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Academic year: 2021

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ALGUMAS REFLEXÕES

AUTORIA: Mª Alexandra Almeida

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Reflexão 1

OBRA: “PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO NA SALA DE AULA”

Para este trabalho resolvi reflectir acerca do livro: “Problemas de Comportamento na Sala de Aula” de João Lopes e Robert Rutherford. Assim, irei mencionar formas de identificar, avaliar e modificar o comportamento perturbador no espaço sala de aula, estabelecendo uma ponte com a minha própria prática docente e reflectindo acerca da mesma.

A sala de aula é um microssistema onde estão constantemente a acontecer uma série de interacções. Esses contactos estabelecem-se entre o próprio grupo, entre os pares e entre professor-aluno, sendo que o ambiente envolvente deve ser propício à aprendizagem. Socialmente encerramos em nós papéis que nos cabem mais ou menos desempenhar, sendo que no contexto da sala de aula, é esperado que o professor seja competente na forma de ensinar e que represente um modelo credível para os seus alunos e destes últimos espera-se que aprendam e que respeitem as regras vigentes desse espaço, ou seja, que se comportem de uma certa forma para que o ambiente seja então favorável à aprendizagem. Ora e quando isto não acontece? E quando o que é esperado não se verifica?

Dentro do espaço sala de aula pode acontecer que nem tudo flua de forma a promover a aprendizagem, que nem todos os cenários sejam pacíficos e tranquilos. Existem efectivamente salas de aula em que os papéis determinados para cada figura não se cumprem e em que o acto de ensinar se faz num ambiente de confusão e indisciplina. De facto, existem alunos que exibem “distúrbios comportamentais” ou “problemas de comportamento” e que alteram a rotina da sala de aula, quebram as regras existentes como também existem professores que não dão a devida importância às questões da disciplina

Os professores reconhecem perfeitamente os comportamentos exibidos pelos alunos e sabem quais aqueles que são utilizados para perturbar a aula. Assim, cabe ao professor recorrer a uma série de estratégias comportamentais de forma a promover comportamentos adequados e a extinguir os comportamentos perturbadores.

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Os comportamentos perturbadores podem ser caracterizados como algo “…mais penoso para os outros do que para a pessoa que exibe o distúrbio…Constitui-se um padrão de conduta persistente, que viola os direito básicos dos outros e as principais normas ou regras da sociedade apropriadas para a idade.” (DSM-III-R, 1987) citado por (João Lopes et al, 2001). Os comportamentos perturbadores devem ser então avaliados e identificados a partir de um padrão desenvolvimental, devendo ser considerado o princípio de adequação à idade, número de problemas, tipo de

problemas, duração e severidade.

Para poder definir o aluno perturbador, o professor deverá ter em conta que existe um conjunto de comportamentos característicos de certas idades, mas completamente desadequados noutras faixas etárias e que a permanência destes últimos pode representar que este possui uma patologia emergente; deverá ter ainda em atenção o número de ocorrências, o tipo específico de problemas que o aluno apresenta, a sua duração (sendo que se o problema se prolongar durante muito tempo, maior é a probabilidade de deixar sequelas no comportamento) e o grau de severidade. Estes critérios permitem que o professor faça uma separação entre alunos com comportamentos perturbadores “crónicos” de outros de carácter mais esporádico.

Depois de feita esta seriação, o professor deverá descrever os comportamentos que gostaria de ver alterados num determinado aluno com comportamento perturbador podendo recorrer para isso a listas de verificação, que devem ser válidas e possuir elevados níveis de veracidade, pois para alterar comportamentos é necessário precisar com exactidão o que pretendemos modificar.

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Para conseguirmos mudar um determinado comportamento é necessário termos uma ideia o mais aproximada possível da quantidade de comportamentos perturbadores, sendo por isso de suma importância quantificar e registar as ocorrências que pretendemos ver alteradas, visto que só desta forma conseguiremos perceber se a nossa intervenção surtiu efeito. Este registo, que deve ser adequado ao tipo de comportamento, não necessita de ser feito obrigatoriamente pelo professor, podendo ser realizado por qualquer pessoa que seja rigorosa e que saiba qual o comportamento a quantificar, de maneira a que o registo seja o mais objectivo possível.

Depois de quantificar os comportamentos perturbadores pretende-se fundamentalmente alterar esses mesmos comportamentos, tentando não só diminuir aqueles que se revelam inadequados como também aumentar o número de comportamentos adequados e faze-los perdurar no tempo alargando-os às mais variadas situações. Desta maneira, atendendo ao caso específico da situação e do aluno em questão existem estratégias de alteração de comportamentos passíveis de solucionarem muitos dos problemas que nós, enquanto professores, nos deparamos.

Uma dessas técnicas é a do reforço social que consiste em recompensar o aluno por um comportamento adequado. Devemos ter em atenção que este reforço deverá ser individualizado (nem todos os alunos gostam das mesmas coisas) e seguido ao comportamento positivo.

Aquando da minha prática docente, por variadas vezes utilizo o reforço social como forma de incentivar os alunos a hábitos apropriados. No entanto, por vezes este reforço não é imediatamente a seguir ao comportamento positivo, mas feito no final da aula quando fazemos o “balanço” da mesma. Por norma, reforço os alunos nesse momento, dizendo que hoje ele se portou bem, que estou contente com o seu desempenho e esforço.

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No entanto, e baseando-me nas palavras de Kauffman (1986) citado por (João Lopes et al, 2001) “A característica marcante das crianças com perturbações de comportamento é a confusão” logo, concluo que o facto de não reforçar o aluno seguidamente à exibição do comportamento adequado poderá levá-lo a ficar desorientado, pois o facto de eu lhe dizer que me agradou o seu comportamento na aula não lhe explicita o comportamento específico que ele teve que foi adequado e que se pretendia que fosse alterado.

Outra das estratégias mencionadas no livro em reflexão é a da gestão das contingências em que aluno e professor estabelecem um acordo do género… “se fizeres isto…então podes…”, em que se utiliza uma actividade preferida (CAP- Comportamentos de Alta Probabilidade) para promover uma actividade não preferida (CBP- Comportamentos de Baixa Probabilidade). Esta é uma estratégia bastante utilizada pelos professores, nomeadamente por mim, que surte algum êxito uma vez que os alunos procuram ter comportamentos correctos a fim de adquirirem a recompensa.

Para além deste tipo de acordo, existe ainda a técnica dos Contratos Comportamentais, que se assemelha à gestão de contingências, uma vez que implica uma discussão pelas partes envolvidas no estabelecimento dos parâmetros do contrato. Ao invés da gestão de contingências, o Contrato Comportamental tem um carácter mais formal e implica um acordo escrito, devendo ser assinado por ambas as partes. Esta técnica de modificação de comportamento é frequentemente utilizada pelos professores na sala de aula logo no início do ano, em que são discutidas as regras da sala de aula e se elabora um contrato comportamental com a turma em que esta última se compromete a acatar as regras descritas no documento. No entanto, o que me parece é que neste género de contrato, embora tenham sido discutidas as regras da sala de aula e colocadas no documento, acaba por ser apenas um documento de cumprimento de funções, pois não estão descritos os reforços positivos para quem cumprir os termos do contrato, ou seja, nele apenas constam os deveres de uma das partes. Além disso, este é um documento colectivo e não um documento específico para modificar o comportamento de um determinado aluno ou de um grupo de alunos através de uma negociação em que se estipulam as responsabilidades dos intervenientes.

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Para modificação de comportamentos poderá ainda ser utilizado um sistema de créditos que consiste em entregar um determinado número de créditos ao aluno depois da efectuação de um comportamento positivo. O aluno vai juntando estes mesmos créditos que poderá trocar por um reforço. Considero este sistema bastante interessante e com grandes possibilidades de surtir efeitos positivos, pois é um sistema que conjuga a utilização de um reforço intermitente e de um contínuo, ou seja, o aluno é reforçado sempre que ocorre um comportamento adequado com uma determinada quantidade de créditos, mas por outro lado, só obterá o reforço de apoio após um determinado número de comportamentos, o que evita a saciação momentânea, que por vezes se verifica nas escalas de reforço contínuo. Pelo contrário, contribui para que o comportamento adequado perdure e resista à extinção. O sistema de créditos tem ainda, a meu ver, a vantagem de poder incluir toda a turma num sistema que ao mesmo tempo consegue ser individual, pois cada aluno escolhe o reforço que realmente o recompensa e tem ao seu dispor uma variação suficiente de reforços de apoio que evita a desmotivação.

Paralelamente a estas técnicas de alteração de comportamentos, a própria atitude do professor no espaço sala de aula é decisiva nos resultados comportamentais, uma vez que alguns dos alunos perturbadores são fruto das circunstâncias do quotidiano escolar. Assim, se o professor estiver consciente das circunstâncias que desencadeiam um comportamento perturbador e se alterar alguns aspectos da aula pode conseguir que a situação perturbadora ocorra menos vezes. Essas alterações podem ir desde a disposição das carteiras à dos alunos, ajustando o espaço às necessidades específicas da turma.

Enquanto docente, muitas das situações descritas na obra em reflexão como comportamentos perturbadores acontecem nas minhas aulas com um ou outro aluno.

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No início do ano lectivo, debatemos um conjunto de regras que os alunos se comprometeram a cumprir, regras estas que foram acordadas de forma positiva (Ex.: “Fazer silêncio ao sair da sala” ao invés de “Não fazer barulho ao sair da sala”); realizamos a auto-avaliação no final de cada aula em que os alunos falam sobre o seu comportamento sobre o gostaram mais e gostaram menos nesse dia e registamos o comportamento (bolinha verde - bom comportamento; bolinha amarela - comportamento razoável; bolinha vermelha - mau comportamento).

Com os alunos tento utilizar sempre linguagem explícita para que eles compreendam claramente o que é pretendido, mantenho-me atenta aos seus movimentos e vou-me deslocando pela sala de aula de forma a conseguir controlar de mais perto as suas movimentações e, simultaneamente, as suas dúvidas e dificuldades. Durante o percurso da aula vou reforçando socialmente os alunos com expressões como “Muito Bem” ou “Estou a gostar do teu trabalho”, mas, no entanto, muitas vezes todas estas estratégias parecem ser ineficazes na modificação dos comportamentos, em parte talvez porque a nossa própria ansiedade condiciona a forma como perspectivamos o sucesso da modificação.

Após a leitura e reflexão do livro “Problemas de Comportamento na Sala de Aula”, apercebo-me que o comportamento inadequado não se modifica de um momento para o outro, apesar do nosso anseio em vê-lo alterado rapidamente. Este é um processo que pode ser moroso e que, como nos arrelia, o notamos imensamente. Desta situação surge a importância do registo. Como nunca realizei a quantificação dos comportamentos não sei com exactidão se depois de ter implementado uma estratégia de alteração de comportamentos, de ter reforçado o aluno ele, por exemplo, se levantou menos vezes do lugar, apenas sei que ele se continuou a levantar. No entanto, este já se pode ter levantado menos vezes, ou seja já pode ter melhorado o seu comportamento e eu não reparei porque não quantifiquei o que ele fazia antes da intervenção, logo não o reforço convenientemente. Provavelmente até nem consigo ignorar que ele se levantou dez vezes e repreendo-o em vez de o reforçar (embora mesmo se tendo levantado dez vezes reduziu esta atitude para metade).

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Assim, concluo que para conseguir fazer uma avaliação consciente das estratégias utilizadas e do próprio comportamento do aluno em questão é de suma importância ter a noção da evolução da frequência do comportamento que desejamos alterar, pois não conseguimos ser fidedignos se não o registarmos.

O professor assume assim o papel de “…responsável máximo pelos comportamentos dos alunos na sua sala de aula (…) enquanto pessoa apta a (utilizando os recursos disponíveis) resolver por si própria a maior parte dos problemas que se lhe colocam.” (João Lopes et al, 2001) O peso da relação professor–aluno é muito grande na modificação de comportamentos. A figura do professor encerra em si uma influência decisiva nos comportamentos dos alunos e na construção da sua própria identidade, visto que estes últimos passam a maior parte do seu tempo na escola, estando mais tempo com o seu professor do que com os próprios pais. No entanto, e apesar do livro em reflexão não fazer referência aos pais como forma de se ser bem sucedido em modificações comportamentais, acredito que embora não sendo uma estratégia de transformação de comportamentos, estes podem ter um grande contributo quer na alteração de comportamentos inadequados como na manutenção de comportamentos adequados, uma vez que podem fazer a “ponte”entre o que se passa na escola e em casa, continuando o trabalho iniciado pelo professor num outro espaço diferente do da escola.

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Paralelamente a esta situação creio que é importante efectuar uma caracterização da turma com a descrição de todas as especificidades, nomeadamente de alunos que possuam dificuldades de aprendizagem de forma a que o professor consiga dar-lhes o apoio que eles necessitam, pois muitas vezes os problemas de comportamento surgem neste tipo de alunos, que sentem que mesmo que invistam numa actividade não conseguem realizá-la e como tal boicotam as aulas. Quando existe este género de protecção da auto-estima em que o aluno adopta uma postura de que o seu insucesso se deve ao seu desinteresse pelas aulas e não às dificuldades sentidas, pode muitas vezes conduzir a um clima não favorável à aprendizagem, arrastando consigo outros pares. Nestas situações, penso que poderá ser relevante, a realização de um sociograma como instrumento de caracterização das relações existentes na turma com a finalidade de despistar líderes, pois considero que percebendo a interacção existente entre os causadores das maiores perturbações, podemos definir melhor as estratégias de intervenção, que poderão passar por mediação com o líder como forma de chegar a outros alunos que manifestem problemas de comportamento.

À luz de João Lopes e Robert RutherFord (2001) “Um professor que prepara as aulas, que não descura “os pormenores” e que se revela um observador atento, reúne excelentes condições para gerir comportamentos e aprendizagens dos alunos.” É-nos incumbido então a nós como professores, a missão de não só transmitir conhecimento, mas também de educar, de sermos um modelo na estruturação da personalidade dos nossos alunos e como tal, cabe-nos a tarefa de motivar os nossos alunos para a aprendizagem, variando as estratégias utilizadas, mantendo-os alerta, estabelecendo regras e procedimentos a tomar e sendo firmes e justos no seu cumprimento… E mantendo sempre a atenção e um sinal de alerta, pois “ …tudo se passa quando nada parece passar-se…” Henry (1961) citado por (João Lopes et al, 2001).

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Reflexão 2

REFLEXÃO DO FILME: “O Meu pé esquerdo”

Pretendo neste site reflectir sobre a problemática em que vivem os indivíduos portadores de deficiência, e neste caso específico, de paralisia cerebral. Assim, este trabalho é uma reflexão acerca da vida de um homem possuidor de paralisia cerebral, dos obstáculos que viveu, daqueles que ultrapassou, das vitórias que o mesmo alcançou, mas também pretende ser uma reflexão sobre o contexto em que este indivíduo cresceu e as consequências desse mesmo contexto no seu desenvolvimento.

“O meu pé esquerdo” é um filme que retrata a vida de uma pessoa do sexo masculino, portadora de paralisia cerebral, desde a sua infância até à sua vida adulta. Esse homem tem o nome de Christy Brown e nasceu em Dublin, numa noite em que das vinte e duas crianças que nasceram treze sobreviveram, tendo sido uma delas o protagonista do filme.

Assim que Christy Brown nasceu, o seu pai dirigiu-se ao hospital para ver a criança e é defrontado com uma enfermeira que lhe diz que existiram algumas complicações durante o parto. Essas complicações, deram origem a uma deficiência denominada paralisia cerebral.

“A paralisia cerebral pode ser definida como um prejuízo permanente da postura e do movimento resultado de uma desordem encefálica não progressiva” (Schwartzman;1993) citado por Assis Trugillo. Esta perturbação do movimento e da postura atinge o cérebro em desenvolvimento, podendo ter variadas causas que poderão estar presentes antes do nascimento da criança (causas pré-natais), durante ou pouco tempo depois do nascimento (causas peri-natais) e problemas do nascimento até aos dois anos (causas pós-natais). Dentro da paralisia cerebral há um enorme espectro de gravidade, podendo algumas crianças terem perturbações ligeiras enquanto que outras poderão ser totalmente dependentes na sua rotina diária, derivando da localização das lesões e das áreas cerebrais afectadas.

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Segundo a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (2007), a Paralisia Cerebral pode ser classificada de acordo com a natureza da perturbação do movimento que predomina, podendo ser:

► Espástica - caracterizada por um aumento do tónus muscular com limitação da capacidade de relaxamento muscular da zona envolvida. De acordo com as partes do corpo envolvidas, a Paralisia Cerebral espástica pode ser classificada como: hemiparésia (afectando o membro superior e inferior do mesmo lado do corpo); diplegia (ambos os membros inferiores são atingidos; tetraparésia (são atingidos os quatro membros e o tronco);

► Atetose/Distonia - dominada pela presença de movimento e posturas involuntárias; ► Ataxia – caracterizada pela perturbação da coordenação e do equilíbrio.

Outros distúrbios podem surgir associados à paralisia cerebral: perturbações sensoriais, de percepção, intelectuais e de linguagem.

No caso específico de Christy Brown, este é possuidor de paralisia cerebral atetóide e é dependente de um adulto para realizar as suas acções quotidianas. No entanto, e apesar de manifestar movimentos involuntários no resto do corpo, este descobre que consegue controlar os movimentos do seu pé esquerdo.

Enquanto criança, Christy vive com os seus pais e irmãos, sendo esta uma família muito numerosa e com poucos recursos económicos. Da sua infância podemos assistir a vários momentos em que está no chão, pois os seus pais ainda não tinham conseguido juntar dinheiro para a sua cadeira de rodas, enquanto os seus irmãos realizavam os trabalhos de casa.

Christy não frequentou a escola, embora se saiba que, e atendendo ao Prof. Pedro Santos (2003), o processo ensino-aprendizagem deve ser a forma de privilegiar o desenvolvimento geral da paralisia cerebral, devendo ainda a criança ser acompanhada de uma equipa de profissionais que ajudem a criança a suprimir as suas dificuldades e a auxiliem no seu desenvolvimento.

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No entanto, Christy demonstrava uma enorme vontade em aprender e, através do que ia vendo os seus irmãos fazerem, começa a tentar escrever com o pé uma letra na lousa, mas logo o pai desvaloriza essa acção dizendo que não vale a pena criar expectativas em relação a esse filho. Contudo, quer os seus irmãos como a sua mãe, mantinham uma relação estreita com ele e aquando da realização de uma tarefa escolar em que surge uma dúvida, um dos seus irmãos pergunta a resposta ao Christy. Logo o pai diz que ele nunca saberá, pois é um inválido. É nesse momento que Christy pega no giz e começa a tentar escrever qualquer coisa, tendo escrito a palavra “Mãe”. É aqui que por um lado o pai fica incrédulo e o considera pela primeira vez um Brown, mas por outro lado, é também aqui, que a meu ver, fica explícito o enorme carinho que a criança nutre pela sua mãe e a diferença de postura dos dois progenitores. Por um lado, temos a mãe que mantém com a criança uma relação de cumplicidade e por outro temos o pai que só lhe reconhece valor quando este consegue ter uma obra.

Atendendo a Anne SommerMeyer (1973) “Para eles, que não trouxeram a criança no ventre e desconhecem o elo que liga, fisicamente, a mãe ao filho, o nascimento deste tem, verdadeiramente, o efeito de uma “telha” que lhes cai em cima.” Assim foi, no caso desta criança, o seu pai ficou chocado com a notícia da deficiência do seu filho e foi “afogar as suas mágoas” no pub. A partir daí rotula o seu filho como inválido e incapaz de produzir o que quer que fosse. Pelo contrário ao longo do filme vamos sendo confrontados com a postura da mãe, sempre incansável para com o seu filho e com quem mantém uma relação de extrema cumplicidade, existindo mesmo um pacto de segredo entre os dois em relação a um dinheiro que a mãe andava a juntar, às escondidas, numa latinha para lhe comprar a cadeira de rodas.

A determinada altura do filme vemos que foi construído um carrinho de madeira que servia para transportar a criança para a rua enquanto ainda não tinha a cadeira de rodas. Este foi a meu ver, um grande passo no crescimento de Christhy, pois assim como aconselha a Neuropediatria Online, foi possível a mãe levá-lo a passear em locais públicos, permitir a sua participação em actividades de tempos livres e de convívio/brincadeira com outras crianças.

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Apesar de não se mover ou agir como o restante grupo ficou bem explícito no filme com cenas como a de empurrar o seu carrinho com força pela rua e a da Noite das Almas, que de facto, ele se sentia feliz quando convivia com os seus pares. Assim, ao longo desses passeios com a mãe podemos observar ainda que esta fala com o seu filho mesmo que este não responda e que vai de encontro a um dos aspectos referidos pela Neuropediatria Online como favorecedor na aquisição da linguagem: fala-lhe de tudo o que o rodeia, explicando-lhe uma série de factos, como podemos assistir quando esta vai à igreja e lhe explica o significado de acender uma velinha e como ela muito desenvoltamente gira o carrinho para que Christy consiga observar um foguete que vai no ar.

Depois da infância observamos um momento em que Christy completa dezassete anos e em que com ele começam a vir as características próprias da adolescência como: a descoberta de sentimentos e emoções e a própria sexualidade. É aqui que os seus irmãos começam a levá-lo para assistir a jogos, muito comuns entre os adolescentes, que envolviam raparigas. Numa dessas ocasiões, quando jogavam um jogo com uma garrafa, esta mesma ficou voltada para o Christy e alguém diz: “Ninguém”. Nesta situação é perceptível que “A pessoa com deficiência é ainda encarada, pela sociedade, como um ser assexuado, sem direito à sua realização afectiva e sexual, pelo facto de não conseguir a sua autonomia…”( Pereira Ramos) quando alguém protesta e diz que está apontar para o Christy. É então que se levanta uma rapariga, dá-lhe um beijo e diz que ele é o melhor de todos. O jovem fica bastante entusiasmado com a ideia de esta rapariga gostar dele e assistimos então à primeira pintura feita por Christy Brown e, simultaneamente, à sua primeira paixão. De acordo com Maria Paula de Carvalho Teixeira (1991) “Através da Expressão Plástica, as crianças e jovens com Necessidades Educativas Especiais encontram um importante meio de exprimir as suas ideias e os sentimentos mais profundos (…) Põe no que desenha os seus sentimentos, desejos e emoções positivas e negativas. Alivia tensões, descarrega a sua agressividade, o seu amor e o seu ódio, de uma forma saudável. (…) Desenha para ela e para os outros, põe a descoberto uma parte de si própria e estabelece um diálogo com aqueles a quem mostra ou dá os seus trabalhos.”

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Quando a rapariga recebe a pintura em mãos ficou encantada com a sua beleza e com as frases nela escritas e mostrou-a às suas amigas que logo começaram a troçar dela, dizendo-lhe que estava apaixonada por um aleijado. Segundo Correia Júnior, “…a paralisia cerebral deforma suas feições físicas, tornando-os um improvável objecto de desejo de um homem ou mulher, e dificulta ou impossibilita a fala, a qual é importantíssima na sedução.” A rapariga foge envergonhada e vai devolver a pintura a Christy dizendo que não podia aceitá-la. É, neste momento que o adolescente sofre o seu primeiro desgosto amoroso.

Quando Christy tinha dezanove anos, a sua mãe conseguiu completar o dinheiro para a compra da cadeira de rodas e decidiu ir ver um modelo que se adequasse às necessidades do filho. Falou com uma enfermeira que ligou para uma Dra. Cole a aconselhar-se. Essa mesma doutora, especializada em paralisia cerebral, visitou Christy em sua casa e perguntou-lhe se ele queria ir a um centro fazer alguns tratamentos que o ajudariam a melhorar as suas dificuldades ao que Christy responde:”A esperança infundada entristece o coração” pensando que a terapeuta não o compreendia, mas esta entendeu o seu discurso e convenceu-o a ir ao centro. No entanto, essa foi uma experiência bastante traumatizante para ele, pois estava lado a lado com crianças bastante pequenas e sentiu-se desenquadrado, dizendo mais tarde à terapeuta que não era um bebé. Esta situação é de suma importância pois alerta os profissionais para os procedimentos a serem utilizados com jovens deficientes mostrando a importância de ter sempre em atenção a sua idade cronológica recorrendo para isso a uma linguagem/actividades de acordo com a sua idade real. O não cumprimento destas condições pode conduzir, como mostra o filme, ao alheamento, desmotivação e recusa às actividades/terapias.

Surge então uma nova solução para ajudar Christy a desenvolver a fala e uma série de competências: a terapeuta faria o seu acompanhamento em casa se fosse do seu acordo, ao que o jovem assentiu. Começam então as sessões de terapia da fala com a Dra. Eilen Cole, que se mostra bastante eficaz no seu trabalho em parte porque o seu paciente tinha uma motivação acrescida: estava apaixonado por ela.

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Esta não se apercebeu que a proximidade física que mantinha com ele, se estava a transformar em algo mais do que uma relação paciente/médico e continuou a adoptar uma postura muito próxima de Christy. Enquanto isto se processava, a sua mãe já se tinha apercebido desta situação e andava muito receosa, comentando com o pai que o seu filho já nem parecia o mesmo. O pai concordou, dizendo que ele estava era efectivamente melhor, pois agora já o compreendiam. A mãe contrapõe afirmando que sempre o compreendeu e que temia a demasiada esperança que a voz do filho continha, pois receava que esta fosse infundada e que ele sofresse um desgosto amoroso, pois considerava pior um coração destroçado do que um corpo. As visitas por parte da Dra. Cole continuaram e o sentimento do seu paciente foi aumentando. Numa dessas visitas, a terapeuta diz a Christy que conseguiu um local para este expor os seus trabalhos e é precisamente após essa exposição que, durante uma refeição partilhada por alguns amigos, ele se declara a Eilen e ela não só não mostra reciprocidade como lhe diz que vai casar. O seu paciente fica em estado de choque e começa a tentar pronunciar a frase “Parabéns pela maravilhosa notícia…” e não consegue proferir as palavras correctamente devido à tensão muscular em que ficou. Acrescenta “Ainda bem que me ensinaste a falar para eu te poder dizer isto…” Christy fica de tal maneira perturbado com a notícia que bebe desenfreadamente, fala alto e atira tudo para o chão. Esta passagem do filme chamou-me à atenção, pois a linha entre o que era uma relação paciente/médico, homem/mulher era tão ténue que acabou por de uma das partes ser considerada como homem/mulher, ainda que a outra parte não se apercebesse e que a dedicação e proximidade que ela lhe conferiu facilmente para ele, homem no fundo, seria um impulso à paixão.

Depois desta revelação encontramos Christy fechado no quarto e, mais uma vez, a sua mãe, incansável, vai ter com ele e tenta compreender o que se passa. Apercebendo-se da situação, esta diz-lhe que se ele desistiu ela não e desce começando a tentar construir um quarto para que ele conseguisse ter mais independência e espaço para criar os seus quadros.

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Mais uma vez esta mãe não se deixa abater, pelo contrário, demonstra uma força e uma coragem enormes, sendo um estímulo para o seu filho que acaba por reflectir, descer e ajudá-la. Mas, entretanto chegam o seu pai e irmãos e encarregam-se de construir o quarto, brincando com Christy sobre as suas competências na construção. Após a sua conclusão, a mãe explica a Christy que esta é a forma que o seu pai tem de demonstrar o seu amor por ele, ou seja, conseguimos aperceber-nos que apesar de mostrar uma capa dura o seu pai nutria afecto por ele mas, que ao contrário da mãe, tinha dificuldade em demonstrá-lo. Este foi o último gesto que vimos o seu pai realizar em prol do bem-estar do seu filho, pois na cena seguinte assistimos à sua morte.

Depois do falecimento do seu pai, Christy solicita ao seu irmão que este o ajude a escrever a sua autobiografia. O seu irmão concordou e vemos Christy, algum tempo depois, a entregar dinheiro à sua mãe do lucro das vendas do livro. Creio que assistimos nesta cena um lado muito consciente e responsável do protagonista, uma vez que este, assim que pôde, não se comediu de ajudar a sua mãe, mostrando que sempre soube avaliar o esforço que ela tinha feito ao longo da vida para lhe dar o melhor.

Na parte final do filme, visualizamos uma visita da Dra. Cole que veio pedir a Christy que este desse o seu testemunho numa festa de solidariedade. Como era um evento de beneficência, ele assentiu. Aqui verificamos que Christy reagiu com normalidade a esta visita demonstrando que já tinha ultrapassado o seu desgosto amoroso. Aparece então Christy na festa onde ficou ao cuidado de uma senhora, chamada Mary, enquanto não era chamado ao palco. Enquanto estava à espera, Mary Carr que estava a fazer-lhe companhia, esteve a ver o livro de onde constavam várias pinturas suas.

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Durante esta passagem, Christy dá mostras dessa sua personalidade vincada provocando várias vezes e de variadas formas a mulher que o acompanhava. Esta não lhe ficou indiferente e vice-versa, tendo aceite um convite de Christy para sair.

Depois disto, vemos os dois muito felizes numa montanha onde brindam a Dublin local onde nasceu Christy Brown. Este veio mais tarde a casar com Mary dando provas que “…embora o discurso sobre “beleza interior” seja quase sempre hipócrita, de modo nenhum é impossível um homem ou mulher se interessar por eles e se dispor a enfrentar tais dificuldades.” ( Correia Júnior)

Com a visualização e reflexão do filme: “O meu pé Esquerdo” e com o exemplo de Christy Brown pude aperceber-me da vida quotidiana de indivíduos portadores de paralisia cerebral do qual verifico que, efectivamente, estas pessoas estão sujeitas a inúmeros obstáculos que podem ir desde as barreiras arquitectónicas, às suas próprias limitações e a obstruções causadas pela sociedade.

Contudo, é também através do exemplo de Christy Brown e baseando-me no que diz Anne Sommermeyer (1973) que posso concluir que “…uma criança que tenha os membros atrofiados, desde que seja bem acolhida e compreendida, pode mobilizar as suas energias, para levar uma vida exemplar.”

Concluo ainda, que a família assume um papel fulcral, pois é ela o primeiro agente a procurar a melhor forma de interagir com a criança, mas que por outro lado, a intervenção de técnicos especializados junto da criança com paralisia cerebral revela-se também de suma importância, no sentido de a ajudar a promover as suas potencialidades, aumentar a sua independência e a suprimir as suas dificuldades.

No entanto, e ao contrário do que aconteceu com Christy Brown, o diagnóstico deverá ser o mais precoce possível para que o trabalho desses mesmos técnicos comece também o mais cedo possível.

Com o modelo de Christy Brown, posso concluir que a criança deve reconhecer as suas limitações, tentar tirar o máximo partido das suas potencialidades e, muito importante, não perder a identidade… “Se eu não podia ser como as outras pessoas, pelo menos seria eu mesmo, da melhor forma possível.” (Christy Brown- My left foot) citado por Assis Trugillo.

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Reflexão 3

Esta reflexão tem por base a leitura do texto: “A Visão in a Criança Diferente”, sendo que a minha incidência será na organização da aprendizagem e nas adaptações que poderão ser necessárias efectuar ao longo da minha actividade como docente se durante a minha prática surgir um aluno com este género de problemática.

Relacionamo-nos com o meio ambiente que nos rodeia através dos sentidos e são esses mesmos sentidos que nos dão as informações acerca do mesmo. A visão permite-nos de maneira veloz processar a informação recebida pelos outros sentidos, uma vez que esta é responsável pelas imagens que serão conferidas no cérebro.

No entanto, pode acontecer que a visão esteja parcial ou totalmente afectada, consequentemente, surgirá dificuldade ou mesmo ausência de processamento da informação visual.

A falta de visão pode ser congénita ou adquirida, sendo que uma criança com ausência de visão tem muitas mais dificuldades do que aquela que cegou já após andar e falar. Existem crianças que possuem um grau de visão muito baixo que contudo conseguem tirar bom partido da sua visão residual. Há ainda outros casos mais ligeiros em que não é necessário nenhum tipo de apoio especializado.

Todavia, o professor deve manter-se sempre atento a qualquer tipo de sintomas de dificuldades de visão, pois por vezes, quando não detectados podem comprometer o rendimento da aprendizagem.

É importante que o professor conheça quais as dificuldades específicas de visão do aluno para que possa organizar o processo de ensino /aprendizagem, visto que a aprendizagem de uma criança cega de nascença não é a mesma que a de uma criança que perdeu a visão depois de andar e falar, pois a segunda consegue recordar-se de conceitos de que a primeira foi privada. Da mesma forma, as estratégias utilizadas com uma criança cega diferem das estratégias necessárias à aprendizagem de uma criança que possua visão residual.

É necessário que a criança com dificuldades de visão tenha contacto com experiências concretas, que aprenda a realizar tarefas sozinhas, a cuidar da sua aparência e a ser independente.

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Nesta incumbência, o professor pode desenhar um papel facilitador da aprendizagem da criança com este género de problemática, oferecendo explicações orais, respeitando o tempo necessário para que o aluno consiga executar a actividade proposta, mas nunca efectuando as actividades por ela.

É fulcral que as pessoas que contactam com crianças cegas se apresentem para assim poderem ser identificadas e para que esta vá criando uma associação da voz ao nome da pessoa e criando uma imagem global da pessoa em questão.

Neste processo de aprendizagem, o professor deve estimular os sentidos da criança para que esta possa discriminar com facilidade sons, cheiros, texturas e estabelecer relações com o que vê ou não de forma a aumentar o seu conhecimento do mundo. O professor pode desenvolver com a criança jogos de exploração de texturas, de reconhecimento de sons e experiências reais de sabores e odores. As experiências concretas e reais são cruciais na formação correcta de conceitos, uma vez que através de experiências vividas evita-se que o aluno que sofre de cegueira forme falsos conceitos acerca do que o rodeia. No que respeita aos conceitos abstractos, estes aprendem-se a partir dos concretos, devendo aprendem-ser simultaneamente trabalhada a memória de imagens, pois revela-aprendem-se de extrema importância para a assimilação de conceitos.

O professor deve ainda motivar as crianças com restrição de visão a movimentar-se com o intuito de que esta consiga progressivamente orientar-se espacialmente. Estas crianças têm que ser estimuladas para andar, para conhecer a posição do seu corpo no espaço, saber movimentá-lo e para isso poderão ser utilizados jogos que combinem várias posturas e movimentos.

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No espaço escolar, o professor deve familiarizar a criança com os trajectos, obstáculos…para depois de conhecido o percurso, encorajar a criança a fazê-lo sozinha. Para que o aluno consiga realizar este trajecto sozinho poderão ser necessárias realizar algumas adaptações do espaço que permitam à criança com ausência de visão um melhor conhecimento do ambiente.

Também dentro da própria sala de aula, o professor poderá ter que fazer algumas adequações para que a criança com limitações visuais possa tirar o máximo partido do processo de ensino/aprendizagem. No espaço sala de aula a criança com restrição de visão, vai necessitar de utilizar a audição como meio privilegiado de retenção da informação. Deste modo, o professor deve ter em atenção a forma como comunica, bem como prevenir a restante turma para a forma como utiliza o seu discurso. Quer o discurso do professor como o das outras crianças deve ser translúcido, pausado e com uma boa articulação, pois é através de explicações orais que a criança com limitações de visão recolhe grande parte das informações. Ainda relativamente à comunicação oral, esta deve ser efectuada no melhor contexto ambiental possível, sendo que o professor deve gerir ruídos de fundo para não prejudicar a comunicação oral, uma vez que é através do timbre, da entoação e do ritmo de voz que a criança situa as palavras num contexto.

Outro dos factores a ter em consideração no espaço sala de aula são as condições de iluminação. Esta deve ser adaptada ao tipo de capacidade de visão, sendo que o aluno tem que estar situado num local que lhe proporcione boa visibilidade para os locais de trabalho.

No que respeita ainda ao espaço sala de aula, esta deve estar organizada de forma a permitir uma boa mobilidade, de modo a que a criança com limitações de visão possa circular o mais autonomamente possível sem incomodar a restante turma. Para isso, é de suma importância que os corredores estejam libertos e que todo o material esteja arrumado em locais exactos e alcançáveis e que se existir alguma alteração ao nível do mobiliário, esta seja devidamente indicada ao aluno.

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Relativamente à relação professor/aluno e à concepção das estratégias e recursos utilizados, o professor deve ter a noção que uma criança com limitações visuais necessita de apoio individualizado (que poderá ser dado em momentos de pausa da aula), de orientação nas actividades e de adaptações nas metodologias utilizadas. Para determinadas disciplinas existem materiais específicos para que o aluno consiga atingir as competências propostas. A aprendizagem da leitura e da escrita de uma criança cega induz a uma iniciação a uma técnica de comunicação escrita denominada Braille que o professor de ensino regular não necessita obrigatoriamente de dominar podendo para isso recorrer ao apoio do professor do ensino especial. De qualquer das formas, o professor do ensino regular deverá preparar o material com antecedência recorrendo ao uso de alguns materiais específicos como por exemplo: marcadores negros, ampliação de textos, isolamento do espaço destinado à leitura de uma frase, uso de lupas, porta-livros…adequando a estratégia ao tipo de patologia da criança. No que se refere à matemática, poderão ser utilizados ábacos, materiais tridimensionais, tendo sempre presente a noção de partida do concreto para o abstracto. Relativamente às expressões, estas podem ter um papel preponderante no desenvolvimento da motricidade, coordenação e consciência do próprio corpo.

Respeitante à avaliação, processo inerente no ensino/aprendizagem, o professor deve permitir que o aluno delibere qual o meio em que melhor age: avaliação oral, gravação…Será em função desta escolha que o professor organizará o sistema de avaliação, devendo ser a técnica escolhida pelo aluno praticada previamente à avaliação. No momento de avaliação, o aluno poderá ter tempo extra para a execução das tarefas propostas. Contudo, é importante que o professor realize uma avaliação contínua, baseada no progresso diário alcançado pelo aluno.

Em suma, o professor deve organizar o processo ensino/aprendizagem com vista a que os alunos com dificuldades visuais possam vir a estar integrados socialmente, compreendendo para isso as suas dificuldades e organizando de forma integrada as actividades educativas.

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