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Roteiro de estudos 3º trimestre. Português
O roteiro foi montado especialmente para reforçar os conceitos dados em aula. Com os exercícios você deve fixar os seus conhecimentos e encontrar dificuldades que devem ser sanadas com seu professor, nos plantões de dúvidas, com a plataforma Anglo e Apprendi Dúvidas.
A realização apenas dos exercícios propostos neste roteiro não será suficiente para o seu estudo. Você deve realizar todas as leituras de capítulos propostos nas três etapas deste estudo dirigido e procurar ajuda, caso necessário, para solucionar suas dúvidas.
Orientação de estudos
- Utilize sempre que possível três tipos de memória: visual ( leitura silenciosa) ,auditiva ( leitura em voz alta ), mecânica ( escrita, registro do que leu ou estudou );
-Tenha sempre o caderno em ordem e organizado para facilitar seu estudo;
-Reveja os conceitos dados em todo seu material;
-Refaça os exercícios do caderno e das apostilas. Estes devem estar corrigidos com precisão;
- Leia atentamente o enunciado para não fugir do é pedido.
- Saiba com clareza o significado das atividades que a questão solicita ( analisar, argumentar, citar, criar,
comentar,criticar,descrever,explicar,identificar,justificar,relacionar) Consulte sempre o dicionário, pois se você “traduzir “ mal o que está sendo pedido, pode errar a questão mesmo sabendo a matéria;
-Procure usar dicionário para conhecer o significado das palavras;
-Procure pensar algumas palavras ou frases no idioma que está estudando;
-Leia alto, e, se possível, ouça sua pronúncia;
-Esteja atento (a) para: leitura-escrita ortográfica-pronúncia-conversação.
Sugestões específicas para literatura.
-Situe o fato no tempo e no espaço;
-Analise o contexto histórico;
-Conheça as causas para entender os motivos que levaram ao fato;
-Faça a leitura dos paradidáticos.
Agora mãos a obra! Realize as questões com atenção e capricho.
BOM TRABALHO
ATIVIDADES DE RECUPERAÇÃO PARALELA – 3º Trimestre
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ºEM
DISCIPLINA: Português
Nasce um escritor
“O primeiro dever passado pelo novo professor de português foi uma descrição tendo o mar como tema. A classe inspirou-se, toda ela, nos encapelados mares de Camões, aqueles nunca dantes navegados; o episódio do Adamastor foi reescrito pela meninada. Prisioneiro no internato, eu vivia na saudade das praias do Pontal onde conhecera a liberdade e o sonho. O mar de Ilhéus foi o tema de minha descrição. Padre Cabral levara os deveres para corrigir em sua cela.
Na aula seguinte, entre risonho e solene, anunciou a existência de uma vocação autêntica de escritor naquela sala de aula. Pediu que escutassem com atenção o dever que ia ler. Tinha certeza, afirmou, que o autor daquela página seria no futuro um escritor conhecido. Não regateou elogios. Eu acabara de completar onze anos. Passei a ser uma personalidade, segundo os cânones do colégio, ao lado dos futebolistas, dos campeões de matemática e de religião, dos que obtinham medalhas. Fui admitido numa espécie de Círculo Literário onde brilhavam alunos mais velhos. Nem assim deixei de me sentir prisioneiro, sensação permanente durante os dois anos em que estudei no colégio dos jesuítas.
Houve, porém, sensível mudança na limitada vida do aluno interno: o padre Cabral tomou-me sob sua proteção e colocou em minhas mãos livros de sua estante. Primeiro "As Viagens de Gulliver", depois clássicos portugueses, traduções de ficcionistas ingleses e franceses.
Data dessa época minha paixão por Charles Dickens. Demoraria ainda a conhecer Mark Twain, o norte-americano não figurava entre os prediletos do padre Cabral. Recordo com carinho a figura do jesuíta português erudito e amável.
Menos por me haver anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão, minha primeira prisão”.
(Jorge Amado) 1. Padre Cabral, numa determinada passagem do texto, ordena que os alunos:
a) Façam uma descrição sobre o mar;
b) Descrevam os mares encapelados de Camões; c) Reescrevam o episódio do Gigante Adamastor;.
d) Façam uma descrição dos mares nunca dantes navegados; e) Retirem de Camões inspiração para descrever o mar.
O conteúdo da recuperação paralela será:
• Literatura: A terceira geração modernista;
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2. Segundo o texto, para executar o dever imposto por Padre Cabral, a classe toda usou de um certo: a) conhecimento extraído de "As viagens de Gulliver";
b) assunto extraído de traduções de ficcionistas ingleses e franceses; c) amor por Charles Dickens;
d) mar descrito por Mark Twain;
e) saber já feito, já explorado por célebre autor. 3. Apenas o narrador foi diferente, porque: a) lia Camões;
b) baseou-se na própria vivência;
c) conhecia os ficcionistas ingleses e franceses; d) tinha conhecimento das obras de Mark Twain;
e) sua descrição não foi corrigida na cela de Padre Cabral. 4. O narrador confessa que no internato lhe faltava: a) a leitura de Os Lusíadas;
b) o episódio do Adamastor; c) liberdade e sonho;
d) vocação autêntica de escritor; e) respeitável personalidade.
5. Todos os alunos apresentaram seus trabalhos, mas só foi um elogiado, porque revelava a) liberdade; b) sonho; c) imparcialidade; d) originalidade; e) resignação.
6. Por ter executado um trabalho de qualidade literária superior, o narrador adquiriu um direito que lhe agradou muito:
a) Ler livros da estante de Padre Cabral; b) Rever as praias do Pontal;
c) Ler sonetos camonianos;
d) Conhecer mares nunca dantes navegados; e) Conhecer a cela de Padre Cabral.
7. Contudo, a felicidade alcançada pelo narrador não era plena. Havia uma pedra em seu caminho: a) Os colegas do internato;
b) A cela do Padre Cabral; c) A prisão do internato; d) O mar de Ilhéus; e) As praias do Pontal.
8. Conclui-se, da leitura do texto, que:
a) O professor valorizou o trabalho dos alunos pelo esforço com que o realizaram; b) O professor mostrou-se satisfeito porque um aluno escreveu sobre o mar de Ilhéus;
c) O professor ficou satisfeito ao ver que um de seus alunos demonstrava gosto pela leitura dos clássicos portugueses;
d) A competência de saber escrever conferia, no colégio, tanto destaque quanto a competência de ser bom atleta ou bom em matemática;
e) Graças à amizade que passou a ter com Padre Cabral, o narrador do texto passou a ser uma personalidade no colégio dos jesuítas.
9. Justifique o emprego do acento grave, indicador da crase, na oração.
10. Explique a regência dos verbos destacados nos períodos. a) O aluno visa ao diploma.
b) O aluno assistiu o colega durante o intervalo. Texto para questão 11
Eu tinha o medo imediato. E tanta claridade do dia. O arrojo do rio e só aquele estrape* (instrumento de tortura), e o risco extenso d’água, de parte a parte. Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse: — “Esta é das que afundam inteiras. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam...” Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!
(Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, p. 88-89.) Diz Alfredo Bosi a respeito de Guimarães Rosa:
“Grande Sertão: Veredas” e as novelas de “Corpo de Baile” incluem e revitalizam recursos da expressão poética: células
rítmicas, aliterações, onomatopeias, rimas internas, ousadias mórficas, elipses, cortes e deslocamentos de sintaxe, vocabulário insólito, arcaico ou de todo neológico, associações raras, metáforas, anáforas, metonímias, fusão de estilos, coralidade.
(Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira, p. 430.) 11. Após a leitura do texto, responda:
a) De qual dos recursos enumerados Guimarães Rosa faz uso no trecho: Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse?
Explique.
b) Com qual desses recursos pode ser associada a frase: Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!?
Textos para a questão 12 Texto I
A experiência documentária de Guimaraes Rosa, a observação da vida sertaneja, a paixão pela coisa e o nome da coisa, a capacidade de entrar na psicologia do rústico – tudo se transformou em significado universal graças à invenção, que subtrai o livro da matriz regional, para fazê-lo exprimir os grandes lugares-comuns, sem os quais a arte não sobrevive: dor, júbilo, ódio, amor, morte, para cuja órbita nos arrasta a cada instante, mostrando a cada instante que o pitoresco é acessório, e na verdade, o Sertão é o Mundo.
[Crítico Brasileiro de Literatura – Antônio Candido] Texto II
Mas... Houve um pequeno engano, um contratempo de ultima hora, que veio pôr dois bons sujeitos, pacatíssimos e pacíficos, num jogo dos demônios, numa comprida complicação: Turíbio Todo, iludido por uma grande parecença e alvejando um adversário por detrás, eliminara não o Cassiano Gomes, mas sim o Levindo Gomes, irmão daquele, o qual não era metralhador, nem ex-militar e nem nada, e que, por sinal, detestava mexida com mulheres dos outros. Turíbio todo soube do erro, ao subir no estribo . –Ui!.. Galope bravo, em vez de andadura!... – pensou. E enterrou as esporas e partiu, jogando o cascalho para os lados e desmanchando poeira no chão.
[Guimarães Rosa – “Duelo”, Sagarana] 12. O cenário mais comum das narrativas de Guimarães Rosa é o sertão de Minas Gerais. Segundo o crítico literário Antônio Candido (texto 1), essa abordagem vai muito além do aspecto documentário. Qual é, para o crítico, a importância do sertão na obra de Rosa? Explique sua resposta elaborando um parágrafo dissertativo.
5 Texto para a questão 13
Leia este trecho de Solo de clarineta, um livro de memórias do escritor gaúcho Érico Verissimo. [...] Lembro-me de que certa noite – eu teria uns quartoze anos, quando muito - encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam “carneado”. [...] Foi essa a primeira vez na vida que senti de perto o cheiro de sangue e de carne humana dilacerada. Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? [...] Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a ideia de que a menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto. [...]
VERISSIMO, Erico. Solo de clarineta: memórias.v.1.2.ed. Porto Alegre: Globo, 1973.p.44-45. (fragmento) 13. “Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto.” Interprete essas metáforas presentes no trecho final?
Texto para a questão 14
Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo.Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. (...)
(Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas) 14. Umas das principais características da obra de Guimarães Rosa é sua linguagem artificialmente inventada, barroca até certo ponto, mas instrumento adequado para sua narração, na qual o sertão acaba universalizado. a) Transcreva um trecho do texto apresentado, onde esse tipo de “invenção” ocorre.
b) Transcreva um trecho em que a sintaxe utilizada por Rosa configura uma variação linguística que contraria o registro prescrito pela língua padrão.
Texto para a questão 15
A Voz das Coisas
E Juca ouviu a voz das coisas. Era um brado: "Queres tu nos deixar, filho desnaturado?" E um cedro o escarneceu: "Tu não sabes, perverso,
que foi de um galho meu que fizeram teu berço?" E a torrente que ia rolar para o abismo: "Juca, fui eu quem deu a água do teu batismo".
Uma estrela, a fulgir, disse da etérea altura: "Fui eu que iluminei a tua choça escura no dia em que nasceste. Eras franzino e doente.
E teu pai te abraçou chorando de contente... [...]
Não vás. Aqui serão teus dias mais serenos, que, na terra natal, a própria dor dói menos...
E fica, que é melhor morrer (ai, bem sei eu!) no pedaço de chão em que a gente nasceu!"
In: DEL PICCHIA, Menotti. Juca Mulato. Introd. Osmar Barbosa. Il. Tarsila do Amaral, Mozinha e Autor. R. J.: Ediouro, s.d. p.59-60. 15. Os aspectos formais do poema estão relacionados à primeira fase modernista? Justifique. Explique também, de maneira sintética, o dualismo que sustenta o texto.