:'°z=z..._,='q Universidade Federal
de Santa
Catarina fl '\'\ iczbšíffifv' -cf - tf' .Programa
de Pós-graduação
em
Engenharia
de Produção
SÓ
DÓI
QUANDO
EU
RIO
-
UM
ESTUDO
PSICANALÍTICO
SOBRE
O
CÔMICO,
O
CHISTE
E
O HUMOR
Beatriz
Palhano
de
Jesus de Vasconcelos
Dissertação
apresentada
ao
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia
de
Produção da
Universidade Federal
de
Santa
Catarinacomo
requisito parcial paraobtenção
do
títulode
Mestre
em
Engenharia
de Produção
Florianópolis
Beatriz
Palhano
de Jesus de Vasconcelos
só
Dói
QuANDo
Eu
Rio -
um
Esruoo
Ps|cANA|.íTico
soeRE
o
coivuco,
o
cH|sTE
E
o
HUMOR
Esta dissertação foi julgada
adequada
eaprovada
para aobtenção do
título
de
Mestre
em
Engenharia
de Produção
no
Programa
de
Pós-
Graduação
em
Engenharia
de Produção da
Universidade
Federalde
Santa
Catarina.Flofianópoiisfls de
jumo
de
2oo1
A
_Prof. Ricar ~
Mranda
Brcia, Phd.D.
Coorden
ordo
Curs
_Pr _ Francisco Antonio Pereira Fialho, Dr.
Orientador
Banca
Examinadora:
‹›?1z:¿.v§}2?ø,.r.>z11:1,/'15'
X/
'W
Profa. Edis
MafLaoiii,
Dra. Prof. Kleber Prado, Dr.r
aí/g
A
Luiz Fernando, Flávio e Maurício,minha
trinca dinâmica,com
amor
e principalmentecom
profundoagradecimento
pelo exercício cotidiano
do
humor.A
Antônio Celsode
Paula Saboia,tio, padrinho e sobretudo perfeito provedor
de
livros. Agora,Agradecimentos
À
Universidade
Federalde Santa
Catarina.Ao
UNIS,que
intermediou este curso.Ao
Professor
Fialho, pelo interesse, pela orientaçãosempre
eficaz,e, sobretudo, pelo
humor
compartllhadp.A
todos
aqueles
que
participaramde
uma
forma
ou
de
outrada
“Há
uma
idadeem
que
se ensina oque
sesabe,
mas
vem
em
seguida outra,em
que
se ensina o
que não
se
sabe: isso sechama
pesquisar.Vem
talvezagora
aidade
de
uma
outra experiência, ade
desaprender,
de
deixar trabalharo
remanejamento
imprevisívelque
oesquecimento impõe à sedimentação dos
saberes,
das
culturas,das
crençasque
atravessamos.
Essa
experiência tem, creipeu,
um
nome
ilustre e forade moda, que
ousarei
tomar
aquisem
complexo,na
própria encruzilhada
de sua
etimologia,Sapientia:
nenhum
poder,um
pouco de
saber,
um
pouco de
sabedoria, e omáximo
de
sabor
possível”.Lista
de
Figuras ... _.Resumo
... ._Abstract ... _.
1
INTRODUÇÃO
... ..1.1 Justificativa ... ._
1.2 Estabelecimento
do Problema e
Delimitaçãodo
Tema
... ._3 Objetivos ... ._ 1 Objetivo Geral ... .. 2 Objetivos Específicos ... .. -À-\¿.¿_L_-À o›u¬.i>_‹.o_<.o Qliš «33 et 2
A
cÓL|cA
Do
PRÓx||vio
... .. odologia ... ._ itações ... ._ anizaçãodo Estudo
... ._ 3o vELHAco
HiPÓcR|TA
... _.4
SÓ-Dói
QUANDO
Eu
Rio
.~ ... ..5
CONSIDERAÇOES
FINAIS
E
RECOMENDAÇOES
PARA
P
P P `U"U"U"U`O'U`U'U'U P P PTRABALHOS
FUTUROS
... ._ p 5.1Consideraçoes
Finais ... ..5.2
Recomendações
para Trabalhos Futuros ... ..REFERÊNciAs
BiBL|oGRÁFicAs
... ..ANEXO
P .....p
... .. p ... _. p.Lista
de
Figuras
Figura 1: Riso e Nlorte ... ._
Figura 2:
Nó
borromeano esquematizado
... ._Figura 3:
O
cômico
se constatana
imagem
do
outro ... ..Figura 4' _
O
cômico
ingênuo' _ o chistede
p
ende
de você
... _.Figura 5: Suporta-se
com
paciência a cólicado
próximo ... _.Figura 6: Desvio inesperado
de
sentido:um
rápido saltode
dentroda
linguagem
... ..Figura 7:
Humor
da
forca,quase
que
em
estado bruto ... ._Figura 8:
A
irreverênciado
sorriso ... ..Figura 9:
Um
chiste tornando palatável ohumor
negro ... ..Figura 10:
Um
recursodesesperado
... _.Figura 11: Cândida, a otimista
ou
a certeza absoluta ... _.Figura 12:
A
coragem
do
humor
... ..`°`.Õ`°`.U`.° 'o'o'o'o'c›'_o'o
07
08
15 2124
33
46
47
48
56
51 71Resumo
VASCONCELOS,
BeatrizPalhano
de
Jesus
de.Só
dóiquando
eu
rio-
Um
estudo
psicanalíticosobre
o
cômico,
o
chiste eo humor.
2001, 78f.Dissertação (Mestrado
em
Engenharia de Produção)
-
Programa de
Rós-graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
Florianópolis.Este trabalho
se propõe
a estudar o cômico,o
chistee
ohumor
a partirde
textos
de Freud
e Lacan,com
apoio adicionalde
textos literários elingüísticos.
Com
este objetivo, jáque
taistemas
aparecem
dispersosnas
obras
dos
referidos autores, articulou-se esta dissertação a partirdo
estudoinédito
das
relações entreo cômico e
o imaginário,o
chiste e o simbólico,o
humor
eo
real.Se
os fatoresque causam
o
risosão
coisasde
pouca
importância, por outro lado
não
sepode
pensar
omundo sem
o
prazerdo
riso. Esta dissertação conclui
apostando na
viado
humor
como
um
dos
recursos para o sujeito lidar
o
melhor possivelcom
a faltaque
estáno
centroda causa de
desejo.Abstract
VASCONCELOS,
BeatrizPalhano
de Jesus
de.Só
dóiquando
eu
rio-
Um
estudo
psicanalíticosobre o
cômico,
o
chiste eo humor.
2001, 78f.Dissertação (Mestrado
em
Engenharia de Produção)
-
Programa de
Pós-graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
Florianópolis.The
main aim
of thispaper
is to study the comic, the witand
the humor,starting from Freud's
and
Lacan'sessays
or articles, besides usingsome
occasional help of literary
and
linguistics texts. With this objective, sincethese topics
happen
toappear
scattered in those author's works,we
have
tried to study the following innovating connections: comic-imaginary, wit-
symbolic
and
humor-real. If the factors responsible for Iaughing aren't ofgreat importance,
on
the other side,we
cannot thinka
world without Iaughter.This paper, therefore points at
and
bets inhumor
asone
of themanners
forman
to deal, in the best way, with the lack resting in very center of desireorigin.
1.1
Justificativa
Este trabalho se
propoe
auma
investigaçao sobreo
riso.Ou
melhor,sobre os fatores que,
do
pontode
vista psicanalitico,podem
levarao
riso.Riso
e
psicanálise, risoem
psicanálise. Porquê?
Se
rirnão
serve para nada, é coisa ecausa
pequena
esem
utilidadeprática,
sabe-se
que
é
dissomesmo
que
a psicanálise se ocupa:dos
restos,erros e tropeços
mais
diversos,mas
que
instituem ahumanidade
do
homem.
E quando
se
é mais
humano
do
que
rindo? Afinalde
contas,o
homem
é
um
animal
que
ri. Ridos
outros, ricom
os outros, ride
simesmo.
Eis os motivosque
aqui levaram à pesquisado
cômico,do
chiste edo
humor
na
obrade
Freud
enas
releituras freudianas propostas por Lacan.Nessa
retomada, a autora verificouquão
pouco o
tema
éabordado
ernpsicanálise, quer
na
teoria, querna
prática, querna
práxis.Por
causa
dissopropõe
neste textouma
articulação pessoale
inédita entreesses
fatoresde
riso. Esta articulação parte
da
premissa a seguir:enquanto
sujeito desejantecapturado pela linguagem,
o
serhumano,
segundo
a leitura Iacaniana,supõe
a imbricação, o entrelaçamento
de
três registros, a saber, real, imaginário esimbólico.
Sob
essa
perspectiva estudou-seo cômico
privilegiandq oimaginário,
o
chiste investindono
simbólico e ohumor
enfrentando o real.Percebe-se,
no
texto freudiano, a ênfasena
comparação
de
imagens,própria
do
cômico. Estacomparação
implicaem
que
uma
pessoa
riada
outra:
o
que
pressupõe
uma
sensação
de
superioridade,momentânea
qu
näo. Tal fato aponta para
uma
via imaginária,marcada
pelasemelhança,
pela pacificação
do
iguale
pela derrisãodo
diferente.O
chiste,modelo
do
inconsciente, éum
jogo desenvolvido,um
jogode
linguagem.
Por
issomesmo,
precisade
um
terceiroque
o compreenda,
senão
elesimplesmente
não
acontece.O
chiste apura alinguagem
eÉ
esse
investimentono
simbólico,esse
aprimorar a língua, driblando-a,esse
denunciar
no senso
onão
senso,que
caracteriza o processo chistoso.Quanto
ao
humor,sua
marca
éo
deslocamento
de
afeto.A
palavraafeto
no
contexto freudianonão tem
o sentidode
algosuave ou
gentil;não
há
nada de
afetuoso nela. Ela significa antes, ser afetado, estar afetado poralguma
coisa, isto é, poruma
idéia intolerável.Se
ocômico
não
suporta estar afetado, se o chistemascara
esteafeto, o
humor
o
enfrenta e o capitaliza. Desafia a dor, o trauma, onão
dizível
-
o realem
suma -
e produz
o riso,ou
melhor, o sorriso, poiso
humor não
é
gargalhante. Sorriso, só o riso, o riso só,que
compartilha amiséria, os erros,
o
estranhoque
habita o sujeito.Não
será ohumor
o
risodiante
do
que
não
pode
ser articuladoem
palavras? Paradoxalmente,essa
seria
a sua
grandeza: ele operano
limitedo
inapreensível, faceao não
sentido
do
real.Fugir (cômico),
escamotear
(chiste),desafiar
(humor): possibilidadepequena
de
alegriaque humaniza
o sujeito eo
tornamenos
desesperançado.
Isto porque,apesar do
ditado muito riso,pouco
siso,há
sabedoria
no
riso. Talvez a sabedoria advindadessa
mesma
faltade
siso,de
juízo.Dessa
mesma
falta,que
a
psicanálise reputa estruturante.E
é
exatamente
dissoque
este trabalho sepropõe
a falar.1.2
Estabelecimento
do
Problema
e Delimitação
do
Tema
A
psicanálise falado
serhumano
indefeso,nas
mãos
do
Outro.É
no
olhar
do
Outroque
procura o pontoonde
se acreditamais amável
emais
amado.
Mas,nesse
olhar,há
um
ponto inapreensível, inassimilável. Afetado poressa
perdado
que nunca
teve, o sujeito deseja: desejo impossível,irrealizável, indestrutível. Deseja
também
a felicidade,busca
também
o
prazer por várias vias.
Uma
delas vai ser objeto deste estudo:a produção do
No
presente trabalho, enfatizou-se a importânciado
humor, articulado àarte
em
geral e à literaturaem
particular,como
um
dos mais
altosprocessos
defensivos.
É
importante assinalarque
a psicanálisenão
trabalhacom
oconceito
de
doença,mas
simcom
o conceitode
defesa.Defesa
que
dizrespeito
ao
modo
pelo qualo
sujeitose
estrutura par sobreviver auma
“idéiaintolerável”. Vale aqui observar
que
o conceitode
“idéia intolerável” ede
“trauma”
no
texto freudiano correspondeao
conceitode
realem
Lacan.Freud
(1927, p.190-91) afirma que:"Já
é
horade
nos
familiarizarmoscom
algumas
característicasdo
humor.Como
os chistes e o cômico, ohumor tem
algode
liberador a
seu
respeito,mas
possuitambém
qualquer coisade
grandeza
e elevação,que
faltam às outrasduas maneiras de
obter prazer
da
atividade intelectual.Essa grandeza
resideclaramente
no
triunfodo
narcisismo,na
afirmação vitoriosada
invulnerabilidade
do
ego.O
ego
se
recusa a ser afligido pelasprovocações da
realidade, a permitirque
sejacompelido
a
sofrer. lnsiste
em
que
não
pode
ser afetado pelostraumas do
mundo
externo; demonstra,na
verdade,que
esses traumas
paraele
não
passam
de
ocasiões para obter prazer.Esse
últimoaspecto constitui
um
elemento
inteiramente essencialdo
humor. (...)O
humor
não
é resignado,mas
rebelde. Significanâo
apenas
o triunfodo
ego,mas também
odo
princípiodo
prazer,que pode
aqui afirmar-se contraa
crueldadedas
circunstânciasreais”.
Se,
como
dizJean Rostand
(obranão
localizada), "a ciência fezde nós
deuses
antesmesmo
de
merecermos
serhomens",
ohumor
restauraa
humanidade.
1.3
Objetivos
1.3.1
Objetivo
geralFornecer alguns substratos para
pensar
aprodução
do
prazerrelacionado
ao
riso, a partirde
textosde Freud
e Lacan, éo
objetivo geraldeste trabalho.
1.3.2
Objetivos específicos
‹› Relacionar riso e psicanálise;
o Articular a predominância
do
registrodo
imagináriona
gênese do
cômico;
o Destacar
no
chiste apredominância
do
simbólico;ø Enfatizar a proposta lacaniana
do
chistecomo
modelo do
Inconsciente;
0 Formalizar o
humor
como
desafioao
Real;o Apresentar o
humor
como
uma
das formas de
viver melhor, e porisso
mesmo,
mais
produtivamente,na
culturaem
cujotempo
e
espaço o
sujeito está inserido.1.4
Metodologia
“Uma
criançade
Nova
iorque escreveuperguntando
se oscientistas
rezavam
e, se rezavam, oque
pediam. Einsteinrespondeu: “(...)
A
pesquisa científicaé
baseada
na
idéiade
que
tudo
o
que
acontece édeterminado
por leisda
natureza e,portanto, isso
também
se
aplicaaos
atosdas
pessoas.Por essa
razão,
um
cientista dificilmente tenderá apensar
que
osseja, por
um
desejo expresso aum
ser sobrenatural. Entretanto,deve-se
admitirque
nosso conhecimento
presentedessas
leisé
imperfeito e fragmentado,
de
modo
que,na
verdade, a crençana
existência
de
leis universaise
básicasda
naturezatambém
repousa
sobreuma
espéciede
fé.Mesmo
assim,essa
fétem
sido
amplamente
justificada, até agora, pelosucesso
da
pesquisa científica. (...)
A
atividade científica leva aum
sentimento religioso
de
um
tipo especial,que
é,na
verdade,bem
diferente
da
religiosidadede alguém mais
candido” (O Globo,2000, p.1).
O
presente trabalho adota a pesquisa bibliográficade
textospsicanalíticos, literários, lingüísticos e outros
que
se fizerem necessários.Contudo, antes
que
se chegasse
a esta decisão foi necessário todoum
processo de
estudo, a fimde
determinar o formatoque
melhor
servisseaos
propósitosdo
textoque
se pretendia construir. Istose deve ao
lugarpeculiar
que
a Psicanáliseocupa
dentrodo
campo
das
ciênciashumanas,
como
bem
observa Octave
Mannoni.“A
questão mais
importanteem
psicanálise é ada
relaçãoda
teoria
com
a
prática, pelo fatode
a prática só encontrar oseu
sentido
na
teoriae
de
a teoriasó
encontrar asua verdade na
prática. Assim,
cada
uma
das
duas
estáordenada
em
função da
outra,
e
nenhuma
das
duas, se for isoladada
outra, está certade
sua
validade.Uma
constatação corretapode não
ter sentido, euma
conseqüência
lógicapode não
se aplicar a nada.Nenhuma
das
duas pode
progredir sozinha, falta-lhe o socorroda
outra.É
uma
banalidade,mas
importante” (Mannoni, 1992, p.127).É
nesse
sentidoque
Lacan
afirmaque
a Psicanáliseé
ética enão
ôntica
-
elanão busca
um
modelo de
“ser', oque
sob
a ótica psicanalítica,seria
um
ideal impossível. Elanão
visa amodelo
algum,não
é pedagógica.lsto implica
na questão da
obrigaçãode
ser feliz,que
parece fazer parteda
ideologia
dos
diasde
hoje.E
issoé
terrivelmente estressante, para usaruma
dever, e sim
um
direitodo
serhumano.
E
isso faz diferença.Na
sua
época,Freud
já alegava que:“A felicidade,
no
reduzido sentidoem
que
a
reconhecemos
como
possível, constitui
um
problema da economia
libidinaldo
sujeito.Não
existeuma
regrade
ouroque
se aplique a todos: todoo
homem
tem de
descobrir por simesmo
de
que
modo
específicoele
pode
ser salvo” (Freud, 1920, p.103).Por
causa
disso,passou-se
pela análisedos
métodos
qualitativos,devido a
necessidades
inerentesao
estudo psicanalítico,conforme
vistoacima.
A
pesquisa qualitativabusca
uma
compreensão
particular daquiloque
estuda,
não
sepreocupando
com
generalizações, princípios e leis.O
focoda
sua atenção é
centralizadono
específico,buscando mais
a explicaçãodos
fenômenos
estudados.Do
pontode
vista epistemológico,nenhuma
das duas abordagens
(qualitativa e quantitativa)
é mais
científicado
que
a outra.Uma
pesquisa,por ser quantitativa,
não
se torna "objetiva" e "melhor"mesmo
que
se prenda
à
manipulação
sofisticadade
instrumentosde
análise,caso deforme ou
desconheça
aspectos importantesdos
fenômenos
ou processos
estudados.Da
mesma
forma
que,sendo
qualitativa,não guarda
todas as respostasnecessárias à
compreensão
do
tema
estudado,não
garantindo acompreensão
em
profundidade. Logo,em
verdade, a identificaçãodo
método
escolhido nestemomento
presta-seapenas
para informarao
leitor amaneira
pela qual se pretendedemonstrar as
idéiasdo
texto,não cabendo
aqui
uma
discussão acercado
fatode que
o estudo seriamais
bem
realizado
caso
estivesseembasado
poruma
outra metodologia, oque não
seria compatível
com
a postura psicanalítica.Esclarecidos os pontos
que
justificam a escolhado
método, faz-seainda necessária a
explanação da
formacomo
estese
constituiu durantetoda a construção literária ora iniciada.
A
base,conforme
já anunciado, é formada, principalmente, por textos psicanalíticos, literáriose
lingüísticosque
tematizam
e/oudao
subsídios para o estudode temas
ligadosao
riso esobre o riso realizada
em
textosde
Freud,um
aspectopouco
explorado atéentão por outros autores
ao
estudarem sua
obra.Parece
difícilreconhecer
que
rir é coisa séria , tão difícil quanto se respeitaruma
pessoa
alegre.Parece
que
na nossa
culturase
levaa
seriedade muito a sério...“Gostaria
de
fazer hoje algode semelhante
- mas
talvezmais
difícil -,
ao
falardo
riso,porque
tiveum
pacienteque
riu abandeiras
despregadas no
instanteem
que
o fiztomar
consciência
de
um
desejode
morte.Não
explorei ocaso
porrazões
de
discrição. Acreditava ele, e fizera crer aseus
analistasprecedentes,
que
sofriade
pulsõeshomossexuais. Mas, na
realidade, era
um
obsessivo.Não
falareimais
desse
caso,destacando
apenas que
a descobertade
um
desejode
mortepode
fazer rir' (Mannoni, 1992, p.129).Figura 1: Riso
e
Morte1' S ' j _'._'
Ê
t JÍ
1.".-2* *@
F
No.
Brian! DÂ0!.`l'ldo
it!Aliás, o cômico, o chiste e o humor,
em
si,são
aspectospouco
explorados
em
psicanálise, razãoque
justificae concede
importânciaao
estudo ora proposto.
Cada
capítulo analisauma
forma
de
produziro
risoque
enfatizaum
determinado
registro,conforme
a estrutura preconizada porLacan
como
base
para constituiçãodo
sujeito,a
saber: imaginário, simbólico e real.A
explicação
desses
conceitos, jámencionados
anteriormente, será ampliadano
decorrerdos
capítulosdessa
dissertação.Vale lembrar
que sempre
sedeve
terem
mente que
tais registrossão
imbricados e
que
não
existe sujeitosem
o
entrelaçamentode
um
deles,conforme
omesmo
Lacan
vai estruturarcom
a
imagem do
nó borromeano.
O
nó
borromeano é
um
tipode nó
tríplice constituídode
talmaneira
que ao
se tentar retirar qualquer
um
dos nós
que
ocompõe,
ele se desestruturatotalmente.
“O nó borromeano tem
a característicade
que
nenhum
elemento
ou
anelmantém
com
o outrouma
relaçäode
cadeia,uma
relação complementária.
Nenhuma
consistênciapassa
peloburaco da
outra.O
nó borromeano
se constituisuperpondo-se
um
a outro,e
então,enlaçamos
um
terceiroque passa
porcima
do
que
estáem
cima
e por baixodo
que
estáem
baixo:Figura 2:
Nó
Borromeano
esquematizado
I
\‹/'W
Fl
S
Esta
maneira
particularde
amarração
fazcom
que
se desfaça,caso se
corte qualquerum
dos
anéis.O
três é o fundante.A
partir daí, é possível
um
nó
de
quatro,ou
mais.Amarrar
os très registrosborromeanamente marca
um
momento
importanteno
ensino
de
Lacan,porque
os torna equivalentes,não há
supremacia de
um
sobre o outro” (Mariscale
Becker, 1997,p.44).
Por
tudo isso, as especificidadesda
análise qualitativa,que
consideraque
há
um
vínculo indissociável entre omundo
objetivo e a subjetividadedo
sujeito
que
não
pode
ser traduzidoem
números,
parece sinalizar ser ela aque
mais
se adequaria auma
dissertaçãode
enfoque
psicanalítico.Acresça-se que
o trabalhoem
questão
caracteriza-setambém
como
teórico-explicativo (Richardson, et al).
Sua
metodologiade
trabalho, utilizando-sea
tipologiade
Lakatos e Marconi (1994), envolve os seguintesitens:
o
A
técnicade
coletade
dados;de
documentação
indireta;de base
bibliográfica
de
documentação
direta,com
observação
extensivaatravés
da
técnicade
Históriade
Vida Profissional,envolvendo
especialistas
na
área pela autoridadeno
assunto.ø
método de
procedimentono
estudoé
funcionalista, por tratarde
técnicas e filosofias, respeitando
a
cultura local.Volta-se aqui,
novamente,
para finalizar esta parte referente àmetodologia, às palavras
sempre
atuaisde
Einstein:“Um
professorde
5a. sériede
uma
escolaamericana
descobriuque
seus
alunos ficavamchocados ao aprender
que
os sereshumanos
são
classificadosno
reino animal. Ele sugeriuque
elesescrevessem
para cientistase pedissem
a opinião deles sobreisto. Einstein respondeu:
“Nós não
devemos
perguntar 'Oque
éum
animaI?',mas
'Que
tipode
coisachamamos
de
animal'?'Bem,
chamamos
de
animalquando
essa
coisatem
certascaracterísticas: alimenta-se,
descende de
paissemelhantes
achamamos
a minhoca, a galinha, o cachorro, e omacaco
de
animais.
E
nós,humanos? Pensem
nissoda
maneira
que eu
mencionei anteriormente e
decidam
porvocês
mesmos
se éuma
coisa certa
nós
nos
considerarmos animais”(O
Globo, 2000,p.1).
1.5
Limitaçoes
Um
trabalho psicanalítico, a priori, já implicaem
dificuldadesinerentes
à
própria perspectivada
Psicanálise, pois,ao
mesmo
tempo
em
que não há
receitase que não
se pode
enquadrá-Iaem
esquemas
bem
ordenados, é próprio dela
um
extremo
rigor. Isto configura oque
sepode
considerar
o
seu
ponto crucial,seu
tem-a recorrente:o
paradoxo.Acresça-se
a isso o fato
de
a autora supor-seum
sujeito barrado,com
limites,percebidos
ou
não,que se
refletem neste trabalho. Dentreos
primeiros,pode-se
destacar anão
articulaçãoda
ironiacom
os produtoresde
riso aquiestudados, ficando este
tema
reservado para- trabalhos futuros.As
questõesclinicas, por
sua
vez, forampouco
desenvolvidas, devido aprecauções
impostas pelo sigilo, necessárias
numa
cidadede
portemédio
como
Varginha. Isto
sempre
éum
problema
a ser contornado, já que,em
psicanálise, prática
e
teoria estãoconstantemente
interagindo. Last, but notleast, o
reconhecimento
que
a autoratem do
riscoque
correde
ter produzidoum
textoenfadonho
e malhumorado
versando
sobre...o humor.De
qualquermaneira, recorra-se, à guisa
de
consolo e desculpa, à filosófica frasedo
pescador
Luiz Cuiúba, diletoamigo de Joäo Ubaldo
Ribeiro: “Pior seria se1.6
Organização
do
Estudo
O
presente estudo está organizadoem
cincoseçoes ou
capítulos.O
capítulo 1 apresenta a situação-problema e justificade forma
resumida
a importânciado
estudo, definindo objetivos equestões
ainvestigar.
O
capítulo2
adota a perspectivade
estudar aprodução do
Cômico
edo
riso dele advindo,como
predominantemente
articuladaao
Imaginário.O
capítulo 3 falado
Chiste,de
seu
investimentono
Simbólico, ecomenta
aopção
lacanianade
considerá-lomodelo
do
Inconsciente.O
capítulo4
discutea questão do
humor,um
dom
raro e preciosono
dizer
de
Freud (1927) e objetivapoder
ser estemesmo
humor
um
dos
recursos, equiparado
em
dignidade à arte,que
permite a defesa contra odesconforto inerente à vida
humana, ao
mal-estarna
civilização.O
capitulo 5contém
as análises finais acercados
temas
aquipropostos, enfatizando
sua
articulação igualmenteborromeana,
isomóríica àconstituição
do
sujeito.Ou
seja,nos
trêstemas
estudados
(Cômico, Chiste eHumor)
existe a tríplice articulação proposta porLacan
(1974), a partirda
qual
o
sujeitotambém
se estrutura: Imaginário, Real e Simbólico.Em
suma, ao
fime
ao
cabo, talvez ohomem
também
se caracterizepor ser
um
animalque
possa
rir obom
riso: o risoda
falta. Tal fato vai"Jorge temia
o
segundo
livrode
Aristótelesporque
este talvezensinasse realmente a deformar o rosto
de
toda verdade, afim
de que
não nos tornássemos
escravosde
nossos
fantasmas.Talvez a tarefa
de
quem
ama
oshomens
seja fazer rirda
verdade, fazer rir
a
verdade,porque
a
únicaverdade
éaprendermos
anos
libertarda
paixão insana pela verdade" (Eco,1983, p.552).
O
risoameaça, é
irreverente, iconoclastae
desafiador. Talvez por issomesmo
seja tão difícil levá-lo a sério, admitir oque
ele denuncia:que o
homem
é
um
serda
falae
da
falha:humanidade
barrada e alijadade
qualquer possibilidade
de
completude.Freud
ampliao
âmbitodessa
questão,ao
se
referir,no
livrodos
chistes,
ao que denomina
chistes tendenciosos:"O que
estes chistessussurram
pode
ser ditoem
voz
alta:que
asvontades
e
desejosdos
homens
têm
o
direitode se
tornarem aceitáveisao
ladode
uma
moralidadesevera
e
cruel” (Freud, 1905, p.130).Aqui surge
uma
questão:se
o riso é libertador, porque
todasas
formas
de
tiraniaproporcionam
pão
e
circo àsmassas?
Qual
entãoa
razãoda
existênciado
ditado "muito riso,pouco
siso"?Há
então,também,
um
risoque não
ameaça,
que mascara
e
ilude...“Segundo
Bergson, o riso ocorrequase
com
a precisãode
uma
lei
da
natureza: eleacontece
sempre que há
uma
causa
paraisso.
O
errode
tal afirmação ébem
evidente:pode-se
dara
causa
do
riso,porém
é
possivel existirempessoas
que não
rieme
que
é
impossivel fazer rir.A
dificuldade estáno
fatode
que
onexo
entreo
objetocômico e
apessoa
que
rinão é
obrigatórionem
natural.Lá
onde
um
ri, outronão
ri” (Propp, 1992, p.31).O
terrenodo
cômico
é, pois,da
ordem do
humano
e
do
cultural.Freud
nos aponta
que
ohomem
nasce
imaturoe
indefeso,nas
mãos
do
outro.É
preciso
que
o gritodo
bebê
chame
aatenção de
um
serhumano
experientesentido a este grito e
promova
aação
específica,ou
seja, aação
própriada
espécie
humana.
E
cuidedo
bebê, pacificando-lhe a urgência. É, pois, apartir
da
trocacom
o outro,que
ohomem
se
tornaum
ser desejante,buscando
recuperaruma
completude
virtualque
nunca
possuiu.O
desejohumano, na
verdade, é desejode
desejo.Para Lacan
(1986, p.197) “Énum
movimento
de
báscula,de
trocacom
o outroque
ohomem
seapreende
como
corpo,forma
vaziado
corpo”.Com
o
modelo do
estágiodo
espelho, formaliza eleque
a visãode
completude é
um
reflexodo
olhardo
outro.Chega-se
assimao
conceitoIacaniano
de
imaginário,em
seus
dois sentidosmais
pontuais: imagináriose
refere
em
primeiro lugar àimagem
basicamente
inconscienteque
setem
de
si
mesmo;
em
segundo
lugarao
engano
que essa
imagem
possa
trazer,ap
engodo
que
certamente vai causar, norteando assim toda a vidado
serhumano
porque
vai dizertambém
respeito à construçãodo eu
do
sujeito. Ou,latu sensu,
ao
seu
sintoma.Há
subsidiariamente, portanto,uma
imbricaçãodestas
duas
acepções:“imaginária reenvia aqui
-
primeiramente, à relaçãodo
sujeitocom
assuas
identificações formadoras, é o sentido plenodo
termo
imagem
em
análise-
em
segundo
lugar, à' relaçãodo
sujeito
ao
real, cuja característica é ser ilusória, é a faceda
função
imagináriamais
freqüentemente valorizada" (Lacan 'l9$6,p.138).
Um
bebê que
do
coloda mãe,
se olha, pela primeira vez,no
espelho.Uma
cena de
que
a maioriados
sereshumanos, de
um modo
ou de
outro,provavelmente já participou e dela se lembra muito
bem:
é indescritível polhar
de
orgulhoda
mãe
parao
bebê
e o
olhar triunfantedo bebê
parasua
própria
imagem.
A
esse
respeito,comenta
Clement
(1983, p.66):“O
estágiodo
espelho éum
drama
cujo impulso interno seprecipita
da
insuficiència para a antecipação-
e que, para psujeito, preso
no
engodo
da
identificação espacial, fabrica osfantasmas
que
sesucedem,
indode
uma
imagem
fragmentada
do
corpo auma
formaque
chamaremos
ortopédicaem
sua
marcará,
com
sua
estrutura rígida, todoo seu
desenvolvimentomental".
Essa
construção lacaniana aponta para oengodo
fundamentalqup
capturao
serhumano:
a criança se vëno
espelhomadura,
completa, inteira,antes
de
jamais o ser.É
o
olhardo
outro,da mãe,
que
lhe forneceessa
ilusão
de
imagem, essa forma
ortopédica,essa armadura
supostaque
elaprocurará a vida inteira sustentar e
que
é decorrentedo que
sedenomina
“ideal
do
eu”. Portanto,nessa
antecipaçãoda
própria figura adulta, opequeno
homem
se estrutura a partirda
imagem que
elenão é
(antecipaçãoque
se coloca a partirde
em
depois ...)§E
a criança ride
triunfo anteessa
miragem
organizadora.Nenhuma
mãe
se
esquece
desse
riso,que
acompanha
a
alienação primeirana
imagem
do
outro. Afinalde
contas, oque
o sujeitobusca
é dar contado
Real.Talvez aqui se torne necessária a inserção
de
um
comentárioimportante para a práxis psicanalítica:
o
corpovem
do
real, é estranho,estrangeiro
mesmo
ao seu
“dono”.Só
para exemplificar, quantas vezes,quando
um
médico
mostrauma
doença
diagnosticada atravésde
uma
radiografia, por exemplo,
pensa-se
inevitavelmente:“mas eu
não
queria issq,eu não
queriaesse
corpoque
dói tanto,eu não
pedi issoÉ
freqüentetambém
se observar a insatisfaçãocom
o próprio corpo: “eu queria sermais
alto(a),
eu
queria sermais
longilíneo(a),eu
queria ter cabelos lisos,eu
queria ter olhos azuis, etc, etc”.
O
estranhamento
com
relaçãoao
própriocorpo é
uma
constanteque
hojeem
diaé
respaldada peloexagero
de
cirurgias plásticas, muitas
vezes
desnecessárias,que
andam
sendo
feitas.Retomando
o
desenvolvimentoda
questão,após
esta longa digressão,percebe-se
que
esse
riso alientante étambém
próprioda
situação cômica.O
cômico pressupõe duas
pessoas, “a primeiraque
constata ocômico
e asegunda
em
que
se constata”, dizFreud
(1905, p.207).O
cômico, pois, seFigura 3:
O
cômico
se constatana
imagem
do
outro. " r_f~'-;,'‹ “_ I':z-H:g,'s . - '_ *~'! ~ ,-'J _ ` *fg _l_~_.-'pin , . ›.-...'.¿¿¡_:¡_,V, _ _ _‹ _ _ ‹`,šv;..;¿;;..,._,,› _Í,'z.-t`›Ê_“í“'_;..t__â ._ _ _ _, _ __ f“"`“_ _ __ _ ,tz _. _'§çt§§§§§§§;t§
s¿¿$;_ ~f¿íÃ5;¢gg;§fa%§&yäë§§§
__-_
v .~' '_zffi*wé'
'E''fii1ââ+»nfi%@Êt#rfit
tese
_ __ - 1f=-f1;ê_f› 1.1 zêzfz› V ~'~=›f' _. _.
E
3 ,¡ L, ¡4 ¡__¿,_¡_,,;¿ " , tr w , ff; w › A :Fu ' ¡ 'K 4--u ir ,L=à+.,.~¡-Ê. t » _-_ ›=',â¿›à_.p 1 « ^ ` _`.¬ ._ ;'_:"--`^-š- Í_zE _ _' -“1-Í-Íff -ff li-F-il ×~ÍízÊ2 '~ š~í~1P
' s ' ' ` ~ _ ~ __ _ *'réf-. ff ' =;1z 1.» v _ '-J. _' _.. ›. ~ . .¡,. J.,-F?-V1 4 Í :À I À . I _' P ¡,H z _; , ._› y I -V _ ._ '_ ,_ s z __¡_ ._Ú
“' __. .zzjl -551-1, 1.1 ;-2=_:z'.› - 4 › '::;; ,5 . ‹ .. ›, ' 5'-sá1%?
«›t3{à_*l*«}553 «â›*z'â*'¿íz@~:M
~‹-..¿Í`“`Ff'-É
-_ “ ‹f ' _ ` ' *ÊQ
.-'IiiÚ
52;; _ - 'l' : =' `:. _ ~. :if : -,‹ . ' , \'z-”' z..",;.¿^~" `¡ V¡'_§-,= ' ; .,,.,: .'. ':¿: _ v.r“;¡ _,.,' '! *"' ,_ I _ ,_ _ ía -_ _ (¿i"ƒ;,J},'?šÊÉ}¡:`. f i _ .. _ _. .___ __ ,z>~'‹_,›'¬_'.‹fz*'.›×'*"f.$-;iͰ' ›~.|f:Ê "`~”«» ¬"‹"¬' _ 1f.'i 1 É Fonte: [email protected]_br 13/05/01 'à \xBergson
(1987)chama
aatenção
para o contágiodesse
riso constatado:é
sempre
o risode
um
grupo:“Não
desfrutaríamosdo cômico se nos sentíssemos
isolados.O
riso parece precisar
de
eco.Ouçamo-lo bem:
não
se tratade
um
som
articulado, nítido, acabado;mas
alguma
coisaque
seprolongasse repercutindo aqui e ali, algo
começando
porum
estalo para continuar ribombando,
como
o trovãonas
montanhas.
E,no
entanto,essa
repercussãonão deve
seguirao
infinito.
Pode
caminhar
no
interiorde
um
círculo tãoamplp
quanto
se queira, mas, ainda assim,sempre
fechado.O
nosso
riso é
sempre
o risode
um
grupo” (Bergson, 1987, p.13).Quanto
mais
cheio está o circo,mais
se rido
palhaço, talcomo
alguém
aquem
se perguntouporque
não
choravaao
ouviruma
prédicaque
a todos fazia
derramar
lágrimas, respondeu: “nãosou
da
paróquia”(Bergson, 1987).
Com
amesma
lógicapode-se
aplicarao
riso oque esse
homem
diziado
choro.Além
do
mais, é interessante observar a afirmação bergsonianade
que
o riso precisade
eco.É
tentadora aqui a associação livre:sabe-se
que
aninfa
Eco
acompanhava
Narciso,condenada
porsua
paixão a repetirapenas
o final
da
falado
amado.
Narciso (quese
apaixona pela própriaimagem
e,ao
perdè-la, morre); Eco, -primitivo mito
do
narcisimotambém
seassociam
para dizerdo
imaginárioconceituado por Lacan. Eis aqui
a
função básicado
riso produzido pelocômico
- quem
rido
outro funcionaapenas
como
uma
caixade
ressonânciade
uma
imagem,
sinestesias à parte...Como
se disse,na
situação cômica,não
importaquantos
riam;há
apenas
dois lugares,duas
funções: rir e ser objetode
riso.Aos
“mais iguais”, o prazer: elessão
da
paróquiaAos
palhaços, mímicos, loucos, poetas,aos
desviantese
“menqs
iguais”, a aflição, o desconforto, a vergonha.
O
não-lugarem
que
essas
figuras
operam
éparadoxalmente
asua
marca
enquanto
sujeito. Aquise
percebe,
mais
uma
vez, a psicanálise sehavendo
com
sua questão
inevitável
e
recorrente,a
saber, o paradoxo.O
trajetoda
psicanálise e deste texto, via humor,bem
como
o trajetoda
arteapontam
e
caminham
para reconhecer esta diferençaque
djzrespeito à falta a ser
do humano,
faltaessa
que
seencarada de
frente,pode
paralisar
e
deprimir,mas
também,
paradoxalmente,pode
produzir criação.A
este respeitocumpre
mencionar
a opiniãode
Bakhtinem
relação àfunção
estruturaldas
figurasdo
trapaceiro,dos
bufões edos bobos da
corte:(1998, p.276):
“Uma
particularidade eum
direitosão
característicos delas:sãp
estrangeiras
nesse mundo,
elasnão
se solidarizamcom
nenhuma
situaçãode
vida existente nele, elasvêem
o avesso
e o falso
de cada
situação. Por issopodem
utilizar qualquersituação
da
vidasomente
como
máscaras.O
trapaceiro aindatem uns
fiosque
o ligam à realidade;o
bufãoe
obobo
“nãosão
destemundo”
e
por issotem
direitose
privilégios especiais.Estas figuras
que
riem, elasmesmas
são
também
objetode
riso.Seu
risoassume
o caráter públicoda
praçado
povo. Elasrestabelecem o aspecto público
da
representação, pois toda aexistência destas figuras
enquanto
tais, está totalmenteexteriorizada, elas, por
assim
dizer,levam
tudo para a praça,toda a
sua
função consiste nisso, viverno
lado exterior (eexistência
de
um
outro;porém
elasnão têm
outra).Com
isso cria-seum
modo
particularde
exteriorizaçäodo
homem
pormeio
do
riso paródico”.Os
“diferentes”da pós-modernidade
podem
mudar de
invólucro,
mas
não de
estrutura.É
o caso, por exemplo,das
incontáveispiadas sobre louras
que
circulamabundantemente
via Internet.A
quantidadedessas
anedotas,que
evidencia o preconceitona
associação cabeloslouros/burrice extrema, é provavelmente
exacerbada
pela enxurradadessas
mulheres
louras, artificiaisou
não,sempre
muito malhadas;mulheres de
visual muito
chamativo
(Olha o Imaginário aí, gentel)e
pouco, digamos,conteúdo,
que aparecem
eassolam constantemente
a mídia. Eis aquiuma
dessas anedotas
([email protected]. br, 2001):“Uma
loira ouviu dizerque
omáximo da
diversão é pescarno
gelo. Ela
compra
todos os livros a respeito, vai paraNova
Iorque,compra
o
equipamento
necessário e escolheum
bom
lugar paracomeçar
a pescaria.Depois
de se
instalar, elacomeça
a fazerum
buraco
no
gelo.De
repente
uma
voz
vindado céu
avisa:“NAO
HA
PEIXES
DEBAIXO
DO
GELO”.
Atônita, a loira
se
desloca para o ladoe
começa
a fazer outroburaco. Outra
vez
uma
voz
vindado
céu
avisa:“NÃO
HÁ
PElXES
DEBAIXO
DO
GELO”.
Preocupada,
a loira se levanta, vai para o lado oposto, ecomeça
a fazer outro buraco. E,
mais
uma
vez,uma
voz
vindado céu
avisa;
“NÃo
HÁ
PEixEs
oEBAixo
oo
GELo".
O
Ela pára, olha para
o céu e
diz:-
É
o senhor,meu
Deus?
A
voz
responde:- Não
é o
gerentedo
rinquede
patinaçäo”.Aqui vale
uma
observação: aquestão
da
loura retoma, via internet, emais pós-moderno
que
issoé
impossivel, otema
da
mulher.Tema
esterecorrente e fundamental
na
psicanálise, tantoda
perspectivados
analistas,quanto da
perspectivados
analisandos: oque
éuma
mulher?
O
que
elaquer?
Como
goza
ela?E
uma
busca
contínua, inconscientee
incessante,do
dentro
da
cadeia significante'. Reforce-se a incidência destetema
com
nova
colaboração
de
Fialho ([email protected], 2001):“CURSO
FEMININO
DE
REABILITAÇÃO
CEREBRAL.
Pré-Requisito: Existência
de
tutordo sexo
masculino paraacompanhamento
em
regime domiciliar,sem
o qual ocurso perde
sua
eficácia.Objetivos: Iniciar as
mulheres nessa
'experiência tão excitante,que
é ouso
do
cérebro.Carga
Horária Variável:Morenas:
30
dias pormódulo
Ruivas:
60
dias pormódulo
Loiras: Vitalício
MÓDULO
1 -USANDO o CÉREBRO
-Essa
DEscoNHEciDo
a.
O
neurónio e adepressão
da
existência solitáriab.
Você pode
fazercompras
em
menos
de
4
horas:noções
básicas
c. Já está pronta? - definição
da
palavra " sim"d.
Estabelecendo
limites-
o uso da
maquiagem
eProgramação
Básica-
você
e o fornode microondas
e.
Programação Avançada
-
você
e o videocassete (só paramorenas
e ruivas)MÓDULO
2 -D|R|e|NDo
a.
Mudança
de
marcha
-
o guiacompleto
e definitivob.
Tudo
oque
você
queria saber sobreesquerda
e direita e tinhamedo
de
perguntarc. Freio
e
Acelerador-
um
desafio a ser vencidod.
Uso
da
seta antesde
virar-
aprendendo
atravésde exemplos
e.
Jogo das
cores-
conhecendoro
sinal.Você
e o poste- como
evitá-lo.
1
Os significantes combinam-se por leis combinatórias que não são casuais. No caso da linguagem, por exemplo,
tais leis constituem a gramática “um signiticante remete sempre a outro significante. Trata›se de uma cadeia
articulada. Um signiflcante representa algo para outro significante e assim por diante. Ele sempre pode ser
substituído, riscado, anulado, destituído de sua função. Ou seja, poderia não estar presente, aparece como
f.
Geometria
-
DescritivaAvançada
-
colocandoum
Uno
na
garagem
h.
O
pedalda
embreagem
não
é descanso de pé
-
em
duas
lições i.O
espelho esuas
outras utilidadesalém
da
maquiagem
MÓDULO
3_ v|DA
A
Dois
a.
TPM
(Tensão
Pré-Menstrual)-
o problema
éseu
enão
meu
b.
Campeonato
Brasileirode Futebol- não
éum
jogo.É
Sagrado
c.
Como
ganhar seu
próprio dinheiro-
uma
visão gerald.
Porque sua
mãe
não
ébem-vinda
-
100 exemplos
comentados
e. Aqui se faz, aqui sepaga
-
ouso
corretodo
Cartãode
Créditof.
Tudo
na
vidatem
limites, até ocheque
especial- como
não
passar dele.
g.
Você não
deve
dizer "sim"a
tudoque
ele pede: Diga "simsenhor".
Treinamento
práticoMÓDULO
4
-TÓP|cos
AvANÇAoos
a.
O
fenômeno do tempo
-
o
jantarna
horado
jantarb.
Uso do
telefone-
alternativas inovadoras para solucionar oproblema
c.
Retocando
amaquiagem
enquanto
dirige-
uma
questão
de
"timing"
d.
Largando
o víciodas
novelas-
o processode
desintoxicaçãocerebral
e.
Não
façacomo
as
outras pessoas: Acrediteque
você
é capaz.f. Interface paralela: o desafio
das
atividades simultâneas-
respirare
raciocinar simultaneamente.MÓDULO
5 -MUNDO
DA
INFORMÁTICA
a.
Computador
X
Geladeira-
assinalando as diferençasb.
Teclado
-
usando
corretamente as letrinhasc.
Mouse - como
dominar esse
pedalzinhod.
CPU X
Monitor-
descobrindoquem
équem
e.
A
diferença entre "on" e "off"f.
A
mensagem
"O himen
está testando amemória
estendidaDe
qualquermodo, retomando
aquestão
mencionada
na
página 17,mesmo
quando
ocômico
é produzido deliberadamente,como
no caso dos
bobos da
corte edos
palhaços, o diferente aí está implícito.Há
sempre
asuposição
de
imitaçãode
alguém
que
é ridiculo.Pode-se
então inferir, a partirdas observações de
Freud, (1905,p.245-46),
que
agénese
do cômico tem
porbase
acomparação,
uma
comparação
acrescente-se aqui,de
cunho predominantemente
imaginário:“Toda
teoriado cômico
sofre objeção por partede
seus
críticosquanto
ao escopo
dela;sua
definição desconsidera oque
éessencial
ao
cômico: 'Ocômico
baseia-seno
contraste entre asidéias'.'Sim,
na
medida
em
que
este contrasteproduza
um
efeitocômico,
e
não de
outra qualquer natureza”. 'O sentimentodo
cômico
origina-sedo desapontamento de
uma
expectativa”. 'Sim,a
não
serque
odesapontamento
sejade
fato doloroso”.Sem
dúvida, as objeções
são
justificáveis,mas
deveremos
superestimá-las
apenas
se concluirmosque
o
traço essencialdo
cômico
escapou
até aqui à detectação.O
que
prejudica avalidade universal
dessas
definiçõessão
as condiçõesindispensáveis para a
geração do
prazer cômico;mas
não
necessitamos
pesquisar nelas a essênciado
cômico.De
qualquer
modo,
só será fácil descartarmos as objeções eesclarecermos as contradições
nas
definiçõesdesde que
suponhamos
que
a origemdo
prazercômico
estána
comparação
da
diferença entreduas
despesas.O
prazercômico
e o efeito pelo qual
é
conhecido-
o riso-
só
se manifesta seessa
diferençanão
é utilizável e, pois,capaz de
descarga.Não
obtemos
qualquer efeito gratificante,mas
no
máximo
um
transitório sentimento
de
prazerno
qualnão
emerge
acaracterística
do
cômico, se a diferença é transferida para outro uso, tão logo seja reconhecida”.Aqui será interessante a delimitação
de
um
caso
particularde
comicidade:
há
uma
espéciede cômico
que merece
um
comentárioem
chiste
porque
como
ocômico
em
geral,o
ingênuoé
constatadoe
não
produzido,
como
o
chiste o é.Freud
enfatiza reiteradasvezes
que
um
chisteé
produtode
trabalho, jáo
cômico, näo.O
ingênuo ocorrequando
alguém
não
tem
inibição,é completamente
solto,fazendo assim
um
comentárioque
ao
ser ouvidoprovoca no
ouvinteo
riso.Neste
caso, alega Freud,”comportamo-nos
como
a terceirapessoa
do
chiste,que
é
presenteadacom
uma
economia
na
inibiçãosem
qualquer esforçode
sua
parte” (Freud, 1905,p.208). Isto
porque
percebemos
o
chiste,que
não
foi feitonem
percebidopela
pessoa
considerada ingênua.Por sua
relaçãocom
a
ingenuidade,não
é
de
se
surpreendera
constatação
de
que
o cômico
chamado
ingênuo ocorrabem
mais
freqüentemente
nas
crianças e/ounos
adultosnão
instruídos,que
podemos
considerar infantis
no
que
se
refere aseu
desenvolvimento intelectual (Valedizer
que
Freud, sábiae
prudentemente
aliás, vaidesconfiar dessa
puraingenuidade
da
infânciae
questiona-Ia sempre). “É iluminadoraa
descobertaque
comentários ingênuos,como
os
feitos pelas crianças,podem
sertambém
descritoscomo
chistes ingênuos” (Freud, 1905, p.209).A
conformidade
entre os chistes e a ingenuidade, tantoquanto as
razõesde
sua
dissimilaridadepodem
sermais
bem
esclarecidasno exemplo
observado na
figura 4:Figura 4:
O
cômico
ingênuo:o
chistedepende de
você
E5'
äfl' ,,F?ÊEš§§t}N* * -raao
ãøffi-«ri.i=fl¡ _ V ›. ~Fonte: Jomal do Brasil - Caderno B, 23. feira, 15/01/2001, p.2
Se, para
Freud
(1905) a dor é oacúmulo de
tensão,e o
prazer asua
descarga,