Escola de Ciências Humanas e Sociais Departamento de Educação e Psicologia
MESTRADO EM EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E ENSINO DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO
UM EXEMPLO DE TRABALHO COM CRIANÇAS DOS 3 AOS 10 ANOS RELATÓRIO FINAL
Maria Delfina Coutinho Alves da Costa
Orientadoras:
Prof.ª Dr.ª Gabriel Bulas Cruz
Prof.ª Dr.ª Cristiana Soveral Paszkiewicz
VILA REAL OUTUBRO, 2010
Escola de Ciências Humanas e Sociais Departamento de Educação e Psicologia
MESTRADO EM EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E ENSINO DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO
UM EXEMPLO DE TRABALHO COM CRIANÇAS DOS 3 AOS 10 ANOS RELATÓRIO FINAL
Maria Delfina Coutinho Alves da Costa
Orientadoras:
Prof.ª Dr.ª Gabriel Bulas Cruz
Prof.ª Dr.ª Cristiana Soveral Paszkiewicz
VILA REAL OUTUBRO, 2010
Relatório final, correspondente ao estágio de natureza profissional/ prática de ensino supervisionada, elaborado para a obtenção do grau de mestre em Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico, de acordo com os decretos-lei n.º 74/ 2006, de 24 de Março e n.º 43/ 2007, de 22 de Fevereiro.
III
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a todas as crianças, principalmente àquelas
com quem tive a oportunidade de conviver e de aprender.
IV Pai, este é mais um “abraço” que te dou…
Agradeço à pessoa mais especial na minha vida: a MINHA MÃE, que sempre me apoiou. Aos meus tios, que me acolheram na cidade de Vila Real e, deste modo, acompanharam todo o meu percurso na universidade; aos restantes familiares; aos amigos e ao namorado.
Este trabalho não seria possível sem a disponibilidade e apoio da educadora e professora cooperante, Edite Gaspar e Margarida Assunção; da educadora Susana e da assistente operacional D. Augusta.
Não posso deixar de agradecer à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, à Prof.ª Dr.ª Manuela Jorge e aos restantes professores universitários com os quais me “cruzei”.
Finalizo, citando Sanches (2001: 54), em jeito de agradecimento às minhas orientadoras, Prof.ª Dr.ª Gabriel Bulas Cruz e Prof.ª Dr.ª Cristiana Soveral Paszkiewicz:
“Não esqueçamos que os professores que nós recordamos são aqueles que nos propuseram os maiores desafios, que souberam sair da rotina e nos proporcionaram uma outra visão do mundo, ainda que parcelar.”
V
No âmbito do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico estagiei em dois contextos distintos, no Jardim-de-Infância de Arrabães e na Escola EB1 n.º 5 de Vila Real. O primeiro, de Março a Junho de 2009, realizou-se a pares alternando semanalmente a responsabilização e cooperação. O grupo com o qual partilhámos aprendizagens era constituído por vinte crianças, heterogéneo a nível de idades e sexo. No segundo, que decorreu de Outubro de 2009 a Janeiro de 2010, alternando a responsabilidade por um grupo de três elementos, acompanhámos uma turma heterogénea constituída por vinte e cinco alunos.
Propusemo-nos organizar, neste relatório, toda a informação recolhida durante o período dos estágios, as reflexões sobre a prática pedagógica e a análise a textos e obras, que permitiu fundamentar os vários tópicos que abordamos.
Caracterizamos os dois contextos, descrevendo o tipo de instituição e reflectindo sobre a importância do conhecimento do meio, com uma breve abordagem à localização do Jardim e da Escola. Continuamos explicando a organização interna dos mesmos e fazemos uma caracterização global do espaço, referindo os aspectos positivos e negativos para o desenvolvimento da actividade educativa e a importância de um bom funcionamento institucional. Terminamos este ponto com a caracterização global do grupo e da turma.
Quanto aos espaços e materiais educativos, abordamos primeiramente a importância dos mesmos e, depois de descrever cada uma das salas, reflectimos sobre a sua organização e funcionamento.
Relativamente à actividade educativa apresentamos o modelo pedagógico adoptado, seguindo-se a relação pedagógica e o perfil do educador de Infância e professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Abordamos ainda a gestão do currículo, sintetizamos os vários pontos que fazem parte do Projecto Curricular de Grupo/ Turma e fazemos referência às competências de partida. No desenvolvimento da actividade educativa referimo-nos à importância de planificar e ao trabalho desenvolvido no Jardim-de-Infância e no 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Finalizamos com o processo avaliativo, definindo avaliação, apresentando as suas funções pedagógicas e as modalidades que integra: diagnóstica, formativa e sumativa.
VI
In the ambit of the Master degree in Preschool Education and 1st Cycle of Basic Education. I`ve trained in two distinct contexts, in the Arrabães Preschool and in the EB1 N.5 School of Vila Real. The first occurred from March to June of 2009 and was held by pairs, weekly alternating responsibility and cooperation. The group with which I shared apprenticeship´s, was composed by twenty children, heterogeneous in age and sex. The second, which took place from October 2009 to January 2010, was formed with three elements and the responsibility was also alternated. We attended a group with twenty five students.
In this report, I intend to organize all the collected information during the trainee periods, the reflections over the educational practice, text and reference work analysis, which enable to support the several topics broached.
I characterize the two contexts, describing the type of institution and reflecting over the importance of the knowledge on the surrounding environment, with light approach to the Preschool and School localization. I continue explaining their internal organization and space global characterization, referring positive and negative aspects to the development of the educational activity and the importance of a good institutional management. I finish this point with the group and class global characterization.
Regarding to the educational spaces and materials, I refer at first, their importance and, after describing each one of the classrooms, I reflect over their organization and management.
In what concerns to the educational activity, I present the pedagogical model adopted, followed by the pedagogical relationship as well as the educator and teacher profile in the Preschool and 1st. Cycle oh Basic Education, respectively.
I also approach to the curriculum management, synthesizing the various points which are part of the Curriculum Group Project/Class and make reference to the competencies of departure.
The point developing the educational activity refers the importance of planning and the work in the Preschool and 1st Cycle of Basic Education.
I conclude this report, with the evaluation process, giving a definition of the term evaluation and presenting the educational functions and modalities which include diagnostic, formative and summative.
VII DEDICATÓRIA III AGRADECIMENTOS IV RESUMO V ABSTRACT VI ÍNDICE GERAL VII
ÍNDICE DE FIGURAS XI ÍNDICE DE TABELAS XII ABREVIATURAS XIV
INTRODUÇÃO 1
1.
CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO – PRÉ-ESCOLAR E 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO 51.1. Tipo de instituição 5
1.2. A importância do conhecimento do meio 8
1.3. Meio envolvente/ localização 9
1.3.1. Jardim-de-Infância de Arrabães 11
1.3.2. Escola EB1 n.º 5 de Vila Real 14
1.4. Organização interna 14
1.4.1. Jardim-de-Infância de Arrabães 14
1.4.2. Escola EB1 n.º 5 de Vila Real 16
1.5. Caracterização global do espaço 18
1.5.1. Aspectos positivos e negativos para o desenvolvimento da actividade educativa 21
1.5.2. A importância de um bom funcionamento institucional 22
1.6. Caracterização global do grupo 23
1.7. Caracterização global da turma 25
2. O ESPAÇO E MATERIAIS EDUCATIVOS 26
2.1. A importância da qualidade dos espaços 26
2.2. Sala de actividades 28
2.2.1. Reflexão e análise à forma como o espaço estava organizado e seu funcionamento 34
VIII
2.3.1. Reflexão e análise à forma como o espaço estava organizado e
seu funcionamento 39
3. A ACTIVIDADE EDUCATIVA 41
3.1. Modelo pedagógico adoptado 41
3.2. Relação pedagógica 55
3.3. Perfil do educador de Infância 65
3.4. Perfil do professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico 69
3.5. Currículo 73
3.5.1. Gestão do currículo 73
3.5.2. Projecto Curricular de Grupo 78
3.5.3. Projecto Curricular de Turma 80
3.5.4. Competências de partida 82
4. O DESENVOLVIMENTO DA ACTIVIDADE EDUCATIVA 82
4.1. O que é planificar e a sua importância 82
4.2. A actividade educativa desenvolvida – Jardim-de-Infância 84
4.2.1. Actividades Livres e de Rotina 84
4.2.1.1. Planificação das actividades Livres – Março/ Abril 85
4.2.1.1.1. Justificação 87
4.2.1.1.2. Avaliação 89
4.2.1.2. Planificação das actividades de Rotina – Março/ Abril 92
4.2.1.2.1. Justificação 95
4.2.1.2.2. Avaliação 96
4.2.2. Actividades Orientadas/ de Projecto 99
4.2.2.1. Planificação quinzenal – Março 101
4.2.2.1.1. Justificação 106
4.2.2.1.2. Previsões diárias 107
4.2.2.1.3. Avaliação/ reflexão sobre o trabalho prático desenvolvido da semana de 23 a 25 de Março 109
4.2.2.2. Planificação mensal – Abril 129
4.2.2.2.1. Justificação 142
IX
desenvolvido da semana de 14 a 16 de Abril 146
4.2.2.2.4. Previsões diárias 161
4.2.2.2.5. Avaliação/ reflexão sobre o trabalho prático desenvolvido da semana de 27 a 29 de Abril 163
4.2.2.3. Previsões diárias e avaliação/ reflexão sobre o trabalho prático desenvolvido no mês de Maio/ Junho 175
4.3. A actividade educativa desenvolvida – 1.º Ciclo do Ensino Básico 234 4.3.1. Semana de 19 a 21 de Outubro 235
4.3.2. Semana de 26 a 28 de Outubro 237
4.3.3. Semana de 2 a 4 de Novembro – 1.ª semana da minha responsabilidade 239
4.3.4. Semana de 9 a 11 de Novembro 252
4.3.5. Semana de 16, 18 e 19 de Novembro 254
4.3.6. Semana de 23 a 25 de Novembro – 2.ª semana da minha responsabilidade 255
4.3.7. Semana de 30 de Novembro e 2 de Dezembro 271
4.3.8. Semana de 7 e 9 de Dezembro 272
4.3.9. Semana de 14 e 15 de Dezembro – 3.ª semana da minha responsabilidade 274
4.3.10. Dia 16 de Dezembro – responsabilidade conjunta 282
4.3.11. Dia 13 de Janeiro – responsabilidade conjunta 283
4.3.12. Dia 20 de Janeiro – responsabilidade conjunta 285
4.3.13. Semana de 26 a 28 de Janeiro – responsabilidade conjunta 286
5. O PROCESSO AVALIATIVO 289
5.1. Conceito de avaliação das aprendizagens 289
5.2. Funções pedagógicas da avaliação/ Modalidades da avaliação 290
5.2.1. Avaliação diagnóstica para o Projecto Curricular de Grupo/ Turma 292
5.2.2. Avaliação diagnóstica para a implementação do currículo/ leccionação dos conteúdos 293
5.2.3. Avaliação formativa 294
X
5.2.4. Avaliação do Projecto Curricular de Grupo/ Turma 297
5.2.5. Avaliação sumativa 297
CONCLUSÃO 298
BIBLIOGRAFIA 301 ANEXOS
XI
Figura 1 – Sala de actividades 28
Figura 2 – Avaliação do Plano do Dia 2 de Novembro 246
Figuras 3 e 4 – Avaliação do Plano do Dia 3 de Novembro 249
Figura 5 – Avaliação do Plano do Dia 4 de Novembro 252
Figuras 6 e 7 – Avaliação do Plano do Dia 23 de Novembro 264
Figura 8 – Avaliação do Plano do Dia 24 de Novembro 268
Figura 9 – Avaliação do Plano do Dia 25 de Novembro 271
Figura 10 – Avaliação do Plano do Dia 14 de Dezembro 279
XII
Tabela 1 – Calendário Escolar 2008/ 2009 16
Tabela 2 – Horário de abertura do portão 17
Tabela 3 – Horário de funcionamento da Escola e distribuição das turmas 17
Tabela 4 – Horário de vigilância no intervalo 18
Tabela 5 – Atendimento aos encarregados de educação 18
Tabela 6 – Nível etário das crianças 23
Tabela 7 – Número de rapazes e raparigas 23
Tabela 8 – Número de irmãos 24
Tabela 9 – Frequência no Jardim-de-Infância 24
Tabela 10 – Transporte para o Jardim-de-Infância 24
Tabela 11 – Onde vivem 24
Tabela 12 – Planificação das actividades Livres – Março/ Abril 85
Tabela 13 – Planificação das actividades de Rotina – Março/ Abril 92
Tabela 14 – Planificação quinzenal de 16/ 03/ 09 a 25/ 03/ 09 101
Tabela 15 – Previsões diárias da semana de 23 a 25 de Março da minha responsabilidade 107
Tabela 16 – Planificação mensal de 30/ 03/ 09 a 29/ 04/ 09 129
Tabela 17 – Previsões diárias da semana de 14 a 16 de Abril da minha responsabilidade 144
Tabela 18 – Previsões diárias da semana de 27 a 29 de Abril da minha responsabilidade 161
Tabela 19 – Previsões diárias da semana de 11 a 13 de Maio da minha responsabilidade 175
Tabela 20 – Previsões diárias da semana de 1 a 3 de Junho da minha responsabilidade 191
Tabela 21 – Previsões diárias da semana de 15 a 17 de Junho da minha responsabilidade 206
Tabela 22 – Previsões diárias da semana em conjunto: dia 18, 22 e 23 de Junho 224
Tabela 23 – Previsão diária de 25 de Junho da minha responsabilidade 232
Tabela 24 – Planificação semanal de 2 a 4 de Novembro 239
XIII
Tabela 27 – Distribuição das estratégias/ actividades 258
Tabela 28 – Planificação semanal de 14 e15 de Dezembro 274
Tabela 29 – Distribuição das estratégias/ actividades 275
Tabela 30 – Planificação diária de 13 de Janeiro 283
Tabela 31 – Planificação diária de 20 de Janeiro 285
XIV
AEC – Actividades de Enriquecimento Curricular
AFIRSE – Association Francophone Internationale de Recherche en Sciences de L´ Education
APEI – Associação dos Profissionais de Educação de Infância ARTMED – Artes Médicas
ATL – Actividades de Tempos Livres
AVEDC – Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão CEB – Ciclo do Ensino Básico
CRIAP – Centro de Recursos de Informação e Apoio Pedagógico DGIDC – Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular
DSDC/ DEPEB – Direcção de Serviços de Desenvolvimento Curricular/ Departamento
de Educação Pré-Escolar e Ensino Básico
EB1 – Escola Básica do 1.º Ciclo
FIMEM – Federação Internacional de Movimentos de Escolas Modernas IPJ – Instituto Português da Juventude
IPTAN – Instituto Presidente Tancredo de Almeida Neves ME – Ministério da Educação
MEM – Movimento da Escola Moderna
NAYEC – National Association for the Education of Young Children (Estados Unidos
da América)
OCEPE – Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar PAA – Plano Anual de Actividades
PCA – Projecto Curricular de Agrupamento PE – Projecto Educativo
PIT – Plano Individual de Trabalho PNL – Plano Nacional de Leitura PSP – Polícia de Segurança Pública RI – Regulamento Interno
1 INTRODUÇÃO
Enquadramento
O relatório que apresentamos explicita a prática pedagógica realizada na Educação Pré-Escolar, no Jardim-de-Infância de Arrabães, no período de Março a Junho e no 1.º CEB, na Escola EB1 n.º 5 de Vila Real, no período de Outubro de 2009 a Janeiro de 2010.
O Jardim-de-Infância de Arrabães, envolvido por um meio tipicamente rural, situa-se na freguesia de Torgueda, que por sua vez, faz parte do concelho de Vila Real. Neste nível de Educação, com a educadora cooperante Edite Gaspar, o meu estágio foi realizado durante 223 horas, com 90 horas de responsabilização. Esta prática foi feita a pares, alternando semanalmente a responsabilização e cooperação. O grupo que frequentava o Jardim-de-Infância era constituído por 20 crianças. Era heterogéneo a nível de idades (entre os 3 e os 5 anos) e sexo (7 meninas e 13 meninos).
A Escola EB1 n.º 5 de Vila Real está inserida num meio urbano, situa-se na Freguesia de S. Dinis, no concelho de Vila Real. Neste contexto, a minha prática pedagógica desenvolveu-se com a supervisão directa da professora Margarida Assunção, num total de 198 horas, com 66 horas de responsabilização. Foi realizada em grupo de três elementos, alternando a responsabilização. A turma de 3.º ano era constituída por 25 alunos, 12 rapazes e 13 raparigas, com idades compreendidas entre os 7 e os 8 anos. Somente 2 meninos e 1 menina não frequentaram o Pré-Escolar.
Uma boa adaptação por parte das crianças na entrada no Jardim-de-Infância e, posteriormente, na Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico, consistirá na construção de um caminho mais eficaz para o sucesso educativo. Tal factor mostra-se importante pois, como nos refere Portugal (1998: 23), “as trocas, interacções e ligações particulares com os outros […], são condições fundamentais para o desenvolvimento sensório-motor, representação simbólica, linguagem e pensamento.” Deste modo, tendo em vista o desenvolvimento das crianças é essencial assegurar uma articulação curricular entre a Educação Pré-escolar e o 1.º Ciclo do Ensino Básico. Para esta articulação o profissional de educação na sua prática deve encontrar mecanismos que promovam a transição entre ciclos distintos, ou seja, relacionar todo o conjunto, assegurando a continuidade educativa.
2
Apesar de estarmos perante dois campos distintos o Ensino Básico deveria ser uma continuação da Educação Pré-escolar. Aqui é importante lembrar as palavras de Mialaret (1988: 3), “[…] não é o jardim de infância que se deve transformar em escola do ensino primário, mas a escola do ensino primário que deve receber muitas influências da educação pré-escolar.” Quando as crianças entram na escolaridade obrigatória, o professor deve-se apoiar nos conhecimentos e nas vivências que estas trazem do Jardim, pois é necessária “[…] uma articulação que possibilite um crescimento apoiado, desde as actividades lúdicas e criativas […] até às aprendizagens mais sistematizadas […]” (Serra, 2004: 76). Para a mesma autora (idem: 78) “quanto mais os docentes se inteirarem das especificidades e das similitudes entre educação pré-escolar e 1.º CEB, mais se enriquece o universo pedagógico dos professores e educadores e maiores serão as oportunidades de sucesso para as crianças.”
Plano do relatório
Salvador (1977) define relatório como “uma descrição objectiva de fatos, acontecimentos ou atividades, seguida de uma análise rigorosa, com o objectivo de tirar conclusões […]” (Andrade, 1995: 69). A sua redacção “[…] é tarefa indispensável para todo o aluno de pós-graduação. Tal trabalho tem por objectivo apresentar […] o conjunto de […] atividades realizadas pelo candidato ao título de mestre […]” (idem: 70).
Para a realização deste relatório utilizámos como metodologia uma grelha conceptual. Inserimos as leituras dos autores que consultámos numa grelha, por temas. Dentro de cada tema íamos acrescentando as citações que considerávamos mais importantes dos textos que analisávamos. No final servimo-nos desta pesquisa para a construção com reflexão dos vários pontos do relatório.
No que diz respeito ao relatório final, propomo-nos descrever, sumariamente, o seu plano, dividido em 5 pontos. Para que todos os aspectos que nos propusemos desenvolver fizessem parte deste relatório optámos por colocar em anexo alguns deles, não menos importantes, de modo a não nos estendermos demasiado.
Começamos pela introdução, onde explicamos o seu conteúdo e as opções tomadas.
No 1.º ponto descrevemos as CARACTERÍSTICAS DOS DOIS CONTEXTOS, centrando-nos no tipo de instituição; a importância do conhecimento do meio; o meio
3
envolvente/ localização destas duas instituições e a organização interna (gestão/ direcção; horários praticados; corpo docente/ pessoal assistente; n.º de crianças/ salas/ idades/ graus de ensino e ou valências; rotinas institucionais). De seguida caracterizamos globalmente o espaço, fazendo a avaliação crítica, tendo em consideração a importância de um bom funcionamento institucional para a qualidade do ensino. Por último relatamos vários aspectos que caracterizavam o grupo e a turma.
No 2.º ponto referimo-nos ao ESPAÇO E MATERIAIS EDUCATIVOS, recordando a importância da sua qualidade. Seguidamente caracterizamos a sala de actividades (características gerais, áreas da sala e sua localização/ posição) e a sala de aula (mobiliário, gestão dos materiais, espaço vertical, material de apoio pedagógico e organização dos espaços). Fazemos ainda uma reflexão e análise à forma como o espaço estava organizado e funcionava.
No 3.º ponto expomos a ACTIVIDADE EDUCATIVA, iniciando-o com a apresentação do modelo educativo adoptado nos dois níveis de ensino; fazemos também uma reflexão sobre a relação pedagógica e o perfil do educador e do professor. Posteriormente referimo-nos à gestão do currículo e apresentamos, de forma breve, o Projecto Curricular de Grupo, o Projecto Curricular de Turma e as competências de partida.
No 4.º Ponto, o DESENVOLVIMENTO DA ACTIVIDADE EDUCATIVA, começamos com uma breve reflexão sobre a importância de planificar, seguindo-se a prática levada a cabo no Jardim-de-Infância. Apresentamos as planificações das actividades Livres e de Rotina, justificação e avaliação das mesmas, tal como as planificações das actividades Orientadas/ de Projecto e sua justificação. Enunciamos as previsões diárias e respectivas descrições, reflexões e avaliações. Posteriormente, fazemos referência à actividade educativa desenvolvida no 1.º Ciclo do Ensino Básico. Apresentamos as planificações semanais/ diárias e, por fim, a avaliação/ reflexão sobre o trabalho prático desenvolvido.
No ponto n.º 5, o PROCESSO AVALIATIVO, o último do relatório, temos em consideração o conceito de avaliação das aprendizagens e ainda as suas funções pedagógicas e modalidades. Fazemos uma breve referência à avaliação diagnóstica para o Projecto Curricular de Grupo/ Turma, tomando-a também em consideração para a implementação do currículo/ leccionação dos conteúdos, para além de referirmos a sua importância pedagógica, temos em conta a avaliação realizada no grupo/ turma com esta
4
finalidade. Relativamente à avaliação formativa explicitamos a sua funcionalidade, como também a realização desta durante a prática pedagógica. Referimos a avaliação dos Projectos Curriculares de Grupo/ Turma realizada e finalizamos com uma breve abordagem à avaliação sumativa, seguindo-se a conclusão e a bibliografia. Esta traduz o esforço realizado para integrar os contributos das várias áreas/ disciplinas do Curso na reflexão produzida, procurando clarificar a observação, recolha de informação e compreensão dos contextos educativos onde trabalhámos. Esforçámo-nos por, utilizando percursos de problematização e reflexão, fundamentar a nossa prática, para que se percebesse que radicou num modelo curricular com pressupostos teóricos que evidenciámos. Optámos por não abordar teoricamente outros modelos estudados, mas não experimentados na prática, pela impossibilidade e inconveniência de desenvolver, num trabalho com estas características, todos os tópicos referenciados.
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1. CARACTERIZAÇÃO DO CONTEXTO – PRÉ-ESCOLAR E 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO
1.1. Tipo de instituição
O Jardim-de-Infância de Arrabães e a Escola EB1 n.º 5 de Vila Real são instituições da Rede Pública do Ministério da Educação (ME) e pertencem ao Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão (AVEDC).
Podemos definir Agrupamento de Escolas como “uma unidade organizacional, dotada de órgãos próprios de administração e gestão, constituída por estabelecimentos de educação pré-escolar e escolas de um ou mais níveis e ciclos de ensino […]”, a partir de um projecto pedagógico comum (Decreto-Lei n.º 75/ 2008: 2344, artigo 6.º). O Agrupamento de Escolas pressupõe, entre outros princípios, a existência de um projecto pedagógico comum, a construção de percursos escolares integrados e a articulação curricular entre níveis e ciclos educativos. Não podemos, contudo, deixar de estar atentos aos
“[…] perigos que representa para cada ciclo a «massificação» das decisões, com fortes tendências para a uniformização de regras e procedimentos feita de forma vertical descendente e, por isso, com especial prejuízo das escolas do 1.º ciclo e jardins-de-infância que vêem francamente reduzidas as poucas margens de liberdade e de autonomia que ainda possuíam” (Castro, 2008: 21).
Neste Agrupamento existe um Projecto Educativo (PE) e um Projecto Curricular (PCA) que são comuns a todas as instituições. Podemos definir PE, como
“um documento elaborado por uma equipa com a participação da comunidade educativa (alunos, professores/ educadores, pais e restante pessoal) que estabelece as linhas mestras pelas quais a escola se rege. Tal documento levará em conta: factores pessoais, […] relacionais, […] estruturais e […] pedagógicos, sendo, por isso, um documento de escola” (Ricardo; Costa; Pinto, 1999: 41).
Este PE, segundo as Orientações Curriculares (1997: 43), “deverá explicitar, de forma coerente, valores e intenções educativas, formas previstas para concretizar esses valores e intenções (estratégias globais, horários, actividades colectivas, etc.) e os meios da sua realização.” As linhas orientadoras das mesmas (idem), indicam-nos ainda que o Agrupamento “[…] de vários estabelecimentos de educação pré-escolar e/ ou outros níveis educativos implica a elaboração de um projecto comum em que o projecto de cada estabelecimento se enquadra num projecto de território ou projecto local.”
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Nas palavras de Isabel Lopes da Silva (1998: 109), o PE de Agrupamento tem como principal função “servir de referência a uma dinâmica de transformação do estabelecimento educativo que visa em última instância, como refere o documento legal, o benefício dos alunos.”
De acordo com Mendonça (2002: 33), este Projecto “serve como um pilar para a identidade de uma instituição.” É através dos Projectos Educativos que “as instituições escolares adquirem uma dimensão própria, enquanto espaço organizacional onde se tomam decisões educativas, curriculares e pedagógicas” (idem).
Cada Agrupamento de Escolas deve ter um PE próprio, no qual se estabelecem as suas prioridades educativas; o modo de as implementar; o que mudar na organização das turmas e na prática dos professores e como atingir essas medidas estabelecidas, para conseguir a “[…] aprendizagem plena de todos os alunos, sejam quais forem as diferenças de partida que eles trazem” (Roldão, 2001: 30).
O PE do AVEDC, no período em que estagiámos no Jardim-de-Infância, realçava a importância de trabalhar o “Ambiente e Cidadania” e o “Plano Nacional de Leitura” (PNL). No período de estágio no 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB), o PE, “Excelência (+) Cidadania (+)” (Pasta 1, Anexo 1), remetia para os principais problemas a resolver: “minimizar os condicionalismos resultantes da dispersão dos estabelecimentos de ensino e isolamento das escolas de lugar único”; “melhorar os serviços de apoio educativo e especializado”; “reestruturar espaços existentes”; “promover a cidadania responsável e participada”; “promover a qualidade das aprendizagens” e “valorizar a escola envolvendo as famílias”.
Outro documento que é comum no Agrupamento de Escolas é o PCA. De acordo com a circular n.º 17/ DSDC/ DEPEB (2007: 2) este caracteriza-se como “um documento que define as estratégias de desenvolvimento do currículo, visando adequá-lo ao contexto de cada estabelecimento/ escola ou de agrupamento e integrado no respectivo projecto educativo.”
O PCA, integrado no respectivo PE, é um documento que faculta estratégias de acção, propostas de intervenção didáctica que permitem ajustar o currículo a cada contexto e às características dos respectivos alunos. É
“[…] concebido, avaliado e aprovado pelos respectivos órgãos de administração e gestão, o qual deverá ser desenvolvido, em função do contexto de cada [grupo/] turma, num projecto curricular de [grupo/] turma, concebido, avaliado e aprovado pelo [educador/] professor titular […]” (Decreto-Lei n.º 6/ 2001: 259).
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No caso do PCA do AVEDC a sua realização foi a nível dos diferentes departamentos.
Os educadores e professores participam directamente ou através dos seus representantes, na elaboração destes dois projectos (PE e PCA). Para assegurar um bom funcionamento há que combater “[…] a falta de integração e de verdadeira articulação horizontal e vertical de que muitos destes estabelecimentos padecem, levando a que o Agrupamento não se constitua como um todo organizacional, uma unidade […]” (Castro, 2008: 21-22).
O projecto “Brincar com as palavras” foi proposto pelo conselho de docentes no âmbito da Edução Pré-Escolar.
Não podemos deixar de referir também o Plano Anual de Actividades (PAA) e o Regulamento Interno (RI) pela importância que têm para todo o Agrupamento.
O PAA é um documento de planeamento, que define, “[…] em função do projecto educativo, os objectivos, as formas de organização e de programação das actividades e que […] [procede] à identificação dos recursos necessários à sua execução” (Decreto-Lei n.º 75/ 2008: 2344, artigo 9.º).
O RI (Pasta 1, Anexo 2) consiste num
“[…] documento que define o regime de funcionamento do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, de cada um dos órgãos de administração e gestão, das estruturas de orientação e dos serviços administrativos, técnicos e técnico-pedagógicos, bem como os direitos e os deveres dos membros da comunidade escolar” (idem).
Os principais órgãos do Agrupamento são o conselho geral, o director, o conselho pedagógico e o conselho administrativo.
O conselho geral “[…] é o órgão de direcção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola, assegurando a participação e representação da comunidade educativa […]” (ibidem: 2345, artigo 11.º).
O director “[…] é o órgão de administração e gestão do agrupamento de escolas ou escola não agrupada nas áreas pedagógica, cultural, administrativa, financeira e patrimonial” (ibidem: 2346, artigo 18.º).
O conselho pedagógico:
“[…] é o órgão de coordenação e supervisão pedagógica e orientação educativa do agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nomeadamente nos domínios pedagógico-didáctico, da orientação e acompanhamento dos alunos e da formação inicial e contínua do pessoal docente e não docente” (ibidem: 2349, artigo 31.º).
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O conselho administrativo “[…] é o órgão deliberativo em matéria administrativo-financeira do agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nos termos da legislação em vigor” (Decreto-Lei n.º 75/ 2008: 2350, artigo 36.º).
No conselho geral e no conselho pedagógico, há, do concelho de docentes, representantes do Pré-Escolar e representantes do 1.º CEB. O conselho de docentes reúne uma vez por mês, a fim de serem debatidos assuntos relativos a cada um: a nível pedagógico e de gestão curricular, de relação com as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) e seu funcionamento; avaliação de alunos; necessidades de apoio educativo, entre outros.
Castro (2008: 21) chama a atenção para “a tendência para tornar o pré-escolar e o 1.º ciclo estabelecimentos subordinados aos vários poderes instituídos […]”, que deve ser combatida.
1.2. A importância do conhecimento do meio
Não se pode conhecer a criança/ aluno sem ter em conta o seu contexto, o mundo onde vive, cresce e aprende. A criança está mergulhada desde o nascimento num meio e vai-se socializando pouco a pouco através das permutas que faz com ele.
O educador/ professor é o principal agente educativo formal, mas tem que ter em conta o meio em que as crianças/ alunos se inserem e a interacção com os pais e adultos. O conhecimento do meio natural e humano é importante para uma adequada integração, participação e intervenção, visto que tudo aquilo que a criança/ aluno aprendeu antes de entrar para o Jardim/ Escola, foi através da relação com o seu meio. Esta relação entre Jardim/ Escola/ meio é importante, pois
“cria situações de empatia que beneficiam as interacções alunos-professores e pais-professores [e] permite um melhor conhecimento dos docentes da realidade social, económica e cultural do meio, tornando-os mais capazes de identificarem e localizarem as dificuldades de aprendizagem” (Marques, 1983: 67).
Como diz Nicolau (2000: 86)
“[…] para se inserirem na comunidade, para apreenderem as suas necessidades e expectativas, os educadores precisarão de conhecer as formas de vida de seus alunos, os seus valores, hábitos, tradições; só depois poderão planejar o seu trabalho e pensar em todas as etapas do mesmo.”
É através do conhecimento do meio que nós educadores/ professores nos apercebemos de dificuldades de aprendizagem que sejam gerais no nosso grupo de
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trabalho. Este conhecimento vai-nos permitir planificar de acordo com as necessidades dos educandos.
O meio pode revelar-se importante no processo de ensino/ aprendizagem e ter potencial educativo se tiver vários recursos que as crianças/ alunos possam usar, para desenvolver certas competências nas diferentes áreas. Como nos diz Drouet (1997: 149), “só utilizando os recursos que a comunidade oferece é que a escola conseguirá tornar-se num ambiente propício à educação das crianças dessa mesma comunidade.” É importante que os educadores/ professores usem os recursos disponíveis na comunidade não só para relacionar o Jardim/ Escola/ meio, mas também para que as crianças/ alunos se sintam familiarizadas com o Jardim/ Escola.
O conhecimento do meio natural e humano e a relação Jardim/ Escola/ meio são aspectos que os educadores/ professores têm de ter em conta para poder desenvolver um bom trabalho. Como conclusão podemos citar Yared de Medeiros et alii (in Nicolau, 2000: 87) ao afirmar que
“o conhecimento da família, do meio e da própria criança, como também a tomada de consciência dos pontos básicos que devem nortear a sua acção, constituem os instrumentos […] para a […] prática […]. Nesse sentido, o planejamento, a utilização dos recursos e o trabalho desenvolvido com a família assumem uma perspectiva dinâmica, onde a participação das crianças, dos pais e da comunidade em todo o processo transforma a pré-escola num lugar vivo, a serviço das crianças.”
1.3. Meio envolvente/ localização
As freguesias onde se situam as duas instituições, Torgueda e S. Dinis, pertencem ao concelho de Vila Real.
Vila Real é a capital da província de Trás-os-Montes e compreende 14 concelhos e 254 freguesias. Os concelhos são: Alijó, Boticas, Chaves, Mesão Frio, Mondim de Basto, Montalegre, Murça, Peso da Régua, Ribeira de Pena, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real (http://www.cm-vilareal.pt/, consultado a 3 de Abril de 2009).
A cidade de Vila Real está situada a cerca de 450 metros de altitude, sobre as margens do rio Corgo e localiza-se num planalto rodeado de altas montanhas, onde se realçam as serras do Marão e do Alvão. Distancia-se, aproximadamente, 85 Km em linha recta do Oceano Atlântico que lhe fica a Oeste; 15 Km do rio Douro que lhe corre a Sul e, para Norte cerca de 65 Km da fronteira com a Galiza, Espanha. É sede de
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concelho e capital de distrito (http://www.cm-vilareal.pt/, consultado a 3 de Abril de 2009).
A população do concelho, constituído por 30 freguesias, ronda os 50000 habitantes, para uma área de 378,5 Km2, ou seja, apresenta uma densidade populacional de 132 habitantes/ Km2 (idem).
Segundo a autarquia, actualmente, Vila Real vive uma fase de crescente desenvolvimento a nível industrial, comercial e dos serviços, com relevo para a saúde, o ensino e o turismo, apresentando-se como local de eleição para o investimento externo (ibidem).
O concelho de Vila Real, sem prejuízo da forma urbana da sua sede, é maioritariamente rural. As suas gentes dedicam-se, principalmente, ao comércio, à agricultura e à criação de gado. Quanto à produção agrícola destaca-se a batata, o centeio, o vinho, o milho, a castanha, as hortaliças, os legumes e as frutas. Nas terras mais quentes cultiva-se azeite, vinho, amêndoas, nozes e figos. As indústrias são reduzidas.
As aldeias transmontanas estão a ficar desertificadas, pois a natalidade tem vindo a diminuir bastante e as poucas pessoas que existem preferem viver nas cidades, onde existem melhores condições de vida.
Devido à situação geográfica o seu clima é de extremos, caracterizado por um Inverno longo e rigoroso, com geadas intensas e grande precipitação, chegando por vezes a temperaturas abaixo de 0º C. O Verão é bastante seco e quente. Com estas diferenças de temperatura bruscas, os dias intermédios são raros (http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Real, consultado a 3 de Abril de 2009).
Pessoas Ilustres de Vila Real:
Diogo Cão, D. Pedro de Castro, Morgado de Mateus, Monsenhor Jerónimo do Amaral, Camilo Castelo Branco, Alves Roçadas, Carvalho Araújo, entre outros.
Gastronomia
A gastronomia de Vila Real é rica em doces, como as “Cristas de Galo”, os “Cavacórios”, o “Toucinho do Céu”, os “Pitos de Santa Luzia” e as “Ganchas de S. Brás”. Como pratos típicos servem-se tripas aos molhos, cabrito assado com arroz de forno, vitela assada, joelho da porca e vários pratos de bacalhau. Destacam-se ainda a bola de carne, covilhetes, salpicões e alheiras.
11 Museus:
Museu de Arqueologia e Numismática, Museu da Vila Velha, Museu de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Museu Etnográfico e Museu do Som e Imagem (Teatro Municipal).
Monumentos
Vila Real não apresenta muitos monumentos, mas possui alguns de grande valor arquitectónico, dos quais se destacam o Palácio de Mateus, o Pelourinho, a Casa dos Marqueses de Vila Real (Casa do Arco), a Capela Nova, a Igreja de São Pedro e a Sé (Igreja de S. Domingos).
Outros monumentos:
Estátua de Carvalho Araújo, Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Igreja do Calvário.
Outras infra-estruturas:
Biblioteca Municipal, Estação dos Correios, Escola Fixa de Trânsito, Instituto Português da Juventude (IPJ), Jardim da Carreira, Parque Florestal, entre outros.
1.3.1. Jardim-de-Infância de Arrabães
Iremos fazer uma breve abordagem à freguesia de Torgueda onde se inseriam parte das crianças que frequentavam o Jardim-de-Infância de Arrabães.
Localização
Envolvido por um meio tipicamente rural o Jardim-de-Infância de Arrabães situa-se na freguesia de Torgueda; esta integra diversas povoações: Abelheira, Arnadelo, Castedo, Farelães, Meneses, Moçães, Pomarelhos, Tuizendes, Sardoeira, Rendeiro e Torgueda.
Esta freguesia confina a norte com a Campeã, a nascente com S. Miguel da Pena, a Sul com Parada de Cunhos e a poente com o concelho de Santa Marta de Penaguião (http://www.eb1-arrabaes.rcts.pt/anossaterra.html, consultado a 3 de Abril de 2009).
A aldeia de Arrabães, a mais populosa da freguesia, situa-se numa encosta do Marão, a cerca de 8 km de Vila Real e é atravessada no seu lado direito pelo IP4 (idem).
12 Meios de transporte
Em relação aos transportes, esta freguesia é servida por um autocarro a cargo de uma das centrais de camionagem do concelho, a Rodonorte, que passa pela povoação três vezes ao dia, manhã, tarde e noite. O veículo próprio e os táxis de cinco e nove lugares asseguram para além de outros serviços, o transporte das crianças para o Jardim-de-Infância (http://jfregtorgueda.no.sapo.pt, consultado a 3 de Abril de 2009).
As vias de comunicação são suficientes e encontram-se em razoável estado de conservação, existindo estradas camarárias, Nacional 2, Nacional 15 e o IP4 (idem).
A construção do IP4 tornou-se importante, no sentido de facilitar as deslocações das pessoas da freguesia à cidade de Vila Real, onde encontram vários postos de trabalho.
Demografia
De acordo com os CENSOS 2001 Torgueda tem 13,78 Km2 de área, com 1583 habitantes: 756 homens e 827 mulheres (http://pt.wikipedia.org/wiki/Torgueda, consultado a 3 de Abril de 2009).
A densidade populacional é de 114,9 habitantes/ km2 (idem).
Quanto à estrutura etária, destaca-se o grupo dos 25 aos 64 anos com 45,4%, segue-se o dos 0 aos 14 anos com 22,1% e o dos 15 aos 24 anos com 17,0%; por fim os com mais de 65 anos representam 15,4% da população existente.
Escolas
Em Torgueda funcionam seis salas de 1.º Ciclo e dois Jardins-de-Infância (http://jfregtorgueda.no.sapo.pt, consultado a 3 de Abril de 2009).
Os estudantes, após completarem o 1.º CEB, são “forçados” a deslocarem-se diariamente à cidade de Vila Real para continuarem os estudos.
Recursos disponíveis
Estamos perante um meio rural que possui recursos interessantes para o desenvolvimento de competências nas crianças. São eles os espaços verdes (pinhais, soutos, …), terrenos de cultivo, animais, campo de futebol e Centro Cultural onde existe uma escola de pingue-pongue.
A exploração destes espaços permite o contacto com a natureza, que desperta a curiosidade de saber, e o desenvolvimento de competências a nível da área do Conhecimento do Mundo.
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No que diz respeito ao campo de futebol é um recurso importante, pois promove o desenvolvimento da área de Expressão e Comunicação no domínio da Expressão Motora de forma lúdica.
O Centro Cultural de Arrabães era apenas usado para a escola de pingue-pongue que era frequentada por algumas destas crianças. A festa de final de ano foi organizada neste local pelo facto de ter um palco e ser mais espaçoso.
Sendo um meio tipicamente rural não possui alguns recursos que são importantes para corresponder às necessidades das crianças pelo que, quando necessário, se deslocam à cidade de Vila Real. Assim, visitámos com as crianças a Biblioteca Municipal, o IPJ, o museu da Vila Velha, entre outros. Estes recursos foram importantes no desenvolvimento de alguns objectivos que estavam previstos no Projecto Curricular de Grupo (PCG).
O Teatro Municipal e o IPJ dão oportunidade às crianças para assistirem a peças de teatro, desenvolvendo competências a nível da área de Formação Pessoal e Social, de Expressão e Comunicação (nos domínios da Linguagem Oral e abordagem à Escrita e Expressão Dramática) e do Conhecimento do Mundo.
A Biblioteca Municipal possui vários livros que as crianças podem folhear tendo contacto com a escrita, desenvolvendo a área de Formação Pessoal e Social e Expressão e Comunicação (no domínio da Linguagem Oral e abordagem à Escrita). Nesta Biblioteca são também apresentadas peças de teatro que podem desenvolver a área de Expressão e Comunicação (nos domínios da Linguagem Oral e abordagem à Escrita e Expressão Dramática) e do Conhecimento do Mundo.
No contacto com os museus da cidade as crianças trabalham objectivos a nível da área do Conhecimento do Mundo.
Como conhecemos o meio
Sabendo que é muito importante conhecer o meio no qual o nosso grupo de crianças se insere, logo no início da nossa prática pedagógica pesquisámos na Internet sobre a aldeia, falámos com a assistente operacional, com os pais e com as crianças, de forma a obtermos informação variada sobre Torgueda. A visita que fizemos às colmeias também nos permitiu conhecer um pouco melhor a aldeia de Arrabães.
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1.3.2. Escola EB1 n.º 5 de Vila Real
Pretendemos fazer uma breve abordagem à freguesia de S. Dinis, concelho de Vila Real, um meio urbano, onde se situa a Escola EB1 n.º 5 de Vila Real.
Localização
São Dinis tem 1,48 km² de área e 3870 habitantes (2001). Das 30 freguesias do concelho, é a menor em área, a 3.ª em população residente e a de maior densidade populacional (2614,9 hab/ km²). É uma das três freguesias oficialmente urbanas, ocupando a zona sudoeste da cidade, na confluência dos rios Corgo e Cabril (http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Dinis_(Vila_Real), consultado a 3 de Outubro de 2009)
A instituição situa-se na Rua Doutor António da Fonseca perto de várias instituições importantes, tais como a Câmara Municipal, o Tribunal, a Estação de Correios, a Polícia de Segurança Pública (PSP), o Governo Civil e a Junta de Freguesia. Está bem localizada, com bons acessos, junto de uma rua principal e numa zona comercial. Desta forma, a sua localização possibilita uma boa acessibilidade aos recursos que a cidade de Vila Real oferece, tal como descrevemos no início deste ponto. Como conhecemos o meio
O facto de estudarmos em Vila Real fez com que, para além da pesquisa realizada, conhecêssemos várias características e recursos desta cidade.
1.4. Organização interna
1.4.1. Jardim-de-Infância de Arrabães
A instituição apresentava duas valências, uma de Educação Pré-Escolar e uma de 1.º CEB, destinadas a receber crianças dos 3 aos 6 anos e dos 6 aos 10 anos, respectivamente. Quem geria o Jardim-de-Infância de Arrabães era a educadora titular Edite Gaspar.
No que respeita ao horário da componente lectiva, esta dividia-se em dois períodos:
– Período da manhã: das nove às doze horas; – Período da tarde: das catorze às dezasseis horas.
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A componente lectiva do 1.º CEB diferia do horário praticado no Jardim, sendo distribuída da seguinte forma:
– Período da manhã: entrada às oito horas – saída às treze horas; – Período da tarde: entrada às treze horas – saída às dezoito horas.
Nesta instituição o corpo docente era composto por uma educadora de Infância, três professoras do 1.º CEB, uma educadora de apoio e uma assistente operacional. O total de crianças a frequentar a instituição era de cinquenta e uma, distribuídas pelas diferentes valências da seguinte forma:
Pré-Escolar – vinte;
Ensino Básico – trinta e uma, distribuídas pelos quatro anos de escolaridade.
Esta instituição tinha duas salas, uma para o Jardim-de-Infância outra para o 1.º CEB. Existiam actividades extra curriculares apenas para o 1.º CEB: Expressão Musical, Dramática, Plástica, Motora e Inglês.
A admissão das crianças no Jardim-de-Infância realizava-se entre 1 de Janeiro e 20 de Junho. Durante este período aceitavam-se crianças que completassem 3 anos até ao dia 31 de Dezembro do mesmo ano. Só eram aceites inscrições até ao final do 1.º período, e no caso de haver vaga.
O atendimento aos pais, no Jardim-de-Infância de Arrabães, era realizado pela educadora Edite Gaspar, educadora responsável na instituição, efectuando-se às quartas-feiras, das dezasseis às dezassete horas, fora do período lectivo. Estas e outras reuniões eram realizadas na sala de actividades, pois não existia qualquer outra divisão com esta funcionalidade.
As reuniões de pais eram realizadas no mesmo horário, uma vez por semestre ou sempre que fosse necessário.
Este Jardim não possuía componente de apoio à família, apesar de já ter sido considerada pela Junta de Freguesia numa proposta aos pais; do ponto de vista destes a instituição não possuía as condições necessárias a um bom funcionamento desta componente.
Quanto ao regime alimentar era fornecido o leite escolar.
A instituição em questão usufruía de um subsídio do ME e ainda de apoio da Junta de Freguesia, no que se refere ao transporte e material escolar.
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Todos os Jardins do Agrupamento estavam a funcionar com o calendário agendado para o ano lectivo:
É de salientar que existia no Jardim-de-Infância um RI que foi lido e aprovado por todos os encarregados de educação; quando necessário poderia ser consultado pelos mesmos.
Nas saídas ao exterior deveria existir uma autorização individual dos encarregados de educação. Sempre que esta implicasse transporte, deveria ser comunicada antecipadamente ao Agrupamento.
As deslocações para o Jardim eram asseguradas pelo transporte da Junta de Freguesia, com apenas duas viagens, ida e volta no período da manhã, sendo que no período da tarde as crianças que viviam noutras aldeias mais afastadas não compareciam.
O Jardim-de-Infância de Arrabães não tinha transporte próprio, usufruía de transporte cedido pela Junta de Freguesia nas saídas ao exterior.
Nesta instituição realizavam-se várias actividades em conjunto com o 1.º Ciclo, tais como o magusto, a festa de Natal, o Dia Mundial da Criança, a festa de final de ano e algumas visitas de estudo/ saídas. Quando se realizavam estes eventos eram convidados os pais e elementos da Junta de Freguesia de Torgueda. Nas épocas festivas as crianças construíam prendas para levar para casa, oferecer à presidente da Junta de Freguesia e às professoras do 1.º CEB.
1.4.2. Escola EB1 n.º 5 de Vila Real
A Escola EB1 n.º 5 de Vila Real tinha duas salas de aula, um hall, um gabinete, quatro casas de banho, um espaço coberto e o recreio.
1.º Período Início – 15 de Setembro Fim – 24 de Dezembro 1.ª Interrupção 26 de Dezembro a 2 de Janeiro 2.º Período Início – 5 de Janeiro Fim – 5 de Abril 2.ª Interrupção 23 de Fevereiro a 25 de Fevereiro 3.º Período Início – 13 de Abril Fim – 10 de Julho 3.ª Interrupção 6 de Abril a 13 de Abril
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As duas assistentes operacionais e uma tarefeira, alternadamente, encarregavam-se da abertura e encerramento desta instituição.
As suas funções, explícitas no RI 2009/ 2013, passam por várias responsabilidades, tais como contribuir para o bem-estar, segurança e formação dos alunos; colaborar, de forma activa, com os restantes intervenientes no processo educativo; participar na organização; cooperar na preservação da instituição e equipamentos; respeitar a informação confidencial dos alunos e encarregados de educação; cumprir os horários; colaborar para que haja ordem, disciplina e limpeza, entre outras.
As assistentes operacionais assumem um importante papel na vida da Escola:
“[…] elementos-chave no processo de mediação entre a escola e o território envolvente, podendo por isso constituir-se como elementos capazes de contribuírem para a credibilização ou o descrédito dos projectos de intervenção educativa que se desenvolvem nos contextos escolares e das pessoas que os animam” (Cosme, 1998: 207).
Podemos constatar que as mesmas, nestas instituições, eram elementos fundamentais para a acção educativa, visto que desempenhavam com qualidade os serviços pelos quais eram responsáveis.
Esta Escola funcionava em regime normal e horário duplo. Na parte da manhã, funcionavam as duas salas, uma com o 2.º ano e a outra com o 3.º ano. Na parte da tarde, uma das salas funcionava com a continuação do horário da turma de 2.º ano e a outra com o 4.º ano.
Parte da manhã Parte da tarde
7h - 45min. 13h e 13h - 45min. 8h - 45min. 15h - 45min.
12h 18h - 15min.
Tabela 2 – Horário de abertura do portão
Duplo da manhã (3.º ano) Duplo da Tarde (4.º ano) Horário normal (2.º ano) 8:00 - 10:30 13:15 - 15:30 9:00 - 10:30
Intervalo de 30 minutos Intervalo de 30 minutos Intervalo de 30 minutos
11:00 - 13:00 16:00 - 18:15 11:00 - 12:00
Pausa para almoço 1:45 minutos
13:45 - 15:45
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A leccionação estava distribuída por três professoras titulares, uma a leccionar o 2.º, outra o 4.º e outra o 3.º ano (professora Margarida Assunção, coordenadora de Escola e cooperante do nosso estágio).
Para além das assistentes operacionais, estas professoras também vigiavam o intervalo e apoiavam-se num horário estabelecido:
Havia uma prof.ª que exercia funções de apoio educativo a esta turma de 3.º ano, com o seguinte horário: à 2.ª e 4.ª feira, das 15:30 às 16:30 e à 5.ª e 6.ª das 8:30 às 12:30. Dava Apoio ao Estudo 1 das AEC, visto a professora titular estar dispensada do mesmo pelo Director, por desempenhar funções de coordenação na implementação do Novo Programa de Matemática neste Agrupamento a nível do 1.º CEB.
A maior parte dos alunos frequentava as AEC. Estas eram facultadas na Escola, para o 2.º ano e nas instalações da Santa Casa da Misericórdia para o 3.º e 4.º ano.
Os professores titulares de turma dispunham de um horário para atendimento aos encarregados de educação:
1.5. Caracterização global do espaço
As salas do Jardim-de-Infância de Arrabães e da Escola EB1 n.º 5 de Vila Real apresentavam boa luminosidade, pois tinham várias janelas de grandes dimensões e luz eléctrica. Quando necessário, na sala de 1.º CEB, eram ligados três aquecedores eléctricos e na sala de actividades, do Jardim, um aquecedor eléctrico e uma salamandra. Este aquecimento permitia um ambiente confortável nos dias de frio característicos de Vila Real.
2.ª feira 3.ª feira 4.ª feira 5.ª feira 6.ª feira
Parte da manhã Prof.ª do 3.º ano Prof.ª do 2.º ano Prof.ª do 3.º ano Prof.ª do 2.º ano Prof.ª do 3.º ano
Parte da tarde Prof.ª do 4.º ano Prof.ª do 4.º ano Prof.ª do 4.º ano Prof.ª do 4.º ano Prof.ª do 4.º ano
Tabela 4 – Horário de vigilância no intervalo
Segunda-feira da 1.ª e da 2.ª semana do mês
2.º ano 17:45 - 18:15
3.º ano 18:15 - 18:45
4.º ano 18:15 - 18:45
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Em todo o espaço destas duas instituições, incluindo as salas, era visível a limpeza, tarefa realizada, no Jardim, por uma assistente operacional e, no 1.º CEB, por duas assistentes e uma tarefeira. Na sala de actividades, encontrava-se ainda uma banca com pia, localizada próximo da área de Pintura, Modelagem e Ciências e da mesa da área de Desenho, Recorte e Colagem, podendo ser utilizada sempre que fosse preciso.
O recreio, nestas duas instituições (Pasta 2, Anexo 1), tendo em conta as crianças/ alunos que o frequentavam era amplo, embora em ambos os casos não apresentasse as condições necessárias.
No Jardim-de-Infância apesar de ter um baloiço este não podia ser utilizado, pois não tinha os assentos. Resumidamente, não existia um parque infantil para que as crianças brincassem, o explorassem e desenvolvessem competências a nível do domínio da Expressão Motora. Segundo Lobo (1988: 20) a zona exterior deverá ter “[…] material que permita às crianças subir, descer, saltar, trepar, suspender-se, escorregar, etc…” Ainda a este propósito, de acordo com Leandro (2003: 6), é no recreio que “[…] a criança tem possibilidades de exprimir as suas capacidades corporais.” A mesma autora (idem) refere ainda que a criança ao brincar com os seus colegas “inventa as suas brincadeiras, o que [a] leva à descoberta das suas próprias capacidades de agilidade, destreza e domínio.” O parque infantil apesar de já ter sido solicitado à Junta de Freguesia ainda não tinha sido montado.
Neste Jardim, no recreio, existiam vários materiais, tais como pás, baldes, camiões, carretas, cordas, sacos, arcos, bolas, balizas, cesto de basquetebol e matraquilhos (Pasta 2, Anexo 2). Apesar de não existir parque infantil tinham acesso a diversificados materiais, permitindo-lhes desenvolver competências a nível do domínio da Expressão Motora e da área de Formação de Pessoal e Social. A disponibilidade deste material era importante, pois possibilitava que as crianças saltassem, rebocassem, empurrassem e lançassem. Para que o recreio possa ser um local atractivo, estimulando desta forma aprendizagens “[…] deve ter […] areia e alguns materiais como: pás, formas, baldes, etc […] materiais para: lançar: bolas, ringues; rebocar: camionetas, caixas, carros, caixotes…; empurrar: pneus, carrinhos de mão; saltar e fazer outros exercícios físicos: cordas e arcos” (ibidem: 7).
Neste espaço situavam-se duas divisões de arrumos. Numa delas guardava-se algum material de desperdício, o leite escolar, as bolas, os arcos e sacos. Na outra estava o restante material de brincar no recreio e o cesto de basquetebol. Existia um pequeno
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coberto onde se situava uma dessas divisões e as casas de banho, mas a sua dimensão não suportava a presença de todas as crianças, o que impedia que em dias de temperaturas muito elevadas ou baixas, o recreio fosse utilizado. Tal facto fazia com que os jogos motores, nestas situações, não fossem realizados neste espaço exterior. Era constrangedor para as crianças, nestes dias, de temperaturas extremas, só frequentarem a sala de actividades, visto que também não existia um polivalente.
O chão era constituído quase na sua totalidade por terra, tendo só uma parte em gravilha onde as crianças brincavam com os objectos já referidos anteriormente. Era visível a presença de espaços verdes (dois canteiros e cerca de 9 árvores), o que possibilitava o contacto com a natureza. Estes espaços permitiram às crianças desenvolverem a área do Conhecimento do Mundo, pois as árvores foram plantadas com a participação das mesmas. Segundo Leandro (2003: 6) para estimular a aprendizagem da criança este recinto deve ter: “[…] árvores, canteiros cultivados […] que deverão ser tratados pelas crianças [pois] este tipo de actividade desenvolve o contacto com a natureza […]”. De acordo mesma autora (idem), “podem ser desenvolvidas [aprendizagens] com os materiais do exterior, tais como areia, água, plantas, animais, objectos, etc., que dão origem ao desenvolvimento da linguagem, da matemática, das ciências e de actividades criadoras.”
Relativamente à Escola EB1 n.º 5 de Vila Real, como já referimos acima, este espaço exterior à sala de aula, apresentava-se satisfatório para a quantidade de alunos. Oferecia segurança, pois era vedado por rede, muro e o seu portão encontrava-se sempre fechado. Em termos de equipamentos lúdicos, possuía um campo de futebol e duas balizas (Pasta 2, Anexo 3). Existia ainda um coberto, para que em dias de frio, chuva ou de temperaturas demasiado elevadas, os alunos se protegessem durante as suas brincadeiras. O seu chão (Pasta 2, Anexo 4) era de cimento, encontrava-se em mau estado de conservação e incluía um canteiro comprido e estreito e duas árvores. Este espaço também dispunha de ecopontos para a separação de lixo, levando à criação de hábitos necessários no que diz respeito à protecção do ambiente (Pasta 2, Anexo 5).
A nosso ver, um dos aspectos negativos recaía na pequena quantidade de espaços verdes, com o agravante do edifício se situar, na cidade, relativamente longe de parques e jardins públicos. Em termos do desenvolvimento de competências a nível motor, os alunos dispunham de largueza para se movimentar em várias brincadeiras, tais como correr, saltar, jogar futebol, à corda, ao elástico, entre outras. É necessário ter em
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conta estes aspectos pois “o espaço exterior do estabelecimento […] é igualmente um espaço educativo”, merecendo a mesma atenção por parte do professor (Ministério da Educação, 1997: 38).
O Jardim-de-Infância de Arrabães não se encontrava em bom estado de conservação; notavam-se deficientes recursos materiais a nível de higiene pessoal, existindo apenas duas casas de banho de reduzidas dimensões e desajustadas às crianças. Só existiam casas de banho apropriadas para adultos. Estas situavam-se no exterior da sala, resguardadas debaixo de um reduzido coberto, e não reuniam as condições necessárias para a sua utilização (Pasta 2, Anexo 6).
Segundo Bassedas, Huguet e Solé (1999: 108) a parte exterior da instituição “é preciso que seja um espaço agradável, onde se tenha a sensação de ser bem recebido […].” O exterior do Jardim não era agradável pois mostrava decadência. A degradação do espaço envolvente era um factor de risco para as crianças. São de salientar as deficientes condições de segurança da zona envolvente, visto que este Jardim-de-Infância se encontra situado perto de uma curva sem visibilidade, que apesar de ter uma passadeira e um sinal avisando a proximidade de uma Escola, pensamos ser bastante perigosa, dificultando o acesso (Pasta 2, Anexo 7).
A Escola EB1 n.º 5 de Vila Real, um edifício tipo plano centenário, encontrava-se com um nível de conencontrava-servação satisfatório, excepto o chão do recreio. As quatro casas de banho, situadas no recreio, resguardadas debaixo do coberto, eram suficientes e ajustadas para os alunos que frequentavam este estabelecimento, contudo em dias de bastante frio os mesmos tinham de se deslocar do ambiente ameno da sala para as utilizarem, tal como acontecia no Jardim (Pasta 2, Anexo 8).
Relativamente à qualidade do espaço envolvente, na rua onde se situa esta instituição, encontramos passeios em bom estado, passadeira perto do portão e sinalização.
1.5.1. Aspectos positivos e negativos para o desenvolvimento da actividade educativa
Tendo em conta o que se referiu anteriormente, as características institucionais facilitadoras da actividade educativa nas duas instituições eram: a boa luminosidade das salas, o aquecimento, a limpeza e o recreio amplo.
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Como aspectos positivos, no Jardim, podemos considerar ainda a diversidade de espaços verdes (jardins e árvores plantadas) e a variedade de materiais a utilizar no recreio. É de salientar a assistência da Junta de Freguesia e da Câmara para o transporte das crianças nas várias visitas de estudo. Apesar de a instituição não ter transporte, o Jardim tinha à sua disposição táxis de 9 lugares pagos com a ajuda da Junta de Freguesia, para que as crianças pudessem usufruir dos recursos disponíveis na cidade de Vila Real, desenvolvendo variadas competências nas diversas áreas de conteúdo.
Quanto aos constrangimentos institucionais à actividade educativa realçamos a má conservação da instituição, as deficientes condições de segurança da zona envolvente, as condições desajustadas das casas de banho, a falta de um coberto, de um parque infantil e de transporte próprio. Este último era assegurado pela Junta de Freguesia, mas só da parte da manhã. Revelava-se insatisfatório, pois as crianças das aldeias mais afastadas não frequentavam o Jardim da parte da tarde.
Relativamente ao 1.º CEB, as condições vantajosas passavam pela boa conservação da instituição; a boa qualidade das casas de banho; o coberto bastante extenso; as condições satisfatórias, em termos de segurança, da zona envolvente à instituição; e a localização da instituição, que permitia usufruir de forma bastante acessível dos meios que a cidade de Vila Real oferece, para o desenvolvimento de competências a nível das várias áreas.
Os reduzidos espaços verdes, nesta instituição, a nosso ver, apresentavam-se como um factor negativo, diminuindo a possibilidade do desenvolvimento de competências a nível da área curricular de Estudo do Meio. A má conservação do chão do recreio podia interferir a nível da segurança.
1.5.2. A importância de um bom funcionamento institucional
Segundo Bredekamp (1992), citado por Bairrão (1998: 48), a qualidade “consiste num meio ambiente rico que promove o desenvolvimento físico, social, emocional e cognitivo das crianças, respondendo igualmente às necessidades das famílias.”
De acordo com Cryer (in idem: 86) “[…] os melhores indicadores de alta qualidade […] são: um baixo número de crianças por adulto, um melhor nível de formação dos educadores [/professores] e demais pessoal, e responsáveis por estabelecimentos com uma razoável experiência no cargo.”