Thomas Kuhn
Físico, Historiador, Filósofo... Revolucionário?
Seminário da disciplina Fundamentos Epistemológicos para a Educação Científica e Tecnológica – PPGECT/UFSC
Anabel Raicik Diogo Magalhães José Pinho
Sumário
Contextualização das obras de Kuhn;
Concepção filosófica antes das críticas; Posfácio;
Kuhn
1922-1996
Estadunidense;
Físico, mestre e doutor em física – pela Universidade de Havard;
Positivismo
Popper Kuhn FeyerabendLakatos e Kuhn
Kuhn – contextualização do período
Primeira fase Fase pós-críticas
Livro “A estrutura das revoluções científicas” (1962)
Artigo “A função do dogma na investigação científica” (1962)
Publica o posfácio da “Estrutura” (1969)
Livro “A tensão essencial” (1977) Livro “O caminho desde a
1962 – A estrutura das revoluções científicas
Foi traduzido em 25 línguas e a edição em inglês vendeu mais de 1 milhão de exemplares.
Estabeleceu Kuhn como um dos mais influentes filósofos do século XX
1962 – A estrutura das revoluções científicas
Tentativa de delinear uma nova imagem da ciência – em oposição ao positivismo lógico;
Adota a análise histórica como instrumento de pesquisa;
Apresenta limitações de uma visão cumulativa e contínua da ciência;
1962 – A estrutura das revoluções científicas
Dizemos muito frequentemente que a história é uma disciplina puramente descritiva. Contudo, as teses sugeridas [...] são frequentemente interpretativas e, algumas vezes, normativas. Além disso, muitas de minhas generalizações dizem respeito à sociologia ou à epistemologia. Pode até mesmo parecer que (...) eu tenha violado a muito influente distinção contemporânea entre ‘o contexto da descoberta’ e o ‘contexto da justificação’ (Kuhn, 1962, p. 27).
Kuhn argumenta que todas as vezes que tentou aplicar a distinção DJ “mesmo grosso modo, às situações reais nas quais o conhecimento é obtido, aceito e assimilado, fê-las parecer extraordinariamente problemáticas” (Ibid, p. 28).
Críticas
Acusado de:
Falta de precisão do termo paradigma;
Trazer elementos irracionais para a ciência;
Defender a concomitância entre os contextos da descoberta e da justificativa;
Atribuir, ao cientista no período de ciência normal, uma postura acrítica;
Ser relativista;
Negligenciar o diálogo incomensurabilidade;
Críticas
(...) me lembro – acho que foi Peter Hempel quem me disse ter ido a um congresso, acho que foi em Israel, no qual alguns disseram “esse livro deveria ser queimado!” e “toda essa conversa sobre irracionalidade!...” Irracionalidade em particular, irracionalidade e relativismo – (...) (“O Caminho”, Kuhn, 2000, p. 369).
1974 – Críticas
A crítica e o desenvolvimento do conhecimento nasceu de um simpósio acerca da obra de Kuhn, presidido por Popper e realizado por ocasião de um colóquio internacional em Londres (1965). Não se trata de um simples registro das discussões então travadas, pois vários ensaios aqui reunidos foram reescritos e expandidos. O livro começa com um texto de Kuhn no qual ele anuncia a sua posição, seguindo-se sete textos de outros autores, de crítica e análise das formulações de Kuhn, e concluindo-se com a resposta deste. Eis, pois, um livro que se destina a estudantes e professores de Filosofia e História da Ciência, bem como a quantos se interessam por esse setor fundamental do conhecimento humano (Lakatos e Musgrave,
1974 – Críticas
(...) tratarei neste ensaio fundamentalmente das questões levantadas por meus críticos atuais, embora esteja convencido de que dirigem com frequência sua atenção de modo errôneo
1974 – Críticas
Kuhn discute, no último capítulo do livro, “Reflexões sobre meus críticos”:
O papel da história e da sociologia;
Ciência normal: sua natureza e funções;
Ciência Normal: sua busca através da história;
Irracionalidade e Escolha de teorias;
1974 – Críticas
a) irracionalidade;
(...) pretendo eliminar os mal-entendidos pelos quais meu próprio passado retórico é, sem dúvida, parcialmente responsável (Kuhn, 1974, p. 320);
Não vejo com otimismo esse assunto, pois eu não entendia antes e não entendo agora o que meus críticos querem dizer quando empregam termos como “irracional” e “irracionalidade”
(Ibid, p. 325);
Não se pode rotular de “irracional” nenhum processo essencial ao desenvolvimento científico sem fazer enorme violência ao termo (Ibid, p. 290).
1977 – A tensão essencial
Volume de artigos;
Faz uma apresentação, por influência de Lorenz Kruger, professor de Filosofia da Universidade de Bielefeld,
Indicando as relações desses ensaios com minha obra mais conhecida, seja como apresentação a ela, seja como desenvolvimento e correção. Sugeriu que tal texto deveria ajudar os leitores a entender melhor alguns aspectos centrais, mas aparentemente obscuros, de minha concepção a respeito do desenvolvimento científico (Kuhn, 1977, p. 9).
1977 – A tensão essencial
As relações entre a História e a Filosofia da Ciência;
A estrutura de uma descoberta científica; Uma função para os experimentos mentais;
Reconsiderações acerca dos paradigmas;
1977 – A tensão essencial
Kuhn argumenta que a descoberta de um novo tipo de fenômeno envolve reconhecer tanto que algo ocorre quanto o que ele é (Kuhn, 1977, p. 189);
Questiona-se: como os filósofos da ciência puderam ignorar por tanto tempo os elementos subjetivos que, como eles mesmos admitem, participam regularmente das escolhas efetivas de teorias feitas por cientistas individuais?
O autor prossegue perguntando “por que tais elementos lhes parecem um sinal apenas da fraqueza humana, e não da natureza do conhecimento científico?” (Ibid, p. 345).
2000 – O caminho desde a estrutura
Ensaios filosóficos de 1970 a 1993;
Os ensaios representam várias tentativas de Kuhn, posteriores à
Estrutura, de repensar e entender suas próprias concepções filosóficas.
Apresenta uma entrevista com Kuhn, conduzida por Aristidis Baltas, Kostas Gavroglu e Vassiliki Kindi em Atenas no outono de 1995.
2000 – O caminho desde a estrutura
Reitera e defende sua concepção de que o progresso tomo a forma de uma capacidade técnica de resolver “quebra-cabeças”;
Desenvolve mais a ideia de que a ciência é, fundamentalmente, um empreendimento social;
Esclarece e enfatiza a analogia entre progresso científico e desenvolvimento evolutivo biológico;
2000 – O caminho desde a estrutura
Não estou menos preocupado com a reconstrução racional, com a descoberta dos elementos essenciais, do que os filósofos da ciência. Meu objetivo, também, é uma compreensão da ciência, das razões de sua particular eficácia, do estatuto cognitivo de suas teorias. Ao contrário, porém, da maioria dos filósofos da ciência, comecei como um historiador da ciência, examinando atentamente os fatos da vida científica. Tendo descoberto, no decorrer do processo, que muito comportamento científico, até mesmo o dos maiores cientistas, infringia persistentemente cânones metodológicos aceitos [distinção DJ, por exemplo] (...)
2000 – O caminho desde a estrutura
V. Kindi: Como você chegou aos termos paradigma e incomensurabilidade?
T. Kuhn: No tempo em que eu era um brilhante matemático de ensino médio e comecei a aprender cálculo, alguém me deu (...) uma espécie de grande livro de cálculo (...) Eu nunca realmente o li, mas li as partes iniciais. E, bem no começo, ele apresenta a demonstração da irracionalidade da raiz quadrada de 2. Eu a achei linda. Aquilo foi extremamente instigante; eu aprendi aí e nesse momento o que era incomensurabilidade. Assim, estava tudo preparado para mim, quer dizer, era uma metáfora, mas capturava muito bem o que eu estava procurando. Assim, foi aí que a encontrei (...) (Kuhn, 2000, p.
Concepção filosófica de Kuhn
Paradigma
Ciência Normal
Revoluções
científicas
IncomensurabilidadeConcepção filosófica de Kuhn
Para Kuhn, a ciência progride através de uma sequência de períodos de
ciência normal, onde o desenvolvimento é cumulativo, alternados por períodos de crise-revolução, durante os quais ocorrem profundas mudanças conceituais. Antes de uma ciência em particular estrutura-se como um paradigma do conhecimento, ela passa por um período denominado de pré-ciência (Peduzzi, 2011, p. 107).
Pré-ciência Ciência normal (primeiro paradigma) Crise-revolução Ciência normal (novo paradigma) Crise-revolução
Paradigma
Todo conjunto de compromissos de pesquisa de uma comunidade científica;
(...)conjunto de definições, conceitos, leis, modelos, teorias, instrumentais, valores, etc., partilhados pelos praticantes de uma especialidade científica, que viabiliza “relativa abundância de comunicação profissional” e “unanimidade de julgamentos” (Ibid, p. 107-108).
O paradigma define o campo de trabalho do cientista e orienta a sua pesquisa:
mostra os problemas passíveis de investigação e
Ciência Normal
Compartilhamento de um paradigma pelos membros de uma comunidade;
Visto como um sinal de maturidade científica; Adesão estrita e dogmática a um paradigma;
Modela a solução de novos problemas segundo aqueles previamente encontrados;
Os problemas de pesquisa são encarados como “quebra-cabeças” a serem resolvidos dentro da estrutura do paradigma vigente;
O fracasso em resolver problemas pode ser encarado como culpa do cientista e não
Ciência Normal
Exemplos:
A astronomia durante a idade média (paradigma ptolomaico);
A mecânica nos séculos XVIII e XIX (paradigma newtoniano);
Ciência Normal
Exemplo:
Modificação da lei de Ampère por Maxwell, no século XIX:
Teoria Eletromagnética Clássica: 4 leis de Maxwell + 1 lei de força de Lorentz;
Inconsistência na Lei de Ampère;
Correção de Maxwell (implica na lei de conservação da carga elétrica);
Teoria Eletromagnética Clássica = mesmo paradigma: 4 leis de Maxwell (lei de Ampère-Maxwell) + 1 lei de força de Lorentz!
Revoluções científicas
Os problemas ao invés de “quebra-cabeças” acabam se tornando anomalias;
Não conseguem suportar as críticas;
Alguns cientistas questionam a validade das teorias e métodos que sustentam o paradigma vigente;
As anomalias geram crise;
Uma crise é solucionada com um novo paradigma;
Há, portanto, uma reconstrução da área de estudos, e não uma articulação com o velho paradigma;
Revoluções científicas
Uma crise é solucionada com um novo paradigma;
que além de resolver os mesmos problemas que o paradigma dominante apresenta solução para as suas anomalias e faz novas predições;
Há, portanto, uma reconstrução da área de estudos, e não uma articulação com o velho paradigma;
Na estrutura, Kuhn diz que:
(...) consideramos revoluções científicas aqueles episódios de desenvolvimento não cumulativo
nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo, incompatível com o anterior (Kuhn, 1962, p. 125).
Revoluções científicas
Exemplos:
Fim do século XVI: fracasso do paradigma ptolomaico (modelo geocêntrico) e emergência do paradigma copernicano (modelo heliocêntrico).
Início do século XX: fracasso do paradigma newtoniano (mecânica clássica) e surgimento do paradigma relativístico (Teoria da Relatividade).
Micro-Revoluções científicas
Kuhn admite que as revoluções podem ser associadas a mudanças menores
(micro-revoluções);
Mudanças conceituais induzidas por descobertas fatuais.
Para mim, uma revolução é uma espécie de mudança, envolvendo um certo tipo de reconstrução dos compromissos de grupo. Mas não necessita ser uma grande mudança, nem precisa parecer revolucionária para os pesquisadores que não participam da comunidade
(Kuhn, 2011, p. 227); Exemplos:
Incomensurabilidade
Paradigma Ciência Normal Paradigma Ciência Normal Revolução Científica No período de transição, o antigo e o novo paradigma
competem pela preferência dos membros da comunidade;
A nova teoria deve permitir predições diferentes daquelas da velha teoria;
Surge, pois, a incomensurabilidade de paradigmas:
Paradigmas rivais oferecem lentes conceituais diferentes, não são e não podem ser compatíveis;
A linguagem dos paradigmas é distinta, há apenas uma comunicação parcial entre eles.
Escolha entre teorias
Não se poderá demonstrar logicamente [no sentido de uma concepção neutra] a superioridade de um paradigma sobre outro, pelo menos nos estágios iniciais de um período revolucionário. Ao invés de fundamentadas em provas lógicas, as decisões envolvendo a escolha entre teorias irão depender de discussões persuasivas entre os membros da comunidade (Zylbersztajn, 1991, p. 54).
Escolha entre teorias
Portanto, a escolha entre dois paradigmas em competição, incomensuráveis, se dá com a inexistência de regras ou critérios isentos de julgamento;
Não há neutralidade;
A comunidade científica, nessa perspectiva, tem uma função primordial na ciência kuhniana.
Escolha de teorias - críticas
Kuhn é acusado, por Popper e Lakatos, por exemplo, de traçar uma imagem
irracional do debate científico. Além disso, recebe críticas acerca da
incomensurabilidade e do relativismo.
Quanto a irracionalidade, Kuhn afirma: os membros de uma comunidade científica compartilham de um conjunto de valores os quais são aplicados nos debates científicos
Escolha de teorias - críticas
Meu argumento, portanto, é que toda escolha individual entre teorias rivais depende de uma mescla de fatores objetivos e subjetivos, ou de critérios compartilhados e individuais. Uma vez que os últimos não figuravam de costume na Filosofia da Ciência, a ênfase que dei a eles dificultou que meus críticos percebessem minha crença nos primeiros (“tensão”
Escolha de teorias - críticas
[os] filósofos da ciência mais tradicionais, [compartilham] a suposição de que o problema de escolha de teorias pode ser resolvido por técnicas semanticamente neutras (“o
caminho” – Kuhn, 2002, p. 106);
A meu ver, portanto, a maioria dos filósofos da ciência considera, hoje, que o algoritmo buscado tradicionalmente é um ideal não de todo atingível (“tensão” - Kuhn, 1977, p. 345).
A mecânica newtoniana é ou não é um
caso particular da mecânica relativística?
Kuhn
xPopper
A mecânica newtoniana
e a relativística são teorias distintas.
A relatividade recupera a mecânica newtoniana quando
𝑣 𝑐
2
Escolha de teorias - críticas
Segundo alguns críticos, a filosofia kuhniana tende a um relativismo. Uma vez aceita a tese da incomensurabilidade, é possível concluir que ambos os paradigmas estão certos.
Além das sucintas colocações já feitas, principalmente com a discussão de valores, no posfácio de 1969 Kuhn também rebate a essa, e outras criticas.
Posfácio – 1969
Rebate críticas sofridas à primeira edição da “Estrutura” (1962);
Explicita sua compreensão de paradigma;
Apresenta a noção de matriz disciplinar;
Esclarece a limitação do termo incomensurabilidade;
Posfácio – 1969 - Paradigma
Os paradigmas são algo compartilhado pelos membros de uma comunidade. Sem uma referência à natureza destes elementos compartilhados, muitos dos aspectos da ciência descritos nas páginas precedentes dificilmente podem ser entendidos (“Posfacio”, Kuhn, 2011, p. 224);
Posfácio – 1969 – Paradigma
Utilizado na “Estrutura” (1962) de forma ambígua;
De acordo com Masterman o termo foi utilizado de 22 maneiras distintas;
Paradigma
Posfácio – 1969 – Paradigma
Paradigma
Todo conjunto de
compromissos de pesquisa de uma comunidade científica
Matriz
disciplinar
Posfácio – 1969 – Paradigma
Matriz
disciplinar
Generalizações simbólicas Modelos Valores Exemplares Componentes do paradigma:Posfácio – 1969 – Matriz disciplinar
Generalizações simbólicas
São as expressões empregadas sem discussão ou dissensão pela comunidade científica;
Pontos de apoio essenciais para os problemas que a comunidade se propõe a investigar;
Formação simbólica F=dp/dt
Sentença o calor nunca passa espontaneamente de um corpo de menor temperatura para outro de maior temperatura.
Posfácio – 1969 – Matriz disciplinar
Modelos
Fornecem à comunidade as analogias e metáforas aceitáveis; O átomo como um sistema solar em miniatura;
As moléculas de um gás como pequeninas bolas de bilhar movendo-se ao acaso;
Posfácio – 1969 – Matriz disciplinar
Valores
Mostram-se particularmente úteis na avaliação das crises e julgamentos de formas incompatíveis de ver o mundo, de praticar uma ciência;
Contribuem para proporcionar aos especialistas em ciências naturais um sentimento de pertencerem a um comunidade global;
Posfácio – 1969 – Matriz disciplinar
Valores
(...) a aplicação dos valores é consideravelmente afetada pelos traços da personalidade individual e pela biografia que diferencia os membros de um grupo (Kuhn, 2011, p. 232);
Acusado de glorificar a subjetividade e a irracionalidade;
Rebate:
1) os valores compartilhados podem ser determinantes centrais do comportamento de um grupo (mesmo possuindo subjetividade);
2) a variabilidade individual dos valores é essencial para a ciência (do contrário ela não seria dinâmica e divergente);
Posfácio – 1969 – Matriz disciplinar
Exemplares
São as soluções concretas de problemas que os estudantes/cientistas encontram desde o início de sua educação científica, seja nos laboratórios, exames ou fim dos capítulos dos manuais científicos;
As soluções indicam, através de exemplos, como o cientista deve realizar seu trabalho;
Todos os físicos começam aprendendo os mesmos exemplares
Posfácio – 1969 – Paradigma
Paradigma
Caso particular de paradigma, por isso exige maior atenção que os
outros componentes da matriz disciplinar
Exemplos
compartilhados
Posfácio – 1969 – Exemplos compartilhados
Paradigma exemplos compartilhados
São mais do que exemplares;
Conhecimento da natureza que se adquire ao compreender a relação de semelhança, conhecimento que se encarna numa maneira de ver as situações físicas e não em leis ou regras gerais (Kuhn, 2011, p. 238);
São exemplos que passam a ser tonar diferentes em relação aquelas situações que encontrou no início do treinamento como cientista;
Aprende não mais por meio verbais, aprende as palavras juntamente com exemplos concretos de
como funcionam na prática; a natureza e as palavras são aprendidas simultaneamente (Ibid, p.
Posfácio – 1969 – Exemplos compartilhados
Paradigma exemplos compartilhados
Exemplo: similaridade
Galileu descobriu que uma bola que desce rolando um plano inclinado adquire velocidade suficiente para voltar à mesma altura vertical num segundo plano inclinado com qualquer aclive. Aprendeu também a ver esta situação experimental como se fosse similar à do pêndulo com massa pontual para uma bola do pêndulo.
Posfácio – 1969 – Incomensurabilidade
Rebate as críticas recebidas;
Como estava introduzida na Estrutura, aparentemente, tornava ininteligível como cientistas, trabalhando em diferentes paradigmas, seriam capazes se se comunicar uns com os outros;
Os debates sobre a escolha de teorias não podem ser expressos numa forma que se assemelhe totalmente a provas matemáticas ou lógicas. (...) recorre à persuasão como um prelúdio à possibilidade de prova (Kuhn, 2011, p. 247-248);
Posfácio – 1969 – Incomensurabilidade
Quando, por exemplo,
Dois homens que percebem a mesma situação de maneira diversa e que, não obstante isso, utilizam
o mesmo vocabulário para discuti-la, devem estar empregando as palavras de modo diferente. Eles falam a partir daquilo que chamei pontos de vista incomensuráveis (Kuhn, 2011, p. 249).
É preciso que os cientistas reconheçam que há membros de diferentes comunidades de linguagem e a partir dai tornarem-se tradutores (Ibid, p. 251).
Posfácio – 1969 – Incomensurabilidade
Identificação das dificuldades de comunicação Recorrem aos vocabulários do cotidiano
Analisam o que outro diria na mesma situação
Começam a prever o comportamento alheio
Fazem comparações entre teorias (com valores)
No final, cada um traduz com sua própria linguagem a teoria do outro. Processo de tradução:
Posfácio – 1969 – Incomensurabilidade
A tradução, quando levada adiante, é um instrumento potente de persuasão e conversão, pois permite aos participantes de uma comunicação interrompida experimentarem vicariamente alguma coisa dos méritos e defeitos recíprocos (Kuhn, 2011, p. 251);
À medida que a tradução avança, alguns membros de cada comunidade podem começar a compreender, colocando-se no lugar do opositor (Ibid, p. 252);
Incomensurabilidade
(...) O termo “incomensurabilidade” funciona metaforicamente. A expressão ‘nenhuma medida comum” passa a ser “nenhuma linguagem comum” (“O caminho”, Kuhn 2000, p. 50);
A incomensurabilidade inicial de Kuhn transforma-se em incompatibilidade, porque há tradução
Posfácio – 1969 – Relativismo
As teorias científicas mais recentes são melhores que as mais antigas, no que toca à resolução de quebra-cabeças nos contextos frequentemente diferentes aos quais são aplicadas. Essa não é uma posição relativista e revela em que sentido sou um crente convicto do progresso científico (Kuhn, 2011, p. 255);
Não tenho dúvidas, por exemplo, de que a mecânica de Newton aperfeiçoou a de Aristóteles e de que a mecânica de Einstein aperfeiçoou a de Newton enquanto instrumento para a resolução de quebra-cabeças. Mas não percebo, nessa sucessão, uma direção coerente de desenvolvimento ontológico (Ibid., 256).
“uma teoria científica não é tão boa quanto outra (...). Nesse sentido não sou relativista” (Kuhn, 1974,
Posfácio – 1969 – Relativismo
Mas existem razões por que me chamam de relativista, e elas se relacionam com os contextos em que sou cauteloso na aplicação do rótulo de “verdade” (Ibid, p. 326);
Em geral uma teoria científica é considerada superior as suas predecessoras não apenas porque é um instrumento mais adequado para descobrir e resolver quebra-cabeças, mas também porque é, de algum modo, uma representação melhor do que a natureza realmente é (Kuhn, 2011, p.
255-256);
Parece-me que não existe maneira de reconstruir expressões como “realmente aí” sem auxílio de uma teoria; a noção de um ajuste entre a ontologia de uma teoria e sua contrapartida “real” da natureza parece-me ilusória por princípio (Ibid., p. 256).
Kuhn e implicações para o ensino
São traçadas analogias com situações de sala de aula (Zylbersztajn, 1991, p. 47);
A que tipo de cientista um aluno de disciplina científica deve ser identificado?
Kuhn e implicações para o ensino
Teoria e aplicação - treinamento e avaliação:
Formação de pesquisadores (para Kuhn);
Mudança conceitual:
alterações de paradigmas x concepções alternativas;
Nenhum dos dois casos pode, isoladamente, fornecer uma analogia fértil para o ensino (Zylbersztajn,
O aluno como um cientista em revolução
Estágio de revolução conceitual...
Elevação do nível de consciência conceitual:
Alunos: conscientização das concepções alternativas;
Professor: postura não crítica; Introdução das anomalias:
Alunos: desconforto e insatisfação;
Professor: solicitar predições (experiências, demonstrações), ou dá exemplos históricos, etc. Apresentação da nova teoria:
Alunos: criativos e debatedores;
O aluno como um cientista normal
Estágio de articulação conceitual
Interpretação de situações;
Soluções de problemas;
“Quebra-cabeças”.
Exemplo em sala:
1) Aplicação do novo paradigma para novas predições teóricas;
2a) Verificação das predições; ou
Comentários sobre as analogias
Tipos de atividades para cada estágio do modelo instrucional;
Tempo de dedicação em cada um deles.
Crítica ao empirismo-positivista;
Considerações finais
Apresenta um nova visão de ciência, com base na História da Ciência, ou seja, não diz como a ciência deveria ser, mas como ela é.
Ressalta limitações de uma visão cumulativa e contínua da ciência;
Evidencia a concomitância entre os contextos da Descoberta e da Justificativa (DJ);
Argumenta (e valoriza) acerca da subjetividade existente na ciência; É um dos pioneiros nas discussões entre ciência e valores;
Conceitos importantes: paradigma, ciência normal, revolução científica, incomensurabilidade;
Permite analogias entre o desenvolvimento do conhecimento científico e
Questões para discussão
1)Extrapolando as ideias Kuhn para a educação científica, haveriam outras limitações pedagógicas frente ao objetivo de se inculcar o estudante no paradigma vigente, além daquelas apresentadas no texto do Arden?
2)Dentre os epistemólogos estudados até o momento, é possível identificar convergências? Quais são suas principais divergências?