• Nenhum resultado encontrado

ATIVIDADE 1: INTERFERÔMETRO DE MICHELSON E MORLEY

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2019

Share "ATIVIDADE 1: INTERFERÔMETRO DE MICHELSON E MORLEY"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

 

Universidade  Federal  de  Pernambuco   Centro  Acadêmico  do  Agreste   Laboratório  de  Física  Moderna  

Professor  Luis  Leão  /  Turma:F8   Nome:_____________________________________________________________Data:          _____/______/_________                

 

ATIVIDADE 1: INTERFERÔMETRO DE MICHELSON E MORLEY

Introdução

“Os grandes princípios já estão firmemente estabelecidos... as futuras verdades da

física terão que ser procuradas na sexta casa decimal.” (A. A. Michelson)

A   frase   acima   foi   proferida   por   Michelson   em   uma   palestra   dirigida   a   cientistas   no   final   do   século  XIX.   O   notável   sucesso   da   física   clássica   levou   a   uma   onda   de   otimismo   que,   de   certo   modo,   revelou-­‐se   prematuro   visto   que   já   havia   sérias  ‘rachaduras’  nos  alicerces  do  que  hoje  denominamos  física  clássica.  Segundo  o   próprio   Lorde   Kelvin   existiam   apenas   “duas   pequenas   nuvens   no   horizonte   da   física”:   o   resultado   negativo   da   experiência   de   Michelson   e   Morley   e   o   chamado   problema  da  radiação  do  corpo  negro.  

Nesta  atividade,  estudaremos  o  experimento  de  Michelson  e  Morley.  Talvez,   este   seja   o   experimento   que   “não   deu   certo”   mais   famoso   da   história   da   física.   Maxwell  mostrou  que  a  luz,  diferentemente  do  que  afirmava  Newton  e  seguidores,   não  era  (até  então)  formada  por  corpúsculos,  mas  sim  uma  onda.  Tal  fato  pode  ser   obtido  diretamente  das  equações  de  Maxwell  (no  vácuo).  

Experimento

1. Obtenha   a   equação   de   onda   para   os   campos:   elétrico   (E)   e   magnético   (B);   utilizando  as  equações  de  Maxwell  (no  vácuo)  abaixo.  (Dica,  tire  o  rotacional  das   equações  iii)  e  iv)  e  utilize  a  identidade  vetorial

! ∇ ×

! ∇ ×

! A=

! ∇

! ∇i

! A

(2)

Equações de Maxwell

i) ! ∇i

! E=ρ ε

0 ii)

! ∇i

! B=0

iii) !

∇ ×E! =−∂ ! Bt

iv) !

∇ ×B!=µ 0

! J+µ

0ε0 ∂E!

t ⎧ ⎨ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎪ ⎪ ⎪    

Equações de Maxwell (Vácuo)

i) !

iE! =0

ii) !

iB! =0

iii) !

∇ ×E! =−∂ ! B

t

iv) !

∇ ×B!=µ 0ε0

E!

t ⎧ ⎨ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎪ ⎪ ⎪

  (  1)  

O fato de surgirem equações de onda para os campos E e B, naturalmente das

equações de Maxwell, levou muitos cientistas na época, em analogia as ondas mecânicas,

a propor um meio de propagação para tais ondas. Este meio foi chamado de éter

luminífero. Tal meio constituiria uma espécie de referencial absoluto no qual a

velocidade da luz poderia ser medida. A hipótese de um campo auto-suportável, capaz de

propagar-se no vácuo, nem de perto passou pela cabeça dos cientistas da época, surgindo

assim, a necessidade de um meio (o éter). Portanto, o interferômetro de Michelson e

Morley era “apenas” uma tentativa de se obter, indiretamente, através do fenômeno de

interferência da luz, a velocidade desta última.

Considere  uma  fonte  de  luz  e  um  espelho  situado  a  uma  distância  L  da  fonte  e   seja  v   a   velocidade   orbital   da   Terra,   paralela   à   direção   do   feixe   de   luz,   conforme   mostra  a  Figura    1.  

  Figura    1  VELOCIDADE RELATIVA DA LUZ ESPERADA CASO A TRANSFORMAÇÃO DE GALILEU FOSSE VÁLIDA.

De acordo com a transformação de Galileu (TG), o tempo gasto para um pulso de

(3)

t= L cv+

L

c+v =

2cL c2−v2 =

2L

c 1−

v2

c2

⎛ ⎝⎜

⎞ ⎠⎟

−1 ≅2L

c 1+ v2

c2

⎛ ⎝⎜

⎠⎟   (  2)  

Como   a   velocidade   orbital   da   Terra   é   v3 . 1 04 m/s ,   então   a   razão  

v2 c21 0- 8.  Michelson  percebeu  que  essa  precisão  poderia  ser  obtida  via  métodos  

interferométricos,   projetando   assim   um   interferômetro   de   alta   precisão   conforme   mostra  o  esquema  na  Figura    2.    

  Figura    2  ESQUEMA DO EXPERIMENTO DE MICHELSON E MORLEY

(4)

refletido   em  A,   dirigido   ao   espelho  C   onde   é   novamente   refletido,   atravessa   o   espelho  A  e  vai  para  a  ocular  O.  Note  que  ao  passar  pela  segunda  vez  pelo  espelho  A,   os  raios  1  e  2  passam  a  percorrer  a  mesma  trajetória  recombinando-­‐se  na  ocular  O.   A  diferença  de  caminho  óptico  entre  os  raios  gera  em  O  um  padrão  de  interferência,   que   iremos   observar.   Esta   diferença   de   caminho   óptico   pode   ser   calculada   multiplicando-­‐se   a   velocidade   da   luz  c,   pela   diferença   dos   tempos   de   percurso   dos   raios  1  e  2,  ou  seja,  calculando-­‐se  a  diferença  de  caminho  óticocΔt=c t

1−t2

(

)

.  

       

2. Com o auxilio da figura 2, mostre que se usarmos a transformada de Galileu (TG),

encontra-se:

t

1=

(

2L1 c

)

1−β 2

(

)

−1

t

2 =

(

2L2 c

)

1−β 2

(

)

−1 2

cΔt=c t 1−t2

(

)

= 2

1−β2

(

)

L 1

1−β2

(

)

L2

⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ ⎥  

(  3)  

3. O instrumento é girado de 90° de modo que os feixes trocam de papéis. Mostre que

nesta nova configuração obtém-se:

t'

1=

(

2L1 c

)

1−β 2

(

)

−1 2

t'

2 =

(

2L2 c

)

1−β 2

(

)

−1

cΔt'=c t' 1−t'2

(

)

= 2

1−β2

(

)

L 1−

L 2 1−β2

(

)

⎡ ⎣ ⎢ ⎢ ⎢ ⎤ ⎦ ⎥ ⎥ ⎥  

(  4)  

(5)

c

(

Δt− Δt'

)

= 2

1−β2

(

)

L

1+L2

1−β2

(

)

L

1+L2

(

)

⎣ ⎢ ⎢ ⎢

⎦ ⎥ ⎥ ⎥

L

1+L2

(

)

β2   (  5)  

Essa diferença nas observações deveria, em princípio, produzir um deslocamento

(ΔN) das franjas de interferência e foi isso que Michelson tentou observar. Para um

determinado comprimento de onda (λ) da luz, o padrão inicial seria, em princípio,

deslocado de ΔN franjas com ΔN =c

(

Δt− Δt'

)

λ=2 L 1+L2

(

)

⎡λ

(

1−β2

)

⎣⎢ ⎤⎦⎥

(

L1+L2

)

β2 λ. De posse dos parâmetros experimentais (

L1, L2,λ, v), Michelson teria plenas condições de obter um valor para c.

4. Obtenha os parâmetros (

L1, L2,λ, v) do seu interferômetro e calcule o ΔNesperado ao rotacionar em 90° o interferômetro.

5. Sem girar o interferômetro meça e calcule ΔN =c

(

Δt− Δt'

)

λ em função da

variação ΔL1 (ouΔL2). Note que neste caso Δt' corresponde ao experimento sem

girar, trocando-se apenas

L1 por L1+ΔL1. (OBS: considere neste caso que v=0).

Michelson tinha um interferômetro onde

L=L1=L2 = 1m o qual, posteriormente, foi refeito juntamente com Morley aumentando-se as distâncias em dez vezes com a

ajuda de uma série de espelhos provocando várias reflexões de modo que

L=L1=L2 = 10m. Além disso, montaram o aparelho numa placa de pedra que flutuava num tanque de mercúrio, para diminuir as tensões mecânicas durante a rotação (ver

Figura    3), fato este que poderia alterar a distância entre os espelhos e levar a resultados falsos. Mesmo com todos esses cuidados, os resultados foram negativos levando à

(6)

  Figura    3  EXPERIMENTO DE MICHELSON REMODELADO POR MORLEY.

6. Para a luz visível, faça uma estimativa de ΔN em ambos os casos (L = 1m e L =

10m). Explique se é viável realizar tal medida com o interferômetro que o CAA

dispõe. Dê argumentos plausíveis que justifiquem a sua resposta.

Uma possível explicação para o resultado nulo da experiência seria o arrastamento do

éter pela Terra, em analogia com um objeto imerso num fluido com viscosidade não nula.

Contudo, o arrastamento do éter estava em contradição direta com dois experimentos

(que não será discutido neste texto) realizados no passado e bem confirmados: o

fenômeno de aberração da luz das estrelas descoberto em 1725 por James Bradley e o

experimento de Fresnel e Fizeau que mediu um coeficiente nulo de arrastamento do éter

em relação ao planeta Terra em 1853.

Para explicar os resultados nulos de Michelson e Morley e manter o éter estacionário

em relação ao planeta Terra, Fitz Gerald e Lorentz propuseram uma contração dos corpos

na direção do seu movimento por um fatorγ =

(

1−β2

)

, onde β

=v c. Com essa hipótese

o braço do espectrômetro de Michelson paralelo à velocidade da Terra sofreria uma

contração explicando assim o resultado nulo do experimento. Todavia, com a ausência de

comprovação experimental, tal hipótese foi logo abandonada.

7. Mostre que a hipótese de Fitz Gerald-Lorentz explica o resultado nulo do

(7)

experimento na direção de v, os sinais de luz enviados pela fonte levam o mesmo

tempo, no percurso de ida e de volta, nas duas direções.

Vale salientar que apesar da relatividade restrita explicar os resultados negativos do

experimento de Michelson e Morley, ela não foi motivada por ele e sim pela assimetria

nas equações de Maxwell perante transformada de Galileu. O próprio Einstein não cita

em seu artigo de 1905 o experimento de Michelson e Moreley chegando a dizer que não

se lembrava se a conhecia na época. Muitos cientista antes de Einstein trabalharam no

problema da assimetria das equações de Maxwell sendo Lorentz o mais bem sucedido

deles achando uma primeira lei de transformação de referenciais que mantinham

invariantes as equações de Maxwell. Lorentz vinha desenvolvendo seu trabalho desde

1895, obteve em 1904 (um ano antes de Einstein) às transformações hoje conhecidas

como Transformações de Lorentz (em sua homenagem), que desempenham um papel

fundamental na teoria especial da relatividade, criada por Einstein no ano seguinte.

Bibliografia:

- P. A. Tipler, R. A. Liewellyn; FISICA MODERNA, 3°ed., Editora LTC, 2006,

Rio de Janeiro.

- John R. Ritz, F. J. Milford, R. W. Christy; FUNDAMENTOS DA TEORIA

ELETROMAGNÉTICA, 3°ed., Editora Campus, 1982, Rio de Janeiro.

- R. Gazzinelli; TEORIA DA RELATIVIDADE RESTRITA, 1° ed., Editora

Blucher, 2009, São Paulo.

- Notas de Aula de Laboratório de Física Moderna, Prof. Sergio Campello, UFPE

– Centro Acadêmico do Agreste, 2015, Caruaru.

Imagem

Figura      1   VELOCIDADE RELATIVA DA LUZ ESPERADA  CASO A TRANSFORMAÇÃO DE GALILEU FOSSE VÁLIDA
Figura      2    ESQUEMA DO EXPERIMENTO DE MICHELSON E MORLEY
Figura      3    EXPERIMENTO DE MICHELSON REMODELADO POR MORLEY.

Referências

Documentos relacionados

• Os municípios provavelmente não utilizam a análise dos dados para orientar o planejamento de suas ações;. • Há grande potencialidade na análise dos micro dados do Sisvan

Métodos: Trata-se de um estudo transversal, realizado com escolares de 7 a 10 anos, em duas escolas da região oeste do município de São Paulo, SP, em 2013, região esta com bons

Considerada pelos autores uma das unidades com menor presença de manifestações patológicas, a UBS Oficinas I apresentou descolamento de rebocos, fissuras e trincas, e bolor e

A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Londrina, considerando a seleção de projetos para o Programa de Extensão Universitária Universidade Sem Fronteiras,

Portanto, as indústrias que desejam abater o ICMS que incide sobre as notas fis- cais de energia elétrica podem contratar o Laudo Técnico Elétrico para essa finalidade.. O laudo

Caso as características do terreno permitam, o revestimento com o tubo pode ser parcial. Recomenda-se que as estacas Strauss tenham o seu diâmetro limitado a 500 mm.

A atribuição de incentivos financeiros à equipa multiprofissional depende da concretização dos critérios para atribuição das unidades contratualizadas (UC) referentes às

No desenvolvimento deste trabalho aplicamos a t´ ecnica da An´ alise de Textura, baseada na ma- triz de coocorrˆ encia, em quatro conjuntos de imagens cerebrais: imagens de