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Relatório de Estágio Profissional "Acerca(o) do estágio".

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Acerca(o) do estágio

Relatório de estágio profissional

Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ( Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro).

Orientador: Mestre José Virgílio da Silva

João Xavier Ferreira Valente

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Ficha de catalogação: Valente, J. (2014) Faculdade de Desporto da

Universidade do Porto. Acerca(o) do estágio. Relatório de estágio Profissional. Porto: J. Valente. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA;

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“Todas as coisas foram feitas por Ele,

e sem Ele nada do que foi feito

se fez” João 1:3

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1. Agradecimentos

Em primeiro lugar e acima de tudo, o meu agradecimento é para Deus. Sem Ele nada do que fiz, tinha feito nem nada do que sou, seria.

Uma enorme palavra de apreço à minha professora cooperante, Professora Dárida Castro que durante este ano me ajudou bastante e me deu a liberdade suficiente para percorrer o meu caminho e me tornar o professor sem a imitação de ninguém.

Ao Professor Orientador, Mestre José Virgílio da Silva pela sinceridade nas palavras e apoio disponibilizado sempre que desejado.

À minha turma, o 12º A, com quem tanto aprendi. Sem vocês, nada do que foi escrito aqui tinha sentido.

Aos meus colegas do núcleo de estágio, Telmo e Ricardo. A vossa transmissão de conhecimentos tornou-se crucial para todo o processo ao longo do ano letivo.

A ti Priscila, pelo amor demonstrado e por me acompanhares ao longo desta fase da minha vida tão crucial. Foste parte fundamental da minha motivação. Aos meus pais e irmão, que tanta disponibilidade a todos os níveis demonstraram não só neste ano, como em toda a minha vida académica.

Por fim, aos meus colegas de curso, Quim, Ayrton, Bruno, Tiago, Zé, pelas brincadeiras, ensinamentos e trabalho conjunto. Ganhei amigos para a vida. A todos os que direta ou indiretamente me ajudaram neste ciclo de estudos e não estão mencionados aqui, o meu muito obrigado.

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vii Índice 1. Agradecimentos ... v 2. Resumo ... xi 3. Abstract ... xiii 4. Lista de Abreviaturas ... xv 5. Introdução ... 2 6. Enquadramento Geral ... 6 6.1 - Enquadramento pessoal ... 8

6.2 - Espectativas em relação ao Estagio profissional ... 10

6.3 - Regulamento do contexto legal e institucional ... 12

6.4 - A escola ... 14

6.5 - Caraterização da turma ... 15

6.6 - Professor Cooperante ... 18

6.7 - Núcleo de estágio ... 19

6.8 - A diretora de turma... 20

7. Área 1; Organização e gestão do ensino ... 22

7.1 Planeamento anual ... 27 7.2 - Unidade didáticas ... 29 7.3 - Plano de aula ... 31 7.4 - Realização da prática... 32 7.4.1 - 1º Período ... 32 7.4.2 - 2º Periodo ... 37 7.4.3 - 3º Período ... 40 7.5 - Avaliação ... 42

8. Área 2; Participação na escola e relações com a comunidade ... 44

8.1 - Torneio de Basquetebol ... 46

8.2 - Torneio das duplas românticas ... 47

8.3 - Torneio de futebol ... 48

9. Área 3; Desenvolvimento profissional ... 50

10. Estudo ... 54

10.1 - Introdução ... 56

10.2 - Objetivo principal ... 58

10.3 - Objetivos secundário ... 59

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10.4.1 - Instrumento ... 60

10.4.2 - Amostra e procedimentos metodológicos ... 60

10.5 - Resultados ... 61

10.6 - Discussão de resultados ... 69

10.7- Conclusão ... 72

11. Conclusão e perspetivas futuras ... 74

12. Bibliografia ... 78

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ix Índice de Quadros

QUADRO 1 – Gosto pela educação física ... 15

QUADRO 2- Prática desportiva ... 17

QUADRO 3 – Quantidade de desportos que pratica ou praticou durante um ano ... 61

QUADRO 4 - Pertence à equipa de desporto escolar?... 62

QUADRO 5 - Penso que a ef deveria melhorar a condição física ... 62

QUADRO 6 - Penso que a ef deveria ensinar-me as técnicas desportos coletivos ... 63

QUADRO 7 - Penso que a ef deveria ensinar-me a praticar desportos coletivos ... 63

QUADRO 8 - Penso que a ef deveria ensinar-me técnicas de desportos individuais ... 64

QUADRO 9 - Penso que a ef deveria ensinar a praticar desportos individuais ... 64

QUADRO 10 - Penso que a ef deveria ensinar-me técnicas de dança ... 64

QUADRO 11 - Penso que a ef deveria ensinar-me jogos recreativos ... 65

QUADRO 12 – Tabela coma frequência e a percentagem envolvida em cada uma das alíneas ... 65

QUADRO 13 - Qual a importância da ef na sua formação a nível do ensino secundário?... 66

QUADRO 14 - Escolheria a disciplina de ef se esta fosse de caráter opcional? ... 66

QUADRO 15 – Frequência e percentagem sobre a nota de ef deveria ou não contar para a média ... 67

QUADRO 16 - O facto de a nota de ef não contar(sse) influencia(ria) a maneira de estar na aula ... 67

QUADRO 17 – Numero de faltas, média e desvio padrão dos alunos do 12º e 11º no seu 10º ano de escolaridade ... 68

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2. Resumo

Este relatório surge no âmbito da unidade curricular do Estágio profissional do 2º ciclo de estudos do mestrado de ensino de Educação Física nos ensinos básicos e secundários. Para além do registo académico tendo em vista a obtenção do grau desejado, este documento tem como objetivo principal apresentar o estágio profissional decorrido na escola básica e secundária do Cerco com a turma do 12º A, narrando e refletindo tudo o que se passou ao longo do ano letivo 2013/2014.

Este trabalho está dividido em 4 partes, sendo elas, o enquadramento geral numa abordagem da minha pessoa e do estágio em si. A Área 1 – Organização e Gestão do ensino e aprendizagem em que revela tudo no que toca às avaliações, planeamentos e a própria realização do ensino da educação física. Juntamente com tudo isso, as próprias dificuldades inerentes a todo este processo. A área 2 – Participação na Escola e relações com a comunidade, abrange as atividades não letivas realizadas no âmbito de uma integração no meio escolar mais eficaz. Desta forma, fomos (núcleo de estágio) capazes de elaborar um projeto que permitisse o envolvimento dos alunos e da comunidade circundante. A Área 3 – Desenvolvimento profissional, engloba atividades e vivências importantes na construção da competência profissional, numa perspetiva do seu desenvolvimento ao longo da vida profissional, promovendo o sentido de pertença e identidade profissionais, a colaboração e a abertura à inovação. A partir da problemática da Educação Física deixar de contar para a média no ensino secundário, desvalorizando esta temática que tão importante é para os jovens indivíduos, elaborei um estudo descritivo neste meio escolar.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA; PROFESSOR; MOTIVAÇÃO; MÉDIA;

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3. Abstract

This report comes within the course of professional Stage 2nd cycle studies of the masters of teaching physical education in the basic and secondary teaching. In addition to the academic requirement in order to obtain the desired degree, this paper aims to present the traineeship elapsed in primary and secondary school siege with the class of 12ºA, narrating and reflecting everything that happened along the school year 2013/2014.

This paper is divided into 4 parts, with them, a general framework of my person and the stage itself approach. Area 1 - Organization and management of teaching and learning that reveals everything when it comes to reviews, schedules and completion of the teaching of physical education itself. Along with all this, the difficulties inherent in this process. Area 2 - Participation in school and community relations, encompasses the non-teaching activities carried out within the framework of a more effective integration into the school environment. Thus, we (training group) able to develop a project that would allow the involvement of students and the surrounding community. Area 3 - Professional development encompasses activities and important experiences in building professional competence, a perspective of their development throughout their working life, promoting a sense of belonging and professional identity, collaboration, and openness to innovation. From the issue of Physical Education help tell the average in secondary education, devaluing this issue which is so important for young individuals drafted a descriptive study in this school environment.

KEYWORDS: PROFESSIONAL STAGE; PHYSICAL EDUCATION; PROFESSOR; MOTIVATION; AVERAGE;

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4. Lista de Abreviaturas

UD - Unidade Didática EF - Educação Física EP - Estágio Profissional

FADEUP - Faculdade de Desporto da Universidade do Porto FBJ- Forma Básica de Jogo

EEFEBS - Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários – EBSC - Escola Básica e Secundária do Cerco

PC - Professora Cooperante PO - Professor Orientador

REP - Relatório de Estágio Profissional UP – Universidade do Porto

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Este relatório de estágio surge no âmbito da unidade curricular de “estágio profissional” (EP) inserido no plano de estudos do mestrado em ensino de Educação Física nos ensinos básicos e secundários (EEFEBS). Segundo Matos (2014b, p. 3) “O Estágio Profissional entende-se como um projeto de

formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e

prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação.”

É o final de dois anos repletos de aprendizagem e transmissão de conhecimentos em prol de uma causa digna, chamada educação. Este relatório tem como principal objetivo, além da obtenção do grau académicos inerente ao ciclo de estudos, a informação à comunidade académica sobre EP realizado por mim na escola básica e secundária do Cerco (EBSC) com a turma do 12º A.

Este ano letivo, cheio de dúvidas, incertezas, problemas e aprendizagens, foi realizado com a ajuda importante da professora cooperante (PC), os meus dois colegas de estágio e o professor orientador (PO). Os erros cometidos, não só no planeamento, mas também na execução da aula fez com que a aprendizagem fosse maior, dando deste modo uma bagagem importante para o futuro, tendo em conta que a minha atividade profissional se irá basear nestes aspetos. A transferência a ser realizada para os próximos anos, será enorme pelo simples facto que mais do que a teoria, a prática ajudou a melhorar o meu

feedback no momento certo, a minha instrução curta e eficaz e a observar o

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8 6.1 - Enquadramento pessoal

Chamo-me João Xavier Ferreira Valente, tenho 25 anos e sou natural de São João da Madeira. A minha ligação com o desporto começou desde muito cedo quando ingressei no Hóquei em Patins. Tendo realizado meia dúzia de treinos, não fiquei satisfeito e como tal decidi experimentar o futebol. A minha ligação com o futebol dura até aos dias de hoje, tendo realizado não só a minha formação como os primeiros anos como jogador sénior na Associação Desportiva Sanjoanense. Atualmente sou Guarda-Redes Sporting Club Bustelo no campeonato nacional de seniores. A minha formação desportiva foi toda realizada na Associação Desportiva Sanjoanense desde os 6 ate aos 17 anos tendo posteriormente frequentado o plantel sénior durante 6 anos. Apesar de estar todos estes anos ligado ao desporto, não foi isso que influenciou a minha decisão na ingressão na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), que a certa altura se tornou um sonho. Para tal, devo recuar aos meus tempos de secundário mais concretamente às aulas de educação física quando a minha professora na altura disse as seguintes palavras “João, tu foste o melhor aluno que algum dia tive desde que sou professora do secundário”. Estas palavras fizeram-me pensar muito quanto ao meu futuro. Hoje em dia penso o que uma simples frase pode fazer na vida de alunos, muitos dos quais não sabem o que fazer no futuro, como era o meu caso. Talvez por isso, tenha decidido enveredar pela profissão de docente, pois acredito que posso mudar a vida de jovens que estão indecisos. Na realidade, não foi só isso que me levou a tomar esta decisão. Quando ainda jogava futebol de formação fui convidado a acompanhar o processo de treino de jovens crianças em futebol do mesmo clube. Gostei tanto que a minha ligação com aquele projeto durou 7 anos e tornou a minha decisão de enveredar pelos caminhos do desporto ainda mais forte.

O gosto pelo desporto, principalmente pelo futebol, pode ser demonstrado pela seguinte história pessoal. Aquando do meu ingresso no ensino superior, tinha três desejos. O primeiro frequentar o curso do Ciências do Desporto, o segundo na FADEUP e o terceiro continuar a jogar futebol. Ingressei na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro no curso pretendido.

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Como Vila Real situa-se demasiado longe do local onde jogava futebol decidi inscrever-me na segunda fase do concurso nacional, onde fiquei colocado em Coimbra no instituto politécnico de Coimbra num curso ligeiramente diferente. Com muito esforço consegui conciliar o futebol e a faculdade, acordando praticamente todos os dias às 5.30h para apanhar o comboio e posteriormente o autocarro até chegar à faculdade às 8h da manhã, e de tarde apanhar os mesmos meios de transporte até ao treino 18.30h. Durante este ano cansativo, terminei com sucesso o primeiro ano letivo, apenas deixando uma disciplina por fazer. No final do ano, pedi transferência para a FADEUP conseguindo o ingresso pretendido. Nunca faltei a um treino, muito menos a uma aula nesse ano terminando a licenciatura com sucesso nos 3 anos.

Atualmente, além de ser jogador de futebol, sou treinador dos Sub-12 (infantis) do Boavista Futebol Clube na modalidade de futebol.

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6.2 - Espectativas em relação ao Estagio profissional

Conforme nos diz Nascimento and Farias (2012, p. 90) “a formação superior de habilitação para a docência na intenção que persegue de formar profissionais capazes de responder às crescentes exigências da profissão de professor, tem que construir estruturas curriculares articuladas, integradoras e simultaneamente flexíveis.”

Segundo a Infopedia (2014), estágio significa “Período de trabalho por

tempo determinado para formação e aprendizagem de uma prática profissional; Aprendizagem profissional”. Gostava de salientar duas palavras nesta

definição, sendo elas “aprendizagem” e “profissional”. A junção das duas transmite uma aprendizagem da profissão envolvente. De acordo as normas orientadoras do estágio profissional realizadas por Matos (2014a) , define estágio profissional como “…projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria e da prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar.” Isto significa que a aprendizagem do aluno passa não só a ser teórica mas principalmente prática. Existe uma rutura entre os anos anteriores de faculdade com o atual, promovendo acima de tudo o “fazer”. Segundo Hill and Broddin (2004) a experiência prática de ensino em contexto real é a componente mais importante na formação do professor. Bento no prefácio do livro Paula Batista, Paula Queirós, Ramiro Rolim (2013) citou o sociólogo Alain Touraine dizendo “ ‘Formar, é preparar indivíduos dissidentes,

que estranham e inquirem a sua cultura ideológica e buscam, com a sua reflexão e ação, transformação das relações.” Esta definição além de

impregnar e dissimular o geralmente aceite pela sociedade, revela claramente a função de um professor estagiário. Se a reflexão é importante na carreira de docente, muito mais num aprendiz numa profissão que requer um contato pessoal pormenorizado e constante onde os desafios são constantes.

O estágio profissional é e será um elemento fulcral na minha aprendizagem enquanto futuro professor de educação física. Ninguém conhece o que lhe espera, até o conhecer e por isso mesmo estar enquadrado na

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realidade é a melhor situação de aprendizagem que um aluno pode encontrar. Foi isso que aconteceu aquando do meu estágio no último ano de licenciatura e creio que irá acontecer nesta etapa da minha vida.

No meu caso, confesso que fiquei bastante apreensivo quando soube da decisão acerca do local do estágio que é a escola básica e secundária do Cerco, devido ao meio em que a escola está envolvida, no entanto na minha recolha de opiniões com ex-estagiários e ex-professores mudaram completamente a minha preocupação. Revelaram que tal como em todas as escolas, tinham problemas disciplinares em algumas turmas mas a maioria eram equilibradas. Trata-se de uma escola remodelada e como tal, o pavilhão foi também remodelado. Existe outro pavilhão gimnodesportivo com um soalho muito bom, portanto não será por aí que a minha aprendizagem será comprometida.

Com este estágio profissional, aprendi a saber lidar com os problemas que os professores, não só de educação física mas de todos os ramos, todos os dias enfrentam, tal como a ordem disciplinar, problemas metodológicos e os problemas ao nível do foro administrativo.

As maiores dificuldades, foram o relacionamento com os alunos, e como ganhar respeito deles, assim como fazer gostar das modalidades que eles menos gostam, e conseguir dissipar as duvidas que alguns alunos possam ter em relação ao futuro, e em relação à universidade ou mercado de trabalho.

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6.3 - Regulamento do contexto legal e institucional

O EP rege-se de acordo os princípios orientadores do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro tendo em conta Regulamento Geral dos segundos Ciclos da Universidade do Porto (UP), o Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física no ensino básico e secundário (EEFBS). No artigo 14 do último decreto refere que, todos os ciclos de estudos que pretendem ter as condições necessárias à obtenção de habilitação profissional para a docência obrigatoriamente necessitam da iniciação à pratica profissional, ou seja, o estágio.

Segundo o regulamento da unidade curricular EP conducente ao grau de mestre de ensino da educação física nas escolas básicas e secundárias (Matos, 2014b, p. 2) o EP é uma das fases tendo em vista o grau de Mestre em EEFBS da FADEUP. O mesmo regulamento, no artigo 2, indica como objetivo do EP “a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão”.

De acordo com as normas orientadoras que operacionalizam o regulamento do EP o mesmo comtempla quatro áreas, sendo elas:

Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”

Áreas 2 e 3 – “Participação na Escola e Relações com a Comunidade” Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”

A área 1 engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino projetando “a atividade de ensino no quadro de uma conceção pedagógica referenciada às condições gerais e locais da educação, às condições imediatas da relação educativa, à especificidade da Educação Física (EF)no currículo do aluno e às características dos alunos” (Matos, 2014a). Tem como objetivo "Construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da EF e conduza

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com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de EF.” (Matos, 2014a)

A área 2 e 3 correspondem à participação na escola e às relações com a comunidade. Todas as atividades fora do currículo escolar realizadas por mim, estudante estagiário, pelos meus colegas de estágio e professores tendo em vista a integração com a comunidade. O objetivo principal é “contribuir para a promoção do sucesso educativo, no reforço do papel do professor de EF na escola e na comunidade local, bem como da disciplina de EF, através de uma intervenção contextualizada, cooperativa, responsável e inovadora.” (Matos, 2014a).

Por fim, a última área (4), tem em vista o desenvolvimento profissional promovendo atividades e vivências por parte do estudante estagiário na construção de uma prespetiva profissional, desenvolvendo a competência profissional. Tal como refere Matos (2014a) o objetivo é “Perceber a necessidade do desenvolvimento profissional partindo da reflexão acerca das condições e do exercício da atividade, da experiência, da investigação e de outros recursos de desenvolvimento profissional. Investigar a sua atividade em toda a sua abrangência (criar hábitos de investigação/reflexão/ação).”

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14 6.4 - A escola

A escolha da escola está subjacente a concurso realizado pela FADEUP, concurso esse que depende das notas do 1º e 2º semestre do mestrado de ensino. Portanto, a escola que me saiu foi a Escola básica e secundária do Cerco (EBSC). Esta escola, tal como o próprio nome indica situa-se no bairro do cerco, bastante conhecido por divergências sociais e económicas em relação ao resto da cidade do Porto. Este bairro situa-se na freguesia de Campanhã, localizada no extremo oriental do concelho do Porto. Segundo os Censos realizados no ano de 2011, a freguesia conta com uma área de 8,13 km2, e uma densidade populacional de 4856,8 hab/km2. Esta é a terceira maior freguesia contando com 32659 habitantes.

Agrupamento de escolas do Cerco, dos maiores da cidade do porto, é constituído por sete Jardins de Infância, seis escolas básicas e uma Escola Básica e Secundária. Só a escola básica e secundária tem pouco mais de 2000 alunos o que promove o convívio entre alunos do 5º ao 12º ano. É uma escola renovada, ao abrigo do programa governamental que promoveu a requalificação escolar contendo assim dois pavilhões gimnodesportivos, com um ginásio de musculação, abarcando perfeitamente toda a população escolar. Tem uma estação de metro relativamente perto, ficando a dez minutos a pé e uma paragem de autocarros em frente à entrada da escola. Tendo em conta o contexto, a escola apresenta várias soluções no seu projeto educativo, para jovens que estão em risco na sociedade, nomeadamente cursos do foro vocacional como por exemplo, o curso de fotografia, informática e desporto. Todos estes cursos, têm uma componente transversal, incluindo obrigatoriamente o Português e a Matemática e as disciplinas de acordo com o curso pretendido. No mesmo projeto educativo elaborado no início de cada ano letivo, a escola contém um curso PIEF, designado de Programa Integrado de Educação e Formação. De acordo com a portaria nº272/2012 de 4 de Setembro o curso “além da componente educativo-formativa, promove o desenvolvimento de competências para a cidadania e atividades de interesse social, comunitário e de solidariedade, com a finalidade de promover a sua integração social das crianças e jovens”.

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15 6.5 - Caraterização da turma

A EBSC, apenas integra duas turmas do 12º ano de escolaridade, sendo que uma delas é a da professora cooperante. A turma do 12º A possui 19 alunos inscritos à disciplina de EF, sendo que apenas cinco são do sexo masculino. A maioria deles tem 17 anos de idade, sendo que um ou outro fazem no presente ano civil, 18 anos. Nenhum dos alunos reside do bairro do cerco, mas sim no concelho do porto. Optaram por esta escola ou porque os avós residem no bairro ou porque já residiram no mesmo e optaram por não realizar nenhuma mudança. Apenas uma aluna já realizou a disciplina de EF e no final do 1º período optou por anular devido à má nota.

É uma turma com objetivos bastante claros, com quase todos a lutarem por uma vaga no ensino superior em que sabem perfeitamente o curso que querem ingressar, lutando assim, por uma média no final do secundário, para obtenção do curso desejado. Frequentando o curso científico humanístico, a maior parte das escolhas reside na área da saúde e apenas dois relacionado com desporto pretendendo ingressar no exército.

O quadro 1, representa em termos quantitativos, o numero de alunos, divididos por género, que gostam de EF. No meu caso, foi importante saber ter conhecimento desta informação para tentar cativar aqueles que não gostavam da disciplina.

Quadro 1 – Gosto pela Educação Física

Não Sim

Sexo Feminino

3 11

Masculino 0 5

Realizado um inquérito no início, acerca de várias questões fundamentais como o contexto socioeconómico, preferências de disciplinas e interesses fora do contexto escolar cheguei a algumas conclusões como podemos verificar no quadro 1, a maioria dos alunos gostam da disciplina de

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EF o que corresponde a 84.2% do total dos alunos. Conforme previsto, nenhum aluno do sexo masculino não gosta da disciplina em causa, ao contrário do sexo feminino que três das onze alunas não têm preferência, correspondendo a pouco mais de 15% do total. Relativamente às modalidades que sentem mais dificuldades em termos técnicos os alunos variaram muito as suas respostas, no entanto o futebol, foi o desporto mais selecionado com onze alunos, à frente da ginástica com cinco.

Numa outra análise (fig1), acerca da quantidade de alunos que em algum ano letivo tenham reprovado, podemos verificar que apenas existiam três (15.79%). Dois deles no 10º e outro no 11º ano de escolaridade.

No que concerne à caracterização social e ao ambiente criado nas aulas, os alunos são bastante unidos, com um sentimento de solidariedade muito bom e sempre atentos à justiça da relação entre alunos e entre professor/aluno. Obviamente, faço uma medida generalizada, não havendo qualquer estudo do mesmo, sendo apenas factos observáveis nas aulas. De

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realçar também alguns aspetos negativos, sobretudo o trabalho em grupo nomeadamente com pressão em relação às datas de concretização de trabalhos. Não são capazes de trabalhar em democracia e o conflito acaba por surgir, como acabou por surgir numa aula de ginástica acrobática em que tinham de formar grupos e criar uma coreografia com vários elementos gímnicos.

O histórico desportivo da turma é fraco (quadro 2). Poucos são os alunos que já praticaram algum desporto federado e apenas um o faz neste ano letivo. Não tendo dados concretos, sei que alguns elementos do sexo feminino participam no desporto escolar, nomeadamente na modalidade de voleibol. Os treinos realizam-se duas vezes por semana o que é manifestamente pouco em relação à recomendação de uma hora por dia dado pela World Health Organization (2011) que juntamente com a aula de educação física totaliza um somatório de 5 horas semanais.

Quadro 2- Prática Desportiva

Frequência Percentual Percentagem válida

Válido

Não 14 73,7 73,7

Sim 5 26,3 26,3

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18 6.6 - Professor Cooperante

Tal como o nome indica, PC é aquele que coopera com a FADEUP, ou seja, ajuda a realização de uma determinada tarefa. Creio profundamente que a função de um PC mais do que ensinar as tarefas inerente à profissão de professor de educação física, é a de incentivar à reflexão da prática aumentando assim a eficácia do ensino e transmissão de conhecimento aos alunos.

A PC que esteve envolvida no meu núcleo de estágio é a mais experiente do departamento de EF quer ao nível pedagógico, quer ao nível social permitindo assim um melhor ao grupo de estágio. Numa fase nova da minha vida, num local desconhecido, com pessoas desconhecidas, a PC foi importantíssima na integração. A PC está mais ligada ao Fitness e desportos de ginásio, algo importante nos dias de hoje nas escolas. Apesar do FitnessGram estar implantado há vários anos, a escola decidiu optar pelo treino funcional, e até aqui a PC deu uma ajuda preponderante, ensinando a melhor maneira de realizar os exercícios e de os avaliar em dois momentos do ano letivo, sendo que cada momento o aluno realizava duas vezes o circuito planeado.

Além dos vastos conhecimentos em várias áreas, o que mais me marcou foi a liberdade que deu para a prática, permitindo assim errar dos quais comunicarem mais à frente e assumir uma profunda reflexão para melhorar as futuras aulas. Desta maneira não criou estagiários à sua semelhança mas sim potenciando os seus pontes fortes e melhorando as partes que têm menos aptidão. Esta liberdade tanto pode ser boa como má, no entanto a PC sempre soube conhecer os limites, nunca interrompendo uma aula a meio para corrigir uma situação, esperando pelo final da aula.

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19 6.7 - Núcleo de estágio

Trata-se de um grupo de estágio, pois segundo o regulamento do EP (Matos, 2014b) há tarefas inerentes que obrigam a colaboração dos colegas de estágio como por exemplo a observação das aulas lecionadas pelos colegas.

O meu núcleo de estágio começou apenas com dois estudantes (eu e mais um) sendo que o terceiro apesar de ter sido selecionado, nunca se apresentou na escola. Ainda assim, um colega nosso que tinha sido colocado numa escola longe da sua habitação foi informado da possibilidade de se transferir para o nosso núcleo, o qual foi imediatamente aceite. Curiosamente, nós estamos ligados ao futebol, eu na formação do Boavista Futebol Clube e os outros dois na Dragon Force. Apesar de estarmos ligados a esta modalidade há vários anos e termos aprendido na prática a lidar com um grupo de jovens, não sabemos nos ajudar uns aos outros no que toca a fomentar atividades como ginástica, atletismo que nada tem que ver com modalidades coletivas, obrigando a trabalhar mais.

Em termos práticos, o nosso grupo trabalhou sempre bem, tendo em conta que este é o primeiro ano de trabalho conjunto. Em todos os grupos de trabalho, existem elementos que trabalham e têm mais aptidão para a liderança. Esse elemento foi de uma extrema importância quer na elaboração dos projetos, quer no ânimo e motivação presenteada constantemente. Obviamente não concordámos com tudo o que falámos e realizámos mas acima de tudo, tivemos respeito uns com os outros

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20 6.8 - A diretora de turma

Enquanto professor estagiário, creio ser fundamental ter um conhecimento aprofundado de todas as áreas inerentes ao professor. O papel de diretor de turma ocupa sem dúvida "uma posição importante nas estruturas de gestão intermédia da escola. Competindo-lhe o estabelecimento de relações entre a família e a escola..." (Zenhas, 2006, p. 13) É fundamental o conhecimento desta área, não só para num futuro sermos capazes de desempenhar as mesmas funções, mas também para um presente conhecer os alunos da respetiva turma e consequente ambiente familiar.

De acordo com a portaria nº 921/92 cabe ao diretor de turma as seguintes funções:

A. Convocar e presidir às reuniões dos conselhos de turma;

B. Manter atualizados os conteúdos do dossiê da direção de turma; C. Cumprir as diretivas e \ ou as deliberações oriundas do respetivo Conselho de diretores de turma, do Conselho Pedagógico e do Diretor;

D. Marcar, no inicio de cada ano letivo, o dia e hora de atendimento semanal aos encarregados de educação;

E. Promover ações que estimulem o envolvimento dos pais e encarregados de educação no percurso escolar dos respetivos educandos;

F. Registar, por escrito, os contatos com os encarregados de educação com o pormenor que a relevância de cada assunto mereça;

G. Zelar pela boa organização do processo do aluno ao longo de todo o ano letivo, deixando-o bem organizado no final do mesmo;

H. Proceder à eleição do delegado e subdelegado de turma em conformidade com o definido no presente regulamento interno;

I. Efetuar, semanalmente, o levantamento das faltas e cumprir o estipulado na legislação em vigor quanto aos procedimentos referentes ao regime de faltas dos alunos.

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Tive acesso ao dossier do diretor de turma e nele continha:

a) Informação biográfica e académica (faltas, notas de cada disciplina) de cada aluno

b) Procedimentos legais, nomeadamente autorizações para sair da escola, para ser fotografado.

c) Decretos-lei (Funções do diretor de turma; legislação acerca do curso, nomeadamente datas do inicio das aulas, término, e férias escolares) d) Datas dos exames nacionais

e) Datas das reuniões com o encarregado de educação

f) Outra informação dos alunos e pertinente para a diretora de turma

Toda esta informação serviu essencialmente para conhecer ainda mais a turma de uma forma profunda. Para além desta informação, todas as conversas informais com a diretora de turma e com a PC me ajudaram a perceber os alunos na sala de aula.

Alem disso, um dia mais tarde, quando eu for inserido no mercado de trabalho, perceberei melhor as funções do diretor de turma e a sua importância para a turma em causa.

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“Esta área engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino.” (Matos, 2014a, p. 3) Esta parte do REP (Relatório Estágio Profissional), preconiza tudo o que esteve diretamente relacionado com o processo didático e consequências letivas pedagógicas. A autora afirma ainda que o objetivo é “construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de EF.”, e indica a conceção baseada em três caminhos “Projetar a atividade de ensino no quadro de uma conceção pedagógica referenciada às condições gerais e locais da educação, às condições imediatas da relação educativa, à especificidade da Educação Física no currículo do aluno e às características dos alunos, através de:

Conceção

1) Analisar os planos curriculares, nomeadamente as competências gerais e transversais expressas.

2) Analisar os programas de Educação Física articulando as diferentes componentes: finalidades, objetivos, conteúdos e indicações metodológicas.

3) Utilizar os saberes próprios da Educação Física e os saberes transversais em Educação, necessários aos vários níveis de planeamento.

4) Ter em conta os dados da investigação em educação e ensino e o contexto cultural e social da escola e dos alunos, de forma a construir decisões que promovam o desenvolvimento e a aprendizagem desejáveis.

Planeamento

5) Planificar o ensino nos três níveis anual, unidade temática e aula, tendo em conta:

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a. Objetivos (adequados às necessidades e diversidade dos alunos e contexto do processo de ensino/aprendizagem);

b. Recursos;

c. Conteúdos de ensino, tarefas e estratégias adequadas ao processo ensino-aprendizagem;

d. Prever formas de avaliar o processo de ensino/aprendizagem – momentos e formas;

e. Contemplar decisões de ajustamento.

Realização

6) Conduzir com eficácia a realização da aula, atuando de acordo com as tarefas didáticas e tendo em conta as diferentes dimensões da intervenção pedagógica.

a. Recorrer a mecanismos de diferenciação pedagógica adequados à diversidade dos alunos.

b. Promover aprendizagens significativas e desenvolver a noção de competência no aluno.

c. Utilizar terminologia específica da disciplina e adequada às diferentes situações.

d. Envolver os alunos de forma ativa no processo de aprendizagem e na gestão do currículo.

e. Otimizar o tempo potencial de aprendizagem nos vários domínios, a qualidade da instrução, o feedback pedagógico, a orientação ativa dos alunos, o clima, gestão e disciplina da aula.

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Avaliação

7) Utilizar as diferentes modalidades de avaliação como elemento regulador e promotor da qualidade do ensino e da aprendizagem e da avaliação do aluno.

a. Realizar as diferentes modalidades de avaliação: b. Definir objetivos e formas de avaliação;

c. Selecionar ou construir instrumentos de avaliação;

d. Especificar estratégias adequadas aos objetivos e tarefas a avaliar;

e. Tratar os dados com eficácia pedagógica.

f. Refletir sobre os resultados, visando uma intervenção referenciada ao sucesso.

8) Identificar as principais características das suas turmas, destacando as particularidades sociais e culturais, psicológicas e de aprendizagem dos seus elementos, explicitando as suas implicações para a sua intervenção junto da mesma, seja no âmbito da atividade letiva seja no da direção de turma.

9) Considerar as necessidades educativas específicas de alunos, concebendo, concretizando e avaliando as condições mais ajustadas para a sua formação e desenvolvimento no âmbito dos objetivos programáticos da disciplina de Educação Física.

10) Refletir sobre a sua prática, apoiando-se na experiência, na investigação e em recursos de desenvolvimento profissional.”

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27 7.1 Planeamento anual

Mais do que uma perspetiva organizacional, o planeamento é essencial numa ótica da progressividade do ensino. Como pude comprovar ao longo deste EP, o planeamento, seja ele que tipo for, serve para guiar o professor na lecionação das aulas. Segundo Bento (2003, p. 10) “a planificação e análise/avaliação do ensino são, justamente, necessidades e momentos desencadeadores de reflexão acerca da teoria e prática do ensino. Por isso mesmo, aumentam a competência didática e metodológica e geram segurança de ação. Não somente porque o ensino, mediante planificação e análise, adquire os contornos de uma atividade racional, humana, mas também porque, deste modo, o professor se liberta de determinadas preocupações, ficando disponível para a vivência de cada aula como um ato criativo”. O mesmo autor acrescenta “Todo o projeto de planeamento deve encontrar o seu ponto de partida na conceção e conteúdos dos programas ou normas programáticas de ensino, nomeadamente na conceção de formação geral, de desenvolvimento multilateral da personalidade e no grau de cientificidade e relevância prático-social do ensino. Deve ter em conta o papel da atividade do aluno no seu próprio desenvolvimento – atividade «ativa», consciente, progressivamente autónoma e criativa – assim como a dialética de condução pedagógica (professor-ensino) e de atividade autónoma (alunos-aprendizagem)” A pluridimensionalidade referidas nestes dois textos, só por si revela a importância da complexidade da planificação enquanto professor eficaz.

Como tal, o núcleo de estágio orientou-se por três nívéis de planeamento: Planeamento anual, unidade didática e plano de aula. Em cada um destes tipos, a dificuldade inicial foi notória. Relativamente ao plano anual, ter que conjugar as condições meterológicas, com a lecionação das aulas realizadas fora do pavilhão como era o caso da modalidade de atletismo, ou mesmo, ter que decidir o número de aulas a dar, tendo em conta o grau de importância que o grupo de EF anteriormente tinha dado, foi de facto muito difícil de realizar. Com o “Roullement”, isto é, a gestão dos espaços ao longo do ano, e as modalidades já definidas, foi fácil identificar as datas disponíveis e

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conjugá-las com as modalidades. Uma outra grande dificuldade, não foi propriamente na elaboração mas sim na execução visto ter sido revelado que os alunos não aprenderam tão depressa como estava à espera e o plano anual teve de ser de ser modificado. A reflexão sobre o planeamento anual é fundamental, pois deve estar de acordo com as capacidades e retenção dos alunos. Isto obrigou-me a modificar várias vezes e sempre que necessário. Creio profundamente que o departamento de EF deveria repensar o modo como planeia as modalidades que cada professor aborda, pois ao longo do ano o outro professor do 12º ano lecionava sempre as mesmas modalidades que eu. Certo é, que isso não causava nenhum transtorno para nós pois só existiam duas turmas do 12º mas no 2º e 3º Ciclo a falta de material ou o não cumprimento do planeamento era inevitável.

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29 7.2 - Unidade didáticas

Relativamente às unidades didáticas (UD), o segundo tipo de planeamento mas não menos importante que o plano anual foi sem dúvida um elemento fundamental na elaboração do plano de aula. Sem isto, não seria possível uma distribuição equitativa das diferentes matérias bem como uma progressão pedagógica adequada à turma. A minha grande dificuldade na elaboração deste tipo de planeamento foi sem dúvida nas modalidades que tenho menos conhecimento, como é o caso da ginástica e a dança. Desse modo, tive que me preparar mais e melhor lendo mais sobre o assunto, no sentido de realizar corretamente. Como fiz uma ou outra vez, alterei a UD pois alguns alunos superaram a capacidade de aprendizagem que tinha previsto, aumentando assim os conteúdos programáticos. Numa outra ocasião, com a indicação da PC, decidimos realizar jogo 6x6 em voleibol, visto que a turma tem uma preferência especial por esta modalidade e porque quase todos os alunos apesar de terem estado todos estes anos na escola nunca exprimentaram uma única vez tal situação de jogo. Apesar de não estarem no nível delas, este jogo 6x6 criou alguma motivação nas aulas, aumentando assim a prática.

De acordo com o departamento de EF, tinha obrigatoriamente de lecionar 6 modalidades: Voleibol, Basquetebol, Andebol, Ginástica (acrobática, aparelhos e rítmica), Dança e Atletismo. Tinha também a possibilidade de escolher uma outra entre Badmington, orientação ou escalada. Por diversas razões, como a caracterização da turma e “racionamento” de espaço escolhi Badmington. Baseei-me não só nos programas nacionais mas também nas avaliações diagnósticas realizadas no começo de cada UD. O primeiro para estar em sintonia com o ministério da Educação e o segundo para perceber o nível em que a turma se encontra. Dito isto, será importante afirmar que a turma em causa está longe dos níveis apresentados pelo programa nacional. A questão aqui será saber, a causa de tal discrepância, se pela exigência dos programas nacionais ou se pelo “deficit” de aprendizagem causado pelo desinteresse dos alunos ou pela falta de eficácia dos professores anteriores. Um exemplo disso foi o andebol lecionado no 3º período. Feita a avaliação diagnóstica, os alunos encontravam-se na forma básica de jogo (FBJ) 3, muito

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abaixo da FBJ 5 requerido pelos programas nacionais. A FBJ 3 tem como princípio identificatório a “defesa ao homem”, algo que num 10º ano não se pode verificar, quanto mais no 12º.

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31 7.3 - Plano de aula

O plano de aula é o instrumento mais perto da prática. Tal como os restantes planeamentos, é necessária uma lógica e um pensamento adequado para que a progressão pedagógica e o ensino seja eficaz. Este tipo de planeamento, deve ter em conta a UD e as reflexões das aulas anteriores. Tive algumas dificuldades na elaboração dos planos de aula no início do ano letivo, mas a ajuda do PC teve muita importância para ultrapassar este desafio. Uma outra dificuldade foi a elaboração dos planos de aula de atletismo e ginástica. Talvez por falta de prática, o desafio passou pela elaboração de exercícios que criassem dificuldades adequadas aos alunos. Com o tempo fui apercebendo que todos os alunos têm uma capacidade diferenciada uns dos outros e quase que é preciso planear individualmente.

Ao início pensava como e quando iria realizar tantos planos de aula e apesar de muitos me aconselharem a elaborar vários de uma vez só (15 em 15 dias), optei por pensar aula a aula. Tal como disse anteriormente, o plano de aula deve ter em conta a reflexão da aula passada. Não faz qualquer sentido pensar num exercício sem saber se resulta naquela turma daquela maneira, ou se o tempo de exercitação adequado à aprendizagem. Deste modo, decidi realizar a reflexão o mais rápido possível após o término da aula, pois as memórias são recentes e o plano de aula no dia seguinte. Apesar de ter este tipo de cuidados, creio que em nenhuma aula realizei tudo exatamente igual ao estipulado, ou porque ultrapassei o tempo por esquecimento, ou porque ainda não tinha alcançado os objetivos que queria, ou porque o exercício não funcionava daquela determinada maneira.

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32 7.4 - Realização da prática

7.4.1 - 1º Período

Nada do que está escrito neste relatório faz sentido sem o mais importante, a prática. É para este momento que desde os meus dezassete anos sonhei, e me propus a alcançar tal objetivo. A prática é o culminar de tantas horas a planear, a refletir, a estudar, a comunicar e ouvir. O professor de Educação Física, pode ser ótimo a realizar todo o trabalho “oculto”, mas se não for bom na prática, nada será.

Tal como diz, Lawson (citado por Graça, 2004, p. 36) “Importa que esta preparação seja realizada de modo gradual e consistente. Importa que seja, não uma exposição de acomodação passiva ao mundo da prática, uma socialização burocrática e reprodutora das práticas conservadoras”. Esta preparação para a prática lenta, induz uma difícil integração no meio. Não obstante do ano letivo anterior ter comtemplado algumas aulas para os estudantes lecionarem, a difícil integração esteve bem patente no início da prática profissionalizante.

Um dos meus primeiros contatos com a PC, fiquei a saber que teria de escolher entre lecionar uma turma do 12º ano, sendo a maioria constituída pelo sexo feminino e outra do 8º ano. Apesar de ter escolhido a primeira opção, confesso ter ficado um pouco assustado visto nunca ter trabalhado com tantas pessoas daquela idade do sexo oposto. Confesso também que por ter amigos nesta área e terem trabalhado nesta faixa etária com o sexo feminino, me deixaram pessimista na minha decisão. Ainda assim, rapidamente pensei que é através das dificuldades que vou evoluir, permitindo num futuro próximo estar adaptado a tais dificuldades, assim o trabalho o exija.

Não estava nervoso quando dei a primeira aula, talvez porque no passado ano letivo tivemos de lecionar aulas a turmas “complicadas“, e pelo facto de ser treinador há vários anos. A minha comunicação e prestação é bastante melhor do que quando iniciei. Ao contrário da aula de apresentação em que senti muitas dificuldades em planear e realizar como escrevi no relatório :

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“Antes de começar a reflexão, creio ser importante afirmar que o objetivo desta primeira aula é de apresentação e transmissão de regras, como tal, senti alguma dificuldade em planear a aula de 90 minutos teórica, visto nunca ter realizado nenhuma. “

(Relatório da aula 1 e 2) Esta aula serviu de igual modo para cortar uma ligação mais íntima que poderia ser prejudicial ao meu trabalho.

“Neste primeiro contacto com os alunos, a minha comunicação foi muito severa, criando uma ambiente muito distante entre o professor e o aluno, muito frequente nos tempos do ensino clássico. Creio ser importante o primeiro contacto forte para que os alunos não possam abusar futuramente.”

(Relatório da aula 1 e 2)

A primeira UD realizada no primeiro período, foi o voleibol. De entre todas as modalidades lecionadas no primeiro período, esta por ser um desporto coletivo, teve direito a um grande número de horas em comparação com o resto. De tal modo, que consegui abordar tudo aquilo que me propus na execução da UD. A decisão de elaboração do plano anual coube ao departamento de E.F. da EBSC. No início de cada ano letivo, este departamento elabora um documento tendo em vista as modalidades que determinados níveis de formação devem se reger.

A turma, composta maioritariamente pelo sexo feminino, tinha noções avançadas no que concerne ao regulamento do deporto em questão, no entanto, em termos táticos eram demasiado precoces. A avaliação diagnóstica foi bastante clara quanto a esse aspeto, e não pude de deixar de referir isso no relatório de aula.

“Deu para perceber que a turma está situada na etapa número 2, o que na realidade, não corresponde às expectativas por mim definidas e estão muito longe do 6x6 do programa nacional. “

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Nessa mesma aula descobri uma dificuldade, como descrito no relatório da aula 5 e 6

“A minha maior dificuldade foi a gestão do tempo. Reparei que faltavam 10 minutos para terminar a aula e ainda havia um exercício de 25 minutos por realizar, sendo esse essencial para avaliar o nível. Obviamente que tive de prolongar a aula, o que no caso não foi problemático.”

Na aula seguinte, apesar de ter estado mais concentrado na gestão do tempo, a uma outra dificuldade surgiu já no fim da aula quando percebi:

“O tempo de alguns exercícios, programados no plano de aula não estavam adequados à realidade, pois era necessário uma explicação da técnica exigida, como por exemplo, o passe, a manchete e o serviço por baixo, por ser a primeira aula não contando com as avaliações (diagnostica de voleibol e treino funcional)”

(Relatório da aula 7 e 8).

Neste caso, o plano de aula não foi realizado eficazmente. Sempre que me surgia um problema, na aula seguinte focalizava-me mais nesse aspeto. Após conversa com a PC, cheguei a esta conclusão referida no relatório da aula 9 e 10

“Creio que o problema de não conseguirem atingir os objetivos propostos é o facto de não conseguirem se colocar por baixo da bola, ou seja, os deslocamentos não são atempados. Esta situação criou-me alguma angústia visto que parti do princípio que os deslocamentos estavam assimilados, não só pelo ano que frequentam mas também pela própria avaliação diagnóstica. Dei pouco relevo a essa situação e agora sinto que errei. Como tal, a próxima aula, será dada muita ênfase nos deslocamentos, não só através dos exercícios como também no feedback.”

Este caso revelou ter havido uma má avaliação diagnóstica. Nas aulas seguintes, ao dar importância ao deslocamento à gestão do tempo e à forma como elaborava o plano de aula, decidi centrar-me no feedback e cheguei a esta conclusão:

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“creio que seja importante dizer que tenho uma maneira de ser bastante reservada e como tal isso reflete-se na minha maneira como dou o feedback, que apesar de ser constante é bastante direcionado ao aluno, muito pessoal em vez de muito mais abrangente para que todos possam aprender.”

(relatório da aula 13 e 14) Isto é um problema, na medida em que o meu feedback para a toda a turma é reduzido. Mais tarde percebi que isso se deve ao facto de ainda não ter afinidade suficiente perante a turma, e demonstrar algum receio. Mais tarde, ainda com o voleibol em mente, percebi que a motivação dos alunos não era suficiente e conforme o relatório da aula 17 e 18 “decidi realizar um exercício

que pudesse motivar os alunos”. Como tal, realizei jogo 1x1 com pouca largura

e muito comprimento para a realização de deslocamentos.”, ou seja, a minha maneira de os motivar seria de realizar mais vezes jogos e competição entre eles. De facto funcionou, mas não sei se a motivação aumentou devido ao acréscimo de número de jogos competitivos, ou se era simplesmente porque as aulas eram diferentes. Na aula 21 e 22, deparei-me com um problema, algo que estava previsto mas que não sabia se a solução era a melhor. De acordo com o roulement elaborado pela escola, a minha turma só tem direito a um terço do pavilhão e nesta aula, era a introdução do 6x6, ou seja, o espaço era reduzido. A minha opção seria realizar jogo 6x6 em espaço reduzido. Apesar de ter outra opção (esperar que a outra turma terminasse a aula e prolongasse a minha), optei por realizar o 6x6 em espaço reduzido.

O atletismo, a modalidade seguinte foi lecionada com poucas horas anuais e muito menos neste período. No mês de novembro só tive oportunidade de abordar estafetas e resistência. Antes de abordar resistência, decidi realizar uma aula de técnica de corrida tendo em vista um menor gasto energético no futuro.

“Para a realização desta aula procedi de uma forma apelativa visto que este tema não é propriamente muito motivacional e os alunos perdem o interesse facilmente como revelaram na primeira aula do ano letivo,”

A minha grande preocupação seria a motivação, mas cedo me apercebi que para além disso teria uma outra preocupação “Primeiramente,

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expliquei o objetivo de cada estação e como iriam realizar o exercício. No final da instrução perguntei se tinham alguma duvida para que depois fizessem sem paragens. Após o começo do exercício, muitos foram aqueles que vieram ter comigo a afirmar que não tinham percebido “este” exercício. Reparei que em algumas estações, os alunos simplesmente não faziam, tendo eu sido obrigado a chamar a atenção variadíssimas vezes.” (relatório 31 e 32). Neste mesmo relatório cheguei a uma conclusão acerca da melhor maneira de lecionar atletismo: “Creio que este tipo de aula não irá funcionar nas próximas aula, e como tal, irei optar pela via da competição e da auto-superação.” Aqui, refiro-me ao tipo de aulas tradicionais, em que o professor ensina e o aluno executa. Ginástica

Por último, mas não menos importante, veio a ginástica. A lecionação desta modalidade foi realizada nesta altura devido ao roulement e ao espaço inerente. Como tive poucas aulas, só tive oportunidade de abordar a ginástica acrobática. Até introduzi a ginástica de solo mas só tive oportunidade de realizar uma aula e não foi a mais adequada segundo escrevi no relatório da aula 43 e 44 “A minha maior dificuldade na execução do plano de aula é a realização de uma aula com bastante densidade motora, algo que não acontece, como foi o caso de hoje. Apesar de ter realizado um circuito, a densidade motora não foi adequada”. Para promover a melhoria destes aspetos pensei em realizar melhor o plano de aula e executar a aula em pares, ou seja, a turma dividida em grupos de dois elementos em que um executa o exercício e o outro ajuda. Não tive oportunidade de perceber se funciona, mas no segundo período assim será.

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37 7.4.2 - 2º Periodo

A indignação de alguns alunos acerca das notas do primeiro período foi evidente logo na primeira aula do segundo período. Como estava à espera de tal situação, decidi "perder" algum tempo para explicar e justificar as notas. Conforme escrevi no relatório da primeira aula do segundo período:

"No início da aula demorei cinco minutos para conversar com os alunos acerca das notas. Foi notório a indignação de alguns, principalmente daqueles cuja nota não correspondeu à sua expectativa. Curiosamente, a indignação surgiu daqueles cujo esforço e assiduidade não foi a melhor. Ainda assim, acho que devia ouvir o que eles tinham para me dizer até para eu realizar uma reflexão e porventura melhorar alguns aspetos .

(relatório de aula 53-54)

Depois desta situação, fiquei triste ao saber que uma aluna tinha intenção de anular a disciplina por ter má nota. Como tal, tive uma conversa a sós, e expliquei a razão, tendo dito que me teria de demonstrar que estava enganado. Mais tarde, e com as faltas sucessivas, acabei por saber que tinha anulado E.F. Este episódio não teve qualquer influência no modo como, dali para a frente, iria influenciar o meu comportamento com os alunos.

Para este período, estava estipulado o ensino do basquetebol como modalidade obrigatória. Podia optar pelo atletismo, mas devido às condições climatéricas decidi por uma modalidade que fosse dentro do pavilhão, neste caso a dança. Por último, e como tinha de abordar uma modalidade entre as opcionais decidi enveredar pelo badmington, visto que a maioria da turma gostava.

O começo do segundo período deu para perceber que ainda não tinha consolidado alguns aspetos em relação a ser professor, nomeadamente a instrução, como foi escrito nos seguintes relatórios de aula.

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“ A minha instrução não foi a melhor porque no começo do exercício reparei que me tinha esquecido de acrescentar uma parte. Será fundamental na próxima aula corrigir esse aspeto.”

(Relatório da aula53-54)

“Aqui, realizada uma reflexão da aula percebi que a minha instrução não foi a mais eficaz pois falei com os alunos já colocados nas estações e não muito perto do professor como seria de esperar. Por causa disso o meu feedback foi constante.”

(Relatório da aula 55-56)

“O problema surgiu quando instrui para trocar de lado. A maioria, mesmo depois do feedback, realizou de maneira incorreta.”

(Relatório de aula 57-58)

O ensino do basquetebol, foi progressivo. Creio que deveria ter arriscado mais, no sentido de aplicar um modelo de ensino que permitisse o aumento dos conteudos pois no final da unidade didática fiquei com a sensação que esta modalidade tem princípios básicos fáceis de ensinar e se eventualmente tivesse "arriscado" mais, provavelmente os alunos teriam sido expostos a uma maior variedade de conhecimento e mesmo eu como professor, teria aprendido mais. Ainda assim, creio que aprendi muito nesta fase do ano letivo.

No ensino do badminton decidi optar pelo modelo instrucional "Teaching Games for Understading". Este modelo criado por Bunker and Thorpe (1982) estimula estudantes que "queiram perceber a estrutura do jogo para promover o desenvolvimento de aptidões e conhecimento tático necessário para a performance do jogo". (Metzler, 2011, p. 356) O mesmo

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autor afirma "num senso comum, os estudantes estão sempre "jogando o jogo" como eles trabalham as habilidades e táticas essenciais desenvolvendo numa sequência apropriada."

Este modelo mostrou ser essencial durante a unidade didática não só porque tornou mais fácil o meu trabalho a nível da motivação, como tornou os alunos mais empenhados criando um envolvimento e uma união muito forte, juntamente com um sentido de pertença, muito além do que vinha sendo demonstrado.

Por sua vez, a realização do torneio todas as aulas mobilizou os alunos para um esforço muito para além do esperado. Muitos dos alunos, chegaram a dizer logo na segunda aula para realizar o torneio no início da aula, quando estavam menos cansados e assim ter mais possibilidades de ganhar. Obviamente o pedido não foi aceite, mas deu para perceber o interesse dos alunos.

Na última unidade didática do segundo período, decidi e porque o tempo já era curto, realizar dança. Utilizei uma coreografia, do ano passado da minha formação e ensinei aos meus alunos. Em três aulas, já sabiam perfeitamente a coreografia. Esta unidade didática pauto-se pela minha inexperiência na transmissão de conhecimento nesta área e foi para mim um momento de grande aprendizagem. A minha maior dificuldade foi simplesmente dançar. Confesso que não sou nada bom nesse aspeto e tive vários momentos em que demorei mais tempo a explicar devido a esse aspeto como seria expectável. Com a ajuda da PC e do meu colega de estágio, tudo se concretizou da melhor forma.

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40 7.4.3 - 3º Período

No final do segundo período a PC, alertou-nos para a brevidade do período seguinte. Ao olhar para o calendário, verifiquei que tinha sete semanas, o que não me parecia assim tão pequeno. No planeamento anual, ainda tinha três modalidades para abordar. O andebol e duas disciplinas que já tinha iniciado no primeiro e segundo período, nomeadamente a ginástica e o atletismo. Ao fazer as contas tendo em conta a experiência adquirida neste ano letivo, decidi “descartar” o atletismo porque se assim não fosse, teria apenas três semanas para o andebol, duas para ginástica e duas para o atletismo, o que me obrigaria a elaborar UD curtas, principalmente para o andebol. Ao “descartar” o atletismo, tornou possível uma unidade didática de cinco semanas e duas semanas de ginástica, o que me parecia o ideal até porque o roullement indicava as duas últimas semanas no espaço para a ginástica. Apesar disso, com várias situações subjacentes ao contexto só me foi possível lecionar andebol. A turma teve variadas situações que não permitiram a ida às aulas, nomeadamente visitas de estudo, preparação do baile de finalistas, entre outras.

De todas as modalidades de desportos coletivos, esta foi a que mais dificuldades tive para lecionar este ano letivo. Na maioria das aulas senti uma grande desmotivação por parte dos alunos. Claramente não gostavam das aulas, e então o meu principal objetivo passou a enveredar por um planeamento que se tornasse mais agradável a alunos e consequentemente a minha motivação aumentava. Criei exercícios com uma componente competitiva muito acima do inicial da UD e repeti exercícios que tinha tido

feedback positivo.

De acordo com a avaliação diagnóstica os alunos encontravam-se numa fase muito precoce, pois ainda não tinham aprendido conteúdos relativos aos anos anteriores. No entanto, na primeira aula após a avaliação inicial, apenas com um feedback "obrigatório defender à zona" os alunos compreenderam perfeitamente a mensagem e nem sequer ensinei a maneira para tal. Apesar de no período passado o desporto coletivo ter sido o

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basquetebol onde o tipo defensivo predominante é a marcação ao homem, creio que a transferência de outras modalidades com o mesmo tipo defensivo para o andebol tenha sido crucial. Desta maneira, tive a possibilidade de avançar para a forma básica de jogo seguinte, antes do previsto no UD. Nesta fase, predomina a introdução do pivô, numa aclaração muito básica deste jogador. Para tal, o jogo de gr+4x4+gr passou a aumentar ligeiramente a complexidade introduzindo um jogador (gr+5x5+gr). Enquanto as aulas decorriam fui dando conta de um problema que no andebol é essencial, que é a agressividade ao portador da bola. Vários foram os fatores originam esse problema. Primeiro de tudo, o facto de a maioria ser do sexo feminino e não gostarem de contato físico, juntando o fato de os rapazes serem os portadores de bola na maioria do tempo de jogo. Outro problema inerente ao jogo e muito difícil de resolver, foi o conteúdo da ocupação racional do terreno de jogo. Este foi um problema, transversal ao género, que se agravou com a introdução de exercícios que promoviam a mobilidade. Na avaliação sumativa pude confirmar que este problema apesar de ter melhorado em alguns alunos, não consegui contornar no total.

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42 7.5 - Avaliação

Segundo Rosado and Mesquita (2011, p. 154), “nos jogos desportivos dada a natureza aberta das tarefas, consubstanciada nas múltiplas opções colocadas ao aluno, é reclamada a avaliação das aprendizagens que replique o conteúdo desenvolvido no processo de instrução.”

Os mesmos autores afirmam que o surgimento de outros modelos de ensino, como o modelo de ensino do jogo para a compreensão (Bunker & Thorpe, 1982), impôs-se face à necessidade de procurar outras prioridades para o ensino e outras formas de avaliação, alternativas aos testes de habilidades isoladas.

A plasticidade praticada no planeamento pode ser encarada da mesma maneira nesta área. A primeira avaliação foi, como dito anteriormente, o voleibol. De uma forma geral, decidi avaliar o aluno não só mas também pela técnica. Mais tarde uma aluna ao vir ter comigo afirmou “se a bola chegar ao local que pretendemos, porque razão devemos “dobrar e esticar” as pernas”. Ou seja, o que a aluna pretende com isto é afirmar que não interessa o meio para atingir o fim. Não concordando com a total afirmação, ela levou-me bastante a pensar na maneira como deveria avaliar o aluno. Trata-se ao fim ao cabo, de uma aula de EF e não de uma competição de alto rendimento, em que aí sim, faria todo o sentido a melhoria técnica para o menor desgaste possível durante o jogo. Obviamente, que isto só se revela eficaz em desportos coletivos, em que a técnica não é tão importante. Então, o que deveria ter sido avaliado? Pensando um pouco sobre o assunto, a resposta foi clara. Os processos mentais, deverão estar acima de qualquer conteúdo e como tal esses mesmos processos deverão estar incluídos no planeamento da UD.

Nas avaliações seguintes, os alunos pasmaram-se quando afirmei que não contava para a avaliação se fizessem mal a técnica de passe mas sim a intenção do passe, nem a técnica de remate, mas sim se houvesse condições ideais para tal.

De tal modo, a avaliação e suas notas finais subiram, tendo como consequência uma maior motivação dos alunos na prática.

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