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C D U 027.7

A Biblioteca Universitária

e as Teorias dos Sistemas

QPONMLKJIHGFEDCBA

E s t e t r a b a l h o p r e t e n d e a b o r d a r a B i b l i o t e c a U n i v e r s i t á r i a a t r a v é s d a t e o r i a g e r a l d o s s i s t e m a s , a p r e s e n t a n d o s u a r e l a -ç ã o d e n t r o d o s u p r a - s i s t e m a q u e a c o m p õ e , ' e a s r e l a ç õ e s e n t r e o b j e t i v o s e [ u n ç õ e s n o s s u b s i s t e m a s .

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E d v a l d o d e A s s i s U F M T / B C D

1.INTROD,UÇÃO

A teoria geral dos sistem as criada pe-lo biópe-logo alem ão Ludw ig von B ertalanffy, nasceu da preocupação deste, na interação das ciências, pois, para este científico, en-tre ciências quaisquer, sejam físicas, bioló-gicas ou sociais, há um a estrutura sim ilar, ou seja, o isom orfism o. A globalização das ciências em um todo, através da sem elhan-ça, tem sido testada, e reconhecida com o um cam inho viável no m om ento em que novas ciências têm sido criadas, cada um a com sua especialização.

B ertalanffy resum e os objetivos da . teoria dos sistem as nos seguintes tópicos:

a) H á um a tendência geral para a in-tegração nas várias ciências, naturais e so-ciais.

b) U ina tal in tegração parece estar centrada na teoria geral dos sistem as.

c) Essa teoria pode ser um m eio im -portante para obter um a teoria exata nos

R ev. bras. B ibliotee. e D oe. 14 (3/4): 174-178, Jul./D ez. 1981

A B iblioteca U niversitária e as Teorias dos Sistem as

A form ação le desenvolvim ento de coleções, um dos objetivos básicos citado 'por (FER R EIR A 2:13) dentro da teoria

ge-ral dos sistem as, im plica em variáveis que serão vistas dentro do supra-sistem a "U ni- , versidade", que por sua vez' depende do am biente m ais próxim o, form ado pelos professores, pesquisadores-alunos, pessoal técnico-adm inistrativo, etc. A universidade

com o dependente de outro órgão, neste ca-, so do M inistério de Educação e C ultura, e O principal objetivo de um a biblíbte- este do G overno, à m edida que, a universi-ca universitária lÍ-arm azenar de form a orga- da de passa a descer em um organogram a nizada a inform ação, a fim de facilitar o seu governam ental, ela passa a descer tam bém uso. Para cum prir o seu objetivo píncípal, éna hierarquia dos sistem as (supra-sistem a, neêessário que os objetivos básicos sejam sistem a, subsistem a) e m ais' dependente ela

determ inados: fica do am biente.

a) form ação e desenvolvim ento de A travé~ Plano B á~~D

esenvol-coleções; , vim ento C ientífico e Tecnológico, a

Políti-R ev,

bras,

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cam pos não-físicos de ciência.

d) A o desenvolver princípios unifica-dores para o universo de cada ciência, essa teoria nos leva m ais perto da unidade da ciência.

e) Isto poderá levar m ais à necessária integração da educação científica. (4:200)

A biblioteca universitária é um a orga-.nização que poderá ser estudada à luz da teoria geral dos sistem as, apoiando-se nos seus objetivos e identificando suas funções e sua integração dentro do sistem a.

Saracevic(apud FER R ElR A ) con-ceítua sistem a com o "um conjunto integra-do de com ponentes que interagem coopera-tivam ente para desem penhar funções pre-determ inadas com um propósito especí-fico".

D entro dos sistem as há duas divisões, um a é cham da de sistem a fechado, quando não há com ponentes que interagem , e ou-tra, denom inada sistem a aberto, caracteri-zado por acentuada integração entre os seus com ponentes. A biblioteca, com o 'or-ganiz~ão, perte~.? sistem a aberto,

2. A BIBLIOTECA

UNIVERSITÃRIA

b) cooperação entre biblíotecas.. c) processam ento das coleções; d) divulgação de serviços; e) utilização da inform ação.

O rim eiro asso ao tudar _um a organização; é se inteirar dos seus objeti-vos. A través da abordagem do bom senso e

~ i n p u t s ,o estudioso é levado a enten-der o funcionam ento de urna organização . N a abordagem do bom senso há um cam i-nho falho, às vezes, estereótipos e locali-zação facilitam ou dificultam a im agem da organização. Líderes, diretores, podem es-tar agindo de acordo com os seus objetivos, esquecendo os objetivos, de fato, da organi-zação.

Para se ter um trabalho com caracte-rização científica, o pesquisador terá que estudar a organização a partir de inputs. ~

I n p u t s é a energia do am biente que é recebida pelo sistem a para o seu funcio-nam ento. H á dois i n p u t s : de produção e de m anutenção.

3. O AMBIENTE E O INPUT

O peracionalm ente a biblioteca univer-sitária é conceituada com o um órgão do su-pra-sístem a que dá suporte docum ental (li-vros, periódicos, m ultim eios) para o ensino, pesquisa e extensão.

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ca de C iência e Tecnologia traçada pelo G o-verno, com o suprassistcrna, vai refletir 'na form ação e desenvolvim ento de coleções. A s linhas de pesquisa das universidades se-rão direcionadas para o interesse do G over-no, que determ inará as pesquisas prioritá-rias, conseqüentem ente indicarão os órgãos financiadores de projetos, universidades que executarão a política e diretrizes traça-das, os novos cursos de graduação, expan-são da pós-graduação, program as, etc. São variáveis determ inantes da bibliografia a ser

adquirida pela biblioteca, ficando todos os

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i n p u t s de produção (livros, periódicos e m ultím eios) dependentes do am biente.

4. SUBSISTEMA DE

MANUTENÇÃO

N o subsistem a de m anutenção os i n -p u t s alim entadores do sistem a são as pes-soas que vão desenvolver as atividades, con-tribuindo para o crescim ento e expansão da biblioteca.

N a teoria dos sistem as, na concepção da natureza hum ana de que o "hom em é funcional" passam a ser im portante para o sistem a, os papéis desem penhados pelo pes-soal do subsistem a de m anutenção. O com -portam ento dos indivíduos e o seu inter-re-lacionam ento passa a ser preocupação den-tro do sistem a, pois as funções serão exe-cutadas de acordo com as norm as da orga-nização, o grau de liberdade, a socialização, estím ulo, etc.

O s indivíduos constituem o elem ento básico do subsistem a de m anutenção. A s-sim a escolha do pessoal através de seleção e treinam ento, socialização, em pregos de norm as, são m edidas que visam à "preser-vação de um estado firm e no sistem a" (3:

109). G eralm ente as pessoas são contra qualquer m udança que venha a ocorrer em um a organização. O conservantism o está sem pre presente no subsistem a de m anu-tenção. Porém o cum prim ento de norm as

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Edvaldo de A ssis

deve ser exigido com o pressão vinda do am -biente.

5.

SUBSISTEMA TECNICO

I Todos os elem en tos considerados

i n p u t s de produção são processados pelo subsistem a técnico. N os tra balhos bibliote-cáiiõS, a -claSSificação, ca

talogação,

registro, indexação, são processos pelos q uais pas-sam o m aterial bibliográfico e m ultim eios para sairem com o produtos para atendi-m ento das necessidades do usuário. O obje-tivo básico - processam ento das cole-ções - está sob a responsabilidade desse subsistem a.

N o subsistem a técnico, a transform a-ção de energia constitui um ciclo de even-tos que vai caracterizar a principal função do sistem a. A dinâm ica usada neste subsis-tem a é a "Proficiência" e o m ecanism o é a "D ivisão de trabalho", estabelecim ento de especificação e padrões de cargo (3:1 08).

.:>O bibliotecário não deve ser m uito m

inu-cioso nas suas tarefas, é necessário adequá-Ias considerando o tipo de usuário. A efi-ciência dos serviços' técnicos nem sem pre faz com que a organização seja eficien te, o que deve estar em m ira são os objetivos da organização. O bibliotecário proficiente dem ais pode causar prejuízos financeiros à organização. Tarefas que poderiam ser exe-cutadas em 4 horas, ele levaria um dia ou m ais.

N a teoria geral dos sistem as, a divisão de trabalho se baseia na proposição da de-partam en talização, considerando a coerên-cia dos tipos de serviço.

N o subsistem a técnico deve ser esta-belecido o m anual de serviços, as' norm as

'i-

de catalogação, as tabelas de classificação, , t h e a s a u r u s , catálogo de decisão, etc. Em

bo-ra seja tudo estabelecido para a uniform iza-ção das tarefas, a m aneira de realizá-Ias não será rígida, porque o sistem a apresen ta en-tre seus parâm etros a "Equifinalidade", no

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AB iblioteca U niversitária e as Teorias dos Sistem as

qual por várias m aneiras se pode alcançar o m esm o estado final, com origens em di-versas considerações iniciais.

6. SUBSISTEMA DE APOIO

É

através do subsistem a de apoio que a biblioteca se inter-relaciona com outros brgãos congêneres, buscando auxílios

mú-tuos através da "cooperação entre biblio-tecas." (FER R EIR A , 2:13). N enhum a bí-biblioteca, por m elhor que seja o seu acer-vo, está capacitada a atender aos seus usuá-rios em todos os assuntos. N o m om ento em que as ciências se especializam , todas as bi-bliotecas acom panham este desafio científi-co, porém torna-se inviável a organização de um acervo que venha satisfazer a todas as especializadas científicas.

A .biblioteca, para cum prir' um dos objetivos

básicos

â

que se propõe, im pres-cinde acom panhar os novos conhecim entos quesur~_ as pesquisas em relevâncias e os respectivos países produtores, além d~ form ar um catálogo de endereços de insti-tuições, receber listas de duplicatas ....parti-cipar do catálogo coletivo regional, >-oletar as várias bibliografias editadas, realizar a com utação bibliográfica.

A biblioteca pode firm ar convênios com órgãos que vão sustentar o sistem a, através do intercâm bio transacional com o am biente - é o "sistem a de fronteira", pro-posto na teoria geral- dos sistem as," cujas funções são de procura e alienação.

A través do sistem a de fronteira ca-berá à biblioteca descobrir quais são as in-form ações prioritárias em determ inadas ins-tituições. N o B rasil, no cam po das ciências biom édicas encontra-se a B IR EM E (B iblio-teca R egional de M edicina), no cam po das ciências agrárias a B IN A G R I (B iblioteca N acional de A gricultura) e a EM B R A PA (Em presa B rasileira de Pesquisas A gropecu-árias).

Para a tecnologia, no B rasil o órgão

centralizador das inform ações é o IB IC T (Instituto B rasileiro de Inform ação em C iência e Tecnologia).

7. SUBSISTEMA ADAPTATIVO

A função do subsistem a adaptativo é o plan~to,-pesquisa e désenvolvim en-to e a inform ação. Este substistem a está m ais ligado ao am biente do que

à

organiza-ção. D ele depende m uito a sobrevivência da biblioteca. Todos os serviços, ou m elhor, os objetivos que a biblioteca propõe a atingir, são identificados e m ensurados pelo subsis-tem a adaptativo.

O s o u t p u t s são lançados no am -biente e a m aneira de reação am biental será vista pelo subsistem a que desem penha o papel de acom panham ento, interagindo nos dem ais subsistem as.

O subsistem a adaptativo interage no subsistem a de apoio, fornecendo para este, através da estrutura de fronteira, inform a-ções que vão facilitar a biblioteca a atingir um dos objetivos básicos, ou seja, a coope-ração entre bibliotecas.

7.1.

OUTPUT

A biblioteca deve estar sem pre em consonância com o am biente, nada é válido se não houver um trabalho sistêrnico. So-m ente pelos i n p u t s recebidos não se pode verificar a eficiência e a eficácia da biblioteca. D eve haver todos os subsistem as interagindo.

O am biente espera pela biblioteca porque ela tem seus objetivos que vão dar o apoio docum ental aos professores, alunos, pesquisadores, etc. O s serviços oferecidos devem ser divulgados para a com preensão de sistem a e com o produto deste. A utiliza-ção da inform autiliza-ção tam bém é outro produ-to, que a biblioteca espera obter ao am bien-te, fazendo um a avaliáção dos seus produ-tos, realim entando, dessa form a o sistem a.

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8. AVALIAÇÃO

E

REALIMENTAÇÃO

O s serviços prestados pela biblioteca para atendim ento das necessidades dos usuários são produtos,·

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o u t p u t s , que de-vem ser avaliados. O s estudos de usuário são atividades que devem ser realizadas pela biblioteca, através do subsistem a adaptati-vo, visando determ inar quais serão as m u-danças a serem realizadas para adequar os serviços aos interesses dos usuários.

A biblioteca Eoderá ser realim entada para i n p u t s , nega tivos, em virtude di!.sua

ualificaç[Q . Estes i n p u t s , de caráter inform ativo, são de grande im portância ao aperfeiçoam ento de todo o sistem a, pois apontam os pontos de estrangulam ento em seu próprio funcionam ento e em relação ao contexto onde está inserido.

9. CONCLUSÃO

A biblioteca, com o um a organização com plexa, pode ser estudada à luz da teoria geral dos sistem as, definindo seus objetivos, funções e estabelecendo seus parâm ctros am bientais.

R EFER bN C IA S B IB LIO G R Á FIC A S

1. C ESA R IN O , M aria A . da N óbrega. O e n -s i n o d e b i b l i o t e c o n o m i a : u m c u r r i c u l o

a ser m udado. R ev. Esc. (B ibliotecon. U FM G (B elo H orizonte) 2(1):45. 2. FER R EIR A , G ilda Pires. A b i b l i o t e c a

u n i v e r s i t á r i a e m p e r s p e c t i v a s i s t ê m i c a .

R ecife, U niversidade Federal de Pernam -buco,1977.

3. K A TZ, D aniel

&

K A H N , R obert L.

P s i c o l o g i a s o c i a l d a s o r g a n i z a ç õ e s . 2 .

ed. São Paulo, A tlas, 1976.

4. LO D I, João B osco, H i s t ó r i a d a a d m i n i s -t r a ç ã o . São Paulo, A tlas, 1976. 5. M O TTA , Fernando c.P. T e o r i a g e r a l d a a d m i n i s t r a ç ã o . 7. ed. São Paulo, Pio-neira, 1979.

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