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gradiente, divergência e rotacional (revisitados)

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Academic year: 2021

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(1)

gradiente,

divergência e

rotacional

(revisitados)

(2)

Página 1

NOTA PRÉVIA

Os apontamentos que se seguem não são um texto matemático: não se procura, aqui, o rigor de uma formulação matemática. O que se procura, nestas notas abreviadas sobre os três operadores diferenciais – gradiente, divergência e rotacional – é, antes de mais, a formação de uma intuição. O objectivo é o de, deste modo, fazer com que as equações de Maxwell – que são escritas em termos de rotacional e divergência – possam ser mais do que fórmulas com uma pura existência formal, evitando-se assim que o seu conteúdo físico permaneça vago e nebuloso.

Apesar de uma interpretação em termos mecânicos poder ser considerada filosoficamente ambígua – no sentido em que o campo electromagnético não deve ser interpretado, e.g., como um fluido (como, de resto, o próprio Maxwell o fez amiúde) – não resta qualquer dúvida de que uma tal interpretação física ajuda a construir uma intuição útil – desde que esta precisão filosófica fique clara desde o início.

Assim, no caso da divergência, os conceitos de «fonte» e de «sorvedouro» são fundamentais para se entender, em electrostática, o papel das cargas eléctricas positivas e negativas, respectivamente. No caso do rotacional, a ideia de colocar um torniquete (constituído por uma espécie de roda com pás) – em que o movimento rotativo depende do momento angular transmitido ao dispositivo – parece, também, fundamental para distinguir, e.g., o campo eléctrico conservativo em regime estacionário (onde  E 0) do campo eléctrico em regime não-estacionário (regulado pela equação de Maxwell-Faraday,     E B t). No caso do gradiente, a ideia de um declive associado a um conjunto de curvas de nível, é também fundamental – de forma a entender que este operador diferencial nos informa, e.g., sobre qual a encosta de uma montanha que é mais íngreme (e, portanto, menos recomendável para uma subida mais acessível).

(3)

Página 2

Comecemos por recordar a definição dos operadores diferenciais gradiente, divergência e rotacional num sistema de coordenadas cartesianas rectangulares. Para tal consideremos a base ortonormada 

e e e1, 2, 3

, i.e., tem-se

1, 0, m n mn m n m n          e e

e, nesta base do espaço vectorial 3, definamos o operador nabla  tal que

1 2 1 x y z           e e e .

Sejam   

x y z, ,

um campo escalar : 3 e FF

x y z, ,

um campo

vectorial F: 3 3 tal que

F F Fx, y, z

F x y zx

, ,

1 F x y zy

, ,

2 F x y zz

, ,

3

   

F e e e .

Definem-se, então, os operadores diferenciais:

1 2 3 1 2 3 gradiente , divergência , rotacional . y x z y x y x z z x y z F F F x y z F F F F F F y z z x x y                                                  e e e F F e e e

Como mnemónica usa-se, ainda, a definição alternativa de rotacional em termos do «determinante» formal

(4)

Página 3 1 2 3 11 1 12 2 13 3 x y z x y z F F F               e e e F e e e em que 11 12 13 , , . y z x z y x F F y z F F z x F F x y                      Definições

Um campo vectorial F diz-se conservativo quando existe um campo escalar  tal que F . Diz-se, neste caso, que  é o potencial associado a F.

Um campo vectorial F diz-se solenoidal quando  F 0. Um campo vectorial F diz-se irrotacional quando  F 0.

Facilmente se verificam as seguintes identidades:

0, 0.       F Por exemplo,

2 2 2 2 2 2 0 y x y x z z y y x x z z F F F F F F x y z y z x z x y F F F F F F x y y x y z z y z x x z                                                  F

(5)

Página 4

uma vez que

2 2 2 2 2 2 , , . z z x x y y F F x y y x F F y z z y F F z x x z                   

Assim, se um campo F é solenoidal, existe um campo vectorial A tal que F A .

Por outro lado, se o campo F é irrotacional, então é conservativo. Ou seja,

0 , 0 .           F F A F F

Também de define o operador laplaciano   2 . Tem-se,

 

 

2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 2 3 , . x y z x y z F F F                 F e   e   e Demonstra-se que

2  F   F  F .

Vejamos, agora, a definição de derivada direccional do campo escalar

x y z, ,

ao longo de uma dada direcção. Seja, então, uuxe1uye2uze3 um vector constante que caracteriza a direcção em causa. O correspondente vector unitário ˆu (em que ˆu 1) é dado por 1 2 3 1 2 3 2 2 2 ˆ x y z x y z x y z u u u a a a u u u          e e e u u e e e u , em que

(6)

Página 5 2 2 2 , 2 2 2 , 2 2 2 y x z x y z x y x y x y u u u a a a u u u u u u u u u          .

Seja agora dado um ponto P x0

0, y z0, 0

e seja P x y z um ponto tal que

, ,

0 0 0 x y z x x s a y y s a z z s a      

em que s0 é um parâmetro que mede a distância entre o ponto P e o ponto P , 0

tendo-se (note-se que PP0P P0 ) portanto

0 0 0 1 0 2 0 3 x 1 y 2 z 3 ˆ

P P P Pxx eyy e  z z es a ea ea esu. Nestas condições, a derivada direccional de  ao longo da direcção u é

x y z d d x d y d z a a a d s x d s y d s z d s x y z                    ˆ d d s     u .

Por exemplo: se  x y2 x z e u2e12e2e , vem 3 uˆ 

2e12e2e3

3 e ainda

2 1 2 3 2 x y z x x    eee , de forma que 2 4 2 2 ˆ 3 d x y z x x d s        u

a que corresponde, e.g., um valor dd s5 3 para o ponto

1, 2, 1

. Em geral, notando que se tem

cos

d

d s

  ,

onde  é o ângulo entre o vector  e o vector unitário ˆu , infere-se que a derivada

(7)

Página 6

máximo da derivada direccional obtém-se quando 0, i.e., quando a direcção de u

coincide com a direcção de . O gradiente dá-nos, portanto, o valor máximo da derivada direccional do campo  no ponto em causa. Fazendo, ainda, druˆ d s vem

d  dr .

Quando se considera um deslocamento d r sobre uma superfície de nível

x y z, ,

0

   , é d 0 pelo que dr0, donde se tira que  dr: a

direcção dada por  é, assim, ortogonal à superfície de nível   0. No caso específico em que   

x y,

, as linhas de força do campo vectorial  são as trajectórias ortogonais das curvas de nível   0.

EXEMPLO 1

Consideremos o campo de temperaturas absolutas (i.e., medidas em graus Kelvin)

2 2

, , 273

T x y zxyx yz . Vejamos, então, qual a direcção em que a temperatura cresce mais rapidamente quando se considera o ponto

1, 2, 3

. Tem-se

2

1

2

2 3

T x y z y x z x y

   e    ee

e, no ponto em questão, obtém-se  T 4e17e22e , a que corresponde a direcção 3

de máximo crescimento da temperatura. Com efeito,

2 2 2 4 7 2 69 d d s       

dá-nos precisamente a taxa desse crescimento máximo. Note-se, porém, que a transferência de calor se dá na direcção q  T, i.e., das temperaturas mais altas para as temperaturas mais baixas. Em electrostática, por razões análogas, escreve-se

  

E , i.e., as linhas de força do campo eléctrico dirigem-se dos potenciais mais

(8)

Página 7 EXEMPLO 2

Consideremos, agora, a superfície x y z3 2 1. Comecemos por determinar o vector unitário n correspondente à respectiva normal no ponto P0

1,2, 3

. Como a direcção da normal é determinada por  (dado que o gradiente é perpendicular às superfícies

x y z, ,

0    ), tem-se 2 2 3 3 2 1 2 3 3x y z 2x y z x y   eee , 1 2 3 1 2 3 1 2 3 2 2 2 2 2 2 36 12 4 9 3 9 3 91 36 12 4 9 3 1                e e e e e e e e e n .

A equação da linha recta normal à superfície no ponto r é (com 0 vn)

 

t  0 t, 9 13 2 3 r r v v e e e . Logo, fazendo

1 2 3 0 0 0 0 0 0 0 1 0 2 0 3 , , x y z P x y z x y z       r e e e r r e e e

a equação da normal será

0 0 0 1 2 3 9 3 1 x y z x x v t x y z y y v t z z v t               .

O plano tangente, por sua vez, é o lugar geométrico dos vectores

0 0 0 1 0 2 0 3

P P P P x x y y z z

        

u e e e

que são perpendiculares ao vector v 91n9e13e2e , i.e., tais que 3

0

 

0

 

0

0 9 x x 3 y y z z 0

        

u v

pelo que a respectiva equação será

 

 

9 x 1 3 y   2 z 3 0 .

EXEMPLO 3

(9)

Página 8 0 homogéneas 0 não-homogéneas t t                    B E B D H J D

Em regime estacionário é      B t D t 0 pelo que o campo eléctrico é conservativo (pois  E 0 e, consequentemente, E  ) e a densidade de corrente eléctrica J é solenoidal (pois  H J e, consequentemente,  J 0). Note-se que – apenas em regime estacionário – é que, em rigor, Note-se podem definir tensão e corrente eléctricas pois, apenas neste caso, quer a lei das malhas quer a lei dos nós (dos circuitos) são válidas. No vácuo, sem fontes do campo (i.e,  0 e J0), tem-se

0 0 0 0          D E E B H H de forma que

2 2 0 2 0 0 0 0 2 0 t t t t t                                       H E E E E E H E E E H H 2 2 2 2 1 0 c t       E E .

Esta última equação é a equação (de d’Alembert) de propagação das ondas electromagnéticas no vácuo. Com efeito, a velocidade da luz no vácuo é

1

299 792 458 ms

c  (valor exacto, por definição) e é dada por

0 0 1 c    onde 7 1 0 4 10 H m    , de modo que

(10)

Página 9 12 1 0 2 0 1 8.854187817 10 F m c        . Analogamente, vem

2 2 2 0 0 0 0 2 t t t                               H H H H E H H E 2 2 2 2 1 0 c t       H H .

Ou seja, no vácuo verifica-se sempre

2 2 2 2 1 0 c t                E H .

Introduzindo o operador dalembertiano

2 2 2 2 2 1 c t     

a equação de d’Alembert escreve-se, então, nas duas formas alternativas

2 2 0, 0.   E H EXEMPLO 4

Consideremos o campo vectorial

  

1 2 2 2 , , 0, 0 y x x y x y      e e F .

A intensidade deste campo é constante e dada por

  

2 2 2 2 1, , 0, 0 x y x y x y      F .

Facilmente se verifica que se trata de um campo solenoidal pois

3 2 2 3 2 2 0. x y x y F x y x x y F F F x y x y y x y                  F

(11)

Página 10

Porém, este campo que não é conservativo:

1 2 3 3 2 2 2 2 0 x y x y x y z x x y y x y F F                     e e e F e 3 2 2 1 x y     F e .

O laplaciano deste campo vectorial é dado por

2 2 2 1 2 x y F F   F e   e de forma que

2 2 2 2 2 2 2 2 5 5 3 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 5 5 3 2 2 2 2 2 2 2 3 2 3 x x x y y y y y x F F x y y F x y x y x y x y x x y F F x y x F x y x y x y x y                        

2 1 2 3 2 2 y x x y      e e F .

Note-se que, como  F 0, se tem

1 2 3 2 1 2 3 2 2 2 2 1 0 0 y x x y z x y x y                e e e e e F F

o que, naturalmente, confirma o resultado anteriormente obtido. Num campo solenoidal as linhas de força são fechadas. Isto significa que não existem pontos que sejam «fontes» ou «sorvedouros» do campo. Num campo vectorial F

x y,

uma curva

 

yy x diz-se uma linha de força se, em cada ponto

x0,y0

, o vector F

x0, y0

é tangente à curva. Assim, num campo vectorial

 

x y, F x yx

 

, 1F x yy

 

, 2

F e e ,

(12)

Página 11

, , y x F x y d y d xF x y .

No exemplo em análise, vem então

2 2 1 1 2 2 d y x y d y x d x y x k d x  y        ,

onde k0 é uma constante de integração. Logo, fazendo c2 2k, obtém-se

2 2 2 xyc .

Isto mostra que as linhas de força são circunferências centradas na origem.

EXEMPLO 5

Consideremos, agora, o campo vectorial

  

1 2 2 2 , , 0, 0 x y x y x y     e e F .

Trata-se, tal como o exemplo anterior, de um campo vectorial de amplitude constante, com F 1. Notemos, para começar, que se trata de um campo irrotacional:

1 2 3 2 2 2 2 3 3 2 2 2 2 0 0 . x y y x x y z x x y y x y F F x y x y x y x y                           e e e F

Isto significa que este campo vectorial é conservativo: existe um potencial 

x y,

tal que F , i.e.,

 

 

2 2 2 2 0 2 2 , 0 x y x F x y x y y x x y y d F y y x y d y                       

2 2 0 , x y x y       .

(13)

Página 12

2 2

,

x y x y

   .

Este campo não é solenoidal:

2 2 3 3 2 2 2 2 2 2 1 y x F F y x x y x y x y x y           F . Note-se que

  

2 0           F .

Logo, como o campo não é solenoidal, as linhas de forças são abertas. Com efeito, estas satisfazem a equação diferencial

ln ln ln k d y y d y d x y y x k k y e x d x x y x x               

em que k é uma constante de integração. Mas então, introduzindo k

ce , infere-se que as linhas de força são as rectas que passam pela origem, i.e.,

yc x .

Com efeito, as equipotenciais serão as circunferências 

x y,

 a 0, i.e., tais que

2 2 2

xya .

Como o campo é irrotacional, tem-se

2 2

2 2 1 0 x y                        F F F F F

2 1 2 1 2 2 2 2 2 2 2 3 1 1 x y x x y y x y x y                e e F e e .

A origem

x y,

  

 0, 0 é o ponto onde se localiza a fonte do campo. Se, em vez deste campo, se tiver o campo

  

1 2 2 2 , , 0, 0 x y x y x y        e e G F ,

a origem corresponderia, então, a um sorvedouro de G pois

2 2 1 x y     G .

(14)

Página 13 1 2 1 2 ˆ 2 2 x y x y x y u u u u u u        e e u u e e u u .

A derivada direccional de  ao longo do vector u é então dada por



1 2 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 ˆ ˆ x y x y x y x y u u x u y u x y d d s x y u u x y u u                 e e e e u F u

um que s é a coordenada medida ao longo do eixo correspondente a u . Por exemplo, se

1 2   u e e é uˆ 

e1e2

2 e, consequentemente,

2 2

2 d x y d s x y     .

Assim, e.g., no ponto

x y,

  

 1, 1 obtém-se

 

1, 1 1

d d s

 .

O valor máximo da derivada direccional é precisamente  e corresponde a F 1

em qualquer ponto. Já a derivada direccional ao longo de u , calculada no ponto

x y,

  

 1, 0 , assume o valor

 

1 1, 0 2 d d s . EXEMPLO 6

Vamos agora comparar o rotacional dos seguintes campos vectoriais:

 

 

1 2 2 0 2 2 2 0 2 2 , , exp , exp . a b c x y y x y y v b x x v a               v e e v e v e Tem-se

(15)

Página 14 3 2 0 2 2 3 2 , 0, 2 exp . a b c x x v a a             v e v v e

O primeiro campo vectorial, v , tem um rotacional que é dirigido segundo o eixo a z: podemos imaginar que se trata de um fluido, em movimento, em que cada ponto tem, em função do tempo, as coordenadas

 

 

 

 

cos , sin . x t a t y t a t    

Assim, o campo vectorial da velocidade é, efectivamente, dado por

,

1 2 sin

 

1 cos

 

2

1 2

a d x d y x y a t t y x dt dt             v e e e e e e .

Note-se que a intensidade deste campo de velocidades é constante e dada por

2

 

2

 

, , sin cos

a a

v x yv x ya t  ta. As linhas de força deste campo v são tais que a

2 2 1 1 2 2 d y x y d y x d x y x k d x  y        2 2 2 2 2k c x y c      .

Um torniquete, formado por uma roda hidráulica com pás (i.e., um roda de palhetas), colocado em qualquer ponto do fluido irá rodar sempre com a mesma velocidade angular . Já no caso do campo de velocidades vb

 

y , em nenhum ponto o torniquete irá rodar: em qualquer ponto a velocidade do fluido dirige-se, sempre, segundo y, i.e., as linhas de força são as rectas

0 0 b v d y d x x c d x      .

Finalmente, no terceiro caso, em que se considera o campo de velocidades vc

 

x , o torniquete roda com uma velocidade angular que depende da coordenada x : apesar de a

velocidade linear estar sempre orientada ao longo do eixo y, o fluido exerce um momento angular que não é nulo e, assim, provoca a rotação de uma roda de palhetas (excepto quando x0, caso em que o momento angular se anula).

(16)

Página 15 EXEMPLO 7

Consideremos o campo vectorial

x c z1

1

c x2 3z

2

x c y c z3 4

3

      

F e e e .

Determinemos as constantes c c c1, 2, 3 ec de forma que este campo vectorial seja 4

simultaneamente irrotacional (e, portanto, conservativo) e solenoidal. Como,

1 2 3 1 2 3 y x y x z z x y z F F F F F F x y z y z z x x y F F F                          e e e F e e e 3 1 2 1 3 0 y z x y z x F F F c c c y z x F F F x z y               

c3 3

1

c1 1

2 c2 3 0   e   ee  .

Logo, se o campo é irrotacional, deverá ter-se

1 2 1 2 4 3 3 1 0 3 3 3 c c x z z x y c z c            F e e e

de modo que o campo será ainda solenoidal desde que

4 4 1 0 0 1 y x F z F F c c x y z                  F .

Ou seja, deverá ter-se:

x z

1 3z 2

x 3y z

3

     

F e e e .

Admitamos, agora, que o respectivo potencial  é tal que F  . Nestas condições, vem

 

2 2 1 , 2 1 3 3 3 2 3 3 3 x y x F x z x x z y z x F z z x x z y z z y y d F x y z x y x y z z z d z                                                   

(17)

Página 16 2 0 1 2 d z z d z         .

Portanto, deve ter-se

2 2 0 1 1 3 2x x z y z 2z         .

Admitindo, então, que o potencial é nulo em

0, 0, 0 , infere-se por fim que

1

2 2

, , 3 2 x y z z x z y x      . EXEMPLO 8

Um campo vectorial FF

x y z, ,

diz-se um campo de Beltrami se existir uma constante real 0 tal que

 

F F .

Isto significa que um campo de Beltrami é paralelo ao seu próprio rotacional. Para um certo valor próprio  , um campo de Beltrami é o campo próprio do operador rotacional. Uma definição alternativa para um campo F de Beltrami é a seguinte:

0,

  

F F

uma vez que F F 0. Note-se que, em rigor, não é necessário que  seja uma constante para que F seja um campo de Beltrami: o que é necessário, apenas, é que



F F , i.e., que se tenha F 

F

0. Comecemos por verificar que um campo de Beltrami é necessariamente solenoidal. Com efeito, no caso em que  é uma constante, vem

0

 F F .

Portanto, as linhas de força de um campo de Beltrami são fechadas. Consideremos, a título de exemplo, o campo

 

zF zx

 

1F zy

 

2

F e e .

Facilmente se verifica que

1 2 3 1 2 0 0 0 y x x y d F d F d d z d z d z F F      e e e F e e

(18)

Página 17

pelo que, para ser um campo de Beltrami, terá de verificar as condições

2 2 2 2 2 2 0 cos sin cos sin 0 y x x x x x y y y y d F d F F z z F F d z d z d F d F F z z F F d z d z                                            1 2

cos z sin z cos z sin z

                                      F e e .

Note-se que um campo de Beltrami tem um rotacional que também é um campo de Beltrami. De facto, seja G F em que F é um campo de Beltrami. Então,

1

1

  

 

          

F F G G F G G G

o que prova a afirmação.

EXEMPLO 9

São exemplos importantes de campos de Beltrami as ondas electromagnéticas com polarizações circulares ortogonais. Para uma onda (no vácuo) com PCD (polarização circular direita) o campo eléctrico escreve-se

 

 

0

 

 

1 2 0 , exp exp 2 x y z t i t E z i i k z E z E z            E E E e e de forma que

1 2 3 0 1 2 0 1 2 0 0 0 exp 2 y x x y z d E d E E d k i i k z d z d z d z E E E         e e e E e e e e 0 PCD k   EE

o que prova que, efectivamente, se trata de um campo de Beltrami. Analogamente, para uma onda com PCE (polarização circular esquerda), vem

 

 

0

 

 

1 2 0 , exp exp 2 x y z t i t E z i i k z E z E z            E E E e e e, consequentemente,

(19)

Página 18

1 2 3 0 1 2 0 1 2 0 0 0 exp 2 y x x y z d E d E E d k i i k z d z d z d z E E E          e e e E e e e e 0 PCE k   E   E . EXEMPLO 10

Consideremos, agora, o campo de Beltrami

1 2 2 1 z z     e e F .

Comecemos por notar que

1 2 3 1 2 1 2 2 2 1 0 0 1 1 0 y x x y d F d F z d d z d z d z z z F F              e e e e e F e e 2 1 1 z      F F .

Portanto, neste caso, trata-se de um campo de Beltrami F

F em que

 não é uma constante pois

2

1 z

   .

A definição geral de um campo de Beltrami F é, portanto, a de que se deve ter

0

  

F F

o que se verifica neste exemplo. O campo é, ainda neste caso, solenoidal. Com efeito, tem-se 0 y x F z F F x y z            F

e as linhas de força do campo satisfazem, no plano zz0, a equação diferencial

 

 

00 0

 

0 1 1 y x F z d y y x x c d xF z  z   z  .

No plano z0 as linhas de força correspondem a d x0, i.e., às rectas xc. Notemos que, em geral, se tem

(20)

Página 19

 

 G  G   G .

Assim, no caso geral em que  

x y z, ,

, obtém-se

1 2 3 x y z             eee .

No caso concreto deste exemplo, em que

2

1 z    , vem simplesmente 3 2 3 d z d z     e   e .

Assim, neste caso,

 

 

2 2 1 1 1 1 0 z z                          G F F G G F G F

2

1 2

3

1 2 0 1 z Fx Fy z             G e e e .

Este resultado coincide, como não podia deixar de ser, com o facto de se ter

Fx Fy 0

x y                  F F G F G . EXEMPLO 11

Consideremos, agora, a questão seguinte: em que condições é que a forma diferencial

d  F dr

corresponde a uma forma diferencial exacta? Por definição, uma forma diferencial (ou simplesmente uma diferencial) é exacta desde que F , i.e., desde que o campo vectorial F

x y z, ,

seja irrotacional ou conservativo:

1 2 3 x y z             F e e e .

Logo, em geral, para se ter uma diferencial exacta

, ,

, ,

, ,

x y z

d  F drF x y z d xF x y z d yF x y z d z

(21)

Página 20 y x x x z y y z z F F F y x x F F F y z x F F F z z y                           

uma vez que se tem

2 2 2 2 2 2 , , . y x x y z x x z z y y z                          

Isto é equivalente a dizer que  F 0. Consideremos, a título de exemplo, a forma diferencial

3

2

2

2 3 1

d  x yz d xx d yx zd z. Notando que, neste caso, se tem

1 2 3 2 2 2 2 3 2 3 2 2 3 3 2 2 6 2 3 1 z z x x z x y z x y z x x z                  e e e F e e e ,

infere-se que F não é conservativo e, consequentemente, a diferencial em causa não é exacta. Já a forma diferencial

3

2

2

2 3 1 d  x yz d xx d yx zd z, em que se tem

1 2 3 2 2 2 3 3 2 2 3 3 2 2 0 2 3 1 z z x x x y z x y z x x z                  e e e F e e ,

é uma forma diferencial exacta. Para determinar o potencial 

x y z, ,

neste caso, tem de verificar-se então

(22)

Página 21

 

 

3 2 3 2 2 2 2 2 3 2 2 2 , , 3 1 3 3 1 x y z x x y x z y z x x x y z z y y d x z x y x z z x z x z z d z                                       0 1 d z d z           .

Conclui-se, deste modo, que o potencial procurado é dado por

2 3

0

, ,

x y z x y x z z

      .

Por vezes, na literatura, uma diferencial exacta é também designada por forma diferencial de Pfaff – em memória do matemático Johann Friedrich Pfaff (1765-1825).

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