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UNIVERSIDADE DO PORTO

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FACULDADE DE CIÊNCIAS DO DESPORTO E DE

EDUCAÇÃO FÍSICA

Renata Aleixo Beça

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FACULDADE DE CIÊNCIAS DO DESPORTO E DE

EDUCAÇÃO FÍSICA

Monografia apresentada à FCDEF-UP da disciplina de Seminário do 5º ano de Licenciatura em Desporto e Educação Física

Orientador

Mestre Eurico Vasco Brandão

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BEÇA, R. (2005). O Lançamento no Basquetebol Feminino. Estudo Comparativo do Número e Eficácia dos Lançamentos em Função do Nível Competitivo. FCDEF – UP.

PALAVRAS-CHAVE:

(4)

AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador Mestre Eurico Brandão por

toda a colaboração, disponibilidade e

paciência demonstrada na orientação desta

monografia.

A todos os meus Amigos, especialmente à

minha grande amiga Mariana, que de uma

forma directa ou indirecta me auxiliaram na

realização deste trabalho.

Ao Nuno por tudo… especialmente por

sempre me fazer sorrir!

À minha mana querida pelo apoio e força que

sempre me dá, orientando-me por todos os

caminhos da vida.

E um especial agradecimento à minha mãe,

principal responsável por eu ter chegado até

aqui!

(5)

ÍNDICE GERAL

1. Introdução ………... 1 1.1 Enquadramento do Tema……….... 1 1.2 Justificação do estudo……….. 3 1.3 Objectivos de Estudo…………... 3 1.4 Hipóteses de Investigação……….. 4 2. Revisão da Literatura ………... 5 2.1 A Performance em Desporto……… 5 2.1.1. A Performance em Basquetebol………. 6 2.2. A Análise de Jogo ……… 7

2.3 Estudos em Situação de Jogo………. 11

2.3.1 A Análise do Lançamento ao Cesto……… 12

3. Material e Métodos………. 15

3.1 Caracterização da Amostra………. 15

3.2 Procedimentos de Recolha e de Observação………. 16

3.3 Método de Divisão das Zonas de Finalização……….. 16

3.4 Fiabilidade da Observação………..

17

3.5 Procedimentos Estatísticos………. 18

4. Apresentação dos Resultados……… 19

4.1 Perfil Global de Lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino……….……… 19

4.2 Nº de Lançamentos e Eficácia por Zonas de Finalização em Função do Nível de Competição…. 20 4.3 Nº de Lançamentos e Eficácia por Nível de Competição em Função das Zonas de Finalização… 22 4.4 Nº de Lançamentos e Eficácia por Nível de Competição……… 27

5. Discussão dos Resultados………... 31

5.1 Nº de Lançamentos por Zonas de Finalização em Função do Nível de Competição……… 31

5.2 Nº de Lançamentos por Eficácia em Função do Nível de Competição……… 33

6. Conclusões……….. 36

7. Bibliografia……… 37

(6)

ÍNDICE DE QUADROS E GRÁFICOS

ƒ Figura 1. Método de Divisão das Zonas de Finalização……… 16

ƒ Quadro 4.1. Total de Lançamentos e Eficácia nas diferentes zonas de Finalização……...………... 19

ƒ Quadro 4.2. Total de Lançamentos nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição.…………. 20

ƒ Quadro 4.3. Eficácia dos Lançamentos nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição…….. 21

ƒ Quadro 4.4. Eficácia do Lançamento na Zona 1 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 22

ƒ Quadro 4.5. Eficácia do Lançamento na Zona 2 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 22

ƒ Quadro 4.6. Eficácia do Lançamento na Zona 3 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 23

ƒ Quadro 4.7. Eficácia do Lançamento na Zona 4 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 23

ƒ Quadro 4.8. Eficácia do Lançamento na Zona 5 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 24

ƒ Quadro 4.9. Eficácia do Lançamento na Zona 6 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 24

ƒ Quadro 4.10. Eficácia do Lançamento na Zona 7 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 25

ƒ Quadro 4.11. Eficácia do Lançamento na Zona 8 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 25

ƒ Quadro 4.12. Eficácia do Lançamento na Zona 9 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores)……… 26

ƒ Quadro 4.13. Perfis diferenciados do Lançamento para os Iniciados Femininos………. 27

ƒ Quadro 4.14. Perfis diferenciados do Lançamento para os Cadetes Femininos….………. 28

ƒ Quadro 4.15. Perfis diferenciados do Lançamento para os Juniores Femininos…………. 28

ƒ Quadro 4.16. Perfis diferenciados do Lançamento para os Seniores Femininos…………. 29

ƒ Gráfico 5.1 Total de Lançamentos nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição……… 32

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ÍNDICE DE ANEXOS

Número de Lançamentos e Eficácia por Zonas de Finalização – Iniciados……….. I Número de Lançamentos e Eficácia por Zonas de Finalização – Cadetes.……….. II Número de Lançamentos e Eficácia por Zonas de Finalização – Juniores……….. IV Número de Lançamentos e Eficácia por Zonas de Finalização – Seniores………...….V Ficha de Observação de Jogos………..….VI

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RESUMO

Em Basquetebol, o Lançamento é considerado por inúmeros autores como o elemento técnico mais importante visto que é em função dele que se definem os principais objectivos do jogo: marcar e não deixar o adversário marcar.

Decorrente do enquadramento conceptual anteriormente apresentado, os objectivos do presente estudo são os seguintes: (i) estabelecer o padrão do lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino em Portugal, (ii) comparar o padrão de lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino relativamente aos escalões de Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores e (iii) comparar a frequência do lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino, entre os escalões Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores.

A amostra do presente trabalho foi constituída por 25 jogos oficiais relativos à época de 2005/06, perfazendo um total de 3816 lançamentos realizados por várias equipas femininas dos diferentes níveis competitivos: Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores.

A metodologia compreendeu a recolha e análise através de vídeo e registo em fichas de observação de cada sequência ofensiva (lançamento). Em cada jogo foram observadas diferentes zonas de finalização (nove), considerando apenas se o lançamento era ou não convertido. O tratamento estatístico resumiu-se à descrição e comparação da frequência e percentagem dos indicadores em estudo, em função das zonas de finalização e do escalão etário.

Os resultados sugerem o seguinte quadro de conclusões: (1) O padrão do Lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino apresenta um carácter semelhante face ao nível de competição. (i) existe semelhança no número de lançamentos e eficácia entre os Cadetes, Juniores e Seniores; (ii) o número total de lançamentos realizados por zonas de finalização é semelhante; (iii) verifica-se que as zonas 1, 8 e 9 são aquelas onde cada um dos escalões etários realiza o maior número de lançamentos. (2) Os perfis da eficácia dos lançamentos ao cesto em função dos níveis de competição, revelam uma hierarquia clara. (i) os Seniores apresentam de forma geral uma percentagem mais elevada nas diferentes zonas de finalização, contrastando com o escalão de Iniciados; (ii) os Iniciados lançam e convertem menos lançamentos. (3) O número de lançamentos realizados nas diferentes zonas de finalização, mostra um investimento nas áreas mais próximas do cesto em detrimento dos lançamentos de média e longa distância. (4) Verifica-se uma tendência para percentagens médias – baixas em todas as zonas de finalização consideradas.

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1. INTRODUÇÃO

1 . 1 . E n q u a d r a m e n t o d o T e m a

A sociedade contemporânea é regida pelos princípios da competitividade e da produtividade com o objectivo de atingir o máximo de rendimento. O Desporto actual, como fenómeno de ordem social de grande impacto, rege-se também pela procura de momentos de máxima optimização e rendimento, com preocupações evidentes nos domínios colectivo e individual (Brandão, 1995).

No contexto actual dos Jogos Desportivos Colectivos (JDC), e particularmente no Basquetebol, é visível a aproximação do nível competitivo das equipas, contrastando com o desfasamento existente em anos anteriores, onde a vitória nas diferentes competições era repartida por duas ou três equipas (Sampaio, 1994). Para tal, contribuíram treinadores e investigadores que ao longo dos tempos têm investido profundamente no maior e melhor conhecimento da modalidade no sentido de aprofundar a teoria do jogo, melhorar o nível de jogo e dos praticantes, bem como os processos de preparação para as competições. Por outro lado, a competitividade nas competições mais importantes tem vindo a aumentar, facto que espelha seguramente uma consequência do conhecimento que cada equipa tem de si própria e dos adversários, pois todos os treinadores tentam que a fronteira do desconhecido seja cada vez melhor, já que cada decisão errada pode significar a derrota (Oliveira, 1993).

Segundo Sampaio (1994), a crescente aproximação competitiva entre as equipas em Portugal deve-se a uma uniformização da selecção dos jogadores, dos processos de treino e da preparação das competições.

O estudo detalhado do jogo e do jogador tem produzido um conjunto de conhecimentos essenciais para a direcção e condução do processo de treino e para a competição (Sampaio 1997).

O estabelecimento de relações dos factores de rendimento e condições em que se desenrolam os jogos com os resultados, (que permitem que a condução da competição se torne um processo

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possível a partir da “leitura” do jogo, pois cada jogo encerra uma quantidade enorme de acontecimentos importantes (Franks e Goodman, 1986; Latishkevich e Dudim, 1992; Teodorescu, 1991; cit. por Oliveira. J. 1993).

Tal como nos diz Garganta (1996), a análise do jogo tem-se constituído como um argumento de crescente importância neste processo de conhecimento dos factores que influenciam a vitória ou derrota. Vários são os autores que se tem preocupado com a identificação dos indicadores que influenciam de forma mais próxima o sucesso desportivo (Neves, 1992; Mendes, 1996; Sampaio, 1997; Tina, 1997; Cruz, 1998; Silva, 1998 e Sampaio e Janeira 1999).

Poderá incluir-se nesse conjunto de variáveis indicadores de ordem física, psíquica, sociológica, bem como a técnica e a táctica, acreditando que o grau de influência destas variáveis é tão forte, que dele depende directamente o sucesso na competição (Neta, 1999).

O presente trabalho emerge da necessidade de aprofundar os conhecimentos disponíveis referentes ao contributo dos indicadores do jogo na performance diferencial, no sentido de identificar o seu poder hierárquico e classificativo. A interpretação da performance desportiva será através da observação e análise do jogo em Basquetebol, de forma a despertar a necessidade de analisar as competições e de associar este conhecimento ao sucesso desportivo (Ibánez.Godoy et al., 2001; Sampaio 2001; Tsitskaris et al.; 2002).

No âmbito desta modalidade, o lançamento ao cesto é assumido, como o elemento técnico mais importante do Basquetebol, pois é em função dele que se definem os principais objectivos do jogo: marcar e não deixar marcar.

O lançamento ao cesto é assim a finalidade última de todas as acções, individuais ou colectivas, de uma equipa com posse de bola, constituindo-se ao mesmo tempo, a preocupação final dos defesas, uma vez que é a acção que é preciso dificultar ou impedir. No fundo, o lançamento ao cesto corresponde à verdadeira razão de ser de todos os outros elementos técnicos do Basquetebol, bem como das combinações tácticas a que se recorre durante um jogo (Adelino, 2003).

Apesar da importância atribuída ao lançamento, vários autores limitam a sua análise à descrição biomecânica dos diferentes tipos de lançamento e à sua associação com a

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Psicologia, não permitindo responder a questões inerentes à análise do jogo. Neste domínio a literatura é escassa, assumindo-se a dois estudos realizados no Basquetebol internacional (Ibánez.Godoy et al., 2001; Tsitskaris et al., 2002) e três em Portugal (Melo, 1998; Silva, 2003 e Silva, 2004).

1 . 2 . J u s t i f i c a ç ã o d o E s t u d o

“Ao seleccionarem o Basquetebol como meio de estudo, os investigadores em Ciências do Desporto, têm produzido nos últimos anos um corpo sólido de conhecimentos com repercussões claras na melhoria do jogo e na preparação dos atletas” (Tavares et al., 2001).

No âmbito desta modalidade, tal como referimos anteriormente, o Lançamento tem sido considerado por diversos autores, como o elemento técnico mais importante. Procuramos então conhecer o perfil do Lançamento ao cesto no Basquetebol Português, especificamente em escalões femininos. Um dos objectivos será alargar o horizonte desta temática, sabendo que em Portugal apenas se encontram disponíveis os estudos desenvolvidos por Melo (1998), Silva (2003) e Silva (2004) que procuram conhecer a eficácia do lançamento em função das diferentes zonas de finalização.

O presente estudo poderá fornecer indicações acerca dos perfis técnicos do lançamento nos vários escalões femininos e, por conseguinte, constituir-se como uma fonte de informação a treinadores de Basquetebol com uma perspectiva de formação, procurando ser uma mais valia para o conhecimento do jogo e estruturação do treino.

1 . 3 . O b j e c t i v o s d o E s t u d o

Os objectivos do presente trabalho são os seguintes:

1) Estabelecer o padrão do lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino em Portugal;

2) Comparar o padrão de lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino relativamente aos escalões de Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores;

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1 . 4 . H i p ó t e s e s d e I n v e s t i g a ç ã o

Tendo como ponto de partida os objectivos definidos, formulamos as seguintes hipóteses:

H1: O Lançamento apresenta um padrão semelhante quando analisado em função dos

escalões femininos;

H2: Para as diferentes zonas de finalização, os escalões de juniores e seniores apresentam

percentagens de concretização superiores em relação aos escalões de iniciados e cadetes femininos.

H3: As zonas de finalização mais próximas do cesto apresentam resultados de

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2. REVISÃO DA LITERATURA

2 . 1 . A P e r f o r m a n c e e m D e s p o r t o

O Desporto actual procura sistematicamente o maior rendimento dos atletas e das equipas. Desta forma surge como investigação importante no domínio das Ciências do Desporto, a procura dos conhecimentos que possibilitam atingir níveis altos de performance.

O panorama do desporto de competição, em geral, e do Basquetebol, em particular, tem nos últimos anos em Portugal, sofrido grandes alterações. O sucesso desportivo, nomeadamente as vitórias nas diferentes competições nacionais deixa de ser restrito a 2 ou 3 equipas, apresentando hoje um equilíbrio sistemático, resultado de uma maior aproximação do nível competitivo da diversas equipas do quadro desportivo nacional (Sampaio, 1994). Neste sentido os estudos realizados dentro desta particularidade de análise permitiram uma uniformização na selecção dos jogadores, bem como nos processos de treino e na preparação das competições.

O desenvolvimento da performance em Desporto é descrito por vários autores (Maia, 1993; Carter, 1994; Sobral, 1994; Brandão, 1995). Matvéiev (1997), refere que a preparação de um atleta é um estado dinâmico complexo que se caracteriza por um elevado nível de eficiência física e psicológica e pelo grau de aperfeiçoamento das necessárias aptidões e conhecimentos (capacidade técnica e táctica).

Segundo Brandão (1995), a performance humana é um fenómeno complexo multidimensional onde se conjugam e interactuam factores orgânicos, motores e culturais que se modificam em consequência dos processos de crescimento, maturação e experiência motora. Este autor define performance, como sendo uma expressão objectiva do mais alto nível de rendimento que um atleta pode atingir em determinadas condições de natureza técnica, táctica e regulamentar.

Já Cartes (1985), refere que “alguns factores como as funções fisiológicas, os constrangimentos biomecânicos, o nível psicológico, o envolvimento e o contexto sociocultural podem afectar a performance de um modo completamente distinto e de forma interactiva complexa”.

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Bompa (1990) acrescenta ainda que esta pode ser determinada pelas capacidades motoras, pelas capacidades psicológicas e pelas características somáticas.

No domínio das Ciências do Desporto, uma das questões nucleares de estudo e pesquisa reporta-se ao modo como alcançar o elevado rendimento desportivo (performance), visando assim esclarecer o quadro conceptual e operativo da performance de alto nível (Maia, 1993; Janeira, 1994; cit. por Silva, 2004).

No contexto dos JDC, em geral, e no Basquetebol em particular, Maia (1995) aponta para a definição de performance referenciada a dois tipos de análise:

− à análise das tarefas de jogo, isto é, ao conhecimento das tarefas fundamentais realizadas pelos jogadores durante o ataque e a defesa;

− à análise do sujeito, ou seja, ao conhecimento do conjunto diversificado de aptidões, capacidades e características psicológicas que o sujeito deve possuir para realizar com sucesso as tarefas do jogo.

Este autor refere ainda que a performance é regulada por uma multiplicidade de factores que se manifestam em aptidões, capacidades motoras e comportamentos psicológicos, considerando necessário recorrer a modelos que A simplifiquem. Baseando-se na concepção de diferentes autores, Maia (1995) apresentou uma definição explicativa de performance que simplifica a sua abordagem e entendimento. Posto isto, expressa uma equação explicativa da performance, resultando esta do somatório de diferentes aspectos, tais como, genes favoráveis, elevada norma de reacção individual, treino adequado, condições sócio-culturais e ambientais satisfatórias.

Da literatura consultada podemos realçar a existência de um conjunto diversificado de factores influenciadores da performance, apresentando variações de autor para autor. Podemos assim considerar, que o conceito é multidimensional, envolvendo, por isso, variáveis de diferentes âmbitos.

2 . 1 . 1 . A P e r f o r m a n c e e m B a s q u e t e b o l

Beard (1991) refere que o Basquetebol é um jogo de eficiências físicas e mentais e uma combinação de atitudes inatas e adquiridas. Este autor reforça o carácter multidimensional da

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performance em Basquetebol, referindo que para se ser bom jogador é necessário ter resistência, astúcia, potência, velocidade e intensidade, associada a uma rápida coordenação e grande dedicação.

Com o objectivo de se aproximarem cada vez mais da excelência desportiva, alguns autores exploram os variados campos de conhecimento das Ciências do Desporto à procura de um entendimento do domínio da performance. Sendo assim, a investigação pretende distinguir e identificar um conjunto de características do individuo, podendo, desta forma, seleccionar, com relativa segurança, os mais aptos para a pratica do Basquetebol, com o intuito de a curto prazo atingirem níveis elevados de performance desportiva.

A análise quantitativa do jogo de Basquetebol é um processo fundamental na clarificação dos factores que concorrem para o sucesso desportivo. A avaliação da performance através dos indicadores do jogo, recolhidos nas competições, constitui um método válido, fiável e objectivo, quer do ponto de vista do atleta, quer do ponto de vista da equipa.

Assim, a avaliação da performance em Basquetebol centra-se num conjunto pluridisciplinar de exigências operacionais muito particulares (estrutura funcional), situadas num contexto conceptual claramente definido (estrutura formal) (Sampaio, 1997).

Os caminhos percorridos pelos especialistas da modelação, no domínio da interpretação deste processo têm tomado múltiplas e específicas direcções, das quais realçamos: a estrutura somática, o perfil fisiológico e metabólico, a aptidão motora, a analise de tempo e movimento e analise do jogo (Maia, 1993; Janeira, 1994).

2 . 2 . A n á l i s e d o J o g o

O estudo do jogo a partir da observação do comportamento dos jogadores e das equipas tem vindo a constituir um forte argumento para a organização e avaliação dos processos de ensino e treino nos JDC. As formas de manifestação da técnica, os aspectos tácticos e a actividade física desenvolvida pelos jogadores, têm sido os conteúdos prevalentemente abordados.

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Na literatura, este tipo de estudos tem sido qualificado através de diferentes expressões, de entre as quais se destacam: observação de jogo (game observation), análise de jogo (match analysis) e análise notacional (notational analysis). Todavia, a expressão mais utilizada na literatura é análise de jogo (Garganta, 1997), considerando que engloba diferentes fases do processo, nomeadamente a observação dos acontecimentos, a notação dos dados e a sua interpretação (Franks e Goodman, 1986; Hughes, 1996; cit. por Garganta, 1998).

No âmbito dos JDC, a valência análise do jogo (AJ) tem vindo a constituir um argumento de crescente importância (Garganta, 2001). Este facto pode ser explicado pelas virtualidades que se lhe reconhece, traduzidas, quer no aporte de informação que dai pode resultar para o treino, quer nas potenciais vantagens que encerra para viabilizar a regulação da prestação competitiva. Procura-se optimizar os comportamentos dos jogadores e das equipas na competição, a partir da análise de informações importantes acerca do jogo (McGarry e Franks, 1996; cit. por Garganta, 1998).

Ferreira (2002), refere que a análise do jogo visa então centrar-se sobre uma realidade complexa, dinâmica e em constante mutação, como é o caso o jogo, de modo a conseguir seleccionar, analisar e interpretar os factores que mais significativamente possam influir no comportamento dos jogadores e das equipas, seja qual for a esfera de intervenção do treinador.

O processo de observação e análise de jogo tem experimentado uma evolução evidente ao nível dos sistemas utilizados. Essa evolução tem-se processado por etapas, em cada uma das quais o sistema desenvolvido surge no sentido de aperfeiçoar os precedentes, procurando-se uma cada vez maior adequação aos objectivos pretendidos. Garganta (2001), defende que, face aos meios e métodos que actualmente dispomos através da análise do jogo, é possível incrementar os conhecimentos acerca do jogo e melhorar a qualidade da prestação dos jogadores e das equipas.

De acordo com o que foi referido, parece-nos essencial salientar a importância da análise do jogo nos processos de preparação desportiva. Segundo Mendes (1996), são realizados estudos com o intuito de alcançar a excelência da prestação desportiva, sendo obviamente o objectivo máximo de todos aqueles que se dedicam ao desporto de rendimento.

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Os métodos mais utilizados na observação do jogo restringem-se à análise directa e em diferido (Grosgeorge, 1990; Oliveira, 1993), utilizando a técnica do papel e do lápis (Moreno, 1988; Marques, 1990), vídeo, computadores e vídeos acoplados a computadores (Mikes, 1987; Grosgeorge, 1990). No entanto, este último autor refere que o recurso à observação em diferido permite mais informações.

São as análises que realizamos aos jogos, que nos permitem diferenciar as equipas vencedoras das equipas vencidas e também acompanhar as questões evolutivas do Basquetebol praticado hoje em dia. Contudo, a grande quantidade de informações obtidas durante uma partida, fez com que os investigadores criassem sistemas de observação com um número distinto de categorias definidas.

A AJ pode ser entendida sobre duas formas distintas, ou seja, qualitativa e quantitativa. No Basquetebol, a investigação sobre os aspectos qualitativos e quantitativos do jogador e do jogo, é direccionado em formar um quadro de referencias pelas acções dos jogadores e do jogo, e que deverão estar encadeadas para qualidade e quantidade de resolução das situação/problema ora apresentada no momento do jogo. Entretanto, nos JDC e, em especial no Basquetebol, a análise qualitativa do jogo é expressa, fundamentalmente, pela percepção personalizada dos treinadores, razão pela qual MacDonald (1984) e Franks (1985) citados por Sampaio (1997) referem que esta análise é um processo que apresenta índices de validade, fiabilidade e objectividade questionáveis, assim não nos parece ser o meio de análise do jogo mais recomendado. Por outro lado, a análise quantitativa, entendida como processo de registo dos comportamentos observados ao longo do jogo possíveis de serem quantificados, permiti-nos obter informações mais consistentes e objectivas (Sampaio, 1997).

De acordo com o que foi referido, poderemos considerar a análise quantitativa mais vantajosa. Porém, a objectividade inerente aos dados quantitativos por si só não fornece toda a informação presente num jogo. Segundo Marques (1995), cit. por Silva, (2003), a harmonia entre as duas vertentes complementam-se, devendo ser, a informação recolhida, interpretada com base no conhecimento acumulado (análise qualitativa) que os treinadores possuem do jogo.

Dos anos trinta até aos nossos dias, aumentou consideravelmente o volume de estudos de âmbito científico realizados através do recurso à observação e análise do jogo. Garganta (2001),

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fez referência a cerca de centena e meia de trabalhos realizados com recurso à análise do jogo, provenientes de diferentes quadrantes geográficos e contemplando diversos jogos desportivos.

Tavares (2001), realizou um estudo com o objectivo de delinear um perfil de conhecimento relativo ao estudo do Basquetebol, no que diz respeito às questões conceptuais e terminológicas, e por outro lado analisar o tipo de investigação desenvolvida em Portugal no âmbito das instituições de ensino superiores e dai referir quais as principais tendências das linhas de investigação relativas à observação do jogo e do jogador. Anteriormente Janeira e Sampaio (1999), tinham já realizado um estudo analisando o jogo em Basquetebol, comparando a Liga Portuguesa e a Liga Espanhola de Basquetebol. O objectivo fundamental era descobrir as principais diferenças entre o nosso campeonato e os campeonatos dos países vizinhos. As variáveis em estudo foram: altura, assistências, faltas, percentagens de lançamento (lance-livre, 2 e 3 pontos), ressaltos (ofensivos e defensivos), roubos de bola, turn-overs e idade.

Apesar da sua utilização generalizada no estudo e compreensão do jogo por investigadores, treinadores e gabinetes de scouting, os pressupostos metodológicos que suportam a utilização das estatísticas do jogo têm permanecido obscuros ao longo dos anos. De facto, partindo da hipótese que o objectivo da utilização das estatísticas do jogo se centra na avaliação da performance dos jogadores e das equipas em situação de jogo, questões metodológicas mais sólidas e esclarecedoras acerca destas estatísticas têm sido sistematicamente descuradas (Sampaio, 2001).

A partir deste quadro conceptual e particularmente em face das insuficiências sentidas no estado actual do conhecimento, Turcoliver (1990,1991, cit. por Sampaio, 2001) desenvolveu uma metodologia de análise centrada na medição da eficácia colectiva em situação de jogo, reformulando todo o processo e abrindo diferentes perspectivas de análise. O autor baseia esta metodologia na redefinição do conceito de posse de bola (PB). Ao considerar a conquista do ressalto ofensivo não como uma nova PB, mas como um”reavivar” da PB anterior, Turcoliver verificou que no final do jogo as equipas em confronto usufruíam aproximadamente do mesmo número de PB (uma vez que as equipas não podem dispor de PB consecutivas).

Partindo deste pressuposto, torna-se possível interpretar, de forma mais esclarecedora, a informação contida nas medidas que representam a eficácia colectiva nas equipas, isto é, nos coeficientes de eficácia ofensiva (CEO) e defensiva (CED).

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Desta forma, poderemos afirmar que a investigação tem seguido essencialmente dois caminhos na abordagem desta problemática: a avaliação dos jogadores e a avaliação do jogo. Os estudos da performance no Basquetebol têm focalizado o seu interesse nos atletas para assim poderem estudar o rendimento diferenciado.

Na literatura Portuguesa, os únicos estudos disponíveis do jogo de Basquetebol Feminino foram realizadas por Mendes (1996a) e Cachulo (1998; cit. por Sampaio, 2001). Estes estudos procuravam relacionar as estatísticas dos jogos com as vitorias e derrotas das equipas.

Ao analisar 25 jogos da 1ª divisão da época de 1995-1996, Mendes (1996a) identificou as percentagens dos lançamentos de dois pontos e dos ressaltos ofensivos como as estatísticas que mais contribuem para o desfecho final dos jogos. Mais tarde, Cachulo (1998; por Sampaio, 2001) analisou 19 jogos da 1ª divisão das épocas entre 1996 e 1998 e identificou contribuições mais poderosas para o desfecho final dos jogos a partir das estatísticas dos ressaltos defensivos das percentagens de eficácia nos lançamentos de dois pontos, das intercepções, das faltas sofridas e das assistências. Apesar destes resultados, não confirmarem os resultados obtidos por Mendes (1996a) no Basquetebol feminino, estes aproximam-se fortemente dos resultados obtidos no Basquetebol masculino nos estudos realizados por Coelho (1996), Mendes (1996a) e Sampaio (1997).

2 . 3 . E s t u d o s e m S i t u a ç ã o d e J o g o

As primeiras recolhas sistemáticas dos indicadores do jogo, aliadas à construção dos primeiros índices de eficácia individuais e colectivas e as primeiras análises em situação de jogo, desencadearam motivações enormes nos treinadores e investigadores para estudar estas questões (Sampaio, 1997). A avaliação da performance no Basquetebol tem recorrido, por um lado, aos indicadores somáticos, fisiológicos, psicológicos e motores, e por outro, aos designados indicadores de eficácia do jogo (Mendes, 1996a). Para Wodden (1988, cit. por Mendes 1996a) estes são habitualmente referidos como os indicadores mais objectivos da avaliação do rendimento em basquetebol.

(20)

Os estudos em situação de jogo têm recorrido exclusivamente ao conjunto de variáveis do próprio jogo possíveis de serem quantificadas (Sampaio, 1997). De acordo com Garganta (2001), do conteúdo literário, ressalta que os investigadores têm recorrido a diversas categorias de observação e análise.

Como já foi referido, Garganta (2001), fez referência a cerca de centena e meia de trabalhos realizados com recurso à análise do jogo, provenientes de diferentes quadrantes geográficos e contemplando diversos jogos desportivos. Podemos dizer que apenas foram inventariados alguns estudos e que, numa busca mais exaustiva, seria possível duplicar-se número das descobertas, facto que nos permite perceber a enorme expressão que a análise do jogo tem vindo a assumir no quadro da investigação aplicada aos jogos desportivos.

No âmbito do Basquetebol, as análises do jogo têm recaído essencialmente no estudo dos indicadores técnico – tácticos do jogo, através das denominadas estatísticas de jogo, com base no registo da frequência de determinadas acções inerentes a esses indicadores (Sampaio, 2001), destacando-se os estudos elaborados por Neves (1992), Mendes (1996), Sampaio (1997), Tina (1997), Cruz (1998), Silva (1996) e Sampaio e Janeira (1999).

Segundo Sampaio (1997), actualmente, os estudos que se fundamentam, exclusivamente, nos indicadores técnico – tácticos recolhidos pela observação das situações de jogo real, constituem-se como o processo de avaliação individual e colectivo mais válido, fiável e objectivo. É pertinente salientar que estes indicadores equivalem ao conjunto de variáveis do jogo possíveis de serem quantificadas, afirmando o autor que recorre-se sobretudo aos lançamentos de campo, aos lances livres, aos ressaltos, às faltas, às assistências, aos turn-overs, aos desarmes e às intercepções.

2 . 3 . 1 . A A n á l i s e d o L a n ç a m e n t o a o C e s t o

Os lançamentos de campo têm sido aceites como um dos factores mais importantes, se não o mais importante, na determinação das vitórias nos jogos (Sampaio, 1997). Esta afirmação é baseada no facto de um dos objectivos do jogo ser o introduzir a bola no cesto do adversário, logo, todas as acções técnico-tácticas ofensivas têm por objectivo proporcionar aos jogadores oportunidades para converter lançamentos (Soares, 1994; Wissel, 1994; Sampaio, 1997).

(21)

Vários investigadores debruçaram-se sobre a relação entre os lançamentos de campo e o sucesso das equipas. Pariseau (1962, cit. por Melo, 1998) concluiu que as equipas vencedoras convertiam mais lançamentos de campo, tinham uma percentagem de lançamentos de campo maior e tentavam menos lançamentos que as equipas derrotadas.

Ibáñez-Godoy et al. (2001), de forma mais particular na caracterização do lançamento, procuram identificar e diferenciar as características do lançamento em função do tipo (14 categorias), do género (masculino, feminino e misto), do valor dos lançamentos (1,2 e 3 pontos), bem como do nível dos jogadores com base na complexidade das competições, desde NBA/WNBA até ao Minibasquete. Num total de 11.869 lançamentos, este estudo abrangeu uma amostra 90 jogos de 10 categorias (escalão e sexo). Pertinente referir que os principais resultados sugerem um investimento no treino nos lançamentos tradicionais, como é o caso dos lançamentos livres, lançamentos da passada e lançamentos de 2 e 3 pontos, na medida em que os restantes lançamentos são poucos utilizados na competição. Em níveis de competição mais baixos, assim como referentes ao género feminino, os lançamentos em suspensão são pouco utilizados, acreditando-se que os níveis de força são um factor limitativo para o mesmo.

De acordo com Tsitskaris et al (2002), no basquetebol o ataque é concluído no momento em que o jogador lança ao cesto. O estudo que realizou teve como propósito analisar os diferentes tipos de lançamentos e relacioná-los com as posições específicas dos jogadores em jogo. A amostra foi de 209 jogos das Divisões Nacionais A2 (n=15), B (n=39) e C (n=65) e da Categoria Local A de Salónica (n=90) do Campeonato Grego, referente a equipas de diferentes divisões competitivas. O tipo de lançamento (lançamentos livres, lançamentos na passada, lançamentos de 2 pontos e lançamentos 3 pontos), o nível de competição (4 divisões dos campeonatos gregos) e as posições específicas dos jogadores (Base, Extremo e Poste) foram os indicadores analisados. Foi possível constatar que os níveis de competição mais evoluídos apresentaram um maior número no total de Lançamentos de 2 pontos realizados e convertidos. Relativamente às posições especificas dos jogadores em jogo, o estudo revelou que os jogadores Extremos lançam mais e são mais eficazes nos Lançamentos de 3 pontos em relação aos Postes, assim como os jogadores Postes expressam melhores resultados na percentagem de concretização do Lançamento de 2 pontos em comparação com os jogadores Bases, manifestando diferenças significativas.

(22)

Com o objectivo de estabelecer o padrão do lançamento no Basquetebol Português relativamente ao escalão e ao nível de competição, relacionando-os com as posições específicas dos jogadores em jogo, Silva (2003) observou 16 jogos de diferentes níveis de competição (8 jogos de cadetes, 5 jogos de Seniores e 3 jogos de Juniores masculinos). No estudo foram observados os seguintes indicadores: (i) Lançamento Livre, (ii) Lançamento de 2 pontos, (iii) Lançamento da Passada e, (iv) Lançamento de 3 pontos. O autor conluio que o lançamento mais utilizado em todos os escalões é o Lançamento de 2 pontos, mostrando uma incidência acrescida no escalão de Cadetes. Por outro lado, verificou que à medida que aumenta a complexidade da competição diminui a utilização do Lançamento de 2 pontos e aumenta o número de lançamentos de 3 pontos. O autor refere ainda que o escalão de Cadetes recorre com maior frequência à utilização dos Lançamentos na Passada. No que concerne às posições especificas dos jogadores em jogo, observou-se, por um lado, que os Poste utilizam mais vezes o Lançamento de 2 Pontos e, por outro lado, que os Extremos são os jogadores mais solicitados e mais eficazes na generalidade das acções de finalização do jogo.

Silva (2004), realizou um estudo com o mesmo objectivo, de estabelecer o padrão do lançamento no Basquetebol Português, mas apenas relativamente ao escalão de cadetes, relacionando-os com as posições específicas dos jogadores em jogo. Observou 52 jogos de Basquetebol, perfazendo um total de 4981 lançamentos realizados pela equipa do Centro Nacional de Treino do Porto (CNT), divididos por três épocas desportivas (13 jogos da época 2001/2002, 16 jogos da época 2002/2003 e 23 jogos em 2003/2004). No estudo foram observados os seguintes indicadores: (i) Lançamento Livre, (ii) Lançamento da Passada, (iii) Lançamento de 2 pontos e, (iv) Lançamento de 3 pontos. Atendendo à análise e reflexão dos resultados, o autor apontou a evidente preponderância do Lançamento de 2 Pontos na finalização das acções ofensivas, independentemente da época desportiva. Por outro lado, verificou a maior importância dos jogadores Extremos na finalização das acções de ataque das equipas, relativamente à importância dos Bases e dos Postes. Parece perceptível a influência de factores de ordem somática dos jogadores associados à área preferencial da sua acção no jogo, executando os Bases em termos médios mais Lançamentos de 3 Pontos, enquanto que os Postes e Extremos lançam em zonas mais próximas do cesto. De uma forma geral, sobressai do estudo uma clara ideia de associação entre o tipo de lançamento e a posição específica dos jogadores no jogo.

(23)

3. MATERIAL E MÉTODOS

3 . 1 . C a r a c t e r i z a ç ã o d a A m o s t r a

A amostra do presente trabalho foi constituída por 25 jogos oficiais relativos à época de 2005/06, perfazendo um total de 3816 lançamentos realizados por várias equipas femininas dos diferentes níveis competitivos: Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores. Foram observados 6 jogos por cada escalão, excepto no escalão de Cadetes onde se observou 7 jogos, distribuídos da seguinte forma:

ƒ Iniciados

– três jogos da 1ª fase do Campeonato Distrital da Associação de Basquetebol de Aveiro 2005/06;

– dois jogos da 1ª fase do Campeonato Distrital da Associação de Basquetebol do Porto 2005/06;

– um jogo de treino entre Ovarense e o F.C.Porto.

ƒ Cadetes

– três jogos do VI Torneio Internacional do CPN;

– quatro jogos da 1ª fase do Campeonato Distrital da Associação de Basquetebol de Aveiro 2005/06.

ƒ Juniores

– seis jogos da 1ª fase do Campeonato Distrital da Associação de Basquetebol de Aveiro 2005/06.

ƒ Seniores

– dois jogos do I Torneio do Beira-Mar;

– um jogo do Campeonato da 2ª Divisão Feminina 2005/06;

(24)

3 . 2 . P r o c e d i m e n t o s d e R e c o l h a e d e O b s e r v a ç ã o

Para a análise dos lançamentos procedeu-se à recolha de imagens vídeo. O recurso a meios técnicos é justificado pelo facto de permitirem manipular a variável tempo nas sucessivas fases do jogo, viabilizando a observação repetida e pormenorizada das sequências ofensivas.

Em cada jogo foram observadas diferentes zonas de finalização (nove), considerando apenas se o lançamento era ou não convertido. A metodologia compreendeu o registo dos dados de cada sequência ofensiva (lançamento), a partir da elaboração de fichas de observação (ver Anexos) e tratamento estatístico (análise descritiva).

3 . 3 . M é t o d o d e D i v i s ã o d a s Z o n a s d e F i n a l i z a ç ã o

Com o objectivo de descrever as frequências das zonas de origem e de finalização das acções ofensivas, Oliveira, J. (1993), dividiu o ½ campo ofensivo em nove (9) zonas, compreendendo três faixas e três corredores. A sua representação gráfica encontra-se esquematizada na figura seguinte.

1

Figura 1. Método de divisão das zonas de finalização.

A primeira faixa situa-se acima da linha de lance livre e compreende três zonas: duas laterais (2 e 5) e uma central (1). A segunda faixa situa-se entre a linha de lance livre e uma paralela que intercepta a projecção da vertical da parte anterior do arco. Esta faixa inclui ainda três zonas delimitadas pelas linhas da área restritiva: duas exteriores (3 e 6) e uma interior (9). Por fim, a terceira faixa compreendida entre o limite da segunda faixa e a linha final. Dela fazem parte, três zonas à semelhança da segunda faixa (4 e 7 exteriores e 8 interior), embora de menores dimensões.

(25)

3 . 4 . F i a b i l i d a d e d a O b s e r v a ç ã o

Para apurar a fiabilidade de observação para cada uma das variáveis em estudo, foi observado o jogo ESSA – CPN do escalão Sénior.

A fiabilidade intra-observador foi apurada com base na relação percentual entre o número de acordos e desacordos registados, segunda a fórmula utilizada por Bellack et al (1966).

100 * desacordos nº acordos nº acordos % + = nºacordos

Os resultados do estudo da fiabilidade estão expressos no Quadro 3.1.

Indicadores Nº Acordos Nº Desacordos %

Total 30 30 100 Zona 1 Convertidos 15 15 100 Total 11 11 100 Zona 2 Convertidos 2 2 100 Total 14 13 93,3 Zona 3 Convertidos 3 3 100 Total 5 6 83,3 Zona 4 Convertidos 1 1 100 Total 13 13 100 Zona 5 Convertidos 4 4 100 Total 7 8 87,5 Zona 6 Convertidos 0 0 100 Total 7 6 85,7 Zona 7 Convertidos 1 1 100 Total 30 31 96,7 Zona 8 Convertidos 19 19 100 Total 19 19 100 Zona 9 Convertidos 6 5 83,3 Quadro 3.1. Resultados do estudo da fiabilidade.

(26)

A fiabilidade da observação pode ser testada pela elevada percentagem (96,1%) de acordos registados1 na medida em que os resultados (Quadro 3.1.) mostram que todos os valores se situam acima dos 80%, o que garante a validade das observações.

3 . 5 . P r o c e d i m e n t o s E s t a t í s t i c o s

O objectivo da análise estatística resumiu-se à descrição e comparação da frequência e percentagem dos indicadores em estudo, em função das zonas de finalização e do escalão etário.

(27)

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Com o presente estudo pretende-se conhecer o perfil técnico do Lançamento ao cesto do Basquetebol Feminino, em função da Zona de Finalização das acções ofensivas e do nível de competição/ escalão etário.

4 . 1 . P e r f i l G l o b a l d e L a n ç a m e n t o a o C e s t o n o

B a s q u e t e b o l F e m i n i n o

O Gráfico 4.1. apresenta uma visão descritiva do perfil do lançamento para as categorias em análise face às diferentes zonas de Finalização.

Total de Lançamentos e Eficácia

36,8 48,3 25,5 21,2 19,1 28,4 27,1 22,8 49,1 0 200 400 600 800 1000 1200 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas Total Eficácia

Gráfico 4.1. Total de Lançamentos e Eficácia nas diferentes zonas de Finalização.

Na análise do gráfico anterior, observa-se que as Zonas 1, 8 e 9 são aquelas onde se realizam o maior número de lançamentos ao cesto.

A eficácia apresentada por estas zonas, também se destaca das outras zonas de finalização com valores entre 37% e 49% (uma vez que percentagem mais elevada entre as outras zonas de finalização é 28,4% na zona 4).

(28)

4 . 2 . N ú m e r o d e L a n ç a m e n t o s e E f i c á c i a p o r Z o n a s d e

F i n a l i z a ç ã o e m F u n ç ã o d o N í v e l d e C o m p e t i ç ã o

O Gráfico 4.2. apresenta uma visão contrastada do perfil do lançamento para o Total de Lançamentos realizados face ao nível de competição/ escalão etário.

Total de Lançamentos 0 50 100 150 200 250 300 350 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

Gráfico 4.2. Total de Lançamentos nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição.

De acordo com a observação deste gráfico,o perfilapresenta-se semelhante para os diferentes níveis de competição. De facto, existe uma semelhança no padrão de lançamentos executados. Verifica-se que as zonas 1, 8 e 9 são aquelas onde cada um dos escalões etários realiza o maior número de lançamentos ao cesto.

(29)

O Gráfico 4.3. apresenta uma visão contrastada do perfil do lançamento para a Eficácia de Lançamentos realizados face ao nível de competição/ escalão etário.

Eficácia dos Lançamentos

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

Gráfico 4.3. Eficácia dos Lançamentos nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição.

Da análise do Gráfico 4.3. podemos verificar que o escalão de Seniores apresenta de uma forma geral, uma percentagem mais elevada nas diferentes zonas de finalização, contrastando, naturalmente, com o escalão de Iniciados.

Por outro lado, o perfil de eficácia do escalão de Juniores parece apresentar uma irregularidade de valores, nas diferentes zonas de finalização consideradas.

(30)

4 . 3 . N ú m e r o d e L a n ç a m e n t o s e E f i c á c i a p o r N í v e l d e

C o m p e t i ç ã o e m F u n ç ã o d a s Z o n a s d e F i n a l i z a ç ã o

Zona 1 Eficácia 41,0% 50,4% 52,3% 53,2%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

O Gráfico 4.4. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 1.

Zona 1

Escalão Total Convert Iniciados 173 71 Cadetes 242 122 Juniores 214 112 Seniores 237 126 Zona 2 Eficácia 12,5% 27,1% 24,3% 27,5%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

Gráfico 4.4. Eficácia do Lançamento na Zona 1 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

Da análise do Gráfico 4.1. é possível constatar que o escalão de Cadetes, Juniores e Seniores lançam mais vezes e são mais eficazes do que o escalão de Iniciados. Neste domínio, verifica-se também que os valores encontrados nas 2 variáveis para os escalões superiores são semelhantes.

O Gráfico 4.5. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 2.

Zona 2

Escalão Total Convert Iniciados 32 4 Cadetes 48 13 Juniores 74 18 Seniores 51 14

Gráfico 4.5. Eficácia do Lançamento na Zona 2 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

De acordo com a observação deste gráfico, as Seniores são o escalão que apresentam a maior percentagem (27,1%), no entanto o escalão Cadetes e Juniores apresentam valores

(31)

muito próximos deste. Tal como na zona 1, as Iniciados mostram uma percentagem menor relativamente aos outros escalões, tendo convertido apenas 4 dos 32 lançamentos que realizaram.

O Gráfico 4.6. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 3.

Zona 3 Eficácia 25,3% 32,1% 16,7% 34,4%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

Zona 3

Escalão Total Convert Iniciados 75 19 Cadetes 53 17 Juniores 72 12 Seniores 64 22

Gráfico 4.6. Eficácia do Lançamento na Zona 3 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

Da análise do Gráfico 4.6. podemos verificar que os escalões de Cadetes e Seniores apresentam valores de percentagem semelhantes (±33%), e ao contrário do que se tinha vindo a verificar, o escalão de Juniores tem apenas 16,7% de eficácia, apesar dos 72 lançamentos. O escalão de Iniciados efectuou mais lançamentos nesta Zona do que os escalões de Cadetes e Juniores, mas mesmo assim apenas converteu 19 dos 75 lançamentos efectuados, apresentando assim a eficácia de 25%.

Zona 4 Eficácia 9,5% 30,8% 41,7% 31,6%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

O Gráfico 4.7. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 4.

Zona 4

Escalão Total Convert Iniciados 21 2 Cadetes 26 8 Juniores 24 10 Seniores 19 6

(32)

De acordo com a observação deste gráfico, podemos referir que a percentagem do escalão das Juniores se destaca claramente em relação aos outros escalões (42%). Ao contrário o escalão de Iniciados apresenta uma percentagem muito baixa (9,5%), visto que num total de 21 lançamentos realizados, apenas converteram 2 lançamentos.

Relativamente aos escalões de Cadetes e Seniores, poderemos referir que apresentam um perfil de eficácia semelhante.

Zona 5 Eficácia 12,9% 18,8% 24,1% 20,8%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

O Gráfico 4.8. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 5.

Zona 6 Eficácia 16,2% 25,0% 20,9% 22,8%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

Zona 5

Escalão Total Convert Iniciados 31 4 Cadetes 32 6 Juniores 58 14 Seniores 53 11

Gráfico 4.8. Eficácia do Lançamento na Zona 5 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

Da análise do Gráfico 4.8. é possível constatar que o escalão de Juniores também apresenta uma maior eficácia de lançamentos (24,1%). No escalão de Iniciados observa-se mais uma vez a percentagem mais baixa (12,9%), seguida dos escalões de Cadetes (20,8%) e Seniores (20,8%). De salientar que os escalões de Juniores e Seniores realizaram quase o dobro de lançamentos relativamente aos escalões de Cadetes e Iniciados nesta zona de finalização.

O Gráfico 4.9. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 6.

Zona 6

Escalão Total Convert Iniciados 68 11 Cadetes 36 9 Juniores 67 14 Seniores 57 13

(33)

Gráfico 4.9. Eficácia do Lançamento na Zona 6 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

Observa-se neste gráfico, que o escalão de Iniciados apresenta a percentagem mais baixa (16,2%), apesar de ter sido o escalão que mais lançamentos efectuou nesta zona (68).

Na generalidade, os quatro escalões apresentam valores baixos de eficácia nesta zona não tendo estes excedido os 25%.

O Gráfico 4.10. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 7.

Zona 7 Eficácia 23,8% 21,1% 30,0% 26,9%

Iniciados Cadetes Juniores Seniores

Zona 7

Escalão Total Convert Iniciados 21 5 Cadetes 19 4 Juniores 20 6 Seniores 26 7

Gráfico 4.10. Eficácia do Lançamento na Zona 7 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

De acordo com a observação deste gráfico, podemos referir que o escalão de Cadetes, apresenta a eficácia mais baixa (21,1%), seguida do escalão de Iniciados (23,8%). O escalão de Juniores é o que apresenta a maior eficácia de lançamentos nesta zona (30%), seguida do escalão de Seniores (26,9%). Tanto ao nível do número como na sua eficácia, esta zona revela perfis de lançamento ao cesto semelhantes.

O Gráfico 4.11. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 8.

Zona 8 Eficácia 43,5% 45,1% 49,5% 55,0% Zona 8

Escalão Total Convert Iniciados 338 147 Cadetes 246 111 Juniores 214 106

(34)

Gráfico 4.11. Eficácia do Lançamento na Zona 8 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

De análise a deste gráfico constata-se que as percentagens de todos os escalões são elevadas, (sendo todas superiores a 43% tendo como termo de comparação os resultados observados para as restantes zonas de finalização). O escalão de Seniores é o que apresenta a percentagem maior (55%) e o escalão de Iniciados a percentagem menor (43,5%). De salientar o facto deste escalão ter sido o que converteu mais lançamentos (147), mas que para o número de lançamentos efectuados (338) este número representa uma eficácia mais reduzida.

O Gráfico 4.12. apresenta os resultados da eficácia dos Lançamentos efectuados pelos jogadores dos diferentes escalões na Zona 9.

Zona 9 Eficácia 35,6% 34,0% 39,3% 38,3%

Iniciadas Cadetes Juniores Seniores

Zona 9

Escalão Total Convert Iniciados 261 93 Cadetes 144 49 Juniores 270 106 Seniores 201 77

Gráfico 4.12. Eficácia do Lançamento na Zona 9 face ao nível de competição (Iniciados, Cadetes, Juniores e Seniores).

De acordo com a observação deste gráfico, podemos referir que todos os escalões apresentam percentagens de lançamentos entre os 34% e 39%, sendo por isso bastante idênticas. A Zona 9 é uma das zonas mais próximas do cesto e, tal como a zona 8, apresenta um elevado número de lançamentos efectuados. No entanto, a eficácia observada foi reduzida.

(35)

4 . 4 . N ú m e r o d e L a n ç a m e n t o s e E f i c á c i a p o r N í v e l d e

C o m p e t i ç ã o

O Gráfico 4.13. apresenta uma visão contrastada do perfil do lançamento dos Iniciados Femininos para as categorias em análise.

Iniciados 20 12,5 25,3 9 12,9 16,2 23,8 43,5 35,6 0 100 200 300 400 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas La nç /E fi Total Eficácia

Gráfico 4.13. Perfis diferenciados do Lançamento para os Iniciados Femininos.

De acordo com a observação do Gráfico 4.13. podemos referir que o escalão de Iniciados efectua mais lançamentos da zona 1, 8 e 9. É também nestas zonas que a percentagem de eficácia é maior, destacando-se a zona 8 (43,5%), seguida da zona 9 (35,6%).

Apesar do número elevado de lançamentos da zona 1, as zonas 3 (25,3%) e zona 7 (23,8%) apresentam maiores valores de eficácia.

De salientar que, apesar do escalão de Iniciados ter executado o mesmo número de lançamentos nas zonas 4 e 7 (21 L.), a percentagem da zona 4 é a mais reduzida (9%) e a da zona 7 como já referi é uma das mais elevadas.

(36)

O Gráfico 4.14. apresenta uma visão contrastada do perfil do lançamento dos Cadetes Femininos para as categorias em análise.

Cadetes 34 45,1 21,1 25 18,8 30,8 32,1 27,1 50 0 50 100 150 200 250 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas La nç /E fi Total Eficácia

Gráfico 4.14. Perfis diferenciados do Lançamento para os Cadetes Femininos.

Da análise do Gráfico 4.14. é possível verificar que o escalão de Cadetes também realizou mais lançamentos da zona 1, 8 e 9. A zona 1 é a que apresenta maior eficácia (50%), seguida da zona 8 (45,1%) e da zona 9 (34%).

Relativamente às outras zonas, verificamos que a zona 3 se destaca com 32,1%, resultado de 17 lançamentos convertidos em 53 tentados. A zona 4 apresenta uma percentagem de 30,8% apesar de ter apenas efectuado 26 lançamentos, dos quais converteu 8.

O escalão de Cadetes manifesta uma menor eficácia na zona 5, com uma percentagem de 18,8%, tendo, contudo, efectuado 32 lançamentos.

O Gráfico 4.15. apresenta uma visão contrastada do perfil do lançamento dos Juniores Femininos para as categorias em análise.

Juniores 32,6 49,5 30 20,9 24,1 41,7 16,7 24,3 52,3 0 50 100 150 200 250 300 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas Lanç /E f

(37)

Gráfico 4.15. Perfis diferenciados do Lançamento para os Juniores Femininos.

Da análise a este gráfico verifica-se que, apesar das zonas 1, 8 e 9 serem novamente as zonas mais utilizadas para a finalização do ataque, apenas a percentagem de eficácia da zona 1 (52,3%) e da zona 8 (49,5%), apresentam valores razoáveis de eficácia.

A zona 4 destaca-se neste escalão com a segunda maior percentagem de eficácia (41,7%), apesar do total de lançamentos efectuados ser 24. De referir também a menor percentagem observada na zona 3 (16,7%), onde num total de 72 lançamentos realizados apenas se converteram 12.

Na zona 9 apesar de podermos observar uma percentagem de 32,6%, apenas se converteram 88 lançamentos de 270 tentados.

O Gráfico 4.16. apresenta uma visão contrastada do perfil do lançamento dos Seniores Femininos para as categorias em análise.

Seniores 38,3 55 26,9 22,8 20,8 31,6 34,4 27,5 53,1 0 50 100 150 200 250 300 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Zonas La nç /E fi Total Eficácia

Gráfico 4.16. Perfis diferenciados do Lançamento para os Juniores Femininos.

Da análise do Gráfico 4.16, constata-se que, tal como nos outros escalões, as zonas das quais o escalão de Seniores efectua mais lançamentos são as zonas 1, 8 e 9, onde as percentagens de eficácia também se evidenciam, sendo mais elevada na zona 8 (55%), seguida da zona 1 (53,1%) e da zona 9 com um valor um pouco mais baixo (38,3%).

A zona 5 é a que apresenta uma percentagem menor (20,8%), apesar dos 53 lançamentos efectuados por este escalão nesta zona.

(38)

No quadro conceptual e metodológico do presente estudo, os resultados obtidos permitem-nos realçar os seguintes aspectos:

ƒ Os Iniciados Femininos de uma geral lançam e convertem menos;

ƒ Existe semelhança no número de lançamentos e eficácia entre os Cadetes, Juniores e Seniores;

ƒ Percentagem baixa em quase todas as zonas de finalização, não excedendo os 50%;

ƒ As zonas 1, 8 e 9 são as mais escolhidas para a finalização do ataque, apresentando de uma geral uma maior eficácia.

(39)

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A técnica constitui a base da condução do jogo e o seu domínio a qualidade dos diferentes jogadores, bem como de toda a equipa. Desta forma ela terá de ser altamente eficaz e variada (Hercher, 1983).

Araújo (1992) aponta a abordagem inicial dos gestos básicos do jogo, como um dos aspectos mais importantes a ser ponderado na preparação técnica do Basquetebol.

O lançamento surge como sendo uma habilidade específica que permite uma avaliação rápida e objectiva do desempenho em Basquetebol, sendo considerado como uma das variáveis de maior diferenciação do valor dos atletas (Brooks e col. 1987, cit. por Brandão, 1995).

Hercher (1983), considera o Lançamento como a parte final de todos os ataques. Para o mesmo autor, o lançamento é o elemento mais difícil da técnica do Basquetebol, pois este deverá ser preciso e harmonioso. Adelino (2003) vai mais longe ao afirmar que o lançamento é o elemento técnico mais importante do Basquetebol, pois é em função dele que se definem os principais objectivos do jogo: marcar cesto não deixando o adversário fazer o mesmo.

5 . 1 . N ú m e r o d e L a n ç a m e n t o s p o r Z o n a s d e F i n a l i z a ç ã o

e m F u n ç ã o d o N í v e l d e C o m p e t i ç ã o

O Gráfico 5.1. apresenta a frequência do número de lançamentos realizados face ao nível de competição/ escalão etário.

Total

Escalão Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 Zona 5 Zona 6 Zona 7 Zona 8 Zona 9

Iniciados 173 32 75 21 31 68 21 338 262

Cadetes 242 48 53 26 32 36 19 246 144

Juniores 214 74 72 24 58 67 20 214 270

(40)

0 50 100 150 200 250 300 350 NºLançamento 1 2 3 4 5 6 7 8 9Iniciados Juniores Seniores Cadetes Escalao Zonas Total de Lançamentos

Iniciados Juniores Seniores Cadetes

Gráfico 5.1. Total de Lançamentos nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição.

De acordo com a análise deste gráfico, o perfil do número total de lançamentos é semelhante para os diferentes níveis de competição. O número de lançamentos realizados ao cesto nas zonas 1, 8 e 9 destaca-se das outras zonas de finalização, o que não surpreende visto que estas são as zonas mais próximas do cesto.

As características do lançamento ao cesto, que nitidamente fazem distinguir o Basquetebol dos outros JDC, provem da posição horizontal do aro, da altura a que ele se encontra do solo, e das dimensões reduzidas que apresenta face ao diâmetro da bola. Trata-se de um conjunto de particularidades que hoje quase passam despercebidas, mas que, na sua origem, foram consequências das preocupações do Dr. Naismith em procurar arranjar um jogo onde a destreza se sobrepusesse à força. Por tal, o jogador de Basquetebol, tem necessidade de possuir uma maior capacidade de destreza, uma maior acuidade visual, e principalmente, uma fina coordenação óculo-manual, a fim de garantir a maior precisão deste gesto (Adelino, 2003). Contudo, apesar das zonas 1, 8 e 9 serem as mais próximas do cesto, o dominó da força e pontaria deverão ser elevados.

Por outro lado, as zonas 4 e 7, apresentam os valores mais baixos de tentativas de lançamento ao cesto nos diferentes níveis de competição.

Na generalidade, os jogadores de basquetebol preferem realizar o lançamento com o apoio da tabela, uma outra característica que distingue o Basquetebol dos outros JDC. A tabela é um suporte muito importante para o lançamento o cesto, é uma referência fundamental para os

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jogadores, por esta razão é que as zonas 4 e 7 não são tão solicitadas como as restantes zonas de finalização.

Neste domínio, parece evidente uma menor predisposição dos jogadores para lançarem ao cesto sem a referência da tabela. Por outro lado, estes resultados podem expressar um nível de jogo pouco profundo, em termos de jogo no “campo todo”.

De acordo com Ibáñez-Godoy (2001), Tsitskaris et al (2002), Silva (2003) e Silva (2004) os níveis de competição mais evoluídos apresentam um maior número no total de lançamentos de 2 pontos realizados e convertidos.

O presente estudo encontra resultados semelhantes visto ser no escalão de Iniciados que se realizam, na generalidade o menor número de lançamentos ao cesto, com a excepção da zona 8 onde se destaca ligeiramente dos outros escalões.

É nossa opinião que, os diferentes níveis de competição apresentam em média baixos valores de lançamentos por jogo, podendo e devendo realizar mais lançamentos. Aumentando o número de lançamentos por jogo, é obvio que se aumenta também a possibilidade de converter mais cestos e assim apresentar uma eficácia mais elevada. Por outro lado, apesar dos níveis de competição superiores revelarem valores maiores de lançamentos ao cesto, parece-nos que este número é reduzido nomeadamente quando comparados com resultados obtidos por Ibáñez-Godoy (2001).

5 . 2 . N ú m e r o d e L a n ç a m e n t o s p o r E f i c á c i a e m F u n ç ã o d o

N í v e l d e C o m p e t i ç ã o

O Gráfico 5.2. apresenta a frequência de Eficácia do lançamento face ao nível de competição/ escalão etário.

Eficácia

Escalão Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4 Zona 5 Zona 6 Zona 7 Zona 8 Zona 9

Iniciados 41,0% 12,5% 25,3% 9,5% 12,9% 16,2% 23,8% 43,5% 35,6%

Cadetes 50,4% 27,1% 32,1% 30,8% 18,8% 25,0% 21,1% 45,1% 34,0%

Juniores 52,3% 24,3% 16,7% 41,7% 24,1% 20,9% 30,0% 49,5% 39,3%

(42)

0% 20% 40% 60% Percentagem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Iniciados Juniores Cadetes Seniores Zonas Escalão Eficácia

Iniciados Juniores Cadetes Seniores

Gráfico 5.2. Eficácia nas diferentes zonas de Finalização face ao nível de competição.

Da análise ao Gráfico 5.2. constata-se que de uma forma geral o escalão de Seniores apresenta uma maior eficácia nas diferentes zonas de finalização, ao contrário do que se verifica com o escalão de Iniciados.

O escalão de Juniores apresenta o perfil de eficácia mais irregular nas diferentes zonas de finalização consideradas.

As características que distinguem o tipo de jogo do escalão de Iniciados dos Seniores parecem expressar os resultados do presente estudo. Assim, durante o jogo, os Iniciados finalizam o ataque fundamentalmente em contra-ataque, e quando isso não acontece finalizam o ataque de forma irreflectida. Este é o escalão mais inexperiente, impulsivo e ingénuo. Já o escalão de Seniores realiza um jogo com ataques mais demorados e conscientes, revelando maior experiência relativamente aos outros escalões. Isto poderá talvez ser explicado pelo número de anos de prática da modalidade, pelo maior nível de competitividade que este escalão tem relativamente aos outros escalões e, sobretudo, por um domínio mais eficiente da técnica de lançamento.

Uma visão global dos resultados obtidos permite verificar que o investimento nos lançamentos de longa distância é reduzido. Esta constatação pode significar uma menor confiança na capacidade de associação entre força e habilidade necessárias para a realização, com sucesso, destes lançamentos. Por outro lado, pensam que o treino do lançamento é normalmente “esquecido” pelos treinadores, não na sua quantidade mas fundamentalmente na

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qualidade e correcção da sua execução. Importa não esquecer que é no treino que o valor de uma equipa e dos jogadores se constrói e é no jogo que se traduz as aquisições conseguidas durante a preparação (Araújo, 1992).

(44)

6. CONCLUSÕES

Atendendo à análise e reflexão dos resultados apresentados no presente estudo, podemos apontar o seguinte conjunto de conclusões:

1. O padrão do Lançamento ao cesto no Basquetebol Feminino apresenta um carácter semelhante face ao nível de competição. Este facto decorre do quadro seguinte:

(i) Existe semelhança no número de lançamentos e eficácia entre os Cadetes, Juniores e Seniores;

(ii) O número total de lançamentos realizados por zonas de finalização é semelhante.

(iii) Verifica-se que as zonas 1, 8 e 9 são aquelas onde cada um dos escalões etários realiza o maior número de lançamentos;

2. Os perfis da eficácia dos lançamentos ao cesto em função dos níveis de competição, revelam uma hierarquia clara. Este facto decorre do quadro seguinte:

(i) O escalão de Seniores apresenta de forma geral uma percentagem mais elevada nas diferentes zonas de finalização, contrastando com o escalão de Iniciados;

(ii) O escalão de Iniciados lança e converte menos lançamentos.

3. Relativamente ao número de lançamentos realizados nas diferentes zonas de finalização, é evidente o maior investimento nas áreas mais próximas do cesto em detrimento dos lançamentos de média e longa distância.

4. Relativamente à eficácia dos lançamentos realizados nas diferentes zonas de finalização, verifica-se uma tendência para percentagens médias – baixas em todas as zonas de finalização consideradas.

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7. BIBLIOGRAFIA

Adelino, J. (1996). As Coisas Simples do Basquetebol. (5º Edição). ANTB. Lisboa, Portugal.

Araújo, J. (1992). Basquetebol – preparação técnica e táctica. Lisboa: Federação Portuguesa de

Basquetebol e Associações Regionais de Basquetebol.

Bompa, T. (1990). Theory and methodology of training. IA: Kendall- Hunt Publishing Company. Dubuque

Beard, B (1991). El jugador Completo de Balocesto – Preparacion, Técnico, Entretramiento y el Juego.

Editorial Hispano Europea, S A., Barcelona.

Bellack, A.; Kliebard, H.; Smith, F. (1996). The Language of the classroom. Teachers College. Columbia

University Press. New York.

Basto, J. F. (1997). Factores que Determinam o Desfecho Final dos Jogos de Basquetebol: um Estudo

Univariado em Seniores Masculinos. Monografia de Licenciatura. UTAD, Vila Real.

Brandão, E. (1995). A Performance em Basquetebol: um Estudo Multivariado no Escalão de Cadetes

Masculinos. Dissertação apresentada a Provas de Mestrado. FCDEF-UP, Portugal.

Cachulo, C. (1998). Análise Quantitativa em Basquetebol. Estudo centrado na identificação dos

momentos que decidem o desfecho final dos jogos. Monografia de Licenciatura. UTAD, Portugal.

Cartes, J. (1985). Morphlogical Factors Limiting Human Performance. In D. Clarke, H. Eckert (Eds). Limits

Referências

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