DOUTORADO EM ENFERMAGEM
LIVIA CRESPO DRAGO
GESTÃO DA EDUCAÇÃO PERMANENTE E O CUIDADO DE ENFERMAGEM E SAÚDE NA IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES EM FLORIANÓPOLIS
FLORIANÓPOLIS 2018
GESTÃO DA EDUCAÇÃO PERMANENTE E O CUIDADO DE ENFERMAGEM E SAÚDE NA IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES EM FLORIANÓPOLIS
Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – Área de Concentração: Educação e Trabalho em Saúde e Enfermagem, como requisito para a obtenção do título de Doutora em Enfermagem.
Linha de Pesquisa: Tecnologias e Gestão em
Educação, Saúde, Enfermagem
Orientadora: Profª Drª. Alacoque Lorenzini
Erdmann
Coorientadora: Profª Drª Aline Lima Pestana
Magalhães
FLORIANÓPOLIS 2018
Esta tese é dedicada ao meu pai, Valderes Drago, à memória da minha mãe, Maria das Graças Crespo Drago, e aos profissionais de saúde que se empenham em incorporar as práticas integrativas e complementares ao Sistema Único de Saúde.
O que eu sou Eu sou em par Não cheguei Não cheguei sozinho Canções da minha dor Canções do meu pesar Canções do meu amor Canções do meu amar - Lenine in Castanho Doutorar-se não é fácil, caminho tortuoso, solitário. Momento de se redesconbrir, encarar medos e sombras... Enfrentar uma verdadeira guerra interna. Vencer e se permitir reiventar – academica, profissional e pessoalmente, em especial. No entanto, como diz Lenine, “não cheguei sozinho” aqui. Apesar de difícil, durante a construção desta tese algumas pessoas a deixaram mais leve e a elas sou grata:
Agradeço a Deus, a essa força/inteligência da natureza, que por vezes é tão difícil de se conceber racionalmente, mas que se faz tão presente em minha vida através de Sua abundância, amorosidade e zelo.
Guardo em meu coração meus antepassados, reverencio meus avós maternos Benedito e Eurotilde e meus avós paternos Martelino e Irma e compartilho com vocês mais essa conquista.
Agradeço à minha família: especial e humildemente à minha mãe, Maria das Graças, tão presente em meu coração, e ao meu pai, Valderes, meu exemplo, estrutura e maior incentivador. Sou grata pela coragem de vocês em assumir com tanta dedicação e amor os desafios que a vida lhes impôs. Por causa de vocês dois tudo isso foi possível... gratidão!
Destaco, também, o apoio e o carinho do meu irmão Diego, da minha tia Zilma e da minha prima Camila, grata!.
À minha orientadora, Profª Drª Alacoque Lorenzini Erdmann, pelos ensinamentos, oportunidade e estímulo. Aprendi muito com você ao longo desses 11 anos como sua orientanda: bolsista PIBIC voluntária, bolsista PIBIC, mestranda e por fim doutoranda.
À minha coorientadora, Profª Drª Aline Lima Pestana Magalhães, as palavras se tornam pequenas diante da gratidão e admiração que tenho por você.
À banca avaliadora, ao membros efetivos, Profª Drª Vânia Marli Schubert Backes, Prof. Dr. Fernando Hellmann e Drª Islândia Maria
disponibilizado o seu tempo para contribuir com este trabalho.
Ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e ao seu corpo docente, destacando a Profª Drª Jussara Gue Martini, a Profª Drª Marta Lenise Prado e a chefe de expediente Srta Monique Vicente Rocha Peixoto por proporcionarem o meu crescimento pessoal e profissional.
A todos membros do Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Políticas e Gestão do Cuidado e da Educação em Enfermagem e Saúde (GEPADES) com os quais eu convivi durante esses 11 anos, especialmente à Profª Drª Selma Regina Andrade (minha orientadora de TCC na graduação de enfermagem, que me proporcionou muitos aprendizados), à Profª Drª Gabriela Marcellino de Melo Lanzoni (que foi quem pela primeira vez me acolheu no grupo), à Profª Drª Patricia Klock (pela parceria durante esses anos).
À turma de doutorado 2014 e demais colegas de formação pelo apoio mútuo, aprendizado, cafés, botecos e jantares.
Aos meus colegas docentes (não tenho palavras para agradecer vocês), à equipe técnica e aos meus alunos dos cursos de graduação em enfermagem, naturologia e medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL – pelo apoio e carinho.
Aos meus amigos, em destaque, Pedro, Patricia, Ryan, Thiago, Roberto e Karin pela compreensão das ausências, amizade e apoio. Além deles, sublinho um grupo muito especial: Mônica (gratidão, gratidão, gratidão), Patricia, Marla, Girlaine, Juliana, César e Marcos que foram minha fortaleza nesse processo.
À Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, em especial ao Dr Ari Moré que possibilitou meu acesso à CPIC, e a todos os profissionais de saúde que disponibilizaram o seu tempo e compartilharam comigo suas experiências em PIC. Profissionais que acreditam na atenção primária à atenção básica, na saúde pública gratuita e de qualidade e que, apesar das barreiras, lançam mão das PIC para promover melhor cuidado integral e autonomia dos usuários do SUS. Foram relatos de experiências que, por muitas vezes, me emocionaram. Faço aqui o meu reconhecimento ao lindo trabalho que vocês desenvolvem na rede municipal de saúde.
Por fim, não tenhamos medo de nos lançar à vida. Estamos aqui para adquirir experiência e conhecimento e aprenderemos pouco, a menos que encaremos a realidade e busquemos o melhor de nós próprios.
218p. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.
Orientadora: Dra. Alacoque Lorenzini Erdmann Coorientadora: Dra. Aline Lima Pestana Magalhães
RESUMO
Introdução: A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) visa aumentar a resolubilidade do Sistema Único de Saúde (SUS), convergindo com os princípios de integralidade e de universalidade, e ampliar o acesso às PIC, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso. Entende-se que as ações da PNPIC devem ser multiprofissionais e transversais no SUS, estando presentes em todos os níveis de atenção, principalmente na atenção básica, e pontua sua grande capacidade de agir em rede. Objetivos: Compreender como os profissionais de enfermagem e de saúde significam o processo de implementação, através da educação permanente (EP), da PNPIC ao cuidado na rede municipal de saúde de Florianópolis; Construir um modelo teórico, a partir do significado atribuído pelos diversos atores ao processo de implementação, através da educação permanente, da PNPIC ao cuidado na rede municipal de saúde de Florianópolis. Buscou-se sustentar o seguinte pressuposto: A EP vem promovendo a implementação da PNPIC pelos profissionais da enfermagem e de saúde prospectando práticas de saúde complexas e harmonizadas com os princípios do SUS. Metodologia: Pesquisa qualitativa sustentada pela Teoria Fundamentada nos Dados. O cenário foi a rede municipal de saúde de Florianópolis. Participaram da pesquisa 31 pessoas distribuídas em quatro grupos amostrais. Os dados foram coletados no período de junho de 2017 a julho de 2018 por meio de entrevistas individuais com roteiro de entrevista semiestruturado, digitalmente gravadas e posteriormente transcritas. Foram analisadas comparativamente através de codificação aberta, axial e seletiva. Foi utilizado o software Nvivo10® para a organização dos dados. O referencial teórico utilizado foi o pensamento complexo de Edgar Morin. O projeto de pesquisa foi submetido ao Sistema CEP/CONEP-
paradigmático, cujo fenômeno foi “A complexidade do cuidado humano: articulando os saberes em práticas integrativas e complementares ao sistema de saúde vigente pela educação permanente”. Possui 05 categorias, a saber: (1) Descobrindo a cultura regenerada por meio da EP das PIC na rede de saúde de Florianópolis (Contexto); (2) Desenvolvendo a cultura para a complementariedade das PIC na rede por meio da EP (Causa); (3) Conhecendo as barreiras e as contradições da implementação das PIC a partir da EP (Interveniência); (4) Fomentando a recursividade das PIC na rede com EP (Estratégia), e; (5) Evidenciando os benefícios advindos da EP na associação e interação das PIC na AB (Consequência). Considerações finais: Acredita-se que a contribuição desta pesquisa pode ser significativa por explorar o cuidado em um cenário de destaque que desenvolveu a integração das PIC ao SUS por meio da EP, como é a rede municipal de saúde de Florianópolis, a partir da perspectiva de vários atores. Além disso, fornece subsídios para ampliar a compreensão da complexidade do cuidado humano e da articulação dos saberes em PIC nesse contexto. Destacando-se que o entendimento da EP e o trabalho multi e transdisciplinar são essenciais para tal articulação na promoção deste cuidado, especialmente no contexto da AB.
Palavras chaves: Políticas Públicas de Saúde. Terapias Complementares. Educação Continuada. Gestão em Saúde. Enfermagem.
2018. 218p. Thesis (PhD in Nursing) – Post Graduate Program in Nursing. Federal University of Santa Catarina, Florianopolis, 2018. Advisor: Orientadora: Dra. Alacoque Lorenzini Erdmann
Co Advisor: Dra. Aline Lima Pestana Magalhães
ABSTRACT
Introduction: The National Policy on Integrative and Complementary Practices (PNPIC) aims to increase the resolubility of the Unified Health System (SUS), converging with the principles of integrality and universality, and increasing access to ICPs, ensuring quality, effectiveness, efficiency and safety in use. It is understood that PNPIC's actions must be multiprofessional and transversal in the SUS, being present in all levels of attention, especially in basic care, and points out its great ability to act in a network. Objectives: To understand how nurses and health professionals mean the process of implementation, through permanent education (PN), of the PNPIC to care in the municipal health network of Florianópolis; To construct a theoretical model, based on the meaning attributed by the various actors to the implementation process, through permanent education, of the PNPIC to care in the municipal health network of Florianópolis. The following assumptions were made: EP has been promoting the implementation of the PNPIC by nursing and health professionals, seeking out complex health practices that are in harmony with SUS principles. Methodology: Qualitative research supported by the Theory Based on the Data. The scenario was the municipal health network of Florianópolis. Thirty-one people were divided into four sample groups. Data were collected from June 2017 to July 2018 through individual interviews with a semi-structured interview script, digitally recorded and later transcribed. They were comparatively analyzed through open, axial and selective coding. Nvivo10® software was used to organize the data. The theoretical reference used was the complex thinking of Edgar Morin. The research project was submitted to the CEP / CONEP-Plataforma BRASIL System and obtained approval through the CAAE: 64756217.1.0000.0121 and the opinion number 1,997,929. Results: Based on the analysis of the
system in force by permanent education". It has 05 categories, namely: (1) Discovering the regenerated culture through the EP of PICs in the health network of Florianópolis (Context); (2) Developing the culture for the complementarity of PICs in the network through PE (Cause); (3) Knowing the barriers and the contradictions of the implementation of the PIC from the EP (Intervention); (4) Encouraging the recursion of PICs in the network with PE (Strategy), and; (5) Evidenting the benefits of PE in the association and interaction of ICPs in AB (Consequence). Final considerations: It is believed that the contribution of this research can be significant for exploring the care in a prominent scenario that developed the integration of ICPs into the SUS through the EP, such as the municipal health network of Florianópolis, from the perspective of various actors. In addition, it provides insights to broaden the understanding of the complexity of human care and articulation of PIC knowledge in this context. It should be emphasized that the understanding of PE and the multi and transdisciplinary work are essential for such articulation in the promotion of this care, especially in the context of AB.
Keywords: Public Health Policy. Complementary Therapies. Education Continuing. Health Management. Nurse.
Nacional de Prácticas Integrativas y Complementarias en Florianópolis. 2018. 218p. Tesis (Doctorado en Enfermería) – Programa de Post-Grado en Enfermería. Universidad Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.
Orientadora: Dra. Alacoque Lorenzini Erdmann Coorientadora: Dra. Aline Lima Pestana Magalhães
RESUMEN
La Política Nacional de Prácticas Integrativas y Complementarias (PNPIC) pretende aumentar la resolución del Sistema Único de Salud (SUS), convergiendo con los principios de integralidad y de universalidad, y ampliar el acceso a las PIC, garantizando calidad, eficacia, eficiencia y eficiencia seguridad en el uso. Se entiende que las acciones de la PNPIC deben ser multiprofesionales y transversales en el SUS, estando presentes en todos los niveles de atención, principalmente en la atención básica, y puntualiza su gran capacidad de actuar en red. Objetivos: Comprender cómo los profesionales de enfermería y de salud significan el proceso de implementación, a través de la educación permanente (EP), de la PNPIC al cuidado en la red municipal de salud de Florianópolis; Construir un modelo teórico, a partir del significado atribuido por los diversos actores al proceso de implementación, a través de la educación permanente, de la PNPIC al cuidado en la red municipal de salud de Florianópolis. Se buscó sostener el siguiente supuesto: La EP viene promoviendo la implementación de la PNPIC por los profesionales de la enfermería y de salud prospectando prácticas de salud complejas y armonizadas con los principios del SUS. Metodología: Investigación cualitativa sostenida por la Teoría Fundamentada en los Datos. El escenario fue la red municipal de salud de Florianópolis. Participaron de la encuesta 31 personas distribuidas en cuatro grupos muestrales. Los datos fueron recolectados en el período de junio de 2017 a julio de 2018 por medio de entrevistas individuales con guión de entrevista semiestructurada, digitalmente grabadas y posteriormente transcritas. Se analizaron comparativamente a través de la codificación abierta, axial y selectiva. Se utilizó el software
BRASIL y obtuvo aprobación mediante el CAAE: 64756217.1.0000.0121 y el número del dictamen 1.997.929. Resultados: A partir del análisis de los datos de esta investigación, emergió el modelo paradigmático, cuyo fenómeno fue "La complejidad del cuidado humano: articulando los saberes en prácticas integrativas y complementarias al sistema de salud vigente por la educación permanente". Contiene 05 categorías, a saber: (1) Buscando la cultura regenerado por CIP en la red de salud EP Florianópolis (contexto); (2) Desarrollando la cultura para la complementariedad de las PIC en la red a través de la EP (Causa); (3) Conociendo las barreras y las contradicciones de la aplicación de las PIC a partir de la EP (Intervenencia); (4) Fomentando la recursividad de las PIC en la red con EP (Estrategia), y; (5) Evidenciando los beneficios provenientes de la EP en la asociación e interacción de las PIC en la AB (Consecuencia). Consideraciones finales: Se cree que la contribución de esta investigación puede ser significativa por explorar el cuidado en un escenario de destaque que desarrolló la integración de las PIC al SUS por medio de la EP, como es la red municipal de salud de Florianópolis, desde la perspectiva de varios actores. Además, proporciona subsidios para ampliar la comprensión de la complejidad del cuidado humano y de la articulación de los saberes en PIC en ese contexto. Se destacó que el entendimiento de la EP y el trabajo multi y transdisciplinar son esenciales para tal articulación en la promoción de este cuidado, especialmente en el contexto de la AB.
Palabras clave: Políticas Públicas de Salud. Terapias Complementarias. Educación Continua. Gestión e Salud. Enfermería.
Figura 1 - Organização das entrevistas transcritas no software Nvivo11® ... 93 Figura 2 - Organização dos dados em categorias e subcategorias no software Nvivo11® ... 94 Figura 3 - Processo de codificação no software Nvivo11® ... 94 Figura 4 - Organização dos códigos codificados no software Nvivo11® ... 95 Figura 5 – Etapas do processo de análise dos dados da Teoria Fundamentada nos Dados ... 97 Figura 6 - Diagrama acerca da transversalidade das PIC nos três níveis de atenção do SUS: atenção primária à saúde (APS), atenção secundária à saúde (ASS) e atenção terciária à saúde (ATS) ... 102 Figura 7 - Diagrama referente à oferta de PIC na rede municipal de saúde de Florianópolis antes e após ações de EP promovidos pela SMS ... 102 Figura 8 - Diagrama sobre os profissionais de saúde que realizam PIC na rede municipal de saúde de Florianópolis ... 103 Figura 9 - Representação do modelo paradigmático cujo fenômeno foi considerado “A complexidade do cuidado humano: articulando os saberes em práticas integrativas e complementares ao sistema de saúde vigente pela educação permanente” ... 113 Figura 10 - Apresentação da categoria contexto “Descobrindo a cultura das PIC construída a partir da EP na rede de saúde de Florianópolis” e de suas subcategorias ... 146
Quadro 1 - Apresentação das características dos estudos selecionados quanto ao ano, país, título, código conferido, periódico de publicação, tipo de estudo e MTC envolvidas no estudo ... 40 Quadro 2 - Resultado das categorias de análise e suas subcategorias ... 50 Quadro 3 - Associações relacionadas aos cinco elementos da MTC. ... 64 Quadro 4 - Lista das 71 espécies vegetais e alguns dos seus nomes populares que constam na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS ... 66 Quadro 5 - Definição do MS para as novas 24 PIC inseridas na PNPIC e ano de inclusão ... 72 Quadro 6 - Apresentação da síntese dos participantes da pesquisa divididos por grupo amostral, códigos e quantidade ... 89 Quadro 7 - Procedimentos de coleta de dados: as hipóteses e o roteiro semiestruturado elaborado para cada GA ... 92 Quadro 8 - Modelo paradigmático cujo fenômeno foi considerado “A complexidade do cuidado humano: articulando os saberes em práticas integrativas e complementares ao sistema de saúde vigente pela educação permanente”, sustentado por 05 categorias... 105
AB Atenção Básica
AVASUS Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS AVC Acidente Vascular Cerebral
CAPS Centro de Atenção Psicossocial CID Classificação Internacional de Doenças
CIEPH Centro Integrado de Estudos e Pesquisas do Homem COFEN Conselho Federal de Enfermagem
COREN Conselho Regional de Enfermagem
CPIC Comissão de Práticas Integrativas e Complementares DS Distritos Sanitários
EP Educação Permanente
ESF Estratégia Saúde da Família
GA Grupos Amostrais
IDH Índice de Desenvolvimento Humano
LILACS Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde
MS Ministério da Saúde
MTC Medicinas Tradicionais e Complementares NASF Núcleos de Apoio à Estratégia Saúde da Família PIC Práticas Integrativas e Complementares
PMAQ Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica
PNEPS Política Nacional de Educação Permanente em Saúde PNPIC Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares
RENAME Relação Nacional de Medicamentos Essenciais RENASES Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde SciELO Scientific Eletronic Library Online
TCE Traumatismo Cranio Encefálico TFD Teoria Fundamentada nos Dados UBS Unidades Básicas de Saúde UNA-SUS Universidade Aberta do SUS UTI Unidade de Terapia Intensiva
1 INTRODUÇÃO ... 27 2 SUSTENTAÇÃO TEÓRICA ... 35 2.1 MANUSCRITO 1: MEDICINAS TRADICIONAIS E
COMPLEMENTARES NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE
SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DE
LITERATURA ... 35
2.2 A POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS
INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES E AS PRÁTICAS
INTEGRATICAS E COMPLEMENTARES
PRECONIZADAS ... 61
2.3 GESTÃO DAS PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO
PERMANENTE E IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA
NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES EM FLORIANÓPOLIS ... 77 2.4 O PENSAMENTO COMPLEXO ... 81 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS ... 85 3.1 LOCAL DO ESTUDO ... 86 3.2 PARTICIPANTES DA PESQUISA ... 87 3.3 COLETA DE DADOS ... 89 3.4 ANÁLISE DOS DADOS ... 93 3.5 VALIDAÇÃO DO MODELO TEÓRICO ... 103 3.6 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA ... 104 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 105 4.1 MANUSCRITO 2: A IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA
NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NA REDE DE SAÚDE DE
FLORIANÓPOLIS ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO
PERMANENTE ... 107 4.2 MANUSCRITO 3: CULTURA DAS PRÁTICAS
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 163 REFERENCIAS ... 167 APÊNDICES ... 187 ANEXOS ... 212
1 INTRODUÇÃO
Percebe-se a procura crescente das pessoas pelas Medicinas Tradicionais e Complementares nos últimos anos (OMS, 2002; 2014; BRASIL, 2015). Entretanto, a prática dos profissionais de saúde mantém-se predominantemente centrado no modelo curativo e preventivo, o que reafirma as medidas de medicalização nos serviços de saúde, contexto esse chamado de crise da saúde (LUZ, 2007).
A utilização de medicinas tradicionais e complementares é tão antiga quanto à própria história da humanidade, pois tais práticas de saúde estão imbricadas no contexto social, ambiental e histórico de cada povo (BRASIL, 2012a). Entretanto, a partir da publicação do Relatório Flexner, em 1910, foram disseminados diversos pressupostos que foram de encontro ao que estava estabelecido, a saber: a perspectiva unicamente biologicista de doença, a negação dos determinantes sociais da saúde, a centralização dos cuidados nos hospitais, a ascensão da privatização da atenção em saúde e a valorização do saber médico em detrimentos aos saberes dos demais atores envolvidos no processo saúde-doença e cuidado. Dessa forma, a sabedoria popular e as medicinas tradicionais e complementares foram marginalizadas dos sistemas de saúde (PAGLIOSA; DA ROS, 2008; CEOLIN et al, 2009; ALMEIDA FILHO, 2010).
Em contrapartida, na década de 1970 com os movimentos sociais, o Movimento da Reforma Sanitária, a criação do Programa de Medicina Tradicional da Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Conferência de Alma-Ata houve mobilizações para o fortalecimento da saúde pública, em especial à atenção básica, e o estímulo à retomada às medicinas tradicionais e complementares (BRASIL, 2002; 2015). O processo de legitimação e institucionalização de tais medicinas no país se deu a partir da década de 1980 com a VIII Conferencia Nacional de Saúde onde se pontuou a necessidade de promover a autonomia do usuário em seu processo de tomada de decisão para a escolha terapêutica e culminou na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), instituída em 2006 (BRASIL, 2015).
A OMS define Medicinas Tradicionais e Complementares como os saberes e as práticas assistenciais que se distinguem dos adotados pela biomedicina (OMS, 2002; 2014). Mais especificadamente, conceitua Medicinal Tradicional como aquela que possui grande história e se constituí pelos conhecimentos, pelas capacidades e pelas práticas embasadas em teorias, crenças e experiências próprias de diversas
culturas, podendo ser explicáveis ou não, para manter a saúde e prevenir, diagnosticar, melhorar ou tratar as enfermidades físicas ou mentais. O termo Medicina Complementar pode também ser conhecido como Medicina Alternativa e em alguns países é utilizado alternadamente com a Medicina tradicional. Estes termos se referem ao grande número de práticas de cuidado à saúde que não fazem parte da própria tradição regional e não estão estabelecidos no sistema de saúde dominante (OMS, 2014).
Entretanto, o National Center for Complementary and Integrative Health, nos Estados Unidos, aponta diferenças entre os termos Complementar e Alternativo (NCCIH, 2015). Quando a prática não convencional é utilizada em conjunto às de biomedicina, é chamada de Complementar e quando tal prática é utilizada no lugar da prática adotada pela biomedicina, esta é chamada de Alternativa.
No Brasil o termo adotado é Práticas Integrativas e Complementares1 (PIC), que faz menção à PNPIC, e aproxima-se ao conceito estabelecido pela OMS para as Medicinais Tradicionais e Complementares (OMS, 2002; BRASIL, 2015; OMS, 2014).
Desse modo, o Ministério da Saúde (MS) deixa claro que as PIC são abordagens que visam promover os mecanismos naturais para a prevenção de agravos e restabelecimento da saúde com foco na escuta qualificada, no fortalecimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Além de abranger a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, principalmente do autocuidado (BRASIL, 2015).
Os sistemas e recursos terapêuticos prioritários na PNPIC, em 2006, foram: a medicina tradicional chinesa (destacando-se a acupuntura); a homeopatia; as plantas medicinais e fitoterapia; o termalismo social e a crenoterapia e a medicina antroposófica (BRASIL, 2015).
Posteriormente, atualizou-se a PNPIC e foram inseridas mais 24 PIC, totalizando 29 PIC prioritárias no SUS, sendo elas: ayurveda, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga (inseridas em 2017); apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar; cromoterapia,
1
Neste trabalho será adotado o termo estabelecido pelo Ministério da Saúde: Práticas Integrativas e Complementares (PIC).
geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia floral (inseridas em 2018) (BRASIL, 2017; 2018a).
Algumas das PIC podem ser chamadas de racionalidades médicas. Madel Luz e seus colaboradores conceituam racionalidade médica como um sistema médico complexo estruturado em seis dimensões, podendo estar sistematizadas em diferentes graus: Morfologia humana – anatomia; Dinâmica vital humana – fisiologia; Doutrina médica – relação saúde-doença; Sistema de diagnose – conhecimento proveniente da observação do ser humano; Sistema terapêutico – possíveis formas de intervenção terapêutica; e Cosmologia – visão e concepção de mundo (LUZ; BARROS, 2012; NASCIMENTO et al, 2013).
Nesse sentido, Morin vem destacando a necessidade de instilar saberes pautados nas novas evidências científicas que demandam um novo marco de referências sobre a organização dos sistemas de produção de saúde. Assim, torna-se premente a consolidação de um saber fundamentado na complexidade ao se pensar saúde (MORIN, 2003, 2010).
A PNPIC surgiu dos movimentos sociais e atendeu às recomendações da OMS para que os Estados-membros formulassem e implementassem políticas públicas que visassem o uso racional e integrado das PIC em seus sistemas nacionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas para melhor conhecimento de sua segurança, eficácia e qualidade (OMS, 2002; 2003; 2014; BRASIL, 2015). Dessa forma, o Brasil tornou-se referencia para as Américas por ser o primeiro país a instituir uma política nacional acerca da temática (BRASIL, 2008).
Obedecendo tais recomendações, um dos objetivos da PNPIC visa aumentar a resolubilidade do Sistema, convergindo com os princípios de integralidade e de universalidade, e ampliar o acesso às práticas integrativas e complementares, garantindo qualidade, eficácias, eficiência e segurança no uso (BRASIL, 2011; 2015).
Desse modo, o Ministério da Saúde (MS) entende que as ações da PNPIC devem ser multiprofissionais e transversais no Sistema Único de Saúde (SUS), estando presente em todos os níveis de atenção, principalmente na atenção básica, e pontua sua grande capacidade de agir em rede (BRASIL, 2015). Assim, os serviços e produtos da PIC estão presentes em outros programas do SUS: Academia da Saúde; Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ); Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde (Renases) e
Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) (BRASIL, 2012b; BRASIL, 2012c; BRASIL, 2014a; BRASIL, 2014b).
Sublinha-se, neste momento, o PMAQ que tem como objetivo promover a melhoria do acesso e da qualidade da atenção à saúde e tem em seu instrumento de autoavaliação das equipes da atenção básica um item relativo às PIC (BRASIL, 2012b). Os municípios com maior pontuação nessa avaliação têm recurso financeiro. Assim, a implementação de PIC pelo município aumenta sua pontuação e a possibilidade de mais recurso financeiro.
No cenário nacional, os municípios que se destacam acerca da implementação da PNPIC são: Campinas (São Paulo), Florianópolis (Santa Catarina), Recife (Pernambuco), Rio de Janeiro e São Paulo (SOUSA; TESSER, 2017).
Em especial, o município de Florianópolis se sobressai no cenário nacional por ter a melhor atenção básica entre as capitais do país, obtendo mais de 90% das suas equipes de saúde da família avaliadas com acima ou muito acima da média nacional pelo PMAQ e por ser a primeira capital em atingir 100% da cobertura populacional da estratégia saúde da família (FLORIANOPOLIS, 2015a).
Em relação às PIC, Florianópolis tem um apelo histórico-cultural, contando com diversos movimentos sociais, e tenta implementá-las de forma institucional desde a década de 1980. Até o ano de 2009 os atendimentos de homeopatia e de acupuntura ocorriam de maneira isoladas na atenção secundária (FAQUETI, 2014). A partir de 2010 a secretaria municipal de saúde institui, em consonância com as diretrizes PNPIC, a Portaria n° 047/2010 para implementar normas gerais para o desenvolvimento das PIC na rede municipal de saúde através da Instrução Normativa 004/2010 e determina que a Comissão de Práticas Integrativas e Complementares (CPIC) terá caráter permanente. No município as PIC estão estruturadas em quatro grupos: acupuntura; homeopatia; fitoterapia/plantas medicinais; e outras PIC, onde há a possibilidade de inserir outras PIC que não são preconizadas pela PNPIC, mas são de interesse dos profissionais e/ou população como, por exemplo, yoga e nutrição saudável (FLORIANÓPOLIS, 2010a; FLORIANÓPOLIS, 2010b). É interessante apontar que um estudo, cujo objetivo foi analisar a percepção de profissionais da estratégia de saúde da família sobre PIC, evidenciou que os médicos e enfermeiros dão apoio à implementação das PIC. (THIAGO; TESSER, 2011).
Um dos municípios pioneiros na implementação da PNPIC, Florianópolis atendeu a diretriz da PNPIC que aponta o
desenvolvimento de estratégias de educação permanente dos profissionais do SUS para a qualificação em PIC, em consonância à Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), através da proposta de Modelo lógico do método de implantação e promoção do acesso às PIC na Atenção Básica à Saúde (BRASIL, 2015; SANTOS; TESSER, 2012).
Esse modelo lógico se tornou referência nacional para a implementação da PNPIC ao ser adotado como modelo pelo Curso de Capacitação em Gestão de Práticas Integrativas e Complementares tendo como público alvo, preferencialmente, gestores do SUS a fim de instrumentalizá-los para tal implementação (BRASIL, 2014c).
No modelo de Santos e Tesser (2012) é possível identificar a presença de princípios da educação permanente em saúde no que se refere ao elo entre educação e trabalho, ao levantamento das necessidades locais, à participação de todos os atores envolvidos, à problematização do cotidiano dos profissionais de saúde, que impregna significados a essa reflexão, e à modificação dos processos de trabalho que resultará na melhoria continua da assistência à saúde (CECCIM; FEUERWERKER, 2004; BRASIL, 2004; BRASIL, 2007; BRASIL, 2012d; PERES; LEITE; GONÇALVES, 2010; FERRAZ, 2011; MOTTA, AGUIAR, CALDAS, 2011; MORETTI-PIRES et al., 2011; KONDO et al., 2011; CARDOSO et al., 2011; BACKES et al, 2013).
Dessa forma, destaca-se a dimensão gerencial da educação permanente em saúde que é estratégia para provocar mudanças no cotidiano dos serviços, para elaborar novas configurações de práticas de assistência, de gestão, de formação e de formulação de políticas públicas e para implementá-las, alcançando efeitos concretos nas práticas de saúde (VINCENT, 2007; BRASIL, 2012d; SANTOS; TENÓRIO; KICH, 2011; SANTOS, TESSER, 2012).
Tamanha é importância da educação em permanente em saúde para a formação em PIC que o MS a pontuou como uma das prioridades na Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde, sendo também a PIC outra prioridade (BRASIL, 2008a). Esta agenda é uma das estratégias da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde para consentir que prioridades de pesquisa em saúde estejam em concordância com os princípios do SUS (BRASIL, 2008b). Este estudo, que perpassa a gestão da educação permanente e as PIC, pretende colaborar com tais prioridades.
E como estão as pesquisas de enfermagem nessa temática? Em uma busca em janeiro de 2016 às bases de dados Literatura
Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO) com os descritores “terapias complementares”, “enfermagem” e “educação continuada” ou com a palavra-chave “educação permanente” não foi possível encontrar nenhum documento.
Entretanto, há estudos que apresentam possibilidades das PIC estarem integradas ao cuidado de enfermagem, pois compartilham de mesmas fundamentações: integralidade, humanização e favorecimento da autonomia dos sujeitos envolvidos. Embora, alguns desses estudos, apontem a importância de se atentar para que as PIC não sejam práticas descontextualizadas a fim de não se tornarem apenas mais uma “prestação de serviço” (CEOLIN et al, 2009; GNATTA et al 2011; MAGALHÃES; ALVIN, 2013; FERNANDEZ-CERVILLA et al, 2013).
É oportuno apontar que o Conselho Federal de Enfermagem (COFEn) em suas atribuições estabelece e reconhece acupuntura, fitoterapia, homeopatia, ortomolecular, terapia floral, reflexologia podal, reiki, yoga, toque terapêutico, musicoterapia, cromoterapia e hipnose como especialidades do enfermeiro através da resolução n° 0570/2018 (COFEN, 2018).
Dessa forma, esta pesquisa tem como objeto a gestão da educação permanente e o cuidado de enfermagem no processo de implementação da PNPIC na rede municipal de saúde de Florianópolis. Foi desenvolvida junto à linha de pesquisa Tecnologias e Gestão em Educação, Saúde, Enfermagem na área de concentração Educação e Trabalho em Saúde e Enfermagem do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Foi inserida nas atividades do Laboratório de Pesquisa, Tecnologia e Inovação em Políticas e Gestão do Cuidado e da Educação em Enfermagem e Saúde (GEPADES). Introduzida, mais especificamente, no contexto da Gestão Educacional em Enfermagem e Saúde.
Chegar a esta proposta de estudo foi uma confluência de processos pessoais e profissionais. Venho de uma família onde práticas como alimentação saudável, homeopatia, florais de Bach, reflexologia, massagem e fitoterapia eram utilizadas para a promoção e o reestabelecimento da saúde. Por isso, em 2001, ingressei no curso de graduação em Naturologia Aplicada da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), o qual está “embasado na pluralidade de sistemas terapêuticos complexos vitalistas, que parte de uma visão multidimensional do processo de saúde-doença e utiliza da relação de
interagência e de práticas integrativas e complementares no cuidado e atenção à saúde” dos indivíduos (SABBAG et al, 2013, p 15). Fui a sétima turma formada e, naquela época, o curso ainda não estava alinhado à formação para o SUS.
Isto me gerou algumas inquietações: Como posso ser um profissional de saúde e não conhecer o SUS? Existe PIC no SUS? Se não, como inserir? Os demais profissionais de saúde são sensíveis às PIC? Para amenizá-las busquei ampliar o cuidado em saúde ingressando, em 2007, no curso de graduação em Enfermagem da UFSC. Em alguns momentos, durante este curso, foi possível aliar às práticas integrativas e complementares ao cuidado de enfermagem, obtendo resultados satisfatórios.
Entre as duas graduações, iniciei o curso de pós-graduação lato sensu em acupuntura pelo Centro Integrado de Estudos e Pesquisas do Homem (CIEPH) a fim de aprofundar os conhecimentos em Medicina Tradicional Chinesa e aprimorar a visão multidimensional dos processos saúde-doença.
O interesse pela a temática da educação permanente foi despertando à medida que fui vislumbrando o meu processo de educação permanente. Somado a isso, durante a graduação em enfermagem, tive a oportunidade de ser bolsista de iniciação científica do GEPADES por quatro anos onde trabalhei, entre outros projetos, no de “Sistema de Cuidado à saúde: melhores práticas organizacionais no contexto das políticas públicas de saúde”, em suas três modalidades: momento atenção básica (2009/1), redes de atenção à saúde (2009/2 a 2010/1) e atenção secundária/média complexidade (2010/2 a 2011/1). Os relatos dos entrevistados, nos diferentes momentos, trouxeram a educação permanente como direcionamento para melhorar as práticas em saúde. Fortaleceu minha intenção de continuar o estudo sobre esta temática ao realizar o trabalho de conclusão de curso de enfermagem que abrangeu a educação permanente, focando as “Práticas de Enfermagem a partir da inserção do residente: desafios em uma unidade de internação cirúrgica sob a perspectiva da equipe de enfermagem” e foi reforçada ao sustentar a dissertação “Práticas gerenciais da educação permanente em enfermagem em um hospital de ensino”.
Durante o curso de mestrado (2012/2013), conciliei a experiência de ser docente contratada da UFSC do departamento de enfermagem, o que foi muito rico, pois tivera como discente da pós-graduação disciplinas que embasaram o meu desenvolvimento em ser professora possibilitando vivenciar minha educação permanente de maneira crítica
e reflexiva e resignificou toda a minha vida. Atualmente sou docente da Unisul nos cursos de Naturologia, Enfermagem e Medicina e ministro aulas sobre as PIC nos três cursos, além de outras disciplinas e atividades.
Para a construção desse projeto e a fim de conhecer como se dá parte do processo de implementação da PNPIC em Florianópolis participei, como convidada, do Curso de Yoga para as Práticas em Saúde e para aprofundar meus conhecimentos acerca da educação permanente concluí o Curso de Formação de Facilitadores de Educação Permanente ofertado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
E dessa forma, o meu interesse na temática de pesquisa da educação permanente e o cuidado de enfermagem na implementação da PNPIC culmina na intenção de associar, integrar e estabelecer relações entre os processos científicos, profissionais e pessoais.
Assim, frente a tudo o que foi explicitado, este estudo apresenta a seguinte pergunta de pesquisa: Como os profissionais de enfermagem e de saúde significam o processo de implementação da política nacional de práticas integrativas e complementares ao cuidado por meio da educação permanente na rede municipal de saúde de Florianópolis?
Portanto, os objetivos desta pesquisa são:
Compreender como os profissionais de enfermagem e de saúde significam o processo de implementação, através da educação permanente, da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares ao cuidado na rede municipal de saúde de Florianópolis;
Construir um modelo teórico, a partir do significado que os profissionais de enfermagem e de saúde atribuem ao processo de implementação, através da educação permanente, da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares ao cuidado na rede municipal de saúde de Florianópolis.
Diante do exposto, buscou-se sustentar a seguinte tese:
A educação permanente vem promovendo a implementação da PNPIC pelos profissionais da enfermagem e de saúde prospectando práticas de saúde complexas e harmonizadas com os princípios do Sistema Único de Saúde.
2 SUSTENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 MANUSCRITO 1: MEDICINAS TRADICIONAIS E
COMPLEMENTARES NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA
Livia Crespo Drago Aline Lima Pestana Magalhães
Alacoque Lorenzini Erdmann RESUMO: As Medicinas Tradicionais e Complementares (MTC) vêm ganhando destaque, principalmente, após a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendar aos seus Estados Membros que elaborassem políticas nacionais de implementação de MTC em seus sistemas de saúde nacionais O estudo tem por objetivo evidenciar o conhecimento científico sobre as MTC nas políticas públicas de saúde, destacando as contribuições para o cuidado em enfermagem e saúde sob a perspectiva da estratégia da OMS sobre a medicina tradicional. Metodologia: revisão integrativa de literatura a partir das bases de dados PUBMED, LILACS, WEB OF SCIENCE e SCOPUS e na biblioteca eletrônica SCIELO com sintaxe de palavras-chaves Políticas Públicas de Saúde AND Terapias Complementares AND Enfermagem, em português e Health Public Policy AND Complementary Therapies AND Nursing, em inglês. A coleta de dados foi realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2016. As etapas dessa revisão foram: elaboração da questão de pesquisa; coleta de dados; avaliação dos dados; análise e interpretação dos dados; apresentação dos resultados; e, conclusões. Resultados: 50 artigos foram selecionados e caracterizados quanto ao ano, país, título, código conferido, periódico de publicação, tipo de estudo e medicinas tradicionais e complementares, e deram origem a três categorias de análise: Base de conhecimentos para a gestão ativa das MTC; Qualidade, segurança, uso adequado e eficiência das MTC; e Acesso às MTC e a integração com os serviços de saúde. Considerações finais: As contribuições das MTC nas políticas públicas de saúde e, consequentemente, ao cuidado de saúde dos artigos selecionados foram: na construção de fundamentos para a gestão ativa e nos tratamentos de doenças crônicas, saúde mental, acidente vascular cerebral agudo, traumatismo crânio-encefálico, gravidez e parto, regulação do sistema imunológico, pós-operatório e envelhecimento. Apresentaram bons resultados com baixo custo, poucos efeitos colaterais, satisfação do
usuário e aumento do acesso à saúde e à atenção integral. Em nenhum dos cenários estudados foi possível encontrar artigos de como os enfermeiros têm integrado as MTC em suas práticas assistenciais. Por isso, sugere-se realizar estudos para compreender como a MTC está sendo integrada aos cuidados de enfermagem.
Descritores: Políticas Públicas de Saúde; Terapias Complementares; Gestão em Saúde; Enfermagem.
INTRODUÇÃO
As Medicinas Tradicionais e Complementares (MTC) vêm ganhando destaque, especialmente, nos países ocidentais. Este fato ocorreu, principalmente, após a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendar aos seus Estados Membros que, entre outras questões, elaborassem políticas nacionais de implementação de MTC em seus sistemas de saúde nacionais1,2.
No Brasil, o termo adotado para designar as práticas naturais é Práticas Integrativas e Complementares (PIC), que faz alusão a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e o seu conceito dialoga com o de MTC da OMS2, 3, 4, 5. A PNPIC fez 10 anos de sua publicação em 2016 e tornou o país referência em MTC para as Américas por ter sido o primeiro a instituir uma política nacional acerca da temática5. As práticas preconizadas na PNPIC são: a medicina tradicional chinesa (destacando-se a acupuntura); a homeopatia; as plantas medicinais e fitoterapia; o termalismo social e a crenoterapia e a medicina antroposófica4,5. E em janeiro de 2017 houve a ampliação da PNPIC que incluiu mais 14 PIC, são elas: arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga6.
Por medicina tradicional, a OMS entende que são as medicinas das grandes tradições, que tem uma longa história. Seu conhecimento teórico e prático está estruturado em teorias, crenças e experiências que podem ser explicáveis ou não. Suas práticas são utilizadas para a manutenção de saúde, prevenção, diagnóstico e/ou tratamentos para desordens físicas e emocionais2. Já as medicinas complementares, são os conjuntos de práticas que não fazem parte das tradições do seu próprio país, mas que também não estão totalmente integradas no sistema de saúde dominante2.
O modelo hegemônico, o biomédico, por ter como premissa o individualismo, a saúde como mercadoria, o biologismo, a medicina curativa e a medicalização da vida e a participação passiva das pessoas, não consegue atender sozinho o conceito de saúde da OMS, que é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”7,8.
As MTC são de caráter contra hegemônico, apesar disso, colaboram no acesso e na resolutividade terapêutica com o sistema de saúde dominante. Além do mais, mantem os sentidos, significados e valores da comunidade nos processos de saúde-doença, favorecendo a busca de autonomia no autocuidado e de uma vida mais harmoniosa (mental e fisicamente) e mais solidária entre os familiares e a vizinhança2,9,10.
A fim de fortalecer a ampliação do acesso às MTC, a sua integração ao sistema de saúde nacional e a regulação de produtos e serviços entre os Estados membros, a OMS atualizou a estratégia sobre as MTC para a década 2014-2023, a saber: Desenvolver a base de conhecimento para o gerenciamento ativo de MTC por meio de políticas nacionais apropriadas; Fortalecer a garantia de qualidade, segurança, utilização adequada e eficácia da MTC através da regulamentação de seus produtos, práticas e profissionais; e Promover a cobertura universal de saúde por meio de apropriada integração dos serviços de MTC na prestação de serviços de saúde e a autocuidado de saúde. A estratégia sobre as MTC foi atualizada em 2014, entretanto foi elaborada pela primeira vez em 20022.
Há diversas produções científicas no cenário nacional e internacional sobre as MTC, o presente estudo pretende contribuir com essas produções e inovar na abordagem desse tema ao aproximar às estratégias sobre as MTC da OMS2.
Desse modo, neste estudo buscou-se responder o seguinte questionamento: Quais as contribuições do conhecimento científico produzido sobre as políticas públicas relacionadas às medicinas tradicionais e complementares para o cuidado em enfermagem e saúde sob a perspectiva da estratégia da Organização Mundial da Saúde sobre a medicina tradicional?
Assim, o objetivo foi evidenciar o conhecimento científico sobre as medicinas tradicionais e complementares nas políticas públicas de saúde, destacando as contribuições para o cuidado em enfermagem e saúde sob a perspectiva da estratégia da Organização Mundial da Saúde sobre a medicina tradicional.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura que permitiu a síntese de múltiplos estudos publicados e o desenvolvimento de uma explicação ampla acerca de um fenômeno específico. Propicia sinalizar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas com o desenvolvimento de novos estudos.
As etapas dessa revisão foram: elaboração da questão de pesquisa; coleta de dados; avaliação dos dados; análise e interpretação dos dados; apresentação dos resultados; e, conclusões11,12.
A coleta de dados foi realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2016, nas bases de dados Literatura Latino-Americano e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Publisher Medline (PubMed), Scopus, Web of Science e na biblioteca eletrônica Scientific Electronic Library Online (SciELO). Utilizou-se para fazer a busca nas bases de dados a combinação dos seguintes descritores: Políticas Públicas de Saúde AND Terapias Complementares AND Enfermagem, em português e Health Public Policy AND Complementary Therapies AND Nursing, em inglês.
A partir das combinações dos descritores, foram obtidos os seguintes resultados: 09 artigos na LILACS, 64 artigos na PubMed, 21 artigos na Scopus, 11 artigos na Web of Science e nenhum artigo na SciELO, totalizando 105 publicações. Os critérios de inclusão dos artigos foram: artigos originais com resumos disponíveis on-line, publicados no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2017, nos idiomas: português, espanhol ou inglês, que enfocassem aspectos das políticas públicas relacionadas às medicinas tradicionais e complementares para o cuidado em saúde e enfermagem.
Foram excluídos artigos localizados em mais de uma base de dados, sendo considerados somente uma vez e aqueles que não estavam alinhados com o objetivo dessa pesquisa. Assim, a amostra final foi constituída por 50 artigos, sendo 31 da PubMed, 09 da Scopus, 09 da Web of Science e 02 da LILACS. Para a avaliação dos estudos, elaborou-se uma tabela no intuito de coletar informações objetivando responder à questão norteadora da revisão. Esse instrumento compreendeu os seguintes itens: identificação do estudo; objetivos, ano; país; título; periódico de publicação; tipo de estudo; e, principais resultados e recomendações. Os artigos selecionados foram analisados e categorizados de acordo com os objetivos da OMS para as medicinas tradicionais e complementares2.
RESULTADOS
Dos 50 artigos que compuseram a amostra final, o ano que contabilizou maior concentração de publicação foi o de 2014 com 20 artigos (40%). Com relação ao idioma, 43 (86%) artigos foram publicados em inglês e em português 07 (14%). Quanto ao tipo de estudo, 29 (58%) artigos foram quantitativo, 15 (30%) qualitativos e 06 (12%) quanti-qualitativos.
Foram publicados em 37 periódicos distintos, destacando os que tratam especificadamente de MTC: BMC Complementary and Alternative Medicine com 08 artigos (16%) e Complementary Therapies in Medicine, 03 (06%); e outros que tiveram mais publicações: BMC Public Health com 03 artigos (06%) e Journal of the National Cancer Institute Monographs, 02 (04%). Os demais periódicos contaram com apenas 01 artigo (02%) publicado.
Quanto ao país de origem da publicação, foram contabilizados 22 países, destacando que Taiwan foi contabilizado a parte da China. Os Estados Unidos da América tiveram a maior publicação, 10 artigos (20%), seguido por Brasil e Austrália com 07 (14%) cada, Líbano com 05 (10%), Índia com 04 (08%), Coréia do Sul, Tanzânia e Taiwan com 03 (06%) cada e Bolívia com 2 (04%). Canadá, Reino Unido, Trinidad e Tobago, Hong Kong, Bangladesh, Malásia, Uganda, China, Mali, Gana, Tailândia e África do Sul desenvolveram 01 artigo por país, sendo 12 (24%) do total dos artigos publicados. Houve 01 (02%) estudo realizado em diferentes países.
Acerca das MTC abordadas nos estudos selecionados, 19 (38%) trataram sobre as medicinas tradicionais dos diferentes países, destacando a medicina tradicional chinesa que apresentou 10 (20%) artigos. As medicinas dos países da Bolívia, Bangladesh, Coréia do Sul, Uganda, Mali, Gana, Tailândia e África do Sul foram tratados em diferentes publicações, representando 09 (18%) desses artigos. A fitoterapia/plantas medicinais foi tratada em 04 (08%) dos artigos. A homeopatia foi desenvolvida em 02 (04%) dos artigos. A suplementação alimentar foi tratada como uma MTC em 02 (04%) artigos. O sistema AYUSH (Ayurveda, Yoga, Unani e Siddha) mais a medicinas tradicionais das regiões específicas estudas na Índia tiveram 02 (04%) de artigos publicados. Musicoterapia, Naturopatia, Yoga e as Práticas preconizadas na PNPIC em 2006 contaram com uma publicação cada, somando 04 (08%) das publicações. Entretanto, 16 (32%) dos artigos
apresentaram diversas MTC em seus estudos e em 01 (02%) estudo não foi possível definir as MTC envolvidas na pesquisa.
Para uma melhor visualização, segue abaixo o Quadro 01 que apresenta as características dos 50 estudos selecionados quanto ao ano, país, título, código conferido, periódico de publicação, tipo de estudo e MTC envolvidas no estudo.
Quadro 1 - Apresentação das características dos estudos selecionados quanto ao ano, país, título, código conferido, periódico de publicação, tipo de estudo e MTC envolvidas no estudo.
Ano/ País
Título/ Código Periódico Tipo de
estudo MTC envolvidas no estudo 2014 Brasil Homeopatia Percepção da População Sobre Significado Acesso Utilização e Implantação no SUS (LILACS01) Revista espaço para a saúde Qualitativo Homeopatia 2011 Brasil Atenção farmacêutica e práticas integrativas e complementares no SUS: conhecimento e aceitação por parte da
população são joanense (LILACS 02) Physis Revista de Saúde Coletiva Quanti-qualitativo MTC preconizadas pela PNPIC 2015 Trinidad e Tobago Perceptions of complementary and alternative medicine among cardiac patients in South Trinidad: a qualitative study (WEB OF SCIENCE 01) BMC Complementary and Alternative Medicine Qualitativo Fitoterapia, orações de cura, terapia quelante 2015 Líbano The Use of Complementary and Alternative Medicine among Lebanese Adults: Results from a
National Survey (WEB OF SCIENCE Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine Quantitativo Principalmente ervas e alimentos tradicionais, além de produtos de saúde naturais e vitaminas e minerais.
02) 2014 Hong Kong Uptake of breast screening and associated factors among Hong Kong
women aged ≥50 years: a
population-based survey (WEB OF SCIENCE
03)
Public Health Quantitativo Medicina tradicional chinesa: Acupuntura, ventosas, fitoterapia chinesa, a fixação dos ossos e massagem chinesa 2014 Austrália
The interface with naturopathy in rural primary health care: a
survey of referral practices of general practitioners in rural and regional New
South Wales, Australia. (WEB OF SCIENCE 04) BMC Complementary and Alternative Medicine Quantitativo Naturopatia 2014 Austrália Perspectives and attitudes of breastfeeding women using herbal galactagogues during breastfeeding: a qualitative study (WEB OF SCIENCE 05) BMC Complementary and Alternative Medicine
Qualitativo Fitoterapia (ervas galactagogas) 2014 Austrália Integrating complementary and alternative managers medicine into mainstream healthcare services: the perspectives of health service (WEB OF SCIENCE 06) BMC Complementary and Alternative Medicine Qualitativo MTC, naturopatia, fitoterapia ocidental e massagem
2013 Austrália , Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido Profile of the complementary and alternative medicine workforce across Australia, New Zealand, Canada, United States and United Kingdom (WEB OF SCIENCE 07) Complementary Therapies in Medicine Quantitativo Massagem terapêutica, quiropraxia, osteopatia, homeopatia, MTC, naturopatia. 2011 Coréia do Sul Use of acupuncture therapy as a supplement to conventional medical
treatments for acute ischaemic stroke
patients in an academic medical centre in Korea (WEB
OF SCIENCE 08) Complementary Therapies in Medicine Quantitativo Acupuntura - Medicina tradicional chinesa 2011 Líbano Stakeholders' perspectives on the regulation and integration of complementary and alternative medicine products in Lebanon: a qualitative study (WEB OF SCIENCE 09) BMC Complementary and Alternative Medicine Qualitativo Suplementação alimentar 2015 Brasil Estudo etnofarmacológico em entorno de floresta urbana como subsídio para a implantação da Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SCORPUS 01) Rev. Bras. Pl. Med Quantitativo Plantas Medicinais/ Fitoterapia 2014 Bolívia
The role of civil society organizations in the institutionalization of indigenous medicine in Bolivia (SCORPUS 02) Social Science & Medicine
Qualitativo Medicina indígena boliviana
2014 Líbano Prevalence and correlates of complementary and alternative medicine use among diabetic patients in Beirut, Lebanon: a cross-sectional study (SCORPUS 03) BMC Complementary and Alternative Medicine Quantitativo Alimentos tradicionais e ervas foram as PIC mais utilizadas seguido por produtos de saúde naturais, cura espiritual e suplementação mineral ou vitamínica 2014 Tanzânia Social representation and practices related to
dementia in Hai District of Tanzania
(SCORPUS 04)
BMC Public Health
Qualitativo ervas, orações ou curandeiros tradicionais 2014 Índia Experiences and meanings of integration of TCAM (Traditional, Complementary and Alternative Medical) providers in three Indian states: results from a cross-sectional,
qualitative implementation
research study (SCORPUS 05)
BMJ Open Qualitativo Ayurveda, Unani e Homeopatia 2014 Estados Unidos Use of Provider-Based Complementary and Alternative Medicine by Adult Smokers in the United States: Comparison From the
2002 and 2007 NHIS Survey (SCORPUS
06)
Am J Health Promot
Quantitativo Não foi possível definir quais especificadamente 2012 Brasil Práticas integrativas e complementares: oferta e produção de atendimentos no SUS e em municípios selecionados (SCORPUS 07) Cad. Saúde Pública
Quantitativo Práticas corporais, Medicina Tradicional Chinesa, Acupuntura, Homeopatia, entre outras.
2012 Reino Unido
Health-care sector and complementary
medicine: practitioners’ experiences of delivering acupuncture
in the public and private sectors (SCORPUS 08) Primary Health Care Research & Development Qualitativo Acupuntura - Medicina tradicional chinesa 2011 Brasil Percepção de médicos e enfermeiros da Estratégia de Saúde da
Família sobre terapias complementares (SCORPUS 09) Rev Saúde Pública Quantitativo Homeopatia, Medicina chinesa, Medicina ayurvédica, Medicina Antroposófica, Fitoterapia, Ervas medicinais, Práticas corporais, Massagem, Toque terapêutico, Práticas de cunho espiritual 2016 Estados Unidos Referrals to integrative medicine in a tertiary hospital: findings from
electronic health record data and qualitative interviews (PUBMED 01) BMJ Open Quanti- Qualitativo Acupuntura, massagem, enfermagem holísticas e musicoterapia 2016 Estados Unidos Complementary and integrative healthcare
for patients with mechanical low back pain in a U.S. hospital setting (PUBMED 02)
Complementary Therapies in Medicine
Quantitativo Mais utilizadas foram: massagem, técnicas de relaxamento e acupuntura 2016 Taiwan/ China
Outcomes after stroke in patients receiving adjuvant therapy with
traditional Chinese medicine: A nationwide matched interventional cohort study (PUBMED 03) Journal of Ethnopharmacol ogy Quantitativo Medicina tradicional chinesa (MTC): acupuntura, fitoterapia e tuiná. 2016 Estados Complementary and Alternative Medicine Use among Women of
Women's Health Issues
Quantitativo Terapias mente-corpo foram o tipo mais comum
Unidos Reproductive Age in the United States
(PUBMED 04) relatado por mulheres grávidas 2015 Índia Is ‘mainstreaming AYUSH’ the right policy for Meghalaya,
northeast India? (PUBMED 05) BMC Complementary and Alternative Medicine
Qualitativo Ayurveda, Yoga, Unani, Siddha, Homeopatia e Medicina Tradicional de Khasi 2015 Taiwan/ China
Exploring the Role of Multiple Chronic
Conditions in Traditional Chinese
Medicine Use and Three Types of Traditional Chinese Medicine Therapy Among Adults in Taiwan (PUBMED 06) The Journal of Alternative and Complementary Medicine
Quantitativo Tipos específicos de terapia de MTC (ervas chinesas, acupuntura, moxabustão, e terapia manipulativa de traumatologia) 2015 Índia Medical pluralism among indigenous peoples in northeast India - implications for
health policy (PUBMED 07) Tropical Medicine and International Health
Quantitativo Ayurveda, Yoga, Unani, Siddha, Homeopatia e Medicina tribal de Meghalaya 2014 Estados Unidos Effects of Integrative Medicine on Pain and Anxiety Among Oncology Inpatients (PUBMED 08) Journal of the National Cancer Institute Monographs
Quantitativo Terapia de cura manual; terapias mente-corpo e energéticas; medicina tradicional chinesa. 2014 Estados Unidos
Tai Chi, Cellular Inflammation, and
Transcriptome Dynamics in Breast Cancer Survivors with
Insomnia: A Randomized Controlled Trial Journal of the National Cancer Institute Monographs
Quantitativo Tai Chi Chih - Medicina tradicional chinesa
(PUBMED 09) 2015
Estados Unidos
Acupuncture Provides Short-term Pain Relief for Patients in a Total
Joint Replacement Program (PUBMED
10)
Pain Med Quantitativo Acupuntura - Medicina tradicional chinesa
2014 Austrália
What carers and family said about music therapy on behaviours of older people with dementia in residential aged care
(PUBMED 11) International Journal of Older People Nursing Qualitativo Musicoterapia 2014 Coréia do Sul Changes in attitudes toward and patterns in
traditional Korean medicine among the general population in South Korea: a comparison between 2008 and 2011 (PUBMED 12) BMC Complementary and Alternative Medicine Quantitativo Medicina tradicional coreana 2014 Austrália Australians with osteoarthritis; the use
of and beliefs about complementary and alternative medicines (PUBMED 13) Complementary Therapies in Clinical Practice Quanti-qualitativo Suplementação alimentar 2014 Austrália Referral to yoga therapists in rural primary health care: A
survey of general practitioners in rural
and regional New South Wales, Australia
(PUBMED 14) International Journal of Yoga Quantitativo Yoga 2014 Taiwan/ China Decreased Risk of Stroke in Patients with Traumatic Brain Injury
Receiving Acupuncture Treatment: A PopulationBased Retrospective Cohort
PLoS One Quantitativo Acupuntura - Medicina tradicional chinesa
Study (PUBMED 15) 2014
Banglad esh
Use of traditional medicines to cope with
climate-sensitive diseases in a resource poor setting in Bangladesh (PUBMED 16) BMC Public Health Quanti-qualitativo medicina tradicional de Bangladesh 2014 Tazânia Reduced adherence to antiretroviral therapy among HIV-infected Tanzanians seeking
cure from the Loliondo healer (PUBMED 17) J Acquir Immune Defic Syndr Quantitativo Fitoterapia 2013 Estados Unidos Use of non-medical methods of labor induction and pain management among
U.S. women (PUBMED 18)
Birth Quantitativo Caminhar ou exercitar para tentar começar o trabalho de parto; relações sexuais; Estimulação do mamilo. Técnicas de respiração, mudanças de posição e estratégias mentais. 2014 Estados Unidos
A Survey of the Use of Complementary and Alternative Medicine in Illinois Hospice and
Palliative Care Organizations (PUBMED 19) American Journal of Hospice & Palliative Medicine Quanti-qualitativo Mais utilizadas pet terapia, musicoterapia, massagem terapêutica, arte-terapia e as terapias de energia 2013 Malásia Roles traditional healers play in cancer treatment in Malaysia: implications for health
promotion and education. (PUBMED 20) Asian Pac J Cancer Prev. Qualitativo Medicina tradicional da Malásia: plantas medicinais e curas espirituais 2013 Factors Associated With Traditional Chinese Medicine Asia-Pacific Journal of Quantitativo Medicina tradicional
China Utilization Among Urban Community Health Centers in Hubei Province of China (PUBMED 21)
Public Health chinesa
2013 Brasil
O conhecimento de gestores municipais de
saúde sobre a Política Nacional de Prática
Integrativa e complementar e sua influência para a oferta
de homeopatia no Sistema Único de Saúde local (PUBMED 22) Ciência & Saúde Coletiva Quanti-qualitativo Homeopatia 2013 Austrália Survey of practices and policies relating to
the use of complementary and alternative medicines and therapies in New South Wales cancer services (PUBMED 23) Internal Medicine Journal Quantitativo massagem terapêutica, aromaterapia, meditação Reiki. Qi Gong, cura / toque terapêutico, reflexologia, Tai Chi, arte terapia, musicoterapia e medicamentos complementares com Lactobacillus rhamnosus GG 2013 Estados Unidos US Spending On Complementary And Alternative Medicine During 2002–08 Plateaued, Suggesting Role In Reformed Health System (PUBMED 24) Health Aff (Millwood)
Quantitativo Quiropraxia, mas sagem terapêutica, acupuntura e outras MTC 2013 Uganda Use of traditional medicine for the treatment of diabetes in Eastern Uganda: a qualitative exploration
of reasons for choice (PUBMED 25) BMC International Health and Human Rights Qualitativo Medicinal Tradicional da Uganda: ervas tradicionais 2012 Auricular acupuncture for chemically Substance Abuse Quantitativo Auriculoterapia - Medicina