CORREÇÃO DA PEÇA – AULA 03
SIMULADO. OAB 2ª FASE. PENAL. AULA 01 Peça prática –
Narra a exordial acusatória que no dia 17 de maio de 2013, por volta das 10 horas, o acusado teria subtraído uma carteira de mão feminina e um celular da marca Sony Ericson E15a, todos pertencentes à vítima FULANA DE TAL. Tendo sido surpreendido de posse dos referidos bens, o acusado foi
conduzido ao 21º DP, ocasião em que confessou o crime e afirmou sofrer de problemas psiquiátricos.
Na oitiva em sede de auto de prisão em flagrante, a vítima alegou que o bagageiro de sua motocicleta havia sido quebrado pelo autor do fato para a retirada dos pertences.
A perícia realizada não constatou qualquer sinal de rompimento de obstáculo. Devolvidos os bens à vítima, foi lavrado o auto de prisão em flagrante, após o que foi oferecida a denúncia ora em comento.
O autor fora denunciado pelo parquet estadual como incurso nas penas do crime previsto no artigo 155 § 4º, I do Código Penal e citado em 10/05/2013. Você, contratado como advogado, elabore a peça cabível, constando como data o último dia do prazo.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 7ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE GOIÂNIA-GO
Autos: xxxxx
FULANO DE TAL, já devidamente qualificado nos autos de ação penal que lhe move o Ministério Público do estado de Goiás, como incurso nas penas do artigo 155, caput, do Código de Processo Penal, por meio de seu advogado devidamente constituído, JOÃO BATISTA GOMES FILHO, brasileiro, solteiro, advogado, devidamente inscrito na OAB sob o n. 24.678, com endereço profissional à Rua 18, n. 110, salas 802 e 803, edifício Business Center, Setor Oeste, Goiânia, Go, com base no artigo 396 e 396-A do Código de Processo Penal, apresentar
RESPOSTA ESCRITA À ACUSAÇÃO
Com base nos fatos e fundamentos que passa a expor:
1. DOS FATOS
Narra a exordial acusatória que no dia 17 de maio de 2013, por volta das 10 horas, o acusado teria subtraído uma carteira de mão feminina e um celular da marca Sony Ericson E15a, todos pertencentes à vítima FULANA DE TAL. Tendo sido surpreendido de posse dos referidos bens, o acusado foi conduzido ao 21º DP, ocasião em que afirmou sofrer de problemas psiquiátricos.
Devolvidos os bens à vítima, foi lavrado o auto de prisão em flagrante, após o que foi oferecida a denúncia ora em comento.
2. DO DIREITO
2.1 DO CRIME DE BAGATELA. NECESSÁRIA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA DO ACUSADO.
Ilustre julgador, conforme o código de processo Penal, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando o fato narrado evidentemente não constituir crime.
Vejamos:
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
...
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
Uma das hipóteses que excluem a própria tipicidade é a aplicação do princípio da insignificância, mormente em casos cujo valor patrimonial da res furtiva se mostra incapaz de violar o bem jurídico tutelado.
No presente caso, percebe-se que, ao contrário do artifício retórico utilizado pelo parquet, foram subtraídos da vítima uma carteira de mão feminina e um aparelho celular.
Ora, uma carteira de mão e um aparelho celular, certamente configuram coisa de ínfimo valor, aptos a ensejar o princípio da insignificância.
Vale frisar que TODOS OS BENS foram devolvidos à vítima, de forma que não houve absolutamente qualquer prejuízo patrimonial para a mesma.
Além disso, em relação à periculosidade social da ação, não houve rompimento de obstáculo, e o acusado confessou espontâneamente o fato, explicando, ainda, que o teria feito por sofrer de problemas psiquiátricos.
HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO QUALIFICADO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA E TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL.
O paciente encontra-se preso preventivamente por processo em que foi denunciado por duas incursões no art. 155, caput, do Código Penal, porque teria subtraído bens avaliados na totalidade de R$ 78,70, apreendidos e restituídos aos estabelecimentos-vítimas. Destarte, está-se claramente diante de situação que refoge ao âmbito do Direito Penal, incidindo sobre a hipótese denunciada o princípio da insignificância. Assim, autorizada está a soltura do paciente e o trancamento da ação quando o resultado inevitável do julgamento será a absolvição pela atipicidade do fato denunciado. (TJ-RS, Relator: Diogenes Vicente Hassan Ribeiro, Data de Julgamento: 27/06/2012, Quinta Câmara Criminal)
Além disso, já decidiram os tribunais superiores que, sendo a insignificância causa de exclusão da tipicidade material, “condições pessoais desfavoráveis, maus antecedentes, reincidência e ações penais em curso não impedem a aplicação desse princípio” (HC 104.468/MS)
Diante do exposto, deve este juízo absolver sumariamente o acusado com base no artigo 397, III do Código de processo penal.
3. DAS PROVAS A SEREM PRODUZIDAS EM JUÍZO
3.1 NECESSIDADE DE PERÍCIA QUE ATESTE O VALOR DE MERCADO DOS BENS A FIM DE AFERIR A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NECESSIDADE DE LAUDO DE EXAME MERCEOLÓGICO
Ilustre julgador, acaso seja ultrapassado o pedido de absolvição sumária, devem os objetos serem submetidos à exame merceológico a fim de que sejam definidos os valores de mercado dos mesmos, o que permitirá ao julgador a análise mais acurada acerca do princípio da insignificância.
A jurisprudência é pacífico no sentido de aferir, caso a caso, a aplicação ou não do mesmo princípio, com base no LAUDO DE EXAME MERCEOLÓGICO. Vejamos:
PENAL E PROCESSUAL PENAL. ART. 155, § 4º, I, II E IV DO CP. FURTO QUALIFICADO. PRIVILEGIADO. PEQUENO VALOR. FURTO QUALIFICADO. ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO. MEDIANTE ESCALADA. CONCURSO DE PESSOAS. SUBTRAÇÃO DE CARGA DURANTE TRANSPORTE EM BALSA. RIO NEGRO. MATERIALIDADE. AUTORIA. DOSIMETRIA. REDUÇÃO DA PENA. REGIME ABERTO. SUBSTITUÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. 1. Materialidade delitiva comprovada pelos autos de prisão em flagrante e de apreensão, além dos laudos de exame no local do furto e merceológico. 2. Participação dos apelantes na conduta criminosa demonstrada pelo conjunto probatório contido nos autos. 3. Penas reduzidas em obediência aos princípios da suficiência e necessidade da pena, fixando-a de modo a atender ao grau de reprovabilidade da conduta dos agentes. 4. O regime inicial de cumprimento da pena é o aberto (art. 33, § 2º, c, do CP). 5. Pena privativa de liberdade substituída por 02 (duas) restrititivas de direitos (art. 44 do CP), a serem determinadas pelo Juízo da execução, nos moldes dos arts. 45 e 46 do Código Penal. 6 Apelações parcialmente providas apenas para reduzir a pena dos apelantes Irineu do Nascimento Gomes e Davi Quinto dos Santos para 4 (quatro) anos de reclusão, em regime inicial aberto, e 20 (vinte) dias-multa, à razão de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente na época dos fatos, corrigida monetariamente até a data do efetivo pagamento. Substituída a pena privativa de liberdade (art. 44 do CP) por 02 (duas) restrititivas de direitos, a serem determinadas pelo Juízo da execução, nos moldes dos arts. 45 e 46 do Código Penal.
(TRF-1 - ACR: 135 AM 2007.32.00.000135-0, Relator: DESEMBARGADORA FEDERAL MONICA SIFUENTES, Data de Julgamento: 29/04/2013, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: e-DJF1 p.675 de 10/05/2013)
PENAL E PROCESSO PENAL. FURTO. AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. DOSIMENTRIA DA PENA. APELAÇÃO DESPROVIDA. 1 -) Comprovada a materialidade através do Laudo de Exame em Local, da cópia do termo de ocorrência; do ofício da Alfândega no Porto de Santos; do Laudo de Exame Merceológico; do Laudo de Exame em material audiovisual e da Cópia do Processo Administrativo da Alfândega, onde consta o Registro da Guarda Portuária, entre outros. Todos os documentos juntados aos autos ratificam a denúncia e os depoimentos prestados inquisitorial e judicialmente. 2- ) A autoria restou clara e insofismável. Alessandro trabalhava no "MSC Lausanne" na data dos fatos. O Laudo de Exame Material não consegue ser conclusivo quanto a autoria dos fatos, em razão da qualidade das imagens, mas analisa a pertinência da acusação, comparando as imagens e verificando
as similaridades com os réus e suas vestimentas e está em perfeita consonância com a prova testemunhal. 3-) Os levantamentos de impressões papilares em material não conseguem ilidir as imagens e depoimentos trazidos, ou seja, não tem o condão de invalidar as demais provas dos autos. 4-) Mantida a condenação de A. pela prática do delito do art. 155, § 4º, IV do Código Penal, uma vez que ficou demonstrada a pratica do crime em concurso com outros agentes. 5-) Diante da ausência de recurso do Ministério Público Federal, mantida a pena nos mesmos termos da r. sentença, ou seja, 1 (um) ano de reclusão, em regime inicial aberto e pagamento de 5 (cinco) dias-multa, fixados em 1/10 do salário mínimo mensal vigente na data dos fatos. 6 - ) Presentes os requisitos dos arts. 44 e seguintes, mantida a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos. 7 - ) Apelação desprovida.
(TRF-3 - ACR: 7098 SP 2007.61.04.007098-7, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL COTRIM GUIMARÃES, Data de Julgamento: 28/07/2009, SEGUNDA TURMA)
PENAL E PROCESSUAL PENA- FURTO QUALIFICADO - NEGATIVA DE AUTORIA - DOSIMETRIA DAS PENAS - CRIME APENADO COM PRISÃO E MULTA - SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR DUAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS (PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS) - POSSIBILIDADE - VALOR DA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA - 1) Não há de se acolher a tese de negativa de autoria, se as circunstâncias como ocorreu o crime e as provas testemunhais demonstraram que o apelante foi o autor do arrombamento da residência da vítima e dos furtos de seus bens - 2) Se o Juiz não fundamentou as circunstâncias judiciais convenientemente, as penas-base não poderão ser fixada acima do mínimo legal - 3) Se o apelante foi condenado a pena privativa de liberdade acima de um ano de prisão e multa, pode o Juiz substituir aquela por duas penas restritiva de direitos, consistindo uma delas em prestação pecuniária, que é de natureza e finalidade diversas da de multa, e consiste no pagamento em dinheiro à vítima e seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social. Ao contrário, subsistindo também apenamento por multa, a pena privativa de liberdade não poderia ser substituida por restritiva de direitos e multa, vez que esta já compõe a cominação legal do tipo penal - furto qualificado - 4) Não há motivo para alterar o valor da prestação pecuniária, se o juiz o fixou com base nos dados constantes do processo, de forma a se aproximar da avaliação dos bens furtados, constante do Laudo do Exame Merceológico - 5) Recurso a que se dá provimento parcial.
(TJ-AP - APL: 105899 AP , Relator: Desembargador DÔGLAS EVANGELISTA RAMOS, Data de Julgamento: 15/02/2000, CÂMARA ÚNICA, Data de Publicação: no DOE N.º 2274 de Segunda, 10 de Abril de 2000)
Assim, diante da essencialidade do laudo de exame merceológico, a defesa requer que os objetos sejam submetidos a tal exame.
3.2 PROVA TESTEMUNHAL
O acusado requer a concessão de mais dez dias de prazo para apresentar o rol de testemunhas.
4. DIANTE DO EXPOSTO, REQUER:
A) A absolvição sumária do acusado, nos termos do artigo 397, III, do Código de Processo penal, diante do princípio da insignificância
B) Subsidiariamente, requer provar a inocência do acusado por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente com a produção de prova pericial consistente em laudo de exame merceológico;
C) Requer, ainda, que seja concedido novo prazo de dez dias para apresentação do rol de testemunhas, tendo em vista a impossibilidade de fazê-lo neste momento.
Nestes termos, pede e espera deferimento
GOIÂNIA, 20/05/14
JOÃO BATISTA GOMES FILHO OAB/GO 24678