Estratégias de Coping de idosos institucionalizados
Institutionalized elderly coping strategies
Estrategias de Coping de ancianos institucionalizados
Ewerton Naves Dias
1, José Luís Pais-Ribeiro
2RESUMO
Objetivo: Avaliar as estratégias de coping de idosos residentes em instituições de longa permanência. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal. A amostra foi composta por 54 idosos
com (60 ou mais anos de idade) residentes em instituições de longa permanência. A amostragem foi do tipo não probabilística por conveniência. Os instrumentos utilizados foram: 1. Questionário de avaliação mental; 2. Questionário de Caracterização social, demográfica e de saúde; 3. Escala Modo de Enfrentamento de Problemas. Resultados: A média de idade dos idosos foi de 76 anos. Mais de 90% deles informaram não ter companheiro (a). Quanto à escolaridade a média de estudo foi de cinco anos. Cerca de 95% afirmaram praticar alguma religião, sendo e a filiação católica a mais prevalente. Mencionaram estar aposentado 90%. Em relação à percepção do estado de saúde, 53,7% disseram estar satisfeito com a mesma. 65% informou ter algum tipo de doença crônica. O hábito de “não fazer atividade física” foi mencionado por mais 90% dos entrevistados. No que diz respeito a avaliação das estratégias de enfrentamento dos idosos institucionalizados, identificou-se que a mesma se encontra em um patamar “regular”. O tipo de estratégia mais utilizada pelos idosos foi a centrada no problema. Conclusão: O ambiente institucional parece ser um fator que limita o desenvolvimento das estratégias de enfrentamento dos idosos. A criação de programas de incentivo ao aspecto cognitivo e comportamental dos idosos que vivem nesses espaços são necessários e recomendados.
Palavras-chave: Idoso, Adaptação Psicológica, Instituições de Longa Permanência para Idosos.
ABSTRACT
Objective: To evaluate the coping strategies of elderly people living in long-term institutions. Method: This is
a quantitative, descriptive and cross-sectional study. The sample consisted of 54 elderly people (60 years of age or older) living in long-term institutions. Sampling was non-probabilistic for convenience. The instruments used were: 1. Mental assessment questionnaire; 2. Social, demographic and health characterization questionnaire; 3. Scale Mode of Coping with Problems. Results: The mean age of the elderly was 76 years. More than 90% of them reported having no partner. Regarding schooling, the study average was five years. About 95% said they practiced some religion, and Catholic membership was the most prevalent. They mentioned being 90% retired. Regarding the perception of health status, 53.7% said they were satisfied with it. 65% reported having some type of chronic disease. The habit of "not doing physical activity" was mentioned by more than 90% of the interviewees. With regard to the evaluation of the coping strategies of the institutionalized elderly, it was identified that it is at a "regular" level. The type of strategy most used by the elderly was problem-centered. Conclusion: The institutional environment seems to be a factor that limits the development of coping strategies for the elderly. The creation of incentive programs for the cognitive and behavioral aspects of the elderly living in these spaces are necessary and recommended.
Keywords: Aged, Adaptation, Psychological, Homes for the Aged.
1
Docente da Univ. de Mogi das Cruzes-SP, Brasil. Doutorando em Psicologia pela Univ. do Porto, Portugal.
2
PhD Docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
DOI: 10.25248/REAS213_2018
RESUMEN
Objetivo: Evaluar las estrategias de coping de ancianos residentes en instituciones de larga permanencia. Método: Se trata de un estudio cuantitativo, descriptivo y transversal. La muestra fue compuesta por 54
ancianos con (60 o más años de edad) residentes en instituciones de larga permanencia. El muestreo fue del tipo no probabilístico por conveniencia. Los instrumentos utilizados fueron: 1. Cuestionario de evaluación mental; 2. Cuestionario de Caracterización social, demográfica y de salud; 3. Escala Modo de Enfrentamiento de Problemas. Resultados: El promedio de edad de los ancianos fue de 76 años. Más del 90% de ellos informaron no tener compañero (a). En cuanto a la escolaridad el promedio de estudio fue de cinco años. Alrededor del 95% afirmaron practicar alguna religión, siendo y la filiación católica más prevalente. Mencionaron estar jubilado el 90%. En relación a la percepción del estado de salud, el 53,7% dijo estar satisfecho con la misma. El 65% informó tener algún tipo de enfermedad crónica. El hábito de "no hacer actividad física" fue mencionado por otro 90% de los entrevistados. En lo que se refiere a la evaluación de las estrategias de enfrentamiento de los ancianos institucionalizados, se identificó que la misma se encuentra en un nivel "regular". El tipo de estrategia más utilizada por los ancianos fue la centrada en el problema. Conclusión: El ambiente institucional parece ser un factor que limita el desarrollo de las estrategias de enfrentamiento de los ancianos. La creación de programas de incentivo al aspecto cognitivo y conductual de los ancianos que viven en esos espacios son necesarios y recomendados.
Palabras clave: Anciano, Adaptación Psicológica, Hogares para Ancianos.
INTRODUÇÃO
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2017) demonstram que a população idosa brasileira está a crescer de forma extremamente acelerada e contínua. De acordo com o referido Instituto de Estatística, entre os anos de 2012 e 2016, a população idosa no país (com 60 anos ou mais de idade) cresceu 16,0%, chegando a quase 30 milhões de pessoas. Estimativas apontam que esse número irá crescer ainda mais até o ano de 2050, alcançando a impressionante marca de aproximadamente 65 milhões de pessoas nessa faixa etária, número este que colocará o Brasil entre os primeiros países no mundo com maior percentual de idosos em sua população (BRASIL, 2017).
De acordo com a Organização das Nações Unidas, a maior longevidade populacional está relacionada, sobretudo, às transformações sociais, econômicas e de saúde alcançadas pela humanidade nos últimos tempos. A referida entidade pontua como principais fatores responsáveis pela maior longevidade da humanidade, a redução da mortalidade infantil, melhoria no acesso à educação e às oportunidades de emprego, os avanços na igualdade de gêneros, na saúde pública e nas tecnologias associadas à medicina, juntamente com a melhoria das condições de saneamento, moradia e alimentação (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015).
Com toda certeza, a maior longevidade populacional é uma das maiores conquistas da história recente da humanidade. No entanto, não podemos deixar de lembrar, que o aumento acentuado da população idosa trouxe com ele também diversas consequências para a sociedade e, é claro, para as pessoas que fazem parte deste grupo e seus familiares (PALALÉO NETTO, 2016). Embora as pessoas estejam a viver mais tempo, isto não significa que elas estão também necessariamente vivendo de forma mais saudável, pois nem sempre o maior bônus de anos acrescido à vida é acompanhado por saúde, bem-estar e qualidade de vida. Em muitos casos, a chegada da velhice pode representar uma etapa de dificuldades para os idosos, uma vez que a mesma pode vir junto com complicações sérias de natureza física, psicológica e social. Estas adversidades podem impactar de forma negativa a vida dos idosos, impedindo-os de viverem com dignidade, liberdade, autonomia e com qualidade de vida.
Além dos contratempos com à saúde física e com questões sociais, a velhice é uma etapa da vida que se caracteriza também, pela ocorrência de sentimentos múltiplos, pois há momentos em que o envelhecer se evidencia por sensação do dever cumprido, realização, momento de desfrutar a vida e em outras perdas relacionadas com a família, saúde, companheiro ou companheira, trabalho, status social, assim como por frustrações, decepções, insatisfações, falta de reconhecimento social e medo com a aproximação cada vez
mais da finitude (PASCHOAL, 2016). Estas adversidades estão comumente presentes na idade idosa, e podem fazer da velhice uma etapa turbulenta, capaz de provocar sentimentos negativos de autoestima, de autoimagem, tristeza, angústia, medo, estresse e até mesmo estados depressivos com evolução para morte por suicídio.
Diante das adversidades os idosos utilizam como recurso para enfrentar esses dilemas, que são inerentes ao longo do processo de envelhecer, estratégias cognitivas e comportamentais que podem impactar de forma positiva ou negativa o seu bem-estar físico, mental e social. Tais recursos são descritos na literatura como “Estratégias de Coping”. Neste trabalho o modelo de coping adotado foi o proposto por Folkman e Lazarus. Em síntese, o respectivo modelo de coping é definido como as estratégias que as pessoas utilizam para se adaptarem as circunstâncias adversas decorridas ao longo da vida. Em outras palavras podemos dizer que as estratégias de coping são os pensamentos e comportamentos utilizados pelos indivíduos para enfrentarem as situações internas e externas de estresse (LAZARUS e FOLKMAN, 1984).
Folkman e Lazarus propõe um modelo que divide o coping em duas categorias funcionais: coping focalizado no problema e coping focalizado na emoção. O coping é visto nesta formulação como tendo duas funções principais: a regulação de emoções ou angústia (coping focalizado na emoção) e da gestão do problema que está causando o sofrimento (coping focado no problema). Ambas as formas de coping são usadas em encontros mais estressantes e as proporções relativas de cada tipo variam de acordo com a forma como o encontro é avaliado (por exemplo, como tendo potencial para controle ou como não passível de controle) Esse mecanismo, possui capacidade de modificar a evolução do estresse, seja evitando a situação estressora ou a confrontando-a (FOLKMAN e LAZARUS 1980; LAZARUS e FOLKMAN, 1984).
Enfim, diante das considerações expostas sobre o processo de envelhecimento populacional e de seu impacto na vida das pessoas idosas, este estudo teve como objetivo principal avaliar as estratégias de coping de idosos residentes em instituições de longa permanência. A realização de estudos sobre esse fenômeno se mostra importante, pois poucas são as pesquisas encontradas na literatura que investigam as estratégias de enfrentamento desenvolvidas pelos idosos, e neste caso em especial, pelos idosos que vivem em instituições de longa permanência.
MÉTODO
Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal. A amostra foi composta por 54 idosos residentes em cinco instituições de longa permanência localizadas na cidade de Mogi das Cruzes, SP. Metade da amostra foi composta por pessoas do sexo feminino, e a outra metade por pessoas do sexo masculino. No que refere a amostragem, a mesma foi do tipo não probalística por conveniência. A idade cronológica do ser idoso pode variar segundo as condições de cada país, nos países desenvolvidos a Organização Mundial da Saúde reconhece como idosas as pessoas com 65 anos ou mais, enquanto nos países em desenvolvimento, no qual se insere o Brasil são reconhecidas como idosas aquelas com 60 anos ou mais (WHO, 2002; LOPES et al., 2016).
Os critérios de inclusão para participar do estudo foram os seguintes: residir em uma instituição de longa permanência na cidade de Mogi das Cruzes; ter 60 anos ou mais de idade; concordar em participar do estudo; ter condições cognitivas preservadas para responder os questionários; residir em uma instituição de longa permanência há pelo menos seis meses no momento da entrevista.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista nas próprias instituições de longa permanência. Antes do início da entrevista, o participante tomou ciência do objetivo do estudo, dos instrumentos a serem aplicados e da garantia do anonimato e sigilo dos dados. Ao concordar em participar do estudo, o entrevistado assinou o Termo de Consentimento Livre e Informado. O respectivo estudo foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Universidade de Mogi das Cruzes, SP com o parecer Consubstanciado número 341.143 e seguiu os preceitos da Declaração de Helsinki.
Para extrair os dados dos respondentes do estudo foram utilizados os seguintes instrumentos:
1. Questionário de avaliação mental – Trata-se de um questionário para avaliar o estado cognitivo do paciente. O mesmo consiste de dez questões que analisam de forma básica e resumida a orientação têmporo-espacial e a memória para fatos tardios. É recomendado como uma forma de triagem dos casos a serem submetidos a uma avaliação mais profunda (KAHN et al., 1960). Cabe esclarecer que o questionário em questão foi utilizado somente para detectar alguma alteração cognitiva que impedisse a participação do entrevistado no estudo, não tendo, nesta pesquisa o objetivo de avaliar profundamente a cognição dos idosos.
2. Questionário de Caracterização social, demográfica e de saúde - instrumento elaborado pelos autores do estudo com o objetivo de obter dados gerais de identificação pessoal, familiar, econômica e de saúde dos entrevistados.
3. Escala Modo de Enfrentamento de Problemas (EMEP) – Trata-se de uma escala de enfrentamento desenvolvida e validade por (SEIDL et al., 2001). A referida escala foi concebida com base no modelo de estresse interativo. Ela conceitua o enfrentamento como um conjunto de respostas específicas para determinada situação de estresse.
Para processamento das informações colhidas foi construído um banco de dados com o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 25.0. Para análise dos dados utilizou-se as medidas de frequência absoluta, relativa, média e desvio padrão. Utilizou-se também o coeficiente de alfa para verificar a confiabilidade da Escala Modo de Enfrentamento de Problemas. Os valores de alfa encontrados são apresentados na tabela 1.
RESULTADOS
Os resultados do presente estudo são apresentados a seguir em duas etapas. Primeiramente apresenta-se os dados referentes às características sociais, demográficas e de saúde dos participantes do estudo e, em sequência, os dados relacionados a avaliação das estratégias de coping.
Características sociais, demográficas e de saúde
No que tange aos resultados de caracterização dos idosos institucionalizados observou-se as seguintes características: A média de idade foi de 76 anos e a faixa etária mais prevalente foi a de 70 ou mais anos. Mais de 90% dos idosos informou não ter companheiro e quanto à escolaridade a média de estudo foi de cinco anos. Mais de 95% dos idosos afirmaram praticar alguma religião, sendo e a filiação católica a mais apontada com cerca de 80% dos entrevistados. Aproximadamente 90% dos idosos afirmaram estar aposentados. Quanto à percepção do estado de saúde, 53,7% mencionaram estar satisfeitos. Com relação a ter ou não doença crônica 65% informou ter algum tipo. Por último, o hábito de “não fazer atividade física” foi o mais mencionado por mais 90% dos entrevistados.
Tabela 1. Coeficientes alfa da escala de enfrentamento
Escala de Enfrentamento Coeficiente alfa
Focado no problema 0,90
Focado na emoção 0,76
Global 0,79
Estratégias de coping
Observa-se por meio da tabela 2 que os idosos institucionalizados apresentaram maior pontuação no domínio referente as estratégias de enfrentamento focado no problema e menor pontuação no domínio de enfrentamento focado na emoção. No que tange a avaliação global das estratégias de coping, obedecendo os critérios de classificação adotado neste estudo (péssima, ruim, regular, boa, ótima), ela foi classificada como “regular”.
Na tabela 3, pode-se verificar os itens por domínios da escala de estratégias de coping que foram mais frequentemente utilizados pelos idosos institucionalizados, assim, como os itens, menos apontados como estratégias de enfrentamento pelos mesmos.
DISCUSSÃO
Como mencionado anteriormente o objetivo principal deste estudo foi avaliar as estratégias de coping de idosos residentes em instituições de longa permanência em uma cidade metropolitana de São Paulo, Brasil. Quanto ao índice global das estratégias de enfrentamento utilizados pelos idosos, identificou-se que o mesmo se encontrava em um patamar regular. Resultado este que reflete a necessidade de criar estratégias no campo cognitivo e comportamental dos idosos que residem nestas instituições, no sentido de potencializar os recursos que os mesmos dispõem para enfrentar e superar as adversidades presentes no decorrer do processo de envelhecimento, melhorando dessa forma o bem-estar e qualidade de vida dessas pessoas. Com a institucionalização a autonomia e independência dos idosos ficam mais ainda comprometidas, afetando consequentemente, o uso de estratégias de enfrentamento, e com isso, a saúde mental, física e a qualidade de vida dessas pessoas. Os ambientes institucionais são historicamente e tradicionalmente reconhecidos como locais cercados por normas e regras rígidas, que limitam e agravam ainda mais a diminuição e perda da independência e autonomia. É preciso dessa forma rever e reestruturar o modelo de funcionamento desses espaços, criando novas formas de atenção, de modo que os idosos possam encontrar nestes locais cuidado integral as suas necessidades para continuarem a viver a velhice com dignidade e qualidade de vida.
Diante desse contexto, Ramos et al. (2017) desenvolveram um estudo para avaliar o impacto da aplicação de um Programa de Estimulação Cognitiva na manutenção ou melhoria da função cognitiva de idosos institucionalizados quanto a orientação, memoria, cálculo e linguagem. Ao comparar os resultados do pré-teste em relação ao pós-teste, eles identificaram que o declínio cognitivo dos idosos havia diminuído significativamente. Eles concluíram, que o respectivo programa contribuiu para a manutenção da saúde cognitiva dos idosos, sendo eficaz ao nível do retardamento do quadro demencial dos idosos e melhoria das suas atividades diárias, como a autonomia e independência. O estudo revelou ainda associações positivas com a Auto perceção da qualidade de vida e negativa com os sintomas depressivos. Os achados encontrados nesta pesquisa, confirmam que a aplicação de programas de estimulação cognitiva pode contribuir para melhorar a função cognitiva dos idosos, e consequentemente, a saúde e a qualidade de vida dessas pessoas.
Tabela 2. Índice de estratégias de enfrentamento dos idosos institucionalizados
Estratégias de Coping Médiaa Desvio Padrão
Focado no problema 3,1 0,6
Focado na emoção 2,1 0,2
Escore global 2,6 0,4
Tabela 3. Relação dos itens de enfrentamento por domínio que tiveram as maiores e menores pontuações Estratégias de Coping Escore (1 a 5)
Focado no problema 3,1
Itens com maiores escores
Eu levo em conta o lado positivo das coisas 3,6
Eu insisto e luto pelo que eu quero 3,6
Estou mudando me tornando uma pessoa mais experiente 3,6
Itens com menores escores
Encontro diferentes soluções para o meu problema 2,8
Eu sei o que deve ser feito e estou aumentando meus esforços para ser
bem-sucedido 2,3
Eu fiz um plano de ação para resolver o meu problema e o estou cumprindo 1,9
Focado na emoção 2,1
Itens com maiores escores
Eu me recuso a acreditar que isto esteja acontecendo 2,7
Eu desejaria mudar o modo como eu me sinto 2,8
Eu imagino e tenho desejos sobre como as coisas poderiam acontecer 2,9
Itens com menores escores
Desconto em outras pessoas 1,6
Eu culpo os outros 1,3
Penso em coisas (como uma vingança perfeita ou achar muito dinheiro) que me
fazem sentir melhor 1,1
Fonte: dados do estudo.
Túlio (2017) também contribui com essa questão em seu estudo, ele avaliou se as estratégias de coping influenciavam as funções executivas em idosos. Os resultados encontrados, permitiu ao autor verificar que existe relação entre as estratégias de coping e as funções executivas em idosos. Diante dos resultados, ele conclui, levando em conta também o aumento da esperança e expectativa de vida da população idosa, que é fundamental investir no desenvolvimento de estratégias de coping dessas pessoas, no sentido de potencializar e tornar este processo natural do ser humano mais efetivo e completo. A possibilidade de aprenderem a lidar com fatores de estresse, revela-se de extrema importância para os idosos, uma vez que melhora a função cognitiva e desta forma promove um melhor bem-estar psicológico.
Outros estudos têm demonstrado evidencias consistentes sobre o efeito e a correlação entre as estratégias de coping com o estresse e a saúde mental e física. Os resultados mais importantes revelam que o coping pode estar associado fortemente a resultados psicológicos positivos (ENDLER e PARKER, 1990; FOLKMAN et al., 1986; LAZARUS e FOLKMAN, 1984; SEIFFGE-KRENKE, 1993), indicando que o mesmo pode interferir mais sobre no desenvolvimento da doença física e psicológica do que propriamente a presença ou não dos principais fatores de estresse (BRANTLEY JONES, 1993; CHAVES, et al. 2000). Holroyd e Lazarus (1982) reforçam que a capacidade e a maneira como o indivíduo utiliza as estratégias de coping podem alterar o funcionamento biológico e, portanto, afetar os resultados de saúde através de uma variedade de mecanismos, tais como influenciar as respostas ao estresse neuroendócrino, contribuindo dessa forma para mudanças na saúde, nos comportamentos de risco ou nas alterações a respostas cognitivas ou comportamentais do indivíduo.
No que diz respeito aos domínios de coping, identificou-se que o “focado no problema” foi a dimensão que teve maior pontuação, o que pressupõe, que essa estratégia seja de grande valia para os idosos institucionalizados. O coping centrado no problema, como o próprio nome se refere, diz respeito às estratégias que são tomadas com referência no problema, ou seja, um plano de resolução para resolver os
a tomada de decisão (FOLKMAN, 2010). Em outras palavras, pode-se dizer que no coping centrado no problema, a preocupação maior está na resolução. Para isto, define-se o problema, enumeram-se as alternativas, comparam-se custos e benefícios e escolhe-se uma ação. As estratégias utilizadas, direcionadas interna ou externamente, são voltadas para a realidade, de forma mais adaptativa, buscando-se modificar as pressões ambientais e diminuir ou eliminar a fonte de estresbuscando-se (LAZARUS e FOLKMAN, 1984).
Ao analisar os itens que mais contribuíram para o domínio de coping focado no problema, observou-se que a principal estratégia utilizada pelos idosos para enfrentar as adversidades foi procurar ver o “lado positivo das coisas” e “lutar pelo que querem” à medida que se tornam “mais experientes” com os anos vividos. Todavia, evidenciou-se também por meio dos itens que tiveram menores avaliações neste domínio, que os idosos institucionalizados têm dificuldades para solucionar ou fazer planos para resolver os seus problemas, demonstrando não saber o que fazer para conseguir ter sucesso e ser bem-sucedido diante dos problemas.
Vivan e Argimon (2008) comentam que as crenças e pensamentos positivos podem ser considerados fatores protetivos da boa saúde mental e qualidade de vida. Além de influenciar o estado emocional do indivíduo, estas estratégias podem causar mudanças fisiológicas e neuroendócrinas e estimular comportamentos saudáveis. A avaliação positiva auxilia o idoso a enfrentar as situações, encontrando significado em relação à experiência vivida. Por outro lado, embora os idosos desenvolvam pensamentos positivos para superar os problemas advindos com o envelhecimento e com a institucionalização, evidenciou-se por meio dos itens que tiveram menores pontuações no domínio “centrado no problema”, que essas pessoas têm dificuldades para encontrar soluções ou fazer planos para resolver os problemas que possuem, demonstrando, dessa forma, não saber o que fazer para conseguir ter sucesso e ser bem-sucedido diante questões geradoras de estresse. Essa particularidade em questão, provavelmente pode estar relacionada ao próprio processo de envelhecimento, uma vez que a medida que este avança, há um declínio das capacidades funcionais. Em contrapartida, o ambiente institucional, também pode ser um fator que contribui para essa situação, uma vez que este local, como dito anteriormente, pode comprometer e limitar a liberdade e autonomia dos idosos e seu papeis como decisores.
Embora as instituições de longa permanência sejam conceitualmente definidas como locais onde a pessoa idosa possa ter garantido seus direitos de liberdade, dignidade e cidadania, na prática, a maior parte se parecem mais com grandes alojamentos, marcados por regras rígidas, rotinas pré-determinadas e pela falta de perspectivas para os idosos que ali residem. Nesse ambiente estas pessoas perdem o direito de expressar suas subjetividades e seus desejos, com consequente, diminuição de sua vida social, afetiva e sexual. Muito raramente se encontra nestes espaços uma proposta de trabalho para manter a independência e a autonomia dos idosos. Desse modo, estas instituições acabam por se configurar como um local simplesmente de depósito de pessoas, fundamentada, sobretudo, somente na ideia de amparo e favor aos desabrigados (PAVAN et al., 2008; SILVA-ALVES et al., 2013).
Com relação ao domínio de coping “focado na emoção”, este foi o que apresentou menor escore, demonstrando dessa maneira ser a estratégia menos utilizada pelos idosos institucionalizados diante de uma situação de estresse. Na leitura dos itens dessa estratégia de enfrentamento, verificou-se que os idosos recusam a acreditar no que lhes está acontecendo, imaginando e desejando como as coisas poderiam ser diferentes, eles procuram não culpar ou não desejam descontar ou vingar-se de outras pessoas por sua situação atual. O coping centrado na emoção, tem como característica o distanciamento, a fuga do problema e a busca por apoio emocional (FOLKMAN, 2010). De acordo com Lazarus e Folkman (1984), as estratégias de coping focalizada na emoção se traduzem de forma geral em processos defensivos que impedem os indivíduos de enfrentarem de forma realista a fonte causadora do estresse (Talarico et al., 2009). Neste contexto, tendo em vista que as soluções para muitos dos problemas enfrentados pelos idosos institucionalizados não estão ao seu alcance, seja por fatores relacionados ao processo de envelhecimento ou ainda ao próprio cenário institucional, o coping emocional passa a ser utilizado como uma estratégia defensiva e paliativa para contornar os problemas.
Em síntese, pode-se inferir que a institucionalização representa uma etapa extremamente difícil e complicada para a pessoa idosa, este período pode desencadear sentimentos de abandono, insegurança, medo, tristeza, solidão, angústia, raiva entre outros. Durante essa fase é comum surgirem questões existenciais sobre a vida, a existência de Deus, a família, e dos motivos de isso estar a acontecer com eles. Esses sentimentos podem ocasionar processos mentais patológicos graves e, consequentemente, pouca ou nenhuma motivação para continuar a viver. DANTAS et al. (2013) mencionam que são inúmeros os aspectos da institucionalização que podem colaborar para haver um efeito negativo sobre a saúde mental do interno, provocando o agravamento de quadros depressivos, ansiosos, demenciais e para a piora no estado geral de saúde desses indivíduos. Fica evidente dessa forma, que a estratégia com foco na emoção tende a desempenhar uma função negativa para o bem-estar dos idosos, pois ela está correlacionada a experiências negativas, assim como menor satisfação com a vida e consequentemente com a qualidade de vida.
CONCLUSÃO
Os resultados permitiram concluir que os idosos institucionalizados deste estudo apresentaram índices de estratégias de enfrentamento em um patamar regular. As estratégias de enfrentamento centradas no problema foram as mais mencionadas pelos idosos perante as situações adversas presentes nesta etapa da vida. As instituições de longa permanência, ou seja, o ambiente institucional, parecer ser um fator que limita o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento pelos idosos que nela residem. Recomenda-se, portanto, a elaboração e desenvolvimento de programas de intervenção de cunho cognitivo e comportamental que possam potencializar esse fenômeno importante da natureza humana, contribuindo dessa forma para um envelhecer mais saudável e com qualidade de vida. Enfim, como limitação do estudo, menciona-se o fato da amostra ter sido “não probabilística por conveniência”, característica essa que de certa forma pode limitar em parte os resultados encontrados, não permitindo dessa forma que os mesmos sejam estendidos a todos os idosos institucionalizados e instituições de longa permanência, uma vez também que é sabido, que existem diferenças significativas de estruturas e de funcionamento entre as instituições, principalmente no cenário brasileiro de extensão continental. Assim, reforçamos a necessidade de novos estudos sobre esse tema, com outras amostras de idosos e em cenários distintos.
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