UNIVERSIDADS FEDERAL DA PARAiBA - CAMPUS • - V CENTRO DE FORMAQlO DE PROFSSSORES - C.F.P.
" A ASAO SUPERVISORA N A SEDE DA SECRETARIA M U N I C I P A T D S N S I N O D E SOUSA"
8
aiRLEIDE SOARES MENDES MARIA JCSfi VIEIRA PEDROSA
GIRIEIDE SCARES MENDES MARIA JOS$ VIEIRA PEDRCSA
MA AgAO SIIPERVISORA NA SEDE DA SECRETARIA MIINICIPA1 DE ENSINO
DE SOITSA".
Trabalho apresenta&o para conclusao do Gurso de Graduacao em Pedagmgia' do GFP - CAMPUS - V, CAJAZSIRAS. 1
ORIENTADORA: P r o f e s s o r a I d e l s u i t e * de Sousa l i m a .
SUMARIO
PAS
DEDICAT6RIA
1. APRESENTAgAO
Em busca de Gompreender a p r a t i c a do S u p e r v i s o r numa
sociedade G a p i t a l i s a 04 05
2. J U S T I F I C A T I V E
Urn Resgate historic© da origem da Supervisao B r a s i l e i
r a 06 07 08 3. INSTRUMENTS MET0D0L6GIC0S 09 3 . 1 . As Observacoes 10 3 . 2 . E n t r e v i s t a 10 11 DESEN VOLVIMEN TO A Realidade S d u c a t i v a do S u p e r v i s o r no Context© da Sociedade B r a s i l e i r a 12 13 14 15 CCNCIUSAO
Uma Reflexao Sobre a P r a t i c a E d u c a t i v a do S u p e r v i
-sor 16
A DI3US
Que sempre esteve presente em nossa caminhada, dando-nos forgas p a r a e n f r e n t a r todos os o b s t a c u l o s ,
AO Senhor nosso Be us, o nosso profundo agradecimento, sa bemos que qualquer caminho que iremos s e g u i r , sentiremos a vossa 1
presenca.
AOS NOSSOS PAIS
A voces, que deram a v i d a e nos ensinaram a v i v e - l a com' d i g n i d a d e , nao b a s t a r i a am o b r i g a d o .
A voces, que nos iluminaram os caminhos obscuros com afe_ to e dedicagao p a r a que os t r i l h a s s e m o s sem medo e cheios de espe-' ranga, nao b a s t a r i a urn m u i t o o b r i g a d o ,
A voces, que se doarara i n t e i r o s e renunciaram aos seus 1
sonhos, p a r a que m u i t a s vexes, pudessemos r e a l i z a r os nossos, nfto ' b a s t a r i a urn muitissim© o b r i g a d o ,
A voces, p a i s p o r n a t u r e z a , p o r opgao e amor, nao b a s t a -r i a d i z e -r que nao temos p a l a v -r a s p a -r a ag-radece-r tudo i s s o .
Mas e o que nos aeon tec e agora, quand© procuracies s o f r e -gamente uma forma v e r b a l de e x p r i m i r uma emogao impar.
Uma emogao que p a l a v r a s d i f i c i l m e n t e t r a d u z i r i a m ,
AOS NOIVO , C6NJTJGUE" S FIIHOS
A voces que a b r i r a m mao de mementos de e o n v i v i o , que s o -freram nossa ausencia, quando © dever e o estudo nos chamavam.
A voces que m u i t a s vezes nos receberam de mau humor, qua se r a i v o s o s , quer p e l a nossa ausencia, quer p o r saudade, quer p o r ' i m p a c i e n c i a ,
A voces que tentaram ©cupar suas horas s o l i t a r i a s de todos os mod©s p o s s i v e i s , mas reclamand© a cada minut© nossa presenga,
A voces que agora veem com a l i v i o este f i m de etapa e que p o r mais que nao queiram demonstrar esta© tao ou mais f e l i z e s de que n o s .
f i c i o e nossa promessa de f a z e r o maxima p a r a que estes anos sejam lembrangas de momentos poucos, mas muit© i n t e n s o s .
A NOSSA ORIENTADORA DO GURSO
A voce I d e l s u i t e , que na© media esforgos na transmissa©' dos conhecimentos e e x p e r i e n c i a s p r o f i s s i o n a l e de v i d a . Nos g u i o u p a r a alem das t e c n i c a s e t e o r i a s . "Sxpressamos ©s nossos agradecimen
tos e © noss© profundo r e s p e i t o , que sempre uerao poucos, d i a n t e ' do muito que nos f o i o f e r e c i d o .
Em busca da Compreender a p r a t i c a do Supervisor numa socieda de C a p i t a l i s a t a .
•
0 tema deste t r a b a l h o e"A p r a t i c a da Supervisao Educacio n a l na Sede da S e c r e t a r i a M u n i c i p a l de Sousa".
Nossa pretensao e a n a l i s a r a p r a t i c a e d u c a t i v a dessa c a -t e g o r i a p r o f e s s i o n a l na r e a l i d a d e e d u c a -t i v a Sousense e no c o n -t e x -t o s o c i o - e c o n o m i c o - p o l i t i c o da sociedade b r a s i l e i r a .
£ sabido que a Supervisao tern s o f r i d o dos poderes c o n s t i t u i d o s as mais severas penalidades e tern, no d e s e n r o l a r de sua e x i s t e n c i a , c o n s t r u i d o sua h i s t o r i a .
Nosso i n t e r e s s e em i n v e s t i g a r MA p r a t i c a da Supervisao 1
aa Sede da S e c r e t a r i a M u n i c i p a l de Educacao de Sousa", s u r g i u a p a r t i r das l e i t u r a s em s a l a de a u l a , mas d i v e r s a s d i s c i p l i n a s e ' p a r t i c u l a r m e n t e em P r i n c i p i o s e Metodoa de Supervisao E s c o l a r , o n de evidenciouse a necessidade de aprofundar a questao da S u p e r v i -sao no a t u a l c o n t e x t o e d u c a c i o n a l , nao so a n i v e l de siatema no ambito da S e c r e t a r i a de Educagao.
A p a r t i r de observagoes e e n t r e v i s t a s com Supervisores 1
na Sede da S e c r e t a r i a adquirimos subsiduos os quais nos p o s s i b i l i -taram a r e a l i z a g a o desse t r a b a l h o .
Sendo a Supervisao m o t i v e de grandes c r i t i c a s no meio e-d u c a c i o n a l , sentimos a necessie-dae-de e-de urn t r a b a l h o a n i v e l e-de see-de. Qnde obtivemos um maior c o n t a t o com os p r o f i s s i o n a i s dessa area, ' que nos p o s s i b i l i t o u um maior c o n t a t o com a r e a l i d a d e que nos espe_ r a .
Na sociedade c a p i t a l i s t a em que vivemos, a educacao e um instrument© p a r a atender aos i n t e r e s s e s dos que detem o poder e ' emanam as dacisoes, pouco preocupados com a edueagao das classes 1
popularesw;
Durante os u l t i m o s anos a educagao nao vem sendo d i g n a 1
de atenga© p r e c i s a p o r p a r t e das a u t o r i d a d e s , de modo a b e n e f i c i a r uma p r a t i e a e d u c a t i v a s a t i s f a t o r i a . Alem diss© a escola e u t i l i a t a -da p a r a i n c u l t a r a i n c u l a g a o i d e o l o g i c a favorecendo aos i n t e r e s s e s da b u r g u e s i a .
De*sta forma, a Supervisao educacional no molde como vem' sendo e x e r c i d a tern se constituid© num f o r t e a l i a d o das a u t o r i d a d e s , p a r a o desempenho de seus p r o p & s i t o s p o l i t i e o s edueacionais.
05
Porem a sociedade e a educagao b r a s i l e i r a a t u a l neces-sitam de uma agao r e f l e x a o da p r a t i c a pedagogiea da comunidade c o l a r em g e r a l e da Supervisao Educacional em p a r t i c u l a r p a r a que se possa i n c e n t i v a r uma agao e d u c a t i v a t r a n s f o r m a d o r a .
Urn Restate historic© da origem da Supervisao B r a s i l e i r a .
Na t e n t a t i v a de e n c o n t r a r respostas ou melhor compreender as questoes subjacentes a p r a t i c a s u p e r v i s o r a , sentimos a necessida de de f a z e r uma r e t r o s p e c t i v a h i s t o r i e a da origem da supervisao no contexto educacional b r a s i l e i r a .
4 sabid© que as questoes n a c i o n a i s nao acontecem de forma i s o l a d a , mas tern uma e s t r e i t a l i g a g a o com as r e l a c o e s i n t e r n a c i o n a i s e s t a b e l e c i d a s p e l o s que administram as nacoes. No campo educacional tambem nao e d i f e r e n t e . Dai pode-se concordar com Nogueira (1989) ' quando a f i r m a que:
"0 surgimento da supervisa© educacional na r e a l i d a d e b r a s i l e i r a tem a v e r com o
seu contexto historic© e suas v i n c u l a - ' goes com o c o n t e x t o i n t e r n a c i o n a l " . . .
Tant© iss© e verdade que a ©rigem da supervisa© c e n i n c i d e e®m © moviment© p o l i t i c o v i v i d o pel© B r a s i l , cujo programa de desen-v o l desen-v i m e n t o economico era desen-voltad© p a r a a i n t e r n a c i o n a l i z a g a o dos nodesen-vos i n v e s t i a e a t o s , a© mesm© tempo em que os E.S.U.U. buscavam e s t r a t e g i as p a r a defender o c a p i t a l i s m o e g a r a a t i r a ordem s o c i a l dos paises l a t i n o s .
Tais e s t r a t e g i c a s precisam s e r compreeadidas h i s t o r i c a m e n t e , uma vez que, suas intencoea eram a a n t e r esses p a i s e s long© das' i d e i a s comuaistas da chamada g u e r r a - f r i a .
No B r a s i l , aa deeada de 50, ganha expressa© © Nacionali£ m© d e s e n v o l v i m e n t i s t a do Govern© Vargas (1950-1954), atraves da de-mocracia p e p u l i s t a oa populismo, na t e n t a t i v a de b a r r a r a entrada '
de c a p i t a l s i n t e r n a c i o n a i s .
A f a l t a de sustenga© p o l i t i c a e a i a p l a n t a g a o dessas dec i s o e s geram dec o l i s a o nas negodeciagoes, provodecando o insueesso da p o l i t i c a de i n t e r n a c i o n a l i z a g a o , i n t e n s i f i c a n d o a entrada de i n v e s t i -mentos externos no p a i s , p a r a j u s t i f i c a r o " s l o g a n " 50 anos em 5.
Essa i n t e r n a c i o n a l i z a g a o da-se em todos os s e t o r e s . No campo da educagao surgiram programas de a s s i s t e n c i a t e c n i c a , d e n t r e e l e s o PABAEE - Programa Americano B r a s i l e i r o de A s s i s t e n c i a ao En-s i n o Elementar, i n En-s t a l a d o em Belo Horizon t e , em 1957, que formou oEn-s p r i m e i r o s s u p e r v i s o r e s .
A supervisao e d u c a t i o n a l s u r g i u como forma de g a r a n t i r a " e f i c i e n c i a " do ensino-aprendizagem o que s e r i a ideologicamente uma
07 forma de assegurar a hegemonia da c l a s s e dominante, impedindo a p e -netragao do comunismo" (op. c i t . p . 39)
Foi nos anos 70 que a Supervisao educacional ganhou f o r c a ' i n s t i t u c i o n a l , quando e s u g e r i d a p e l a l e i 5.692/71. Por nascer num momento de grande e f e r v e c e n c i a p o l i t i c a , s o c i a l , econSmica e c u l t u -r a l da sociedade b -r a s i l e i -r a , a Supe-rvisao educacional cump-ri o papel i d e o l o g i c o e c o n t r o l a d o r que l h e f o r a incubudo.
Pelo exposto, podemos perceber que a acao s u p e r v i s o r a r e p r o d u t o r a que marcou a caminhada da supervisao e d u c a c i o n a l , deve-se ao f a t o de que esta provem de modelos e m p r e s a r i a i s , consolidada noma ' p r a t i c a extremamente b u r o c r a t i z a d a .
£ necessario r e s s a l t a r que apesar da supervisao t e r s i d a ' m o t i v o de sensuras, i n c l u s i v e com relagao as t e o r i a s que l h e deram'
s u p o r t e , nao se pode negar a caminhada em busca da transformacao que a c a t e g o r i a dos s u p e r v i s o r e s tern deslanchado, t a n t o na questao p o l l t i c a como na p r o p r i a p r a t i c a do d i a - a - d i a .
A dimensao p o l i t i c a pedagogica do s u p e r v i s o r p e r m i t i u que* este r e f l e t i s s e a sua p r a t i c a a t r a v e s da conscientizagao p o l i t i c a e da organizagao da c a t e g o r i a a t r a v e s das associagoes que foram c r i a -das apos 1978. F o i i n c l u s i v e a p a r t i r desse an© em que se e v i d e n c i o u um crescimento o r g a n i z a c i o n a l e p o l i t i c o da c a t e g o r i a , motivados pe l o s "SNSSS - Encontro Nacional de Supervisores - e a t r o c a de expe-r i e n c i a s . Alem d i s s o , c o n s t i t u i - s e num espago p o l i t i c o de discussa© dos problemas e de busca de solug©es.
Dai passo a pass© v a i surgind© um p r o f i s s i o n a l mais p o l i t a zado, p r e s t e s a assumir uma p r a t i c a c o l e t i v a , capaz de i n t e r f e r i r 1
nos d e s t i n o s da sociedade c i v i l na l u t a p o r uma escola de q u a l i d a d e . Acreditamdo ser p o s s i v e l este tip© de p r o f i s s i o n a l e que 1
v a r i o s c r i t i c o s abrem caminhos para a Supervisao.
Segundo Brandao "A t a r e f a urgente do s u p e r v i s o r da educagao e a r e c o n q u i s t a de seus d i r e i t o s de autonomia p r o f i s s i o n a l de sua ' p r o p r i a i d e n t i d a d e de educadori*
Dessa forma, a Supervisao podera c o n q u i s t a r seu espago na educagao e a d q u i r i r o seu verdadeir© papel que ate entao, na© e s t a ' bem d e f e n i d o .
S nesse p r i s m a que nos dispomos a r e a l i z a r um estudo sobre a p r a t i c a e d u c a t i v a dos s u p e r v i s o r e s l o t a d o s nas sedes da S e c r e t a r i a M u n i c i p a l de Educagao de Sousa, de acordo com o novo moment© que se
08
expressa.
Pretendemos que de alguma forma este estudo c o n t r i b u a p a r a o avango dos conhecimentos na area da s u p e r v i s a o , que era t e n t a se i d e n t i f i c a r com os p r i n c i p i o s de democratizagao e libertaga© da so-ciedade c i v i l atraves do process© e d u c a t i v e .
Instrumentos Metodologicos
3* 0 presente trabalh© teve a pretenga© de i n v e s t i g a r a t r a
ves de preeedimentos e i e n t i f i c o s , eemo vem se preoeupand© o t r a b a -l h o da Supervisa© educaciona-l rea-lizad© na Sede da S e c r e t a r i a Muni
e i p a l de Sousa. y Configura-se com© send© um estud© e x p l o r a t i r i © , uma v e z '
que, sua e s p e c i f i c i d a d e c o n s i s t s apenas em c a r a e t e r i z a r a p r a t i c a ' da Supervisa© na i n s t a n c i a supra c i t a d a .
Pretendemos e o l h e r i n f ©imagoes sebre a aca© Supervisor©, a© que d i z respeit© as suas contribuig©es n© pr©cess© educative da esc©la e da categ©ria, suas c©ndig©es de trabalh© e de realizaga©' pr©fissi©nal, bem eom© suas ceneepgoes de escola p u b l i e a e de Super visa© na prop©sta de trabalh© vivenciad©.
A pesquisa f e i r e a l i z a d a d i r e t a m e n t e c©m s e i s S u p e r v i s o -r e s da -r e f e -r i d a s e c -r e t a -r i a e eem dois p-r©fess©-res, uma di-ret©-ra, 1
um aluao, p a r a p©dermos ©bter mai©res e mais s i g n i f i e a t i v a s i a f o r -mag©es acerca da area a qual estamos nos pr©fissi©nalizand@.
Para i s s e , u t i l i z a m o s i n s t r u m e n t o s metodologiees de p e s -quisa © i e n t i f i c a que favoreeem e o l e t a de dados mais precis© atraves de ©bservagies e e n t r e v i s t a s . v
Dessa ferma exeeutames as e n t r e v i s t a s e as ©bservagoes,• p e r t r a t a r de met©dologias f l e x i v e i s , permitind© e o l e t a de dades 1
c©m mais e l a r e z a , de t a l s e r t e que possam v a l i d a r ©s r e s u l t a d o s ' das pesquisas.
3 . 1 . Observagao 3 . 2 . E n t r e v i s t a
Coletamos ©s dados, fizemos a i n t e r p r e t a g a o dos mesmos,1
submetendo-os a uma a n a l i s e q u a l i t a t i v a no s e n t i d o de i d e n t i f i c a r ' de aeordo com a fundamentagao t e o r i c a que da Suporte a Supervisao.
Este t r a b a l h o tern p o r base os s e g u i n t e s o b j e t i v o s :
• R e f l e t i r e a n a l i z a r a p r a t i c a da Supervisao na Sede da' S e c r e t a r i a M u n i c i p a l de Educagao de Sousa.
•Desenvolver um estudo teoric© acerca da Supervisao educa c i o n a l no B r a s i l .
. C a r a e t e r i z a r a agao S u p e r v i s o r a r e a l i z a d a na sede da Se e r e t a r i a M u n i c i p a l de Sousa.
10 ©s anseios apresentados pelos p r s f e s s o r e s .
As Observagoes
Oompreendend© ser a observagio r e l e v a n t e para se o b t e r um maier eonheeimento de com© se process© a p r a t i c a dos s u p e r v i s o r e s , ' rwalizamos algumas observagoes na sede da S e c r e t a r i a Municpal de Sou sa.
Neste period© as s u p e r v i s o r a s se encontravam em uma r e e i -elagem n© Centre de Treinamento.
0 ©bjetiv© do treinamento era r e e i e l a r as supervisoras do
munaeipi©, p a r a que estas repassem p o s t e r i o r m e n t e aos pre fe ss ores ' de alfabetizaga© da rede m u n i c i p a l , que em sua m a i o r i a nao p o s s u i • l f i grau ©omplet©.
Vale s a l i e n t a r que © curs© f e i ministrad© p e r d©is profes_ seres de uma eseola p r i v a d a , as quais na© mantinham nenhum c o n t a t o ' com a r e a l i d a d e d© alunad© da escola p u b l i e a .
Esse treinamento se dava de forma l e n t a e ©s supervis©res na© p a r t i c i p a r a m de maneira a t i v a , recebend© © planejament© e e n c l u i do p a r a repassarem p a r a as p r e f e s s e r a s .
0 eneerrament© desse treinament© se deu oem uma p a l e s t r a '
sebre a edueaga© p©pular. Essa p a l e s t r a tf®i,grand.© r e l e v a n e i a , p e i s e l a esclareceu m u i t a s eoisas ©bseuras que ®o©rre na educagao.
Na Sede, © trabalh© e realizad© de forma mais a d m i n i s t r a t i v a b u r o c r a t i c a , sem m u i t a s a t i v i d a d e s , © que produz eenversas p a -r a l e l a s que na© eondmzem eom suas fungees.
0 temp© era preenehid© tambem e©m a confecga© d© m a t e r i a l
que i r i a s e r utilizad© a© repasse d© treinament©, limitand©- • pr©-f e s s e r de e r i a r seu prepri© m a t e r i a l .
Pel© que eonstataaos na© h a v i a muit® entusiasm© na r e a l i -zaga© das t a r e f a s . Ternand© • t r a b a l h o mon©t©n®.
Essas ®bservagoes feram r e l e v a n t e s , p o i s p©dera desde j a nos l e v a r a r e f l e t i r n©ssa p r a t i e a de educad©r.
E a t r e v i s t a
Sentindo a neeessidade de melhor eompreender a p r a t i c a e-d u e a t i v a e-d© S u p e r v i s o r , na See-de e-da S e c r e t a r i a M u n i c i p a l e-de Seusa
realizam©s e n t r e v i s t a s com alguns Supervisores aa mesma.
Cada e n t r e v i s t a teve a duraci© de v i n t e a v i n t e e cine© mi nut©s. Alguns e a t r e v i s t a d e s c©l©Garam a principi© i m p e e i l i e s a p r e s -tarem depoimentos, reeei©s©s c©m a presenca d© gravador. A d i f i c u l t a de so f©i superada quand© explicam©s a necessidade da u t i l i z a c a o d© gravador p a r a assim nao perderaos d e t a l h e s i m p o r t a n t e s da mensagem.
As e n t r e v i s t a s t i v e r a m p©r Vase alguns temas que u t i l i z a m o s durante a observacao: A acao S u p e r v i s o r a , concepgao t e o r i c a metodolo g i c a ; relacionaraent© do S u p e r v i s o r com ©s demais f u n c i o n a r i o s , a equi pe c e n t r a l de Supervisao e o process© pedagogico, Supervisao e eecola p u b l i e a , Supervisao e a questao p o l i t i c a .
Essas e n t r e v i s t a s c o n t r i b u i r a m no process© de nosso t r a b a -l h o e p a r a a nossa f u t u r a p r a t i c a eomo edueador.
DESENVOIVIMENTO
A Realidade E d u c a t i v a d© Supervisor no Contexto da Sociedade B r a s i l e _ i r a
A e s c o l a desde o seu surgimento teve a fungao de i n c u t i r v a l o r e s , h a b i t o s e normas. 0 que favorece a c l a s s e burguesa que a -1
p r o p r i a - s e da e s c o l a u t i l i z a n d o - a como o b j e t o de disseminacao de • sua visa© de mundo, inserind© a inculcaga© i d e o l o g i c a na preparaga© das c o n s c i e n c i a s p a r a que as c l a s s e s t r a b a l h a d o r a s sirvam aos i n t e -resses do c a p i t a l i s m o .
Dessa forma^tornavase muito r e s t r i t a o acesso da c l a s -se p o p u l a r a e s c o l a . Somente a p a r t i r de 1934 e que a eonstituiga© i n c l u i u um capitul© e s p e c i a l sobre a educagao, i n s t r u i n d o a, f
educa-gae com© direit© de todesl' Esse mesmo direit© c o n t i n u a e x p l i c i t a d o na a t u a l eonstituiga© b r a s i l e i r a , r e f o r g a d a na L e i de D i r e t r i z e s e Bases da Educagao N a c i o n a l em v i g o r .
P e l a legislaga© v i g e n t e a educagao e direit© de t©d©s e dever d© Estad©. Bntretant©, nem t©dos tem acess© a esse d i r e i t ® , • send© portant© a e s c o l a s e l e t i v a e e l i t i s t a , reproduzind© ©s i n t e -resses da sociedade que a mentem.
Nesse s e n t i d e;a e s c o l a p u b l i e a e alg© em c©nquista p a r
p a r t e dos d e s f a v e r e c i d e s . Atualmente t e r n a s e necessari© aos e i d a -daes comuns © titul© da e s c e l a r i d a d e p o r ser mais exigid© n©s mei©s s e c i a i s e ate mesm© c o n t r i b u i r p a r a uma melher forma de suas e x i s -t e n c i a s .
Tirande proveit© dessas nesessidades ©s g©veraantes i a -serem em seus pregramas a a b e r t u r a de escolas ©u a sua expansao. • Mas nao i n c l u i em sua p l a t a f o r m a a r e s p o n s a b i l i d a d e de m a n t e - l a em funcionament©. 0 que t o r a a e v i d e n t e que a a b e r t u r a de escolas e sua ampliaga© nao passam de i n t e r e s s e s p o l i t i c © s , p©is a precis© 1
c o n s i d e r a r que a quantidade de escola nao e s t a r e l a c i o n a d a a q u a l i dade.
N© B r a s i l , a educagao nunea recebeu a s s i s t e n c i a aecessa-r i a p o aecessa-r p a aecessa-r t e das a u t o aecessa-r i d a d e s , o que geaecessa-ra inumeaecessa-res paecessa-reblemas que' acabam p o r p r e j u d i c a r © process© ensinoaprendizagem. Na verdade • quem e © mai©r afetad© e o pr©pri© alun© que em sua m a i o r i a p e r t e n ce a c l a s s e p o p u l a r .
Na r e a l i d a d e , © trabalh© que e desenvolvid© na e s c o l a ' foge dos padr©es s o c i e - c u l t u r a i s de sua c l i e n t e l a . Com efeit©, es-se fat© e n t r e o u t r e s sa© responsaveis p e l a r e p e t e n c i a continuada 1
dos alunos, levando-os em grande p a r t e a e v a d i r - s e da mesma.
13 em nossas e s c e l a r p u b l i c a B .
Segunde uma de nossas e n t r e v i s t a s este problema o c o r r e ' com mais assiduidade devido a f a i t a de merenda e de condigoes f i * n a n e e i r a s , a v e r - s e p e l a sua afirmagao.
"A evasao e a repetemcia se da mesmo pe_ l a f a l t a de condigoes: os p a i s procuram o u t r o meio de v i d a f o r a da cidade. 0 ou t r o motive e a f a l t a de merenda. G e r a l -mente quando n a o tern m e r e n d a o alun© se
a f a s t a da e s c o l a " ( S n t r e v i s t a d a nfl 0 3 ) .
Outro f a t o r que merece destaque e a p o l i t i c a s a l a r i a l .1
0 govern© i n v e s t e de maneira i n s a t i s f a t o r i a na educagao, como tarn bem remunera mal os p r o f i s s i o n a i s dessa area. Como r e s u l t a d o , v a i gerando um c e r t o d e s i s t i m u l o e descontentamento nos p r o f i s s i o n a i s em r e l a g a o a sua p r o f i s s a o . I s t o pode ser comprovado nas p a l a v r a s de uma p r o f e s s o r a , quando a f i r m a que:
"0 p r o f e s s o r mesmo sem querer, e l e p a s -sa para o aluno es-sa s i t u a g a o de angus-t i a e desespero, p o r causa do misero sa l a r i o que ele recebe que mal da para s£ b r e v i v e r " ( S n t r e v i s t a d a n» 0 1 ) .
Assim, podemos a f i r m a r %ue os problemas e x i s t e n t e s nas escolas sao de c e r t a forma p r o p o s i t a i s , p o i s as agoes g G v e r n a m e n * *
t a i s nao estao v o l t a d a s para a educagao p o p u l a r .
No e n t a n t o , em suas eampanhas e l e i t o r a i s , ©s governantes procuram i n c u l t i r na o p i n i a e p u b l i e a a t r a v e s de p a n f l e t o s , cadernos com suas propagandas, d i s c u r s o s , e t c , que os problemas e x i s t e n t e s na escola nao sao da r e s p o n s a b i l i d a d e deles, tentando passar a c u l pa como se fesse dos p r o f e s s o r e s e demais pr©fissi©nais desta area.
Essa situaga© e s e n t i d a p e r um s u p e r v i s o r e d u c a c i o n a l , 1
que desabafa ao d i z e r :
"A gente e n f r e n t a um monte de d i f i c u l d a d e s e os p a i s pensam que os problemas e x i s t e n tes na e s c e l a sao da nossa r e s p o n s a b i l i d a de" ( S n t r e v i s t a n» 04)
Os p r o f i s s i o n a i s de educagao sufocados c©m toda essa pr© b l e m a t i c a tentam se ©rganizar em movimentos r e i v i n d i c a t o ^ i o s , mas esses movimentos ainda nao estao bem e s t r u t u r a d o s , p o i s existem 1
14 nessa area pessoas que na© sao c©nscientes dos seus d i r e i t e s e p e r1
medo de perderem © emprego, ©u ate s e a t i n d e - s e pressi©nad© pel© s i s tema hierarquie© educacienal abstemse da greve. P e r t a n t o , j u s t i f i -cam sua abstengao, julgand© a greve com© cumplice dos descasses da e s c o l a . Vejamos © que pensa uma das s u p e r v i s o r a s , quant© a esse as*? sunt©:
H0 que acaba com a escola p u b l i e a e ' greve, © p r o f e s s o r brigand© pel© aumen t© de s a l a r i o . 0 que os p r o f e s s o r e s da eseola p u b l i e a querem e ganhar bem e e n s i n a r m a l " ( E n t r e v i s t a d a n« 0 2 ) .
Certamente, p r o f i s s i o n a i s que tern pensamentos semelhantes a este nao sabem de ende surge a situaca© e r i t i c a da qual se enc©n-t r a a educaga© p u b l i e a b r a s i l e i r a .
Talvez p e r f a l t a de esclareeimento, esses educadores t r a -balham de forma a f a v o r e c e r e sistema. Essa r e a l i d a d e nos f o i t r a n s m i t i d a atraves dos noss©s s u p e r v i s e r e s , tfeia vez que estes desenvel-vem seus t r a b a l h e s l i g a d o a© t e c n i c e - b u r o c r a t i c o , @u s e j a , sua p r a t i ^ ca c o n s i s t e em entrega de p i a n o s , ©fici©s, preenchimentos de f i c h a s , confecga© de m a t e r i a l didatic©, repasse de planejamento, e t c .
Destacames um depeimente de uma das s u p e r v i s o r a s quando 1
f a l a de sua p r a t i c a p r o f i s s i o n a l .
"A gente recebe treinamento de ©utr©s su p e r v i s o r e s cue e p r a gente saber transmit
t i r p a r a ©s p r o f e s s o r e s " ("Sntrevistada 1
nfi 0 1 ) .
Esses treinamentos ©s quais a s u p e r v i s o r a a cima r e f e r e - s e e m i n i s t r a d a de maneira p a c i f i c a , sem que houvesse a p a r t i c i p a g a o 1
e n e r g e t i c a dos s u p e r v i s o r e s .
Desse mod©, esses p r o f e s s i o n a l s agem na r e a l i z a g a o do p l a nejamento, que tambem se da de forma q u e s t i o n a v e lf Os s u p e r v i s o r e s '
v i s i t a m as escolas quinzenalmente p a r a v e r i f i c a r se o p i a n o esta de acordo com o que l h e s convem. I s t o e confirmado nas p a l a v r a s de uma s u p e r v i s o r a ao d i z e r :
"Eu vou de quinze em quinze d i a s . Sntao' elas desenvolvem o planejamento c o l o c a n -do aqueles t o p i c o s . . . , a gente passa um v i s t o , olha se esta bom, p r a ve se e p r e c i s o m e l h o r a r " ( E n t r e v i s t a d a nfi 03)
15
Proeodendo desta forma, os s u p e r v i s o r e s nao p a r t i c i p a m a tivamente do planejamento. 0 que gera i n s a t i s f a c a o aos p r o f e s s o r e s , levando-as a c c n s i d e r a r desnecessario o t r a b a l h o do s u p e r v i s o r . I s
so e o que nos d i z uma proflessora e n t r e v i s t a d a :
"0 t r a b a l h o da s u p e r v i s o r a , para f a l a r a verdade nao e f a v o r a v e l , m u i t a s v e -zes chego a pensar que e l a nao compre ende seu v e r d a d e i r o p a p e l " ( E n t r e v i s -tada nfi 0 2 ) .
Isso deixa e x p l i c i t a o desfacelamento do t r a b a l h o pedag£ g i e o . Possivelmente essa d e s a r t i c u l a g a o acontece porque m u i t o s pro f i s s i o n a i s desconhecem a sua v e r d a d e i r a funcao.
No e n t a n t o , entende-se que a dimensao p o l i t i c a do super-v i s o r se c o n s t i t u i de amplos espagos, onde esse p r o f i s s i o n a l pode-r a c o n t pode-r i b u i pode-r na elabopode-ragao dos c u pode-r pode-r i c u l o s , nos planejamentos, n a ' i n t e g r a c a o de todos os e n v o l v i d o s no process© ensine-aprendizagem, e t c .
Nesse s e n t i d o , esse p r o f i s s i o n a l p r e c i s a buscar a sua _ i dentidade s o c i o - p o l i t i c a de educador, p o i s e um element© importan t e p a r a a educacao.
Snfim, o Superviser devera. c o n q u i s t a r todo espago que ' l h e f o r c a b i v e l , tornando um element© c r i t i c © d e n t r e da escola e da sociedade onde devera assumir p r i o r i t a r i a n i e n t e o c a r a t e r pedagogico da fungao, empenhandose na l u t a p o r uma nova p r a t i c a e d u -c a t i v a .
Uma Reflexao Sobre a P r a t i c a E d u c a t i v a do Supervisor
A nossa p r o p o s t a de melhor compreender a p r a t i c a e d u c a t i va da S u p e r v i s o r , nos p o s s i b i l i t o u uma aproximacao maior com a r e a -l i d a d e na qua-l se e n c o n t r a e s t a p r o f i s s a o .
Os p r o f i s s i o n a i s de Supervisao i n s e r i d e s na Sede da Se-' c r e t a r i a M u n i c i p a l de Sousa ainda dao enfase as t a r e f a s b u r o c r a t i c a s como: preenchimentos de f i c h a s , entrega de p i a n o s , repasse de t r e i -namento, e t c . .
A p a r t i c i p a c a o destes p r o f i s s i o n a i s na r e a l i z a g a o dos planejamentos desenvolvidos p e l o corpo docente e m u i t o r e s t r i t o , ' p o i s apenas se encarregam de j u l g a r se o p i a n o e s t a de acordo com o
que eles consideram c o e r e n t e .
Como percebemos a Supervisao a n i v e l de Bede, r e a l i z a um t r a b a l h o i n d i r e t o . Esse t i p o de t r a b a l h o nao r e q u i s i t a a Supervisao e p o r conta d i s s o perde a c r e d i b i l i d a d e . Devido ao t r a b a l h o i s o l a d o a supervisao nao e m u i t o a c r e d i t a d a .
Por tudo i s s o e que alem dos conhecimentos que se obtem' em nossa formagao como p r o f i s s i o n a l desta area, ou s e j a , alem de co nhecermos a h i s t o r i a da educagao, metodos e t e c n i c a s pedagogicas, e p r e c i s e um c e r t o grau de c o n s c i e n c i a p o l i t i c a p a r a realmente e x e r -1
cermos com competencia a p r o f i s s a o de educador.
P o r t a n t o , todas as etapas as quais submetemos, teve uma' r e l e v a n c i a enorme p a r a nos, p o r nos dar oportunidade de uma v i s a o 1
mais ampla do campo de t r a b a l h o que nos espera, como tambem nos pr£ p o r c i o n a ser um elemento c r i t i c © f r e n t e a escola e ao s i s t e m a , se
BIBLIOGRAFIA
1 7
ALVES, N i l da, et a l l , Educagao e Supervisao. 0 Trabalho C o l e t i v o aa Escola, Sao P a u l o , Cortez, 1 9 8 6 .
, et a l l , Regina L e i t e Garcia. 0 Fazer e o Pensar dos Supervisores e Orientadores Sducacionais, edigoes Loyelo, Sao' P a u l o , 1 9 8 6 .
B ACCEL I , Marcia Queiroz S i l v a . Fungao S u p e r v i s o r a na_Busca de Uma I d e n t i d a d e , R e v i s t a AMAR Educando, nfi 187. Belo H o r i z o n t e .
BRANDAO, Carlos Redrigues ( o r g ) . 0 Educador; V i d a e M o r t e . 4 e d . ' Rio de J a n e i r o , G r a a l , 1 9 8 3 .
CERVO, Am an do L u i z , e t a l l , Metodologia C i e n t i f i c a , Sao Paulo. ' Mcgraw H i l l , 1 9 7 6 .
FALCAO, F i l h o Jose Leao Marinho. Uma A n a l i s e C r i t i c a das C r i t i c a s i n R e v i s t a AMAE, Educando, nfi 2 1 0 , E d i t o r a A b r i l , 1 9 9 0 , p . 2 1 0 -3 7 .
MURAMOTO, Helenice M a r i a Sbrogio. Supervisao da Escola, Para Que ' Te Quero? Uma P r o p o s t a aos P r o f i s s i o n a i s da Educagao na Escola, P u b l i e a , e d i t o r a I g l u , 1 9 9 1 .
NOGUEIRA, M a r t a Guanaes, Supervisao E d u c a c i o n a l . A Questao P o l i t i ca, ed. Loyola, S. P., 1 9 8 5 .
SUVA, Naura S i r i j a F e r r e i r a Costa Correa da, Supervisao Educacio n a l , Uma Reflexao C r i t i c a , 3 ed. P e t r o p o l i s , Vozes, 1 9 8 2 .
SUVA, J e f f e r s o n I l d e f o n s o da, Formacao da Educador e Educagao Po-l i t i c a . ed. C o r t e z . Sao PauPo-lo, 1 9 9 2 . (CoPo-legao poPo-lemicas do nos