Comunidade de Papilionoidea Hesperioidea (Lepidoptera) e plantas do Parque Nacional do Catimbau, PE: Composição, Sazonalidade e Diversidade
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(2) Carlos Eduardo B. Nobre de Almeida . Comunidade de Papilionoidea – Hesperioidea (Lepidoptera) e plantas do Parque Nacional do Catimbau, PE: Composição, Sazonalidade e Diversidade . Orientador: Prof. Dr. Clemens Schlindwein. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Biologia Animal da Universidade Federal de Pernambuco, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Ciências Biológicas na área de Biologia Animal. . Recife 2007.
(3) Almeida, Carlos Eduardo B. Nobre de Comunidade de Papilionoidea – Hesperioidea (Lepidoptera)e plantas do Parque Nacional do Catimbau, PE: composição, sazonalidade e diversidade / Carlos Eduardo B. Nobre de Almeida. – Recife: O Autor, 2007. vi, 67 folhas : il., fig., tab. Dissertação (mestrado) – Universidade Pernambuco. CCB. Biologia Animal, 2007.. Federal. de. Inclui bibliografia. 1. Lepidoptera 2. Borboleta – Fauna – Parque Nacional do Catimbau 3. Plantas – Parque Nacional do Catimbau 4. Insetofauna I. Título.. 595.78 595.78. CDU (2.ed.) CDD (22.ed.). UFPE CCB – 2007-060.
(4) Data de Aprovação: 26.02.2007 Recife, 2007 .
(5) Agradecimentos À minha família e à Georgia Guimarães pelo apoio, carinho e compreensão. A Clemens Schlindwein, que aceitou trabalhar com um grupo fora de sua especialidade, o que não o impediu de ser um grande mestre. Obrigado pelo incentivo e conversas estimulantes ao longo desses dois anos de convívio. A João da Silva, guia e amigo, sem o qual meu trabalho teria sido muito mais difícil e à Dona Maria pelas conversas e excelentes jantares‐almoço no final de cada dia de trabalho no Catimbau. Aos Drs. Olaf Mielke, Mirna Casagrande, André Victor Freitas, Keith Brown Jr, Curtis Callaghan, Marcelo Duarte e Alfred Moser pela identificação das borboletas. Em especial ao professor Mielke e a André Freitas pelo incentivo e por terem me propiciado grande aprendizado sobre o grupo. A Marcondes Oliveira e o pessoal do Herbário Geraldo Mariz – UFP, Raquel Pick e Débora Coelho pelo auxílio e identificação de grande parte das plantas. Aos integrantes do grupo de trabalho Plebeia pela ajuda prestada tanto em campo como no laboratório, em especial a Carlos Eduardo Pinto, Artur Maia, Airton Torres, Paulo Milet, Fábia Andrade, Maise Santos e Raquel Pick. À professora e grande amiga Luciana Iannuzzi por ter me “iniciado” na pesquisa dos insetos e pelo apoio, fofocas e brincadeiras durante toda minha vida acadêmica. Ainda, aos integrantes do seu grupo de trabalho, Carolina Liberal e Bruno Filgueiras. À professora Maria Eduarda Larrazábal, sempre pronta a ajudar, pelo carinho e orientações Ao pequeno mas extraordinário grupo de amigos que contribuíram direta ou indiretamente com este trabalho: Artur Maia, Filipe Sotero, Bruno Arrais, Ivo Frazão, Gustavo Oliveira e aos Três Irmãos. Ao Ibama pela concessão de autorização de coleta. Ao Projeto de Pesquisa em Biodiversidade do Semi‐árido (PPBIO) e à fundação O Boticário pelo apoio financeiro. A CAPES pela bolsa concedida na vigência do Mestrado. . I.
(6) Resumo O Parque Nacional do Catimbau está inserido no semi‐árido nordestino, onde pouco se conhece a respeito da fauna de lepidópteros. Entre setembro/2005 e agosto/2006 foi realizado um levantamento das borboletas residentes no Parque, dividido em duas etapas, cada qual com objetivos distintos. A primeira consistiu no levantamento de borboletas nectarívoras e das plantas visitadas, para caracterizar a estrutura dessa comunidade, assim como determinar possíveis estruturas morfológicas voltadas à polinização. A segunda etapa teve como objetivo conhecer a diversidade e sazonalidade das borboletas frugívoras, através do uso padronizado de armadilhas com iscas. No total, 120 espécies de borboletas foram registradas para o Parque, entre as quais, 79 em visita a plantas nectaríferas de 43 espécies e 15 atraídas às armadilhas. As quatro espécies mais abundantes de borboletas frugívoras representaram 84% do total de indivíduos dessa guilda. Correlações significativas foram verificadas entre a abundância de frugívoras e a precipitação anual, a riqueza de espécies e a temperatura média mensal. Um padrão altamente sazonal da comunidade de borboletas frugívoras foi estabelecido, ditado pela disponibilidade de recursos para adultos e larvas. As borboletas nectarívoras mostraram um alto grau de sobreposição de uso de recurso e amplo espectro de visitas, mas uma preferência a plantas arbustivas com flores pequenas e claras que são comuns na paisagem local foi estabelecida. Apenas Lantana spp. apresentaram características típicas de psicofilia. As partes do corpo de maior deposição de pólen foram as peças bucais e regiões de grande deposição foram encontradas em Lycaenidae e Hesperiidae . II.
(7) Sumário Agradecimentos ................................................................................................................................. I Resumo ............................................................................................................................................... II Lista de figuras .................................................................................................................................. V Lista de tabelas .................................................................................................................................. VI Apresentação ...................................................................................................................................... 1 Revisão da Literatura ....................................................................................................................... 2 Objetivos . . Objetivo geral ............................................................................................................................. 4 Objetivos específicos ................................................................................................................ 4 Referências bibliográficas ............................................................................................................... 5 CAPÍTULO 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea) do Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, Brasil . . Resumo ......................................................................................................................................... 9 Abstract ........................................................................................................................................ 10 Introdução ................................................................................................................................... 11 Materiais e Métodos . . Área de Estudo ..................................................................................................................... 11 Coletas ................................................................................................................................... 11 Resultados ................................................................................................................................... 13 Discussão ..................................................................................................................................... 18 Referências bibliográficas ........................................................................................................ 20 CAPÍTULO 2. Comunidade de borboletas nectarívoras e plantas relacionadas do Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, Brasil. . . Resumo ......................................................................................................................................... 24 Abstract ........................................................................................................................................ 25 Introdução ................................................................................................................................... 26 Materiais e Métodos . . Área de estudo ...................................................................................................................... 27 III.
(8) Metodologia .......................................................................................................................... 27 Resultados . . Interações Borboletas‐Plantas.............................................................................................. 28 Deposição de Pólen............................................................................................................... 36 Discussão ..................................................................................................................................... 38 Referências bibliográficas ........................................................................................................ 42 CAPÍTULO 3. Seasonal and diversity patterns of fruit‐feeding butterflies (Lepidoptera, Nymphalidae) in the Catimbau National Park, a Brazilian semi‐arid area . . Resumo ......................................................................................................................................... 49 Abstract ........................................................................................................................................ 50 Introduction ................................................................................................................................ 51 Matherials and Methods . . Study Area ............................................................................................................................. 52 Sampling Procedures ........................................................................................................... 53 Sample and Statystical Analyses ........................................................................................ 54 Results .......................................................................................................................................... 54 Discussion ................................................................................................................................... 58 References.................................................................................................................................... 63 . IV.
(9) Lista de figuras Capítulo 1 . . Figura 1. Aspectos do Parque Nacional do Catimbau. a‐b: Vistas panorâmicas (...) ........................ 12 Figura 2. Composição taxonômica das borboletas do Parque Nacional do Catimbau (...) .............. 13 . Capítulo 2 . . Figura 1. Número de espécies de borboletas que visitaram as 6 espécies de plantas mais procuradas, incluindo proporções de cada família de borboletas ......................................... 28 . Figura 2. Plantas mais visitadas e seus visitantes. a: Leptotes cassius em Mimosa (...) ....................... 29 Figura 3. Proporção de espécies de borboletas em relação à quantidade de espécies de plantas visitadas ......................................................................................................................................... Figura 4. . Proporção de espécies de plantas em relação à quantidade de espécies de borboletas visitantes ......................................................................................................................................... 30 . 30 . Figura 5. Proporções das espécies de plantas visitadas pelas borboletas quanto à forma de vida. 34 . Figura 6. Proporções das espécies de plantas visitadas pelas borboletas quanto à simetria floral. 35 . Figura 7. Proporções das espécies de plantas visitadas pelas borboletas quanto ao tipo floral...... 35 . Figura 8. Proporções das espécies de plantas visitadas pelas borboletas quanto à cor (...).............. 35 . Figura 9. Locais de deposição de pólen nas borboletas. a: Total; b: Por família .............................. 36 Figura 10. Fotografias ao microscópio estereoscópio de grãos de pólen depositados nas borboletas (...)................................................................................................................................ . Capítulo 3 . 37 . . Figure 1. Figure 1. a: General aspect of Catimbau National Park; b: characteristic (...) ................... 52 Figure 2. Percentages of the six most abundant fruit feeding species recorded (...) ......................... 56 Figure 3. Seasonal variation of total abundance, Fontainea halice moretta abundance and 56 precipitation during the sampling period (...) ………………………………......................... Figure 4. Accumulated number of species recorded from September/2005 to August/2006 …...... 57 Figure 5. Abundance in the rainy / dry seasons and total abundance of the five sample units ..... 58 . V.
(10) Lista de tabelas Capítulo 1 . . Tabela 1. Espécies de borboletas registradas no Parque Nacional do Catimbau do Catimbau (...) 11 . Capítulo 2 . . Tabela 1. Composição da fauna de borboletas visitantes florais e plantas nectaríferas (...) ............ 31 . Tabela 2. Principais borboletas visitantes florais e plantas visitadas por elas(...) ............................. 31 . Tabela 3. Espécies de borboletas visitantes florais e plantas visitadas (...) ........................................ 32 . Capítulo 3 . . Table 1. Fruit feeding butterflies sampled in Catimbau National Park (...) ....................................... 55 Table 2. Pearson’s linear correlation coefficients between each of the five most abundant species (...) .................................................................................................................................................... . 56 . Table 3. Richness values and Diversity indexes of the five Sample Units …..................................... 58 . Table 4. Surveys of fruit feeding butterflies in Central and South America (...) ............................... 59 . . VI.
(11) Apresentação O presente estudo é o resultado de um ano de coletas realizadas no Parque Nacional do Catimbau, conhecido localmente como Vale do Catimbau. Em sua essência, é um levantamento da fauna de borboletas que se aprofunda em questões relacionadas aos hábitos alimentares e variação temporal desses insetos na fase adulta. Portanto, ainda permanecem desconhecidas localmente as interações entre as suas larvas e plantas hospedeiras. A dissertação está dividida em três capítulos organizados em forma de artigos a serem enviados a periódicos científicos. A formatação foi padronizada e baseia‐se nas normas da revista Ecological Entomology. O primeiro capítulo: ‘As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea) do Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, Brasil’ é o levantamento propriamente dito, onde é apresentada de maneira geral, a composição taxonômica e a sazonalidade do grupo, estudadas mais detalhadamente nos capítulos seguintes. O manuscrito deste capítulo foi submetido ao periódico Zootaxa. O segundo capítulo: ‘Comunidade de borboletas nectarívoras e plantas relacionadas do Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, Brasil’ destaca a estrutura da comunidade das borboletas que possuem o néctar como principal fonte energética, o padrão de utilização das plantas nectaríferas utilizadas pelos adultos e a deposição de pólen no seu corpo. O manuscrito deste capítulo será submetido ao periódico Insect‐Plant Interactions. O terceiro capítulo: ‘Seasonal and diversity patterns of fruit‐feeding butterflies (Lepidoptera, Nymphalidae) in the Catimbau National Park, a Brazilian semi‐arid area’ foi escrito em inglês e formatado de acordo com as normas do periódico ‘Ecological Entomology’ ao qual será submetido. Este aborda a variação sazonal e a diversidade das borboletas incluídas na guilda trófica dos frugívoros, através da utilização de metodologia de coleta padronizada durante o ano de estudo. . 1.
(12) Introdução Geral As superfamílias Papilionoidea e Hesperioidea As borboletas constituem uma pequena fração dentro da ordem Lepidoptera, a segunda maior do reino animal, a qual possui cerca de 150.000 espécies registradas. Estão representadas pelas superfamílias de Macrolepidoptera: Hesperioidea (Hesperiidae) e Papilionoidea (Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae e Riodinidae) (Kristensen & Skalski 1999). Características marcantes são as antenas clavadas e hábitos diurnos para a maioria das espécies. Apesar das ‘apenas’ 18.000 espécies conhecidas, estão entre os artrópodes mais bem estudados do planeta e formam um grupo de taxonomia e sistemática relativamente bem resolvidas em comparação com outros insetos. Isto se deve provavelmente às asas cobertas de escamas que formam padrões espetaculares de cores e formatos, o que desperta interesse de leigos e naturalistas há tempos (Grimaldi & Engel 2005). Para o Brasil, Brown (1996) estima cerca de 3.300 espécies de borboletas. A sua fauna encontra‐se bem documentada para os principais ecossistemas do país (Brown & Mielke 1967a, 1967b, ver Brown 1996, Brown & Freitas 2000, Emery et al. 2006), à exceção da Caatinga. Interações Lepidoptera‐Plantas Os lepidópteros constituem o maior grupo de insetos herbívoros (Grimaldi & Engel 2005). Durante a fase larval, a grande maioria das espécies utiliza algum tecido vegetal como fonte alimentar e devido a isto, diversos são os casos de pragas de cultivares (Costa Lima 1923). Quando adultos utilizam néctar, pólen, líquidos de frutos e exudatos de plantas como recurso energético. Outros alimentos adicionais são excrementos e carniça (DeVries, 1983, 1987). As borboletas adultas são divididas em duas principais guildas tróficas, de acordo com o tipo principal de alimento utilizado, como frugívoras ou nectaríferas (DeVries 1987). O primeiro grupo, formado pelos Nymphalidae das subfamílias Charaxinae, Biblidinae, Morphinae, Satyrinae e Nymphalinae – Coeini, vem sendo bastante utilizado em estudos biogeográficos, ecológicos e conservacionistas, devido à possibilidade de coletas padronizadas através da aplicação de armadilhas com iscas (Daily & Ehrlich 1995, DeVries et al. 1997, Hughes et al. 1998, Shahabuddin & Terborgh 1999, DeVries & Walla 2001, Uehara‐Prado 2005, 2007). Fazem parte do segundo grupo, todas as outras subfamílias de Nymphalidae e demais famílias. Apesar de possuírem outras fontes de alimento, a principal é o néctar floral. Devido a este fato, diversas espécies de borboletas podem desempenhar importante função como polinizadores (Scoble 1992). . 2.
(13) Dada a importância da fertilização cruzada, Richards (1997) ressalta que todos os aspectos reprodutivos das angiospermas zoófilas (polinizadas por animais) estão relacionados à necessidade de obtenção de polinizadores adequados. Dessa maneira, o aparecimento de estruturas florais como pétalas e nectários em angiospermas, reflete essa necessidade (Endress, 1996). O processo co‐evolutivo entre flores e polinizadores resultou numa grande diversidade de síndromes florais, nas quais gêneros e espécies de uma mesma família podem exibir diferentes estratégias de polinização ligadas a um ou mais tipos de polinizadores (Richards, 1997). A fusão de componentes do perianto (conjunto de estruturas estéreis que envolvem os órgãos férteis da flor) é característica marcante em flores polinizadas por insetos de glossas e probóscides longas, como borboletas e mariposas (Herrera, 1996; Proctor et al, 1996). Esses animais estão associados a flores hipocrateriformes e tubulares (Faegri e Van der Pijl 1971), geralmente possuindo odor adocicado ou fresco (Proctor et al, 1996). Flores polinizadas por mariposas e borboletas diferem na cor, horário de antese e intensidade de perfumes florais. Aquelas polinizadas por mariposas (esfingófilas) são brancas ou pálidas, possuem antese noturna e cheiro bastante forte, enquanto que as flores polinizadas por borboletas (psicófilas) são caracterizadas por apresentarem um amplo espectro de cores, antese diurna, perfume delicado e plataforma de pouso (Faegri & van der Pijl, 1971; DeVries, 1983; Proctor et al, 1996). Algumas espécies ou gêneros vegetais são bem conhecidos pelas adaptações voltadas à polinização por borboletas, como Primula (Tremaye & Richards 1993), Caesalpina pulcherrima L. (Cruden & Hermann‐Parker 1979), Dianthus (Jennersten 1984, Erhardt 1990) Lantana (Barrows 1976), Hirtella (Arista et al. 1997) e Lippia (Gottsberger & Siberbauer‐ Gottsberger 2006). Até o momento, são desconhecidas plantas que possuem flores com estreita relação com borboletas na Caatinga. . 3.
(14) Objetivos Geral Conhecer as interações entre as comunidades de borboletas e plantas do Parque Nacional do Catimbau e ampliar o conhecimento da lepidopterofauna do semi‐árido brasileiro. Específicos ‐ Levantar a fauna de borboletas do Parque; ‐ Determinar a estrutura e composição da comunidade de borboletas nectarívoras e plantas do Parque; ‐ Caracterizar a comunidade de borboletas frugívoras do parque e identificar os efeitos sazonais sobre sua riqueza, abundância e diversidade. . 4.
(15) Referências Bibliográficas Arista, M., Oliveira, P. E. de, Gibbs, P. E. & Talavera, S. (1997) Pollination and breeding system of two co‐occurring Hirtella species (Chrysobalanaceae) in Central Brazil. Botanica Acta, 110, 496‐502. Barrows, E. M. 1976. Nectar robbing and pollination of Lantana camara (Verbenaceae). Biotropica, 8, 132–135. Brown Jr., K. S. (1996) Diversity of Brazilian Lepidoptera: history of study, methods for measurement and use as indicator for genetic, specific and system richness. Biodiversity in Brazil, a first approach (ed. por C. E. M. Bicudo & N. A. Menezes), pp. 222‐252. CNPq / Instituto de Botânica, São Paulo. Brown Jr., K. S. & Freitas, A. V. L. (2000). Atlantic forest butterflies: indicators for landscape conservation. Biotropica, 32(4), 934‐956. Brown Jr., K. S. & Mielke, O. (1967) Lepidoptera of the central Brazil Plateau. I. preliminary list of Rhopalocera: Nymphalidae, Libytheidae. Journal of the Lepidopterists’ Society, 21(2), 77‐ 106. Brown Jr., K. S. & Mielke, O. (1967) Lepidoptera of the central Brazil Plateau. I. preliminary list of Rhopalocera (continued): Lycaenidae, Pieridae, Papilionidae, Hesperiidae. Journal of the Lepidopterists’ Society, 21(3), 145‐168. Costa‐Lima, A. M. (1923) Catálogo systemático dos insectos que vivem nas plantas do Brasil e ensaio de bibliografia entomológica brasileira. Archivos da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, 6, 107‐276. Niterói, Rio de Janeiro. Cruden, R. W. & Hermann‐Parker, S. M. (1979) Butterfly pollination of Caesalpina pulcherrima, with observation on a psychophilous syndrome. Journal of Ecology, 67, 155‐168. Daily, G. C. & Ehrlich, P. R. (1995) Preservation of biodiversity in small rainforest patches: rapid evaluations using butterfly trapping. Biodiversity and Conservation, 4, 35‐55. DeVries, P. J. (1983) Checklist of Butterflies. Costa Rican Natural History (ed. por D. H. Janzen), pp. 654‐655. The University of Chicago Press, Chicago. DeVries, P. J. (1987) The Butterflies of Costa Rica and their Natural History. Volume I: Papilionidae, Pieridae and Nymphalidae. Princeton University Press, New Jersey. . 5.
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(17) Proctor, M.; Yeo, P.; Lack, A. (1996) The Natural History of Pollination. Timber Press. Portland, Oregon. Richards, A. J. (1997) Plant Breeding Systems. 2nd edition. Chapman & Hall. London. Scoble, M. J. (1992) The Lepidoptera, Form, Function and Diversity. Oxford University Press, New York. Shahabuddin G. & Terborgh, J. W. (1999) Frugivorous butterflies in Venezuelan forest fragments: abundance, diversity and the effects of isolation. Journal of Tropical Ecology, 15, 703‐722. Tremayne, M. e Richards, A. J. (1993) Homostyly and herkogamous variation in Primula L. section Muscarioides Balf. Evolution Trends of Plants, 7, 15‐20. Uehara‐Prado, M., Brown, K. S. Jr. & Freitas, A. V. L. (2005) Biological traits of frugivorous butterflies in a fragmented and a continuous landscape in the south Brazilian atlantic forest. Journal of the Lepidopterists’ Society 59(2), 96–106. Uehara‐Prado, M., Brown, K. S. Jr. & Freitas, A. V. L. (2007) Species richness, composition and abundance of fruit‐feeding butterflies in the Brazilian Atlantic Forest: comparison between . a . fragmented . and . a . continuous . landscape. . Global . Ecology . and . Biogeography 16(1), 43‐54. . 7.
(18) . Capítulo 1 . “As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea) do Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, Brasil” Enviado ao periódico Zootaxa .
(19) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . Resumo: Neste trabalho são relatadas a primeira lista de borboletas para a caatinga e informações sobre sua estrutura temporal. O estudo foi realizado no Parque Nacional do Catimbau, Pernambuco, situado no semi‐árido nordestino. Para isso, foi realizado um levantamento de borboletas de setembro/2005 a agosto/2006 durante 5 dias por mês, percorrendo‐se trilhas com plantas em floração e utilizando‐se armadilhas com iscas de banana fermentada. Foram registradas 121 espécies de borboletas, metade registrada apenas na estação chuvosa, 42% em ambas as estações e 7% na estação seca. A baixa riqueza de espécies já era esperada para a região, determinada principalmente pelo clima semi‐árido. A fauna é dominada por espécies típicas de áreas abertas e de ampla distribuição geográfica e ainda não há confirmação de endemismos. Palavras‐chave: Inventário, insetofauna, caatinga, sazonalidade, savana. . 9.
(20) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . Abstract. The first butterfly checklist for the caatinga region and information about the seasonal structure of these butterflies are presented. This study was conducted in the Catimbau National Park, located in the NE ‐ Brazilian semi‐arid. The butterflies were collected between September/2005 to August/2006 during 5 days per month, in trails exhibiting flowering plants and by the use of fruit‐bait traps. A total of 121 butterfly species was registered, half of them only in the rainy season, 42% in both seasons and 7% in the dry season. The low species richness was already expected for this region, determined mainly by the semi‐arid conditions. The butterfly fauna is dominated by typical open areas species of wide geographical distribution. No endemism was confirmed. The proportion of Ithomiinae followed the general Neotropic tendency, with 5% of the total butterfly species, consequence of the wet areas with permanent water courses, an atypical condition for the caatinga. Keywords: Checklist, insect fauna, caatinga, seasonality, savanna. . 10.
(21) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . Introdução O inventário da biota local constitui o primeiro passo para o conhecimento de sua biodiversidade e entendimento das interações que ocorrem entre as espécies do grupo de interesse. É de especial valia para ambientes ainda pouco estudados e que vêem sofrendo acelerado processo de degradação. É o caso da caatinga, a região natural brasileira menos protegida por unidades de conservação e altamente suscetível à alteração (Leal et al. 2003, Leal et al. 2005). Pouco se conhece sobre a Lepidopterofauna da caatinga (Silva et al. 2002) e levantamentos sistematizados só são conhecidos para a família Sphingidae (Duarte et al. 2001, Gusmão & Creão‐Duarte 2004 e Duarte & Schlindwein 2005). O Parque Nacional do Catimbau está inserido no semi‐árido nordestino mas não constitui uma caatinga ‘típica’. A vegetação local é considerada de extrema importância biológica (Silva et al. 2002) e é caracterizada por uma mistura predominante de elementos de caatinga, campos rupestres e cerrado (Andrade et al. 2004. Informações sobre a fauna local de borboletas (Papilionoidea e Hesperioidea) são inexistentes. Aqui fornecemos a primeira lista de borboletas para uma área inserida no domínio da caatinga e informações sobre a composição taxonômica e estrutura temporal da comunidade desses insetos. Materiais e Métodos Área de Estudo O estudo foi realizado no Parque Nacional do Catimbau, situado a 285 quilômetros do Recife. Abrange uma área de 62.554 hectares e faz parte dos municípios de Buíque, Ibimirim e Tupanatinga, na região chamada Sertão do Moxotó (8°24ʹ00ʹʹ e 8°36ʹ35ʹʹ S e 37°09ʹ30ʹʹ e 37°14ʹ40ʹʹ W). A região apresenta clima tropical semi‐árido, com temperatura média anual de 23°C, precipitação média variando de 700 a 1100 mm por ano e chuvas concentradas nos meses de março a julho (ITEP 2006). A altitude varia de 600 a 1000 metros e o relevo é irregular com partes planas, afloramentos rochosos e encostas íngremes (Figura 1). Coletas O levantamento das borboletas foi realizado de setembro/2005 a agosto/2006 durante 5 dias por mês. Para isso, utilizaram‐se redes entomológicas e foram percorridas diversas trilhas, em diferentes tipos de paisagem do Parque, priorizando‐se locais de maior abundância de plantas em floração a cada mês. As coletas concentraram‐se nos horários de maior atividade das borboletas, entre 9:00 e 15:00 h. . 11.
(22) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . . a . b . c Figura 1. Aspectos do Parque Nacional do Catimbau. a‐b: Vistas panorâmicas, mostrando chapadas e morros‐testemunhos; c: vegetação arbustiva característica do Parque. . 12.
(23) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . Para o levantamento das borboletas frugívoras, foram estabelecidas cinco unidades amostrais em áreas distintas do Parque. Em cada unidade, cinco armadilhas com iscas foram montadas, a uma distância mínima de 20 m entre elas. A isca utilizada foi uma mistura de banana amassada com caldo de cana, fermentada por 48 horas. As armadilhas eram mantidas durante dois dias consecutivos no campo e as iscas eram postas entre as 06:00 e 08:00 horas de cada dia de amostragem. Para cada estação do ano (seca e chuvosa), as espécies de borboletas foram categorizadas de acordo com a freqüência de captura ou registro, como raras (1 a 3 vezes), incomuns (4 a 10 vezes) ou comuns (mais de 10 vezes). As borboletas foram depositadas na Coleção Entomológica da Universidade Federal de Pernambuco. A classificação sistemática seguiu Lamas (2004), com a exceção de Hallonympha paucipuncta, incluída em novo gênero por Penz & DeVries (2006). Resultados No total, foram registradas 121 espécies de borboletas para o Parque (Tabela 1). A família com o maior número de espécies foi Nymphalidae, correspondendo a 34% do total (Figura 2). Algumas espécies apresentaram distribuição restrita a determinados tipos de hábitats ou somente um exemplar foi coletado. Como exemplos, indivíduos de 4 espécies de Ithomiinae, somente encontrados em áreas de ‘brejos’ ao longo de cursos d’água permanentes e na base de serras areníticas, 4 espécies de Riodinidae limitadas a um pequeno trecho de trilha em meio a vegetação arbórea e alguns Lycaenidae sob a encosta de um afloramento rochoso (Tabela 1). Mais da metade das espécies (61) foi registrada apenas nos meses da estação chuvosa, 51 espécies em ambas as estações e somente 9 foram registradas apenas na estação seca. Destas últimas, 7 foram classificadas como raras ou restritas (Tabela 1). . Lycaenidae 22%. Papilionidae 2%. . Hesperiidae 28%. . Riodinidae 7% Nym phalidae 34%. Pieridae 7%. . Figura 2. Composição taxonômica das borboletas do Parque Nacional do Catimbau. . . 13.
(24) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . Tabela 1. Espécies de borboletas registradas no Parque Nacional do Catimbau, PE. Símbolos: Fl ‐ visitas . a flores; Ar – Armadilhas com iscas; Al – aleatório; ● – rara; ●● – incomum; ●●● – comum; * exemplares . encontrados somente em determinado local do Parque: ¹Base da Pedra Solteira, ²Brejo São José, ³Paraíso Selvagem, 4 Trilha da Pedra do Cachorro, 5Base da Pedra Solteira Táxon HESPERIIDAE Pyrginae Eudamini Aguna asander asander (Hewitson, 1867) Chioides c. catillus (Cramer, 1779) Epargyreus s.socus Hübner, [1825] Polygonus leo pallida Röber, 1925 Polythrix roma E. Y. Watson, 1893 Proteides m. mercurius (Fabricius, 1787) Typhedanus eliasi Mielke, 1979 Typhedanus undulatus (Hewitson, 1867) Urbanus d. dorantes (Stoll,1790) Urbanus procne (Plötz, 1880) Urbanus p. proteus (Linnaeus, 1758) Pyrgini Chiomara asychis autander (Mabille, 1891) Cycloglypha t. thrasibulus (Fabricius, 1793) Gesta g. gesta (Herrich‐Schäffer, 1863) Gindanes brontinus bronta Evans, 1953 Heliopetes macaira orbigera (Mabille, 1888) Heliopyrgus domicella willi (Plötz, 1884) Mylon sp. Pyrgus orcus (Stoll, 1780) Pyrgus veturius Plötz, 1884 Timochares t. trifasciata (Hewitson, 1868) Timochreon doria (Plötz, 1884) Zopyrion evenor thania Evans, 1953 Hesperiinae Copaeodes jean favor Evans, 1955 Hylephila phyleus phyleus (Drury, 1773) Lerodea erythrostictus (Prittwitz, 1868) Methionopsis ina (Plötz, 1882) Monca branca Evans, 1955 Panoquina lucas (Fabricius, 1793) Saliana mathiolus (Herrich‐Schäffer, 1869) Synale hylaspes (Stoll,1781) Synapte malitiosa equa Evans, 1955 Vehilius inca (Scudder, 1872) LYCAENIDAE Theclinae Eumaeini Allosmaitia strophius (Godart, [1824]) Arawacus ellida (Hewiton, 1867) Atlides polybe (Linnaeus, 1763) Atlides rustan (Stoll, 1790) . Método de Coleta . Estação . Fl . Ar . Al . Seca . Chuvosa. x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x . . x x x x x x x x x x x x x x x x x x . ●●● ●● ● ● ● ●● ●●● ●● ●●● ● ●●● ● ● ● ● . ●● ●●● ●●● ● ● ● ●●● ● ●●● ●●● ● ●●● ● ●●● ●●● ●●● ●●● ●●● ●● ●●● ● ● ●●● ●●● ●●● ●●● ● ● ●● ●●● ● ●●● ● . 14.
(25) Nobre, C. E. B. 1. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea ‐ Hesperioidea)... . Táxon Aubergina vanessoides (Prittwitz, 1865) Brangas silumena (Hewitson, 1867) Chlorostrymon simaethis (Drury, 1773) Cyanophrys herodotus (Fabricius, 1793) Electrostrymon ecbatana (Hewitson, 1868) Electrostrymon endymion (Fabricius, 1775) Michaelus jebus (Godart, [1824]) Ministrymon azia (Hewitson, 1873) Ministrymon una (Hewitson, 1873) Pseudolycaena marsyas (Linnaeus, 1758) Rekoa marius (Lucas, 1857) Rekoa palegon (Cramer, 1780) Strymon astiocha (Prittwitz, 1865) Strymon bazochii (Godart, [1824]) Strymon bubastus (Stoll, 1780) Strymon cestri (Reakit, 1867) Strymon crambusa (Hewitson, 1874) Strymon mulucha (Hewitson, 1867) Strymon rufofusca (Hewitson, 1877) Strymon sp. Ziegleria syllis (Godman & Salvin, 1887) Polyommatinae Hemiargus hanno (Stoll, 1790) Leptotes cassius (Cramer, 1775) NYMPHALIDAE Biblidinae Biblidini Ageroniina Hamadryas f. februa (Hübner, [1823]) Hamadryas f. feronia (Linnaeus, 1758) Biblidina Biblis hyperia nectanabilis (Fruhstorfer, 1909) Callicorina Callicore s sorana (Godart, [1824]) Epicaliina Eunica tatila bellaria Fruhstorfer, 1908 Eubagina Dynamine a. agacles (Dalman, 1823) Dynamine p. postverta (Cramer, 1779) Eurytelina Mestra dorcas hypermestra Hübner, [1825] Cyrestini Marpesia c. chiron (Fabricius, 1775) Charaxinae Anaeini Fountainea g. glycerium (Doubleday, [1849]) Fountainea halice moretta (H.Druce, 1877) Hypna clytemnestra forbesi Godman & Salvin 1884 Zaretis isidora (Cramer, 1779) . Fl x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x . Ar x x x x x x x x . Al x x x x x x x x x x x x x x . Seca ● ● ●● ●●● ●●● ●●● ●●● ● ●●● ●●● ● ●●● ●●● . Chuvosa ● ● ●●● ● ●● ●●● ●●● ●● ●● ●●● ●●● ●●● ●●● ●●● ● ● ● ●● ●●● ●●¹ ●●● ●●● ●●● ●●● ●● ●●● ●●● ●● ●●● ●●● ● ●●● ●●● . . x . x . ●●● . ●●● . . x . . ● . ● . 15.
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