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IMPORTANCE AND PERFORMANCE OF INSTRUCTIONAL DESIGNER IN DISTANCE EDUCATION COURSES: A BIBLIGRAPHIC STUDY

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Br. J. Ed. Tec. Soc., v.10, n.4, Out.-Dez., p.376-384, 2017 DOI http://dx.doi.org/10.14571/brajets.v10.n4.376-384

IMPORTÂNCIA E ATUAÇÃO DO DESIGNER INSTRUCIONAL NOS CURSOS DE

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UM ESTUDO BIBLIGRÁFICO

IMPORTANCE AND PERFORMANCE OF INSTRUCTIONAL DESIGNER IN

DISTANCE EDUCATION COURSES: A BIBLIGRAPHIC STUDY

Raphaella Abreu Carvalho Cortez Moreira

Universidade Federal do Maranhão (UFMA) São Luís, MA, Brasil

[email protected]

Marília Milhomem Moscoso Maia

Universidade Federal do Maranhão (UFMA) São Luís, MA, Brasil

[email protected]

João Batista Bottentuit Junior

U Universidade Federal do Maranhão (UFMA) São Luís, MA, Brasil

[email protected]

Resumo. Este artigo tem como objetivo verificar as pesquisas acerca da atuação profissional do designer instrucional nos cursos de Educação a Distância (EaD). O designer instrucional é um profissional que trabalha diretamente com o planejamento de cursos, elaboração de materiais didático-pedagógico e recursos midiáticos para a aprendizagem colaborativa dos alunos. A fim de saber a respeito das investigações já realizadas, no Brasil, a respeito da atuação profissional do designer instrucional no contexto da EaD, realizou-se, realizou-se uma revisão bibliográfica analítica, por meio de uma pesquisa exploratória em motores de busca acadêmicos para o levantamento dos trabalhos. Foram encontrados um total de 24 trabalhos e selecionados 5 para a análise e discussão dos resultados. A partir dos trabalhos analisados, os resultados mostram que o designer instrucional é um profissional de suma importância para o planejamento e desenvolvimento de cursos EaD, devendo atuar de forma colaborativa com a equipe multidisciplinar. Constatou-se ainda, que não há um consenso teórico quanto à formação profissional do designer instrucional, mas os trabalhos analisados sinalizam os profissionais da educação e os que possuem conhecimentos em EaD como os profissionais mais indicados.

Palavras-chave: Designer Instrucional, Educação a Distância, Atuação Profissional.

Abstract. This article aims to verify the research about the professional performance of the instructional designer in Distance Education (EaD) courses. The instructional designer is a professional who works directly with the planning of courses, elaboration of didactic-pedagogical materials and media resources for the students' collaborative learning. In order to know about the investigations already carried out in Brazil about the professional performance of the instructional designer in the context of the EAD, an analytical bibliographic review was carried out, through an exploratory research in academic search engines for the survey of work. A total of 24 papers were found and 5 were selected for the analysis and discussion of the results. From the analyzed works, the results show that the instructional designer is a professional of paramount importance for the planning and development of EaD courses, and must act in a collaborative way with the multidisciplinary team. It was also observed that there is no theoretical consensus regarding the professional formation of the instructional designer, but the analyzed works signal the professionals of education and those who have knowledge in EaD as the most indicated professionals Keywords: Instructional Designer. Distance Education. Professional Performance.

I

NTRODUÇÃO

Com o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), o processo de ensino e aprendizagem tem se tornado cada vez mais democrático, acessível e dinâmico. Diante de tal fato, a Educação a Distância (EaD) poderá se beneficiar e incorporar contextos reais de aprendizagem, privilegiando situações didáticas em que o aluno seja um sujeito autônomo e participativo para o desenvolvimento do seu próprio percurso e estilo de aprendizagem. Através do uso das bases de dados, dos recursos advindos da Web 2.0 como vídeos digitais do Youtube, os podcasts, e demais aplicações os alunos conseguem obter cada vez mais conteúdos em múltiplos formatos, permitindo desta forma a

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autonomia e maior participação no processo de aprendizagem (COUTINHO & BOTTENTUIT JUNIOR, 2007).

Nesse sentido o aprimoramento e inserção de metodologias de ensino atrativas e mais interativas são bem-vindas. Para que isso de fato seja implementado com qualidade, é necessário a inserção de um conjunto de profissionais, tais como: professores, gestores, desenhistas, inclusive um profissional de designer instrucional, que seria o responsável pelo planejamento e desenvolvimento de toda uma engenharia pedagógica aplicada (métodos, técnicas, materiais e processos educacionais) em situações didáticas, a fim de promover a aprendizagem humana (FILATRO, 2004).

Pensando na relevância e necessidade do designer instrucional como um profissional que planeja e desenvolve técnicas e materiais didáticos para elaboração e desenvolvimento de cursos na EaD, é que se sistematizou esse estudo, a fim de verificar a atuação profissional do designer instrucional nos cursos de EaD. Desta forma, o estudo teve como questão norteadora: “Qual a relevância da atuação do profissional designer instrucional nos cursos de Educação a Distância segundo a literatura disponível online?”

Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica exploratória em motores de busca1 acadêmicos com a intenção de verificar a atuação e a importância do designer instrucional nos cursos de EaD. Assim, nesse artigo, apresenta-se os resultados da pesquisa realizada e para tal, foi estruturado da seguinte forma: Na seção 2 apresentam-se os fundamentos conceituais de design instrucional e a função do designer instrucional. Na seção 3 descreve-se a metodologia adotada para a análise da pesquisa bibliográfica. Ela está subdividida em duas subseções: Na parte 3.1 apresenta-se os artigos selecionados, os critérios de seleção e uma síntese dos conteúdos contidos em cada um deles. Na parte 3.2 evidencia-se o referencial teórico utilizado para a análise e explica-se como foram analisados e organizados para maior visibilidade dos resultados. Na seção 4 apresenta-se a discussão e análise comparativa dos estudos levantados e, por fim, na seção 5, apresenta-se as considerações finais do artigo.

O

D

ESIGNER

I

NSTRUCIONAL

:

CONCEITOS E APLICAÇÕES

O design instrucional (do inglês instructional design) contempla um inúmero escopo de termos no Brasil, como design instrucional, design educacional, projeto instrucional e desenho instrucional. Embora, exista uma série de nomenclaturas, a conceituação da área, por alguns estudiosos, permanece a mesma. A conceituação adotada neste estudo é a da Andrea Filatro (2008), que conceitua o design instrucional para se referir a métodos, técnicas e recursos em processos de ensino e aprendizagem.

Todavia, faz-se necessário explicitar que o termo design é amplo na literatura recorrente da Educação a Distância e aqui neste trabalho não pode ser confundido com design gráfico, design de interiores, design de produtos, dentre outros.

Em se tratando de EaD, o que interessará é o design instrucional e/ ou design educacional. O surgimento e aplicabilidade do termo ocorreu por volta de 1940 e foi amplamente utilizado nos cursos para capacitar e treinar soldados para a segunda guerra mundial, em curto espaço de tempo.

O design instrucional recebe contribuições de diversas áreas do saber ao longo do tempo, tais como: as ciências sociais e humanas com a colaboração da psicologia, comunicação, mídias áudio visual, administração, ciência da informação, entre outras. Que juntas ajudam a complementar esta importante área de estudo na Educação a distância. Ao longo dos anos este campo se desenvolveu com grande força no mundo, em especial nos Estados Unidos e Europa (FILATRO, 2008).

Sartori e Roesler (2005) definem o design instrucional como

[...] um processo de concepção e desenvolvimento de projetos em EAD, explicitados nos materiais didáticos, nos ambientes (virtuais) de aprendizagem e sistemas tutoriais de apoio ao aluno, construídos para otimizar a aprendizagem de determinadas informações em determinados contextos (SARTORI e ROESLER, 2005, p.37).

Por outro lado, o termo em si no Brasil tem sido direcionado e aplicado para a área de design educacional – o que ainda não se chegou a um consenso, pois de acordo com o levantamento realizado neste estudo das produções acadêmicas publicadas na área ainda se usa recorrentemente o termo design

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instrucional no que concerne a construção de materiais didáticos, ferramentas de ensino, ação sistemática de ensino e objetos de aprendizagem (BATISTA & MENEZES, 2009).

No Brasil, tanto o design instrucional como área de conhecimento quanto a profissão de designer instrucional é algo ainda relativamente novo. Silva et al. (2014, p. 7) colocam que,

a profissão foi reconhecida em 23 de janeiro de 2009, pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) de acordo com a norma Reguladora de número 2394-3, que também nomeia o designer instrucional como desenhista instrucional, designer educacional ou projetista instrucional.

Moore e Kearsley (2008) definem o designer instrucional como sendo o profissional responsável por organizar o conteúdo de acordo com o que é conhecido a respeito da teoria e da prática do gerenciamento da informação e da teoria de aprendizagem que direciona o curso. Tradicionalmente, este profissional trabalha diretamente com a transposição didática2 de um conteúdo escrito por um especialista em determinada área. Ele será responsável por organizar o conteúdo de forma didática correspondendo tanto as reais necessidades do aluno quanto aos objetivos propostos no planejamento do curso. Faz-se necessário, nesse sentido, um trabalho em parceria entre o designer instrucional e o especialista do conteúdo.

Dessa forma, cabe refletir sobre alguns pontos centrais: que tipo de formação é necessária para o profissional de designer instrucional? É necessária, de fato, uma formação específica? Connie Malamed, em seu blog, ‘The elearnin coach: for designing smarter learning experiences’3, escreve um artigo intitulado, 10 qualities of the ideal instructional designer (2009) 4, no qual afirma que “There is ongoing debate within the US instructional design community as to whether a degree is needed to be most effective in this field”5. Malamed afirma, também, que ter um diploma e uma formação na área é relativo, pois existem profissionais de design instrucional graduados que criam processos de aprendizagens que pouco contribuem para uma aprendizagem significativa.

Portanto, para Connie, o designer instrucional precisa ser um autodidata, isto é, um profissional que constantemente leia e estude sobre psicologia cognitiva, design instrucional, e-learning, livros comerciais, revistas, blogs, etc. O profissional dessa área precisa estar continuamente em processo formativo acompanhando tutoriais, podcast, programas de certificações e discussões sobre as especificidades da profissão em nível global e local.

Quanto a formação do designer instrucional, Filatro (2004), destaca que não existe uma formação específica para esse profissional. No Brasil, qualquer pessoa com formação em Educação (pedagogos, professores e licenciados), profissionais de áreas específicas, mas que tenham cursos de capacitação ou especialização em design instrucional e possuam conhecimentos, vivências ou experiências em Educação a Distância podem exercer profissionalmente a função de designer instrucional.

M

ETODOLOGIA

Essa seção está subdividida em duas partes para melhor compreensão dos dados e da sua análise. Na parte 3.1 apresenta-se os artigos selecionados, os critérios de seleção e uma síntese dos conteúdos contidos em cada um deles. Na parte 3.2 evidencia-se o referencial teórico utilizado para a análise e explica-se como foram analisados e organizadas para maior visibilidade dos resultados.

Revisão Bibliográfica

Para a viabilização deste levantamento bibliográfico, realizou-se uma revisão com apresentação analítica de alguns artigos, a partir de um levantamento exploratório em motores de busca acadêmicos sobre a importância do profissional do designer instrucional na Educação a Distância como forma de objetivo deste trabalho.

2 “Instrumento através do qual transforma-se o conhecimento científico em conhecimento escolar, para que possa ser ensinado pelos professores e aprendido pelos alunos.” (MENEZES, 2001).

3 http://theelearningcoach.com/elearning_design/10-qualities-of-the-ideal-instructional-designer/ 4 10 qualidades ideais do designer instrucional.

5 Há um debate em curso da comunidade de design instrucional nos Estados Unidos sobre se é necessário realmente um diploma para atuar nesse campo profissional (tradução e grifos nossos).

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Conforme Gil (2002, p. 44), a revisão bibliográfica é uma pesquisa “desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”.

O processo de busca exploratória, foi realizado nos motores de busca acadêmicos do Google Acadêmico e Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCCAP), a partir dos seguintes descritores: design instrucional, design educacional e instrucional design.

Em consonância com esse referencial, considerou-se a pesquisa exploratória em fontes bibliográficas de artigos científicos disponíveis em motores acadêmicos mencionados acima para a consubstanciação do objetivo proposto.

Optou-se pelas bases de dados acima citadas, por serem de grande relevância de acesso e divulgação científica e na quais se pode encontrar um quantitativo significativo de estudos nesta área, tendo em vista que o design instrucional ainda é um campo de conhecimento restrito em nível de pesquisas educacionais brasileiras.

Para o processo de seleção foram definidos como critérios de inclusão, os artigos teóricos e empíricos escritos em língua portuguesa do Brasil, disponíveis online nas bases de dados e, como critério de exclusão os artigos que não foram escritos em língua portuguesa e que não se encontravam disponíveis online nas bases de dados.

Por meio da busca exploratória nas bases de dados selecionadas, foram encontrados trabalhos significativos que analisaram a atuação e a importância do designer instrucional nos cursos de Educação a Distância.

Dentre um total de tinta e quatro (34) trabalhos, dentre eles, artigos, dissertações e teses, disponíveis online nas bases de dados, foram recenseados vinte e quatro (24) que atendiam aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos para o estudo, foram, portanto selecionados cinco (5) trabalhos para análise, uma vez que somente os artigos empíricos foram considerados. Esses trazem os estudos de: Carneiro e dos Santos (2009), Caldeira (2010), Bernardes (2011), Chaquime e Figueiredo (2013) e da Silva et al. (2014), sintetizados a seguir.

Síntese dos estudos de Carneiro e dos Santos (2009)

A pesquisa de Carneiro e dos Santos (2009) visou compreender a importância e o papel do designer instrucional. Teve como metodologia o estudo de caso, em uma abordagem qualitativa, realizado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFET-CE, em específico no Núcleo de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância – NTEAD. A análise dos dados feita por esses autores foi por meio de entrevista semiestruturada realizada com uma pedagoga que ocupa o cargo de designer instrucional no NTEAD.

A partir da análise da entrevista, Carneiro e dos Santos (2009) observaram que no IFET há uma separação entre equipe pedagógica e a equipe técnica da qual faz parte o designer instrucional. Identificaram também, que a compreensão da pedagoga, que exerce a função de designer instrucional é ampla, pois concebe esse profissional como o responsável por toda a engenharia pedagógica que vai da realização técnica à pedagógica dos cursos a distância. Além disto, um profissional pode atuar em organizações, editoras, educação, empresas, dentre outros.

Outro resultado apresentado foi em relação à formação e competências do trabalho do designer instrucional, em que destaca os licenciados como os profissionais potenciais para desenvolver a função. Contudo, destacam que todo profissional envolvido com a educação e desde que compreenda as especificidades da EaD pode ser um designer instrucional; uma vez que precisa de conhecimentos pedagógicos além de uma formação especializada.

Embora a pesquisa seja a respeito da percepção de uma pedagoga que realiza o trabalho de designer instrucional, isso não desvaloriza os resultados que revelam a relevância deste profissional nos cursos e programas de educação a distância. Portanto, torna-se fundamental fortalecer o campo de atuação do designer instrucional, uma vez que ele precisa manter-se em contínuo aprendizado com relação aos modelos, técnicas, teorias, conceitos e fundamentos que envolvem e enriquecem a área de EaD

Síntese dos Estudos de Caldeira

A investigação de Caldeira (2010) apresentou algumas reflexões sobre o papel do desenho instrucional, a partir das definições de Andrea Filatro; Franciosi e Santos entre outros. Enfatizou o design instrucional como forma de planejamento do ensino, a fim de que se cumpra os objetivos educacionais propostos pelo curso, constituindo-se, assim, como parte fundamental do desenho pedagógico de um curso na modalidade a distância. Caldeira (2010) também refletiu sobre a formação de educadores

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recebem na formação inicial (licenciatura presencial), ou seja, se permite uma ampla habilitação para atuação tanto na modalidade presencial quanto a distância e se estes profissionais saem com alguma visão acerca do design instrucional.

Caldeira (2010) partiu de uma pesquisa bibliográfica aprofundando a reflexão sobre educação e comunicação, bem como os aspectos estruturantes da aprendizagem e do significado do termo design instrucional. A partir das definições sobre a origem do termo, ele concluiu que o designer instrucional é um profissional que realiza desde o planejamento das metodologias de aprendizagens até a gestão da EaD. Destacou, também, que a formação desse profissional tem apresentado uma formação predominante em conhecimentos tecnológicos em detrimento dos pedagógicos.

Os resultados mostraram que existem divergências quanto a definição da função do designer instrucional na gestão da EaD, pois a função deste profissional pode ser desenvolvida ou atribuída à outros membros da equipe.

Síntese dos Estudos de Bernardes

O trabalho de Bernardes (2011) teve como objetivo apresentar possibilidades de atuação do designer instrucional (designer educacional) junto ao docente, visando minimizar as distâncias entre esses dois educadores no sentido de criar materiais educacionais mais eficazes na educação a distância. O estudo envolveu uma pesquisa teórica-analítica, a partir de alguns pressupostos legais, como a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Teve como base os cursos da Educação Superior que foram objetos dos investimentos estatais, nos últimos oito anos, que deram impulso ao surgimento do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB.

Bernardes (2011) trabalhou como ponto de partida a hipótese de que a relação docente x designer educacional ocorre de maneira fragilizada e distante. Desta forma, o enfoque no estudo constituiu-se de dois questionamentos: o primeiro, concernente aos aspectos da nomenclatura design instrucional e o segundo ao papel docente face ao designer educacional.

A partir da reflexão teórica-analítica, Bernardes (2011) observou que há um impasse entre teóricos quanto ao papel do docente on-line e do designer educacional no processo de elaboração de materiais didáticos e digitais para os cursos. Alguns teóricos consideram desnecessário a atuação do designer educacional, uma vez que a função de elaborar materiais didáticos e digitais, também faz parte do trabalho docente; outros trabalham na linha de que o docente não deve assumir mais essa função, ficando sob responsabilidade somente do designer educacional, como uma atribuição instrumental.

Nesse aspecto, Bernardes (2011) defende a posição de que o docente e o designer educacional devem exercer seu papel de forma colaborativa, pois é importante o docente ter acesso a informação sobre o modelo de design educacional adotado no curso para que possa decidir as suas estratégias de aprendizagem e avaliar a adoção ou não do modelo utilizado. Ao designer educacional caberia acompanhar o processo de desenvolvimento de materiais didáticos para que possa intervir quando não estiver atendendo às necessidades textuais, estéticas e de organização de conteúdo.

Constatou, também, que o modelo aberto6 é o mais adotado e viável para o Sistema da UAB, no Ensino Superior, por possibilitar maior interação entre o docente e o designer educacional, além de potencializar o processo de ensino e aprendizagem, ajuda a superar a visão do docente como conteudista e do designer educacional como meramente um técnico.

Síntese do Estudos de Chaquime e Figueiredo

Chaquime e Figueiredo (2013), destacaram o designer instrucional como um profissional responsável por pensar e propor metodologias e técnicas que facilitem o processo de ensino e aprendizagem. O trabalho enfatizou a importância desse profissional na equipe multidisciplinar, bem como os recursos que auxiliam no desempenho de suas funções: o mapa de atividades e o storyboard7.

Esses autores, discorreram sobre a atuação deste profissional, a partir de um relato de experiência ocorrido no âmbito de um curso intitulado “Literatura Africana: um olhar pedagógico” na modalidade a distância. O curso tratava-se de formação continuada para professores de História, Geografia, Artes e Língua Portuguesa do Ensino Fundamental e Médio das redes públicas e particular.

6 Segundo Bernardes (2011, p. 83) num modelo de “design instrucional aberto, o professor seus colaboradores e o Designer Educacional formam uma única equipe que interage visando maior participação no curso e nas formas mais eficazes quanto às questões mais limítrofes entre o educacional e o campo da técnica”.

(6)

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A partir de um relato de experiência de Chaquime e Figueiredo (2013), os autores discorrem sobre as atribuições e atuação do designer instrucional, através da apresentação do design instrucional do curso intitulado: “Literatura Africana: um olhar pedagógico”, as etapas de elaboração percorridas para materialização da proposta, bem como a utilização de ferramentas como: o mapa de atividades e o storyboard serviram para compreender melhor o foco e atuação do profissional designer instrucional.

Os autores acima mencionados concluem que este profissional participa das etapas de planejamento, desenvolvimento, implantação e avaliação de projetos de cursos virtuais8. Ressaltaram ainda, que cabe ao designer instrucional conhecer e aplicar as metodologias facilitadoras do processo de ensino e aprendizagem, bem como a possibilidade de utilizar a EaD para capacitar profissionais em conteúdo exigido pela legislação que rege esta modalidade de educação.

Síntese do Estudo de Silva, Diana, & Spanhol

A partir do projeto “e-Nova”9 ofertado pelo Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a Fundação Certi10, levantou a discussão também sobre a multidisciplinariedade e interdisciplinaridade na EaD e a equipe que compõe o curso. No projeto, apresenta-se profissionais com diferentes níveis de cooperação e interação entre as disciplinas, defendendo a tese de que é nesse contexto, que surge o profissional de designer instrucional.

Os autores apresentam no uma discussão a partir de um aporte teórico e prático no que se refere a formação e atuação do designer instrucional em cursos de EaD. A metodologia utilizada foi a teórica-empírica, de natureza exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa. Utilizam como metodologia de pesquisa, o estudo de caso, para analisar e aprofundar a formação e prática deste profissional.

Segundo os autores os resultados evidenciaram que a interdisciplinaridade se encontra presente no desenvolvimento do trabalho do designer instrucional, percebendo que a mesma se encontra na sociedade do conhecimento e nas ações e práticas deste profissional quanto na solução de problemas, na prática e superação de desafios.

A

NÁLISE DOS

A

RTIGOS

A

PRESENTADOS

Dos trabalhos levantados por meio da busca exploratória nas bases de dados , de um total de vinte e quatro (24) trabalhos apenas quatorze (14) foram publicados em revistas científicas, o que representa um número significativamente baixo, pois a maioria dos trabalhos foram publicados em anais de eventos, simpósios e encontros; essa constatação, ainda demonstra pouca visibilidade no Brasil da área de design instrucional.

Dos trabalhos apresentados, destacam-se os de Carneiro e dos Santos (2009), Chaquime e Figueiredo (2013) e Silva et al. (2014) por apresentarem tanto uma abordagem teórica quanto demonstrativa da aplicação pedagógica do design instrucional de cursos a distância. Destacam uma preocupação quanto a atuação e desenvolvimento profissional do designer instrucional por não existir, um consenso na literatura quanto a uma formação de ensino superior específica para que se atue nesta área.

Nesse aspecto, o trabalho de Carneiro e dos Santos (2009), apontam os licenciados como profissionais potenciais para desenvolver a função, destacando que para a atuar profissionalmente como designer instrucional é fundamental que esteja envolvido com a educação e que compreenda as especificidades da EaD.

Todavia, somente Chaquime e Figueiredo (2013), discorrem sobre os instrumentos de trabalho do designer instrucional: o mapa de atividade e o storyboard (quadro de histórias, cenas, roteiros instrucionais a serem desenvolvidos por meio de mídias digitais ou eletrônicos) e apontam esses recursos

8 Cursos realizados na internet que podem ser tanto semipresenciais (encontros pontuais físicos) como todo realizados na Internet através de ambientes ou plataformas.

9 O Programa de Capacitação em Rede: competência para o ciclo de desenvolvimento de inovações (Projeto e-Nova), visa capacitar profissionais nas competências necessárias ao Ciclo de Desenvolvimento de Inovações nas Regiões Sul e Norte do Brasil. Permite promover o empreendedorismo e a geração de produtos e processos inovadores com sucesso técnico e mercadológico, é oferecido gratuitamente na modalidade a distância.

10 A CERTI Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras foi criada em 31 de outubro de 1984, em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina. Originou-se das atividades do Labmetro Laboratório de Metrologia do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC Universidade Federal de Santa Catarina. Fonte: http://www.certi.org.br/pt/acerti-historico

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como importantes auxiliares nas etapas de desenvolvimento de um curso a distância pelo designer instrucional.

A partir da análise realizada nos referenciais bibliográficos, observou-se que, a terminologia design instrucional ainda é mais empregada do que a terminologia design educativo. Foi também possível concluir pelos estudos analisados que há perspectivas e abordagens diversificadas quanto à atuação e ao desenvolvimento profissional do designer instrucional, como verificado no trabalho de Silva et al. (2014) do qual afirmam que a interdisciplinaridade se encontra presente em todas as etapas de desenvolvimento das atividades desse profissional. Chaquime e Figueiredo (2013) apontam a importância da inserção do designer instrucional numa equipe multidisciplinar.

Para melhor visualização da análise realizada organizou-se as informações em três categorias, conforme ilustrado no quadro abaixo:

Figura 1. Síntese da análise comparativa dos trabalhos levantados. Fonte: Elaborado pelos autores deste trabalho.

A categoria compreensão dos conceitos corresponde ao quanto o artigo analisado apresenta e trabalha os conceitos necessários para o entendimento dos temas envolvidos na área do design instrucional. A aplicação prática, referem-se aos trabalhos que contenham dados relativos a pesquisa de campo, já a receptividade do estudo relacionam os trabalhos que mais se aproximam com o objetivo do estudo bibliográfico desenvolvido pelos autores.

Do quadro acima podemos inferir que os artigos levantados e analisados demonstram que todos os autores trabalham primeiramente o conceito de design instrucional para, em seguida, abordarem as especificidades da profissão. Quanto à categoria aplicação prática, apenas as publicações de Carneiro e dos Santos (2009), Chaquime e Figueiredo (2013) e Silva et al. (2014) apresentam dados empíricos (coletados no campo) relevantes para a compreensão da profissão e atuação de designer instrucional, mostrando, portanto, receptividade aos objetivos propostos para este estudo.

Assim, ao longo da análise comparativa dos trabalhos levantados, observou-se que a grande maioria das pessoas que desempenham a atividade profissional de designer instrucional são profissionais que atuaram/atuam na educação, como professores, especialistas, psicólogos e programadores que de alguma forma acabaram se inserindo na área de educação a distância.

C

ONSIDERAÇÕES FINAIS

Destaca-se na conclusão deste trabalho que a revisão bibliográfica com apresentação analítica de alguns estudos, a partir de um levantamento exploratório em motores de busca acadêmicos sobre a atuação e importância do designer instrucional na EaD foi uma ferramenta importante para se observar a literatura produzida e as produções atuais na área. A revisão esboçada permitiu traçar um breve panorama de pesquisas e publicações acadêmicas sobre a temática, fornecendo informações críticas quanto a atual

0 20 40 60 80 100 120 Carneiro e dos

Santos (2009) Caldeira 2010 Bernardes (2011) Figueiredo (2013)Chaquime e Da Silva et al. (2014)

Síntese Comparativa - Categorias : compreensão de

conceitos, aplicação prática e receptividade ao artigo.

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conjuntura da profissão de designer instrucional na EaD. Quanto a esse quesito, ainda não se tem um consenso quanto à formação necessária para a atuação e competências deste profissional.

Pôde-se constatar que no Brasil, o número de artigos publicados em revistas científicas sobre a temática é, significativamente, pequeno. Logo, é preciso avançar nesta área de pesquisa quantitativa e qualitativamente, uma vez que é necessário conhecer a área de conhecimento de design instrucional, bem como suas contribuições para a implementação de cursos de Ead.

Faz-se oportuno registrar algumas lacunas que foram evidenciadas por meio da análise dos trabalhos levantados, como: a escassez de trabalhos empíricos com aplicações didáticas e pedagógicas da profissão de designer instrucional, pois a grande maioria dos trabalhos são estritamente de cunho teórico.

Quanto aos dados reais e as dificuldades de atuação do designer instrucional, o trabalho de Silva et al. (2014) mostra que a profissão no Brasil ainda tem mais um agravante: como a profissão e o trabalho desse profissional é pouco conhecida, embora seja reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), algumas instituições tendem desvalorizar a mão de obra, se valendo de critérios como o desconhecimento da área, a falta de uma qualificação apropriada, de um conselho que estabeleça um piso salarial adequado e um perfil profissional adequado.

No Brasil, a maioria das pessoas que atuam como designer instrucional são ou eram profissionais da área de educação presencial que acabaram se inserindo na educação a distância, por intermédio de um curso de especialização ou de capacitação na área, ou pessoas que não tinham nenhuma experiência como designer instrucional, mas que tinham algum conhecimento e/ou vivência na EaD.

Com base nesse artigo foi possível compreender a importância do designer instrucional; a carência de pesquisas de campo, tais como estudos de caso a respeito da atuação desses profissionais, bem como a relevância das pesquisas que analisem a atuação desses profissionais, in loco. É, portanto, uma área de conhecimento que ainda requer investigações pedagógicas e pesquisas científicas. Espera-se, também, que profissionais empenhados teçam opiniões acerca desse tema e ampliem essa discussão, de forma a indicar novas estratégias e dinâmicas para uma sistematização formativa da profissão de designer instrucional, com base numa teoria científica consolidada e compatível com a demanda atual.

R

EFERÊNCIAS

BATISTA, Márcia Luiza França da Silva; MENEZES, Marizilda dos Santos. Design Instrucional: uma abordagem do design gráfico para o desenvolvimento de ferramentas de suporte à Educação a Distância. Revista Educação Gráfica. UNESP: Bauru, v. 13, p. 02-22, 2009.

BERNARDES, Clinger Cleir Silva. A relevância da linguagem na relação do designer instrucional com o docente online, 2011. Disponível em: <http://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2011/08/14_1_clinger.pdf> Acesso 27/08/2016.

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<http://www.revistas.udesc.br/index.php/udescvirtual/article/view/1925>Acesso: 25/08/2016.

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cursos de educação a distância: exercitando conhecimentos e relatando experiências, 2013. Disponível em:

http://www.aedi.ufpa.br/esud/trabalhos/poster/AT2/114065.pdf. Acesso 29/09/2016.

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MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. Verbete transposição didática. Dicionário Interativo da Educação

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SARTORI, Ademilde Silveira; ROESLER, Jucimara. Educação superior a distância: gestão da aprendizagem e da produção de materiais didáticos impressos e online. Tubarão: Ed. Unisul, 2005.

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384 SILVA, Andreza Regina Lopes da; DIANA, Juliana Bordinhão; SPANHOL, Fernando José. Designer instrucional: da formação múltipla a atuação interdisciplinar. Disponível em:

http://www.labmidiaeconhecimento.ufsc.br/files/2014/11/desgner.pdf. Acesso 24/07/2016.

M

INIBIOGRAFIA

Raphaella Abreu Carvalho Cortez Moreira ([email protected])

Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal do Maranhão. Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Santa Fé. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou como pedagoga no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. Atualmente é pedagoga na Universidade Federal do Maranhão. Tem experiência na formação de professores e em educação a distância no ensino superior, com atuação na graduação em pedagogia e formação de tutores.

Link para currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3870511973391306

Marília Milhomem Moscoso Maia ([email protected])

Possui graduação em Letras com habilitação em Língua Inglesa pela Universidade Federal do Maranhão (2015), graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão (2012) e especialização em Gênero e diversidade na escola - CEGEDE/UFMA (2015). Atualmente é professora concursada da Secretaria Municipal de Educação de Paço do Lumiar (MA), atuando nas séries iniciais (1 ao 5 ano) e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (PGCULT) da Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Membro do grupo de estudos GENI (Grupo de Estudos em Gênero, Identidade e Memória).

Link para currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8140333844728605

João Batista Bottentuit Junior ([email protected])

Doutor em Ciências da Educação com área de especialização em Tecnologia Educativa pela Universidade do Minho (2011), Mestre em Educação Multimídia pela Universidade do Porto (2007), Tecnólogo em Processamento de Dados pelo Centro Universitário UNA (2002) e Licenciado em Pedagogia pela Faculdade do Maranhão (2016). É também Especialista em Docência no Ensino Superior pela PUC-MG (2003), Engenharia de Sistemas pela ESAB (2010) e Educação a Distância pelo UNISEB (2015). É professor Adjunto IV da Universidade Federal do Maranhão, atuando no Departamento de Educação II. É Professor Permanente dos Programas de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (Mestrado Acadêmico) e Gestão de Ensino da Educação Básica (Mestrado Profissional).

Referências

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