Andreia Domingos Guerreiro
A SATISFAÇÃO DAS FAMÍLIAS APOIADAS
PELA EQUIPA LOCAL DE INTERVENÇÃO
(ELI) DE FARO
Concelho de Olhão
Universidade Fernando Pessoa
Orientadora: Professora Doutora Fátima Coelho
Mestrado em Educação Especial
Domínio da Intervenção Precoce na Infância
Andreia Domingos Guerreiro
A SATISFAÇÃO DAS FAMÍLIAS APOIADAS
PELA EQUIPA LOCAL DE INTERVENÇÃO
(ELI) DE FARO
Concelho de Olhão
Universidade Fernando Pessoa
Orientadora: Professora Doutora Fátima Coelho
Mestrado em Educação Especial
Domínio da Intervenção Precoce na Infância
Andreia Domingos Guerreiro
A SATISFAÇÃO DAS FAMÍLIAS APOIADAS
PELA EQUIPA LOCAL DE INTERVENÇÃO
(ELI) DE FARO
Concelho de Olhão
___________________________________________
Este estudo visa conhecer o grau de satisfação das famílias apoiadas pela Equipa Local de Intervenção de Faro, no concelho de Olhão, contribuindo assim para uma possível melhoria das práticas de intervenção com enfoque nas famílias.
Assume-se como um estudo de tipo descritivo e de natureza quantitativa, no qual foi aplicada a Escala Europeia de Satisfação das Famílias em Intervenção Precoce a cinquenta famílias de crianças apoiadas pela Intervenção Precoce no concelho de Olhão.
Os resultados obtidos, de uma maneira geral, apontam para um elevado grau de satisfação por parte das famílias. As dimensões que apresentam níveis mais elevados de satisfação são a Relação entre pais e profissionais, os Direitos dos pais e Modelo de apoio. Os níveis menos elevados de satisfação são apresentados nas dimensões Localização e ligações do serviço, Apoio aos pais e Estrutura e administração do serviço.
Evidenciam-se também correlações existentes entre algumas características sociodemográficas e o grau de satisfação, designadamente: Os elementos do sexo masculino apresentam níveis de satisfação significativamente inferiores aos do sexo feminino na dimensão Apoio aos pais; Os inquiridos que exercem uma profissão apresentam níveis médios de satisfação significativamente inferiores aos demais inquiridos na dimensão Localização e ligações do serviço; Quanto mais velha é a criança maior é a satisfação alusiva à Relação entre pais e profissionais; Quanto mais tempo a criança estiver a receber apoio do Serviço de Intervenção Precoce maior é a Satisfação global, bem como maior é a satisfação com Apoio aos pais e com o Apoio à criança.
Palavras-chave: Intervenção Precoce na Infância; Práticas centradas na família; envolvimento parental; Satisfação das famílias.
This study aims at knowing the degree of satisfaction of families supported by the Local team of intervention of Faro, in the municipality of Olhão, thus contributing to a possible improvement of the intervention practices focusing on families.
It is assumed as a descriptive study and quantitative in nature, which was applied to European level of satisfaction of families in early intervention to fifty families of children supported by early intervention in the municipality of Olhão.
The results obtained in general point to a high degree of satisfaction on the part of families. The dimensions that present higher levels of satisfaction are the relationship between parents and professionals, parents rights and support model. Lower levels of satisfaction are presented in dimensions Location and service connections, support for parents and Structure and administration of the service.
Show correlations also exist between some sociodemographic characteristics and the degree of satisfaction, namely: The male elements present satisfaction levels significantly lower than the female dimension support to parents; Respondents who exercise a profession feature average satisfaction levels significantly lower than the other respondents in the dimension and Location Service connections; The older the child the greater the satisfaction referring to the relationship between parents and professionals; The longer a child is to receive support early intervention service greater overall satisfaction, as well as greater satisfaction with support for the parents and the child support.
Keywords: early intervention in childhood; Parental involvement; family-centred practice; Satisfaction of households.
Teria com certeza mais agradecimentos a fazer, mas estes são primordiais. Gostaria de agradecer…
à coordenadora Matilde Mena da Equipa Local de Intervenção de Faro que me fez chegar aos restantes técnicos que trabalham com as famílias inquiridas e que me facultou algumas informações.
às famílias que se disponibilizaram para preencher o questionário, pois sem a sua colaboração este estudo não teria pernas para andar.
à minha orientadora, Professora Fátima Coelho, por todo o apoio e disponibilidade prestado, pela transmissão de saberes e experiências necessários à concretização deste estudo.Muito Obrigada!
à minha colega Sílvia Santos que sempre me motivou e deu ânimo para continuar.
e por último mas não menos importante à minha família, nomeadamente aos meus pais e ao meu namorado, por acreditarem em mim e me apoiarem incondicionalmente.
Obrigada a todos!
iv
Resumo ... i
Abstract ... ii
Agradecimentos ... iii
Índice de Quadros ... vi
Índice de Tabelas ... vi
Lista de Abreviaturas ... vii
Introdução ... 1
CAPÍTULO I – REVISÃO DA LITERATURA ... 3
1 - Intervenção Precoce: definição e objetivos ... 3
2- Enquadramento Legal da Intervenção Precoce em Portugal... 5
3 - Critérios de Elegibilidade e objetivos do SNIPI ... 6
4 - Envolvimento parental e práticas centradas na família ... 9
5 – Modelos teóricos centrados na família ... 14
5.1 – Abordagem sistémica da família de Von Bertalanffy (1968) ... 15
5.2 – Modelo transacional de Sameroff e Chandler (1975) ... 16
5.3 – Modelo da ecologia do desenvolvimento humano de Bronfenbrenner ... 17
5.4 – Família como sistema social... 18
6 - Satisfação das Famílias ... 21
CAPÍTULO II- ESTUDO EMPÍRICO ... 27
1- Problemática ... 27
2 – Objetivos ... 28
2. 1 - Objetivo geral:... 28
2.2 - Objetivos específicos: ... 29
3 - Método ... 29
3.1- Tipo de Estudo ... 29
3.2- Metodologia quantitativa ... 30
4 - Universo e Amostra ... 31
5 - Instrumentos e Procedimentos ... 36
5.1 – Instrumento de recolha de dados ... 36
5.2 - Procedimentos ... 38
CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 40
1.2 - Dimensão Apoio aos pais:... 42
1.3.- Dimensão Apoio à criança: ... 46
1.4. - Dimensão Ambiente social: ... 48
1.5. - Dimensão Relação entre pais e profissionais: ... 49
1.6. - Dimensão Modelo de apoio: ... 51
1.7. - Dimensão Direitos dos pais: ... 55
1.8. - Dimensão Localização e ligações do serviço:... 56
1.9. - Dimensão Estrutura e administração do serviço: ... 57
2- Relação entre características sociodemográficas e a satisfação das famílias ... 59
CAPÍTULO IV - CONCLUSÕES ... 68
Referências bibliográficas ... 72
ANEXOS
Anexo I – Escala Europeia de Satisfação da Família em Intervenção Precoce (ESFIP); Anexo II – Pedido de autorização aos autores da escala original EPASSEI e aos tradutores da escala para português ESFIP;
Anexo III – Consentimento da Subcomissão Regional do Algarve do SNIPI para realizar o estudo;
Anexo IV – Declaração de Consentimento Informado; Anexo V – Outputs da análise SPSS.
Índice de Tabelas
Quadro 1: Evolução histórica do envolvimento parental………. 9
Quadro 2: Articulação dos objetivos com o instrumento de recolha de dados…... 37
Tabela 1: Caraterísticas sociodemográficas dos inquiridos……….. 32
Tabela 2: Caraterísticas do agregado familiar……….. 33
Tabela 3: Caraterísticas da criança………... 34
Tabela 4: Caraterísticas da intervenção precoce……….. 35
Tabela 5: Estatísticas descritivas das dimensões da qualidade do serviço…………... 41
Tabela 6: Estatísticas descritivas da dimensão Apoio aos pais……… 42
Tabela 7: Estatísticas descritivas da dimensão Apoio à criança……….. 46
Tabela 8: Estatísticas descritivas da dimensão Ambiente social……….. 48
Tabela 9: Estatísticas descritivas da dimensão Relação entre pais e profissionais….. 49
Tabela 10: Estatísticas descritivas da dimensão Modelos de apoio………. 51
Tabela 11: Estatísticas descritivas da dimensão Direitos dos pais………... 55
Tabela 12: Estatísticas descritivas da dimensão Localização e ligações do serviço… 56 Tabela 13:Estatísticas descritivas da dimensão Estrutura e administração do serviço 57 Tabela 14: Scores das dimensões da satisfação segundo o género……….. 59
Tabela 15: Correlações entre os scores das dimensões da satisfação e a idade……... 60
Tabela 16: Scores das dimensões da satisfação segundo o nível de ensino…………. 61
Tabela 17: Scores das dimensões da satisfação segundo a situação perante o trabalho………. 62
Tabela 18: Correlações entre os scores das dimensões da satisfação e a idade da criança………... 63
Tabela 19: Scores das dimensões da satisfação segundo o género da criança………. 64
Tabela 20: Scores das dimensões da satisfação segundo a frequência dos contactos com o Serviço da Intervenção Precoce………. 65
Tabela 21: Correlações entre os scores das dimensões da satisfação e o tempo a receber apoio do Serviço de Intervenção Precoce……… 66
Lista de Abreviaturas
IP Intervenção Precoce
IPI Intervenção Precoce na Infância
SIP Serviço de Intervenção Precoce
ELI Equipa Local de Intervenção
SNIPI Serviço Nacional de Intervenção Precoce na Infância
PIIP Plano Individual de Intervenção Precoce
PIIP Projeto Integrado de Intervenção Precoce
PROIP Serviço de Intervenção Precoce de Castelo Branco
EPASSEI European Parental Satisfaction Scale about Early Intervention
ESFIP Escala Europeia de Satisfação das Famílias em Intervenção Precoce
DREER Direção Regional de Educação Especial e Reabilitação
PIAF Plano Individualizado de Apoio à Família
SPSS Statistical Package for Social Sciences
P.L. Public Law
IDEA Individuals with Disabilities Education Act
1
Introdução
A revisão da literatura consultada e os estudos científicos recentes nesta área apontam para a importância da família e para as práticas centradas na família em Intervenção Precoce (IP), bem como para o seu grau de satisfação perante as necessidades das suas crianças/família. Esta perspetiva implica a necessidade de se continuar a implementar e a melhorar a intervenção centrada na família, o que previsivelmente, implica uma mudança de atitudes de alguns profissionais com o intuito de facilitar a participação, cada vez mais ativa, das famílias no processo de intervenção das suas crianças.
Segundo McWilliam, Winton & Crais (2003) para a implementação de práticas centradas na família é essencial identificar as suas prioridades/ necessidades. Considerando que cada família é única, as suas prioridades residem no que consideram importante para os seus filhos ou para toda a família. Neste sentido torna-se pois importante identificar as necessidades de cada família, bem como garantir o seu grau de satisfação ao conseguirem realizar o que é importante para elas e não apenas o que o profissional considera importante. Este processo exige que os profissionais tenham a capacidade de promover momentos de comunicação, em que as famílias manifestem as suas necessidades e em que partilhem informações que possuem, tal como afirma Fernandes (2008, p. 45)
“ (…) para que as famílias possam tomar decisões acerca das prioridades ou objetivos determinados, uma vez que estas necessidades/prioridades não são estatísticas, mas muito pelo contrário, estão em constante mutação.”
Também a legislação atual que rege a Intervenção Precoce na Infância (IPI) Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro, realça o enfoque na família e a importância do envolvimento parental em todo o processo de intervenção.
2
pela Equipa Local de Intervenção (ELI) de Faro no concelho de Olhão, pois embora já existam alguns estudos com esta temática, este estudo de investigação é num contexto diferente, quer a nível geográfico quer a nível social dos estudos científicos encontrados.
Em suma com a aplicação da presente investigação pretende-se conhecer o grau de satisfação das famílias, e consequentemente, conhecer onde estas manifestam maior ou menor necessidade de apoio, bem como observar se existem relações entre as características sociodemográficas e o nível de satisfação. Assim, pensa-se que a sua aplicação pode ter relevância, na medida em que através da análise dos resultados obtidos, pretende-se contribuir para uma possível melhoria das práticas em Intervenção Precoce na Infância, baseadas em práticas centradas nas famílias, tendo em conta a sua satisfação e necessidades.
Considera-se este estudo relevante em termos pessoais e profissionais, pois permite um enriquecimento da formação académica e da base de conhecimentos necessários para uma melhor compreensão da importância da família em todo o processo de intervenção, bem como o aperfeiçoamento do nível de capacidade crítica e reflexiva.
O presente estudo divide-se em quatro capítulos, o capítulo I, onde é apresentada uma revisão da literatura recente, que enquadra e justifica as questões de investigação. O segundo capítulo, referente ao estudo empírico, onde é feita uma abordagem à problemática, ao tipo de estudo e ao tipo de metodologia a utilizar, neste caso em particular, estudo de tipo descritivo e de metodologia quantitativa, e onde são apresentadas as questões de investigação, bem como os objetivos gerais e específicos. Neste capítulo é ainda representado o universo e a amostra do estudo, assim como os instrumentos e técnicas de recolha de dados e respetivos procedimentos.
No terceiro capítulo são apresentados e discutidos os resultados obtidos. E no quarto e último capítulo, são apresentadas as conclusões.
3
CAPÍTULO I
–
REVISÃO DA LITERATURA
1 - Intervenção Precoce: definição e objetivos
Foram encontradas na revisão da literatura diversas definições para Intervenção Precoce (IP), no entanto serão apenas mencionadas cronologicamente as que de alguma forma são da concordância do investigador.
Na atualidade o conceito Intervenção Precoce segundo Almeida (1997, cit. in Alves, 2009, p.87):
“ (…) não designa uma forma específica de intervenção, mas engloba um grande número de diferentes tipos de prestação de serviços que variam em função de fatores, tais como, as necessidades da criança, as necessidades ou preferências da família, os recursos disponíveis ou o modelo teórico dos técnicos.”
De acordo com Shonkoff & Meisels (2000, p.16) a Intervenção Precoce é um:
“ (…) conjunto de serviços multidisciplinares, prestados a crianças dos 0-5 anos, de forma a promover saúde e bem-estar, reforçar competências emergentes, minimizar atrasos no desenvolvimento, remediar disfunções, prevenir deterioração funcional e promover capacidades parentais adaptativas e funcionamento familiar em geral”.
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À luz da legislação pela qual é regida a Intervenção Precoce na Infância (IPI), a definição de IPI é considerada como “o conjunto de medidas de apoio integrado centrado na criança e na família, incluindo ações de natureza preventiva e reabilitativa, designadamente no âmbito da educação, da saúde e da ação social” (artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro).
Na ótica de Almeida (2010, p.12) Intervenção Precoce define-se como:
“ (…) conjunto de serviços, apoios e recursos prestados nos diferentes contextos de vida das crianças dos 0 aos 6 anos com deficiências ou incapacidades, atraso de desenvolvimento ou em risco grave de atraso de desenvolvimento, bem como das suas famílias”.
Os serviços, apoios e recursos prestados à família devem basear-se numa relação de parceria, com o intuito de apoiar o desenvolvimento da criança, facilitar o acesso aos apoios e recursos existentes na comunidade, bem como melhorar a qualidade de vida de toda a família (Guralnick, 2001 cit. in Almeida, 2010).
Tal como o nome indica, intervenção precoce na infância, pressupõe uma intervenção atempada e adequada às necessidades quer da criança quer da sua família. É de salientar que todas as definições acima descritas assentam num ponto em comum, focam a importância da família em todo o processo de intervenção.
Dunst, Trivette & Deal (1988) e Alves (2009) destacam que o principal objetivo da Intervenção Precoce é aumentar e/ou facilitar as capacidades das famílias, indo assim ao encontro das necessidades da criança apoiada.
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A legislação atual, Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro, define como objetivos de intervenção precoce uma inclusão educativa e social, o acesso e sucesso educativo, a autonomia, a estabilidade emocional e a promoção de igualdade de oportunidades.
Recordando alguns princípios presentes na declaração sobre os direitos da criança adotada em 1959, designadamente: Principio 5.º que menciona que “A criança mental e fisicamente deficiente ou que sofra de alguma diminuição social, deve beneficiar de tratamento, da educação e dos cuidados especiais…” e Princípio 7.º que refere que “O interesse superior da criança deve ser o princípio diretivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação… em primeiro lugar, aos seus pais”, e tendo por base estes pressupostos, a criança deve ser apoiada e protegida no seu crescimento, pois merece ter um futuro feliz e digno, independentemente da sua nacionalidade, origem social ou das suas necessidades.
2- Enquadramento Legal da Intervenção Precoce em Portugal
Como referem Ruivo & Almeida (2002, cit. in Alves, 2009, p.35):
“ (…) aquilo que, podemos considerar que regulamentou, até finais de 1999, a prática da IP, aparece disperso pela legislação referente à Educação Especial e à Educação Pré-Escolar.”
Com o surgimento da Portaria n.º 52/97, de 21 de janeiro e do Despacho n.º 26/MSSS/95, de 28 de dezembro foi facilitada a criação de projetos de IP na população
dos 0 aos 6 anos de idade, nomeadamente a criação do Programa “Ser Criança” (Cruz et al., 2003; Alves, 2009)
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contexto familiar da criança começa a ser foco de intervenção e a família começa a ser vista como um agente ativo em todo o processo de intervenção (Alves, 2009).
Em Portugal, o enquadramento legal da IP tem sido feito através deste Despacho Conjunto, que responsabiliza os setores da Saúde, da Educação e da Segurança Social e que é bastante influenciado pela lei americana: Public Law n.º 94-142 (PL 94-142) de 1975, Public Law n.º 99-457 (PL 99-457) de 1986 e Individuals with Disabilities Education Act (IDEA; PL 101-476) de 1990 (Ruivo & Almeida cit. in Alves, 2009).
Na atualidade as orientações reguladoras da Intervenção Precoce na Infância
para crianças dos 0 aos 6 anos de idade com “risco de alterações nas funções e estruturas do corpo”, ou em “risco grave de atraso de desenvolvimento”, assim como
das suas famílias são regidas pelo Decreto-Lei n.º 281/09, de 6 de outubro.
Na legislação atual da IPI o envolvimento e interação das famílias e da comunidade são considerados importantes, mediante uma articulação dos Ministérios da Saúde, Educação e do Trabalho e Solidariedade Social. É também mencionada a importância de uma colaboração/participação direta e ativa entre as Equipas Locais de Intervenção (ELI) do Serviço Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI) e as famílias, designadamente na construção do Plano Individual de Intervenção Precoce (PIIP) (Alves, 2009).
3 - Critérios de Elegibilidade e objetivos do SNIPI
O Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro teve por objeto, no seguimento dos princípios presentes na Convenção das Nações Unidas dos Direitos da Criança e segundo o Plano de Ação Integrado das Pessoas com Deficiência ou Incapacidade 2006/2009, a criação do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância. Este:
7
crianças com risco grave de atraso no desenvolvimento.” (artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro).”
O SNIPI desenvolve-se através da articulação coordenada dos Ministérios da Saúde, da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social, com envolvimento direto das famílias e da comunidade.
Os critérios de elegibilidade das crianças para integração na IPI são os definidos pela comissão de coordenação do SNIPI (artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro). De acordo com o artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro são elegíveis para apoio no âmbito do SNIPI, crianças dos 0 aos 6 anos de idade, e respetivas famílias, que manifestem alterações nas funções ou estruturas do corpo que limitem a sua participação em atividades próprias para a sua idade e contexto social ou com risco grave de atraso de desenvolvimento, pela presença de condições biológicas, psicoafectivas ou ambientais, em que existe uma grande probabilidade de atraso no desenvolvimento da criança.
Assim, são consideradas elegíveis para integração no SNIPI, todas as crianças que se enquadrem nos dois grupos referidos, ou seja, que manifestem alterações nas funções e estruturas do corpo e risco grave de atraso no desenvolvimento, que aglomerem quatro ou mais fatores de risco biológico e/ou ambiental. Tal como refere o SNIPI (2010, p.1), num documento acerca dos critérios de elegibilidade: “foi empiricamente demonstrado, este número constitui o ponto de charneira para um aumento substancial do efeito de risco (efeito cumulativo do risco).”
Ainda segundo o mesmo documento e como já foi referido são elegíveis para o SNIPI crianças que se enquadrem:
1. No grupo de crianças com alterações nas funções e estruturas do corpo:
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Condições específicas – fundamentam-se num diagnóstico associado a atraso de desenvolvimento (malformações congénitas; défice sensorial; anomalia cromossómica; perturbação neurológica; doença crónica grave, entre outros).
2. No grupo de crianças com risco grave de atraso de desenvolvimento:
Crianças expostas a fatores de risco biológico – engloba crianças que devido a condições biológicas que condicionam nitidamente a prestação de cuidados básicos, saúde e desenvolvimento, correm risco de no futuro manifestarem restrições na atividade e participação.
Crianças expostas a fatores de risco ambiental – entende-se por condições de risco ambiental a presença de fatores parentais ou contextuais que sejam vistos como um obstáculo à atividade e à participação da criança, condicionando o seu desenvolvimento e bem-estar.
Serrano (2007) e Carvalho (2011) fazem referência às três condições de elegibilidade, o risco estabelecido, o risco biológico e o risco ambiental.
O risco estabelecido diz respeito às crianças que apresentam défices prematuros ao nível do desenvolvimento e parecem estar relacionados com perturbações diagnosticadas, de foro físico, nomeadamente: síndrome de Down, erros congénitos de metabolismo, anomalias congénitas múltiplas e anomalias morfológicas.
O risco biológico refere-se a crianças que têm um historial de fatores durante os períodos pré-natal, neonatal ou pós-natal, que podem originar problemas ao nível do desenvolvimento. Como exemplos desses fatores salientam-se as doenças do metabolismo e deficiências nutricionais por parte da progenitora, complicações do foro da obstetrícia, perda de peso à nascença, anoxia, nascimento prematuro e outras.
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A salientar que o SNIPI tem como objetivos (artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro):
garantir o desenvolvimento e a proteção dos direitos às crianças;
a deteção e sinalização das crianças em risco ou com alterações nas funções e estruturas do corpo ou em risco grave de atraso de desenvolvimento;
após detetar e sinalizar, intervir de forma a prevenir ou diminuir os riscos de atraso no desenvolvimento, tendo em atenção as necessidades da criança e do seu contexto familiar;
ajudar as famílias na obtenção de serviços e de recursos no âmbito da saúde, da educação e da segurança social;
através da criação de meios de suporte social, envolver a comunidade.
4 - Envolvimento parental e práticas centradas na família
Na perspetiva de Simeonsson & Bailey (1990), Correia & Serrano (2000) e Serrano (2007) a evolução histórica do envolvimento parental na área das necessidades educativas especiais apresenta quatro fases diferentes, como se demonstra no quadro abaixo:
Evolução histórica do envolvimento parental
1. Na década de 50, os pais eram passivos em todo o processo de intervenção. A construção e implementação dos programas, quer em domicílio quer em local designado, era uma tarefa que pertencia unicamente aos profissionais.
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necessidades educativas especiais). Também a legislação portuguesa, anos mais tarde, passou a formalizar princípios idênticos aos da legislação americana relativamente ao envolvimento parental com a criação do Decreto-Lei n.º 319/91, de 23 de agosto. 3. Surge uma nova fase com o progressivo e cada vez mais ativo envolvimento por parte dos pais, na qual a imagem dos pais enquanto coterapeutas e cotutores é fortalecida. A formação dos pais e de outros familiares foi implementada para que estes passassem a ter o papel de terapeutas e professores. Embora se verificasse um progressivo envolvimento da família, a intervenção era unicamente centrada na criança. 4. Com o surgimento dos programas de intervenção precoce na década de 80, quer a família, quer a criança começaram a ser vistas como focos de intervenção que necessitam de serviços. A família beneficia de serviços, sendo este facto formalizado na P.L. 99-457, de 1986, agora P.L. 105-17, de 1997.
Historicamente pode-se referir que as práticas baseadas no envolvimento parental, apesar de terem como objetivo trabalhar com os pais e com as crianças, faziam-no isoladamente (Robinson, Rosenberg & Beckman, 1988; Correia & Serrano, 2000).
E como refere Gallagher (1990, p.553):
“ (…) os profissionais da área de intervenção precoce estão a descobrir agora o que os padres e professores já sabiam, ou seja, que um sermão semanal ou uma reunião mensal de pais não tem impacto significativo numa situação familiar problemática.”
Durante vários anos as práticas de intervenção eram centradas na criança baseando-se no modelo médico, que apresentava uma filosofia de intervenção que não envolvia ativamente a família, uma vez que os profissionais eram entendidos como os únicos sabedores do conhecimento e capazes de intervir com a criança (Correia & Serrano, 2000).
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Tal como mencionado anteriormente, nos anos 80 com os programas de IP emerge uma nova etapa, na qual vai resultar um gradual reconhecimento da importância do envolvimento parental. Quer a família quer a criança passam a ser vistas como foco das intervenções, passando também a família a ser recetora de serviços, tendo ela própria necessidades específicas, nomeadamente ao nível de recursos e de informações, decorrentes da existência de uma criança em risco (Simeonsson & Bailey, 1990; Correia & Serrano, 2000).
Também Pimentel (2005) e Pereira (2013) consideram que a partir da década de 80 e, designadamente após a publicação da P.L. 99-457 de 1986, a família começa a ser vista como elemento central da intervenção, as práticas passam a ter enfoque na família e é dada importância à colaboração estreita entre os profissionais e a família.
Emerge assim um modelo de intervenção centrado na família, no qual o principal objetivo é melhorar o bem-estar da família no seu todo, com base no conhecimento das suas necessidades e prioridades e do reconhecimento das interações entre a família e a comunidade em que se insere (Pimentel, 2005; Pereira, 2013).
Na perspetiva de Simeonsson & Bailey (1990) e de Correia & Serrano (2000), o envolvimento parental em IP deve ser entendido como uma resposta às necessidades de toda a família e não apenas como resposta às necessidades da criança em risco. Na realidade o que se pretende segundo Correia & Serrano (2000, p.15):
“ (…) é que os pais se tornem elementos competentes, capazes de poder intervir de forma positiva na educação e desenvolvimento do seu filho em risco, recebendo para isso apoio (i.e., recursos) das redes sociais, formais e informais, existentes na comunidade.”
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De acordo com Roberts, Rule & Innocenti, (1998 cit. in Alves, 2009, p.66) “A maioria dos suportes parentais necessários são encontrados dentro das estruturas informais de apoio organizadas à volta da família.”
A intervenção centrada na família na perspetiva de Wolery et al. (cit. in Carvalho, 2011, p. 96) deve ter como base os princípios abaixo descritos:
A família deve ser vista como um todo, fazendo a criança parte desse todo;
Os serviços devem ajudar as famílias com o objetivo de as tornar independentes dos profissionais, ou seja, capacitá-las para que sejam capazes de tomar decisões e encontrar apoio nos recursos disponíveis;
A natureza e a quantidade dos serviços a prestar devem estar diretamente relacionados com as necessidades das famílias;
Os serviços devem proporcionar ferramentas para que as famílias tenham um estilo de vida considerado normal, ou seja, semelhante ao que teriam se não tivessem um filho com problemas;
Os serviços devem ter em conta a diversidade cultural das famílias;
Os serviços devem ser personalizados;
Os serviços prestados à família devem ter origem na coordenação entre os diferentes serviços.
Segundo Dunst, Trivette & Deal (1988) e Alves (2009) capacitar (enablement) e dar poder (empowerment) são aspetos essenciais nas práticas centradas na família. Aspetos estes que só são garantidos se as práticas de intervenção recorrerem aos recursos naturais antes dos profissionais e se partirem das capacidades da família.
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Segundo Dunst, Trivette & Deal (1988) e Serrano (2007) o modelo centrado na família assenta em quatro princípios:
i. Reconhecer os desejos e projetos da família, de forma a verificar as suas necessidades reais;
ii. Recorrer aos pontos fortes e às capacidades da família, de modo a capacitá-las na mobilização de recursos que satisfaçam as suas necessidades;
iii. Identificar o apoio e os recursos existentes, bem como as possíveis fontes de apoio através da elaboração de um “mapa” da rede social da família;
iv. Capacitar e coresponsabilizar a família de forma a torná-la capaz de mobilizar os recursos e apoios que dispõe, com vista à satisfação das suas necessidades e objetivos.
Toda a literatura consultada aponta para que os programas que conseguem atingir maior sucesso são aqueles em que existe uma cooperação estreita entre a família e os profissionais, em que as famílias são vistas como parte integrante da equipa (McWilliam, Winton & Crais, 2003).
O Despacho Conjunto n.º 891/99 de 19 de outubro, revogado pelo Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro já dava enfoque à importância do envolvimento da família, salientando no ponto 6.2.1 do referido despacho a importância da participação da família durante todo o processo de intervenção pelo facto:
a) dos processos de vinculação ocorrerem nos primeiros anos de vida, anos esses determinantes para o desenvolvimento de normas adequadas de interação entre pais e filhos.
b) de caber à família a tomada de decisões acerca dos assuntos que lhes dizem respeito;
c) da família apresentar competências e potencialidades e de ser um elemento crucial na resolução dos problemas;
d) da família ter autonomia para recorrer e utilizar os recursos que precisa; e) da família ser um elemento importante e com capacidade para contribuir na
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Também a legislação atual que rege a IPI, Decreto-Lei n.º 281/09 de 6 de outubro, embora a palavra família não surja muitas vezes, dá importância às práticas centradas na família e ao apoio às famílias no acesso a serviços e recursos dos sistemas da segurança social, da saúde e da educação.
São vários os estudos que dão importância à abordagem centrada na família e em especial às práticas de intervenção com enfoque na família que estão diretamente relacionadas com a melhoria do funcionamento familiar em determinados domínios da sua vida (Allen, 2007; Bailey, Scarborough & Hebbler, 2003; Carmo, 2004; Correia, 2014; Craveirinha, 2002; Cruz et al., 2003; Dunst, Trivette, & Hamby, 2006, 2007; Fernandes, 2008; Fidalgo, 2004; Leal, 2008; McWilliam R. A. et al., 1995; McWilliam, Winton & Crais, 2003; McWilliam R. A., 2012; Neal, 2007; Pereira, 2013; Pereira & Serrano, 2010a; Serrano, 2003, 2007).
Uma vez que a família é considerada o principal e primeiro prestador de cuidados da criança e é nos primeiros anos de vida que se estabelecem as primeiras interações, pode-se concluir que o bom desenvolvimento da criança depende grandemente do contexto familiar, essencialmente no que se refere à qualidade das relações e interações, às vivências enriquecedoras e aos cuidados básicos. Assim, faz todo o sentido que as práticas de intervenção sejam centradas na família, dando reconhecimento ao papel ativo que os pais devem ter em todo o processo de intervenção e sendo premente que as intervenções fortaleçam e deem apoio às famílias, para que estas sejam capazes de participar na educação e no desenvolvimento do seu filho, beneficiando de redes de apoio formal e informal.
5 – Modelos teóricos centrados na família
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O conceito de família não se limita a estruturas familiares consideradas tradicionais, ou seja, constituída por pai, mãe e filhos. Na atualidade existem diversas estruturas familiares, desde famílias monoparentais, famílias compostas por avós e netos, famílias recompostas, entre outras (Serrano, 2007).
Segundo Hanson & Lynch (2007) e Magina (2011) as características da família são: o número de elementos, os valores e crenças culturais, os comportamentos, a língua, a raça e os seus costumes. Estas caraterísticas fazem com que cada família seja única, ou seja, são a sua assinatura.
As características de cada elemento da família influenciam a família e vice-versa.
Na perspetiva de Mowder (1997) e Magina (2011) a família pode ser entendida como um organismo complexo de laços, relações, sistemas e subsistemas, onde cada indivíduo se desenvolve e interage com os restantes, adaptando-se ao todo que é a família.
Pela grande diversidade de estruturas e características familiares surge a necessidade de expor alguns modelos teóricos que explicam o funcionamento familiar, de forma a compreender melhor o trabalho que deve ser desenvolvido pelos técnicos de IP com as famílias, tendo por base uma perspetiva sistémica e ecológica.
5.1 – Abordagem sistémica da família de Von Bertalanffy (1968)
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5.2 – Modelo transacional de Sameroff e Chandler (1975)
O modelo transacional de Sameroff e Chandler é outro modelo teórico que explica a importância do envolvimento parental. Segundo este modelo a família é vista como um elemento fundamental do ambiente de crescimento, que através de um processo dinâmico e ao longo do tempo, influencia e por sua vez é influenciada pela criança, originando em aspetos diferenciados em cada momento dessa interação, com impacto na família, bem como na criança (Correia, 1999).
Segundo esta perspetiva os resultados no desenvolvimento resultam da combinação entre o individuo e a sua experiência, ou seja, não são apenas fruto das características do individuo ou das características do contexto (Sameroff & Fiese, 1990; Pereira & Serrano, 2010b).
Pode-se então dizer que o desenvolvimento é o resultado das interações constantes e ativas entre a criança e as experiências que lhe são facultadas pela sua família e contexto social (Sameroff & Fiese, 2000; Pereira & Serrano, 2010b).
Através do modelo transacional é possível identificar os objetivos e as estratégias de intervenção. Este modelo sugere que as mudanças de comportamento resultam de um conjunto de interações entre os indivíduos que partilham um sistema, guiando-se por um determinado conjunto de princípios reguladores. Ao observar os pontos fortes e os pontos fracos do sistema de regulação, podem ser reconhecidos os objetivos que reduzem a extensão da intervenção e potenciam a sua eficácia (Sameroff & Fiese, 2000; Pereira & Serrano, 2010b).
Na perspetiva destes autores a intervenção baseia-se em três conceitos essenciais: remediação, redefinição e reeducação. A remediação modifica o comportamento da criança relativamente aos pais; a redefinição altera a forma como os pais veem o comportamento do seu filho; a reeducação modifica o comportamento dos pais em relação ao seu filho.
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desenvolvimento da criança são encaradas como o resultado da inter-relação entre a criança e o meio ambiente ao longo do tempo, e não como uma função do estado inicial do meio, nem do estado inicial da criança (Sameroff & Fiese, 2000; Pereira & Serrano, 2010b).
5.3 – Modelo da ecologia do desenvolvimento humano de Bronfenbrenner
Um modelo também de grande importância para explicar o trabalho com a família é o modelo da ecologia do desenvolvimento humano de Bronfenbrenner. De acordo com este modelo as experiências do indivíduo são encaradas como subsistemas, no interior de sistemas mais abrangentes, que nos possibilitam identificar diversos acontecimentos da vida da criança, quer no tempo quer no espaço (Bronfenbrenner, 1979, 1986; Gabarino, 1990; Gabarino & Ganzel, 2000; Pereira e Serrano, 2010b).
De acordo com Bronfenbrenner (1996, p.5) este modelo reforça que as experiências do indivíduo constituem subsistemas que estão inseridos noutros sistemas, que por sua vez também estão inseridos em sistemas mais gerais, “como uma série de estruturas encaixadas, uma dentro da outra, como um conjunto de bonecas russas.”
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o contexto cultural e legal onde funcionam os outros sistemas (Bronfenbrenner, 1996; Bairrão, 2003; Pereira e Serrano, 2010b).
Segundo Pereira e Serrano (2010b) a transição de um macrossistema para outro altera todas as estruturas sociais, nomeadamente o microssistema, o mesossistema e o exossitema., o que acarreta implicações nos meios, políticas e orientação dos serviços de intervenção precoce. Quando ocorrem estas alterações é necessário observar, adequar e ajustar as novas características dos sistemas, de modo a que a intervenção se adeque à nova realidade.
5.4 – Família como sistema social
De acordo com Serrano (2007) na teoria sistémica familiar, a família é vista como um sistema social que apresenta características e necessidades singulares. Embora existam diferentes culturas em todo o Mundo, o conceito de família continua a definir-se, na maioria das vezes, segundo Reiss (1980, cit. in Serrano, 2007, p.45) como “um pequeno grupo estruturado com graus de parentesco e que tem a seu cargo a fundamental tarefa de socializar ao mesmo tempo que educa.”
Tendo por base a definição de família acima referida Gabarino (1992 cit. in Serrano, 2007, p.45) afirma que as famílias apresentam várias características em comum, por outro lado contraria este conceito ao sugerir que as famílias se distinguem em três dimensões: i) afiliação - as famílias apresentam diversas formas segundo os seus intervenientes; ii) desenvolvimento - enquanto as famílias avançam no ciclo de vida, vão passando por vários estádios de desenvolvimento; iii) contexto cultural e histórico da família - “as normas familiares são consistentes com as subculturas étnicas,
religiosas e socioeconómicas (…)”
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Existem diversos fatores que podem ser prejudiciais no desenvolvimento da família, sendo o nascimento de uma criança com necessidades especiais um deles (Serrano, 2007).
Em concordância com a afirmação acima descrita e partindo do princípio que a chegada de um filho que apresente algum tipo de problema, que evidentemente não foi o idealizado, reflete na família mais direta sentimentos de angústia, ansiedade e desorientação. Parece-nos ser fundamental compreender estas famílias observando e testemunhando sentimentos, para o sucesso remediativo e reabilitativo das crianças em acompanhamento e para o alcance dos nossos objetivos enquanto profissionais (Gomes, 2006).
Os conceitos defendidos pela teoria dos sistemas familiares foram reformulados por Turnbull, Summers & Brotherson, (1984 cit. in Serrano, 2007) e por Turnbull, Brotherson & Summers (1985 cit. in Serrano, 2007) para nos ajudar a compreender as famílias de crianças com necessidades especiais. Estes autores sugerem uma estrutura conceptual do funcionamento familiar, constituída por quatro componentes:
Recursos da família (refere-se às características das necessidades educativas especiais da criança, às características da família e às características pessoais);
Interação da família (diz respeito às relações entre os subgrupos e os elementos da família diariamente e semanalmente);
Funções da família (consiste nas diferentes necessidades que a família tem o dever de administrar);
Estilo de vida da família (refere-se às mudanças desenvolvimentais ou não desenvolvimentais que têm efeito direto nas famílias, estas mudanças modificam os recursos da família bem como as suas funções).
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da intervenção, é crucial que os técnicos compreendam não só o desenvolvimento da criança como também a ecologia da família (McWilliam, R.A., 2012).
Os conceitos sistémicos da família são essenciais para o trabalho a desenvolver pelos profissionais de educação com as famílias uma vez que ressalvam a importância de não nos centrarmos apenas na criança com necessidades educativas especiais, mas sim em todo o contexto familiar e social que a envolve (Correia, 1999). O facto de os profissionais estarem atentos às interações desses subsistemas, possibilita que ajudem os pais a identificar áreas problemáticas no sistema familiar e deste modo melhorem o processo de mudança, originando um equilíbrio nas interações familiares (Correia, 1999).
Neste sentido, as intervenções devem ocorrer no contexto natural e inclusivo, baseado no modelo bioecológico do desenvolvimento humano de Bronfenbrenner (1979) usufruindo das oportunidades de aprendizagem que apresentam potencial para facilitar o comportamento e desenvolvimento. Assim, as intervenções devem ter em conta as rotinas e outras situações quotidianas que envolvam a participação ativa da criança na aprendizagem e sirvam para fortalecer as competências existentes e promover e facilitar novas competências, sendo parte fundamental de qualquer intervenção delineada para as crianças e suas famílias (Bruder, 2010).
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6 - Satisfação das Famílias
Segundo Lanners & Mombaerts (2000) a avaliação da satisfação das famílias conduz a um problema de natureza conceptual, pois o conceito de satisfação é vago e de difícil definição e medição e depende de apreciações subjetivas que assentam em critérios e informações muito díspares. Assim consideram que a satisfação das famílias pode definir-se pela diferença entre as suas expetativas em relação aos programas de IP e o serviço que realmente é recebido.
São apontadas diversas razões pelos teóricos para se investigar ao nível da satisfação das famílias. Como mencionado em Cruz et al. (2003) e na ótica de Bailey & Simeonsson (1988, p. 257/8) é fundamental avaliar a satisfação das famílias apoiadas pela IP, uma vez que possibilita aferir o valor que o apoio prestado tem para as famílias, bem como corresponder às suas necessidades.
McNaughton (cit. in Lanners & Mombaerts, 2000) refere quatro grandes razões para se avaliar a satisfação das famílias: por as famílias serem as maiores responsáveis pelo desenvolvimento da criança; por os resultados das avaliações do grau de satisfação das famílias poderem ser úteis para melhorar o apoio prestado e contribuir para prevenir a recusa dos programas por parte das famílias; porque podem servir de estímulo à participação dos pais no processo de intervenção; e ainda, por ser um bom indicador do grau de eficácia do serviço prestado.
De acordo com Lanners & Mombaerts (2000) e Cruz et al. (2003) a avaliação da satisfação das famílias em IP possibilita melhorar a qualidade do serviço prestado, assim como fomentar a participação direta e o papel das famílias em todo o processo de intervenção.
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Em súmula, considera-se que a satisfação das famílias é crucial no desenrolar de todo o processo de intervenção, uma vez que as práticas recomendadas em IPI são as centradas na família. Deste modo, faz todo o sentido que se conheça a satisfação das famílias com o apoio prestado, para conhecer as suas necessidades e, assim adequar as práticas de apoio, possibilitando melhorar a qualidade das intervenções, quer com a criança quer com a família.
Alguns estudos, realizados em Portugal, defendem que a avaliação da satisfação das famílias é considerada essencial para a melhoria e adequação das práticas em IPI: Cruz et al. (2003); Fidalgo (2004); Fernandes (2008); Serrano et al. (2010); Pereira (2013); Correia (2014).
Cruz et al. (2003) no projeto - Investigar em IP - intitulado de Avaliação da Satisfação das Famílias apoiadas pelo Projeto Integrado de Intervenção Precoce
(PIIP): Resultados da aplicação da escala ESFIP, com a duração de vinte e um meses, teve como objetivo principal, segundo Cruz et al. (2003, p.37):
“(…) proceder à tradução, adaptação, aplicação às famílias em apoio PIIP, tratamento e análise da escala EPASSEI (ESFIP, na versão portuguesa – Escala Europeia de Satisfação das Famílias em Intervenção Precoce).”
Neste projeto inquiriram-se 161 famílias do concelho de Coimbra, que ao centrar-se na forma como é desenvolvida a intervenção e tendo por base a opinião dos consumidores finais, permitiu identificar as áreas mais fortes do serviço e onde as famílias estavam mais e menos satisfeitas, bem como identificar perfis (características dos inquiridos, da criança apoiada e das condições do apoio prestado) de satisfação e de insatisfação relativamente ao serviço prestado.
Cruz et al. (2003, p.42) mencionam que tendo em conta diversos fatores, entre eles ressaltam:
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como um dos principais indicadores do sucesso/insucesso da IP, (…) o PIIP sentiu necessidade de proceder a uma nova avaliação da IP oferecida às famílias apoiadas.”
Segundo as conclusões gerais do estudo de Cruz et al. (2003) e tendo em conta os resultados obtidos, as famílias apoiadas pelo PIIP Coimbra, no geral, estavam satisfeitas com o apoio que lhes foi prestado. No entanto, foi também possível verificar que existiam algumas áreas onde eram necessárias, algumas alterações, nomeadamente ao nível do apoio direto às famílias, da dinamização de grupos de pais e da acessibilidade, divulgação e conhecimento do serviço.
Considera-se que a investigação de Cruz et al. (2003) possibilitou detetar áreas de menor e maior satisfação das famílias, que por sua vez, permitiram uma adequação da intervenção, tendo por base as necessidades das famílias, que é o que defendem as práticas centradas na família.
Fidalgo (2004) no estudo intitulado “Famílias em Intervenção Precoce” inquiriu
60 famílias, com o objetivo principal de identificar fatores promotores de satisfação ou de insatisfação nas famílias apoiadas pelo serviço de Intervenção Precoce de Castelo Branco (PROIP). O instrumento utilizado para recolha de dados foi a escala EPASSEI, que havia sido recentemente traduzida (ESFIP) e aplicada às famílias apoiadas pelo Projeto Integrado de Intervenção Precoce de Coimbra (Cruz et al., 2003).
De acordo com Fidalgo (2004, p. 263) através de uma abordagem qualitativa
este estudo permitiu verificar “que as famílias apoiadas pelo PROIP de Castelo Branco
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No estudo de Fernandes (2008), acerca da satisfação das famílias em IP, intitulado de: Que intervenção Precoce? “Satisfação das famílias em IP”, considerado um estudo exploratório, no qual foi utilizado o instrumento ESFIP, aplicado a 21 famílias do concelho de Estarreja, concluíram que, com a sua realização, ficou mais assente que a IP cada vez defende mais a perspetiva centrada na família e neste sentido considera-se importante, estudar para além das necessidades e características das crianças as necessidades das suas famílias, que influenciam diretamente o seu desenvolvimento, assim como estudar o seu grau de satisfação perante a IP. Os resultados obtidos deste estudo apontam para uma maior insatisfação por parte das famílias nos domínios da acessibilidade e da estrutura e administração do serviço.
Assim, Fernandes (2008, p.77) espera que:
“ (…) os resultados possam contribuir para auxiliar os técnicos de Intervenção Precoce a adequar melhor o seu comportamento profissional às necessidades das famílias, a desenvolver mais competências nas áreas de avaliação do seu grau de satisfação, na problemática da interação técnico/família e no desenvolvimento de técnicas e estratégias de intervenção familiar.”
Serrano et al. (2010) num projeto piloto de investigação-ação de Intervenção Precoce, que consistiu, essencialmente, na avaliação do trabalho desenvolvido em IP pela Direção Regional de Educação Especial e Reabilitação (DREER) da região autónoma da Madeira recorreram a diversos instrumentos para recolha de dados acerca do desenvolvimento da criança, da satisfação das famílias, das práticas centradas na
família e dos Planos Individualizados de Apoio à Família (PIAF’s), nomeadamente a um questionário de avaliação da satisfação das famílias (Bailey, Hebbeler e Bruder, 2005), que foi traduzido e adaptado pela DREER da região autónoma da Madeira e aplicado a 82 famílias. Os resultados obtidos nesta investigação-ação, no que respeita à satisfação das famílias, revelaram satisfação por parte das famílias que beneficiaram dos serviços de IP no âmbito do projeto. Comprovaram também a importância e o valor que as famílias dão à ajuda prestada pelos serviços de IP.
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“ (…) alguns aspetos que julgamos tendencialmente possíveis de identificar como mais frágeis. Estes referem-se, mormente, à definição de objetivos, ao planeamento da intervenção e ao trabalho com as famílias.”
Considera-se que este projeto piloto de investigação-ação possibilitou avaliar de modo global o trabalho realizado pela IP na região autónoma da Madeira e deste modo identificar as práticas utilizadas pelos técnicos com as famílias, bem como as necessidades das famílias e dos profissionais. De acordo com as conclusões finais considera-se que a partilha e troca de experiências poderá ser uma mais-valia para o processo de intervenção dos profissionais e que, através das necessidades/lacunas encontradas é possível melhorar as práticas de intervenção, adequando-as às diferentes realidades.
Outro estudo acerca da satisfação das famílias é o de Pereira (2013) intitulado
de: “Famílias de crianças com necessidades educativas especiais e a equipa de Intervenção Precoce: Que relação?”, no qual foi utilizado o instrumento ESFIP, aplicado a 19 famílias apoiadas num concelho do distrito de Leiria. Segundo Pereira (2013, p.55) com a realização deste estudo “(…) foi possível analisar a satisfação das famílias relativamente à equipa de IP e permitiu-nos também retirar algumas conclusões sobre aspetos a melhorar e a valorizar.”
Os resultados obtidos neste estudo apontam para um nível de satisfação elevado em todos os domínios do questionário, exceto nos domínios G: localização e ligações e H: estrutura e administração do serviço onde se observa um nível de satisfação ligeiramente mais baixo.
Por último, um estudo bastante recente, de Correia (2014), com o título:
“Satisfação das Famílias Apoiadas pelas ELI’S de Setúbal Norte e a Intervenção Centrada na Família”, no qual foram inquiridas 105 famílias apoiadas pelas ELI’S de Setúbal Norte. Neste estudo descritivo e de natureza mista foi utilizada a escala ESFIP
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Segundo os dados obtidos constatou-se que as famílias de um modo geral apresentaram um elevado nível de satisfação, sendo que o domínio com maior nível de satisfação foi o D: Relação entre pais e profissionais e o domínio que patenteou menor satisfação foi o G: Localização e ligações do serviço.
Conforme afirma Correia (2014, p.83) desde que a ESFIP foi aplicada pela primeira vez em Portugal por Cruz et al. (2003) e tendo em conta os resultados obtidos no seu estudo foi possível:
“(…) aferir que neste período de tempo as alterações, embora lentas, conduzidas ao nível dos serviço prestados pela IP tem vindo a ocorrer no sentido de cada vez mais dar resposta às necessidades das famílias.”
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CAPÍTULO II- ESTUDO EMPÍRICO
1- Problemática
Tal como referido na revisão da literatura são vários os estudos que consideram a abordagem centrada na família como primordial e dão especial importância às práticas de intervenção com enfoque na família (Allen, 2007; Bailey, Scarborough & Hebbler, 2003; Carmo, 2004; Correia, 2014; Craveirinha, 2002; Cruz et al., 2003; Dunst, Trivette, & Hamby, 2006, 2007; Fernandes, 2008; Fidalgo, 2004; Leal, 2008; McWilliam R. A. et al., 1995; McWilliam, Winton & Crais, 2003; McWilliam R. A., 2012; Neal, 2007; Pereira, 2013; Pereira & Serrano, 2010a; Serrano, 2003, 2007).
Partindo do princípio que cada família é única e que as suas prioridades consistem no que pensam ser importante para os seus filhos ou para toda a família, torna-se importante identificar as necessidades de cada família, bem como garantir o seu grau de satisfação. Tal como Cruz et al. (2003) mencionam a avaliação da satisfação é uma forma de observar e, consequentemente de adequar as práticas de intervenção às necessidades das famílias.
A satisfação das famílias é um excelente indicador do trabalho prestado pelos técnicos de intervenção precoce, uma vez que possibilita identificar os pontos fortes e fracos do apoio facultado à família (Cruz et al., 2003).
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Em suma com a aplicação do presente estudo pretende-se conhecer o grau de satisfação das famílias, e consequentemente, conhecer onde estas manifestam maior ou menor necessidade de apoio, bem como observar as relações existentes entre a satisfação da família e as suas características sociodemográficas. Assim, pensa-se que a sua aplicação pode ter relevância, na medida em que através da análise dos resultados obtidos, pretende-se contribuir para uma possível melhoria das práticas em Intervenção Precoce na Infância, baseadas em práticas centradas nas famílias, tendo em conta a sua satisfação e necessidades.
Considera-se ainda, esta investigação relevante em termos pessoais e profissionais, uma vez que permite um enriquecimento da formação académica e da base de conhecimentos necessários para uma melhor compreensão da importância da família em todo o processo de intervenção, bem como o aperfeiçoamento do nível de capacidade crítica e reflexiva.
De tudo o que atrás foi exposto surgem as seguintes questões de investigação:
Qual o grau de satisfação das famílias apoiadas pela IPI, no concelho de Olhão?
Quais as dimensões e indicadores em que as famílias apoiadas pela IPI manifestam maior satisfação/menor necessidade de apoio?
Quais as dimensões e indicadores em que as famílias apoiadas pela IPI apresentam menor satisfação/ maior necessidade de apoio?
Quais as relações existentes entre a satisfação das famílias e as suas características sociodemográficas?
2 – Objetivos
2. 1 - Objetivo geral:
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da família, através da comunicação dos resultados obtidos na presente investigação à ELI de Faro.
2.2 - Objetivos específicos:
Conhecer em que dimensões (apoio aos pais; apoio à criança; ambiente social; relação entre pais e profissionais; modelo de apoio; direito dos pais; localização e ligações do serviço; estrutura e administração do serviço) e consequentemente em que indicadores as famílias manifestam maior ou menor satisfação com o serviço prestado pela IPI;
Observar de que forma as características sociodemográficas da família se relacionam com a sua satisfação.
3 - Método
O método é um conjunto de regras corretas e simples, através das quais quem as seguir nunca considerará verdadeiro aquilo que é falso e alcançará o conhecimento verdadeiro de todas as coisas que for capaz, aumentando gradualmente o saber (Freixo, 2009).
3.1- Tipo de Estudo
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Segundo Boas (2008) o tipo de estudo descritivo de natureza quantitativa permite medir com a maior precisão possível. Através de um conjunto de questões, recolhem-se os dados/ informações que permitem descrever o que se pesquisa.
Assim, neste caso em concreto considera-se que é de tipo descritivo pois através do levantamento da opinião das famílias, com recurso a questionário, é possível descrever a satisfação das famílias apoiadas pela Intervenção Precoce na Infância no concelho de Olhão, e assim contribuir para a possível melhoria das práticas.
3.2- Metodologia quantitativa
Na perspetiva de Günther (2006) a metodologia quantitativa apresenta como características principais:
o controlo máximo sobre o contexto;
a interação do investigador com o objeto de estudo com neutralidade e objetividade;
os dados obtidos são analisados através de uma linguagem matemática, as análises estatísticas e as teorias de probabilidade, de forma a explicar os fenómenos.
Nos métodos quantitativos para se poderem aferir os resultados obtidos, a matemática é vista como um elemento crucial. De acordo com Freixo (2009, p.144) os
números possibilitam: “a precisão; uma maior objetividade; a comparação (…)”
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de abordagem é possível quantificar, ou seja traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e analisá-los e requer o uso de técnicas estatísticas.
Partindo do que consiste uma abordagem quantitativa e tendo em atenção as suas características e finalidades, considera-se que este tipo de abordagem é o que melhor se enquadra no que se deseja desta investigação.
4 - Universo e Amostra
Universo
O universo são todas as famílias apoiadas pela Equipa Local de Intervenção no concelho de Olhão, ou seja, 109 famílias com crianças com risco de alterações nas funções e estruturas do corpo e/ou com risco de atraso de desenvolvimento.
Amostra
De um total de 109 famílias de crianças apoiadas pelo serviço de Intervenção Precoce na Infância no concelho de Olhão constituiu-se a maior amostra possível, neste caso em concreto a amostra corresponde a 50 famílias/crianças. As famílias que participaram no estudo foram as que se mostraram disponíveis em colaborar connosco.
Considera-se que a amostra se enquadra no tipo de amostra não probabilística por conveniência. Segundo Freixo (2009, p.183) a amostragem não probabilística define-se como o “(…) processo pelo qual todos os elementos da população não têm uma probabilidade igual de serem escolhidos para fazerem parte da amostra.”
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trabalham na área geográfica escolhida, concelho de Olhão. Neste sentido, torna-se de mais fácil acesso a aproximação às famílias para aplicação dos questionários, bem como a obtenção de informação relevante.
Para caraterizar a amostra recorreu-se à análise dos resultados obtidos na primeira parte da Escala Europeia de Satisfação da Família em Intervenção Precoce (ESFIP – anexo I), onde se observa dados sociodemográficos dos inquiridos, nomeadamente: idade, género, nível de instrução, situação perante o trabalho, domínio da atividade profissional, grau de parentesco e situação familiar.
Relativamente à criança apoiada as questões relacionam-se com o género, o ano de nascimento, posição face aos irmãos e principais dificuldades.
Quanto ao Serviço de Intervenção Precoce as questões relacionam-se com o início do apoio do serviço de Intervenção Precoce, com a frequência e o local onde decorre a intervenção.
Passa-se a descrever a amostra, com base nos resultados obtidos na primeira parte da ESFIP:
Tabela 1 – Caraterísticas sociodemográficas dos inquiridos
N %
Sexo? Masculino 5 10,0%
Feminino 45 90,0%
Idade Média ± DP (Mínimo - Máximo) 35,1 ± 8,3 (18-59)
Qual o nível de instrução mais elevado que completou?
Não sabe ler nem escrever 1 2,0% Menos que a 4ª classe 1 2,0%
4ª classe 7 14,0%
6º ano (Telescola ou 2º ano do ciclo
preparatório) 6 12,0% 9º ano (antigo 5º ano) 14 28,0% 11º ano (antigo 7º ano) 3 6,0% 12º ano (antigo propedêutico) 14 28,0% Licenciatura 4 8,0%
Qual é a sua situação perante o trabalho?
Desempregado/a 24 48,0%
Doméstica/o 4 8,0%
Exerce uma profissão 18 36,0%
Reformado/a 1 2,0%
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Se tem ou já teve uma profissão, indique-nos qual é ou era a sua situação?
Trabalhador por conta de outrem 40 97,6% Trabalhador por conta própria 1 2,4%
Em que domínio de atividade trabalha ou trabalhava?
Agricultura 3 7,3%
Comércio 17 41,5%
Indústria 2 4,9%
Escritórios 2 4,9%
Administração pública 1 2,4% Construção civil 3 7,3% Forças armadas/forças de segurança 1 2,4%
Outro 12 29,3%
Na Tabela 1 são apresentados os resultados alusivos às caraterísticas sociodemográficas dos 50 elementos inquiridos para o estudo. Constata-se que 90% eram do género feminino e apenas 10% eram do género masculino.
Em termos etários a média era 35,1 ± 8,3 anos, o que se justifica tendo em conta que a maioria dos inquiridos eram mães e pais das crianças.
Quanto ao nível de escolaridade 28% possuíam o 9.º ano de escolaridade, outros 28% frequentaram o ensino secundário e 8% possuíam formação superior. Destes resultados pode-se concluir que a maioria dos inquiridos apresenta um nível de instrução médio, sendo ainda de salientar que apenas 2% dos inquiridos não sabe ler nem escrever e outros 2% detêm o 4.º ano de escolaridade.
Em termos de situação perante o trabalho, 48% estavam desempregados e 36% exerciam uma profissão e nos que tinham ou já tiveram uma profissão em 97,6% a situação associada a esta era de trabalhador por conta de outrem, verifica-se assim uma elevada taxa de desemprego. Dos inquiridos que exercem ou já exerceram uma profissão, a maioria eram na área do comércio com 41,5% e outros com 29,3%
(restauração/hotelaria…).
Tabela 2 – Caraterísticas do agregado familiar
N %
Qual é o seu grau de parentesco face à criança apoiada?
Pai 5 10,0%
Mãe 43 86,0%
Avó 2 4,0%
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Este é o seu 2º casamento (família
reconstituída) 3 6,0% É pai/mãe solteiro/a, viúvo/a ou divorciado/a
(família monoparental) 14 28,0%
Quantos irmãos tem a criança apoiada?
0 15 30,0%
1 15 30,0%
2 11 22,0%
3 3 6,0%
4 5 10,0%
5 1 2,0%
Relativamente às caraterísticas do agregado familiar (Tabela 2), constata-se que 86% dos inquiridos eram mães das crianças apoiadas pela IP, 10% eram pais e 4% eram avós.
Segundo os dados recolhidos 66% dos inquiridos eram casados ou unidos de facto, embora em número menor é importante salientar a expressão numérica de famílias monoparentais, ou seja, pais ou mães solteiras/ viúvas ou divorciadas que representam 28% da nossa amostra. O elevado número de famílias monoparentais, implica que a criança seja criada por apenas um dos pais, na grande maioria dos casos, pela mãe.
Da análise das caraterísticas do agregado familiar, ainda se observou que 30% das crianças apoiadas pela IP não possuíam qualquer irmão, 30% tinham um irmão e 22% tinham dois irmãos.
Tabela 3 – Caraterísticas da criança
N %
Qual é o sexo da criança apoiada? Masculino 37 74,0%
Feminino 13 26,0%
Idade Média ± DP (Mínimo - Máximo) 3,7 ± 1,4 (1-7)
Qual é, em termos de idade, a posição da criança face aos irmãos?
É a mais velha (a primeira) 3 9,7% É a segunda 14 45,2% É a Terceira 8 25,8%
É a quarta 3 9,7%
É a quinta 3 9,7%
Quais são as principais dificuldades da sua criança?