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Zero, 1999, ano 15, n.3, mar.

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como os

jornalistas

e estudantes de

Jornalismo

usam a rede em sua

formação

e

profissão,

além da necessidade deseter um instru­

mentode

divulgação

da

produção

dos

professores

e alunos para o

público

externo. O banco de da­ dos

disponível

na

página

antiga,

que trazia o

endereço

de

jornais

e

jornalistas

e um

guia

de fontes

para

estudantes

e

profissionais,

está sendo atualizado para uma

readequação

ao

site,

e vai estar

disponível

brevemente. O ende­ reço é

http://www.cce.ufsc.br/

+com.

ZERO Página

do

Curso

de

Jornalismo

é

reformulada

ANOXV-N°

3

MARÇO

99

CURSO

DE

JORNALISMO

CCE

-

COM

UFSC

������

Melhor

Peça

Gráfica

I, II, III, Iv,

V

e

XI

Set Universitário

88,89,90,91,92

e

98

Jornal-laboratório

do

Curso

dejornalísmo

da Universidade Federal de Santa

Catarinaeditado

pelo

Laboratório de

Infografia

Concluídonodia8de março Arte: Romeu Martins

Direção

dearteede

redação:

Prof. Ricardo Barreto

Colaboração:

Nicholas Nixon,Ethan

Hoffman, Joséda SilvaJr.

Edição:

A1anéaCoutinho,Alexandre

Mendonça,

Anacris Oliveira,AnaLetícia daRosa,André Luckman,

Ângela

Delpizzo,

CamilleReis, Carolinade

Assis, CassianoRolim,ClarissaMoraes,

DéboraTozzo, EduardoKormives,

Fabrício

Rodrigues,

FernandaFarias,

Filipe

Bezerra, Frederico Carvalho, GabrielaCupani,Geannine Martins,

Gisiela Klein,GustavoSchwabe,Janaína Berti, Larissajunkes, LeonardoCollares,

Leyla Spada,

MarcelaAlbuquerque,

MarianaCordeiro, NatáliaViana, Pedro

Valente,

Rhodrigo

Deda, Romeu Martins, SalvadorGomes, SaraFaraci, Sílvio

Smaniotto,SôniaCampos

Editoração

eletrônica: A1anéa

Coutinho,Alexandre

Mendonça,

Ana Letícia daRosa,AndréLückman,

CamilleReis,Carolina deAssis, Cassiano

Rolim,ClarissaMoraes, DéboraTozzo,

EduardoKorrnives,Fabrício

Rodrigues,

FernandaFarias,

Filipe

Bezerra,

GabrielaCupani,Geannine Martins, GisielaKlein, [anaínaBerti, Larissa

[unkes, LauraAntunes, Leonardo

Collares,

Leyla

Spada,

Marcela

Albuquerque,

MarianaCordeiro, Natália

Viana, PedroValente,

Rhodrigo

Deda,

SalvadorGomes, SaraFaraci, Sílvio

Smaniotto,SôniaCampos

Fotografia:

SamantaLopes,Gustavo

Schwabe, RamiroPisseti, Wagner Maia, Salvador Gomes

Laboratório

Fotográfico:

Samanta

Lopes, WagnerMaia, SalvadorGomes Secretaria de

redação

e

infografia:

Pedro Valente

Serviços

editoriais:Veja,Photo(FR)

Textos: A1anéaCoutinho,Alexandre

Mendonça,

Anacris deOliveira, Camille

Reis,Cassiano Rolim,ClarissaMoraes,

DéboraTozzo,Fabrício

Rodrigues,

FernandaFarias,

Filipe

Bezerra,

FredericoCarvalho, GisielaKlein,

GustavoSchwabe,Larissajunkes,Laura

Meurer, LeonardoCollares, Lúciade

Barros,Mariana Cordeiro, NatáliaViana,

SalvadorGomes,SamantaLopes,Sara Faraci

TratamentodeImagens: José Lacerda, PedroValente,Camille Reis

Pré Press: Artline

Impressão:

Diário Catarinense

Redação:

Cursode

Jornalismo

(UFSC­ CCE-COM), Trindade,CEP88040-900,

Florianópolis/SC

Telefones:(048) 331-9490e331-9215 Fax:(048)331-9898

HomePage:wwwcce.ulsc.br/+com

E-mail: [email protected]

Circulação:

gratuitae

dirigida

Famílias

trocam

dignidade

por

sobrevivência

Vida

miserável

obriga

catadores de lixo

a

aceitar

exploração

A

página

doCursode

Jorna­

lismo da Universidade Federal de Santa Catarina na Internet está decara nova. Narededesdeodia

5 de

fevereiro,

o novosite man­

tém o

design

e o

padrão

implan­

tados

pelo premiado

Universida­ de Aberta On

Line,

também pro­ duzidono curso. O

objetivo

dare­

formulação

visual é tornar a

pá­

gina

mais conhecida e

moderna,

além de

garantir

acessos e "bai­ xamentos" mais

rápidos.

Nositesãoencontradasno­

tícias sobre o Curso de

Jornalis­

mo enovidadesna

área;

umhis­

tórico que inclui de fotos

antigas;

entrevistas com

jornalistas;

pro-Nacasade madeirade duas pe­

ças echão de terra

batida,

Olivio dos Santos preparaochimarrão enquanto esperaocaminhão de lixo

chegar.

Ele trabalhacercadeseishoras por diase­

parando

latas,

garrafas

plásticas

epa­

péis

do lixão do

município

de Dionísio

Cerqueira,

extremooestecatarinense.São quatro carregamentosdiáriosemaisde

cincotoneladas. A casade Oliviofica

apenasa cemmetrosdo trabalhoeentre

osrestosde

comida,

lixo

hospitalar

ebi­

chos

berne,

eletiraosustento

dele,

da mulheredos trêsfilhos.

-Desculpa

aminha

indiscrição,

mas

quanto

osenhor

ganha

por mês?

- Eu

ganho

nafaixados150

re-ais. - E

quantos

quilos

osenhorcata

para

chegar

nessevalor?

- O

máximo queeu

j�

consegui

foram três toneladasemeia.Eque cada

quilo

de lixo recicláveleu

ganho

cinco

centavos.Mas

foimais.Teveuma

épo­

caqueeram

seis,

agora baixouumpou­

quinho.

- Masé sóo

senhor que cata?

-É,

quemcata sãosóeu,a

mu-lhere esses meusdois pequenos.Maso

dinheiroeudividocomumhomem que

moralánacidade. Elevem,pesa, vende

edividemeioameio.

-Masse

ele não cata, porque que ele recebe?

-Porque

ele disse queoterre­ nodo lixão é dele.Entãose euquero

trabalhar,

eu tenho que dividir com

ele.

O menino, com a

barriga

d'água

erosto

sujo

de

barro,

chora.A

mãeolevantado chão deterrabatida

e o colocano colo.

Ergue

a blusa e

colocao seionaboca domeninode

aproximadamente

um ano.A

criança

sugaoseioda mãecomtoda

força.

- Mas

seu

João,

osenhor pega

alguma

coisadolixo?

-Ah,

isso a gente pega.

Pega

principalmente

ascestasbásicas que a

prefeitura

distribui parao

pessoal

lá da cidadeeeles

jogam

foranolixo.

Masaíagentepegaedá paraospor­ cos.

- Osenhor não recebecesta bá-sica?

-Teve

uma

época

que sim.Mas

agoraagentedesistiu.Temumpesso­

al

aqui

da comunidade que também recebia.Masaía

prefeitura

disse que

nãoíamaisdar para eles porque eles

erammuitorelaxados.

-Não dá para

aproveitar

nada do lixo para vocês?

- De

vez em

quando

agenteacha

umafrutinha. Daíagentelavae come.

Dionísio

Cerqueira:

mulheres

e

crianças

ganham

cinco

centavos

por

tonelada

de lixo

reciclável

Textos

enotas estãona

página

dução

dos alunos e laboratórios

:g;

do curso;

links

para

páginas

de

interesseda área

jornalística;

tex­

g. tos,

pesquisas,

livrose currículos

C,,)

dos

professores,

assim como do

próprio

curso; ementaseprogra­ mas das

disciplinas

do semestre

em

vigor;

textos recomendados paraasaulase aténotasdasava­

liações.

Para estimular a comu­

nicação

entreos

estudantes,

a

pá­

gina

traz também o E-mail dos

alunos- todoscom

acessogaran­

tido à Internet

pela

UFSC. A

página

anterior

foi

aces­

sada

quatro

mil vezes em seis

meses.A

criação

dositefoi moti­

vada por uma

pesquisa

sobre

Camille Reis

- A

prefeitura

sabe que vocês trabalham

aqui?

- Eles sabemsim. Faz seisanos queeutrabalhonolixoetodosospre­

feitos que passaram por

aqui

sabiam.

Maseles não fazem nada

pela

gente.

Eles até

poderiam

fazerumausinade

reciclagem,

igual

a umaquetem

aqui

num

município

vizinho,

maseles não

fazem.Issoaté

poderia

dar mais

em-prego parao

pessoal

da­

qui

da

região.

-Posso aparecer

aqui

semanaquevempara

trabalhar com vocês no

lixoetambém paraagente conversar maisumpou­

co?

-Poder,

pode.

Mas

essetrabalho não é para

qualquer

umnão.

De

segunda

à sá­ badoocaminhão da pre­

feitura de Dionísio Cer­

queira

faz de três aqua­

tro

carregamentos

diários paraolixão.

Lá,

cercade

100

famílias,

a maioria

ex-agricultores,

vivemem

barracos de lonasem ne­

nhuma

infra-estrutura,

expostos

a

doenças.

Samanta

Lopes

2 ZERO

MARÇO-99

- E esse machucadono

da sua

esposa?

- Issofoi

ontem

quando

a

gente

tavatrabalhandonolixão. Elaenfiou um cacode vidrono

pé.

Agora

táum

pouco

inchado,

mas

daqui

a pouco

passa.

Amulher deOlivio

espanta

as moscasda

pia,

afasta

devagar

acri­ ança doseioedáaeleuma mama­

deiracom

água.

- Easaúde dasuafamília?

-Graças

aDeus nósnunca

fi-camosdoentes. As

crianças

trabalham

no

lixo, brincam,

mas a

gente

nunca

precisou

levar parao

hospital.

- Maso

município

temumpro­

grama que o médico visitaas casas

dos

moradores,

não tem?

-Olha,

eles só vieram

aqui

uma vez.Fizeramumcadastronosso e nunca

mais voltaram.

(3)

Especulador

assume

Banco

Central

Governo

nomeia

ex-assessor

de Soros

em

meio

à

crise financeira

"Amoedaé umadas mais im­

portantes

instituições

deuma na­

ção",

disseo

ex-presidente

doBan­ co

Central,

Gustavo

Franco,

em 7 de

julho

de

1997,

nacerimônia de

comemoração

do

quarto

aniversá­ riodo real.Nomês

passado,

o

país

viuseu

orgulho

irpor

água

abaixo.A

moeda desvalorizou 76%

frente

ao

dólaremduassemanasesó voltou

a

respirar

nasemana

seguinte.

Na

segunda-feira,

lOde março,umdó­

lar comprava

R$

2,15.

O susto

foi

grande.

O

período

de

festas

acabarahá poucoe o

país

assistia a Fernando

Henrique

Car­ doso assumir o

segundo

mandato como

presidente

da

república.

Elei­

tohá

quatro

anoscom apromessa

deacabarcoma

inflação,

apropos­ tade FHC paraa

reeleição

era com­

batero

desemprego,

a

fuga

de dóla­ resdo

país

eos

especuladores.

Nas duas

primeiras

semanas

de

janeiro,

centenasdemilhões de dólares deixaramo

país

diariamen­ te.Nodia

13,

Gustavo Franco

pediu

demissão da

presidência

doBanco Central. Francisco

Lopes

assumiu interinamenteocargo e

foi

aosEs­ tados

Unidos, junto

comoministro Pedro

Malan,

tentarnoFundoMo­ netário Internacional

(FMI)

alibe­

ração

da

segunda parcela

da

ajuda

de

US$ 41,5

bilhões

prometida

ao

Brasil.

Dois dias

depois,

oBanco Cen­ traldecidiunãousarmaisasreser­ vasinternacionaispara controlaro

câmbio. Festa na bolsade valores

de São

Paulo,

que fechou em alta

de

33,41

%.Odólar

pulou

de

R$

1,31

a

R$ 1,43

emumdia. Emduasse­ manasa moedaamericana estaria valendo

R$

2,10.

Deza zeroparaos

especulado­

res.Afalta de

ação

do Banco Cen­ tral diante da

especulação

desen-Oaumentode

54%

na

impor­

tação

de

produtos

brasileiros éosi­ nal mais imediato da desvaloriza­

ção

do real na

Argentina.

A

queda

dos preços em

relação

ao pesoar­

gentino,

quetemamesma

cotação

do

dólar,

provocouumainvasão de

produtos

"madein Brazil" no

país

vizinho. Emum

mês,

a

importa­

ção

do

açúcar

brasileiroaumentou

1099%, enquanto

ostecidostiveram

umaalta de mais de 3000%.Outros

produtos, porém,

tiveramumabai­ xa

significativa

nas

importações,

comoosdestilados

(queda

de

75%)

e

artigos

de

pele

e couro

(queda

de

61%).

A

situação

preocupaaindústria

argentina

porque além de

perder

o

próprio

mercado,

o aumento nas

importações

vai causarum maior déficitna

balança

comercialeuma

perda

na

competitividade

dos pro­

dutos

platinos.

Isso estásendore­

fletidonadificuldade do

país

emex­

portar

seus

produtos

parao

Brasil,

principal parceiro

econômico no

Mercosul com outro

agravante:

os

preços ficaram mais caros

após

a

desvalorização

do

real,

que desdeo

dia

13

de

janeiro chegou

a

32%.

Devido à todos esses

proble­

mas, a

Argentina

vai deixarde ex­

portar

2,5

bilhõesde dólares parao

freada

e da

desvalorização

recorde do

real,

irritouo

presidente

Fernan­

do

Henrique Cardoso,

que demitiu Francisco

Lopes.

Nodia2de fevereiroveioa sur­

presa. OeconomistaArmínio

Fraga

Neto,

braço

brasileiro do

megain­

vestidor americano

George

Soros,

assumiu avaga deixada por Fran­ cisco

Lopes.

Aprovada

pelo

mercado e ge­

rando

polêmica,

a

chegada

doeco­

nomistaaocomandodo BC

é,

para os

políticos

de

oposição,

a certeza

de queo

país

está "à deriva". Seria

também maisumsinal da submis­

são da

equipe

econômica às insti­

tuições

internacionais,

como oFMI.

FormadoemEconomianaPUC

doRiode

Janeiro

edoutor

pela

Uni­ versidade de

Princeton,

nos Esta­ dos

Unidos,

Armínio é

especialista

emmercadosinternacionais. Apar­ te maisatrativado seucurrículo

-justamente

aque incendeiaa

polê­

mica- éa

sua

competência

naSo­

ros Found

Management (Adrnlnis­

tradoradoFundo

Soros).

US$

25mi­ lhõesteriasidoobônusde

gratífíca­

ção pelo

seu

desempenho.

Comodiretordo fundo

Soros,

o

economista

prestava

assessoria ao

grupo

Quantum, responsável

pelo

fundo

Quantum

NY,

o

maís

rentá­

vel do mundonosúltimosanos.Sua

principal

tarefana

organização

era

formular a

estratégia

de

atuação

nosmercados

emergentes,

comoo

Brasil.

No

final

de

fevereiro,

oqueto­

dos esperavam.

Fraga

teriaforneci­ do

informações

econômicas

privile­

giadas

do

Brasilyara

Soros,

nofim­

de-semana apos o

jantar

com o

presidente

e oministroda Fazenda. Pelo menosestafoi a

acusação

do

econornísta americano Paul

Krug­

man,

prestigiado

internacional-Brasil.Mesmocomesse

cenário,

os

economistas acreditam que as ex­

portações argentinas

vãocrescerde

qa 5% esteano.

Nos últimos

quatro

anos, as

vendas ao Brasil aumentaram em

torno de

30%,

principalmente

no

setor de manufaturas

industriais,

queneste

período

cresceu de

36

a

52%,

de acordo com números da

Fundação

Capital,

queanunciouque "seaeconomiabrasileira

pode

nos

afetar

tanto,

é porque ainda não

atingimos

umamaturidade neces­

sária para

suportar

choques

exter­

nos".

A

pedido

da União

Aduaneira,

vários setores da economia argen­ tina

procuram fórmulas paraten­ tar contero aumentodas

importa­

ções,

caso o panorama não mude dentro dedoisoutrês meses.Uma

saída é

fazer

comque ogovernoe

empresários

locais declarem "dano à indústria

local",

uma

espécie

de

mecanismo de

proteção

econômi­

ca

permitido

yela

Organização

Mun­

dial de

Comercio,

que

regulamenta

todas as

transações

do comércio

internacional.

OassessordaUniãoAduaneira

Alejandro Mayoral,

declarouao

jor­

nal

Clarín,

deBuenos

Aires,

queo

Brasil deve se preocupar com o

COM

A/\/t160S

coMO

O

ftRM(NIO

eSPECULAR

P

6

l<-06u

Ih;

R,4ÇI-

!

mente, do Massachussets Institute of

Technology.

Por

algumas

horas,

ele

foi

o

porta-voz

de todas ascríti­ cas

dirigidas

aogoverno brasileiro.

Porém,

na mesma semana o eco­

nomistadesmentiuoque

disse,

afir­

mando não ter provas coftcretas.

Krugman

declarou

ainda,

a uma re­

vista

brasileira,

queacusarArmínio

Fraga

Neto teriasidoo

pior

errode

suavida.

Não é de

hoje

que a

política

econômica do governo é

contesta-Mercosulnahora detomardecisões

naárea econômica. "Omelhor que

temos a fazer é não dar

lições

ao

Brasileaumentarnossa

competíti­

vidade".

Enquanto

nãotomammedidas mais

fortes,

membros do governo

platino

tentaram

negociar

no Bra­ sil

-semsucesso

-a

eliminação

de

subsídios diretos paraos

exportado­

res.Ou

seja,

a

diferença

entreopre­

çopago

pelo

governonacompra do

produto

e seupreço real.

Masa

negativa

do governo bra­

sileiro não provocou desânimona

Argentina, pois

este

pedido

faz par­

tedo amontoado de

exigências

que

oFMIdecretouaoBrasilefará par­

tedo

ajuste

fiscal.Se

cumprido,

vai provocarumarrocho de1bilhão de

dólaresnaeconomiabrasileira. Chile

-A crise brasileirae a

desvalorização

do real não afeta­ rámuito o

país

que mais desen­ volveusuaeconomianaAmérica Latina nos últimos anos. Países

próximos,

massemfronteirasen­

tre

si,

Brasil e Chile mantêmum

baixo intercâmbio comercial. Os analistas esperamem

99

um cres­

cimentode

2,8%

naeconomiachi­ lena. Para

eles,

nem mesmo uma nova

desvalorização

do real desa­

queceria

aeconomiado

Chile,

que

Argentina

é

invadida

por

produtos

brasileiros

Desvalorização

do Real

aumenta

as

importações

dos

hermanos

da.

Quando

assumiua

presidência

do Banco

Central,

em

julho

de

1997,

GustavoFrancodisse queas

âncoras cambial e monetária do

real seriam

"para

sempre".

Posi­

ções

comoessalhevalerama con­

dição

de

inimigo

dos críticos da po­ lítica econômica que, embora bem­ sucedida no controle da

inflação,

depende

de

juros

altosepoucocres­

cimento econômico.

Cassiano Rolim

teria um crescimento de

pelo

menos 1%.

O

efeito

dacrisenocomércio também não

preocu-pa. As

transações

co-merciaischilenascom o Brasil não

ultrapas­

sam 5% do total nego­

ciado

pelo país,

sendo que metade destes são

negócios

com

cobre,

produto

cujo

preço

vem caindo

gradual­

mente.

Deacordocomos

banqueiros

da

região,

oriscomaior seriade

uma eventual decla­

ração

de moratória do governo

brasileiro,

que

poderia

deixaros

bancos chilenos sem acesso a crédito e o

governo sem condi­

ções

de emitirbônus.

José

Barrionuevo,

do bancoSalomon Smith

Barney,

acredita que aeconomia chilena só estaria a

perigo

se a

Europa

e os Estados Unidossen­

tissemosefeitos dacrisedo Bra­ sil.

Argentinos

estão

comprando

mais

...

Açúca;lr

�••••

"'.,....

�0_9%

Tecidos

... +

3000%

MARÇO-99

ZERO 3 . ..e

importando

menos

Destilados

..••...-

75%

PeleleOuro

•.•

,;�

...

-6a%

Fabrício

Rodrigues

(4)

Inauguração

foi marcada

por

brigas políticas

Após

conclusão

doprojeto

proposta

é

de

funcionamento

24

horas

Na

festa

de

100

anos

do

Mercado Público volta

a

promessa

da

cobertura

o aniversário de 100anos

do mercado

público

de Floria­

nópolis

foi comemoradocom a

participação

de

aproximada­

mente 100 mil pessoas. A Pre­ feitura autorizou oficialmente

a

construção

de uma cobertura

de vidro para o

mercado,

obra

que foi

projetada

há dois anos.

Depois

de

pronta

a

cobertura,

a

adrninistração

pretende

fazer com que o mercado funcione aos

domingos,

e

posteriormen­

te 24 horas.

Segundo

o administrador do

Mercado,

Oreste

Mello,

as

obras não começaram porque

o tema ainda é muito

polemi­

zado. Técnicos do IPUF temem

que o estilo

arquitetônico

do

prédio

seja

agredido

pelo design

moderno da cobertura. Mas Mello

garante

que isso não vai

acontecer,

pois

a cobertura foi

projetada

para trazer benefíci­ os, aliando o velho ao novo. O vidro que será usado deixa pas­

sarapenas 30% do

calor,

o que

vai transformar o

pátio

interno

num ambiente mais

fresco

e

agradável.

A

cobertura,

patro­

cinada

pela

Antarctica,

será fi-xadano

chão,

sem se

apoi­

ar na estru-tura do mer­ cado. Além

disso,

ela é facilmente desmontá­

vel,

oque não

compromete

futuras

obras de ma­

nutenção.

No

início:

cenário de

batalhas

políticas (e

não

pal'

preços)

De acordo com

Oreste,

além de gerar mais empregos,

o "mercado 24 horas"

poderia

ser uma alternativa de lazer

para a

população

e para os tu­

ristas,

mesmo

fora

de

tempo­

rada. "Durante odia não muda

nada,

é pra comprar.

À

noite é queaspessoas vão

poder

irpara

se divertir nos bares e ouvir música".

Outro

projeto

parao mer­

cado é o de transformá-lo em

fundação.

Mello diz que a ad­

ministração

precisa

de mais autonomia apenas com a

fisca­

lização

da

prefeitura.

O merca­

do

poderá

voltar a ter, por

exemplo,

mais atividades

típi­

cas da Ilha.

Hoje

a maioria dos

boxes lidam com vestuário e

calçados,

oque Mello atribuiao

poder

público,

enão àadminis­

tração

do mercado. "Podere­

mos voltar a ter

artesanato,

rendas,

caldo de cana, tudo o

que é

típico

da ilha".

O administrador admite que as

condições

do mercado

ainda

hoje

são

precárias

e exis­

tem obras

importantes

a se­ rem

feitas

no

prédio.

Retocar a

pintura,

consertar

portas,

ca­

lhas,

osistemade

prevenção

de incêndio e construir uma cen­

tral única para o

gás

são

algu­

mas obras que

precisam

ser

feitas com

rapidez. Segundo

Oreste,

a

manutenção

tem

quemserconstante. Ele acres­ centa que é

preciso

cuidar do mercado

público. "Algumas

pes­

soasdizem que tem que cuidar

porque é ocartão

postal

de Flo­

rianópolis.

O rnercado não é o

cartão

postal.

O cartão

postal

é

a

ponte.

O mercado é a sala de

visitas da cidade.

É

aonde as

pessoas

podem

ver como é o

povo

daqui.

É

o

lugar

da Ilha com a maior

concentração

de manezinhos pormetro

quadra­

do.

É

um

lugar mágico".

NofinaldoséculoXVIII

pescado­

res elavradores do

povoado

denossaSe­

nhora do Desterromontavam

barraqui­

nhas para venderoque

produziam

na

praça central

(atual Praça

Xvdenovem­

bro).

Lá elesaportavamas canoasvindas docontinenteedointeriorda Ilha.Maso

crescimentodesta atividade comercialco­

meçou a incomodaros

políticos,

que

achavamasbarracasmuito

sujas

emal

apresentadas

paraserem omercado da

capital,

além de serem

freqüentadas

pelas

camadasmais

pobres

da

popula­

ção.

Em

1845,

com avisitadeD Pe­

droIIa

Desterro,

asbarracas foramreti­

radas da praçaearmadaspertodaPonte

do

Vinagre,

onde fica

hoje

o

prédio

da

antiga

Capitania

dosPortos.Comofim

davisitado

Imperador,

as

barraquinhas

passarama sermotivode

briga

política.

Surgiram

entãoos

primeiros

esboços

de

partidos políticos

nacidade:os"barra­

quistas",

cristãos que

queriam

asbarra­ cas napraça centrale os

"vinagristas",

judeus

queas

queriam

onde estavam,

"'If

naPontedo

Vinagre.

i

Finalmenteem1848 éautoriza­

-i...

daa

construção

do

primeiro

mercado

público

de Desterro,

inaugurado

em

1851,

na

praçacentral.

Mesmo assimos :s:

problemas

higiênicos

esociais,quecau­

,�

savam

antipatia

às

barraquinhas,

contí­

.g

nuaram nomercado.Essas

questões

ali-2 adasaocrescimentodo comérciono

10-�

cal

exigiram

a

construção

deum novo

mercado.

Assim, nodia 5 de fevereiro de 1899 foi

inaugurado

o atual mercado

público

de

Florianópolis.

Inicialmente,

o

prédio

tinha apenasumaalae uma

dassuasfachadasdava direto parao mar.

Aospoucos, a

construção

foi sendoin­

crementadacom

calçamento,

luz,

caise

rampas paraosbarcos.

Em 1931 foi

inaugurada

a nova

ala do mercado.

Algumas

mudanças

fo­

ramfeitas na

arquitetura

paraque as

duas alasficassem

iguais.

Foramcons­

truídas tambémasquatrotorreseasduas pontesque

ligam

umaala àoutra. Aala

antiga

foi fechadaepormuitotemposó abria duasvezesporsemana.Nadécada de 70comerciantesque vendiam

artigos

de armarinhoseartesanatonas

proximi­

dades do mercado foram autorizadosa

utilizarosboxes da ala

antiga,

ondefun­ cionam até

hoje.

Nadécada de 80omercado

pú­

blicofoitombadoepassou

pela

sua

pri­

meirareforma.Além da

recuperação

dos

telhados, cobertura,

torres,

esquadrias

e

rebocos,

foraminstaladasasredes elé­

tricaetelefônicaereformadaarede hi­

drossanitáriae osistema de

prevenção

de incêndio.

(5)

�-�_._---�---�---Eli Hei]

despertou

paraasartes

plásticas

em

1962

depois

de ficarcinco anosdoente. Trouxeram-lheum

quadro

depresentee,num

sonho,

um

pássaro

lhedisse: "Você

pode

fazeristo".Eli fa­ lou: "Istoeutambém

faço".

Começou

pintando

com

giz

decera as

imagens

de

CristoedeNossaSenhora.

Hoje,

aos70

anos, usadas maisvariadas técnicas:

misturaferrocomcimento,ergue está­

tuasde até doismetrosetransformaar­

gamassaemum

presépio

deminiatu­

ras. Brinca com material

reciclável,

comoo

tijolo

ea

lã,

eé capaz de fazer

fios detinta.

Nasceuem

Palhoça,

em1929, foi

professora

de

educação

físicaemsua

juventude

enunca

freqüentou qualquer

tipo

de escola deartes.Afirmaser uma

criadorade obrasebusca trabalharcom novas ediferentes técnicas. Em

1984

inaugurou

a

Fundação

OMuseuMundo

Ovode Eli

Heil,

com umacervodecerca

deduas mil obras.

Zero- C011UJ

foi

queasenho­ radescobriuasartes

plásticas?

Eli neil

-Fiquei

grávida

cinco

anospararenascerenascer emborbo­

tões. A arteparamiméa

expulsão

dos serescontidosedoloridosem

grandes

quantidades

em um

parto

colorido. O

MundoOvode Eli Heilnasceu

quando

houvea

explosão

domeucérebro

junta­

mentecoma

explosão

domeuovário:

pluf,

pluf, pluf.

nasci!

nasci!

nasci!

Ovo, óvulo,

ovário.Eusouartista

que vomita

criações.

Todaaminhaobra

éovo,

óvulo,

ovário. Z.- Se é

ovo,

óvulo, ovário,

ela sai de dentro de você.Posso

dizer que cada obra

representa

um

sentimento,umestado de

espírito

domomentoemque ela

foifeita?

E.n.-

É,

talvez

seja

omomento. Porissoqueeu

digo

assim:euvomito

criações.

Agente

quando

vomitanão sabe

oquevomita,éumamaneira de expres­

são. Eu

digo

quevomito

criações

porque

quando

estavadoentevomitavamuito,

vomitavadiariamente.Umdiafuiaoba­

nheiro e vomitei muito,

parecia

bílis purae,comotinha espuma,

parecia

que tinha

bichinhos,

aí disse:meu

Deus,

eu

tô é vomitando

criações.

Então

fiquei

co­

nhecidacomoaartistaquevomita cria­

ções.

São 171 técnicase

tipos

de volu­ mesque

crieiaté

hoje.

Z.- Olivro VomitanIÚJ Senti­

mentosqueestáparaser

lançado

éuma nova

forma

queasenhora descobriuparase

expressar?

E.n.- De

expressar tudo.Noli­

vrodiz tudo. Como ése que diz ?!

-"mateiacobraemostreio

pau". Quer

dizer que além deumacoisafizoutra

para

explicar

às pessoasaminha obra. Cada

palavra,

cada

frase,

cada poema,

são

depoimentos poéticos, explica

oque

eufiz.

É

umaartepara

explicar

a

pró­

pria

arte. Olivrocontaminha vida artís­

tica.Eleiriaser

lançado

emmarço,mas

comacriseeconômicaauniversidade

adiouo

lançamento.

Z.-Em1986asenhora criou "AdãoeEva",duas

gigantes

escul­

turasque

ficaram

10anosnopor­

tal

para

brindar os visitantes.

Elasforam

derrubadasporcami­ nhões da

prefeitura

devidoadu­

plicação

da SC 401.Comoissoin­

fluenciou

no seutrabalho?

E.n.- Foramderrubadassemdó

nem

piedade.

Elas não

precisavam

tersaído

dali.Nemaestrada passou

ali,

foiumvan­

dalismo oficial.Adorfoi

grande,

tanto mi­

nhacomo ado meumarido que ficou

muitodoente.

Expressei

tudoemumpoe­ ma:Ador deumaartista.

Z.-E

as suasobras?

E.n.-Comecei

afazermuitos nus,

eu dizia queera averdadenuaecrua.

Meusnus

pareciam

máquinas

nuas, mui­ to

peito,

muita

força,

como seestivessem

empurrando

a

máquina.

Fiquei

seisme­

sessem

colorido,

não tinhacor,tudopreto

ebranco.

Depois

fiz diversosnus

brancos,

nusvermelhos,nusazuis.A Eva

caída,

a

Evadeitada. Elesmataramduascriasdo

meu

cérebro)

temacriada

barriga

e acria

do cérebro.Ebem verdade queacriada

barriga

paramiméumacoisabemdife­ rente,osentimentodo cérebro é bem di­

ferente,

mas umacoisa está

ligada

àoutra. Aminhador

foi toda

escorrida,

armaze­

nada,

mas nunca

esquecida.

Z.

-Qual

o

signijicaIÚJ

dasco­ res nessa

fase,

o

branco,

overme­

lhoeazul?

E.n.- O

branco é porque tinham

me

apagado,

mataramum

pedacinho

de

mim;overmelhorepresentaosangue, a

dor;

eoazul porqueeu

queria

paz,que medeixassemempaz.

Z.-Assuasobras são paraa

próprio

coleção

ouestãoatenda?

E.n.-'ludo

Oque estáexpostona

Fundação

está tombado.Nomeuatelier vendo

algumas

obras paraa

conservação

doMundoOvo.

Z. -A senhora

já participou

de

exposições?

E.n.-PortodooBrasile na

França

mais de trintavezes.Esteanorecebida

França

uma

espécie

derevista,comqua­

tro

páginas

só das minhas obras.

parti-

;

cipei

dequatro

Bienais,

ArteIncomume outrasque não lembroo nome.

Z.-Comoésaber quesua

obra estáSenIÚJ reconhecida

tntemacionalmente? E.n.- Eunãotenho recla­

mação,

o mundointeirovemme

visitar. Aspessoas

vêmcomcartão­ zinho para,

quando chegarem

emFlo­

rianópolis,

nãoesquecerem devisitarEli Heíl,Eu seiquesouatémaisconhecida lá fora do que

aqui

dentro.D

irônicodisso tudo é que sempre

digo:

eufiz tudo por

vocêsepara vocês.

É

tristemasé

verdade,

soumaisreconhecidalá

fora, aqui

eunão

soureconhecida. Tanto que derrubaramo

AdãoeEva.

Z.-Noinicioasenhoratinba

o

Mundo

Ovo

nasceu

quando

houve

a

explosão

do

meu

cérebro

juntamente

com a

explosão

do

meu

ovário.'

pluf,pluipluf

nasci!

nasci!

nasci!

Ovo,

óvulo,

ovário.

Eu

sou

artista

que

vomita

criações.

Toda

a

minha

obra é

ovo,

óvulo,

� ,

ouano

Artl$ta

plástica

catarlnense

planeja

o

I.nCJ,m,nt.

dollvr.

Vomitando

Sentimentos,

que

conta

sua

vida

artística

objetivo

detornara suaarteconhe­ cida?

E.n.

-Não,

quando

comeceinão sabiade nada. Sóseique

quando

comecei vomitei mesmo,eunãomeinteressavase

aquilo

era

bom, queria

erabotar para fora.

Foi

quando

o

professor

João

Evangelista,

críticodearte,viuaminha

obra,

seentu­ siasmouemelevou para Brasilia.

Depois

de doisanosde

pintura

fui convidada para exporemParis. Foiimediato.Eu

tenhoem

vida,

muitos artistasmorreme

entãosetomamconhecidos.Euestou ten­

doachance dever aminhaobraserreco­

nhecidaaindaemvida.

Z.-Nestamesma

fase

houve quem considerasseasuaarte

ingê­

nua?

E.n.- No

começoeufui conside­ radacomo

expressionista primitiva,

de­

pois expressionista, surrealista,

artepop, arte incomum.Nem eles sabiammeelas­

sificar. Umavezo

Harry

Lausme

ligou

e

disse assim: "Elicomoé queeuvoute

classificar?"

-eu disse para ele: "Não

tenhorótulo"- aíele

respondeu:

"Toda

vezqueagentevai aí éoutracoisa,outra coisa!". Euestousempreembusca donovo.

Z.- O

poeta

catarinenseHar­

ryLaus,também crítico dearte,es­ creveusobreo seutrabalho.Emum

dos trechos diziao

seguinte:

"Uma

liberdade criadora

espantosa,

per­ turbanIÚJ

pela

descoberta contínua denovosatosde

expressão

com o uso de materiaismais insólitos onde só elaencontraa

possibilida­

de de

transformação

emobra de arte".Asenhora

sejulga

IÚJnade

umIÚJmúnicoouatémesmoexclu­

sivo?

MARÇO

- 99 ZERO 5

E.n.

-Não,eunão,osoutrosé que dizem. Sou muito humilde para acharisso,eacredito queexistem mui­

tos

gênios.

Mas muitaspessoasque vêm

aqui

dizem queaminha obra é

única,

talvez

seja

porqueeunão tenhouma

escola,

e

pelo

fato de fazer tudooque

queroenãotermedo.

Faço

tudooque vem

pela

minha

frente,

ponho

tudo para

fora,

acho que é por isso que sai dife­

rente. Tem artistaquetemmedoseal­

guém

vai

gostar

ou

não,

eunãomepre­

ocupo.

Z.

-Acredita queaartec011UJ um

todo,

a

expressão

artísticaé umdomouela

pode

serdesenvol­ vidatecnicamente?

E.n. - Ela

pode

serumdome

pode

serdesenvolvida.Eupor

exemplo

sou um

dom,

nuncadesenvolvinada.

Eli

Heil:

tristeza

por

nãoser

reconhecida

narua

pelos

ilhéus

Fernanda Farias

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