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Unida na diversidadePT
PARLAMENTO EUROPEU 2014 - 2019
Comissão da Cultura e da Educação
2014/2149(INI) 3.3.2015
PROJETO DE RELATÓRIO
Rumo a uma abordagem integrada do património cultural europeu (2014/2149(INI))Comissão da Cultura e da Educação
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PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEURumo a uma abordagem integrada do património cultural europeu (2014/2149(INI))
O Parlamento Europeu,
− Tendo em conta o Preâmbulo do Tratado da União Europeia, nomeadamente o artigo 3.º, n.º 3, que prevê que os seus signatários «inspira[m]-se no património cultural, religioso e humanista da Europa»,
− Tendo em conta o artigo 167.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE),
− Tendo em conta a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, nomeadamente o artigo 22.º,
− Tendo em conta a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela UNESCO em 20 de outubro de 2005,
− Tendo em conta o Regulamento n.º 1295/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de dezembro de 2013, que cria o Programa Europa Criativa (2014-2020) e que revoga as Decisões n.º 1718/2006/CE, n.º 1855/2006/CE e n.º 1041/2009/CE 1, − Tendo em conta o Regulamento n.º 1303/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho,
de 17 de dezembro de 2013, que estabelece disposições comuns relativas ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, ao Fundo Social Europeu, ao Fundo de Coesão, ao Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural e ao Fundo Europeu dos
Assuntos Marítimos e das Pescas e que estabelece disposições gerais relativas ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, ao Fundo Social Europeu, ao Fundo de Coesão e ao Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas e que revoga o Regulamento n.º 1083/2006 do Conselho,2
− Tendo em conta o Regulamento n.º 1301/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de dezembro de 2013, relativo ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e que estabelece disposições específicas relativas ao objetivo de investimento no
crescimento e no emprego, e que revoga o Regulamento n.º 1080/2006,3
− Tendo em conta o Regulamento n.º 1291/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de dezembro de 2013, que cria o Horizonte 2020, Programa-Quadro de
Investigação e Inovação (2014-2020) e que revoga a Decisão n.º 1982/2006/CE,4 − Tendo em conta a Diretiva do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio 1 JO L 347 de 20.12.2013, p. 221. 2 JO L 347 de 20.12.2013, p. 320. 3 JO L 347 de 20.12.2013, p. 289. 4 JO L 347 de 20.12.2013, p. 104.
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de 2014, relativa à restituição de bens culturais que tenham saído ilicitamente do território de um Estado-Membro e que altera o Regulamento (UE) n.º 1024/2012 (reformulação),1
− Tendo em conta a Convenção-Quadro do Conselho da Europa relativa ao Valor do Património Cultural para a Sociedade (Convenção de Faro), de 13 de outubro de 2005,2 − Tendo em conta as Conclusões do Conselho, de 21 de maio de 2014, sobre o património
cultural como recurso estratégico para uma Europa sustentável,3
− Tendo em conta as Conclusões do Conselho, de 25 de novembro de 2014, sobre a governação participativa do património cultural e o Plano de Trabalho para a Cultura (2015-2018),4
− Tendo em conta a Recomendação 2011/711/UE da Comissão, de 27 de outubro de 2011, sobre a digitalização e a acessibilidade em linha de material cultural e a preservação digital,5
− Tendo em conta a Comunicação da Comissão, de 26 de novembro de 2014, intitulada «Um Plano de Investimento para a Europa» (COM(2014)0903),
− Tendo em conta a Comunicação da Comissão, de 22 de julho de 2014, intitulada «Rumo a uma abordagem integrada do património cultural europeu» (COM(2014)0477),
− Tendo em conta o parecer do Comité das Regiões, de novembro de 2014, sobre a Comunicação da Comissão «Rumo a uma abordagem integrada do património cultural europeu»,
− Tendo em conta o artigo 52.º do seu Regimento,
− Tendo em conta o relatório da Comissão da Cultura e da Educação e os pareceres da Comissão dos Transportes e do Turismo e da Comissão do Desenvolvimento Regional (A8-0000/2015),
A. Considerando que a cultura é um recurso comum e um bem comum, e que todo o seu potencial em prol do desenvolvimento económico está ainda por reconhecer;
B. Considerando que o património cultural é, além da política cultural, transversal a várias políticas públicas, tais como as relativas ao desenvolvimento regional, coesão social, agricultura, assuntos marítimos, ambiente, turismo, educação, agenda digital, relações externas, cooperação aduaneira e investigação e inovação;
C. Considerando que os recursos do património constituem ativos a longo prazo que
1
JO L 159 de 28.5.2014, p. 1. 2
Adotada pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa em 13 de outubro de 2005, aberta à assinatura pelos Estados-Membros em Faro (Portugal), em 27 de outubro do mesmo ano e em vigor desde 1 de junho de 2011. 3
JO C 183 de 14.6.2014, p. 36. 4
Ainda não publicadas em JO. 5 JO L 283 de 29.10.2011, p. 39.
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contribuem para o desenvolvimento de competências e a criação de postos de trabalhopermanentes;
D. Considerando que as políticas de manutenção, restauro, acessibilidade e exploração do património cultural constituam, antes de mais, responsabilidades nacionais ou locais, mas que o património cultural é, não obstante, diretamente abordado em várias políticas da UE, incluindo as relativas à agricultura e à investigação e inovação;
E. Considerando que o artigo 167.º do TFUE prevê que a ação da União contribuirá para o desenvolvimento das culturas dos Estados-Membros, respeitando a sua diversidade nacional e regional, «e pondo simultaneamente em evidência o património cultural comum»;
F. Considerando que o artigo 167.º do TFUE estabelece que a ação da União tem por objetivo incentivar a cooperação entre Estados-Membros e, se necessário, apoiar e completar a sua ação no domínio da conservação e salvaguarda do património cultural de importância europeia;
G. Considerando que o Plano de Trabalho para a Cultura adotado pelo Conselho, em 25 de novembro de 2014, inclui o património como uma das quatro prioridades do trabalho da UE no domínio da cultura para o período de 2015-2018;
H. Considerando que a informação sobre as oportunidades de financiamento, através dos programas da UE, em domínios relacionados com o património cultural – tais como o desenvolvimento local e regional, a cooperação cultural, a investigação, a educação, o apoio às PME e o turismo – existe, mas está fragmentada;
I. Considerando que a Carta Internacional sobre a Conservação e o Restauro de Monumentos e Sítios (Carta de Veneza) e a Convenção para a Salvaguarda do Património Arquitetónico da Europa (Convenção de Granada) definem claramente normas internacionalmente reconhecidas em matéria de restauro do património cultural;1
J. Considerando que importa reforçar o valor cultural e turístico dos itinerários culturais do Conselho da Europa para a promoção de um património cultural europeu comum; Abordagem integrada
1. Considera que é de suma importância utilizar os recursos disponíveis para apoiar, valorizar e promover o património cultural com base numa abordagem integrada e global, tendo em conta as componentes de natureza cultural, económica, social, ambiental e científica;
2. Dirige, no contexto do desenvolvimento da nova abordagem integrada do património cultural, as seguintes recomendações à Comissão:
1
Carta de Veneza, adotada pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios) em 1965, e Convenção de Granada, adotada pelo Conselho da Europa, em 1985.
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a) Em sintonia com os atuais métodos de trabalho de Comissão tendo em vista um trabalho transetorial e flexível, estabelecer uma abordagem comum no seio da Comissão mediante o reforço da cooperação entre os diferentes domínios políticos relacionados com o património cultural; apresentar um relatório ao Parlamento sobre os resultados desta cooperação mais estreita;
b) Comunicar aos beneficiários potenciais, de forma acessível, as linhas de financiamento europeu existentes para o património cultural;
c) Instituir, no futuro próximo, o Ano Europeu do Património Cultural, com um orçamento adequado;
Financiamento europeu em prol do património cultural
3. Regista o empenho da União na preservação e valorização do património cultural europeu, através de vários programas («Europa Criativa», «Horizonte 2020», «Erasmus+», «Europa para os Cidadãos»), de financiamento (Fundos Europeus Estruturais e de Investimento) e de ações como as Capitais Europeias da Cultura, as Jornadas Europeias do Património e a Marca do Património Europeu;
4. Convida a Comissão a:
a) Criar um portal único da UE dedicado ao património cultural, reunindo informações de todos os programas de financiamento da UE orientados para património cultural e estruturado em três partes principais, nomeadamente, oportunidades de financiamento para o património cultural, uma base de dados com exemplos de melhores práticas e de excelência no domínio do património cultural e referências pertinentes, e notícias e hiperligações relacionadas com desenvolvimentos, ações e eventos inscritos em políticas no domínio do património cultural;
b) Reforçar o recém-instituído princípio do plurifinanciamento, que permite a utilização complementar de diversos fundos europeus no âmbito de um mesmo grande projeto; c) Adaptar os requisitos de calendarização da gestão de projetos no âmbito dos Fundos Estruturais, de modo a acomodar melhor os requisitos específicos de conservação e preservação dos projetos;
d) Reconsiderar o valor de referência de 5 milhões de euros associado aos projetos no domínio do património cultural apresentados no âmbito de ações de investimento em infraestruturas de pequena escala1;
5. Insta a Comissão a incluir um sistema obrigatório de controlo de qualidade, a aplicar ao longo do ciclo de vida do projeto, nas orientações que regem a próxima geração de Fundos Estruturais para o património cultural;
1
Ver: Artigo 3.º, n.º 1, alínea e), do Regulamento (UE) n.º 1301/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de dezembro de 2013, relativo ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e que estabelece disposições específicas relativas ao objetivo de investimento no crescimento e no emprego, e que revoga o Regulamento (CE) n.º 1080/2006.
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6. Realça o papel dos Estados-Membros no sentido de assegurar um controlo de qualidadeadequado e a existência de mão de obra qualificada nos sítios em que se proceda ao restauro de património, em conformidade com as cartas internacionais;
7. Convida os Estados-Membros a equacionarem a introdução de incentivos fiscais em benefício dos trabalhos de restauro, por exemplo, a redução do IVA;
8. Insta os Estados-Membros a realizarem o intercâmbio de melhores práticas em termos de políticas orçamentais, com o objetivo de maximizar o incentivo do apoio privado a projetos relacionados com o património cultural;
Novos modelos de governação
9. Congratula-se com a iniciativa do Conselho de elaborar orientações para os novos modelos de governação participativa no domínio do património cultural;
10. Solicita aos Estados-Membros que garantam o desenvolvimento de instrumentos jurídicos que permitam modelos de financiamento e de administração alternativos, tais como o envolvimento das comunidades, a participação da sociedade civil e as parcerias público-privadas, com vista à execução de ações relacionadas com a preservação e promoção do património cultural;
11. Salienta a necessidade de os novos modelos de governação incluírem um sistema de controlo de qualidade em todas as formas alternativas de financiamento e administração de sítios de património cultural;
O potencial económico do património cultural
12. Observa que o património cultural pode contribuir para a criação de postos de trabalho, produtos, serviços e processos inovadores e ser uma fonte de ideias criativas,
impulsionadoras da nova economia e com um impacto ambiental reduzido;
13. Reconhece que o património cultural desempenha um papel fundamental em várias das iniciativas emblemáticas da estratégia Europa 2020, tais como a «Agenda Digital», a «União da Inovação» e a «Agenda para Novas Competências e Empregos»;
14. Observa que o domínio do património cultural tem a capacidade de criar postos de trabalho altamente qualificados;
15. Incentiva os Estados-Membros a trabalharem em conjunto com as autoridades locais e regionais, com vista a maximizar o valor do património cultural na nossa sociedade e o seu contributo para o crescimento e o emprego na UE;
16. Afirma a necessidade premente de conferir ao património cultural um lugar claro no Plano de Investimento para a Europa da Comissão;
17. Chama a atenção para a necessidade de melhorar o quadro metodológico, com vista a obter melhores estatísticas sobre o domínio do património cultural;
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o património cultural é um domínio com potencial para a criação de novos postos de trabalho e no qual é possível assegurar a transição da educação para a vida ativa, por exemplo, através do desenvolvimento de aprendizagens e estágios de qualidade; 19. Convida os Estados-Membros a efetuarem um planeamento estratégico dos projetos
relacionados com o património cultural passíveis de levar ao desenvolvimento regional em geral, à criação de novos postos de trabalho e à preservação de competências tradicionais associadas ao restauro do património cultural;
20. Chama a atenção para a necessidade de promover oportunidades de mobilidade para as pessoas que trabalham no setor do património cultural;
Oportunidades e desafios
21. Destaca o potencial da digitalização do património cultural, como instrumento quer de preservação do nosso passado quer de geração de oportunidades de investigação, postos de trabalho e desenvolvimento económico;
22. Reitera o importante contributo do património cultural para as indústrias culturais e criativas;
23. Chama a atenção para as ameaças surgidas com as alterações climáticas, as quais afetam um número importante de sítios na União Europeia;
24. Salienta o papel desempenhado pelo património cultural nas relações externas da União, no âmbito do diálogo político e da cooperação com os países terceiros;
25. Encarrega o seu Presidente de apresentar a presente resolução ao Conselho, à Comissão e aos governos e parlamentos dos Estados-Membros.
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EXPOSIÇÃO DE MOTIVOSNão existe uma definição única do termo «património cultural», mas sim várias definições formais que é necessário interpretar no contexto em que foram formuladas. Para os fins do presente relatório, entende-se por «património cultural» o património cultural material (mobiliário, imobiliário e subaquático), o património cultural imaterial (tradições orais, artes do espetáculo, rituais) e o património cultural digital.
Por um lado, o presente relatório baseou-se nos mais recentes documentos políticos em matéria de património cultural1 e resume os principais pontos do debate público sobre o tema. Por outro, o relatório teve em consideração as conclusões da audiência pública «An integrated approach to cultural heritage in Europe: State of play and perspectives» («Uma abordagem integrada do património cultural na Europa: Ponto de situação e perspetivas»), organizada pela Comissão CULT em 2 de dezembro de 2014. O relatório recolheu ainda contributos do setor e de partes interessadas para identificar os principais desafios que se colocam neste domínio e apresentar propostas concretas para os enfrentar.
A. Uma abordagem integrada do património cultural posta em prática Tanto a comunicação da Comissão Europeia como as conclusões das duas últimas
presidências do Conselho indicam a necessidade de uma abordagem integrada no domínio do património cultural. Porém, há ainda medidas práticas por tomar para que esta recomendação se concretize.
A nível das instituições europeias, importa observar que as matérias relacionadas com o património cultural se inserem nas competências de várias direções-gerais da Comissão Europeia. Deste modo, o seu trabalho é complementar, donde a necessidade imperiosa de reforçarem a cooperação entre si neste domínio e de coordenarem as suas atividades que envolvam ou afetem o património cultural.
Além disso, há fundos europeus disponíveis para o património cultural ao abrigo de diversos programas da UE. Só para citar alguns: programa «Europa Criativa», programa
«Horizonte 2020», Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural, etc. Embora todas as informações relativas a estas oportunidades de financiamento estejam publicamente disponíveis, encontram-se dispersas por inúmeros sítios Web, apresentadas de forma bastante tecnocrática e traduzidas apenas em algumas das línguas oficiais da UE. Por conseguinte, importa garantir uma melhor comunicação desta informação junto dos beneficiários potenciais. Nesse sentido, o presente relatório apela à criação de um portal único da UE dedicado ao património cultural, agregando informações de todos os programas da UE destinados ao financiamento do património cultural e estruturado
1
A Comunicação da Comissão, de 22 de julho de 2014, «Rumo a uma abordagem integrada do património cultural europeu» (COM(2014)0477 final), as Conclusões do Conselho, de 21 de maio de 2014, sobre «O património cultural como recurso estratégico para uma Europa sustentável», as Conclusões do Conselho, de 12 de novembro de 2014, sobre a «Governação participativa do património cultural» e o parecer do Comité das Regiões, de novembro de 2014, sobre a Comunicação da Comissão «Rumo a uma abordagem integrada do património cultural europeu».
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em três partes principais: oportunidades de financiamento para o património cultural, uma base de dados com exemplos de melhores práticas e de excelência no domínio do património cultural e referências pertinentes, e notícias e hiperligações relacionadas com
desenvolvimentos, ações e eventos inscritos em políticas no domínio do património cultural. A instituição do Ano Europeu do Património Cultural podia materializar na perfeição este empenho renovado da UE no domínio do património cultural. Com o devido planeamento, esta iniciativa poderia impulsionar o setor do património cultural e revelar o seu grande potencial. Mas, para fazer a diferença, a iniciativa do Ano Europeu do Património Cultural necessitaria de um orçamento adequado e as atividades organizadas no seu âmbito teriam de se multiplicar nos Estados-Membros.
B. Transformar os desafios que se deparam ao setor em novas oportunidades Durante a fase de consulta para a elaboração do presente relatório, as partes interessadas a atuar no terreno, profissionais na área do património e outros peritos em património cultural apontaram uma série de problemas específicos. Consequentemente, o relatório visa propor várias soluções possíveis para vencer os principais obstáculos que, presentemente, impedem que o setor do património cultural atinja todo o seu potencial.
Como sempre, muitos desses problemas prendem-se com o financiamento e, mais
especificamente, com os Fundos Estruturais afetados a projetos de desenvolvimento regional que incluem sítios de património cultural. Em alguns destes casos, não foi dada atenção suficiente à qualidade dos trabalhos de restauro, o que levou a uma perda do valor cultural do sítio patrimonial. Assim, é necessário um enfoque bastante maior na qualidade do projeto de restauro, bem como na necessidade de dispor de mão de obra qualificada para executar este tipo de projetos e de um mecanismo geral de controlo de qualidade para prevenir perdas irremediáveis. Estas medidas devem conformar-se com as normas internacionalmente reconhecidas em matéria de trabalhos de restauro, expressas na Carta de Veneza e na Convenção para a Salvaguarda do Património Arquitetónico da Europa (Convenção de Granada). Atendendo às solicitações dos Estados-Membros e às previsões de custos inerentes a um projeto de restauro devidamente executado, o relatório insta igualmente a Comissão a reconsiderar o limite máximo de 5 milhões de euros para projetos de «investimento em infraestruturas de pequena escala».
Outra proposta importante do presente relatório passa pelo desenvolvimento de instrumentos jurídicos que permitam modelos de governação alternativos. É agora reconhecido que precisamos de envolver melhor as comunidades locais, a sociedade civil e o setor privado na preservação e na promoção de atividades relacionadas com o património cultural. Existem já na UE muitos exemplos de iniciativas altamente eficazes de envolvimento das comunidades ou de parcerias público-privadas, mas nem todos os Estados-Membros dispõem de um quadro legislativo que englobe tais modelos alternativos. Assim, o relatório preconiza a ideia de se aprofundar a exploração da governação participativa, desde que seja criado um mecanismo de controlo de qualidade a todos os níveis e que os Estados-Membros assegurem a instituição dos instrumentos jurídicos necessários.
De igual modo, importa dar especial atenção à questão da digitalização do património cultural. Embora seja meramente instrumental, a digitalização ajuda a preservar o nosso
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passado e pode dar origem a muitas oportunidades de investigação, criação de emprego edesenvolvimento económico.
O relatório formula ainda recomendações específicas em matéria de formação, competências e mobilidade dos profissionais da área do património cultural e acesso ao mercado de trabalho cultural por parte dos jovens profissionais deste setor.
C. O potencial económico do património cultural
Se bem que os termos «cultura» e «economia» se insiram, aparentemente, em duas esferas totalmente distintas, a verdade é que o domínio do património cultural tem um enorme potencial económico.
No entanto, não parece estar entre as prioridades das políticas públicas europeias, dado que nem a estratégia Europa 2020 nem o recente Plano de Investimento para a Europa (Plano Juncker) aludem claramente à cultura, muito menos ao património cultural. É mais do que tempo de colocarmos a cultura no topo da agenda política e avaliarmos o seu verdadeiro valor em termos de crescimento económico e emprego. Além da priorização política, necessitamos de estatísticas fiáveis que abarquem o vasto espetro de competências e funções relacionadas com a cultura em geral e o património cultural em particular. Neste momento, isso não acontece, pois os sistemas tradicionais de recolha de dados apenas consideram parte dessas competências e funções. Por este motivo, o relatório solicita a aplicação de um quadro mais amplo às estatísticas relacionadas com a cultura.
D. O património cultural noutros domínios políticos
São vários os domínios políticos que incluem aspetos relacionados com o património cultural, facto que temos de considerar para desenvolver uma abordagem verdadeiramente integrada. Por exemplo, o património cultural proporciona um excelente ambiente para a investigação científica no domínio do restauro e da preservação e, potencialmente, poderia funcionar como «incubador de inovação», tirando partido das oportunidades de financiamento de que dispõe. Os sítios de património cultural podem também servir de «motor» do desenvolvimento regional e do turismo. Há inúmeros casos que o exemplificam por toda a Europa, pelo que o relator incentiva os Estados-Membros que ainda não «exploram» na plenitude o potencial dos seus sítios patrimoniais a fazê-lo, de forma responsável, com vista a estimular a economia local e a aumentar a atratividade global da região.
Além disso, a cultura tem de desempenhar um papel mais importante nas relações externas da UE. A cultura é um dos maiores ativos da Europa e existe ainda muita margem de manobra para melhorar as políticas e programas atuais.
Conclusão
O património cultural é o testemunho silencioso dos séculos de história, criatividade e lutas na Europa. É um dos pilares da cultura europeia e o nosso legado comum às gerações futuras. Assim, qualquer política pública no domínio do património cultural deve ter em conta duas
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perspetivas: a de que o património cultural pode ser uma fonte importante de emprego e rendimentos, ambos aspetos cruciais a ter presente na atual conjuntura económica, e a de que o principal valor do património cultural continua a residir no seu valor cultural. Uma
estratégia integrada ideal em matéria de património cultural deve ter em conta estas duas faces da mesma moeda, bem como conjugar as necessidades imediatas de crescimento e emprego com a consciência de que o património cultural é um recurso a longo prazo que carece de um plano de desenvolvimento sustentável.