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Anais do Conic-Semesp. Volume 1, 2013 - Faculdade Anhanguera de Campinas - Unidade 3. ISSN 2357-8904

TÍTULO: UTILIZAÇÃO DO LODO GALVÂNICO NA CONSTRUÇÃO CIVIL TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA ÁREA:

SUBÁREA: QUÍMICA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DO GRANDE ABC INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): AMANDA MENEZES SANTOS, SILVIA FERREIRA DOS SANTOS AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): CLAUDIA LUCIA DE MOURA ORIENTADOR(ES):

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Utilização do Lodo Galvânico na Construção Civil

RESUMO

Este trabalho propõe uma alternativa para o Lodo gerado no tratamento de efluente proveniente de processos galvânicos. Para tanto, foi realizado um estudo e pesquisa para transformar esse lodo em material apto para utilização na construção civil afim de amenizar os impactos ambientas que os resíduos das galvânicas geram, onde existem metais pesados como ferro, zinco, cromo, níquel, etc. Estes metais são nocivos pra o meio ambiente e para o ser humano. A água das galvânicas é tratada em suas Estações de Tratamento de Efluentes (ETE). A indústria galvânica é uma grande consumidora de água, gerando uma grande quantidade de lodo, que é classificado na Classe I por ser tóxico, podendo contaminar solos, rios se não for dado o destino correto a esse lodo.

INTRODUÇÃO

O aumento populacional, a industrialização e o incremento nas atividades foram os principais motivos da multiplicação dos resíduos. O crescimento acelerado da população implica na expansão automática da industrialização para atender às novas demandas, o que significa um aumento considerável no volume de resíduos gerados, tanto do ponto de vista doméstico quanto industrial.(SENAI-RS, 2003)

Esses resíduos que são gerados vêm se tornando um sério problema que a população moderna enfrenta. Seu descarte de forma inadequada provoca a degradação do meio ambiente contaminando mananciais de água e o solo.

Segundo dados da Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos – ABETRE, mais de 70% do lixo industrial acabam em lugares inapropriados, ou seja, “a maioria dos descartes industriais é feita de forma inadequada, misturada em lixões domésticos, sejam eles municipais ou clandestinos” (FURTADO, 2005). Uma das formas de solucionar este problema é através da reciclagem, que proporciona a utilização do resíduo como matéria prima para fabricação de outros bens de consumo. A reciclagem de resíduos industriais ainda é insignificante em relação ao montante de resíduos que são produzidos hoje em dia.

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A reciclagem desses resíduos industriais como principal componente na fabricação de materiais de construção civil, como tijolo e cimento, pode trazer muitos benefícios ambientais.

Dentre estes poluentes, podem-se citar os metais pesados. Metais pesados são elementos químicos de peso atômico relativamente alto, que são muito tóxicos.

As indústrias que mais poluem o meio ambiente são as indústrias químicas, dentre essas indústrias químicas a que tem maior índice de poluição é a Galvanoplastia. Os resíduos gerados por essas empresas são considerados os mais tóxicos em meio a vários tipos de indústrias químicas ou não, devido á presença dos metais pesados.

As indústrias de tratamento de superfície, ou galvânicas, tem como propósito inibir a corrosão, aumentar a dureza e condutividade das superfícies, além de tornar a aparência de alguns produtos mais atrativa através de uma deposição metálica sobre outro metal, o produto.

Os resíduos gerados nessas indústrias, quando não tratados corretamente podem poluir águas, solos, ar, organismos vivos. Portanto, tratar e dar o destino correto aos poluentes gerados nas indústrias galvânicas é indispensável.

OBJETIVOS

O objetivo desse trabalho é apresentar uma proposta de reciclagem para o lodo d esgoto gerado nas indústrias galvânicas.

METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO

Os materiais utilizados no experimento foram: Argila, Vidro, Casca de banana seca, Lodo galvânico, Balança analítica, Mufla, Aparelho de Clevenger, Pistilo e Almofariz, como mostra a Figura 1.

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Figura 1: Materiais utilizados

seca e moída, lodo galvânico e tijolo já pronto para ser colocado na mufla.

Foram pesados 192,375 gramas de argila e 10 gramas de casca de banana, 10 gramas de vidro e 10 gramas de Lodo galvânico, ou

argila. Em seguida misturamos tudo no pistilo com a ajuda do almofariz, deixando uma pasta bem homogênea. Moldadas com a mão

na mufla a 50°C e assim subindo a temperatura aos poucos para secar to umidade do tijolo até chegar a temperatura de 1000°C. Permaneceu nessa temperatura por cerca de 2 horas

amostra de 2 gramas de cada tijolo, o feito com casca banana e o sem casca de banana. Em seguida foi pre

Aparelho de Clevenger junto com as amostras dos tijolos para fazer a lixiviação. Permaneceu nesse processo por cerca de 3 horas

recolhida a água dos dois tijolos separados espectrofotômetro.

utilizados para produção do tijolo: vidro moído, casca de banana seca e moída, lodo galvânico e tijolo já pronto para ser colocado na mufla.

Foram pesados 192,375 gramas de argila e 10 gramas de casca de banana, 10 gramas de vidro e 10 gramas de Lodo galvânico, ou seja cerca de 5% do peso da argila. Em seguida misturamos tudo no pistilo com a ajuda do almofariz, deixando uma pasta bem homogênea. Moldadas com a mão (FIGURA 2 e 3)

na mufla a 50°C e assim subindo a temperatura aos poucos para secar to umidade do tijolo até chegar a temperatura de 1000°C. Permaneceu nessa temperatura por cerca de 2 horas (FIGURA 4). Após resfriado, foi retirado uma amostra de 2 gramas de cada tijolo, o feito com casca banana e o sem casca de banana. Em seguida foi preparada uma solução ácida, com pH 5,0 para colocar no Aparelho de Clevenger junto com as amostras dos tijolos para fazer a lixiviação. Permaneceu nesse processo por cerca de 3 horas (FIGURA 5). Após esse tempo foi recolhida a água dos dois tijolos separados e mandado para análise em para produção do tijolo: vidro moído, casca de banana seca e moída, lodo galvânico e tijolo já pronto para ser colocado na mufla.

Foram pesados 192,375 gramas de argila e 10 gramas de casca de banana, seja cerca de 5% do peso da argila. Em seguida misturamos tudo no pistilo com a ajuda do almofariz, deixando (FIGURA 2 e 3), foram colocadas na mufla a 50°C e assim subindo a temperatura aos poucos para secar toda umidade do tijolo até chegar a temperatura de 1000°C. Permaneceu nessa . Após resfriado, foi retirado uma amostra de 2 gramas de cada tijolo, o feito com casca banana e o sem casca de parada uma solução ácida, com pH 5,0 para colocar no Aparelho de Clevenger junto com as amostras dos tijolos para fazer a lixiviação. . Após esse tempo foi e mandado para análise em

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Figura 2 e 3: Fazendo a massa do tijolo e tijolo moldado banana, pronto para ir á mufla.

Figura 4:Tijolo na Mufla a mais de 900°C

Figura 5: Aparelho de Clevenger para lixiviação dos tijolos

: Fazendo a massa do tijolo e tijolo moldado, com e sem casca de pronto para ir á mufla.

:Tijolo na Mufla a mais de 900°C

: Aparelho de Clevenger para lixiviação dos tijolos

, com e sem casca de

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na TABELA 1 encontram-se os resultados para os metais pesados analisados no lodo galvânico utilizado para a fabricação dos tijolos.

Na TABELA 2 estão os resultados da lixiviação dos tijolos. TABELA 2 - Análise da água de lixiviação dos tijolos

Metais Tijolo sem casca de banana Tijolo com casca de banana

Cobre 0,3ppm 0,1ppm

Cromo Total 0,0ppm 0,0ppm

Níquel 0,0ppm 0,0ppm

Zinco 0,4ppm 0,3 ppm

TABELA 1 – Lodo Galvânico utilizado na fabricação de tijolos

Quantidade encontrada no Lodo

Cobre 820,2 mg/Kg

Cromo Total 1.476,4 mg/Kg

Níquel 714,1 mg/Kg

Zinco 19.662,0 mg/Kg

TABELA 3 – Comparação dos resultados do lodo galvânico e da lixiviação dos tijolos com e sem casca de banana

Metais Lodo Galvânico Tijolo sem casca de

banana

Tijolo com casca de banana

Cobre 820,2 0,3 0,1

Cromo Total 1.476,4 0,0 0,0

Níquel 714,1 0,0 0,0

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Comparando os metais do lodo de esgoto antes da fabricação dos tijolos e das águas de lixiviação dos tijolos com casca de banana e sem casca de banana obteve-se os resultados contidos na TABELA 3

A casca de banana triturada e peneirada após serem secas em forno, é utilizada no tratamento de água. As cascas são formadas por celulose, hemicelulose, pectina, clorofila e outros compostos de baixo peso molecular, o que garante grande capacidade de adsorção (adesão de moléculas a uma substância sólida) de metais pesados e compostos orgânicos. Experimentalmente foi adicionado a um dos tijolos feitos, a casca da banana seca, com o objetivo de adsorção de metais. Já existem alguns estudos e projetos que utilizam a casca da banana como adsorvente de metais nas ETEs (Estações de Tratamento de Efluentes).

Fica claro na TABELA 2 que o tijolo que continha em sua composição a casca da banana adsorveu mais os metais que ainda restaram na incineração. Além disso, foi possível observar que o tijolo sem a casca da banana ficou mais quebradiço, pois, no momento em que foi retirada a amostra de 2 gramas para a lixiviação, o tijolo foi cortado e esfarelou, o que não aconteceu com o tijolo com a casca da banana, onde então, observou-se que além de adsorver os metais ela ainda ajudou na resistência do tijolo.

Segundo o Artigo 19-A da CETESB existem algumas tolerâncias para o descarte de metais no maio ambiente, citados na TABELA 4.

*A concentração máxima dos elementos grafados sob índice será de 5,0 mg/L

TABELA 4 – Tolerância de metais, descartados no meio ambiente, segundo Artigo 19-A (CETESB)

Metais Artigo 19-A

Cobre ≤ *1,5 mg/L

Cromo ≤* 1,5 mg/L

Níquel ≤* 2,0 mg/L

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Nas TABELAS 5 e 6 está o resultado da comparação do Artigo 19-A da CETESB e os tijolos com e sem a casca de banana.

Com os estudos realizados conclui-se que a reciclagem do Lodo galvânico é viável na produção do tijolo. È um processo simples que inertiza os metais pesados, não havendo custos a mais no processo. Além de ser benéfico ao meio ambiente, pois se dá um destino correto ao lodo, reciclando-o, e não se corre o risco de contaminação, como ficou claro no experimento realizado, e com os resultados obtidos.

TABELA 5 - Comparação e soma dos metais que ainda restaram da água do tijolo com casca de banana e o Artigo 19-A (CETESB)

Metais Artigo 19-A Tijolo com casca de banana

Cobre ≤ *1,5 mg/L 0,1ppm

Cromo Total ≤* 1,5 mg/L 0,0ppm

Níquel ≤* 2,0 mg/L 0,0ppm

Zinco ≤* 5,0 mg/L 0,3 ppm

Soma dos metais da água do tijolo com casca de banana

0,4 ppm

TABELA 6 - Comparação e soma dos metais que ainda restaram da água do tijolo sem casca de banana e o Artigo 19-A (CETESB)

Metais Artigo 19-A Tijolo sem casca de banana

Cobre ≤ *1,5 mg/L 0,3ppm

Cromo Total ≤* 1,5 mg/L 0,0ppm

Níquel ≤* 2,0 mg/L 0,0ppm

Zinco ≤* 5,0 mg/L 0,4ppm

Soma dos metais da água do tijolo sem casca de banana

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FONTES CONSULTADAS

ABRELPE: Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais: Panorama dos resíduos Sólidos no Brasil (2011). Disponível em http://www.abrelpe.com.br.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2004) – NBR 10 004. Resíduos Sólidos: Classificação. 71 p.

AZEVEDO, F.A. & CHASIN, A.M. (2003). Metais: Gerenciamento da Toxicidade. São Paulo. Editora Atheneu. 554 p.

BAIRD, C. (2002). Química Ambiental. Trad. Maria Angeles Lobo Recio e Luiz Carlos Marques Carrera. 2a edição – Porto Alegre: Bookman. 622 p.

Referências

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