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Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo

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Acórdãos STA Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo Processo: 0225/09

Data do Acordão: 02-04-2009

Tribunal: 2 SECÇÃO

Relator: JORGE LINO

Descritores: EXECUÇÃO FISCAL

SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO NULIDADE DE CITAÇÃO

Sumário: Nos termos do artigo 169.º do Código de

Procedimento e de Processo Tributário, impõe-se a

suspensão da execução fiscal até à decisão do

pleito que tenha por objecto a legalidade da dívida exequenda, em caso de reclamação graciosa, impugnação judicial ou recurso judicial, e ainda de recebimento de oposição à execução, desde que tenha sido constituída ou prestada garantia ou a penhora garanta a totalidade da quantia exequenda e do acrescido – não relevando para o efeito o mero incidente de arguição de nulidade da citação para a execução.

Nº Convencional: JSTA000P10332

Nº do Documento: SA2200904020225

Recorrente: A...

Recorrido 1: FAZENDA PÚBLICA

Votação: UNANIMIDADE

Aditamento:

Texto Integral

Texto Integral: 1.1 “A…” recorre da sentença do Tribunal

Administrativo e Fiscal de Lisboa, a julgar «a presente reclamação totalmente improcedente». 1.2 Em alegação, a recorrente formula as seguintes conclusões.

1. A reclamação judicial apresentada, de cuja sentença se recorre, assentava, sucintamente, no seguinte:

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que dele faz parte integrante, é ilegal, na medida em que o art.° 169° do CPPT não é, contrariamente ao que se afirma em tal despacho, taxativo;

(ii) não sendo taxativo, devem relevar para efeitos de suspensão quaisquer outros meios de reacção

através dos quais se discuta a legalidade da dívida ou da sua cobrança (legalidade da liquidação ou da execução);

(iii) a nulidade do processo de execução fiscal por falta de citação é uma questão de

legalidade/validade da cobrança da dívida

(efectuada através do mesmo processo de execução fiscal).

2. Por isso concluía a Recorrente a sua reclamação pedindo a anulação do despacho reclamado e a sua substituição por uma decisão ordenando a

suspensão do processo executivo.

3. O Tribunal recorrido considerou que, tal como afirmou a Recorrente em sede de reclamação judicial, o art.° 169° do CPPT não é taxativo, pelo que devem relevar para efeitos de suspensão quaisquer meios procedimentais e processuais através dos quais se ponha em causa a legalidade da dívida ou da sua execução.

4. Assim, e porque a taxatividade do art.° 169° do CPPT - único fundamento do despacho reclamado - não se verifica, sempre deveria o Tribunal recorrido ter anulado, por ilegal, o mesmo despacho, o que não fez (tendo em conta que a fundamentação integra o próprio acto reclamado). 5. Acresce que arguir a nulidade do processo executivo por falta de citação não é outra coisa que não discutir a

legalidade/validade do mesmo processo executivo, e por isso discutir a legalidade da cobrança coerciva, o que por isso acarreta a suspensão do processo executivo.

6. A sentença recorrida entende que assim não é, mas não aduz um único fundamento que sustente a sua posição, pelo que tal decisão padece, neste ponto, de falta de fundamentação.

7. Acresce que ao arguir a nulidade por falta de citação, a Recorrente está verdadeiramente a pôr em causa a legalidade da cobrança coerciva da dívida, o que faria através de um processo de oposição judicial, caso tivesse sido citada

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8. Mais, a solução propugnada pela sentença

recorrida conduziria a uma solução inadmissível: um contribuinte regularmente citado poderia apreciar e arguir por via de oposição judicial todos os vícios relacionados com a inexigibilidade da dívida e com isso ver suspenso o processo executivo; ao passo que um contribuinte a quem não foi sequer dada a oportunidade de sindicar judicialmente tais vícios (porque não foi citado) e arguisse a nulidade do processo por falta de citação veria o processo executivo correr temos enquanto não fosse apreciada a nulidade invocada.

9. Ficam pois, e desta forma, demonstradas as razões do desacerto da decisão recorrida quanto a essa única conclusão em que se baseia - a de que a arguição da nulidade por falta de citação não implica a discussão da legalidade da cobrança coerciva e por isso não releva para efeitos de suspensão do processo executivo, nos termos do art.° 169° do CPPT, - pelo que não deve a sentença recorrida manter-se.

1.3 Não houve contra-alegação.

1.4 O Ministério Público neste Tribunal emitiu o parecer de que o recurso não merece provimento e a sentença impugnada deve ser confirmada –

apresentando a seguinte fundamentação.

1. A arguição da nulidade por falta de citação visa o suprimento da preterição de uma formalidade legal destinada a comunicar ao executado a instauração da execução, a permitir-lhe requerer o pagamento em prestações ou a extinção da obrigação tributária exequenda por dação em pagamento, ou a

apresentar a sua defesa mediante dedução de oposição (arts.35° n°2 e 189° n°1 CPPT)

A citada arguição de nulidade não tem por objecto a inexigibilidade da dívida exequenda porque não questiona nenhuma das suas características: certeza, liquidez e decurso do prazo para pagamento voluntário (art.88° n°s 1 e 4 CPPT) No sentido de que a arguição de nulidades processuais (como no caso sub judicio) não tem efeito suspensivo do processo de execução

pronuncia-se doutrina qualificada (Jorge Lopes de Sousa CPPT anotado e comentado Volume II 2007 p171)

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2. O argumento invocado pela recorrente, versando a distinção de tratamento entre o contribuinte que argui a nulidade da falta de citação e o contribuinte que deduz oposição não procede: o primeiro poderá conseguir, oportunamente, a suspensão do processo executivo (à semelhança do segundo) quando, após o suprimento da nulidade mediante realização de citação válida e regular, deduzir oposição e prestar garantia adequada (arts.52° n°s 1 e 2 LGT;arts.169° n°5 e 212° CPPT).

1.5 Tudo visto, cumpre decidir, em conferência. Em face do teor das conclusões da alegação – especialmente daquela consignada supra sob o ponto 1.2, 9. –, bem como da posição do Ministério Público, a questão que aqui se coloca é a de saber se a arguição da nulidade de falta de citação na execução fiscal «releva para efeitos de suspensão do processo executivo, nos termos do art.º 169.º do CPPT».

2.1 Em matéria de facto, a sentença recorrida assentou o seguinte.

1. Em 21 de Julho de 2001, foi instaurado contra a reclamante, no serviço de finanças da Lisboa 2, o processo de execução fiscal n.° 3247200101040600 (adiante designado PEF), para cobrança coerciva de dívida de IRC, referente a 2001, e juros, cujo prazo de pagamento voluntário terminou em 23 de Abril de 2001, no montante total de Euros 196.218,10 (cf. fls. 1 e certidão de dívida a fls. 2, do vol. I, do PEF em apenso).

2. Em 9 de Setembro do 2001, a reclamante foi citada para o PEF melhor identificado no ponto anterior (cf. fls. 3 e 4, do vol. I, do PEF em apenso). 3. Em 18 de Setembro de 2006, foi exarado no PEF despacho pelo chefe do SFLx2, no qual se lê o seguinte (cf. fls. 541, do vol. II, do PEF em apenso): Considerando o informado conclui-se que o

executado(a) procedeu ao pagamento de toda a dívida exigida nos autos, pelo que, ordeno:

- O levantamento da(s) penhoras supra

identificada(s), ao abrigo do art. 260.° do Código de Procedimento Tributário (CPPT);

- A extinção dos autos de harmonia com o artigo 269.° do referido CPPT;

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4. Em 8 de Agosto de 2006, o PEF foi extinto por pagamento e anulação (cf. “tramitação do processo”, a fls. 544, do vol. II, do PEF em apenso).

5. Em 15 de Dezembro de 2006, foi emitida no PEF informação pelos serviços do SFLx2 (cf. fls. 563, do vol. II, do PEF em apenso):

INFORMAÇÃO

Aos 15 de Dezembro de 2006, faço estes autos conclusos, cumprindo-me informar o seguinte:

- Com vista a dar resposta ao pedido de informação, solicitado através do oficio n.° 359/OE da 13ª Vara Cível da Comarca de Lisboa, foi o processo em epígrafe “reapreciado”, pois surgiram dúvidas quanto à sua extinção conforme tramitação do SEF;

- De facto verifica-se que após ter sido conhecida a improcedência da Reclamação dos actos do órgão de execução fiscal nos termos do art. 276.° do CPPT, foi extraído mandado de penhora, entregue aos GDV’s em 06-06-2006: para penhora até ao montante da quantia em dívida, que era € 15.267,21, correspondente a juros de mora e custas, uma vez que o restante tinha sido pago e anulado;

- Aos 08-08-2006 veio a executada proceder ao pagamento da dita quantia (€ 15 271,12), ficando o processo extinto por pagamento e anulação, pelo que em 18-09-2006 foi levantada a penhora da conta bancária no Millennium que entretanto havia sido penhorada;

- No entanto “reapreciado” o processo não se

encontrou motivo para a existência da anulação n.° 6248 de 02-11-2004, no valor de € 130.812,05 (de quantia exequenda, que inclui juros de mora

liquidados e juros compensatórios calculados na certidão), anulação esta feita no serviço de finanças, cujo motivo indicado “Aplicação do Benefício DL 248-A/2002”;

- Verifica-se que a executada aderiu ao DL 248-A/2002, propondo-se a fazer o pagamento de € 65.406,05, no que respeita ao IRC de 1999

(liquidação n.° 2310017970 de 2001) dívida exigida no âmbito deste processo, pagamento esse que efectivou no dia 03-01-2003, conforme guia modelo 82, n.° 82007111586;

- Uma vez que o pagamento referido anteriormente é o único pagamento feito nos termos do DL

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248-A/2002 no âmbito deste processo, a anulação correspondente ao benefício seria apenas de € 5.571,16 (€ 338,68 de JC e € 5232,48 de JM calculados na certidão) no que respeita à quantia exequenda e de € 14.389,33 no que respeita a juros de mora e não de € 130.812,05 (só quantia

exequenda);

(consultar esquema em anexo)

- Em 28-01-2003 a executada fez mais um

pagamento de € 5.450,50 (QE) e € 599,55 (JM), que consta do Mgit, mas não conta do SEF;

Pelo exposto penso ser de:

• anular a anulação n.° 6248 reactivando o processo, • recolher o pagamento que consta do Mgit e não do SEF, no montante de € 6.050,05

• aplicar o beneficio do DL 248-A/2002 na proporção do montante pago no dia 03-01-2003 ao abrigo desse decreto.

À consideração superior. (…)

6. Em 18 de Dezembro de 2006, foi exarado despacho no PEF pelo chefe do SFLx2, com o seguinte teor (cf. fls. 563, verso, do vol. II. do PEF em apenso):

Face ao informado, anula-se a anulação n.° 6248 de 02/11/2004 por se verificar infundada e proceda-se: - Pedido de regularização/anulação da parte

respeitante ao IRC pago no âmbito do DL 248-A/2002 decorrente do benefício previsto (cfr. informado);

- Anular, digo, anulação dos juros de mora respeitantes à parte do IRC pago no âmbito do referido DL 248/2002;

- À notificação do executado para proceder ao pagamento da dívida em falta, no prazo de 30 dias sob pena de prosseguimento dos autos,

designadamente penhora — trâmites seguintes. Lisboa, 18 de Dezembro de 2006

O Chefe de Finanças …

7. Em 8 de Maio de 2007, a mandatária da

reclamante foi notificada do teor do despacho melhor identificado no ponto anterior (cf. fls. 582, do vol. II, do PEF em apenso).

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uma reclamação judicial, nos termos dos art. 276.° e n.° 3, do 278.°, ambos do CPPT, interposta pela ora reclamante, na qual é alegada a existência de

nulidade no PEF, por falta de citação, na sequência da respectiva reactivação, a ilegalidade da

reactivação do PEF e dos pedidos de penhora, a preterição de audiência prévia (cf. PI da reclamação, a fls. 584-608, do vol. II, do PEF em apenso, cujo teor aqui se dá por integralmente reproduzido). 9. A reclamação melhor identificada no ponto anterior deu origem ao processo judicial de

reclamação de actos do órgão de execução fiscal n.° 1794/07.8BELBS, que correu termos no Tribunal administrativo e fiscal de Lisboa, e no qual foi proferida sentença em 17 de Outubro de 2007, na qual se decide “1. Não conhecer da Reclamação; 2. Ordenar a remessa dos autos ao órgão de execução fiscal para subirem depois de realizadas a penhora e a venda” (cf. fls. 799-800, do vol. III, do PEF em apenso).

10. Em 22 de Novembro de 2007, deu entrada no Tribunal tributário de Lisboa, um “requerimento de arguição de nulidade do procedimento de execução fiscal” relativo ao PEF, “nos termos do art. 151.° e 165.°, n.° 1, ambos do Código de Procedimento e Processo Tributário”, no qual vem arguir a falta de citação e pedir, a final “que seja declarada a

nulidade, por falta de citação, nos termos da alínea a) do n.° 1 do art. 165.° do CPPT, do processo de execução fiscal n.° 3247 2001 010 406000 e todos os actos subsequentes” (cf. cópia do requerimento a fls. 855-873, do vol. III, do PEF em apenso).

11. Em 11 de Agosto de 2008, deu entrada no SFLx2 um requerimento subscrito pela mandatária da reclamante, no qual informa que interpôs no Tribunal tributário de Lisboa, em 21 de Novembro de 2007, um requerimento arguindo a nulidade do PEF, e refere, a final “nestes termos traz-se ao

conhecimento de V.ª Exa. a pendência do processo de arguição de nulidade por falta de citação, que não poderá deixar de determinar a suspensão do

processo executivo, o que se requer, para o que, nos termos do n.° 2, do art. 169.° do CPPT, se aguarda a notificação para prestação de garantia” (cf. fls. 851-854, do vol. III, do PEF em apenso).

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12. O requerimento melhor identificado no ponto 10, veio a dar origem ao processo judicial da espécie “outros processos”, que corre termos no Tribunal tributário de Lisboa, sob o n.° 901/07.5BELRS, tendo sido proferida sentença, em 10 de Dezembro de 2007, na qual, com fundamento na existência de um erro na entidade com competência para a decisão, se decidiu enviar os autos “ao Serviço de Finanças competente, para que o requerimento de incidente de arguição de nulidade por falta de citação, e documentos anexos, a fls. 2 a 79, seja incorporado no processo de execução fiscal n.°

324720010140600, para aí, como tal, ser apreciado pelo órgão de execução fiscal” (cf. cópia da

sentença, a fls. 875-878, do vol. III, do PEF em apenso, cujo teor aqui se dá por integralmente reproduzido).

13. Da decisão melhor identificada no ponto anterior, foi, pela ora reclamante, interposto recurso para o Supremo Tribunal Administrativo, recurso esse que foi admitido, e se encontra pendente (cf. cópia do recurso, a fls. 879-902 e 904, do vol. III, do PEF em apenso, e informação constante no SITAF).

14. Em 29 de Setembro de 2008, foi exarado

despacho no PEF, com o seguinte teor (cf. fls. 922, do vol. III, do PEF em apenso):

Pelo requerimento entregue em 11/08/2008, vem a executada A… solicitar a suspensão do Processo executivo acima identificado, com fundamento na interposição de um recurso junto do Tribunal da decisão de um requerimento de incidente de arguição de nulidade por falta de citação.

Ora, não tendo o legislador considerado tal situação, para efeitos suspensivos, não merece o pedido deferimento, por falta de tipicidade na Lei. Notifique-se.

Lisboa, 29 de Setembro de 2008 …

15. A reclamante teve conhecimento do teor do despacho melhor identificado no ponto anterior em 29 de Setembro de 2008, tendo o mesmo sido notificado por fax (cf. fls. 925, do vol. III, do PEF em apenso).

16. Em 13 de Outubro de 2008, a presente reclamação deu entrada no SFLx2, tendo para o

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efeito sido remetida àqueles serviços, através de correio expresso, registado no dia 9 de Outubro de 2008 (cf. carimbo aposto a fls. 1, verso, e sobrescrito a fls. 167-168, dos autos).

2.2 Sob a epígrafe “Garantia da cobrança da prestação tributária”, o artigo 52.º da Lei Geral

Tributária estabelece que «A cobrança da prestação tributária suspende-se no processo de execução fiscal em virtude de pagamento em prestações ou reclamação, recurso, impugnação e oposição à execução que tenham por objecto a ilegalidade ou inexigibilidade da dívida exequenda (…)» [n.º 1]; e que «A suspensão da execução nos termos do número anterior depende da prestação de garantia idónea nos termos das leis tributárias» [n.º 2].

Por sua vez, o artigo 169.º do Código de

Procedimento e de Processo Tributário também preceitua que «A execução fica suspensa até à

decisão do pleito em caso de reclamação graciosa, a impugnação judicial ou recurso judicial que tenham por objecto a legalidade da dívida exequenda (…), desde que tenha sido constituída garantia nos termos do artigo 195.º ou prestada nos termos do artigo 199.º ou a penhora garanta a totalidade da quantia exequenda e do acrescido, o que será

informado no processo pelo funcionário competente» [n.º 1]; que «Se não houver garantia constituída ou prestada, nem penhora, ou os bens penhorados não garantirem a dívida exequenda e acrescido, será ordenada a notificação do executado para prestar a garantia referida no número anterior dentro do prazo de 15 dias» [n.º 2]; que «Se a garantia não for

prestada nos termos do número anterior, proceder-se-á de imediato à penhora» [n.º 3]; e que «Se for recebida a oposição à execução, aplicar-se-á o disposto nos n.ºs 1, 2 e 3» [n.º 5].

Os actos tributários, como actos de natureza administrativa, são susceptíveis de execução imediata, através de processo de execução fiscal. Findo o prazo de pagamento voluntário dos tributos, é extraída certidão de dívida pelos serviços

competentes, que é enviada aos órgãos periféricos locais competentes para instauração que a devem promover, independentemente de o acto subjacente à certidão ter sido impugnado graciosa ou

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contenciosamente (arts. 88.º, n.ºs 1 e 4, 149.º e 152.º do Código de Procedimento e de Processo Tributário). No entanto, a execução suspender-se-á nos casos previstos neste artigo [169.º], desde que tenha sido constituída ou prestada garantia, nos termos dos arts. 195.º e 199.º, ou tiver sido efectuada penhora que garanta a totalidade da quantia exequenda e do acrescido. Esta suspensão está prevista genericamente no art. 52.º da LGT para os casos de pagamento em prestações, reclamação, recurso, impugnação da liquidação e oposição à execução que tenham por objecto a ilegalidade ou inexigibilidade da dívida exequenda. Por isso, é inequívoco que a possibilidade de suspensão aqui prevista não se reduz aos casos em que esteja em discussão a legalidade da dívida exequenda, em sentido estrito, como reflexo da ilegalidade da liquidação subjacente à dívida exequenda, mas abrangerá todos os casos em que esteja em causa a legalidade da sua cobrança, seja contra os

responsáveis originários seja contra os subsidiários. A «legalidade da dívida exequenda» é um conceito mais lato do que o de «legalidade da liquidação da dívida exequenda», pois abrangerá, além dos obstáculos à execução coerciva da dívida

exequenda que derivam de vícios da liquidação, todos os outros obstáculos legais a que a dívida possa ser coercivamente executada, isto é, os fundamentos de inexigibilidade da dívida enquadráveis no art. 204.º do CPPT. Aliás, a atribuição de efeito suspensivo a «recurso,

impugnação da liquidação e oposição à execução que tenham por objecto a ilegalidade ou

inexigibilidade da dívida exequenda» está

expressamente prevista no n.º 1 do art. 52.º da LGT. Assim, estando reunidas as condições legais de atribuição de efeito suspensivo (existência de garantia ou penhora, nos termos do n.º 1 do art. 169.º) terão efeito suspensivo as reclamações (ou recursos judiciais) de actos praticados na execução fiscal, previstas no art. 276.º, desde que seja

invocado um fundamento de inexigibilidade. Não terão esse efeito, porém, incidentes de arguição de nulidades processuais, quer directamente dirigidos ao tribunal pelo interessado, quer cheguem ao

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tribunal através de reclamação de acto do órgão da execução fiscal que não atendeu arguição de

nulidade feita perante ele – cf. Jorge Lopes de Sousa, no Código de Procedimento e de Processo Tributário, anotado e comentado, em anotação ao artigo 169.º.

Quer das normas quer da doutrina acabadas de citar, facilmente se retira que a execução fiscal ficará suspensa até à decisão do pleito em caso de

reclamação graciosa, impugnação judicial ou recurso judicial que tenham por objecto a legalidade da

dívida exequenda, e ainda «se for recebida a oposição à execução» – precedendo penhora ou garantia suficiente da “dívida exequenda e

acrescido”. E, todavia, a execução fiscal não ficará suspensa pela simples dedução de incidente de arguição de nulidades processuais como a falta de citação do executado.

2.3 No caso sub judicio, está em causa o despacho proferido no presente processo executivo pelo órgão da execução fiscal – despacho que é do seguinte teor, ipsis verbis (cf. o ponto 14. do probatório). Pelo requerimento entregue em 11/08/2008, vem a executada A… solicitar a suspensão do Processo executivo acima identificado, com fundamento na interposição de um recurso junto do Tribunal da decisão de um requerimento de incidente de

arguição de nulidade por falta de citação. Ora, não tendo o legislador considerado tal situação, para efeitos suspensivos, não merece o pedido

deferimento, por falta de tipicidade na Lei. A sentença recorrida, além do mais considera

(seguindo, aliás, o entendimento de Jorge Lopes de Sousa, no Código de Procedimento e Processo Tributário, anotado e comentado, vol. II, 5.ª edição, Lisboa, Áreas Editora, 2007, pág. 171) que «ainda que entendendo a “legalidade da dívida exequenda” como um conceito mais lato que o da legalidade da liquidação, tal conceito não comporta a arguição de nulidades do processo executivo, não se podendo assim considerar que se encontram reunidos os pressupostos legais para a atribuição do efeito

suspensivo quando esteja em causa um incidente de arguição de nulidades processuais,

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assuma» – e, decidindo em conformidade com tal entendimento, julgou improcedente a reclamação. Julgamos que decidiu bem a sentença recorrida. E nem deve dizer-se – como se vem dizer na conclusão 8. da alegação deste recurso – que «a solução propugnada pela sentença recorrida conduziria a uma solução inadmissível: um

contribuinte regularmente citado poderia apreciar e arguir por via de oposição judicial todos os vícios relacionados com a inexigibilidade da dívida e com isso ver suspenso o processo executivo; ao passo que um contribuinte a quem não foi sequer dada a oportunidade de sindicar judicialmente tais vícios (porque não foi citado) e arguisse a nulidade do processo por falta de citação veria o processo executivo correr temos enquanto não fosse apreciada a nulidade invocada».

Em nosso modo de ver, e salvo o devido respeito, é falacioso um tal raciocínio. É que o executado – quer tenha sido regularmente citado, quer haja sido citado de modo irregular –, na verdade, pode sempre, e nas palavras da ora recorrente, «arguir por via de oposição judicial todos os vícios relacionados com a inexigibilidade da dívida e com isso ver suspenso o processo executivo». No presente caso, com efeito, para que a execução fiscal, nos termos da lei,

devesse ser suspensa, e satisfeita a pretensão da reclamante, ora recorrente, bastaria que esta houvesse deduzido (e tivesse sido recebida) oposição à execução fiscal – suposta ainda

evidentemente a existência de penhora ou garantia bastante da “dívida exequenda e acrescido”. Não no fez. Sibi imputet.

Estamos deste modo a dizer, e em resposta à questão decidenda, que a arguição da nulidade de falta de citação na execução fiscal não «releva para efeitos de suspensão do processo executivo, nos termos do art.º 169.º do CPPT» – pelo que deve ser confirmada a sentença recorrida que laborou nesta conformidade.

E, então, havemos de convir, em súmula, que, nos termos do artigo 169.º do Código de Procedimento e de Processo Tributário, impõe-se a suspensão da execução fiscal até à decisão do pleito que tenha por objecto a legalidade da dívida exequenda, em caso

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de reclamação graciosa, impugnação judicial ou recurso judicial, e ainda de recebimento de oposição à execução, desde que tenha sido constituída ou prestada garantia ou a penhora garanta a totalidade da quantia exequenda e do acrescido – não

relevando para o efeito o mero incidente de arguição de nulidade da citação para a execução.

3. Termos em que se acorda negar provimento ao recurso e confirmar a sentença recorrida.

Custas pela recorrente, fixando-se a procuradoria em um sexto.

Lisboa, 2 de Abril de 2009. – Jorge Lino (relator) – Isabel Marques da Silva - Pimenta do Vale.

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