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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO – DACEC
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO
VANESSA DE ALMEIDA NÖTHEN
JORNALISMO CIDADÃO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Ijuí-RS 2015
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VANESSA DE ALMEIDA NÖTHEN
JORNALISMO CIDADÃO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Trabalho de conclusão de curso apresentada ao Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ, como requisito para obtenção de título de bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo.
ORIENTADOR: Ms. FELIPE DORNELES
Ijuí - RS 2015
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DEDICATÓRIA À minha mãe.
Minha mais bela razão de existir. Dedico a também a Deus por sempre guiar meus passos.
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AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar a Deus, sem Ele hoje eu não estaria aqui. Agradeço imensamente aos meus pais Thales e Solange Nöthen, por todo o apoio ao longo desses quatro anos de faculdade. À minha mãe, por todos os anos de companheirismo em todos os aspectos da minha vida, pelo apoio nos maus e bons momentos e por todas as noites que me esperou para saber como foi a minha aula. MUITO OBRIGADA MÃE, se hoje estou aqui também é mérito seu. A minha tia/dinda Margarete que me ajudou no período de descoberta das letras e números.
Ao meu noivo Joakim Rault que me incentivou a continuar na faculdade e esperou anos para que pudéssemos realizar nosso casamento, obrigada pela paciência e pelo amor Joakim.
Ao Professor Felipe Dorneles, o meu obrigado. Companheiro de caminhada ao longo do Curso de Jornalismo. Posso dizer que а minha formação, inclusive pessoal, nãо teria sido а mesma sem а sua pessoa.
A todas as pessoas que se dispuseram a responder o questionário, vocês são peças dessa elaboração, obrigada.
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“Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de dê-me expressar, de debater com autonomia, de acordo com minha consciência”.
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RESUMO
Este estudo buscou fazer um levantamento sobre quem são, onde estão e o que fazem os jornalistas cidadãos, os consumidores que estão ajudando os veículos de comunicação. À medida que a tecnologia digital proporciona novos meios do usuário participar da informação, ele passa de receptor passivo para um produtor ou coautor de conteúdos. A discussão propõe abordar os recursos que possibilitaram a interatividade, bem como as classificações acerca dos variados níveis de interação. Por meio da evolução da liberdade de expressão as barreiras que tinham entre receptor e meios de comunicação se estreitaram muito. Todos nós temos direitos de ir vir, expressar nossas opiniões, mas sempre respeitando ao próximo. Verificou-se que apesar de não haver uma definição do termo em comum, os autores concordam que a interatividade está relacionada à mediação por um computador e abre um caminho a ser explorado pelas empresas de comunicação, uma vez que amplia as possibilidades de narrativas no jornalismo.
PALAVRAS CHAVE: Jornalismo Cidadão; Liberdade de Expressão; Novas tecnologias; Interatividade.
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LISTA DE TABELAS
1. CINCO CARATERÍSTICAS QUE UM SISTEMA NECESSITA PARA SER INTERATIVO...38
2. CIBERCULTURA...40 3. DOMICÍLIOS BRASILEIROS (%) COM TELEFONE FIXO E CELULAR...42
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LISTA DE IMAGENS
1) OH MY NEWS...46 2) PRINT QUESTIONÁRIO VANESSA NÖTHEN...54
9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...10 1. LIBERDADE...13 1.1Liberdade de Expressão...13 1.2Liberdade de Imprensa... 17
1.2.1 Direito à Liberdade de Imprensa...19
1.2.2 A importância da Liberdade de Imprensa...22
1.3Liberdade de Informação... 23
1.4Liberdade de pensamento... 29
2. TECNOLOGIA DA COMUNICAÇÃO... 32
2.1 Evolução das Comunicações...32
2.2 Convergência de Mídias... 42 3. JORNALISMO CIDADÃO... 46 3.1Colaboração em Massa... 50 4. ANÁLISE... 55 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 59 ANEXO...62
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INTRODUÇÃO
Produzir notícias. Este parece ser o papel do jornalista, uma atividade que historicamente foi delegada a esse profissional. No entanto, com a fetichização das notícias, que se constitui na sua transformação em mercadorias, transformando-as em produto do capitalismo e moeda de troca das empresas jornalísticas, passaram a surgir formas de resistências. Elas são vinculadas principalmente às tecnologias digitais e considerando-as como algo libertário.
No cenário contemporâneo da comunicação, a própria linguagem é muitas vezes descrita como interativa, pois o ato de se comunicar é por si uma interação que pode ocorrer entre dois ou mais atuantes, ao contrário da interatividade que precisa ser intermediada por um meio eletrônico, usualmente um computador. A interatividade abrange um conceito muito amplo, sendo que a interface moderna de usuário no computador já é interativa por definição, diferente das primeiras interfaces, permitindo controlar o computador em tempo real por meio da manipulação da informação que se mostra na tela por meio das representações numéricas. Numa visão mais global, quando se tratam de novas e antigas mídias, ambas vão interagir em maior grau de complexidade.
O objetivo dessa pesquisa é saber sobre a evolução da liberdade de expressão, o que fez com que o receptor tivesse mais proximidade com os veículos de comunicação. Outro fator que abordaremos é a forma com que a tecnologia ajudou isso, através da internet e aparelhos como smartphones, tablets e notebooks, que ajudam nessa “relação”.
Uma pesquisa bibliográfica dá suporte e embasamento para uma discussão sobre a liberdade de expressão, o jornalismo cidadão e tecnologia da comunicação, que faz entender a aproximação do receptor com os veículos de comunicação. A pesquisa quali-quantitativa, com entrevistas em profundidade, permitiu observar como os receptores percebem este cenário de interação.
Para quem trabalha em algum veículo de comunicação é normal receber informações, fotos, vídeos, textos dos seus leitores. Um grupo da população passou de leitor para “informador”. Como isso acontece? Por causa da internet que possibilitou que os usuários formassem os seus próprios habitats dentro da internet, sem precisar passar por nenhum mediador. Todos nós temos liberdade de ir e vir, de escolher, de ser o que quiser e de falar. Então quem pratica esse tipo de jornalismo cidadão está praticando sua liberdade de expressão? A necessidade de manter-se informando nos dias atuais é de grande relevância, podemos ir mais longe, é uma questão de sobrevivência tanto individual (física, emocional, psíquica) quanto social e política.
Com o advento da internet, novas rotinas jornalísticas foram incorporadas e a produção de notícias saiu exclusivamente da mão dos profissionais do jornalismo. E
11 também a evolução da liberdade de expressão fez com que as pessoas se sentissem mais a vontade para se comunicar com os veículos de comunicação e, as novas tecnologias, também ajudaram muito nesse “relacionamento”. A produção de notícias que assim se fundamenta propõe um novo fazer jornalístico que altera as rotinas produtivas que são características dos meios de comunicação tradicionais, os quais utilizam somente os jornalistas para fabricar notícias e informações.
As novas tecnologias digitais e a convergência das mídias associadas à comunicação em rede apresentam um cenário de grandes mudanças no processo de produção/distribuição da informação. A ordem estabelecida durante décadas pela era dos meios de comunicação de massa, onde o receptor não tinha papel ativo no processo comunicacional está sofrendo profunda inversão.
A informática é, talvez, a área que mais influenciou o curso do século XX. Se hoje vivemos na Era da Informação, isto se deve ao avanço tecnológico na transmissão de dados e às novas facilidades de comunicação - ambos impensáveis sem a evolução dos computadores. Existe informática em quase tudo que fazemos e em quase todos os produtos que consumimos. É muito difícil pensar em mudanças sem que em alguma parte do processo a informática não esteja envolvida. Sem os computadores, o homem não teria chegado à Lua; não poderíamos manter os satélites no espaço; não transmitiríamos as notícias tão rápidas e com tamanho alcance; demoraríamos horas para conseguirmos resultados de cálculos e pesquisas; alguns aparelhos de hospitais não existiriam e os exames de laboratório não seriam tão precisos.
Sabe-se que a evolução da comunicação está diretamente ligada a evolução da civilização humana. Ao longo deste trabalho o resgate dos apontamentos de autores que se debruçam sobre esta temática apontam as transformações sociais e culturais que vivenciamos a cada nova era da comunicação. No que diz respeito à velocidade, é uma característica de interface a qual permite o desvio de uma informação a outra, de um link para outro.
No primeiro capítulo abordaremos sobre liberdade de expressão, que é um poder de todos. Uma garantia assegurada a qualquer indivíduo de se manifestar, buscar e receber ideias e informações de todos os tipos, com ou sem a intervenção de terceiros, por meio de linguagens oral, escrita, artística ou qualquer outro meio de comunicação.
No segundo capítulo focamos na evolução da tecnologia, que está sempre se desenvolvendo e renovando-se, com as formas de acessarmos os veículos de comunicação cada vez maior. Todos precisam enxergar a tecnologia como uma nova oportunidade de criar relações com seus consumidores, os veículos devem sempre querer manter essa proximidade com os receptores. As tecnologias invadem os espaços de relações e mediatizando.
12 E no terceiro momento, o resultado desses dois primeiros capítulos, que é o jornalismo cidadão, que nada mais é do que os receptores que ajudam os veículos de comunicação. Certos pontos como a evolução da tecnologia, maior acesso a internet e a popularização de celulares e câmeras permitiram essa ligação entre receptor e meio de comunicação. Essa relação pode ser chamada de “colaboração em massa”, que é a cooperação de duas ou mais pessoas em um objetivo comum.
Como a tecnologia está sempre se desenvolvendo e renovando-se, as formas de acessarmos os veículos de comunicação está maior. Todos precisam enxergar a tecnologia como uma nova oportunidade de criar relações com seus consumidores, os veículos devem sempre querer manter essa proximidade com os receptores. As tecnologias invadem os espaços de relações e mediatizando.
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1. Liberdades
Neste segundo capítulo abordaremos sobre as várias formas de liberdade. Liberdade de expressão é um direito de todos e é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; e a liberdade de imprensa, que é a capacidade de um indivíduo de publicar e dispor de acesso a informação (usualmente na forma de notícia), através de meios de comunicação em massa, sem interferência do Estado.
1.1 Liberdade de Expressão
Todas as formas de liberdade tem o direto fundamental de dimensão subjetiva e institucional, que consiste em manifestar livremente os próprios pensamentos, ideias, opiniões, crenças, juízos de valores, por meio oral e escrito. Neste momento damos espaço as várias faces da liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade de informação. Liberdade è um elemento básico de qualquer sociedade democrática, e é fundamental determinar a importância da mesma nas sociedades modernas, pois quando esta é suprimida, a democracia deixa de existir e a censura e opressão tomam seu lugar. Democracia é elemento característico de povos livres, já a censura, típica de governos tirânicos e ditatoriais.
Existem muitas formas de liberdade: liberdade de pensamento, liberdade de palavra, liberdade de opinião, liberdade de consciência, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e informação, direito à informação, liberdade de informação jornalística, direito de comunicação, liberdade de manifestação do pensamento e da informação, dentre muitas outras liberdades. Conforme José Afonso da Silva, a liberdade humana deve ser expressada no sentido de um poder de atuação do homem em busca de sua realização pessoa.
A liberdade de expressão está garantida pelo texto constitucional brasileiro em seu artigo quinto, que abre o Capítulo I (‘Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos’) do Título II da Carta Magna, intitulado ‘Dos Direitos e Garantias Fundamentais’. Aí estão reunidos, em diferentes incisos, os pontos mais relevantes para a necessária compreensão do seu conteúdo.
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; IX- é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença;
14 X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.
Liberdade de expressão e liberdade de comunicação ocupam um grande espaço no meio online; a liberdade de expressão tem como objeto a manifestação de pensamentos, ideias, opiniões, crenças e juízos de valor (FARIAS, 2004, p 55).
A liberdade de comunicação tem como objeto a difusão de fatos ou notícias. Tal divisão corresponde ao que comumente é designado por liberdade de opinar e liberdade de informar.
Por muito tempo a Igreja Católica controlou a vida da sociedade, era ela quem ditava todas as regras a serem seguidas e quem não obedecia era punidos ou até condenados. Para a autora Flávia Lages de Castro (2007), sempre houve filósofos e idealistas que tentavam mudar essa realidade, mas como eram poucos, eram silenciados. Finalmente, com o Renascimento, o homem passou a ser colocado como o centro, e não mais Deus. Houve uma inversão de valores. As artes, ciências e invenções se desenvolveram, porém, logo a Igreja voltou a dominar, já que assim era mais interessante.
Quando houve o surgimento do ilusionismo, movimento filosófico que lutava pela valorização da razão, como meio de se atingir a felicidade. Viu-se uma saída das trevas para a luz do conhecimento. Nessa época foram muito incentivadas as ciências humanas e exatas. A sociedade passou a ser mais questionadora, e teve ânsia por liberdade, igualdade e fraternidade.
Atualmente vive-se a era do politicamente correto e do (falso) moralismo. Há uma preocupação em não discriminar a outrem, respeitar as diferenças, exigir uma efetivação da igualdade assegurada pela Constituição, mesmo que isso não seja algo que parta do real interesse do cidadão e sim para que ele esteja incluído nessa tendência.
Embora ainda exista sim, preconceito e discriminação, estes se apresentam cada vez mais disfarçados. Devido à revolução tecnológica e a globalização, tudo fica muito evidente: É acesso fácil à informação, redes sociais onde se comenta de tudo, uma maior aproximação das pessoas. Isso acarreta grande impacto na vida dos indivíduos, até mesmo no que concerne às decisões judiciais, pois a população, apoiada pela mídia, exerce pressão em busca de respostas e resultados. Lançam mão da liberdade de expressão e reivindicam
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seus direitos, criticam políticos corruptos, dentre outras manifestações. Até mesmo o governo tem-se mostrado cada vez mais assistencialista e paternalista, numa tentativa de reparar injustiças. É o que se evidencia nos programas de cotas raciais e sociais em universidades, auxílio às famílias de baixa renda e implantação de Programas de Saúde da Família (LAKATOS; MARCONI, 2009).
Entretanto, em certos casos a liberdade de expressão, tão exaltada, é colocada em dúvida por ser entendida como ofensa por alguns. Pode estar contida sutilmente em uma letra de música, em um comercial de televisão, em uma declaração em redes sociais e até mesmo em veículos de informação.
Para CARAMIGO (2014), podemos perceber que hoje toda essa liberdade, está comprometida, pois ela é exercida de acordo não com o interesse individual como foi estabelecido dentro do Título II do Capítulo I da Carta Constitucional, mas sim com o interesse momentâneo coletivo. A liberdade de expressão se “materializa” no exato momento em que o sujeito manifesta o seu pensamento para que terceiros tomem conhecimento.
Existe também a “censura do eu mesmo”. Esta se torna permanente no indivíduo que se vê “sozinho” naquilo que acredita, idealiza, tem como convicção e discorda da grande massa. A noção do certo e do errado é uma questão de convicção, mesmo quando esta se inclina para o lado aparentemente mais fraco, que somos esse “eu mesmo”.
Se o indivíduo assume que suas ideias são corretas, ainda assim ele não pode impô-las a outros nem impedir que se manifestem. Silenciar uma opinião é assumir a própria infalibilidade. Entretanto, que não há razão para se considerar todas as condutas ou opiniões humanas como sendo marcadas pelo erro, incoerência ou inconsistência. A possibilidade de errar, e não o erro propriamente dito, é que se presta como fundamento para o exercício da liberdade de expressão.
A liberdade de expressão constitui um dos fundamentos essenciais de uma sociedade democrática e compreende não somente as informações consideradas como inofensivas, indiferentes ou favoráveis, mas também aquelas que possam causar transtornos, resistência, inquietar pessoas, pois a Democracia somente existe a partir da consagração do pluralismo de ideias e pensamentos, da tolerância de opiniões e do espírito aberto ao diálogo (MORAES, 2006, p 113).
É imprescindível que a liberdade de expressão seja exercida através de persuasão racional ou espiritual, com a devida exposição ligada de argumentos e teses que levem o público à reflexão sobre o assunto apresentado, sendo inadmissível qualquer manifestação violenta ou que incentive a violência. Em outras palavras, a liberdade de expressão deve se dar no plano das ideias, no plano conceitual, e não no físico, como nos casos de coação absoluta.
Não podemos usar a liberdade de expressão como meio para lesar a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. Não pode ser utilizada para ofensas
16 pessoais, para falsa imputação de crimes ou difamação da intimidade alheia, tampouco pode ser utilizada para discriminação de qualquer natureza, seja racial, social, de gênero ou por orientação sexual.
Sendo assim, para a proteção de todos esses direitos essenciais à dignidade da pessoa humana, é fundamental que a liberdade de expressão não seja protegida de forma absoluta, até mesmo quando exercida nos meios de comunicação social, uma vez que estes apresentam enorme poder de alcance e uma monumental potencialidade para causar danos graves e irreversíveis ao indivíduo.
Constant (1985) apresenta as diferenças entre a Grécia Antiga e a Liberdade dos modernos. Para os antigos, a liberdade consistia em exercer de modo coletivo e direto a soberania: deliberavam em praça pública sobre guerra e paz; concluíam com os estrangeiros tratados de aliança; votavam as leis ou pronunciavam julgamentos. Todavia, admitiam como compatível com essa liberdade a submissão completa do indivíduo à autoridade do todo. Para os modernos, o indivíduo é independente em sua vida privada, sendo a soberania do Estado limitada.
Impedir o exercício da liberdade de pensamento e de expressão de opiniões é prejudicar o desenvolvimento e o bem-estar não apenas do indivíduo, mas da sociedade, da geração presente e das posteriores. A única restrição é aquela imposta pelo princípio do dano, ressalvando-se que meras ofensas à sensibilidade moral alheia não podem ser consideradas como danosas.
Um exemplo a ser citado é o massacre do Charlie Hebdo. Foi um ataque terrorista que atingiu um jornal satírico francês, em 2015, que resultou na morte de doze pessoas e cinco gravemente feridas. Charlie Hebdo era conhecido por suas sátiras sobre acontecimentos religiosos. A morte dos cartunistas e editores do Charlie Hebdo está sendo proclamada como um assalto aos princípios da liberdade de expressão. O ataque é apresentado como outro ultraje cometido pelos muçulmanos, que não podem tolerar as “liberdades” ocidentais.
Mas esse massacre traz ao ar uma questão muito difícil de abordar. Para os muçulmanos as sátiras feitas pelos Chalie Hebdo eram de total intolerância para sua religião, mas para outros de total aceitação. Para os muçulmanos é intolerável essas “liberdades” ocidentais.
Não é permitido a ninguém, supostamente em nome da liberdade de expressão, ferir crenças religiosas, utilizando de forma desrespeitosa símbolos sagrados para milhões de pessoas. É fácil verificar que mesmo direitos fundamentais são limitados por outros direitos fundamentais. Fica claro que a liberdade de expressão deve ser exercida de forma responsável, respeitando direitos alheios.
Atitudes que, em nome da liberdade de expressão, excedem os limites morais e éticos geram caos social, vingança e ódio entre as pessoas, ameaçando até mesmo a paz, como se tem assistido em conflitos entre culturas diferenciadas, com reflexos nas
17 comunidades internacionais. Lamentavelmente, têm sido frequentes esses abusos praticados em nome da liberdade de expressão.
Muitas pessoas, em busca desesperada por alguns minutos de exposição na mídia, desprezam os direitos alheios, enlameando vidas, culturas, valores e até mesmo a fé. Zombam, caricaturam e ridicularizam o que têm de mais sagrado nos corações de outras pessoas.
Nosso País é laico1. Mas o Brasil assegura a liberdade de consciência, a profissão da própria fé, bem como a proteção ao culto e à liturgia, que abrange a proteção dos símbolos que marcam as crenças. Então todos nós temos o direito de expressarmos o que pensamos mas não esquecendo que devemos respeitar uns aos outros.
1.2 Liberdade de Imprensa
Para que haja uma melhor compreensão da liberdade de imprensa é necessário diferenciá-la da liberdade de expressão. A liberdade de expressão tem como objetivo a manifestação de pensamentos, ideias, opiniões e juízos de valor, já a liberdade de imprensa tem como objeto a difusão de fatos e notícias.
A liberdade de expressão é a luta do homem em busca do seu próprio espaço, é a possibilidade de manifestar o que o seu íntimo exprime. Feliz do povo que hoje pode usufruir deste direito fundamental, pois durante muito tempo gerações, em troca de suas próprias vidas, foram obrigadas a se submeter ao poder dos mais abastados, que impediam que a verdade fosse revelada.
John Stuart Mill, em meados do século XIX, dizia que não lhe era certo o sentimento duma doutrina, seja ela qual fosse, dotada de presunção de infalibilidade. A incumbência de decidir uma questão pelos outros sem lhes permitir escutar o que a parte contrária pode dizer sobre o assunto é de todo reprovável.
A atual Lei de Imprensa (Lei nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967) inovou o conceito tradicional de imprensa e nele incluiu os serviços de radiodifusão e as agências de notícias. A palavra imprensa não tem apenas o significado restrito de meio de difusão de informação impressa, deve-se levar em conta sua acepção ampla de significar todos os meios de divulgação de informação ao público, principalmente quando através dos poderosos veículos de difusão como o rádio e a televisão, cujo alcance sobre a grande massa é ilimitado.
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Laico significa o que ou quem não pertence ou não está sujeito a uma religião ou não é influenciado por ela. O termo “laico” tem sua origem etimológica no grego laikós que significa “do povo”
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No Brasil, na época da monarquia, era total a proibição de imprimir. A lei de imprensa data-se do tempo da ditadura e é assinada pelo marechal Castelo Branco. O problema principal da lei de imprensa está no direito de resposta, que precisa de regulação entre nós, em razão da demora do Judiciário.
O equilíbrio da notícia e do direito de responder não é difícil de harmonizar se o próprio órgão de imprensa ouvir a parte contrária, o "outro lado", já adiantando suas razões ao lado da notícia. O leitor terá assim condições de ler e julgar. A demora no julgamento quebra o equilíbrio e prevalece apenas a informação sem o direito de resposta.
A liberdade de imprensa, como toda liberdade jurídica - consiste numa relação entre o que a norma ordena, proíbe ou permite e o espaço que deixa livre para o cidadão agir sem limitação. Se o legislador intervém com frequência, limita a liberdade em nome da segurança. Se intervém pouco, permite que o cidadão componha com sua iniciativa os próprios interesses. Esta relação depende de cada povo e do ordenamento jurídico que adota-; é uma relação entre os limites e a autonomia que lei concede aos veículos de comunicação para se expressarem.
Nela se combinam dois valores fundamentais da sociedade moderna: a liberdade de expressão e o direito à intimidade, vida privada, honra e à imagem. Se há excesso na liberdade de expressão, fere-se a pessoa, em seus atributos fundamentais acima enumerados. Se há falta de liberdade, a sociedade carece da informação.
Não é fácil saber onde fica o ponto de equilíbrio. Uma sociedade sem imprensa livre jamais será uma democracia. Uma imprensa que atinge sem fundamento a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem dos cidadãos, pessoas ou instituições leva a sociedade ao caos. Do equilíbrio, nasce a situação ideal que todos procuramos (SILVA, 2009, p. 01).
A imprensa tem ao seu lado o direito constitucional de liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento. Mas não significa que esse direito é absoluto e a imprensa possa usar palavras que ofendam a imagem de outros, tendo em vista que, em confronto a este princípio, também há o direito da inviolabilidade da intimidade, honra e imagem das pessoas.
A Constituição da República Federativa do Brasil garante o direito à liberdade de expressão, independente de censura ou licença, consagrado no inciso IX, do artigo 5º, e no artigo 220, 2º, assim como o artigo 1º da Lei nº 5.250/67, que regula a liberdade de manifestação do pensamento e de informação. Quando a matéria publicada tem o intuito de apenas narrar os fatos acontecidos, ou mesmo fazer uma crítica, dentro dos parâmetros razoáveis, a fim de informar o público, tais atos são lícitos, pois a imprensa
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não teve o ânimo de ofender a honra de uma pessoa, apenas narrar um fato, agindo de acordo com seu direito constitucional.
Deve-se verificar se as matérias contem a verdade dos fatos, não havendo distorção dos fatos mediante o abuso de direito, com o ânimo de injuriar, difamar ou caluniar. Sendo assim, a imprensa deve atentar-se à matéria que publicará, verificando se não estará ferindo a intimidade de uma pessoa, sob o risco de responder uma ação de indenização por danos morais. Como sobreviveríamos sem sabermos o que está acontecendo ao nosso redor, há muito tempo as noticias do boca a boca não são mais usadas por nós. Pois a liberdade de imprensa é a respiração do corpo social.
1.2.1 Direito à liberdade de imprensa
A liberdade oferecida a imprensa não pode ser confundida com libertinagem, é necessário, delinear limites a esta liberdade, de forma que ela possa ser exercida de forma saudável e também de forma adequada com a sua própria função social. Não podemos elevar hoje o conceito de censura, como um conceito paralelo de controle dos meios de comunicação social.
Ocorre que a simples ausência de censura já não é suficiente para a garantia de comunicação livre, a luta contra a censura não mais se dirige contra o Estado, mas sim, contra os meios de comunicação sociais, os verdadeiros detentores de poder no seio das democracias atuais e que impõem, em oposição a censura autocrática, “censura democrática”.
Convenhamos que a liberdade de imprensa tenha sim limites expressos nos dispositivos constitucionais, como: intimidade, vida privada, imagem, honra, proteção à infância e juventude, valores éticos e sociais e as normas atinentes ao estado de sítio. Não há de se confundir o interesse público com o interesse do público, mesmo porque o interesse do público pode se traduzir em vontade de vasculhar a vida e intrigas relacionadas com a vida de pessoas públicas, o que, indubitavelmente, nem sequer chega a beirar as raias daquilo que possa a ser considerado interesse público. Assim o interesse público compreende os assuntos que dizem respeito à comunidade, a seus valores, sendo indispensáveis a verdade, necessidade, utilidade e adequação.
Tornou-se uma prática corriqueira a imersão de fatos, forja de noticias, estímulos polêmicos fictícios pela imprensa, de forma a chamar a atenção dos telespectadores, incrementando a sua audiência, ou para atender a interesses escusos outros, distorcendo a realidade dos fatos para garantir-lhes a sobrevivência no meio jornalístico. No Código de Ética dos jornalistas FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas, 2010) encontram-se os dispositivos que remetem na obrigação de relatar apenas a verdade:
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Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
I - a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
II - a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
[...]
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
Art. 7º O jornalista não pode: [...]
II - submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
Art. 12. O jornalista deve: [...]
VI - promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável; Formas de divulgação
A influência dos meios de comunicação de massa nunca foi tão importante na sociedade quanto agora, antes a imprensa referia-se às informações através das publicações impressas. Atualmente com a globalização e com o poder de penetração da mass media em todos os setores da comunicação visual, as formas de divulgação da informação se propagam de maneira extremamente dinâmica, decorrente do desenvolvimento tecnológico alcançado pela mídia, principalmente a mídia eletrônica, representada pela televisão, pela rádio e pela internet.
Segundo Young apud Souza (2010) há três modos ideológicos fundamentais a se referir aos mass media: “materialista vulgar”, que se define como “manipulativa”, e que considera o público como sendo objeto passivo, presa fácil à manipulação das mensagens transmitidas pela mídia; uma posição “idealista”, que considera a troca de mensagem mercadoria como um escambo próprio do livre mercado, no qual o publico em geral possui autonomia para escolher as mensagens que mais lhe interessam, procurando torná-las mais “verdadeira” e “objetiva”; e a terceira posição ele preconiza
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que é uma atividade necessária para a grande massa da população – que necessita de ordem, de serenidade e de justiça.
O público distorce as mensagens na forma de representação moral que apresenta na sua própria base de fatos delituosos. Essa representação moral tem uma dupla finalidade: fornecer um “bode expiatório” à extensão das necessidades insatisfeitas, de um lado, e demonstrar a naturalidade e a justiça da ordem existente, do outro.
Direito à vida privada
A Constituição Federal assegura a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, além da indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. O direito à intimidade não é um prolongamento de outros direitos da personalidade, mas, constitui, na realidade, uma categoria autônoma, podendo eventualmente um fato lesivo repercutir, por exemplo, nos direitos à honra, à imagem, ao segredo e sigilo profissional, à violação de domicílio e da correspondência etc.
O direito à intimidade possui uma característica própria, consistente na condição de direito negativo, expresso exatamente pela não exposição ao conhecimento de terceiros de elementos particulares da esfera reservada do titular.
Conflito entre o direito à vida privada e o direito à informação
Observa-se que há uma colisão de interesses entre a informação e a privacidade. A imprensa precisa ser livre, porque sem liberdade ela não cumprirá sua missão. Contudo, essa liberdade não pode permitir que o veículo de comunicação social agrida outros direitos atribuídos à pessoa (direito à inviolabilidade da honra, da vida privada e da imagem), mesmo porque nenhum direito é completamente absoluto.
Exigimos uma imprensa livre, forte, independente e imparcial, afastando-se qualquer censura prévia do Poder Público, ao mesmo tempo que garanta proteção à honra, à vida privada e à imagem de todas as pessoas. Para a solução deste conflito, devem ser levados em conta os seguintes fatores: o jornalista não pode estar movido por sentimentos de despeito; exige-se do profissional a revelação de fatos importantes e não a utilização do material, de modo oportunista; e a relevância social da informação. Se a liberdade à informação for de relevante interesse social, o direito à vida privada deve ser afastado em detrimento do interesse público-social dessa liberdade de informação plenamente definida e delimitada.
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1.2.2 A importância da liberdade de imprensa
A liberdade de imprensa é um eficaz instrumento da democracia, com ela se pode conter muitos abusos de autoridades públicas, motivo pelo qual, há muito tempo a defesa desse direito fundamental é considerada prioridade no âmbito da sociedade.
Karl Marx, em defesa da liberdade de imprensa, elucida que Goethe disse que o pintor só pinta com êxito aquelas belezas femininas cujo tipo ele tenha amado como indivíduos vivos, alguma vez. A liberdade da imprensa também é uma beleza – embora não seja precisamente feminina – que o indivíduo deve ter amado para assim poder defendê-la. Amado verdadeiramente – isto é, um ser cuja existência sinta como uma necessidade, como um ser sem o qual seu próprio ser não pode ter uma existência completa, satisfatória e realizada.
Para poder informar é necessário que a imprensa possa confrontar as diversas opiniões existentes. Quando a imprensa publica uma corrente única de opinião e fabrica a opinião pública, seu conteúdo se torna vazio.
Percebe-se facilmente que houve uma inversão da situação, a imprensa é formadora por opiniões e pode alavancar tanto progressos quanto instabilidade em um país. Por este motivo, deve tratar-se com tanta diligência quais são as responsabilidades e obrigações que ela deve ter.
A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça. (...) Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de idéias falsas e sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições (BARBOSA, 1924, p. 15).
À medida que se protege o direito individual de livremente exprimir as ideias, mesmo que estas pareçam absurdas ou radicais, defende-se também a liberdade de qualquer pessoa manifestar a própria opinião, ainda que afrontosa ao pensamento oficial ou majoritário. Uma das grandes dificuldades que se apresenta para a produção de informações com qualidade é o fator tempo. Isso porque, hoje as notícias podem ser transmitidas de qualquer parte do mundo em questão de minutos, gerando uma grande competição entre as empresas, cada qual buscando o ineditismo das notícias que transmite.
A urgência que as pessoas têm, traz algumas consequências: reduz a possibilidade de reflexão no processo de produção da notícia, o que não apenas aumenta a probabilidade de erro como, principalmente, limita a possibilidade de matérias com ângulos diferenciados de abordagem, capazes de provocar questionamentos no leitor. Obriga o repórter a divulgar informações sobre as quais não tem certeza; submete as
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fontes à lógica da velocidade (apresentada como uma imposição da realidade e não como consequência do modo de produção), o que frequentemente compromete, na origem, a qualidade da informação a ser divulgada.
1.3 Liberdade de Informação
Um dos pontos mais relevantes e de grande importância de uma nação que se diz democrática é a amplitude outorgada à liberdade de expressão e de informação. Em um lugar que não há espaço para liberdade de se expressar é impossível haver democracia.
[...] a informação só é relevante para o direito se for massiva, ou seja, se disposta em veículo de acesso público, de modo a atingir, potencialmente, um número considerável de pessoas. [...] Desde a origem, os conceitos de expressão e de informação são confundidos e tomados um pelo outro. Contudo, quando a informação passa a ter valor jurídico diferente da manifestação de pensamento, é preciso estudá-la como um instituto próprio, que não se confunde com a livre expressão do pensar. [...] Por isso é importante sistematizar, de um lado, o direito de informação, e, de outro, a liberdade de expressão. No primeiro está apenas a divulgação de fatos, dados, qualidades, objetivamente apuradas. No segundo está a livre expressão do pensamento por qualquer meio, seja a criação artística ou literária [...]. Enfim, é preciso não confundir as duas essências: informação e expressão. Elas quase sempre coexistem em um mesmo veículo, com maior ou menor interação, mas devem ser examinadas sob pontos de vista diametralmente opostos: uma é imparcial, outra é parcial; uma tem a função social de contribuir para a elaboração do pensamento, a outra tem a função social de difundir um pensamento ou um sentimento já elaborado. São fronteiras tênues, mas existentes (CARVALHO, 2001, p.79-80).
Ocorre que muitas vezes parece haver certa confusão entre os dois institutos, fazendo parecer que se tratam de mesmo direito, entretanto uma análise mais profunda das ditas liberdades, nos faz ver que existe uma relação intrínseca entre ambas, mas não há como as confundir. A liberdade de expressão pode ser entendida como o berço onde repousa a liberdade de informação, no entanto, a liberdade de expressão abrange um conteúdo muito maior do que a de informação, ao passo que esta acaba por conter um vértice não necessariamente verificado na primeira.
Instituído no Brasil através da Assembléia Nacional Constituinte de 1988 um Estado Democrático de Direito, passou a ser protegido em nível constitucional certos valores considerados fundamentais para uma sociedade livre, justa e democrática. Dentre alguns dos direitos constitucionais fundamentais, merece destaque a liberdade que passou a ser prestigiada como grande suprema. Para que o homem participe do Estado Democrático de Direito é necessário que ele tenha conhecimento dos fatos e notícias que estão ocorrendo no mundo social em que vive, podendo assim informar às pessoas que estão ao seu redor, formando a opinião pública. Daí a importância que a liberdade de informação adquiriu na Carta Constitucional Brasileira, sendo assegurada
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como direito fundamental. Pode-se falar em informação individual, aquela que se dá entre as pessoas no cotidiano; estatal, aquela fornecida pelo estado; e massiva, que comporta os meios de comunicação de massa.
A liberdade de informação nasceu sob o prisma dos direitos individuais e introduzido pelos movimentos revolucionários do século XVIII, como liberdade relacionada ao direito de todo indivíduo manifestar o seu pensamento, carregado da noção de individualismo. Atualmente, por conta dos avanços tecnológicos, econômicos e sociais, a liberdade de informação adquiriu um papel coletivo, no sentido de que toda a sociedade requer o acesso à informação, base de um real Estado Democrático de Direito, compreendendo tanto a aquisição como a comunicação de conhecimentos.
Nesse sentido, a liberdade de informação compreende a procura, o acesso, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência da censura, respondendo cada pelos abusos que cometer (SILVA, 2001, p. 245).
O primeiro aspecto da liberdade de informação se caracteriza pelo direito de difundir a informação através dos meios postos à disposição (liberdade de informar). O segundo aspecto é o direito à informação, que compreende o direito coletivo de acesso à informação, de receber a informação anteriormente difundida.
Através dele [direito de ser informado] tem-se procurado ampliar a autonomia individual nos processos de formação de preferências e opiniões e reforçar a posição dos cidadãos em face dos meios de comunicação social, servindo o mesmo de justificação para a existência de um serviço público de rádio e de televisão, ou , pelo menos, de uma criteriosa regulamentação das actividades jornalística, de radiofusão e de radiotelevisão, no sentido de garantir um serviço informativo e formativo de qualidade (MACHADO, 2002, p. 476).
Ao lado da liberdade de informação compreendida como o direito de informar e o direito de ser informado, existe ainda um terceiro aspecto que se relaciona com os demais. Trata-se do direito de se informar, que compreende o direito do individuo de ir em busca da informação.
O direito de ser livre deve existir no plano da consciência, ninguém é livre se não pode fazer a sua própria escolha em matéria de religião, de política ou sobre aquilo que vai ou não acreditar, ou se é forçado a esconder seus sentimentos ou a gostar do que os outros gostam, contra a sua vontade. Assim sendo, a liberdade de pensamento, de opinião e de sentimento faz parte o direito à liberdade, que deve ser assegurado a todos os seres humanos. Liberdade é a faculdade que uma pessoa possui de fazer ou não fazer alguma coisa; envolvendo sempre uma escolha entre duas ou mais alternativas, agindo de acordo com sua própria vontade. O direito de liberdade não é absoluto, pois para ninguém é dada a prerrogativa de fazer tudo o que bem entender; essa concepção de liberdade levaria à submissão dos mais fracos pelos mais fortes.
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A liberdade de informação jornalística compreende o direito de informar e, bem como o do cidadão de ser devidamente informado. Qualquer legislação infraconstitucional que constitua embaraço à atividade jornalística, por expressa disposição da nossa Carta Magna, deve ser declarada inconstitucional, conforme o art 220, §1°. Tal liberdade, deve ser exercida de forma compatível com a tutela constitucional da intimidade e da honra das pessoas, evitando situações de abuso ao direito de informação previsto na Constituição (PINHO,2007, p. 90).
A Constituição Federal do Brasil traz em seu artigo 5°, incisos IV, V e X as limitações à imprensa, invocando um caráter punitivo para aqueles que abusam do direito à liberdade de expressão e manifestação de pensamento ou o utilizam com irresponsabilidade. Qualquer fato noticiado pela imprensa é considerado realidade pelo público, e por isso as limitações impostas pela devem ser plenamente respeitadas, principalmente quando versam sobre a honra do ser humano, independente de sua idade. Na tentativa de coibir os possíveis excessos que possam ser praticados pelos jornalistas, a Constituição de 1988, ao passo que garante liberdade de opinião, também estabelece restrições que são necessárias para garantir a paz social.
Mas, se por um lado é certo de que a imprensa se constitui em uma defesa contra eventuais excessos cometidos pelo poder e um forte controle sobre as atividades desenvolvidas pelo Estado, assegurando, além disso, a expansão da liberdade humana, também, pode-se dizer que a liberdade de imprensa tem limites internos e externos. Os limites internos traduzem-se nas responsabilidades sociais e no compromisso com a verdade. Os limites externos significam que a liberdade de imprensa tem seu âmbito de atuação estendido até o momento em que não atinja outros direitos de igual hierarquia constitucional.
É claro que a liberdade de imprensa é uma liberdade com características muito especiais, sui generis, poderíamos afirmar, até porque, sendo uma liberdade especial, é usufruída tão-só pelos que a possuem ou a controlam.
Na época em que éramos limitados pelo impresso, poderia argumentar que a ausência de legislação específica se constituísse em fator favorável ao exercício da liberdade de informar. Mas agora, quando se multiplicaram os recursos da divulgação e os instrumentos da comunicação se aperfeiçoaram, é impraticável coexistirmos sem uma legislação adequada, capaz de equilibrar os interesses dos conflitantes da sociedade e do cidadão, do empresário da comunicação, do profissional que ele emprega e do povo que lê, assiste ou ouve a notícia.
A liberdade de imprensa se torna ameaçada quando um grupo monopolizador detém o poder de influenciar ou até mesmo formar a opinião pública sobre determinado assunto. Para coibir esse abuso de poder, a imprensa deve agir com ética, de forma a não contrariar as suas próprias convicções, a fim de garantir a livre circulação de informações, pois sem uma imprensa livre não há que se falar em democracia.
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A Sociedade da Informação apresenta-se como um novo estágio da evolução social, em decorrência da comunicação e da circulação de informação. O termo surge como uma mudança de paradigma técno-social presente na sociedade pós-industrial, visando o uso da informação como moeda para a sociedade em constituição naquele momento.
Na sociedade da informação, onde cada vez mais fica fortalecido o conceito da dimensão digital, muitas empresas recorrem, como estratégias competitivas, ao e-businnes e a gestão de pessoas, a e-GP, que é uma estratégia que utiliza meios digitais e tecnologias de rede, para agilizar e otimizar os serviços para seus clientes, gerentes e colaboradores. Basicamente a e-GP substitui os processos burocráticos por meios tecnológicos com um sistema eficaz de informações sobre gestão de pessoas, utilização de tecnologias de redes e canais comunicação. A utilização da e-GP a gestão de pessoas abandona a forma antiga, na qual o departamento de pessoal ficava isolado, para uma atuação mais interativa, online com todos os demais setores e colaboradores da organização.
A sociedade contemporânea atravessa uma verdadeira revolução digital em que são dissolvidas as fronteiras entre telecomunicações, meios de comunicação de massa e informática. Convencionou-se nomear esse novo ciclo histórico de Sociedade da Informação, cuja principal marca é o surgimento de complexas redes profissionais e tecnológicas voltadas à produção e ao uso da informação, que alcançam ainda a sua distribuição através do mercado, bem como as formas de utilização desse bem para gerar conhecimento e riqueza (BARRETO JUNIOR, 2007, p. 62).
A Sociedade da Informação pode ser entendida como uma nova era, cujo elemento central é justamente a informação, a qual circula em velocidade antes inimaginável, merecendo destaque, portanto, o papel desempenhado pela Internet.
O seu objetivo principal é proporcionar o constante avanço nas infraestruturas globais de informação, propiciando, por meio de incentivos, o desenvolvimento das inovações tecnológicas (AVANCINI, 2004, p.357).
Dadas às dimensões percebe-se que a liberdade de acesso à informação, a Internet e a Sociedade da Informação estão intimamente entrelaçadas. A questão se torna complexa, contudo, quando se pensa em como agir quando se está diante de informação de alguma forma protegida – ou que ao menos o deveria ser –, como é o caso das obras intelectuais, sobre as quais plainam as regras do Direito de Autor.
O direito a informação e o principio da dignidade humana
A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz
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consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas. Constituindo-se um mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que, somente excepcionalmente, possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos.
Como a dignidade humana é inseparável de qualquer pessoa, esta não poderá ser objeto de desconsideração, mesmo falando-se daquelas pessoas que cometem ações indignas, ou mesmo o maior dos criminosos. Todos são iguais em dignidade, no sentido de serem reconhecidos como pessoas, ainda que não se portem de forma igualmente digna nas suas relações com seus semelhantes, inclusive consigo mesmo.
A inviolabilidade da imagem das pessoas está assegurada no art. 5°, inciso X da Constituição Federal. Este direito, porém, nem sempre é respeitado pela imprensa que expõe pessoas acusadas de cometerem delitos à execração pública, sem a devida observância ao princípio da presunção de inocência.
É na dignidade humana que o núcleo dos direitos fundamentais está localizado, o que possibilita ao homem dispor de sua atuação livre e individual, possuindo autonomia para guiar suas atividades, sem interferências e impedimentos externos.
É com o nascimento do Estado de direito que ocorrem a passagem final do ponto de vista do príncipe para o ponto de vista dos cidadãos. No Estado despótico, os indivíduos singulares só possuem deveres e não direitos. No Estado absoluto, os indivíduos possuem, em relação ao soberano, direitos privados. No Estado de direito, o indivíduo tem, em face do Estado não só direitos privados, mas também direitos públicos. Estado de direito é o Estado dos cidadãos (BOBBIO, 1992, p. 61).
Portanto, os cidadãos possuem o direito à igualdade de dignidade e também o direito de liberdade no que diz respeito às opções e escolhas do modo de viver que cada um almeja, o pensar e o agir conforme a sua própria vontade. E a dignidade da pessoa pode ser entendida como a prerrogativa que os seres humanos possuem em serem respeitados como pessoa, de não ter a sua vida e saúde prejudicada e poder fruir das suas vidas livremente sem a intervenção ou coação estatal.
A Suécia oferece um exemplo interessante, já que sua Lei de Liberdade de Imprensa, adotada em 1766, tem força constitucional. Esta lei contém disposições abrangentes sobre o direito a informação. Nos últimos dez anos, vários países que, recentemente, adotaram sistemas multipartidários ou que estão em transição para a democracia, incluíram de forma explícita o direito ao direito à informação em suas constituições.
A lei de direito à informação sueca possui uma série de pontos fortes e fracos. Nela estão ausentes algumas das disposições encontradas em leis de direito a informação mais recentes, como obrigações proativas de divulgação, possibilidade de recursos administrativos independentes e medidas proativas de promoção da abertura.
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Também exclui uma série de documentos da abrangência da lei, em vez de incluir todas as informações de posse de órgãos públicos, sujeito ao regime de exceções. Ao mesmo tempo, possui um leque de regras bastante progressistas.
Ela determina que todas as disposições acerca de sigilo sejam apresentadas em uma lei centralizada. Inclui também, firmes garantias procedimentais, inclusive uma obrigação imposta aos órgãos públicos de criar um cadastro público de todos os documentos em sua posse.
A lei brasileira trouxe mudanças positivas no acesso aos documentos e dados públicos, com dispositivos que prestigiam a gestão transparente de dados e documentos pelos órgãos e entidades do poder público (art. 6º) e o amplo acesso à informação necessária à tutela judicial ou administrativa de direitos fundamentais (art.21). A obrigação do Estado é de garantir o direito de acesso à informação por meio de procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão. (art. 5º). A orientação legal é que o Estado deve gerir e divulgar as informações de interesse público de modo proativo, independentemente de requerimentos, em local de fácil acesso (art. 8°). Para isso, a administração deve criar o serviço de informações ao cidadão e também realizar audiências ou consultas públicas, com o incentivo à participação popular (art. 9°).
Dentre as novidades que prestigiam não somente a transparência mas principalmente a facilidade e a rapidez no acesso aos dados, merecem destaque a previsão de obrigatoriedade na disponibilização das informações públicas em sítios oficiais na internet (art.8º) e a previsão de que os órgãos públicos publiquem, anualmente, em sítio à disposição na internet: o rol de documentos classificados como sigilosos, com identificação destes para referência futura; e também relatório estatístico contendo a quantidade de pedidos de informação recebidos, atendidos e indeferidos, bem como informações genéricas sobre os solicitantes. Nota-se que há uma preocupação de detalhar na lei os requisitos que devem constar nos sítios oficiais, desde a acessibilidade para pessoas com deficiência até a divulgação em detalhes os formatos utilizados para estruturação da informação e a atualização das informações disponíveis para acesso.
A liberdade de imprensa conquistada no Brasil era aquela que tinha como principal missão a difusão de conhecimentos, disseminação de culturas e a orientação da opinião pública no sentido do bem e da verdade. Hoje, a imprensa brasileira é alvo de questionamentos quando age em desacordo com sua finalidade, pois desta forma, está lesando seu próprio povo ao não respeitar o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e os Direitos Invioláveis do Cidadão.
Todos têm direito à informação e está assegurado na Constituição Federal, não podendo ser desconsiderado a ponto de se permitir a publicação de notícias através da mídia que não zelem pela veracidade dos fatos. Mesmo sendo impossível atribuir-lhe um conceito fixo e imutável, não há dúvidas que a sua aplicação em casos concretos é inafastável, principalmente quando noticiados desrespeitos à vida, à integridade física e psíquica, à falta de oferecimento de condições mínimas que garantam uma existência
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digna, à limitação da liberdade ou a promoção da desigualdade ou, ainda, nos casos em que direitos fundamentais estejam sendo afrontados ou até mesmo desconsiderados.
Pois tudo aquilo que deforma a verdadeira educação e ataca os valores fundamentais das pessoas constitui uma agressão contra o verdadeiro bem da humanidade. Cada agressão aos valores do ser humano resultará em uma sociedade destruída, violenta e sem rumo. Por isso, é importante a atenção de todos para que esses meios de comunicação sejam usados para o enriquecimento do ser humano. Todas as formas de liberdade têm um começo, e a primeira fase da liberdade é a de pensamento.
O que se percebe, em última análise é que onde não houver respeito pela vida e pela integridade física e moral do ser humano, onde as condições mínimas para a existência digna não forem asseguradas, onde não houver limitação do poder, enfim, onde a liberdade e autonomia, a igualdade (em direito e dignidade) e os direitos fundamentais não forem reconhecidos e minimamente assegurados, não haverá espaço para a dignidade da pessoa humana e esta (a pessoa), por sua vez, poderá não passar de mero objeto de arbítrio de injustiças (SARLET, 2002, p. 61).
1.4 Liberdade de pensamento
A liberdade de pensamento é essencial à mente humana. Ainda são inexistentes os meios de se impor normas ao pensamento humano. Entretanto, a manifestação dos pensamentos sempre foi condicionada e, não raras vezes, punida. A Constituição de 1988, apelidada de “Constituição Cidadã”, assegura a liberdade de pensamento, a sua manifestação e proíbe o anonimato. E o pensamento abarca todos os sentimentos do homem; é aí que ele vai buscar refúgio, e encontrar guarida para sua consciência, com seus valores, concepções e crenças.
O ato de pensar é característica intrínseca a todo ser humano. O pensamento abarca todos os sentimentos do homem; é aí que ele vai buscar refúgio, e encontrar guarida para sua consciência, com seus valores, concepções e crenças.
No momento em que as pessoas estão pensando apenas pra si mesma e não externando seus pensamentos, ela encontra-se em seu momento interior e na ninguém interessa pois não é fato relevante para a comunidade, apesar de ser direito plenamente reconhecido. Na liberdade de pensar, repousa a liberdade de consciência, de crença e de livre convicção religiosa, podendo ser exercida livremente.
O pensamento de cada um está estritamente ligado a sua intimidade, é um direito ainda mais restrito que a própria privacidade, pois diz respeito somente à pessoa que está pensando. Nos pensamentos de determinada pessoa podem acontecer os atos mais absurdos possíveis, é praticamente a mesma coisa que acontece quando estamos sonhando. Alguém pode sonhar ou simplesmente pensar acordado que é um ladrão, ou um assassino, ou que ama certa pessoa e deseja algo de ruim para outra. Tudo é livre e
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permitido pela legislação, até mesmo, por questões óbvias, é impossível punir o pensamento. Nesse sentido é o magistério de Nelson Oscar de Souza quando menciona que “o pensar, o raciocinar, o refletir são absolutamente livres, pois que a ninguém e a nenhum organismo é lícito invadir essa esfera da interioridade humana”.
Por ser o homem dotado da característica de sociabilidade, é natural o interesse em propagar seu pensamento, que se revela através da liberdade de manifestação de pensamento, que nada mais seria do que um direito de propagar suas opiniões, que se encontravam no pensamento, sob a forma de valores, concepções e crenças. Na realidade, a liberdade de pensamento se torna concreta a partir desse instante, quando é permitido ao indivíduo a possibilidade de externar seu pensamento, a liberdade de opinião.
Conforme o autor Pedro Frederico Caldas constitui um movimento do pensamento de dentro para fora; é a forma de manifestação de pensamento, resume a própria liberdade de pensamento, encarada, aqui, como manifestação do fenômeno social. Enquanto o pensamento não é externado, nenhuma relevância tem para a sociedade; é a manifestação, sim, que traz reflexos na comunidade.
O conceito de liberdade humana deve ser expresso no sentido de um poder de atuação do homem em busca de sua realização pessoal, de sua felicidade. Vamos um pouco além, e propomos o conceito seguinte: liberdade consiste na possibilidade de coordenação consciente dos meios necessários à realização da felicidade pessoal. Nessa noção, encontramos todos os elementos objetivos e subjetivos necessários à ideia de liberdade; é poder de atuação sem deixar de ser resistência à opressão; não se dirige contra, mas em busca, em perseguição de alguma coisa, que é a felicidade pessoal, que é subjetiva e circunstancial, pondo a liberdade, pelo seu fim, em harmonia com a consciência de cada um, com o interesse do agente. Tudo que impedir aquela possibilidade de coordenação dos meios é contrário à liberdade (SILVA, José Afonso Da, 2003. p.232).
No âmbito do direito civil, o ofendido tem o direito de reclamar danos morais e materiais em decorrência de eventual ofensa, com indenização a ser arbitrada pelo Poder Judiciário. Já na esfera criminal, existem os chamados crimes contra a honra, nos quais englobam a injúria, calúnia e difamação, todos com suas respectivas penas que, é claro, poderão ser aplicadas de acordo com a situação do caso concreto. Já no que tange ao direito de resposta, que é o direito de retrucar uma ofensa veiculada por meio de comunicação, a Constituição Federal assegura de forma explícita.
O direito de resposta é meio de proteção da imagem e da honra do indivíduo que se soma à pretensão de reparação de danos morais e patrimoniais decorrentes do exercício impróprio da liberdade de expressão. O direito de resposta, portanto, não pode ser visto como medida alternativa ao pedido de indenização por danos morais e materiais (BRANCO, 2009. p.403).
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Pensar é um direito totalmente livre, cada pessoa pode pensar e refletir sobre o assunto que quiser e ter a opinião que bem entender. Assim, ninguém pode proibir alguém de pensar, mesmo que suas ideias sejam as mais absurdas possíveis, visto que, estamos falando do foro íntimo da pessoa, o mais íntimo de todos, o pensamento, que reflete o que cada um sente e esconde, os mais variados desejos e segredos.
No entanto, no momento que esse pensamento é exposto, da maneira que for, e atingir a honra de outra pessoa ou extrapolar os limites do aceitável, o direito surge para defender aqueles que se sentirem prejudicados, material ou moralmente, pelas opiniões ou reflexos do pensamento dos outros. Nestes termos, as consequências podem ser tanto relacionadas ao direito civil e, até mesmo, ao direito penal.
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2. Tecnologias da Comunicação
A era da estabilidade tecnológica morreu. A ideia de que você pode inventar e administrar uma empresa que nunca será perturbada pela tecnologia acabou. Todos precisam enxergar a tecnologia como uma nova oportunidade de criar relações com seus consumidores, precisam entender que nesse mundo tecnológico, existem pessoas em diversas partes do país que podem muito bem se identificar com o seu negócio e que sentirão uma enorme vontade de compartilhar essa experiência com seus amigos.
Neste segundo capitulo abordaremos sobre a evolução das comunicações, desde suas origens com a era dos sinais até a era da comunicação em massa. Cultura participativa onde o público e consumidor são produtores de conteúdo e interatividade e convergência
Formas de pensar diferente, de agir e de comunicar-se surgiram e entraram em nossos hábitos corriqueiros. Nunca tivemos tantas alterações no cotidiano, mediadas por múltiplas e sofisticadas tecnologias. As tecnologias invadem os espaços de relações, mediatizando estas e criando ilusão de uma sociedade de iguais, segundo um realismo presente nos meios tecnológicos e de comunicação. No entender de Sarlo (1998), as desigualdades são marcadas pela ilusão de um realismo que permitiria a todos participar com iguais condições dos diferentes espaços e meios proporcionados pela sociedade capitalista e essencialmente tecnológica.
2.1 Evolução das comunicações
A comunicação é um marco histórico que revolucionou o mundo, desde os primatas, até aos dias atuais. A tecnologia avançou a passos largos, e a comunicação teve o seu contributo na medida em que o tempo passava, e ela estava sempre presente.
A comunicação foi e continua a ser o elo mais importante da evolução humana, fez o grande diferencial entre o ontem e o hoje. Será a mola propulsora entre o hoje e o amanhã, e será uma grande força contributiva de um futuro bem próximo. As origens da comunicação de massa são a extensão do homem para com o meio em que vive, e isso já vem muito antes dos nossos ancestrais andarem eretos.
A evolução da comunicação humana
Desde as primeiras civilizações humanas, sempre houve uma busca constante para desenvolver formas e métodos que facilitassem a comunicação entre os indivíduos e consequentemente a transmissão cultural para outras gerações. Houve várias eras até chegarmos a onde estamos: era dos símbolos e sinais, era da fala, era da escrita, era da impressão e era da comunicação em massa.
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Era dos Símbolos e Sinais – tudo começou a cerca de 90 mil anos atrás. Os hominídeos não falavam. Nesta era utilizavam gestos, sons e alguns outros sinais padronizados, os quais eram passados às novas gerações para que se pudesse viver socialmente. Por conta das dificuldades de codificação, descodificação e memorização, conclui-se que não era possível, nesta era, a formação de uma cultura relativamente complexa.
A primeira revolução surge com a escrita no século V a. C., no Oriente Médio, e marca a passagem da cultura e da sociedade oral para a cultura e a sociedade da escrita. A segunda, ocorrida na metade do século XV, na Europa, provocada pela invenção dos caracteres móveis e pelo surgimento da impressão criada por Johannes Gutenberg, causará a difusão da cultura do livro e da leitura, até então circunscrita a grupos privilegiados. A terceira revolução, desenvolvida no Ocidente na época da Revolução Industrial, entre os séculos XIX e XX, foi marcada pelo início da cultura de massa e caracterizada pela difusão de mensagens veiculadas pelos meios de comunicação eletrônicos (FELICE, 2008, p. 22).
A comunicação era realizada por meio de ruídos e movimentos corpóreos que constituíam símbolos e sinais mutuamente entendidos, claro que utilizavam um número limitado de sons que eram fisicamente capazes de produzir, tais como rosnados, roncos e guinchos (não falavam pois eram fisicamente incapazes de fazê-lo) era um modo lento e primitivo de comunicação, comparado com a fala humana baseada em linguagem, e provavelmente não era possível realizá-la de forma complexa e extensa.
Era da Escrita – a escrita consolidou-se num período de tempo relativamente curto; começou a ter sentido quando se criou significados padronizados para as representações pictóricas, sendo este o primeiro passo para a criação da escrita. No início a alfabetização era restrita a especialistas. Cada sociedade criou uma forma particular de escrita, mas foram os sumérios que transformaram os sons em símbolos, ou seja, os caracteres passaram a representar sílabas, este foi o primeiro passo para a escrita fonética.
Era da fala – começou a cerca de 35 e 40 mil anos atrás, e acredita-se que com o aparecimento do “Cro-Magno” que é marcado pela cultura oral. A fala possibilitou o homem dar um salto no desenvolvimento humano, pois através da fala foi possível transmitir mensagens complexas, como também contestar aquilo que foi exposto. Foi nesta época que o homem começou a incluir a arte, sendo as pinturas rupestres as primeiras tentativas de armazenar informações.
Era da impressão – O invento de Gutenberg4 mudou a forma como desenvolvemos e preservamos nossa cultura. Mesmo com a perda do monopólio da escrita por padres, escribas, elites e eruditos, não era possível falar uma grande massa
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Johannes Gutenberg foi um inventor e gráfico alemão. Sua invenção do tipo mecânico móvel para impressão começou a Revolução da Imprensa e é amplamente considerado o evento mais importante do período moderno.