como os
jornalistas
e estudantes deJornalismo
usam a rede em suaformação
eprofissão,
além da necessidade deseter um instrumentode
divulgação
daprodução
dosprofessores
e alunos para opúblico
externo. O banco de da dosdisponível
napágina
antiga,
que trazia o
endereço
dejornais
ejornalistas
e umguia
de fontespara
estudantes
eprofissionais,
está sendo atualizado para uma
readequação
aosite,
e vai estardisponível
brevemente. O ende reço éhttp://www.cce.ufsc.br/
+com.
ZERO Página
do
Curso
de
Jornalismo
é
reformulada
ANOXV-N°
3
MARÇO
99
CURSO
DE
JORNALISMO
CCE
-COM
UFSC
������
Melhor
Peça
Gráfica
I, II, III, Iv,
V
eXI
Set Universitário
88,89,90,91,92
e98
Jornal-laboratório
doCurso
dejornalísmo
da Universidade Federal de SantaCatarinaeditado
pelo
Laboratório deInfografia
Concluídonodia8de março Arte: Romeu Martins
Direção
dearteederedação:
Prof. Ricardo BarretoColaboração:
Nicholas Nixon,EthanHoffman, Joséda SilvaJr.
Edição:
A1anéaCoutinho,AlexandreMendonça,
Anacris Oliveira,AnaLetícia daRosa,André Luckman,Ângela
Delpizzo,
CamilleReis, CarolinadeAssis, CassianoRolim,ClarissaMoraes,
DéboraTozzo, EduardoKormives,
Fabrício
Rodrigues,
FernandaFarias,Filipe
Bezerra, Frederico Carvalho, GabrielaCupani,Geannine Martins,Gisiela Klein,GustavoSchwabe,Janaína Berti, Larissajunkes, LeonardoCollares,
Leyla Spada,
MarcelaAlbuquerque,MarianaCordeiro, NatáliaViana, Pedro
Valente,
Rhodrigo
Deda, Romeu Martins, SalvadorGomes, SaraFaraci, SílvioSmaniotto,SôniaCampos
Editoração
eletrônica: A1anéaCoutinho,Alexandre
Mendonça,
Ana Letícia daRosa,AndréLückman,CamilleReis,Carolina deAssis, Cassiano
Rolim,ClarissaMoraes, DéboraTozzo,
EduardoKorrnives,Fabrício
Rodrigues,
FernandaFarias,Filipe
Bezerra,GabrielaCupani,Geannine Martins, GisielaKlein, [anaínaBerti, Larissa
[unkes, LauraAntunes, Leonardo
Collares,
Leyla
Spada,
MarcelaAlbuquerque,
MarianaCordeiro, NatáliaViana, PedroValente,
Rhodrigo
Deda,SalvadorGomes, SaraFaraci, Sílvio
Smaniotto,SôniaCampos
Fotografia:
SamantaLopes,GustavoSchwabe, RamiroPisseti, Wagner Maia, Salvador Gomes
Laboratório
Fotográfico:
SamantaLopes, WagnerMaia, SalvadorGomes Secretaria de
redação
einfografia:
Pedro Valente
Serviços
editoriais:Veja,Photo(FR)Textos: A1anéaCoutinho,Alexandre
Mendonça,
Anacris deOliveira, CamilleReis,Cassiano Rolim,ClarissaMoraes,
DéboraTozzo,Fabrício
Rodrigues,
FernandaFarias,Filipe
Bezerra,FredericoCarvalho, GisielaKlein,
GustavoSchwabe,Larissajunkes,Laura
Meurer, LeonardoCollares, Lúciade
Barros,Mariana Cordeiro, NatáliaViana,
SalvadorGomes,SamantaLopes,Sara Faraci
TratamentodeImagens: José Lacerda, PedroValente,Camille Reis
Pré Press: Artline
Impressão:
Diário CatarinenseRedação:
CursodeJornalismo
(UFSC CCE-COM), Trindade,CEP88040-900,Florianópolis/SC
Telefones:(048) 331-9490e331-9215 Fax:(048)331-9898
HomePage:wwwcce.ulsc.br/+com
E-mail: [email protected]
Circulação:
gratuitaedirigida
Famílias
trocam
dignidade
por
sobrevivência
Vida
miserável
obriga
catadores de lixo
a
aceitar
exploração
A
página
doCursodeJorna
lismo da Universidade Federal de Santa Catarina na Internet está decara nova. Narededesdeodia5 de
fevereiro,
o novosite mantém o
design
e opadrão
implan
tados
pelo premiado
Universida de Aberta OnLine,
também pro duzidono curso. Oobjetivo
dareformulação
visual é tornar apá
gina
mais conhecida emoderna,
além de
garantir
acessos e "bai xamentos" maisrápidos.
Nositesãoencontradasno
tícias sobre o Curso de
Jornalis
mo enovidadesnaárea;
umhistórico que inclui de fotos
antigas;
entrevistas comjornalistas;
pro-Nacasade madeirade duas pe
ças echão de terra
batida,
Olivio dos Santos preparaochimarrão enquanto esperaocaminhão de lixochegar.
Ele trabalhacercadeseishoras por diaseparando
latas,
garrafas
plásticas
epapéis
do lixão domunicípio
de DionísioCerqueira,
extremooestecatarinense.São quatro carregamentosdiáriosemaisdecincotoneladas. A casade Oliviofica
apenasa cemmetrosdo trabalhoeentre
osrestosde
comida,
lixohospitalar
ebichos
berne,
eletiraosustentodele,
da mulheredos trêsfilhos.
-Desculpa
aminhaindiscrição,
mas
quanto
osenhorganha
por mês?- Eu
ganho
nafaixados150re-ais. - E
quantos
quilos
osenhorcatapara
chegar
nessevalor?- O
máximo queeu
j�
consegui
foram três toneladasemeia.Eque cada
quilo
de lixo recicláveleuganho
cincocentavos.Mas
já
foimais.Teveumaépo
caqueeramseis,
agora baixouumpouquinho.
- Masé sóo
senhor que cata?
-É,
quemcata sãosóeu,amu-lhere esses meusdois pequenos.Maso
dinheiroeudividocomumhomem que
moralánacidade. Elevem,pesa, vende
edividemeioameio.
-Masse
ele não cata, porque que ele recebe?
-Porque
ele disse queoterre nodo lixão é dele.Entãose euquerotrabalhar,
eu tenho que dividir comele.
O menino, com a
barriga
d'água
erostosujo
debarro,
chora.Amãeolevantado chão deterrabatida
e o colocano colo.
Ergue
a blusa ecolocao seionaboca domeninode
aproximadamente
um ano.Acriança
sugaoseioda mãecomtoda
força.
- Masseu
João,
osenhor pegaalguma
coisadolixo?-Ah,
isso a gente pega.Pega
principalmente
ascestasbásicas que aprefeitura
distribui paraopessoal
lá da cidadeeeles
jogam
foranolixo.Masaíagentepegaedá paraospor cos.
- Osenhor não recebecesta bá-sica?
-Teve
uma
época
que sim.Masagoraagentedesistiu.Temumpesso
al
aqui
da comunidade que também recebia.Masaíaprefeitura
disse quenãoíamaisdar para eles porque eles
erammuitorelaxados.
-Não dá para
aproveitar
nada do lixo para vocês?- De
vez em
quando
agenteachaumafrutinha. Daíagentelavae come.
Dionísio
Cerqueira:
mulheres
ecrianças
ganham
cinco
centavospor
tonelada
de lixo
reciclável
Textos
enotas estãonapágina
�
dução
dos alunos e laboratórios:g;
do curso;links
parapáginas
de�
interesseda áreajornalística;
texg. tos,
pesquisas,
livrose currículosC,,)
dos
professores,
assim como dopróprio
curso; ementaseprogra mas dasdisciplinas
do semestreem
vigor;
textos recomendados paraasaulase aténotasdasavaliações.
Para estimular a comunicação
entreosestudantes,
apá
gina
traz também o E-mail dosalunos- todoscom
acessogaran
tido à Internet
pela
UFSC. Apágina
anteriorfoi
acessada
quatro
mil vezes em seismeses.A
criação
dositefoi motivada por uma
pesquisa
sobreCamille Reis
- A
prefeitura
sabe que vocês trabalhamaqui?
- Eles sabemsim. Faz seisanos queeutrabalhonolixoetodosospre
feitos que passaram por
aqui
sabiam.Maseles não fazem nada
pela
gente.
Eles atépoderiam
fazerumausinadereciclagem,
igual
a umaquetemaqui
num
município
vizinho,
maseles nãofazem.Issoaté
poderia
dar maisem-prego parao
pessoal
daqui
daregião.
-Posso aparecer
aqui
semanaquevemparatrabalhar com vocês no
lixoetambém paraagente conversar maisumpou
co?
-Poder,
pode.
Masessetrabalho não é para
qualquer
umnão.De
segunda
à sá badoocaminhão da prefeitura de Dionísio Cer
queira
faz de três aquatro
carregamentos
diários paraolixão.Lá,
cercade100
famílias,
a maioriaex-agricultores,
vivemembarracos de lonasem ne
nhuma
infra-estrutura,
expostos
adoenças.
Samanta
Lopes
2 ZEROMARÇO-99
- E esse machucadonopé
da suaesposa?
- Issofoiontem
quando
agente
tavatrabalhandonolixão. Elaenfiou um cacode vidrono
pé.
Agora
táumpouco
inchado,
masdaqui
a poucopassa.
Amulher deOlivio
espanta
as moscasdapia,
afastadevagar
acri ança doseioedáaeleuma mamadeiracom
água.
- Easaúde dasuafamília?
-Graças
aDeus nósnuncafi-camosdoentes. As
crianças
trabalhamno
lixo, brincam,
mas agente
nuncaprecisou
levar paraohospital.
- Maso
município
temumprograma que o médico visitaas casas
dos
moradores,
não tem?-Olha,
eles só vieramaqui
uma vez.Fizeramumcadastronosso e nuncamais voltaram.
Especulador
assume
Banco
Central
Governo
nomeia
ex-assessor
de Soros
em
meio
à
crise financeira
"Amoedaé umadas mais importantes
instituições
deuma nação",
disseoex-presidente
doBan coCentral,
GustavoFranco,
em 7 dejulho
de1997,
nacerimônia decomemoração
doquarto
aniversá riodo real.Nomêspassado,
opaís
viuseu
orgulho
irporágua
abaixo.Amoeda desvalorizou 76%
frente
aodólaremduassemanasesó voltou
a
respirar
nasemanaseguinte.
Nasegunda-feira,
lOde março,umdólar comprava
R$
2,15.
O susto
foi
grande.
Operíodo
defestas
acabarahá poucoe opaís
assistia a Fernando
Henrique
Car doso assumir osegundo
mandato comopresidente
darepública.
Eleitohá
quatro
anoscom apromessadeacabarcoma
inflação,
apropos tade FHC paraareeleição
era combatero
desemprego,
afuga
de dóla resdopaís
eosespeculadores.
Nas duas
primeiras
semanasde
janeiro,
centenasdemilhões de dólares deixaramopaís
diariamen te.Nodia13,
Gustavo Francopediu
demissão dapresidência
doBanco Central. FranciscoLopes
assumiu interinamenteocargo efoi
aosEs tadosUnidos, junto
comoministro PedroMalan,
tentarnoFundoMo netário Internacional(FMI)
aliberação
dasegunda parcela
daajuda
deUS$ 41,5
bilhõesprometida
aoBrasil.
Dois dias
depois,
oBanco Cen traldecidiunãousarmaisasreser vasinternacionaispara controlarocâmbio. Festa na bolsade valores
de São
Paulo,
que fechou em altade
33,41
%.Odólarpulou
deR$
1,31
a
R$ 1,43
emumdia. Emduasse manasa moedaamericana estaria valendoR$
2,10.
Deza zeroparaos
especulado
res.Afalta deação
do Banco Cen tral diante daespeculação
desen-Oaumentode
54%
naimpor
tação
deprodutos
brasileiros éosi nal mais imediato da desvalorização
do real naArgentina.
Aqueda
dos preços em
relação
ao pesoargentino,
quetemamesmacotação
do
dólar,
provocouumainvasão deprodutos
"madein Brazil" nopaís
vizinho. Emum
mês,
aimporta
ção
doaçúcar
brasileiroaumentou1099%, enquanto
ostecidostiveramumaalta de mais de 3000%.Outros
produtos, porém,
tiveramumabai xasignificativa
nasimportações,
comoosdestilados(queda
de75%)
e
artigos
depele
e couro(queda
de61%).
A
situação
preocupaaindústriaargentina
porque além deperder
opróprio
mercado,
o aumento nasimportações
vai causarum maior déficitnabalança
comercialeumaperda
nacompetitividade
dos produtos
platinos.
Isso estásendorefletidonadificuldade do
país
emexportar
seusprodutos
paraoBrasil,
principal parceiro
econômico noMercosul com outro
agravante:
ospreços ficaram mais caros
após
adesvalorização
doreal,
que desdeodia
13
dejaneiro chegou
a32%.
Devido à todos esses
proble
mas, a
Argentina
vai deixarde exportar
2,5
bilhõesde dólares paraofreada
e dadesvalorização
recorde doreal,
irritouopresidente
Fernando
Henrique Cardoso,
que demitiu FranciscoLopes.
Nodia2de fevereiroveioa sur
presa. OeconomistaArmínio
Fraga
Neto,
braço
brasileiro domegain
vestidor americanoGeorge
Soros,
assumiu avaga deixada por Fran ciscoLopes.
Aprovada
pelo
mercado e gerando
polêmica,
achegada
doeconomistaaocomandodo BC
é,
para ospolíticos
deoposição,
a certezade queo
país
está "à deriva". Seriatambém maisumsinal da submis
são da
equipe
econômica às instituições
internacionais,
como oFMI.FormadoemEconomianaPUC
doRiode
Janeiro
edoutorpela
Uni versidade dePrinceton,
nos Esta dosUnidos,
Armínio éespecialista
emmercadosinternacionais. Apar te maisatrativado seucurrículo
-justamente
aque incendeiaapolê
mica- éa
sua
competência
naSoros Found
Management (Adrnlnis
tradoradoFundoSoros).
US$
25mi lhõesteriasidoobônusdegratífíca
ção pelo
seudesempenho.
Comodiretordo fundo
Soros,
oeconomista
prestava
assessoria aogrupo
Quantum, responsável
pelo
fundoQuantum
NY,
omaís
rentável do mundonosúltimosanos.Sua
principal
tarefanaorganização
eraformular a
estratégia
deatuação
nosmercadosemergentes,
comooBrasil.
No
final
defevereiro,
oquetodos esperavam.
Fraga
teriaforneci doinformações
econômicasprivile
giadas
doBrasilyara
Soros,
nofimde-semana apos o
jantar
com opresidente
e oministroda Fazenda. Pelo menosestafoi aacusação
doeconornísta americano Paul
Krug
man,prestigiado
internacional-Brasil.Mesmocomesse
cenário,
oseconomistas acreditam que as ex
portações argentinas
vãocrescerdeqa 5% esteano.
Nos últimos
quatro
anos, asvendas ao Brasil aumentaram em
torno de
30%,
principalmente
nosetor de manufaturas
industriais,
queneste
período
cresceu de36
a52%,
de acordo com números daFundação
Capital,
queanunciouque "seaeconomiabrasileirapode
nosafetar
tanto,
é porque ainda nãoatingimos
umamaturidade necessária para
suportar
choques
externos".
A
pedido
da UniãoAduaneira,
vários setores da economia argen tina
já
procuram fórmulas paraten tar contero aumentodasimporta
ções,
caso o panorama não mude dentro dedoisoutrês meses.Umasaída é
fazer
comque ogovernoeempresários
locais declarem "dano à indústrialocal",
umaespécie
demecanismo de
proteção
econômica
permitido
yela
Organização
Mundial de
Comercio,
queregulamenta
todas as
transações
do comérciointernacional.
OassessordaUniãoAduaneira
Alejandro Mayoral,
declarouaojor
nal
Clarín,
deBuenosAires,
queoBrasil deve se preocupar com o
COM
A/\/t160S
coMO
O
ftRM(NIO
eSPECULAR
P
6
l<-06u
Ih;
R,4ÇI-
!
mente, do Massachussets Institute of
Technology.
Poralgumas
horas,
ele
foi
oporta-voz
de todas ascríti casdirigidas
aogoverno brasileiro.Porém,
na mesma semana o economistadesmentiuoque
disse,
afirmando não ter provas coftcretas.
Krugman
declarouainda,
a uma revista
brasileira,
queacusarArmínioFraga
Neto teriasidoopior
errodesuavida.
Não é de
hoje
que apolítica
econômica do governo é
contesta-Mercosulnahora detomardecisões
naárea econômica. "Omelhor que
temos a fazer é não dar
lições
aoBrasileaumentarnossa
competíti
vidade".
Enquanto
nãotomammedidas maisfortes,
membros do governoplatino
tentaramnegociar
no Bra sil-semsucesso
-a
eliminação
desubsídios diretos paraos
exportado
res.Ouseja,
adiferença
entreopreçopago
pelo
governonacompra doproduto
e seupreço real.Masa
negativa
do governo brasileiro não provocou desânimona
Argentina, pois
estepedido
faz partedo amontoado de
exigências
queoFMIdecretouaoBrasilefará par
tedo
ajuste
fiscal.Secumprido,
vai provocarumarrocho de1bilhão dedólaresnaeconomiabrasileira. Chile
-A crise brasileirae a
desvalorização
do real não afeta rámuito opaís
que mais desen volveusuaeconomianaAmérica Latina nos últimos anos. Paísespróximos,
massemfronteirasentre
si,
Brasil e Chile mantêmumbaixo intercâmbio comercial. Os analistas esperamem
99
um crescimentode
2,8%
naeconomiachi lena. Paraeles,
nem mesmo uma novadesvalorização
do real desaqueceria
aeconomiadoChile,
que•
Argentina
é
invadida
por
produtos
brasileiros
Desvalorização
do Real
aumenta
as
importações
dos
hermanos
da.Quando
assumiuapresidência
do Banco
Central,
emjulho
de1997,
GustavoFrancodisse queasâncoras cambial e monetária do
real seriam
"para
sempre".
Posições
comoessalhevalerama condição
deinimigo
dos críticos da po lítica econômica que, embora bem sucedida no controle dainflação,
depende
dejuros
altosepoucocrescimento econômico.
Cassiano Rolim
teria um crescimento de
pelo
menos 1%.O
efeito
dacrisenocomércio também nãopreocu-pa. As
transações
co-merciaischilenascom o Brasil não
ultrapas
sam 5% do total nego
ciado
pelo país,
sendo que metade destes sãonegócios
comcobre,
produto
cujo
preçovem caindo
gradual
mente.Deacordocomos
banqueiros
daregião,
oriscomaior seriade
uma eventual decla
ração
de moratória do governobrasileiro,
quepoderia
deixarosbancos chilenos sem acesso a crédito e o
governo sem condi
ções
de emitirbônus.José
Barrionuevo,
do bancoSalomon SmithBarney,
acredita que aeconomia chilena só estaria aperigo
se aEuropa
e os Estados Unidossentissemosefeitos dacrisedo Bra sil.
Argentinos
estão
comprando
mais
...Açúca;lr
�••••"'.,....
�0_9%
Tecidos
... +3000%
MARÇO-99
ZERO 3 . ..eimportando
menosDestilados
..••...-75%
PeleleOuro
•.•,;�
...-6a%
Fabrício
Rodrigues
Inauguração
foi marcada
por
brigas políticas
Após
conclusão
doprojeto
proposta
é
de
funcionamento
24
horas
Na
festa
de
100
anos
do
Mercado Público volta
a
promessa
da
cobertura
o aniversário de 100anos
do mercado
público
de Florianópolis
foi comemoradocom aparticipação
deaproximada
mente 100 mil pessoas. A Pre feitura autorizou oficialmente
a
construção
de uma coberturade vidro para o
mercado,
obraque foi
projetada
há dois anos.Depois
depronta
acobertura,
aadrninistração
pretende
fazer com que o mercado funcione aosdomingos,
eposteriormen
te 24 horas.
Segundo
o administrador doMercado,
OresteMello,
asobras não começaram porque
o tema ainda é muito
polemi
zado. Técnicos do IPUF tememque o estilo
arquitetônico
doprédio
seja
agredido
pelo design
moderno da cobertura. Mas Mello
garante
que isso não vaiacontecer,
pois
a cobertura foiprojetada
para trazer benefíci os, aliando o velho ao novo. O vidro que será usado deixa passarapenas 30% do
calor,
o quevai transformar o
pátio
internonum ambiente mais
fresco
eagradável.
Acobertura,
patro
cinada
pela
Antarctica,
será fi-xadanochão,
sem seapoi
ar na estru-tura do mer cado. Alémdisso,
ela é facilmente desmontável,
oque nãocompromete
futuras
obras de ma
nutenção.
No
início:
cenário de
batalhas
políticas (e
nãopal'
preços)
De acordo comOreste,
além de gerar mais empregos,
o "mercado 24 horas"
poderia
ser uma alternativa de lazerpara a
população
e para os turistas,
mesmofora
detempo
rada. "Durante odia não mudanada,
é pra comprar.À
noite é queaspessoas vãopoder
irparase divertir nos bares e ouvir música".
Outro
projeto
parao mercado é o de transformá-lo em
fundação.
Mello diz que a administração
precisa
de mais autonomia apenas com afisca
lização
daprefeitura.
O mercado
poderá
voltar a ter, porexemplo,
mais atividadestípi
cas da Ilha.
Hoje
a maioria dosboxes lidam com vestuário e
calçados,
oque Mello atribuiaopoder
público,
enão àadministração
do mercado. "Poderemos voltar a ter
artesanato,
rendas,
caldo de cana, tudo oque é
típico
da ilha".O administrador admite que as
condições
do mercadoainda
hoje
sãoprecárias
e existem obras
importantes
a se remfeitas
noprédio.
Retocar apintura,
consertarportas,
calhas,
osistemadeprevenção
de incêndio e construir uma central única para o
gás
sãoalgu
mas obras que
precisam
serfeitas com
rapidez. Segundo
Oreste,
amanutenção
temquemserconstante. Ele acres centa que é
preciso
cuidar do mercadopúblico. "Algumas
pessoasdizem que tem que cuidar
porque é ocartão
postal
de Florianópolis.
O rnercado não é ocartão
postal.
O cartãopostal
éa
ponte.
O mercado é a sala devisitas da cidade.
É
aonde aspessoas
podem
ver como é opovo
daqui.
É
olugar
da Ilha com a maiorconcentração
de manezinhos pormetroquadra
do.
É
umlugar mágico".
NofinaldoséculoXVIII
pescado
res elavradores do
povoado
denossaSenhora do Desterromontavam
barraqui
nhas para venderoque
produziam
napraça central
(atual Praça
Xvdenovembro).
Lá elesaportavamas canoasvindas docontinenteedointeriorda Ilha.Masocrescimentodesta atividade comercialco
meçou a incomodaros
políticos,
queachavamasbarracasmuito
sujas
emalapresentadas
paraserem omercado dacapital,
além de seremfreqüentadas
pelas
camadasmaispobres
dapopula
ção.
Em
1845,
com avisitadeD PedroIIa
Desterro,
asbarracas foramretiradas da praçaearmadaspertodaPonte
do
Vinagre,
onde ficahoje
oprédio
daantiga
Capitania
dosPortos.Comofimdavisitado
Imperador,
asbarraquinhas
passarama sermotivode
briga
política.
Surgiram
entãoosprimeiros
esboços
departidos políticos
nacidade:os"barraquistas",
cristãos quequeriam
asbarra cas napraça centrale os"vinagristas",
judeus
queasqueriam
onde estavam,"'If
�
naPontedoVinagre.
i
�
Finalmenteem1848 éautoriza-i...
�
daaconstrução
doprimeiro
mercado�
público
de Desterro,inaugurado
em�
1851,
napraçacentral.
Mesmo assimos :s:problemas
higiênicos
esociais,quecau,�
savamantipatia
àsbarraquinhas,
contí.g
nuaram nomercado.Essasquestões
ali-2 adasaocrescimentodo comérciono
10-�
calexigiram
aconstrução
deum novomercado.
Assim, nodia 5 de fevereiro de 1899 foi
inaugurado
o atual mercadopúblico
deFlorianópolis.
Inicialmente,
o
prédio
tinha apenasumaalae umadassuasfachadasdava direto parao mar.
Aospoucos, a
construção
foi sendoincrementadacom
calçamento,
luz,
caiserampas paraosbarcos.
Em 1931 foi
inaugurada
a novaala do mercado.
Algumas
mudanças
foramfeitas na
arquitetura
paraque asduas alasficassem
iguais.
Foramconstruídas tambémasquatrotorreseasduas pontesque
ligam
umaala àoutra. Aalaantiga
foi fechadaepormuitotemposó abria duasvezesporsemana.Nadécada de 70comerciantesque vendiamartigos
de armarinhoseartesanatonas
proximi
dades do mercado foram autorizadosa
utilizarosboxes da ala
antiga,
ondefun cionam atéhoje.
Nadécada de 80omercado
pú
blicofoitombadoepassoupela
suapri
meirareforma.Além da
recuperação
dostelhados, cobertura,
torres,esquadrias
erebocos,
foraminstaladasasredes elétricaetelefônicaereformadaarede hi
drossanitáriae osistema de
prevenção
de incêndio.
�-�_._---�---�---Eli Hei]
despertou
paraasartesplásticas
em1962
depois
de ficarcinco anosdoente. Trouxeram-lheumquadro
depresentee,num
sonho,
umpássaro
lhedisse: "Você
pode
fazeristo".Eli fa lou: "Istoeutambémfaço".
Começou
pintando
comgiz
decera asimagens
deCristoedeNossaSenhora.
Hoje,
aos70anos, usadas maisvariadas técnicas:
misturaferrocomcimento,ergue está
tuasde até doismetrosetransformaar
gamassaemum
presépio
deminiaturas. Brinca com material
reciclável,
comootijolo
ealã,
eé capaz de fazerfios detinta.
Nasceuem
Palhoça,
em1929, foiprofessora
deeducação
físicaemsuajuventude
enuncafreqüentou qualquer
tipo
de escola deartes.Afirmaser umacriadorade obrasebusca trabalharcom novas ediferentes técnicas. Em
1984
inaugurou
aFundação
OMuseuMundoOvode Eli
Heil,
com umacervodecercadeduas mil obras.
Zero- C011UJ
foi
queasenho radescobriuasartesplásticas?
Eli neil
-Fiquei
grávida
cincoanospararenascerenascer emborbo
tões. A arteparamiméa
expulsão
dos serescontidosedoloridosemgrandes
quantidades
em umparto
colorido. OMundoOvode Eli Heilnasceu
quando
houvea
explosão
domeucérebrojunta
mentecomaexplosão
domeuovário:pluf,
pluf, pluf.
Já
nasci!Já
nasci!Já
nasci!
Ovo, óvulo,
ovário.Eusouartistaque vomita
criações.
Todaaminhaobraéovo,
óvulo,
ovário. Z.- Se éovo,
óvulo, ovário,
ela sai de dentro de você.Posso
dizer que cada obra
representa
umsentimento,umestado de
espírito
domomentoemque ela
foifeita?
E.n.-
É,
talvezseja
omomento. Porissoqueeudigo
assim:euvomitocriações.
Agentequando
vomitanão sabeoquevomita,éumamaneira de expres
são. Eu
digo
quevomitocriações
porquequando
estavadoentevomitavamuito,vomitavadiariamente.Umdiafuiaoba
nheiro e vomitei muito,
parecia
bílis purae,comotinha espuma,parecia
que tinhabichinhos,
aí disse:meuDeus,
eutô é vomitando
criações.
Entãofiquei
conhecidacomoaartistaquevomita cria
ções.
São 171 técnicasetipos
de volu mesquejá
crieiatéhoje.
Z.- Olivro VomitanIÚJ Senti
mentosqueestáparaser
lançado
éuma nova
forma
queasenhora descobriuparaseexpressar?
E.n.- De
expressar tudo.Noli
vrodiz tudo. Como ése que diz ?!
-"mateiacobraemostreio
pau". Quer
dizer que além deumacoisafizoutra
para
explicar
às pessoasaminha obra. Cadapalavra,
cadafrase,
cada poema,são
depoimentos poéticos, explica
oqueeufiz.
É
umaarteparaexplicar
apró
pria
arte. Olivrocontaminha vida artística.Eleiriaser
lançado
emmarço,mascomacriseeconômicaauniversidade
adiouo
lançamento.
Z.-Em1986asenhora criou "AdãoeEva",duas
gigantes
esculturasque
ficaram
10anosnoportal
para
brindar os visitantes.Elasforam
derrubadasporcami nhões daprefeitura
devidoaduplicação
da SC 401.Comoissoinfluenciou
no seutrabalho?E.n.- Foramderrubadassemdó
nem
piedade.
Elas nãoprecisavam
tersaídodali.Nemaestrada passou
ali,
foiumvandalismo oficial.Adorfoi
grande,
tanto minhacomo ado meumarido que ficou
muitodoente.
Expressei
tudoemumpoe ma:Ador deumaartista.Z.-E
as suasobras?
E.n.-Comecei
afazermuitos nus,
eu dizia queera averdadenuaecrua.
Meusnus
pareciam
máquinas
nuas, mui topeito,
muitaforça,
como seestivessemempurrando
amáquina.
Fiquei
seismesessem
colorido,
não tinhacor,tudopretoebranco.
Depois
fiz diversosnusbrancos,
nusvermelhos,nusazuis.A Eva
caída,
aEvadeitada. Elesmataramduascriasdo
meu
cérebro)
temacriadabarriga
e acriado cérebro.Ebem verdade queacriada
barriga
paramiméumacoisabemdife rente,osentimentodo cérebro é bem diferente,
mas umacoisa estáligada
àoutra. Aminhadorjá
foi todaescorrida,
armazenada,
mas nuncaesquecida.
Z.
-Qual
osignijicaIÚJ
dasco res nessafase,
obranco,
overmelhoeazul?
E.n.- O
branco é porque tinham
me
apagado,
mataramumpedacinho
demim;overmelhorepresentaosangue, a
dor;
eoazul porqueeuqueria
paz,que medeixassemempaz.Z.-Assuasobras são paraa
próprio
coleção
ouestãoatenda?E.n.-'ludo
Oque estáexpostona
Fundação
está tombado.Nomeuatelier vendoalgumas
obras paraaconservação
doMundoOvo.
Z. -A senhora
já participou
de
exposições?
E.n.-PortodooBrasile na
França
mais de trintavezes.Esteanorecebida
França
umaespécie
derevista,comquatro
páginas
só das minhas obras.Já
parti-
;cipei
dequatroBienais,
ArteIncomume outrasque não lembroo nome.Z.-Comoésaber quesua
obra estáSenIÚJ reconhecida
tntemacionalmente? E.n.- Eunãotenho recla
mação,
o mundointeirovemmevisitar. Aspessoas
já
vêmcomcartão zinho para,quando chegarem
emFlorianópolis,
nãoesquecerem devisitarEli Heíl,Eu seiquesouatémaisconhecida lá fora do queaqui
dentro.D
irônicodisso tudo é que sempredigo:
eufiz tudo porvocêsepara vocês.
É
tristemaséverdade,
soumaisreconhecidalá
fora, aqui
eunãosoureconhecida. Tanto que derrubaramo
AdãoeEva.
Z.-Noinicioasenhoratinba
o
Mundo
Ovo
nasceu
quando
houve
a
explosão
do
meu
cérebro
juntamente
com a
explosão
do
meu
ovário.'
pluf,pluipluf
Já
nasci!
Já
nasci!
Já
nasci!
Ovo,
óvulo,
ovário.
Eu
sou
artista
que
vomita
criações.
Toda
a
minha
obra é
ovo,
óvulo,
� ,
ouano
Artl$ta
plástica
catarlnense
planeja
o
I.nCJ,m,nt.
dollvr.
Vomitando
Sentimentos,
que
conta
sua
vida
artística
objetivo
detornara suaarteconhe cida?E.n.
-Não,
quando
comeceinão sabiade nada. Sóseiquequando
comecei vomitei mesmo,eunãomeinteressavaseaquilo
erabom, queria
erabotar para fora.Foi
quando
oprofessor
João
Evangelista,
críticodearte,viuaminha
obra,
seentu siasmouemelevou para Brasilia.Depois
de doisanosde
pintura
já
fui convidada para exporemParis. Foiimediato.Eujá
tenhoem
vida,
muitos artistasmorremeentãosetomamconhecidos.Euestou ten
doachance dever aminhaobraserreco
nhecidaaindaemvida.
Z.-Nestamesma
fase
houve quem considerasseasuaarteingê
nua?E.n.- No
começoeufui conside radacomo
expressionista primitiva,
depois expressionista, surrealista,
artepop, arte incomum.Nem eles sabiammeelassificar. Umavezo
Harry
Lausmeligou
edisse assim: "Elicomoé queeuvoute
classificar?"
-eu disse para ele: "Não
tenhorótulo"- aíele
respondeu:
"Todavezqueagentevai aí éoutracoisa,outra coisa!". Euestousempreembusca donovo.
Z.- O
poeta
catarinenseHarryLaus,também crítico dearte,es creveusobreo seutrabalho.Emum
dos trechos diziao
seguinte:
"Umaliberdade criadora
espantosa,
per turbanIÚJpela
descoberta contínua denovosatosdeexpressão
com o uso de materiaismais insólitos onde só elaencontraapossibilida
de de
transformação
emobra de arte".Asenhorasejulga
IÚJnadeumIÚJmúnicoouatémesmoexclu
sivo?
MARÇO
- 99 ZERO 5E.n.
-Não,eunão,osoutrosé que dizem. Sou muito humilde para acharisso,eacredito queexistem mui
tos
gênios.
Mas muitaspessoasque vêmaqui
dizem queaminha obra éúnica,
talvez
seja
porqueeunão tenhoumaescola,
epelo
fato de fazer tudooquequeroenãotermedo.
Faço
tudooque vempela
minhafrente,
ponho
tudo parafora,
acho que é por isso que sai diferente. Tem artistaquetemmedoseal
guém
vaigostar
ounão,
eunãomepreocupo.
Z.
-Acredita queaartec011UJ um
todo,
aexpressão
artísticaé umdomouelapode
serdesenvol vidatecnicamente?E.n. - Ela
pode
serumdomepode
serdesenvolvida.Euporexemplo
sou um