suficiente para contar ao mundo, Que eu não havia morrido ainda... Estava apenas como que adormecido, Tentando acordar-me com um grito, Para que eu destrancasse a porta,

Enfrentasse o mundo, e até governasse-o. Hoje eu entrei em meus pensamentos, E descobri que o sonho que ali reinava Fazia parte da minha vida.

(9)

9 Cortei então meus pulsos,

Só para ter certeza de que o sangue que ali corria Era vermelho como a cor dos meus olhos

Depois de chorar a noite inteira.

O sangue caía no chão e minhas mãos tremiam, E eu não percebia que estava morrendo,

Assassinado justamente pela minha vontade de viver... Meu corpo enfraquecido rastejava pelo chão frio, Procurando mostrar que ainda continuava lutando, Apesar de não saber mais pelo quê...

Lá fora,

Parecia que o tempo seguia seu ritmo Sem se importar comigo.

O sol havia se escondido por trás das nuvens negras que chegavam, Envergonhado pela minha fraqueza.

E partira há pouco,

Antes que eu pudesse estender minha mão ensangüentada Para que ele me ajudasse...

Já a lua mantinha-se distante, Sem brilho,

Como se não quisesse olhar-me nos olhos

E ver neles o reflexo da sua própria indiferença... Mas o vento parecia entender meu desespero E trazia consigo lágrimas de chuva,

Trazia consigo uma tristeza profunda...

Mas por que o vento chora por mim Como se soubesse que eu estava ferido? Será que ele entende meu choro sem lágrimas, Será que ele escuta meu grito sem voz?...

Deve ser por isso que ele derrama lágrimas por mim E sussurra um gemido triste noite afora...

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10 Como se implorasse para que eu voasse com ele,

Para descobrir o mundo lá fora por trás dessas paredes... Mal sabe ele que eu estava trancado nesse meu quarto, Apesar de ter a chave em minha mão...

Fui eu mesmo quem havia me trancado!!! Seria demais deixar-me levar pelo vento? Talvez seja tarde demais...

Deveria ter arriscado há muito tempo,

Mas eu nem sabia que era o vento quem me chamava... Agora vivo em reticências o pouco tempo que me resta...

Meus pensamentos se repetem, Ecoam no quarto,

Enquanto enlouqueço numa frase a mais. Minha cabeça dói,

Nada mais parece fazer sentido...

E se eu abrisse a porta, voasse um sonho, E descobrisse que era só um sonho... A realidade me esmagaria com palavras, Como sempre fez,

Porque ela pensa que é mais seguro aqui no quarto... Mas é difícil fingir que não o escuto,

É difícil fingir que não sonho,

É difícil olhar a chave, ali na minha mão, E não poder voar, não poder ao menos

Trazer meu tão desejado sonho para dentro do quarto... Se agora não posso mais voar contigo, amigo Vento, Enquanto meus olhos brilham em mil cores

Ao te imaginar brincando com o sol Pela janela do quarto,

Outro dia eu te asseguro, levarás-me pelos ares E sentirei o frescor do teu sopro...

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11 Só tenham restado poucas cores...

As cinzas...

Acordei dias depois deitado na cama do meu quarto... Meus pulsos estavam enfaixados...

Alguém havia me encontrado e me levado a algum hospital, Ou algo desse tipo...

A vida havia me dado outra chance de viver... Lá fora,

Escuridão total.

Trovões estremeciam a noite, Relâmpagos a iluminavam...

Olhei as horas no relógio e percebi que era tarde... A tempestade ecoava no vidro da janela do meu quarto, A tempestade que caía chamava por mim...

Mesmo sentindo-me ainda um pouco enfraquecido, Não quis pensar muito,

Nem no que havia acontecido

Nem no que eu poderia deixar de fazer se pensasse demais... Abri a janela e mergulhei no escuro da rua,

Fugi daquele meu telhado e me escondi embaixo da chuva... Mas se para que eu seja eu mesmo, fujo e enlouqueço Viajando na chuva, escondido no escuro da noite,

É porque tenho medo de não agüentar que o dia seguinte Volte a me arrastar pelo escuro dos meus pensamentos... Olhei as horas mais uma vez

E me dei conta que na verdade ainda era cedo.

Ainda havia tempo para dançar uma última música sob a chuva, Nos braços da minha liberdade...

Referências

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