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O regionalismo aplicado no design de moda

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CURSO SUPERIOR EM TECNOLOGIA EM DESIGN DE MODA

CARINE ELOIZA CIVIDINI MARIÂNGELA SILVEIRA BIANCHIM

O REGIONALISMO APLICADO NO DESIGN DE MODA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

APUCARANA 2017

(2)

CARINE ELOIZA CIVIDINI MARIÂNGELA SILVEIRA BIANCHIM

O REGIONALISMO APLICADO NO DESIGN DE MODA

Trabalho de Conclusão de Curso de graduação apresentado à disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Câmpus Apucarana, como requisito parcial para obtenção do título de Tecnólogo.

Orientador: Prof. Patrícia Almeida

APUCARANA 2017

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Ministério da Educação

Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Apucarana

CODEM – Coordenação do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda

TERMO DE APROVAÇÃO

Título do Trabalho de Conclusão de Curso Nº 242 Regionalismo aplicado no design de moda

por

CARINE ELOIZA CIVIDINI E MARIANGELA SILVEIRA BIANCHIM

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi apresentado aos vinte e um dias do mês de junho do ano de dois mil e dezessete, às vinte e uma horas e trinta minutos, como requisito parcial para a obtenção do título de Tecnólogo em Design de Moda, linha de pesquisa Processo de

Desenvolvimento de Produto, do Curso Superior em Tecnologia em Design de Moda da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. As candidatas foram arguidas pela banca examinadora composta pelos professores abaixo assinados. Após deliberação, a banca examinadora considerou o trabalho aprovado.

_____________________________________________________________ PROFESSORA PATRICIA A. ALMEIDA – ORIENTADORA

______________________________________________________________ PROFESSORA GISELY A. PIRES – EXAMINADORA

______________________________________________________________ PROFESSOR MARCELO CAPRE – EXAMINADOR

“A Folha de Aprovação assinada encontra-se na Coordenação do Curso”.

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RESUMO

BIANCHIM, M. S., CIVIDINI, C. E. O Regionalismo aplicado no design de moda. 2016. 102 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso II). Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. Apucarana, 2016.

O Brasil é o quinto país do mundo na indústria do vestuário, sendo esta a que mais polui o meio ambiente. Os poluentes emitidos por ela abrangem efluentes líquidos, emissões de gases, partículas, resíduos sólidos, odores e ruídos. Além disso, o impacto ambiental se dá em todo o ciclo da produção e consumo do vestuário. É possível introduzir as diretrizes da sustentabilidade desde a produção das fibras até o descarte dos resíduos e produto final, abrindo um leque de possibilidades para a mudança de atitudes na moda. Considerando esses fatores, o estudo se volta para a valorização do regionalismo, como componente ativista de mudanças. A utilização de componentes regionais poderia ser uma possível solução para redução dos poluentes gerados por meio de transporte de materiais, além de permitir a utilização de matéria-prima biodegradável, os corantes e as fibras naturais. O objetivo deste trabalho é avaliar se o uso dos produtos regionais pode efetivamente beneficiar o meio ambiente com a redução dos impactos ambientais gerados pela indústria do vestuário. Para isso, será realizado um levantamento dos materiais naturais utilizados para a confecção das roupas produzidos especificamente na região do norte do Paraná.

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ABSTRACT

BIANCHIM, M. S., CIVIDINI, C. E. O Regionalismo aplicado no design de moda. 2016. 102 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso II). Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. Apucarana, 2016.

Brazil is the fifth country in the world in the clothing industry, which is the one that most pollutes the environment. The pollutants emitted by it cover liquid effluents, emissions of gases, particles, solid wastes, odors and noise. In addition, the environmental impact occurs throughout the cycle of clothing production and consumption. It is possible to introduce the guidelines of sustainability from the production of the fibers to the disposal of waste and final product, opening up a range of possibilities for changing attitudes in fashion. Considering these factors, the study turns to the valorization of regionalism, as an activist component of changes. The use of regional components could be a possible solution for the reduction of pollutants generated by transporting materials, as well as the use of biodegradable raw materials, natural dyes and fibers. The objective of this study is to evaluate if the use of regional products can effectively benefit the environment by reducing the environmental impacts generated by the clothing industry. For this, a survey of the natural materials used to make clothing specifically produced in the northern region of Parana will be carried out.

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LISTA DE FIGURAS E TABELAS

Figura 1 - A Complexidade do Sistema de moda... 4

Figura 2 Lã, fibra. ... 8

Figura 3 Algodão na plantação. ... 8

Figura 4 Fibra do algodão. ... 9

Figura 5 Fibra da bananeira. ... 10

Figura 6 Extração da fibra da bananeira. ... 10

Figura 7 Corte da renda - fibra da bananeira. ... 11

Figura 8 Secagem da fibra da bananeira. ... 11

Figura 9 Tecelagem. ... 11

Figura 10 Processo de desengomagem: Limão e vinagre. ... 19

Figura 11 Mordente: Pregos enferrujados e folha de goiabeira. ... 20

Figura 12 Amora fervendo. ... 21

Figura 13 Açafrão fervendo. ... 22

Figura 14 Espinafre fermentando ... 22

Figura 15 Casca da cebola fervendo. ... 23

Figura 16 Urucum: Resultado final: alaranjado. ... 23

Figura 17 Amora: 10 minutos e 20 minutos. ... 24

Figura 18 Açafrão: Resultado obtido, amarelo intenso. ... 24

Figura 19 Espinafre, resultado obtido: Verde. ... 24

Figura 20 Casca da cebola: Resultado obtido. ... 24

Figura 21 Café: Resultado obtido. ... 25

Figura 22 Variações da amora. ... 25

Figura 23 Variações do espinafre. ... 25

Figura 24 As várias tonalidades obtidas. ... 26

Gráfico 1 Preços praticados ... 27

Gráfico 2 Necessidades ... 28

Gráfico 3 Estilo ... 28

Gráfico 4 Estilo análise 2 ... 29

Gráfico 5 Estilo análise 3 ... 29

Tabela 1 Classificação das empresas quanto à receita bruta anual - Lei Nº 123/06 ... 30

Tabela 2 Classificação das empresas quanto ao número de empregados ... 31

Figura 25 Logo da marca ... 31

Figura 26 Imagem referência de público alvo ... 34

Figura 27 Painel de estilo de vida do público alvo ... 34

Figura 28 Vida terrena: Macrotendência para 2018 fonte: costanzawho.com ... 35

Figura 29 Minimalismo urbano ... 36

Figura 30 Painel Semântico ... 37

Figura 31 Painel de referências ... 37

Figura 32 Mix da coleção ... 39

Figura 33 Cartela de cores ... 39

Figura 34 Cartela de materiais ... 40

Figura 35 Aviamentos utilizados ... 40

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Figura 37 geração de alternativas Look 02... 42

Figura 38 geração de alternativas Look 03... 43

Figura 39 geração de alternativas Look 04... 44

Figura 40 geração de alternativas Look 05... 45

Figura 41 geração de alternativas Look 06... 46

Figura 42 geração de alternativas Look 07... 47

Figura 43 geração de alternativas Look 08... 48

Figura 44 geração de alternativas Look 09... 49

Figura 45 geração de alternativas Look 10... 50

Figura 46 geração de alternativas Look 11... 51

Figura 47 geração de alternativas Look 12... 52

Figura 48 geração de alternativas Look 13... 53

Figura 49 geração de alternativas Look 14... 54

Figura 50 geração de alternativas Look 15... 55

Figura 51 geração de alternativas Look 16... 56

Figura 52 Look 17 escolhido - Verde Espinafre e couve ... 57

Figura 53 Look 18 escolhido - Urucum e casca de cebola ... 58

Figura 54 Look 19 escolhido - Açafrão e amora. ... 59

Figura 55 Look 20 escolhido - Café, cebola e açafrão ... 60

Figura 56 Ficha técnica página 1 Camisetão - Look 17 ... 61

Figura 57 Ficha técnica página 2 - Camisetão Look 17 ... 62

Figura 58 ficha técnica página 3 - Camisetão Look 17 ... 62

Figura 59 Ficha técnica Página 1 - Calça Pantalona - Look 18 ... 63

Figura 60 Ficha técnica Página 2 - Calça Pantalona - Look 18 ... 64

Figura 61 Ficha técnica Página 3 - Calça Pantalona - Look 18 ... 64

Figura 62 Ficha técnica Página 1 - Blusinha - Look 18 ... 65

Figura 63 Ficha técnica Página 2 - Blusinha - Look 18 ... 66

Figura 64 Ficha técnica Página 3 - Blusinha - Look 18 ... 66

Figura 65 Ficha técnica Página 1 - Vestido - Look 19 ... 67

Figura 66 Ficha técnica Página 2 - Vestido - Look 19 ... 68

Figura 67 Ficha técnica Página 3 - Vestido - Look 19 ... 68

Figura 68 Ficha técnica Página 1 - Casaco - Look 19 ... 69

Figura 69 Ficha técnica Página 2 - Casaco - Look 19 ... 70

Figura 70 Ficha técnica Página 3 - Casaco - Look 19 ... 70

Figura 71 Ficha técnica página 1 - Short - look 20 ... 71

Figura 72 Ficha técnica página 3 - Short - look 20 ... 72

Figura 73 Ficha técnica página 2 - Short - look 20 ... 72

Figura 74 Ficha técnica página 1 - blusinha - look 20 ... 73

Figura 75 Ficha técnica página 3 - blusinha - look 20 ... 74

Figura 76 Ficha técnica página 2 - blusinha - look 20 ... 74

Figura 77 Ficha técnica página 1 - casaco look 20 ... 75

Figura 78 Ficha técnica página 3 - casaco - look 20... 76

Figura 79 Ficha técnica página 2 - casaco - look 20... 76

Figura 80 Prancha Camisetão ... 77

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Figura 82 Prancha Casaco e vestido ... 79

Figura 83 Prancha short, blusinha e casaco ... 80

Figura 84 Look 17 - confeccionado... 81

Figura 85 Look 18 - Confeccionado ... 82

Figura 86 Look 19 - confeccionado ... 83

Figura 87 Look 20 - Confeccionado ... 84

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Sumário

RESUMO………...I ABSTRACT………...II LISTA DE FIGURAS E TABELAS..………III

1 INTRODUÇÃO ... 1 1.1 PROBLEMA ... 1 1.2 OBJETIVOS ... 2 1.2.1 Objetivo Geral ... 2 1.2.2 Objetivos Específicos ... 2 1.3 JUSTIFICATIVA ... 2 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 3

2.1 MODA, PRODUTO E SUTENTABILIDADE ... 3

2.1.1 Comportamento de Consumo ... 4

2.1.2 Impactos da Indústria do Vestuário no Meio Ambiente ... 5

2.2 REGIONALISMO: DIMENSÃO APLICADA AOS PROCESSOS ... 6

2.2.1 Seleção de materiais: fibras locais ... 6

2.3 PROCESSOS ... 12

2.3.1 Tingimentos naturais - produção natural de pigmentos ... 12

2.3.2 Acabamentos exclusivos - produção honesta no posto de trabalho ... 16

3 METODOLOGIA ... 18

3.1 TIPO DA PESQUISA ... 18

3.2 MATERIAIS E MÉTODOS ... 18

3.2.1 Desengomagem ... 19

3.2.2 Mordentes ... 19

3.2.3 Corantes naturais utilizados ... 20

3.2.4 Procedimento ... 21

3.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 23

3.4 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS ... 27

3.4.1 Análise faixa etária ... 27

3.4.2 Análise para estipular valores ... 27

3.4.3 Análise financeiro ... 27

3.4.4 Análise Necessidades ... 28

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3.5 Análise dos resultados ... 29 4 DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO ... 30 4.1 EMPRESA ... 30 4.1.1 Nome da empresa ... 30 4.1.2 Porte ... 30 4.1.3 Marca ... 31 4.1.4 Conceito da marca ... 31 4.1.5 Segmento da marca ... 32

4.1.6 Concorrentes diretos e indiretos ... 32

4.1.7 Preços praticados ... 32

4.2 PUBLICO ALVO ... 33

4.3 PESQUISA DE TENDÊNCIAS ... 35

4.3.1 Macrotendências (Socioculturais) ... 35

4.4 Micro tendência (estética) ... 36

5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ... 37

5.1 Painel Semântico ... 37

5.2 ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO ... 38

5.2.1 Nome da coleção ... 38

5.2.2 Conceito da coleção ... 38

5.2.3 Formas e Estruturas (Shapes) ... 38

5.2.4 Mix de Coleção ... 39 5.3 Cartela de cores ... 39 5.4 Materiais... 40 5.5 Aviamentos ... 40 5.5.1 Fichas Técnicas ... 61 5.5.2 Pranchas ... 77 5.5.3 Looks Confeccionados ... 81 5.5.4 Planejamento do desfile ... 84 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 86

(11)

1 INTRODUÇÃO

A sustentabilidade, hoje, é um dos principais conceitos na sociedade moderna relacionado com a crescente preocupação em relação ao meio ambiente e recursos naturais. A mídia em geral tem mostrado cada vez mais por meio de documentários, entrevistas, propagandas, telejornais ou programas exclusivos, os estragos causados pela poluição, aquecimento global entre outras degradações.

A área do vestuário tem se destacado cada vez mais, com grande volume de produção de roupas, acessórios e complementos, tem ajudado a movimentar a economia do país e do mundo, pois o mercado oferece constantemente, produtos inovadores. A visibilidade do causada por meio do design de moda, mostra aos poucos que ela não se sustenta mais somente por tendências, estéticas e aparências. Traz consigo aos poucos novos conceitos intrínsecos pautados no comportamento e no futuro da humanidade, tais como as dimensões sustentáveis.

Esta reflexão é a base para o presente estudo - Moda na ótica das

diretrizes sustentáveis, que apresenta um novo pensamento de

desenvolvimento e concepção do produto, inserindo em suas etapas de produção pequenas atitudes sustentáveis que somadas podem apresentar desaceleração da degradação do meio ambiente.

1.1 PROBLEMA

A indústria do vestuário está entre as maiores geradoras de poluentes da atualidade (BARROS, 2010), além disso é responsável pela ampla utilização de recursos naturais.

O setor têxtil é conhecido por apresentar potencial poluente elevado, abrangendo cinco campos distintos: efluentes líquidos, emissões de gases, partículas, resíduos sólidos, odores e ruídos.

(12)

O grande consumo de água durante as etapas do processo de fabrico dos tecidos gera água residual com efeito poluidor bastante significativo devido às elevadas vazões e toxicidade, além do volume e composição variáveis (VANDEVIVERE et al., 1998).

Considerando tudo isso, o regionalismo pode ser uma solução para a diminuição desses impactos ambientais?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Oferecer alternativas sustentáveis, através da introdução de produtos naturais em etapas de produção como o beneficiamento e tingimento têxtil.

1.2.2 Objetivos Específicos

1. Utilizar o regionalismo como objetivo central de ligação com a sustentabilidade.

2. Realizar um levantamento dos produtos naturais da região do Norte do Paraná que podem ser utilizados na indústria têxtil, especificamente para a pigmentação de tecidos.

3. Aplicar o regionalismo como estratégia para, principalmente, diminuir a necessidade da excessiva utilização dos meios de transporte poluidores. 4. Avaliar se o uso dos produtos regionais pode efetivamente beneficiar o

meio ambiente com a redução dos impactos ambientais gerados.

1.3 JUSTIFICATIVA

A aplicação do regionalismo como estratégia sustentável, com a utilização de componentes regionais, pode ser uma solução para redução dos resíduos e poluentes, e permitir a utilização de materiais biodegradáveis, à saber, os corantes e as fibras naturais, além de valorizar a mão de obra local.

(13)

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 MODA, PRODUTO E SUTENTABILIDADE

A sociedade, desde sua origem, apresentava necessidade de distinguir as classes para perpetuação da hierarquia. Nesse escopo, nosso vestuário é imbuído de simbolismo e significado, por mais oculto e subliminar que este o seja, ainda que não exista uma análise consciente desse significado.

Além disso, o vestuário ainda carrega informações a sobre o modo de vida, crenças, estilo, características e personalidade dos sujeitos, sendo que as qualificações atribuídas tendem ao infinito. Dessa forma, a moda não está apenas ligada ao produto, mas sim ao que ele carrega. Podemos dizer então que o vestuário é material e tangível, enquanto a moda não é material e intangível (HOEKS e POST, 2006).

Justamente essa característica da moda que a aproxima da sustentabilidade, sendo que esta é mais vinculada a atitude do que efetivamente ao produto ou aos processos. A moda no escopo da sustentabilidade, pode então, assumir a característica de um veículo de comunicação, difundindo um estilo de vida esculpido na fusão do design e meio ambiente.

O desenvolvimento sustentável aquele que provê para a geração atual sem comprometer as gerações futuras (BRUNDTLAN, 1987). Dessa forma, a sustentabilidade deverá abranger três grandes setores: social, econômico e ecológico, de forma que exista um equilíbrio entre eles (GWILT, 2011).

Nesse contexto, o designer apresenta um papel fundamental, sendo o responsável por realizar a ligação entre o método de criação do produto e sua produção com a utilização de estratégias sustentáveis. Podemos dizer então que a sustentabilidade na moda deve ser aplicada desde a fase de criação do produto, produção até a distribuição do mesmo, estendendo-se ainda para o pós-compra e descarte. Na análise de um produto sustentável considera-se os seguintes critérios: função do produto, satisfação do consumidos e vantagens ambientais, econômicas e competitivas deste (VEZZOLI, 2008).

(14)

2.1.1 Comportamento de Consumo

O consumidor é o fator que inicia e finaliza o ciclo do sistema de moda e, portanto, todas as questões pertinentes à moda, são voltadas para ele. Assim, a sustentabilidade na moda deve ser construída de forma que transforme o comportamento de consumo. Isso pode ser alcançado através da educação do consumidor para um consumo mais consciente. Para tal, é de extrema importância entender o ciclo do sistema de moda.

Rocha (2007) desenvolveu um diagrama embasado na complexidade do tema, ilustrando o sistema da moda. Neste diagrama observa-se o consumidor como a figura central, e abordando ainda, o ciclo de vida do produto, o meio ambiente, a individualidade, a inclusão social, o marketing e as estratégias para conquistar a satisfação do consumidor (figura 1).

Figura 1 - A Complexidade do Sistema de moda. Fonte: Rocha 2007, modificado pelo autor

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Alguns autores avaliam o processo de consumo em etapas, que são: necessidade, procura, pré-compra, compra, consumo, avaliação pós-consumo e descarte. Pode-se dizer então, que o consumidor apresenta um papel central sendo ele mesmo, peça fundamental para girar o ciclo.

2.1.2 Impactos da Indústria do Vestuário no Meio Ambiente

São inúmeras as marcas que aderem ao fast fashion, caracterizada por ser efêmera e focada no consumo em larga escala. Consequentemente, a produção será de baixa qualidade, de pouca durabilidade. Dessa forma, provocando aumento exacerbado da produção, sem reaproveitamento das peças descartadas, com impactos ambientais e sociais.

Em realidade, os impactos da indústria do vestuário no meio ambiente têm seu início desde o cultivo ou fabricação das matérias-primas que serão posteriormente utilizadas, devido ao uso de pesticidas e fertilizantes (pentaclorofenol, DDT, lindane e hexaclorociclohexano). Já na fase de produção industrial a poluição ocorre através dos efluentes residuais do tingimento e acabamento (pigmentos, corantes, fosfatos e metais pesados) e por fim, a produção de resíduos resultantes do mesmo processo de fabricação (lodos).

Os poluentes emitidos por essa indústria abrangem efluentes líquidos, emissões de gases e partículas, resíduos sólidos, odores e ruídos (MORAES, 1999). Além disso, existe um consumo de água intenso durante o processo de fabricação dos tecidos, gerando ainda água residual contaminada (VANDEVIVERE et al., 1998). Os resíduos de maior carga encontrados nos efluentes são: amido, proteínas, substâncias gordurosas, surfactantes, produtos auxiliares no tingimento e os corantes, além das elevadas temperaturas e alteração do pH (SCHULTE, 2016).

Os resíduos sólidos, o consumo elevado de água, os efluentes e a infiltração de águas contaminadas, oriundos da indústria têxtil, são constante ameaça para a qualidade do solo e do meio ambiente.

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A maioria dos processos de tratamento são fundamentados na operação de sistemas físico-químicos de filtração através de tratamento biológico (lodos ativados), o que pode levar também, a grande produção de iodo.

Considerando todos esses impactos da indústria têxtil no meio ambiente. faz-se necessário repensar as formas de processo e produção, desde seu início até o final do ciclo de consumo do produto, para que o ambiente em cada uma das etapas seja poupado. Dentre as possibilidades de abrangência desse conceito, o regionalismo pode atuar, de certa forma, em todas as etapas de produção dessa indústria.

2.2 REGIONALISMO: DIMENSÃO APLICADA AOS PROCESSOS

O regionalismo na sustentabilidade é, principalmente, a priorização da mão de obra, e da matéria-prima de um determinado local, onde a produção se encontra. Uma empresa que aplica o regionalismo, visa utilizar ao máximo os recursos locais. No vestuário, por exemplo, fará parcerias com produtores que lhe forneçam as matérias-primas, que serão plantadas por eles mesmos. Em todos os setores da produção.

Esta ligação de serviços e matéria-prima de uma determinada região favorece a produção de menor impacto e gasto energético, e também valores culturais e sociais carregados nos produtos.

Com isso, estabelece ainda mais os laços com a sustentabilidade se tratado com simplicidade, que vem por meio das técnicas de extração e beneficiamentos naturais transformados por meio do trabalho artesanal e ancestral.

2.2.1 Seleção de materiais: fibras locais

A fibra têxtil é a matéria prima que originará os fios pelo processo de fiação, podendo ser natural, de origem vegetal, animal ou ainda mineral, ou não natural, de origem artificial ou sintética. As fibras naturais de origem vegetal podem ser obtidas a partir de sementes e frutos (i.e. algodão, coco), de caules (i.e. linho, rami, abacá, cânhamo, juta, malva, bambu, bananeira), ou ainda das

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folhas (i.e. sisal, caroá). As fibras naturais de origem natural mais comuns são extraídas do pelo do animal (i.e. lã) ou de secreções (i.e. seda). A fibra natural de origem mineral pode ser extraída de crisótila, crocidotila, de balsam e de amianto. Já as fibras não naturais são obtidas a partir de polímeros modelados, sendo que as fibras artificiais são aquelas produzidas pelo homem com a utilização de polímeros naturais, e as fibras sintéticas são produzidas pelo homem tendo como matéria rima produtos químicos como o poliéster, acrílico entre outros.

É quase um senso comum que exista o conceito de que a utilização de matérias primas naturais, para a confecção têxtil, provoque menor impacto ambiental em relação as fibras sintéticas. No entanto, na contemporaneidade, sabe-se que matérias primas naturais também possuem intervenção direta do homem, seja com a utilização de químicos durante o processo de produção, ou até mesmo pela intensa utilização de água durante o processo.

Por valorizar a cultura e produção local, a utilização do regionalismo é uma forma, também, de gerar renda para os produtores locais. Além disso, é implícito que se houver uma maior demanda de determinada matéria prima, pode-se também incentivar o início do cultivo na região. Para se ter uma base de como é a produção das fibras e corantes naturais no Paraná, foi investigada a produção local, com foco maior na parte norte do estado.

2.2.1.1 Lã

A lã pode ser considerada a mais versátil entre todas as fibras naturais, O tecido feito com ela serve como isolante térmico, não propaga chama e não amassa, além disso, sendo de origem animal (ovinos) apresentam coloração natural que variam do marrom escuro, creme, a cinza, descartando muitas vezes a necessidade da etapa de tingimento.

Para ser sustentável o número de ovelhas deve ser limitado por área, a alimentação pura e sem química nos pastos, não deve levar nenhum produto químico em suas etapas de produção.

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Figura 2 Lã, fibra.

Fonte: agabiroba.wordpress

O número de propriedades que possuem criação de ovinos no Paraná

foi estimado em aproximadamente 17 mil no censo de 2006. Quanto às

microrregiões destacam - se: Guarapuava, Curitiba e União da Vitória, que correspondem a 12,2%, 7,1% e 4,8% das propriedades paranaenses, respectivamente.

2.2.1.2 Algodão

O algodão é uma fibra natural de origem vegetal, proveniente das sementes da Gossypium da família da Malvacea. Sua fibra é basicamente composta por celulose, com pequenas porções de proteína, pectina, cera, cinzas, ácidos orgânicos e pigmento natural. Seu processo de fiação abrange o descaroçamento (separação da fibra e semente), spinning (produção do fio a partir da fibra) e a tecelagem (produção da trama têxtil).

Figura 3 Algodão na plantação. Fonte: textileindustry.ning

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É uma das fibras naturais mais utilizados na indústria do vestuário, pois é versátil, de fácil manuseio, suave e confortável. Além disso, apresenta alta capacidade de absorção e tingimento, além de ser resistente. Apesar de ser amplamente utilizado no mundo todo, o cultivo do algodão demanda muita água, além de altas cargas de pesticidas e agrotóxicos.

Uma alternativa sustentável é o algodão orgânico, cujo processo não necessita da utilização de pesticidas de alta toxicidade, fertilizantes sintéticos, dessa forma, apresenta reduzido resíduo.

Figura 4 Fibra do algodão. Fonte: borgesengenheiro

No entanto, para que o algodão seja classificado como orgânico não pode receber corantes sintéticos e tratamentos químicos. Dessa forma, como alternativa o tingimento é realizado com pigmentos naturais, como chás e frutas, e pode ser realizado durante o plantio (adubo) (SCHULTE, 2016). A redução da utilização de produtos químicos preserva o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores.

Atualmente o Paraná produz algodão em pouca quantidade, programas como o "Algodão" realizado pelo IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná) atuando na geração, desenvolvimento e adaptação de tecnologias para a cotonicultura paranaense, visam modificar esse quadro.

2.2.1.3 Fibra da bananeira

A utilização da fibra de bananeira com a finalidade de confeccionar produtos artesanais vem sendo cada vez mais explorada no Brasil. O cultivo de banana

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é uma das atividades agrícolas de maior destaque mundialmente, perdendo apenas para a produção de frutas cítricas. O Brasil pouco exporta dessa produção, sendo que a maior parte da produção é consumida pelo próprio país (FERREIRA, 2012).

Figura 5 Fibra da bananeira. Fonte: talentodaterra.com

Da bananeira tudo é aproveitado: raiz, caule, folha, fruto, renda, palha e a fibra. A fibra da bananeira é extraída de forma artesanal, retirada a partir do caule da bananeira. Para a extração separa-se o tronco e retira-se todas as camadas até restar apenas o palmito (Figura 6). Na sequência, corta-se verticalmente o tronco em tiras colocando-as de molho em água com vinagre (Figura 7). As tiras devem secar à meia sombra (Figura 8), e quando secas serão selecionadas de acordo com o produto que será confeccionado, separando-se as rígidas das flexíveis, e posteriormente pode ser realizada a tecelagem (Figura 9) (FERNANDA, 2016).

Figura 6 Extração da fibra da bananeira. Fonte: maragogi.tur.br

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Figura 7 Corte da renda - fibra da bananeira. Fonte: maragogi.tur.br

Figura 8 Secagem da fibra da bananeira. Fonte: maragogi.tur.br

Figura 9 Tecelagem. Fonte: maragogi.tur.br

Quanto ao plantio de banana no Paraná, o município de Novo Itacolomi, situado na região norte, -com pouco mais de 2,8 mil habitantes, tem se destacado nesse mercado. Atualmente, a cidade só fica atrás de Guaratuba (litoral), Andriá (Norte Pioneiro) e São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba - RMC). Embora não seja a principal atividade econômica do local, a banana, implantada em meados da década de 1990, já é a quarta principal fonte de renda do município, com potencial para se transformar na segunda maior geradora de dividendos.

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De acordo com o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e a Secretaria de Estado da Agricultura do Paraná (SEAB), A produção de banana no Paraná concentra-se principalmente na região litorânea (80% da área), onde ocorre em duas situações distintas: no Litoral Norte, em sistemas de produção pouco desenvolvidos e no Litoral Sul, em sistemas mais intensivos, semelhantes aos desenvolvidos em Santa Catarina (um dos estados em que a atividade é mais importante e organizada no país). As restrições à produção dentro dos padrões convencionais na região do Litoral Norte, considerando-se as limitações de recursos dos agricultores, a fragilidade dos recursos naturais e a legislação ambiental, apontam como alternativa a busca de mercados diferenciados.

As regiões do Norte e Oeste do Paraná apresentam bom potencial para a expansão da área de banana, embora possuam clima subtropical, que não é exatamente a condição ideal para a bananeira, uma planta de clima quente e úmido. A produção nestas regiões vem crescendo, evidenciando o interesse que vem despertando entre os agricultores como uma opção de diversificação.

2.3 PROCESSOS

2.3.1 Tingimentos naturais - produção natural de pigmentos

O corante é definido como: “um composto orgânico capaz de colorir substrato, têxteis e não têxteis, de forma que a cor seja sólida e resistente à luz e a tratamentos úmidos" (TWARDOKUS, 2004). Podendo ser definido como corante natural, (quando obtido a partir de vegetais), artificiais (quando obtidos por síntese com composição química) ou ainda, corantes sintéticos idênticos aos naturais (são sintetizados em laboratório, no entanto possuem a estrutura química muito semelhante aos corantes naturais).

Os corantes diretos de ligam diretamente às fibras do tecido sem que seja necessário a utilização de outros compostos para a absorção do mesmo, geralmente usados em fibras de celulose (algodão e linho). Os mordentes são fixadores utilizados juntamente com os corantes, e auxiliam na absorção e fixação do mesmo pela fibra. É importante destacar que ele pode alterar a coloração, uma vez que estes se misturam. Podem ser usados como

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mordentes, os sais inorgânicos, o cobre (acetato ou sulfato de cobre), estanho (cloreto estanhoso), sendo o mais utilizado o alúmen (material constituído por sulfatos de alumínio ferro e crômio). A maior parte dos corantes naturais vermelhos e amarelos necessitam de mordentes.

A maioria dos corantes naturais é obtido por imersão e lavagem. Os corantes apresentam algumas propriedades como a cor intensa, relacionada com a capacidade do mesmo de absorver energia (luz), sendo que em corantes naturais a porção capaz de absorver luz chama-se cromóforo.

A afinidade é a propriedade de um corante de ser absorvido pela fibra. A solubilidade é a capacidade de um pigmento de homogeneizar-se a uma solução aquosa, o que facilita o processo de tingimento. A difundibilidade é a capacidade de um corante de dispersar-se pela fibra, e por fim, a solidez é a propriedade de um corante de permanecer na fibra mesmo após diversas lavagens (SALÉM, 2010). Em relação a pigmentos naturais, até metade do século XIX eram utilizados apenas corantes oriundos de vegetais, insetos, moluscos e minerais.

Sabe-se que 20% dos corantes é dispersado em efluentes devido à baixa absorção. Dessa forma, a utilização de pigmentos naturais pode ser uma alternativa para reduzir os impactos no meio ambiente. Vários estudos têm investigado a utilização de corantes naturais como o urucum (VERÍSSIMO, 2003), o eucalipto (ROSSI, 2013), alfafa (PICOLI, 2008).

Esses autores relatam que cada um destes necessita de cuidados específicos, como a utilização de fixadores e reduzida exposição ao sol, porém são menos poluentes.

2.3.1.1 Urucum

Planta produtora do corante natural bixina, o Urucum (Bixa orellana L.), pode alcançar de 2 a 9m de altura. É ornamental, pela beleza e colorido de suas flores.

No Paraná a região de Paranacity responde com mais de 80% de toda a produção de urucum. O estado tem vantagens frente a alguns produtores, tais como, as proximidades aos dois centros grandes consumidores (Rio de Janeiro

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e São Paulo) e é uma região com precipitação pluviométrica superior a 1200 mm anuais, que é uma exigência da cultura.

2.3.1.2 Amora

Originárias da Ásia, as amoras (Morus nigra L.) foram introduzidas na Europa por volta do século XVII. No Brasil, a amoreira, em especial a negra, cresce bem em toda parte, podendo ser encontrada de forma subespontânea em praticamente todas as regiões do país, já que se adapta em todas as formas de clima, em especial os climas úmidos.

No Paraná ainda há poucos produtores e os frutos são comercializados diretamente nos supermercados e em mercados orgânicos, principalmente. São cultivados 77 hectares, com uma produção de 3,2 toneladas de frutos, de acordo com dados de 2014, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná. Ponta Grossa é o município que concentra a maior produção no Estado.

2.3.1.3 Açafrão

É uma planta perene com ramificações laterais compridas, no Açafrão

(Curcuma L.) a parte utilizada é o rizoma (raiz), que externamente apresenta

uma coloração esbranquiçada ou acinzentada e internamente amarelada. Do rizoma saem as folhas e as hastes florais. Reproduz-se por pedaços dos rizomas que apresentam gemas (olhos) com plantio em solo argiloso, fértil e de fácil drenagem. Depois da planta adaptada ao local, alastra-se, pois, o rizoma principal emite numerosos rizomas laterais. É uma planta difícil de ser destruída. A colheita deve ocorrer na época em que a planta perde a parte aérea, depois da floração. Nesta fase, os rizomas apresentam pigmentos amarelos intensos Mara Rosa está localizada no Norte de Goiás, a 360 quilômetros da capital Goiânia.

O município ficou conhecido pela produção do açafrão, que infelizmente é encontrado em poucos lugares do Brasil. No Paraná é produzido em poucas quantidades por pequenos produtores.

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2.3.1.4 Espinafre

O espinafre (Spinacia oleracea L.) é uma planta anual, o que significa que ela cresce e se desenvolve durante uma estação e precisa ser replantada todos os anos. Suas folhas, agrupadas num círculo fechado, podem ser lisas ou enrugadas, e têm a forma aproximada de um triângulo.

A hortaliça é fácil de plantar, pois não exige muito espaço. Uma opção para locais com pequena área disponível é o uso de caixas com altura de 20 a 25 centímetros. Além de ser resistente a pragas e doenças.

2.3.1.5 Casca da cebola

A cebola (Allium cepa L.), para produzir bem, durante seu crescimento prefere temperaturas amenas e, por ocasião da formação dos bulbos, temperatura mais elevada. Chuvas bem distribuídas, durante toda a fase de desenvolvimento, e um período seco, depois que os bulbos já estão formados.

O cultivo de cebola é realizado, em boa parte das propriedades agrícolas, pela agricultura familiar e algumas famílias têm a cebola como o principal cultivo e renda. No Paraná existe em torno de 5.600 famílias de produtores rurais que cultiva cebola. Na safra 2014/2015, o estado cultivou uma área de 5.231 ha de cebola, distribuídos em 130 municípios e uma produção de 128.934 toneladas. Nas duas últimas décadas, a produtividade da cultura da cebola no Paraná passou de 4.164 kg/ha para 23.205 kg/ha, havendo aumento de 15% na área plantada e 470% na produção colhida.

2.3.1.6 Café

Como planta tropical, o café (Coffea arabica L.) não se adapta ao clima frio e à seca. As regiões mais favoráveis são as que apresentam temperaturas médias anuais de 20ºC e em que as mínimas absolutas raramente descem abaixo de zero. Geadas são prejudiciais. Como planta de clima úmido aceita

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índices pluviométricos da ordem de 1.500mm anuais e as estiagens não podem ser muito longas, já que a seca prejudica mais as lavouras que a umidade excessiva.

A cultura do café chegou ao Paraná no início do século XX. Foi na década de 50 e início de 60 que a cafeicultura teve sua fase de maior expansão no Estado, quando a área chegou a quintuplicar, passando dos quase 300 mil hectares, em 1951, para 1,6 milhão de hectares em 1962. Devido a redução dos estoques mundiais, os preços internacionais naquele período foram muito favoráveis, incentivando o aumento do plantio de café no Estado.

2.3.2 Acabamentos exclusivos - produção honesta no posto de trabalho

O tipo de trabalho também é um dos requisitos para classificar um determinado produto como sustentável, um produto confeccionado por trabalho escravo não pode ser denominado sustentável, por exemplo. Dessa forma, a moda não pode ser definida como sustentável apenas apresentando um produto barato e com baixo impacto ambiental. Além disso, quando o produto faz uso de tecelagem artesanal pode se apropriar das habilidades locais, gerando trabalho para a comunidade (BERLIM, 2012).

Como em todo Brasil, com a miscigenação surgiu uma identidade polifacetada, cuja principal característica é a diversidade, sendo por isso difusa a ideia de arquétipos e referências tangíveis ou de características predominantes (BARROSO, 1999), Paraná, de modo geral, também tem uma população resultante da mistura de povos. Essa mistura, no decorrer da história, resultou na influência de hábitos e costumes, expressos nas manifestações culturais e ambientais e impressos nas paisagens (ARCHELA et al, 2009).

O Patrimônio Histórico-Cultural de um povo ou de um lugar é tudo aquilo que se relaciona com sua identidade, são todas as manifestações diferenciais de um grupo, sejam elas materiais ou imateriais. Elas representam simbolicamente as particularidades de um povo e podem estar intrinsecamente ligados ao seu dia-a-dia (LEZO et al, 2007).

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Por ser uma atividade profissional que desenvolve produtos diante de necessidades humanas, constatamos que o Design tem uma grande responsabilidade em construir conhecimentos junto a esses micro-empreendimentos sociais, solidários e sustentáveis, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, preservação dos recursos naturais e preservação e valorização do patrimônio material e imaterial.

A utilização da fibra da bananeira em processos artesanais e do vestuário pode ser uma importante fonte de renda para os artesãos locais, e produtores rurais, que poderiam aproveitar mais da árvore, visto que esta produz uma penca de banana, ao ser retirada a árvore não produz outra, deve ser replantada. Ela seria retirada e depositada em um canto, tornando-se possivelmente uma fonte de poluente. Portanto esta seria uma maneira de gerar novos empregos, além de um melhor aproveitamento da matéria prima.

Através da valorização do trabalho local, como de todo o processo, com o qual o ambiente foi poupado o máximo possível, cuidados desde a produção da matéria-prima para a produção da fibra, com os trabalhadores sendo bem remunerados e tendo o descanso e reconhecimento merecidos, o trabalho artesanal com o tingimento, e a produção em cada uma das etapas, agrega valor ao produto final, cria uma identidade ao produto final.

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3 METODOLOGIA

3.1 TIPO DA PESQUISA

A pesquisa está no grupo de ordem exploratória, prática aplicada.

Sendo exploratória, requer conteúdo teórico, que é fornecido através da revisão de literatura específica.

Para entender os motivos que levam a escolha de determinadas peças do vestuário, a pesquisa bibliográfica auxiliou na compreensão de fatores de ordem social, financeira, entre outros. Gil (2002, p. 41) afirma que tal pesquisa “permite ao investigador um fácil acesso a informações muitas vezes dispersas pelo espaço, facilitando a obtenção dos fatos necessários para que se realize a pesquisa”.

Essa pesquisa possui também documentação indireta que de acordo com Otami (2011, p. 34), “caracteriza-se por utilizar o processo de coleta de dados através de uma pesquisa documental (fontes primárias) ou pesquisa bibliográfica (fontes secundárias). Livros, revistas, periódicos, boletins, pesquisas, filmes, rádio e TV”. Atualmente, além das fontes citadas pelo autor, é possível também desenvolver a consulta on-line em sites e trabalhos acadêmicos disponibilizados na internet.

3.2 MATERIAIS E MÉTODOS

Testes de tingimento natural em fibra de algodão foram feitos utilizando corantes naturais, os procedimentos foram realizados em uma chácara localizada no interior no norte do Paraná. Todos os materiais utilizados foram colhidos no local, as amostras de tecido utilizado são de composição 100% algodão, sobras adquiridas por doação de uma loja de fábrica localizada na cidade de Apucarana, Paraná.

Foi utilizada a água da chuva, que é reaproveitada no local, através de sistemas de captação.

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Para o cozimento dos corantes o ideal seria utilizar fogão à lenha, em um ambiente externo, ou montar uma fogueira. Nesses testes foi utilizado o fogão a gás.

O objetivo desse experimento é verificar a viabilidade, bem como analisar os resultados que serão obtidos como tonalidades, tempo e gastos gerais com o processo. Todas as amostras serão feitas simultaneamente.

3.2.1 Desengomagem

As gomas devem ser removidas porque são indesejáveis para os demais processos de beneficiamento, uma vez que dificultariam a penetração dos banhos nos diversos tratamentos (MEDEIROS, 2010).

Foram fervidos 2 litros de água com 1 xícara de vinagre de maçã e 3 limões, por uma hora, deixando em seguida em descanso por 24 horas para então separar a água estar pronta para o uso.

Figura 10 Processo de desengomagem: Limão e vinagre. Fonte: do autor

3.2.2 Mordentes

Os mordentes preparam as fibras de algodão e as ajudam a absorver

melhor o corante. É possível tingir sem usar mordentes – algumas poucas

plantas não precisam de mordentes. Mas o uso de mordentes geralmente produzirá cores melhores, mais vívidas e mais permanentes.

Os mais comuns são o alume, sulfato de cobre, dicromato de potássio, sulfato ferroso e tanino. O mordente de alume normalmente dá os melhores

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resultados pois é barato, confiável e produz cores vívidas. O sal, vinagre e cinzas de madeira podem também ser usados como mordentes se outros produtos não estiverem disponíveis. Utiliza-se neste experimento o mordente de metal e a folha da goiabeira.

Figura 11 Mordente: Pregos enferrujados e folha de goiabeira. Fonte: do autor

Foram fervidos 2 litros de água com 2 xícaras de vinagre e uma xícara de pregos enferrujados, juntamente com as folhas da goiabeira, por uma hora, deixando em descanso por 24 horas para então a água estar pronta para o uso.

Após a retirada da goma, e o banho no mordente, o tecido úmido está pronto para o tingimento.

3.2.3 Corantes naturais utilizados

Para tingir o algodão, aproximadamente 500 g de material de plantas é necessário. Isto é o suficiente em folhas, flores, para encher metade de um balde de 20 litros, alterando caso seja utilizado madeira ou cascas como fonte de corantes.

Ferve-se o material vegetal com 10 litros de água (metade de um balde do mesmo tamanho) durante aproximadamente uma hora até que o corante fique com uma cor escura. A seguir, retire o material vegetal. Pode-se então tingir o material. Foi utilizado aqui a quantidade referente ao peso do pedaço de tecido que será utilizado, com os materiais aqui estudados: Amora preta, Açafrão da terra, Urucum, Casca de cebola, Café, Morango e Espinafre.

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3.2.4 Procedimento

Existem dois métodos artesanais de tingimento, por fermentação e cozimento. No primeiro, é preparado um recipiente com o corante natural imerso em água à temperatura ambiente, coa-se para mergulhar o tecido. No dia seguinte, o recipiente é exposto ao ar livre, mexendo o conteúdo. O sol ajuda na fixação da cor, e deixa o método mais rápido. O tempo de processo depende do vegetal escolhido (CHATAIGNIER, 2006).

O segundo método é mais simples e eficaz. Leva-se uma panela ao fogo, com a água aquecida e junta-se o corante até ferver. Em seguida coando e mergulhando o tecido, A coloração vai depender do tempo de imersão.

3.2.4.1 Urucum

As sementes foram moídas com a ajuda de um amassador de madeira, aproximadamente 50g de sementes. Fervida com a água por 10 minutos, coado, então colocou-se o tecido e deixou em repouso por 20 minutos. Em seguida colocado para secar na sombra.

3.2.4.2 Amora

Foi utilizado aproximadamente 10 amoras batidas com a água, foi coado o suco, em seguida fervido com o tecido (figura 12).

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Fonte: Do autor

Foram utilizados dois tempos diferentes, um tecido ficou por 10 minutos, e o outro por mais tempo, 20 minutos. Após isso, retirado o tecido, lavado em água fria, e a secar na sombra.

3.2.4.3 Açafrão

A raiz do açafrão é cuidadosamente retirada da terra, lavada, colocada para secar, cortada, moída, e está pronta para o uso. Para o tamanho da amostra de tecido utilizada no teste, foram 50g de pó do açafrão. Ferve por aproximadamente 10 minutos, com o pó e o tecido imersos (figura 13). Após o tempo , retirado, e colocado para secar á sombra.

Figura 13 Açafrão fervendo. Fonte: Do autor

3.2.4.4 Espinafre

Este foi um processo de tingimento a frio (fermentação), com um maço de espinafre, aproximadamente 8 talos, envoltos por um tecido fino e batido até retirar o sumo, em seguida, colocou-se na água.

Figura 14 Espinafre fermentando Fonte: Do autor

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3.2.4.5 Casca da cebola

Ferveu-se a água com as cascas da cebola (cascas limpas, as partes mais coloridas) após retirar o bagaço, colocar o tecido (figura 15), esperando aproximadamente 10 minutos. Após o tempo retiramos, e secamos á sombra.

Figura 15 Casca da cebola fervendo. Fonte: Do autor

3.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Verifica-se que é possível obter uma grande variedade de cores e tonalidades, dependendo do tempo que o tecido fica agindo na mistura, como no teste com a amora (Figura 17) obteve-se dois resultados diferentes deixando o tecido por 10 e por 20 minutos. Para se obter uma coloração rosa mais clara, deixa-se menos tempo, ao deixar mais a cor ficou mais forte. O mesmo pôde posteriormente ser aplicado aos demais materiais. A tonalidade varia também de acordo com o mordente utilizado, optou-se pelos mais ecológicos possíveis. Os resultados foram satisfatórios.

Figura 16 Urucum: Resultado final: alaranjado. Fonte: Do autor

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Figura 17 Amora: 10 minutos e 20 minutos. Fonte: Do autor

Figura 18 Açafrão: Resultado obtido, amarelo intenso. Fonte: Do autor

Figura 19 Espinafre, resultado obtido: Verde. Fonte: Do autor

Figura 20 Casca da cebola: Resultado obtido. Fonte: Do autor

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Figura 21 Café: Resultado obtido. Fonte: Do autor

Foram realizados posteriormente posteriormente variações com os materiais, segue os resultados obtidos:

Figura 22 Variações da amora. Fonte: Do autor

Com a amora (Figura 22) foi realizado também um teste modificando o tipo de mordente para verificar a diferença. A tonalidade mais escura (primeira amostra da esquerda para a direita) obtida foi utilizado o sal como mordente, a absorção da cor foi mais rápida.

Figura 23 Variações do espinafre. Fonte: Do autor

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Figura 24 As várias tonalidades obtidas. Fonte: Do autor

De tonalidades vivas a claras, a possibilidade de inúmeras combinações de cores, variando de acordo com o tempo, ou o tipo de mordente. Além de ser um trabalho ecológico é simples e fácil. Pode-se reaproveitar a água da chuva, o descarte não é tão prejudicial ao meio ambiente. Aproveitar matéria-prima facilmente encontrada na natureza e fácil de replantar. Os tecidos não prejudicam a pele, nem a saúde. São inúmeras as vantagens de se utilizar os corantes naturais.

Os materiais aqui estudados são facilmente encontrados no Paraná, seu solo é fértil e seu clima favorável, podendo produzir facilmente uma enorme variedade de matéria-prima. As empresas poderiam facilmente comprar dos produtores locais, além de incentivar a produção local, gerar renda, diminuir a poluição proveniente das queimas de combustível com os meios de transporte, haverá uma valorização, e maior valor agregado ao produto final, uma identidade.

A melhor utilização da matéria prima, como no caso da bananeira, bastante encontrada e produzida nessa região, poderia gerar mão de obra para os artesãos locais, incentivar e agregar valor nesse tipo de produção seria viável e muito interessante.

Conclui-se que, de acordo com os resultados aqui apresentados a pigmentação natural de tecidos é viável, e somada a utilização de produtos regionais embasa a abordagem sustentável na Moda. Abordagem essa que é fundamental em vista dos desafios da manutenção de recursos, no mundo contemporâneo, somados aos danos infringidos no meio ambiente em decorrência da indústria têxtil.

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3.4 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS

Para levantar os dados necessários para o presente estudo, optou-se pelo uso de um questionário constituído por perguntas com respostas fechadas de múltipla escolha.

3.4.1 Análise faixa etária

Através do questionário online, descobriu-se que 50%, a maioria das pessoas interessadas possui de 20 à 25 anos. Em seguida 25 à 30 e 35 à 40 com 20% e 18,2% respectivamente.

3.4.2 Análise para estipular valores

Ao perguntar se eles pagariam a mais por uma peça ser sustentável a grande maioria pagaria até R$ 100,00 e 27,3% pagaria até R$ 150,00 por peça.

Dessa forma sabemos que para as peças mais simples às medianas pode-se seguir como base este valor.

3.4.3 Análise financeiro

Gráfico 1 Preços praticados

Através desta análise, pode-se perceber que boa parte possui de um a dois salários mínimos. Dessa forma pode-se determinar os valores estimados a que poderiam investir nesse tipo de questão.

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3.4.4 Análise Necessidades

Gráfico 2 Necessidades

Grande maioria gosta de caminhar e ir ao parque. Roupas confortáveis e leves, que as deixe livres para sentar, levantar, seria o ideal.

3.4.5 Análise Estilo

Gráfico 3 Estilo

Apenas 15% das mulheres usaria uma roupa fashion em seu dia a dia. Grande parte gostaria de algo simples e confortável para usar em seu dia a dia.

No Gráfico 4 podemos observar uma maior preferência por looks com modelagem larga e confortável. A calça pantalona e o short social são as principais escolhas desse público.

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Opção 1 - Calça larga com elástico cintura alta Opção 2 - Short social com blusinha

Opção 3 - Vestido tubinho e casaco Opção 4 - Blusinha e saia rodada

Opção 5 - Short social, blusinha, casaco leve e chapeu grande

Gráfico 4 Estilo análise 2

Novamente o conforto se destaca em outra análise, com 67% das preferências.

Gráfico 5 Estilo análise 3

3.5 Análise dos resultados

A faixa etária do público varia entre 20 a 30 anos, sua renda poderá variar bastante, visto que vários tipos de pessoas que gostariam de investir nesse propósito.

Estilos leve e conforto priorizado, o público algo gosta de caminhar, estar

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4 DIRECIONAMENTO MERCADOLÓGICO

4.1 EMPRESA

4.1.1 Nome da empresa

Princípio de Gaia Ltda. ME é uma empresa especializada na confecção de peças do vestuário, preocupada com o meio ambiente, utilizando apenas matérias-primas locais, produtos, fibras, e corantes naturais, sempre replantando e reciclando, valorizando os produtores da região. Possui sua fabricação própria, conhece e valoriza cada um dos funcionários e parceiros de cada um dos setores de produção.

O princípio de Gaia, é o nome dado para uma tese que afirma que o planeta Terra é um ser vivo. propõe que os organismos interagem com os seus arredores inorgânicos na Terra para formar um auto-sinérgico reguladora, sistema complexo que ajuda a manter e perpetuar as condições para a vida no planeta. Os tópicos de interesse incluem como a biosfera e a evolução de formas de vida afetam a estabilidade da temperatura global, salinidade dos oceanos, oxigênio na atmosfera, a manutenção de uma hidrosfera de água líquida e outras variáveis ambientais que afetam a habitabilidade da Terra

4.1.2 Porte

Segundo os critérios do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas) as empresas são classificadas da seguinte forma:

Tabela 1 Classificação das empresas quanto à receita bruta anual - Lei Nº 123/06 Fonte: SEBRAE (2015)

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Tabela 2 Classificação das empresas quanto ao número de empregados Fonte: SEBRAE (2015)

Baseado nos critérios do SEBRAE, Princípio de Gaia se configura como uma empresa de pequeno porte.

4.1.3 Marca

Na mitologia grega Gaia é a personificação da Terra e uma das divindades gregas primordiais. É a mãe ancestral de toda a vida: a deusa primordial da Mãe Terra.

Figura 25 Logo da marca Autor: Do autor

O nome da marca busca transmitir o verdadeiro amor da mesma pelo meio ambiente. Para o público que também se preocupa com a natureza.

4.1.4 Conceito da marca

Gaia -faz cada peça com o cuidado e compromisso com a natureza e com o consumidor.

Como missão prega contribuir com o desenvolvimento da

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ambiente e melhorando a vida das comunidades. Ser uma empresa reconhecida pela liderança, pioneirismo, excelência e impacto social, através de ações de cuidados e preservação do meio ambiente. Respeito ao meio ambiente, ser referência na gestão socioambiental. Demonstrar respeito por todas as pessoas da cadeia produtiva. Respeito aos nossos parceiros, cultivar as boas relações comerciais, mantendo o compromisso de ser uma empresa admirada e respeitada por todos.

4.1.5 Segmento da marca

O segmento da marca Gaia é o de roupas femininas, a proposta será inserir a moda sustentável no estilo festa e casual. Será voltado para o público feminino.

4.1.6 Concorrentes diretos e indiretos

Pode-se considerar concorrentes diretos a grife brasileira Osklen, que utiliza produtos reciclados, orgânicos naturais e artesanais em suas roupas. Flavia aranha, que utiliza tingimento natural e produção manual. Éden Organic Style, que possui fornecedores próprios de algodão orgânico, todos certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD), e utiliza produtos químicos alternativos, como açúcar invertido e corantes naturais.

Como concorrentes indiretos empresas como Adidas, Natura Cosméticos, HJ tinturaria entre outras, que reciclam, reaproveitando material, evitando descartes incorretos de produtos, elaboram produtos menos prejudiciais ao meio ambiente entre outros.

4.1.7 Preços praticados

O valor final das peças vai variar de R$ 100,00 para as peças mais simples, que apresentarem configurações mais básicas e até R$ 300,00 para

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os modelos que implicarem na concentração de técnicas e materiais mais elaborados para a sua confecção.

4.2 PUBLICO ALVO

O público de moda sustentável é crítico, consciente de seus hábitos de consumo e, por isso, valoriza um produto muito além da modelagem e do belo, mas o respeito à ética, sua relação com a natureza e com as pessoas. Esse público é conhecido como ecofriendly, possui uma ideologia que incentiva mudanças no estilo de vida para proteger o meio ambiente e a sociedade. Ele é consumidor de produtos “verdes” e movimenta o mercado disseminando novos ideais entre pessoas que desconhecem essa prática.

Este público valoriza uma peça de roupa, calçado ou acessório que contemple, em alguma medida, os princípios de moda sustentável. Ou seja, que seja feita de matéria-prima renovável, que polua menos para ser fabricada e que seja oferecida por empresa que paga um valor justo aos trabalhadores envolvidos no processo de fabricação. Sempre buscam informações a cerca do produto antes de comprá-lo, valorizam o que há por trás da produção.

Possuem alguns hábitos sustentáveis e hábitos de consumo consciente, e tentam adotá-los em todos os momentos do dia e em todas as tomadas de

decisão da rotina que sejam possíveis. Na maior parte dos casos utilizam

meios de transporte alternativos, buscam produtos de limpeza biodegradáveis e outros hábitos, como reduzir o tempo de banho.

São mulheres que recebem de 2 a 4 salários mínimos. Encontram-se na faixa etária entre 20 e 30 anos, frequentam teatros, shoppings, cinema, parques, festas. Possuem uma família bem estruturada, e amam compartilhar momentos juntos.

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Figura 26 Imagem referência de público alvo fonte: belezainterativa.com

Como perfil psicológico, são emocionalmente equilibrados, dinâmicos e com autoestima elevada. Se sentem felizes e satisfeitos consumindo e financiando algo que acreditam fazer o correto. Essa satisfação é expressa tanto pelas mulheres que se preocupam com o meio ambiente, assim como por aqueles que não pararam para pensar sobre o assunto ainda, uma vez que todos eles admiram marcas que se preocupam e pensam nesse tipo de política de sustentabilidade em suas empresas.

Figura 27 Painel de estilo de vida do público alvo Fonte: do autor

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4.3 PESQUISA DE TENDÊNCIAS

4.3.1 Macrotendências (Socioculturais)

Entre as quadro macrotendências para 2018, apontadas pela WGSN (2017), uma das principais autoridades em tendências das indústrias da moda e criativa, apresenta o resultado de meses de pesquisas, foi escolhida a macrotendência que se alinha aos desígnios do comportamento e dos anseios do público supra citado.

Figura 28 Vida terrena: Macrotendência para 2018 fonte: costanzawho.com

Vida Terrena - O ser humano está cada vez mais presos a uma tela, seja ela do celular, do computador ou da televisão, e dependentes da tecnologia. Para reverter essa situação, há uma crescente busca pelo contato com a natureza. Um estudo recente mostra que 67% das pessoas com menos de 25 anos no Reino Unido não sabem ler um mapa. As pessoas querem ser autossuficientes, e começam a investir em cursos de costura, marcenaria e até mesmo sobrevivência na selva. A ciência também passa a assumir uma posição cool e ganha um grande número de admiradores especialmente entra a chamada geração Z.

Começa-se a repensar o consumo e a valorizar produtos chamados “do cultivo à mesa”, expressão que começa a se apresentar também como “da fazenda ao provador” à medida que as peças do vestuário se utilizam de

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materiais caseiros e de fontes locais. Outros produtos de consumo, como tratamentos cosméticos para a pele e cuidados com a casa, também se voltarão cada vez mais para os materiais naturais. É um movimento de resgate da essência.

4.4 Micro tendência (estética)

Minimalismo Urbano

O minimalismo se manifesta em tipologias como pantalão largo e mangas japonesas, tops, camisas oversize, túnicas largas, vestidos de linhas retas, casacos sem botões e a incorporação de laços.

Ao simplificar todos os outros recursos desse olhar minimalista, a estrutura e o corte de uma peça torna-se o ponto focal de um olhar. A maior chave para reunir um olhar minimalista de sucesso são as linhas nítidas - faz o minimalismo parecer intencional em vez de acidental.

Ainda dentro dos conceitos de sustentabilidade e valores locais, a Microtendência se apropria de uma paleta de cores com tons claros e naturais.

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5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

5.1 Painel Semântico

Figura 30 Painel Semântico

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5.2 ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO

5.2.1 Nome da coleção

Amor a Terra - Seu nome simboliza o amor pelo planeta Terra, com todas as riquezas e belezas, e a terra, parte deste, que proporciona tanta vida.

5.2.2 Conceito da coleção

A coleção Outono/Inverno 2017 da Gaia direciona sua leitura conceitual para as mulheres que gostam de conforto. Inspirada na terra, busca trazer uma sensação de força e poder para a mulher moderna, simples, que trabalha, cuida da casa e da família.

“Amor a Terra" - O que no princípio era absolutamente explorando a crua beleza do cru, tingiu-se de verde, amarelo, marrom, violeta e roxo, algumas das nuances da Mãe Natureza. Transformando o rústico da fibra da bananeira em -requinte nos aviamentos, coroando e simbolizando o fruto de um amor a natureza daqueles que o fizeram, finalizam esse trabalho.

5.2.3 Formas e Estruturas (Shapes)

As formas e estruturas escolhidas para a coleção são a triangulo, triangulo invertido, retângulo e ampulheta.

Esse tipo de microtendência cai bem em vários tipos de corpo já que algumas peças possuem uma modelagem mais soltinha por priorizar o conforto.

Figura 32 Shapes escolhidos

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5.2.4 Mix de Coleção

Figura 33 Mix da coleção

5.3 Cartela de cores

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5.4 Materiais

Figura 35 Cartela de materiais

5.5 Aviamentos

Figura 36 Aviamentos utilizados

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5.5.1 Fichas Técnicas

(72)

Figura 58 Ficha técnica página 2 - Camisetão Look 17

(73)
(74)

Figura 61 Ficha técnica Página 2 - Calça Pantalona - Look 18

(75)
(76)

Figura 64 Ficha técnica Página 2 - Blusinha - Look 18

(77)
(78)

Figura 67 Ficha técnica Página 2 - Vestido - Look 19

(79)
(80)

Figura 70 Ficha técnica Página 2 - Casaco - Look 19

(81)
(82)

Figura 73 Ficha técnica página 3 - Short - look 20

(83)
(84)

Figura 76 Ficha técnica página 3 - blusinha - look 20

(85)
(86)

Figura 79 Ficha técnica página 3 - casaco - look 20

Figura 80 Ficha técnica página 2 - casaco - look 20 Fonte: Do autor

(87)

5.5.2 Pranchas

Figura 81 Prancha Camisetão Fonte: Do autor

(88)

Figura 82 Prancha Calça Pantalona e blusinha Autor: Do autor

(89)

Figura 83 Prancha Casaco e vestido Autor: Do autor

(90)

Figura 84 Prancha short, blusinha e casaco Autor: Do autor

(91)

5.5.3 Looks Confeccionados

Figura 85 Look 17 - confeccionado

Autor: Do autor

Referências

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