• Nenhum resultado encontrado

Revista RN Econômico - Janeiro de 1987

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Revista RN Econômico - Janeiro de 1987"

Copied!
36
0
0

Texto

(1)

REFINARIA

BICUDO DNOCS

O TERROR

DO

SIGLA

UMA

(2)

SBMPj®

'3.

I

gEWffí®

P e n s e e m t u d o a q u i l o q u e v o c ê e s p e r a c o m o o m á x i m o q u e u m c a r r o p o d e o f e r e c e r . E m t o d o s o s p o n t o s , o s v e í c u l o s V o l k s w a g e n c o r r e s p o n d e m e a t é s u p e r a m . N o e s t i l o , no c o n f o r t o i n t e r i o r , e q u a n t o à s s u a s c a r a c t e r í s t i c a s d e d i r i g i b i l i d a d e , d i s p e n s a m m a i o r e s c o m e n t á r i o s . H i r i j a u m S a n t a n a 2 ou 4 p o r t a s , u m a J u a n t u m , ou u m P a s s a t e s i n t a a q u a l i d a d e s u p e r i o r . A f i n a l , v o c ê t e m t o d o o d i r e i t o d e e x i g i r s e m p r e m a i s . E x i j a V o l k s w a g e n . A V o l k s w a g e n s e n t e - s e n o d e v e r d e s u r p r e e n d ê - l o . S e m p r e . S e m p r e m a i s . .CONCESSIONÁRIOS AUTORIZADOS

MARPAS S.A.

TAVARES DE LIRA, 159 - PTE. SARMENTO, 592

DIST. SERIDÓ S.A.

(3)

NESTA EDIÇÃO

Refinaria,

falta união

Os políticos do Rio Grande do Norte sempre foram acusados de não se u n i r , ao exemplo do que acontece em outros Estados, em torno de uma cau-sa" do interesse do Estado. As diver-gências políticas e pessoais sempre f a l a r a m mais a l t o , o que somente têm trazido prejuízos irreparáveis ao de-senvolvimento econômico, social e po-lítico desse pobre e endividado Rio Grande do Norte.

Agora, nesses primeiros meses de 87 j á se v i s l u m b r a m o s primeiros s i -nais de uma possível composição de

forças em torno de uma j u s t a reivindi-cação: a instalação da r e f i n a r i a de petróleo que a Petrobrás promete para o Nordeste, c u j a construção repre-senta investimentos altíssimos. Além do Rio Grande do Norte, brigam pela r e f i n a r i a os Estados de Pernambuco

REFINARIA BICUDO DNOCS

DIFÍCIL 0 TERROR UMA VINDA DO SIGLA PApAORN CiMPO MALDITA

e Ceará, com amplas possibilidades, segundo o superintendente regional da Petrobrás, L u i z de Siqueira Menezes, para o Ceará.

Nessa b r i g a , s a l u t a r , entre os

polí-ticos das mais diversas correntes do pensamento, um f a t o tem chamado a atenção do superintendente da Petro-brás: o Rio Grande do Norte não tem força política para f a l a r grosso ao Presidente da República, apesar de ter um f i l h o da terra ocupando um cargo no Ministério de Sarney. De qualquer maneira, o primeiro passo j á foi dado comos dois grupos políti-cos mais fortes — Maia e Alves — brigando pela r e f i n a r i a .

Ainda nesta edição, temos uma ex-celente entrevista da Deputada Fede-ral Wilma Maia, e l e i t a com 143 mil votos. Com exclusividade, a Depu-tada Federal mais voDepu-tada do País, proporcionalmente, f a l a dos seus pla-nos políticos, c r i t i c a o P r e f e i t o de N a t a l , G a r i b a l d i Alves, a quem acusa de ser um " P r e f e i t o p o l i t i q u e i -r o " ; diz que a v i t ó -r i a de Ge-raldo Melo deveu-se a uma peemedebite

que tomou conta do País e a f i r m a que Aluízio Alves " f i n a l m e n t e vin-g o u - s e " do Senador Dinarte Mariz ao c o n t r i b u i r para a derrota do Depu-tado Wanderley M a r i z .

EXPEDIENTE

RN/ECONÔMICO EMPRESA JORNALÍSTICA LTDA.

D I R E T O R E S : Marcelo Fernandes de Oliveira Núbia Silva Fernandes de Oliveira

Maurício Fernandes de Oliveira Fernando Fernandes de Oliveira

/REVISTA MENSAt

W/EC0N0MIC0

D I R E T O R - R E S P O N S A V E L : Fernando Fernandes de Oliveira — DRT 479

E D I T O R G E R A L : Edilson Braga - DRT 455

D I A G R A M A Ç Ã O : Moacir de Oliveira - DRT 240

A R T E : Carlos José Soares FOTOCOMPOSIÇÃO: Antônio José D. Barbalho RN/ ECONÒM ICO - Revista mensal especia-lizada em assuntos sócio-econômicos do Rio Grande do Norte, é de propriedade de RN/ ECONÔMICO EMPRESA JORNALÍSTICA L T D A . , CGC 08.286.320/0001-61. Endere-ço: Rua São Tomé, 398, Natal (RN). Fone: (084) 222-4722. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias da revista, salvo quando seja citada a tonte. Preço da assinatura anual: Cz$ 150,00. Preço do exemplar atrasado: Cz$ 30,00. Consulta ao arquivo-memória: Cz$ 100,00.

ÍNDICE

R N / E n t r e v i s t a 4 Ref i n a r i a - F a l t a f o r ç a p o l í t i c a 20 M i n e r a ç ã o — RN e x p o r t a d i a t o m i t a 22 A g r i c u l t u r a — B i c u d o a t e m o r i s a campo 25 B a r r a g e m - DNOCS só tem p r o m e s s a 2 7 G o v e r n o — A m á q u i n a do E s t a d o 29 J o r n a l i s t a s — E o q uest i o n a m e n t o 30 T u r i s m o — N a t a l é i n v e n t i v a 31 M o d a — J u r o , o v i Ião do c o m é r c i o 33 I m p r e n s a — C o n c u r s o 34 — W M ""'

O Porto de Natal é um dos impecilhos para a refinaria

(4)

RN/ENTREVISTA

WILMA MARIA DE FARIA MAIA

A vocação para a política

De uma bancada de oito deputados,

a única mulher do grupo, a professora Wilma Maia, eleita

com 143 mil votos, chega à Constituinte

preocupada essencialmente com o social e avessa ao

assistencialismo.

A

e u f o r i a do Plano

Cruzado, a p e e m e d e b i

-te que assolou o

País de ponta a ponta, além do adjetivo mudança, que "é uma palavra muito f o r t e " , fo-ram os principais responsáveis pela derrota do Deputado Federal João Faustino ao Governo do Rio Grande do Norte nas eleições do dia 15 de novembro passado. Pelo menos essa é a opinião da profes-sora Wilma Maria de Faria Maia, eleita recentemente Deputada Federal com 143 mil votos, o maior percentual que um candi-dato já conseguiu na história po-lítica do Rio Grande do Norte numa disputa para a Câmara dos Deputados.

Durante três horas a Deputada Wilma Maia recebeu os repórte-res de R N / E c o n ô m i c o em sua residência da rua Apodi, quando falou de sua iniciação na política partidária — "sou uma pessoa vo-cacionada para a política" —; cri-ticou a administração do Prefeito Garibaldi Alves Filho, a quem atribuiu uma nota abaixo de 5 — "Garibaldi é um P r e f e i t o politi-queiro" — e acusou de estar fa-zendo uma política assistencia-lista.

Descontraída, a Deputada Wil-ma Maia, 41 anos, casada com o Senador Lavoisier Maia, de quem teve quatro filhos, Ana Cristina, Márcia, Lauro e Cíntia, disse pela primeira vez, desde que foram conhecidos os resultados das eleições de novembro, que " n u n -ca fui convidada para ser Vice-Governador na chapa do

Deputa-do João Faustino". Na entrevista, dona Wilma não esqueceu de sol-tar alfinetadas no Ministro da Administração, Aluízio Alves. "Finalmente Aluízio conseguiu se vingar do velho Senador Di-narte Mariz derrotando Wander-ley Mariz para o Senado".

Professora de Inglês e docente concursada da UFRN lotada no Departamento de Educação, a ex-Secretária do Trabalho e Bem-Estar Social, Wilma Maria de Fa-ria Maia também falou dos proje-tos que levará para a Constituin-te — "vou me preocupar com a reforma agrária, com a situação da mulher e com os aposentados" — criticou o Governo da Nova República, fez uma análise do Plano Cruzado e direcionou suas farpas para o PMDB — " n a teoria diz uma coisa e na prática adota comportamento totalmente

ad-verso" — e condenou a má admi-nistração da nossa dívida exter-na. A seguir, a íntegra do depoi-mento que a Deputada Wilma Maia deu aos jornalistas Marcelo Fernandes e Edilson Braga.

Nunca pensei

em ser

candidata

R N / E c o n ô m i c o — Que m o t i v o s levaram a sra. a e n t r a r na vida p o l í t i c a partidária?

Wilma Maia— Eu sempre

mi-litei na política, mesmo quando eu não era o alvo principal. Mas,

por pertencer a uma família polí-tica, desde a minha infância eu sempre participei de eventos po-líticos, apesar de meu pai e minha mãe não terem feito militância política, mas eu me envolvia por conta da família, de um modo ge-ral.

Depois me casei com Lavoisiér Maia, que sempre foi um político embutido. O pai dele, Lauro Maia, era político, e quando mor-reu era Prefeito da cidade de Patu e Lavoisier sempre amou a polí-tica, de modo que a gente se com-pletou porque gostávamos da mesma coisa.

Quando eu tive oportunidade de servir mais à coletividade, sempre procurei fazer um traba-lho que pudesse ajudar ao próxi-mo. Mesmo antes de exercer qualquer função política, mesmo antes de exercer qualquer cargo público sempre procurei ajudar às pessoas. Eu era professora e sempre me envolvi com os bair-ros, com as comunidades que es-tavam se formando. Eu ia fazer uma palestra, um seminário.

Como Primeira Dama do Esta-do eu tive mais oportunidade de ajudar ao próximo. O que me le-vou mesmo a e n t r a r na política militante foi a pressão da comu-nidade para me candidatar a Pre-feita. Nunca pensei em me candi-datar. A pressão partiu da pró-pria imprensa porque meu nome apontou em primeiro lugar nas pesquisas para Prefeita de Natal, aí f u i levada e praticamente for-çada a me candidatar. Vi que não podia mais recuar. Posso não ter

(5)

sido vitoriosa nas urnas, mas po-liticamente me sentia realizada porque havia partido do nada, com pouca experiência política e

havia conseguido um feito: a confiança do povo.

Depois da derrota o povo exi-giu que eu continuasse na polí-tica e foi sentindo o anseio da população e de que eu me realiza-ria, que continuei a minha ca-minhada.

R N / E c o n ô m i c o — Quer d i -zer, e n t ã o , que a sra. se s e n t e vocacionada pela p o l í t i c a ?

Wilma Maia — Me sinto

voca-cionada. Não estou na política por acaso. Não foi pelo fato de Lavoisier ter sido Governador, sou vocacionada para a política e tenho demonstrado isso na prá-tica.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. d i s s e que o que mais lhe a g r a -da é s e r v i r ao próximo. N e s s e p e r í o d o que e s t á na vida p ú -blica, o que f e z de c o n c r e t o em f a v o r do p o v o ?

Wilma Maia — Em termos

concretos foi feita muita coisa. Quando eu era presidente do Meios procurei dar apoio ao me-nor que não tinha assistência pré-escolar. Não está contida na Constituição a obrigatoriedade

do Estado dar educação pré-es-colar ao menor. Quando criei uma instituição privada que foi o Meios, achei que poderia comple-mentar uma ação de Governo, e como o Governo não tinha condi-ções de assistir ao menor na fase pré-escolar, então criei centros infantis e creches comunitárias.

Deputada Wilma Maia quer

RN/ ECONÔMICO - Janeiro-8 7

Quando fui Secretária do Tra-balho s Bem-Estar Social tive oportunidade de realizar muita coisa, como por exemplo o Proje-to Crescer, que é um projeProje-to de apoio não só à habitação mas à mudança que deve acontecer na comunidade que a gente escolhia, geralmente com atividades dife-rentes. O Projeto Crescer tem quatro linhas de atuação: assis-tência à criança, de habitação, que é a troca da casa de taipa pela de tijolo; de trabalho, por-que não adiantava você dar tra-balho sem se preocupar com a formação de mão-de-obra e a área de comunidade, para fazer com que eles, conscientemente, pudessem se organizar e passar a exigir do Governo medidas que concorressem para o

desenvolvi-mento daquelas pessoas.

Então o Projeto Crescer é uma coisa concreta: geriu os destinos de vários Estados. É bem verdade que é uma semente plantada onde há municípios que sua ação não chega a 70 famílias.

R N / E c o n ô m i c o — E s s e P r o -j e t o C r e s c e r não f o i c r i a d o

para s e r v i r de trampolim para sua carreira p o l í t i c a , para a sra. chegar aonde c h e g o u h o -j e , com a maior v o t a ç ã o da h i s t ó r i a p o l í t i c a do R i o Gran-de do N o r t e ?

Wilma Maia — Não foi criado

para isso. Nunca pensei em ser candidata a coisa nenhuma

quan-do o Projeto Crescer foi criaquan-do. Inclusive o Projeto Crescer foi

feito de uma forma bem neutra com relação à escolha dos

crité-... uma C o n s t i t u i n t e crité-...

rios dos habitantes a serem aí> sistidos. Quando a gente ia a de-terminado município, escolhía-mos a área a ser trabalhada inde-pendente da população ser de um lado ou de outro. Não perguntá-vamos se aquela família estava do lado do Governo ou não, ela era beneficiada independente de qualquer escolha partidária.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. tem idéia de quantas f a m í l i a s f o ram b e n e f i c i a d a s com o P r o j e -t o C r e s c e r ?

Wilma Maia — Dez mil

famí-lias. Depois que eu saí essa meta foi ampliada para todas as re-giões do Rio Grande do Norte, mas o Projeto foi iniciado na ci-dade de Mossoró. Inicialmente nós fizemos as cidades grandes porque a situação era mais difícil em relação à periferia devido à migração acelerada que houve em virtude dos cinco anos consecu-tivos de seca. Existia uma popu-lação na periferia das cidades que estava totalmente margina-lizada e precisando da assistência do Projeto Crescer.

R N / E c o n ô m i c o — S i m , mas de c o n c r e t o mesmo, o que a sra. r e a l i z o u ?

Wilma Maia — O que realizei

de concreto, foi além do Projeto Crescer, um trabalho com os me-nores na Febem, com a criação de grupos preventivos com as-sistência aos menores que estão à beira da marginalização, com alimentação, educação informal e formação profissional. Fizemos o programa de habitação

conven-FOTOS: JOÃO MARIA ALVES

»

(6)

cional, que são os c o n j u n t o s ha-bitacionais feitos através da Co-hab, que é vinculada à STBS, além de programa de formação de mão-de-obra. É difícil você mencionar as obras que você exe-cuta na área social porque elas não se inauguram. O que inaugu-rei muito foram os centros sociais, mas eles em si não s i g n i f i -cam muita coisa o que significa muita coisa é o trabalho que pode ser feito dentro desses centros, como a organização comunitária, criação de conselhos comunitá-rios para que a comunidade co-mece a formar suas lideranças a fim de que elas tentem organizar a comunidade para f o r ç a r mu-danças. Então esse foi um traba-lho importantíssimo que fize-mos.

R N / E c o n ô m i c o — Qual a v e r d a d e i r a h i s t ó r i a da i n c l u -são d o s e u nome na chapa de D e p u t a d o F e d e r a l ?

Wilma Maia — Depois da

mi-nha derrota para Prefeito, decidi que não sairia da política porque existia uma expectativa de toda a população. Eu recebia em minha casa milhares de pessoas que vi-nham prestar sua solidariedade diante da minha derrota, ao

mes-mo tempo em que pediam para que não abandonasse a vida pú-blica. Também recebi centenas de telefonemas e de telegramas, to-dos me pedindo para continuar.

Todos me diziam que aquela derrota era um incentivo para eu continuar na vida pública e eu acho que as derrotas realmente dão mais maturidade, porque se aprende muito, se faz uma ava-liação para saber quais foram os erros e os acertos. Então me senti vitoriosa naquele momento em que a população estava me pedin-do para continuar na vida públi-ca, mas não sabia a que cargo.

Começaram as especulações em torno do meu nome para Deputa-do Estadual, para DeputaDeputa-do Fe-deral e para Vice-Governador, mas comecei a vê que talvez fosse melhor eu ser candidata a Depu-tado Estadual porque seria uma oportunidade de servir ao Estado e de ficar em Natal, que era exa-tamente a população que estava mais aproximada a mim em t e r -mos políticos; depois houve a es-peculação do próprio grupo polí-tico tentando me lançar a Vice-Governador. Foi então que senti que havia pressão do próprio in-terior do Estado porque eu

can-didata a Deputado Estadual teria muitos votos e iria prejudicar os próprios companheiros e eu esta-va sendo priesta-vada de ir ao inte-rior, porque não gostaria de atrapalhar a vida dos meus ami-gos que estavam pleiteando uma vaga na Assembléia Legislativa. Fui convidada para receber tí-tulo de cidadania no interior, pa-ra p a r a n i n f a r turmas e sempre vinha o problema da minha mobi-lização para o interior. Como De-putada Estadual eu seria eleita por Natal, o que nunca aconteceu, mas já pensando no Voto D i s t r i -tal eu queria fazer uma experiên-cia nesse sentido, mas a pressão das lideranças não deixou. S u r -giu então a possibilidade de La-voisier sair candidato a Senador e o próprio grupo exigiu a minha presença na chapa federal para fortalecer a Aliança Popular.

R N / E c o n ô m i c o — Houve a l -guma reação para sua entrada na chapa para D e p u t a d o F e d e ral? S a b e s e que a l g u n s c a n -d i -d a t o s queriam v ê - l a fora -do p r o c e s s o para poder f i c a r com a p r i m a z i a do p r i m e i r o l u g a r na v o t a ç ã o .

Wilma Maia — Você sabe que

em política há especulações de

FIQUE

^ ^ ^ f Ê T Ser c l i e n t e P a r a i s s°

M \ M 'fjk m / • do Bändern é vestir aconteça, fique com ^ Ê I / • a c a m i s a d o R N . o B ä n d e r n . • • • I m / • É v a l o r i z a i o R N . N a d a m a i s j u s t o . W V I M / B E c o l a b o r a r p a r a q u e ^ ^

M l W I ?

sbensdaterra

fXjbandern

^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ ^ A . W f i q u e m a q u i m e s m o . um bem da torra

UM BEM

DATER RA.

(7)

todo tipo. Eu, pessoalmente, não tive nenhum problema com rela-ção à minha candidatura a Depu-tado Federal porque todos acei-taram muito bem quando saí can-didata; achavam, inclusive, que eu iria r e f o r ç a r a coligação,

principalmente aqueles que esta-vam definindo as coisas, como foi o caso do Deputado Federal João Faustino, Antônio Florên-cio, candidato a

Vice-Governa-dor.

João perdeu

eleição mas

continua líder

R N / E c o n ô m i c o — A sra. s a -be que F l á v i o Rocha, na época não queria v ê l a c o m o c a n d i -data à Câmara dos D e p u t a d o s , porque e l e queria obter a maior v o t a ç ã o e n t r e os c a n -d i -d a t o s .

Wilma Maia — Acho que não

aconteceu isso não, porque inclu-sive quando entrei como candi-data comentava- se que eu iria me eleger, mas em quarto lugar por-que não tinha condições finan-ceiras para assumir uma campa-nha e não disporia de condições de mobilização por ser uma mu-lher, além de estar começando a campanha faltando apenas 90 dias para as eleições. Quer dizer, já comecei bastante atrasada e ia pegar a votação dos municípios grandes porque os pequenos já estavam todos definidos com os chefes políticos com os compro-missos assumidos. Nos municí-pios grandes os eleitores são mais independentes, não existem colégios eleitorais definidos para determinadas pessoas.

R N / E c o n ô m i c o — E n t ã o a sra. acha que não passou de f o f o c a ?

Wilma Maia — Acho.

R N / E c o n ô m i c o — Por que a sra. não saiu candidata na chapa d o D e p u t a d o João Faus

-t i n o ?

Wilma Maia — Essa é uma

his-toria muito comprida. Na verda-de, nunca f u i convidada para ser companheira de chapa do Depu-tado João Faustino. Fui contacta-da pelo Deputado para ver qual era a melhor posição que eu

po-deria assumir dentro do grupo

da Aliança Popular. Então discu-timos a possibilidade de eu sair Vice-Governador, mas me pus à disposição do grupo todo. Para me realizar politicamente eu não me realizaria como Vice, mas es-tava disposta a aceitar, inclusive demonstrei isso numa e n t r e v i s t a ao D i á r i o de Natal, quando afirmei que não fecharia as por-tas para o diálogo. Chegou um momento que era tão grande a pressão que eu disse que acei-taria.

R N / E c o n ô m i c o — É verdade que h o u v e p r e s s ã o por parte da f a m í l i a do D e p u t a d o João F a u s t i n o para a senhora não sair na chapa d e l e ?

Wilma Maia — Pessoalmente

nunca tomei conhecimento disso. Sei, apenas, que havia especula-ção nesse sentido, mas nunca to-mei conhecimento.

R N / E c o n ô m i c o — Qual o r e -l a c i o n a m e n t o da s r a . , hoje, com o D e p u t a d o João F a u s t i -no?

Wilma Maia — Tenho um

ex-celente relacionamento com o Deputado João Faustino. Ele perdeu a campanha mas ele conti-nua sendo o líder e era o melhor candidato que nós tínhamos no momento. Se perdemos a campa-nha não foi porque o candidato era João Faustino.

R N / E c o n ô m i c o — Por que João F a u s t i n o perdeu a e l e i -ção?

Wilma Maia — Por vários

fatores. Primeiro pela p e e m e d e b i

-te que houve no Brasil. O PMDB

soube aproveitar muito bem o Plano Cruzado, que de repente deixou o País como se estivesse num momento de ilusão. O

Presi-dente, com uma varinha de con-dão, de repente resolveu o pro-blema da inflação, da especula-ção; todo mundo com dinheiro no bolso para gastar, consumindo desbragadamente. Estava todo mundo feliz, os empresários por-que estavam vendendo, e o povo porque tinha dinheiro para com-prar. Os preços não estavam con-gelados, embora os salários esti-vessem.

Então o PMDB soube aprovei-tar esse momento e capitalizou para si esses resultados, enquan-to o PFL não conseguiu f a t u r a r os e f e i t o s do Plano Cruzado, ele não empunhou a bandeira, o que o PMDB fez rapidamente. Com a decretação do Plano Cruzado, o Presidente ficou numa encruzi-lhada porque o PMDB não estava compartilhando dos problemas do Governo, mas quando eles vi-ram que a popularidade do Presi-dente cresceu, eles imediatamen-te conseguiram capitalizar os efeitos do Plano Cruzado.

A Aliança

subestimou o

nosso adversário

R N / E c o n ô m i c o — Mas q u a i s foram a s outras c a u s a s da derrota de João F a u s t i n o ?

Wilma Maia — Quero deixar

bem claro que foram nove meses de ilusão com o Plano Cruzado, ele nasceu e morreu. Mas a se-gunda causa foi a palavra mu-dança. Essa é uma palavra muito

(8)

CONSTITUINTE?

O CAFÉ ESTÁ PRESENTE EM TODAS AS

DECISÕES DA VIDA BRASILEIRA.

Q u a l i d a d e , s a b o r

KIMINO

e econ

°

mia

• m Escritório : Rua Jerônimo Rosado, 90 Mossoró (RN)

*

A índole democrática do povo brasileiro consagrou a livre iniciativa como a melhor forma para a conquista de nossa independência econômica.

Mais uma vez, na história política do país, a Assembléia Nacional Consti-tuinte ratificará os inalienáveis postulados de liberdade e justiça que são apaná-gios de nossa civilização.

A MANUFATURA DE PORCELANA BEATRIZ S. A., empresa pioneira em seu ramo de atividade no Rio Grande do Norte, manifesta de público sua

fé na inteligência e no patriotismo dos políticos constituintes de 1987.

I

zaaOQQQQQQQQC*

M A N U F A T U R A D E P O R C E L A N A B E A T R I Z S . A .

Fábrica: BR-304, Km. 296 Eduardo Gomes (RN)

Escritório: Rua João Pessoa, 402 — Sala 267 Ed. Cidade do Natal

(9)

população e ela define muitas coisas em cima da emoção.

Geraldo Melo soube fazer uma campanha com competência, usando a palavra mudança. E isso talvez tenha levado o nosso povo a pensar que também no Rio Grande do Norte com uma vari-nha mágica Geraldo Melo viria e resolveria todos os problemas, como desemprego, miséria, etc.

A terceira razão, não poderia deixar de citar, foi a subestima-ção. Em 82 tivemos uma vitória de 107 mil votos de maioria e tal-vez tenha levado o nosso grupo a subestimar um pouco; também perdemos muitos companheiros que não podíamos ter perdido.

Minha votação

foi

espontânea

R N / E c o n ô m i c o — Quem d o seu g r u p o s u b e s t i m o u o a d -v e r s á r i o ?

Wilma Maia — Acho que o

grupo de um modo geral. Não quero citar nomes. Nós subesti-mamos e não deveríamos ter per-dido companheiros importantes como perdemos.

R N / E c o n ô m i c o — Quem, por e x e m p l o ?

Wilma Maia — Wanderley

Ma-riz, os companheiros que foram candidatos na época a Prefeito de Areia Branca e de Macau...

R N / E c o n ô m i c o — Um Go-verno que perde uma e l e i ç ã o por apenas IS mil v o t o s , a sra. não acha que e l e deu uma d e m o n s t r a ç ã o de i n c o m p e t ê n -c i a ?

Wilma Maia — Não foi isso.

Você sabe que todos os Governos perderam a eleição por uma grande margem de votos. Acho que foi justamente o contrário, nós conseguimos dar uma prova de competência perdendo por pouco, e tudo estava contra a gente. Veja a vitória arrasadora do PMDB no Ceará, na Paraíba, em Pernambuco, em todo o País.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. não acha que se o G o v e r n o t i v e s s e trabalhado um p o u q u i n h o mais a A l i a n ç a Popular teria f e i t o o G o v e r n a d o r ?

Wilma Maia — A gente não

pode fazer conjecturas em

políti-ca. É difícil. Fizemos o máximo.

R N / E c o n ô m i c o — Dona W i l -ma, a senhora g a s t o u m u i t o d i n h e i r o na campanha?

Wilma Maia — Gastei

poquís-simo, por isso posso explicar.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. p o de d i z e r de onde saiu o d i -n h e i r o de sua campa-nha?

Wilma Maia — Posso, t r a n q ü i

-lamente. Não tive a preocupação de compra de cabos eleitorais porque prestei serviços durante muitos e muitos anos, então o in-vestimento que deveria fazer já tinha feito há anos. Veja bem que a minha maior votação foi nas cidades grandes, onde o povo é independente e não se compra eleitor.

Em Natal tive 50.600 votos; em Mossoró, 16.870; em Caicó, com 3 mil votos; em Currais No-vos f u i a mais votada; Açu tive 5.804 votos. Todos foram vota-ções significativas e foram con-seguidas a custo zero. Agora o que eu gastei foi na parte publi-citária, mas você não via um out-door meu, um mini out-out-door. A minha propaganda era apenas um retrato meu que aproveitei da campanha de Prefeito.

A minha despesa maior foi com carro de som. Nós montamos al-guns carros de som, mas conse-guimos as Kombis de amigos nossos que nos emprestaram e colocamos o serviço de som em cima, que também conseguimos

com o apoio dos amigos.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. sa-be q u a n t o g a s t o u na campa-nha?

Wilma Maia — Olha, eu não

sei dizer exatamente quanto gas-tei porque não posso computar o valor das Kombis e do som que os amigos me emprestaram por-que não sei quanto custou. De-pois da campanha eu devolvi tu-do. Só para dar um exemplo: o Café Kimimo me deu dois carros de som e montou o restante, quer dizer, não sei quanto ele gastou. O que houve é que o investi-mento já tinha sido feito antes Enquanto os demais candidatos deixam para fazer o investimento na época da campanha, eu já tinha feito antes. Em Caicó eu não fui apoiada por nenhum chefe polí-tico e tive 3 mil votos e f u i mais votada do que o candidato do prefeito, de Iramí e dos chefes

políticos. Isso demonstra que a minha votação foi muito espon-tânea porque eu tinha serviços prestados em Caicó. Quantas ve-zes fui àquela cidade levando be-nefícios, implantando creches comunitárias, levando o Projeto Crescer.

O Secretário de Estado geral-mente está à f r e n t e da adminis-tração e ele realiza através de seus assessores, mas eu fazia questão de ir pessoalmente, de vê a localização do Projeto Crescer, saber das necessidades da popu-lação porque eu acreditava que a administração não se fazia dentro dos gabinetes com ar r e f r i g e -rado planejando diferente das necessidades do povo.

R N / E c o n ô m i c o — Dona W i l ma, o que é ser Deputada F e -deral?

Wilma Maia — Acredito que

ser Deputada Federal é exata-mente exercer uma função legis-lativa e elaborar leis que vão be-neficiar a população. Este ano nós temos uma dupla função: ser Deputada, preocupada com a

le-gislação ordinária e ser Deputada que vai elaborar a nova Consti-tuição do Brasil.

Antes f u i contra uma Consti-t u i n Consti-t e Congressual. Eu era a fa-vor de uma Constituinte Exclu-siva até porque eu sabia que o debate não ia se processar real-mente, como não se processou porque a campanha de Governa-dor foi mais -forte do que a dos constituintes.

Vivemos num

país muito

centralizador

R N / E c o n ô m i c o — Que p r o p o s t a s a sra. l e v a à C o n s t i -t u i n -t e ?

Wilma Maia — Levo várias

propostas que colhi exatamente no seio do povo. Não são idéias minhas, são idéias que colhi no meio da comunidade. Primeiro, me preocuparei com o problema da mulher, que ainda é muito discriminada. Vou lutar por uma legislação j u s t a e igualitária para a mulher, não só na Constituinte, mas você tem de se preocupar com as leis ordinárias e comple-mentares exatamente para

(10)

plinar e regulamentar o que ficou definido na Constituição.

Vou lutar pela reforma agrária porque considero da maior im-portância para o sistema econô-mico do País. A reforma agrária para o desenvolvimento econô-mico do País é muito importante e não pode acontecer se não hou-ver o desenvolvimento da agri-c u l t u r a e o desenvolvimento da a g r i c u l t u r a não pode passar sem uma reforma agrária, não apenas a distribuição da terra mas prin-cipalmente o crédito descompli-cado, que isso não existiu; o re-dimensionamento do papel da própria Sudene, que nunca se preocupou com a parte da agri-cultura. Há dois anos que a Sude-ne está com seu papel para ser definido e continua como um monstro, com uma s u p e r e s t r u t u -ra sem dar condições ao agricul-tor.

O PMDB fez uma campanha muito bonita com relação à re-forma agrária quando estava na oposição. Assumiu o poder e na-da saiu em termos concretos com relação à reforma agrária e nem dinheiro existe para a desapro-priação de terras. Acho que isso é uma questão de prioridade, se o PMDB considerasse que a re-forma agrária era prioritária no seu Governo, os recursos deve-riam estar disponíveis. O PMDB gasta muito dinheiro em coisas que não são prioritárias, como o reflorestamento, que geralmente são beneficiados os grandes pro-prietários. Há muita coisa feia a respeito do reflorestamento. Os recursos para reflorestamento não faltam, mas para a reforma agrária faltam. A reforma agrá-ria tem de vir com crédito des-complicado, com assistência téc-nica e com um amplo programa de comercialização para dar o preço j u s t o e, dessa forma, ter condições de povoar os campos.

R N / E c o n ô m i c o — O País c o n t i n u a sem saber a verdade sobre o r e f l o r e s t a m e n t o . A sra. sabe de a l g u m e s c â n d a l o a q u i n o E s t a d o ?

Wilma Maia — Eu sei que

existem realmente muitos escân-dalos e agora como Deputada Fe-deral, com um mandato nas mãos, vou t e r todas as condições de ve-r i f i c a ve-r isso de peve-rto.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. acha que a r e f o r m a agrária é

p r i o r i t á r i a ?

Wilma Maia — A reforma

agrária é uma questão de priori-dade porque o Governo tem de d e f i n i r as suas prioridades e t r a -balhar em cima dessas priorida-des. Será que a prioridade é o assistencialismo ou a promoção humana? Nós temos de nos preo-cupar com o social, mas no senti-do de promover o homem e não de dar esmolas. Hoje nós temos 60% da população na zona urba-na. Por que? Porque houve um êxodo rural acelerado, além dos problemas que aconteceram no Nordeste com cinco anos de seca, houve também o problema da fal-ta de assistência ao homem do campo. Isso porque nós vivemos

num País centralizador, onde to-das as decisões vêm de Brasília.

R N / E c o n ô m i c o — O poder c e n t r a l i z a d o r é m u i t o do p o v o l a t i n o . O saxão americano não tem i s s o não. O G o v e r n o f a z o m í n i m o e dá toda liberdade à i n i c i a t i v a privada para que e l a cumpra com o seu p a p e l , daí o p r o g r e s s o d e l e s .

Wilma Maia — Veja aí a

situa-ção dos Estados e Municípios que não têm autonomia nem adminis-t r a adminis-t i v a nem financeira para re-solver os seus problemas.

Me preocupo

muito com

a educação

R N / E c o n ô m i c o — N ó s c r i a mos um G o v e r n o i m e n s o , p o -d e r o s o e hoje e s s e G o v e r n o e s t á c o n t r a a g e n t e . . .

Wilma Maia — O que existe

é uma contradição. No Brasil nós temos uma população pobre e mi-serável, enquanto nós temos um Governo rico e poderoso que tu-do pode e tutu-do faz. Nós conti-nuamos a viver um momento de autoritarismo; vivemos numa pseuda Nova República com um Governo altamente autoritário. Aquilo que era combatido pelo PMDB, como o decreto-lei, que era chamado de lixo autoritário, continua do mesmo jeito, tudo sendo feito de uma forma autoritária e sem nenhuma t r a n s f o r -mação.

R N / E c o n ô m i c o — Dona W i l -ma, o que d e v e ser f e i t o para

acabar com e s s e poder t o d o do G o v e r n o ?

Wilma Maia — Primeiro temos

que dar poder ao Legislativo. Hoje o Legislativo não tem poder que deveria ter; depois a gente devia fazer uma reforma tributá-ria para dar mais apoio aos Esta-dos e Municípios. No Nordeste, por exemplo, temos muita rique-za, e uma infinidade de impostos que são arrecadados para a Na-ção, e nós, que não somos um Es-tado produtor, somos prejudica-dos por conta do ICM.

Sou a favor de uma reforma tributária, que deve ser estudada

pelos especialistas porque, na verdade, terá Município que não sobreviverá porque não tem ren-da nenhuma.

R N / E c o n ô m i c o — A D e p u t a da Wilma Maia é P r e s i d e n c i a -l i s t a , P a r -l a m e n t a -l i s t a ou teria uma outra forma de Governo? Wilma Maia — Sou

Presiden-cialista, agora estudo a possibili-dade de um sistema híbrido, onde a gente possa fazer com que a

forma de Governo seja entre o Parlamentarismo e o Presiden-cialismo, agora isso necessita de estudos e o que foi proposto pela Comissão Afonso Arinos precisa ser bem revisto. O momento atual brasileiro cabe bem o Presiden-cialismo.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. c o -nhece o trabalho da C o m i s s ã o A f o n s o A r i n o ?

Wilma Maia — Conheço, sim.

Dois jornais do Sul divulgaram o texto na íntegra. Agora acho que o trabalho precisa ser bem divulgado para que o povo tome conhecimento, para que o povo discuta as suas propostas, mas as coisas acontecem nesse País de uma forma muito estanque.

R N / E c o n ô m i c o — A i m p r e s são que se tem é que o G o v e r -no e s t á p r e o c u p a d o em f a z e r uma C o n s t i t u i ç ã o que d e f e n -da os s e u s i n t e r e s s e s e não os i n t e r e s s e s do p o v o .

Wilma Maia — É. Agora o que

eu tenho me preocupado muito é com relação à educação. Sou a

favor da educação pública e gra-tuita em todos os níveis, a come-çar pelo pré-escolar, que a Cons-tituição não prevê. Precisamos

fazer com que nesse País se dê prioridade ao social e que os re-cursos sejam definidos para a educação. Existe a Emenda

(11)

mon que destina 13% do orça-mento da Nação para a educação e 25% dos orçamentos dos Esta-dos e Municípios e a gente sabe que isso não é possível.

O grande investimento desse País é na educação. Precisamos mudar também a concepção de educação, que não deve ser ape-nas uma transmissora de conhe-cimentos. Ela deve procurar for-mar o cidadão para que ele tenha uma consciência crítica do que deve fazer, porque ele deve ser mesmo o sujeito da história. De-ve cobrar os seus direitos e saber quais são os seus deveres. Então a p a r t i r desse princípio, sou fa-vorável a que a gente possa fazer com que a criança manuseie a Constituição para conhecer os

seus direitos.

Devemos formar nossas crian-ças para que ela saiba o que é a Constituição, o que contém,

pa-ra que ela seja cumprida. Veja o problema dos lucros nas em-presas, que foi estabelecido des-de a Constituição des-de 46, mas isso nunca foi regulamentado. Então não adianta a gente estar discu-tindo a Constituição, que vai ser maravilhosa, progressista, etc, etc, mas que não se cumpra.

A Constituinte

não é

uma panacéia

R N / E c o n ô m i c o — A sra não acha que i s s o decorre do baixo n í v e l c u l t u r a l d o p o v o ?

Wilma Maia — Mas é isso que

estou falando. O problema come-ça a partir da formação do povo. Você não vai ensinar a uma criança repetir números, repetir

palavras; você tem de ensinar a criança a saber que está num de-terminado espaço físico, a fazer com que ela tenha uma consciên-cia crítica para exatamente co-brar o que lhe pertence, o que a sociedade lhe deve.

R N / E c o n ô m i c o — Que a n á -l i s e a sra. f a z da p r o p o s t a de P a c t o S o c i a l que o G o v e r n o e s t á q u e r e n d o f a z e r à sua ma-neira?

Wilma Maia — Acho que é uma

reforma autoritária. O Pacto So-cial foi proposto antes de Tan-credo Neves assumir já para

apa-ziguar os ânimos da sociedade com relação à classe trabalhado-ra, à classe empresarial e ao pró-prio Governo. O Pacto acabou a partir do lançamento do Plano Cruzado, quando a gente pensou que qstava vivendo as mil mara-vilhas. De repente o Governo lança o Cruzado II sem nenhuma explicação ao povo, que estava vivendo momento de ilusão. Não vou discutir se as medidas corre-tivas eram necessárias, mas dis-cordo da forma como elas foram lançadas.

O povo demonstrou que está se organizando a partir do mo-mento que decretou uma greve geral no País, apesar de não se t e r tido acesso aos meios de co-municação. O povo não tem tra-dição de greve e em apenas t r ê s semanas preparou a greve. Ainda com relação ao Pacto Social, o po-vo não aceita que ele seja feito de forma unilateral porque o Go-verno precisa também dar sua parcela de colaboração. Nós te-mos dois grandes problemas no País, que são a dívida externa e déficit público, então o Governo devia dar o exemplo. Durante es-ses nove mees-ses do Cruzado, o próprio Governo deu o mal exemplo do consumismo.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. tem ainda alguma outra p r o p o s t a para l e v a r à C o n s t i t u i n t e ?

Wilma Maia — Nós vamos t r a

-balhar em cima das idéias e prin-cípios. Depois da C o n s t i t u i n t e é que nós vamos trabalhar em cima das leis que vão regulamentar es-ses princípios, que são as leis or-dinárias e complementares. Aí eu vou me preocupar com o proble-ma da aposentadoria, que é serís-simo. Uma pessoa se aposenta hoje e vai ganhar 40% a menos do seu salário, quando na reali-dade ela precisa ganhar mais; va-mos cuidar do problema da apo-sentadoria do homem da zona ru-ral, que é a metade de um salário mínimo; vou me preocupar com o problema do deficiente, para que o Governo dê educação para essas crianças que nascem com deficiências.

R N / E c o n ô m i c o — Dona W i l ma, a sra. não acha que de r e p e n t e a C o n s t i t u i n t e se t r a n s -f o r m o u na grande panacéia n a c i o n a l ?

Wilma Maia — Se t r a n s f o r

-mou, sim. Se acha que a Consti-t u i n Consti-t e vai resolver Consti-todos os ma-les do País. Hoje existem deter-minadas leis que não foram cum-pridas, então não adianta você fazer uma Constituição tendo tudo o que você gostaria que ti-vesse e que não se coloca em prá-tica.

A Constituinte não é uma pa-nacéia para resolver todos os ma-les. Ela tem de ser enxuta e que possa d e f i n i r os princípios ge-rais. Nós deveremos, após a pro-mulgação da Constituição, fazer com que todo o povo brasileiro tenha uma consciência da impor-tância de se cumprir com aquela lei, e se d e f i n i r a partir da lei maior, as leis ordinárias e com-plementares. Para isso é impor-tante, não só a conscientização do povo, mas que os deputados tenham ciência da sua responsa-bilidade.

Geraldo ganhou

porque foi

muito competente

R N / E c o n ô m i c o — A partir do dia 15 de março qual será o p o s i c i o n a m e n t o da D e p u t a -da Wilma Maia com r e l a ç ã o ao G o v e r n o do E s t a d o ?

Wilma Maia — Naturalmente

que serei adversária do Governo. Vou fazer oposição, não será sis-temática. Será uma oposição coe-rente e construtiva no sentido de aplaudir na hora que for preciso, como também vou cobrar na hora que achar que devo assim fazer. Não pode haver democracia sem uma oposição responsável.

R N / E c o n ô m i c o — O que a sra e s p e r a do G o v e r n o G e r a l -do Melo?

Wilma Maia — Bem, Geraldo

Melo é um homem que viveu uma parte de sua vida como empre-sário, preocupado muito mais com os problemas pessoais. Es-pero que ele faça um Governo dirigido para todos os n o r t e r i o -grandenses, e acredito que ele não fará um Governo radical. Ele já disse, e nós vamos cobrar isso, que não vai usar os mesmos mé-todos de Aluízio Alves, de perse-guição. Disse que vai ver os nor-t e - r i o g r a n d e n s e s como um nor-todo e vai precisar do apoio do povo,

(12)

SUPER FEIR AO DE

PISOS E AZULEJOS

J O C A . Q U E H Á M U I T O T E M P O P R E C I S A V A R E F O R M A R S U A C A S A . C O N T O U A S A C I E . . N Ã O SEI N Ã O ESSE N E G Ó C I O D E F E I -R A O T E M M U I T A L O J A POR A Q U I . E U V O U E PRO A R M Á Z E M L Á D A ^^ESQUINA. Q U E L E G A L , V A M O S JÁ P / O F E I R Ã O D A S A C I ! T U D O PELOS M E L H O R E S P R E Ç O S . . . E Q U E A T E N D I M E N T O ! D E P O I S D E E S P E R A R U M T E M P Ã O P / S E R A T E N D I D O . . . U M T E M P Ã O PI E X P L I C A R . . . M O Ç O , J Á E X P L I Q U E I C E M V E Z E S , PRÁ C O Z I N H A , C E R Â M I C A V I T R I F I C A D A , N O C H A O , E A Z U L E J O S N A P A R E D E . I ^ V H I — Í N Ã O M O Ç O , O 1 M E L H O R E M A D E I R A NO C H Ã O . E O SR. T E M S O R T E , E S T A E M P R O M O Ç Ã O N A L O J A . M U I T A S H O R A S D E P O I S , J Á N A 2 0 ? L O J A C L A R O D O U T O R . N A NOSSA L O J A O C L I E N T E M A N D A , E O O R Ç A M E N T O É G R Á T I S , V E J A M O S : Á R E A D A C O Z I N H A 3 x 4 = 11? O U 4 x 3 = 15? J O C A E S T A V A M A L U C O D E R A I V A . . . N O S L U G A R E S E M Q U E F O I E N C O N T R O U : • M A U A T E N P I M E N T O , P R E Ç O S A L T O S , I N C O M P E T Ê N C I A , B A G U N Ç A , M A T E R I A I S D E B A I X A Q U A L I D A D E . .. [ A T é Q D 0 v 0 c é v A | SER C A B E Ç A D U R A ? O F E I R Ã O D A 5 0 % D E A B A T I M E N T O NO P R E Ç O D E PISOS E A Z U L E J O S . O A T E N D I M E N T O fflS N A S A C I É E S P E C I A L I Z A D O E O M A T E R I A L , D E A L T O N Í V E L E . . . E N F I M , O F I N A L F E L I Z C H E G O U N E S T A H I S T Ó R I A . . . | pU X A p Q f l Q U E E U N Ã O V I M A N T E S N A S A C I ? ÉTUDO O R G A N I Z A D O M E S M O , E O L E G A L É Q U E T E M O U T R A S P R O M O Ç Õ E S A L É M DO F E I R Ã O . V O U JÁ C O M P R A R T U D I N H O A Q U I ! C O L O Q U E N A S U A C O N S T R U Ç Ã O O U R E F O R M A U M F I N A L F E L I Z . C O M P R E N A S A C I ! S A C I O N D E N A T A L C O M P R A ! R G U R G E L L T D A . ^ S MATERIAL DC CONSTRUÇÃO

Rua Pte. Bandeira, 828 - Tela.: 223-3628/3627/3828

Av. Rio Branco, 204 — Ribeira

NATAL-RN

até porque ele ganhou uma elei-ção com uma pequena maioria de votos.

R N / E c o n õ m i c o — Dona W i l ma, a sra. acha que num E s t a do que tem uma p o l í t i c a b i p o -l a r i z a d a , a -l g u é m pode f a z e r um G o v e r n o c o n t r a r i a n d o os i n t e r e s s e s dos Maia e d o s A l -v e s ?

Wilma Maia — E possível. R N / E c o n ô m i c o — C o m o ? Wilma Maia — Geraldo Melo

ganhou a eleição muito pela sua competência dentro do PMDB. Ele aproveitou muito bem as te-ses do PMDB. Foi ele quem fez isso e vai ter muita liberdade pa-ra governar. Acho que ele fará um trabalho muito mais provei-toso sem representantes da famí-lia Alves. Geraldo vai governar independente de grupos familia-res, embora eu conhecendo como conheço Aluízio Alves, sei que Geraldo terá muita dificuldade de governar. Ele terá dificuldade para contornar a intromissão da família Alves, pois sei que Aluí-zio Alves vai exigir participar do secretariado.

R N / E c o n ô m i c o — Os Maia v ã o p l e i t e a r uma p a r t i c i p a ç ã o n o G o v e r n o ?

Wilma Maia — Os Maia vão

pleitear tudo aquilo que foi pro-metido para o povo do Rio Gran-de do Norte, é uma forma Gran-de fa-zer democracia, uma oposição com responsabilidade. Eu pes-soalmente farei isso. Estou fa-lando no nome de Wilma e não dos Maia.

R n / E c o n ô m i c o — A D e p u t a da Wilma Maia a g e i n d e p e n -dente da v o n t a d e p o l í t i c a d o g r u p o Maia?

Wilma Maia — Não é

propria-mente independente do sistema político. Eu tenho o meu grupo político e tenho de me aliar a ele, para que aja unidade.

R N / E c o n ô m i c o — O que a sra. acha d o G o v e r n o S a r n e y ?

Wilma Maia - O Governo

Sarney tem tido altos e baixos. Acho que é um Governo autori-tário e que n ã o - e n t e r r o u ainda o lixo a u t o r i t á r i o que ele próprio fala. É um Governo que não tem uma definição exata da política econômica e que não acabou com a impunidade nem o assistencia-lismo.

Os próprios ministros da área

econômica estão perdidos. Se no ano passado nós pensávamos através de uma ilusão muito grande que veio através de in-formações do próprio Governo, que nós teríamos uma inflação zero, este ano nós estamos cami-nhando para uma inflação de 200 a 300 por cento, com uma taxa de j u r o altíssima. O próprio PMDB não quer assumir o poder, o que fez quando tava tudo bem com o Plano Cruzado. No próprio Rio Grande do Norte o PMDB não fala nada sobre a situação econô-mica do País, não explica nada ao povo. Não há condição alguma de uma família viver com esse salário- mínimo.

R N / E c o n õ m i c o — O que é que a sra. acha d o papel do PFL n o G o v e r n o S a r n e y ? O que é que o PFL e s t á f a z e n d o m e s m o d e n t r o d e s s e quadro p o l í t i c o ?

Wilma Maia - O PFL foi o

partido que realmente fez o PMDB estar no poder. Foi uma dissidência do PDS que apoiou o PMDB, mas o partido não tem recebido o tratamento que deve-ria, ele está sempre em desvan-tagem.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. acha que f o i i n c o m p e t ê n c i a p o l í t i c a ?

Wilma Maia — Não. Acho que

não houve lealdade em relação à definição do PFL dentro do Go-verno. O próprio PFL está re-vendo a sua posição a nível na-cional, mas eu não posso f a l a r e m nome do PFL porque sou do PDS. Existe hoje uma coisa incrível: o Ministro Marco Maciel já foi colocado para fora do Governo pelo PMDB diversas vezes. É uma falta de respeito a quem contribuiu para a formação desse Governo.

R N / E c o n ô m i c o — Dona Wil ma, o seu p a r t i d o e s t á se e s -m i l i n g u i n d o . O Senador Mu-r i l o BadaMu-ró já abandonou o barco, o Senador Jarbas P a s -s a r i n h o a -s -s u m i u a p r e -s i d ê n c i a d o PDS i n t e r i n a m e n t e . . .

Wilma Maia — Eu

pessoal-mente posso falar sobre o PDS. Entrei no partido depois que ele deixou de ser Governo. Entrei no PDS sabendo que estávamos prestes a ter uma reforma parti-dária. Acredito que depois da C o n s t i t u i n t e e mesmo durante a

(13)

instalação dos trabalhos da As-sembléia Nacional Constituinte nós não vamos nos reunir em tor-no de partidos, mas em tortor-no de idéias, de compromissos assumi-dos. Isso vai mostrar que o PMDB não é mais um partido, é uma f r e n t e onde se acomoda todo mundo, que quer ficar perto do Governo, que é forte, centrali-zador e todo poderoso.

Na hora em que forem criadas as comissões não vai funcionar em torno de partidos, mas em torno de idéias, em torno de com-promissos assumidos. Eu já con-versei com alguns amigos que se elegeram pelo PDS. Na hora em que se instalar a Assembléia Na-cional Constituinte os partidos vão acabar e cada um vai atuar de acordo com suas idéias e seus compromissos. Com a Constituinte acredito que haja a r e f o r -mulação partidária e aí eu vou tomar meu rumo. Devo me aco-modar numa sigla que esteja comprometida com as idéias e com meus compromissos políti-cos.

Garibaldi é

um prefeito

politiqueiro

R N / E c o n ô m i c o — Essa d e f i n i ç ã o de rumos i n c l u i a a p r o -ximação com algum o u t r o g r u p o p o l í t i c o d o R i o Grande do N o r t e ?

Wilma Maia —

Especifica-mente não tem nada definido. Não podemos fazer conjecturas em política, porque é muito dinâ-mica. Você está pensando uma coisa e de repente há uma

revira-volta nacional que lhe obriga a rever posições. Digo muito que o político, com pê maiúsculo tem que ser coerente e ter coragem de tomar uma decisão na hora certa, então quero tomar minha decisão na hora certa durante a reformulação dos partidos e que-ro ser coerente com os princípios que tenho levantado em cima dos palanques e nas praças públicas e durante os cargos públicos que exerci.

R N / E c o n ô m i c o — Deputada Wilma Maia, de 0 a 10, que n o -ta a sra. daria à a d m i n i s t r a ç ã o do P r e f e i t o Garibaldi A l v e s ?

Wilma Maia — Eu daria uma

nota baixa, pelo seguinte: ele disse que faria mudanças, propôs ao povo de Natal mudanças e es-sas mudanças não aconteceram. Não vou analisar a administração de Garibaldi pelas ruas que ele está calçando porque isso é uma coisa corriqueira que todo admi-nistrador faz. O que vou avaliar é o método que ele está usando para administrar.

Garibaldi disse que daria prio-ridade à educação e eu não vejo a prioridade que ele está dando à educação, o que fez foi mandar c o n s t r u i r uma fábrica de

pré-moldados que ele disse que era para construção de escolas, mas o que eu vejo é que essa fábrica vai provocar mais desemprego na área de construção. O ideal é que fosse feito com tijolos, para aproveitar a produção das cerâ-micas que têm no Estado.

O Prefeito não deu prioridade à educação porque as escolas mu-nicipais que conheço estão em péssimas condições; a situação da educação no município é pre-caríssima. Garibaldi disse que ia dar prioridade à saúde, que daria condições melhores ao

pronto-socorro, que era obrigação da Prefeitura, mas até hoje não vi nenhuma ajuda da P r e f e i t u r a ao pronto-socorro do Hospital Wal-fredo Gurgel. Além disso, o Pre-feito acabou com o projeto " E m Casa Também se Aprende a Ler" porque não estava dentro da filo-sofia dele. Acho que deveria ter dado uma outra orientação peda-gógica ao projeto, mas não pode-ria nunca ter acabado com o pro-jeto, que oferecia vagas às crian-ças que estão fora da escola.

Uma outra coisa que Garibaldi tanto combateu foi a política de emprego. Cadê a política de em-prego da P r e f e i t u r a ? E bem ver-dade que o emprego depende muito da política econômica do País. O que está sendo feito na P r e f e i t u r a é muito assistencia-lismo; ele passou o tempo todo dizendo que eu tinha feito uma política assistencialista e ele está fazendo somente, e exclusiva-mente, uma política assistencia-lista na Prefeitura.

R N / E c o n ô m i c o — E n t ã o a Deputada não tem uma obra s e q u e r do P r e f e i t o em b e n e f í -c i o da -cidade para -c i t a r ?

Wilma Maia — O que ele tem

feito é exatamente a política do café com leite, é uma adminis-tração feijão com arroz, como se diz na gíria. Ele está calçando ruas, andando pela cidade e pro-curando fazer festas populares como uma maneira de ficar mais popular. Está muito preocupado com a política e pouco com a ad-ministração e quase nada com a promoção do homem, que é isso que nos interessa.

R N / E c o n ô m i c o — Quer d i zer que é um P r e f e i t o f e s t e i -ro?

Wilma Maia — É um Prefeito

politiqueiro!

Os Maias se

elegeram porque

têm serviços

R N / E c o n ô m i c o — Mas, e n -f i m , qual é a nota que a sra. dá ao P r e f e i t o ?

Wilma Maia — Eu não gosto

de dar zero, dou uma nota abaixo de 5. (Risos).

R N / E c o n ô m i c o — Dona W i l -ma, o que r e p r e s e n t a para a sra. o p e s o de 143 mil v o t o s ?

Wilma Maia — Para mim

re-presenta muito porque é a res-ponsabilidade de todos os consti-t u i n consti-t e s eleiconsti-tos é uma só, mas es-tou mais preocupada porque fo-ram 143 mil pessoas que confia-ram em mim o seu voto. Então eu tenho que merecer essa

con-fiança através do trabalho e da ação que eu possa desenvolver na Constituinte e no Congresso Na-cional. Vou lutar para isso e lutar para que o povo sempre tenha co-nhecimento daquilo que estou fazendo no Congresso.

Essa história do deputado fi-car longe do Estado durante qua-tro anos não vai acontecer comi-go não, vou fazer um e s f o r ç o so-bre-humano para estar sempre presente aqui participando das organizações comunitárias, dos órgãos de classe e dos sindicatos, exatamente para estar sendo abastecida de informações

da-quilo que o povo deseja.

R N / E c o n ô m i c o — O v e l h o c a c i q u e A l u í z i o A l v e s e l e g e u

s e i s f a m i l i a r e s e a f a m í l i a Maia t r ê s . . .

Wilma Maia — A família Maia

(14)

elegeu três pessoas e cada uma tem um espaço político diferen-te. A família Alves elegeu seis, mas você nunca viu, por exemplo, Ismael Wanderley atuando na po-lítica do Rio Grande do Norte. Foi eleito somente porque é casa-do com uma filha de Aluízio Al-ves; você viu se eleger José Dias que também nunca atuou na polí-tica, porque é cunhado de Aluízio Alves; você viu Tata Alves se eleger, um garoto que nunca se preocupou em defender interes-ses da população e se elegeu por-que é filho de Agnelo Alves e sobrinho de Aluízio.

Wilma, Lavoisier e José Agri-pino se elegeram porque têm ser-viços prestados ao Rio Grande do Norte. Eu não me elegi porque sou casada com Lavoisier e La-voisier não se elegeu porque é parente de José Agripino, nem Jósé A g r i p i n o se elegeu porque é parente de Lavoisier. Cada um tem serviços prestados ao Esta-do. R N / E c o n õ m i c o — E x i s t e r e a l m e n t e uma briga e n t r e L a v o i s i e r e J o s é A g r i p i n o p a -ra d e t e r a h e g e m o n i a p o l í t i c a Maia no E s t a d o ?

Wilma Maia — Não existe. São

apenas especulações. Cada um foi Governador, tem seu espaço po-lítico conquistado, cada um é lí-der. Lavoisier tem sua liderança e José A g r i p i n o também. É dife-rente da família Alves, que só existe um chefe e todos obede-cem.

Na família Maia cada um con-quistou o seu espaço através de trabalho e de serviços prestados ao povo. Lavoisier tem seu estilo. O que existe é que as pessoas que preferem o estilo de Lavoisier o consideram seu líder; e as pes-soas que p r e f e r e m o estilo de Jo-sé A g r i p i n o o consideram o seu líder, então isso fica criando um problema e gerando essa especu-lação. R N / E c o n ô m i c o — O R i o Grande d o N o r t e é uma c a p i -tania h e r e d i t á r i a onde s ó d u a s f a m í l i a s têm v e z : o s Maia e os A l v e s . Quando s u r g e n o c e n á r i o p o l í t i c o do E s t a d o a l g u m a s n o v a s e x p r e s s õ e s , p o s -s í v e i -s l i d e r a n ç a -s , o-s M a i a e o -s A l v e s tratam de anular n o e m -brião a n t e s que e s s a s n o v a s l i d e r a n ç a s ameacem os d i g n a -t á r i o s da c a p i -t a n i a . Qual a sua o p i n i ã o sobre o a s s u n t o ? Wilma Maia — O Rio Grande

do Norte é um Estado pequeno onde existem grandes famílias que monopolizam a política. Mas isso não acontece somente aqui.

R N / E c o n õ m i c o — Em São P a u l o não a c o n t e c e i s s o .

Wilma Maia — Exatamente

pela grandiosidade. O que acon-tece no Rio Grande do Norte é que as famílias são grandes, o Estado pequeno e a população pequena. Existe uma tradição das famílias entrarem na vida públi-ca... Mas você veja bem. Vamos analisar com relação às famílias. A família Maia teve t r ê s gover-nadores no poder.

R N / E c o n ô m i c o — Mas a sra. acha p o u c o ?

Wilma Maia Ninguém foi

can-didato só porque era parente de Lavoisier. Eu não acho pouco, claro que não acho, mas veja que José Agripino foi eleito por via direta.

João Faustino

era o

melhor candidato

R N / E c o n õ m i c o — E x i s t e uma l e n d a aqui que é a s e -g u i n t e : quem nasce n o b e r ç o de uma das duas f a m í l i a s — Maia e A l v e s — não passa f o -me. Se não der pra nada, não tem p r o b l e m a , porque já tem a s s e g u r a d o na teta d o E s t a d o um p e i t i n h o pra mamar. E s s e r o d í z i o n o poder e n t r e as duas f a m í l i a s vai durar por m u i t o t e m p o ou a sra. a c r e d i t a que i s s o vai acabar?

Wilma Maia — Acredito que

a história da família não vai pre-valecer. O que vai prevalecer são as propostas, os compromissos assumidos. A cada dia nós temos condições de ver as coisas muda-rem. O que pode haver é coinci-dência em relação às famílias que estão no poder a nível de eleição majoritária. A nível de eleição proporcional concordo com você, de que pela influência política que a família exerce, realmente tem possibilidade de ficar um número muito maior de família no poder.

R N / E c o n õ m i c o — E n t ã o a sra. não acha i s s o j u s t o ?

Wilma Maia — Não é que não

ache justo. Acho que deve ficar no poder quem tem serviços prestados e quem pode realizar em benefício do povo. Não por-que é filho de fulano de tal por-que terá condição de assumir o poder.

Agora, com relação aos Maia e os Alves você tem de concordar comigo de que os Maia têm servi-ços prestados, e os Alves não têm.

R N / E c o n ô m i c o — A D e p u t a -da Wilma Maia a d m i t e de n o v o d i s p u t a r a P r e f e i t u r a de Natal já nas p r ó x i m a s e l e i ç õ e s ?

Wilma Maia — Em política a

gente nunca pode dizer que as coisas são impossíveis de aconte-cer. A gente não pode dizer isso. Não pretendo me candidatar por-que pretendo honrar o mandato que o povo me concedeu. Inicial-mente a minha idéia é essa, mas como política é dinâmica e a gen-te nunca pode prever o f u t u r o e em 88 vamos ter eleições... vou aguardar o desenrolar dos fatos. Só lhe digo uma coisa: não vou ficar distante dos fatos que acontecem na P r e f e i t u r a de Na-tal. Posso não ser candidata, mas não vou ficar distante porque existe um compromisso muito sério com o povo de Natal e dele não me a f a s t o um só minuto.

R N / E c o n ô m i c o — De que maneira a sra. vai f a z e r o p o -s i ç ã o ao P r e f e i t o Garibaldi A l v e s morando em B r a s í l i a ?

Wilma Maia — Vou fazer

opo-sição a ele tranqüilamente, por-que sempre por-que possível estarei em Natal. Já me comprometi de vir a Natal três vezes por mês. Além disso vou contar com a co-laboração dos meus amigos, os lí-deres comunitários, os deputados estaduais e os vereadores, os candidatos que não conseguiram

se eleger... R N / E c o n ô m i c o — Se d i z i a na campanha que os e x G o -v e r n a d o r e s L a -v o i s i e r Maia e J o s é A g r i p i n o eram os g r a n des m o t o r e s que i m p u l s i o n a riam a c a n d i d a t u r a do D e p u -tado João F a u s t i n o . Quando se abriram as u r n a s , o D e p u t a d o João F a u s t i n o t e v e mais v o t o s do que os d o i s m o t o r e s . A sra. acha que f a l t o u e m p e n h o u de L a v o i s i e r e J o s é A g r i p i n o ?

Wilma Maia — Não foi

exata-mente isso. Disse desde o início que João Faustino era o melhor candidato que nós tínhamos, ele

(15)

tinha respaldo popular. Ele foi ajudado pelos companheiros, en-tre os quais Lavoisier Maia e José Agripino. Agora Lavoisier e José Agripino tiveram menos votos do que João porque a eleição de Governador sempre foi a mais importante, além do mais a chapa era muito difícil. A localização

dos nomes de Lavoisier e José era muito difícil e muitos prefei-tos não ensinaram aos eleitores como votar para Senador.

A preocupação maior de La-voisier e José foi com a eleição de João Faustino, porque eles, pelas pesquisas, já estavam elei-tos. E tem uma coisa: existe na população uma grande margem de semi-analfabetos e analfabe-tos. Como a gente não queria perder o voto do analfabeto, se ensinava a votar só para Gover-nador

Ninguém é

herdeiro político

de Dinarte

R N / E c o n õ m i c o — A D e p u t a -da Wilma Maia se c o n s i d e r a herdeira p o l í t i c a d o f a l e c i d o Senador D i n a r t e Mariz?

Wilma Maia — Não. Acho que

ninguém é herdeiro político de Dinarte Mariz. Ele foi um grande político, um grande líder que não deixou herdeiros. Deixou amigos que pensavam como ele e que lu-tavam como ele.

R N / E c o n ô m i c o — O Senador D i n a r t e Mariz f o i o g r a n d e l í -der p o l í t i c o d e s s e E s t a d o . Quem a sra. apontaria c o m o o grande l í d e r hoje?

Wilma Maia — Nós temos José

Agripino, João Faustino, Lavoi-sier Maia, os próprios deputados federais que se elegeram.

R N / E c o n ô m i c o — E do o u t r o lado?

Wilma Maia — Do outro lado

nós temos Aluízio Alves, Geral-do Melo, Garibaldi Filho...

R N / E c o n ô m i c o — O E s t a d o e s t á c h e i o de l í d e r e s , mas a p e r g u n t a que f i z e m o s f o i qual o grande o l í d e r que a sra. apontaria hoje no E s t a d o ?

Wilma Maia — A gente só

po-de achar a pessoa um lípo-der po-depois de um certo tempo de vivência política. A maior parte das

pes-soas que falei está iniciando ago-ra a sua vida política. Garibaldi nunca saiu do Estado, José Agri-pino vai sair agora para o Senado Federal e Dinarte Mariz tinha anos e anos de militância políti-ca, uma hora no Governo e outra na oposição. Mas se eu tivesse de escolher, escolheria José Agripino.

R N / E c o n ô m i c o — C o m o a sra. e x p l i c a a derrota de Wan-d e r l e y Mariz para o SenaWan-do?

Wilma Maia — Wanderley

perdeu a eleição porque quando tomou uma decisão não consultou o povo e o povo não perdoa nem a incoerência nem a participação. Se eu tivesse de mudar de parti-do, antes faria uma consulta aos meus amigos e correligionários para saber se eles concordariam. O líder não pode tomar uma deci-são sem a participação dos seus liderados, então o que aconteceu com Wanderley foi que ele pas-sou muito tempo desligado dos problemas políticos do Estado e na hora que tomou uma decisão importante ele não consultou o povo, principalmente do Seridó.

Ele tentou se eleger em cima da força do PMDB, mas acontece que o povo não o aceitava como PMDB. Tanto que ele foi o quarto mais votado. Se esperava que a força que ele tinha fosse pelo menos o terceiro. Agora isso não retira as qualidades pessoais de-le, é uma pessoa amiga, uma pes-soa que gosta de servir. Infeliz-mente as vezes a gente erra poli-ticamente e esse foi um erro dele.

R N / E c o n ô m i c o — A sra. acha que o M i n i s t r o A l u í z i o

A l v e s c o n s e g u i u , f i n a l m e n t e , se v i n g a r d o v e l h o Senador Dinarte Mariz?

Wilma Maia — Acho que ele

conseguiu realmente, porque ele prometeu a Wanderley Mariz que ele seria eleito. No final Wander-ley foi o quarto lugar na votação e se o PMDB tivesse elegido um Senador não seria Wanderley. Não houve empenho da família Alves nem do PMDB para que Wanderley fosse Senador.

R N / E c o n õ m i c o — Como é que a f a m í l i a Maia vai passar debaixo da l i d e r a n ç a do M i -n i s t r o A l u í z i o A l v e s , p e l o menos a t é o t é r m i n o do mand a t o mando P r e s i mand e n t e J o s é S a r -n e y , com a f o r ç a e o p r e s t í g i o que o dr. A l u í z i o tem? Wilma Maia — Isso não é

pro-blema. A nível de Rio Grande do Norte, nós somos unidos. Faze-mos uma divisão a nível de PFL porque José Agripino faz parte do Governo, nós do PDS somos desvinculados. Não há a menor dificuldade para se sobreviver politicamente na oposição, vou ser tão importante quanto aque-les que estão no poder; não sinto o menor medo de ser oposição.

R N / E c o n ô m i c o — Que aná-l i s e a sra. faria d o R i o Grande do Norte que p a s s o u 12 anos sob o c o m a n d o da f a m í l i a Maia? O E s t a d o saiu g a n h a n -do ou as perdas foram maio-res?

Wilma Maia — O Estado teve

muitas dificuldades nesses 12 anos porque participou de um Governo Federal que centralizou realmente o poder. Tudo era de-finido a nível de Governo Fede-ral, até hoje é assim, não mudou nada em termos administrativos. Geraldo Melo vai ter muita d i f i -culdade para governar.

Eu participei do Governo de José Agripino como Secretária e

vi isso, as dificuldades que a gente tinha com o orçamento pa-ra desenvolver os progpa-ramas que estavam planejados a nível técni-co. A gente sempre tinha de re-correr ao Governo Federal para liberar verbas. Então nesses 12 anos de Governo muita coisa foi realizada. É bem verdade que muitas outras deixaram de ser realizadas exatamente pelas d i f i -culdades da c o n j u n t u r a e da es-t r u es-t u r a . Nós es-tivemos muies-tas di-ficuldades para realizar determi-nados programas exatamente em

função da conjuntura.

0 Governo Maia

deixou saldo

positivo para RN

R N / E c o n ô m i c o — E n t ã o a sra. acha que o s a l d o f o i p o -s i t i v o ?

Wilma Maia — Foi altamente

positivo. Muita coisa de bom foi feito em benefício do povo. Na área dos t r a n s p o r t e s foram mais de t r ê s mil quilômetros de estra-das asfaltaestra-das; na parte de ele-t r i f i c a ç ã o foi feiele-ta muiele-ta coisa;

Referências

Documentos relacionados

O objetivo deste artigo é mensurar as probabilidades de admissão e desligamento no mercado de trabalho brasileiro ao longo do tempo, e avaliar a contribuição de cada uma delas para

Os instrutores tiveram oportunidade de interagir com os vídeos, e a apreciação que recolhemos foi sobretudo sobre a percepção da utilidade que estes atribuem aos vídeos, bem como

O relatório encontra-se dividido em 4 secções: a introdução, onde são explicitados os objetivos gerais; o corpo de trabalho, que consiste numa descrição sumária das

Em que pese ausência de perícia médica judicial, cabe frisar que o julgador não está adstrito apenas à prova técnica para formar a sua convicção, podendo

Ingressa-se, então, no tema sobre a litigância climática, a qual consiste em um elemento essencial para dinâmica funcional do constitucionalismo climático global, na

E, quando se trata de saúde, a falta de informação, a informação incompleta e, em especial, a informação falsa (fake news) pode gerar danos irreparáveis. A informação é

Este trabalho tem como objetivo contribuir para o estudo de espécies de Myrtaceae, com dados de anatomia e desenvolvimento floral, para fins taxonômicos, filogenéticos e

(2009) sobre motivação e reconhecimento do trabalho docente. A fim de tratarmos de todas as questões que surgiram ao longo do trabalho, sintetizamos, a seguir, os objetivos de cada