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Eng. Sanit. Ambient. vol.16 número3

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Academic year: 2018

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Livros

IV

Gestão Estratégica do Saneamento

Ary Haro dos Anjos Júnior

Comentário elaborado por Miguel Mansur Aisse, da Universidade Federal do Paraná.

A sessão “Livros”, que a cada edição traz resumos comentados sobre livros de interesse na área, tem como principal objetivo permitir que o leitor, de forma rápida, se atualize e conheça o que há disponível no mercado editorial. As contribuições deverão ser encaminhadas para:

[email protected]

Como fazer escolhas, como enfrentar os

dilemas na aplicação de recursosque podem,

ou não, salvar muitas vidas e melhorar as ci-dades do país? Essas e outras questões são abordadas pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR, Ary Haro dos Anjos Júnior, no livro Gestão Estratégica do

Saneamento. A obra, destinada à capacitação de

gestores, também é uma referência inovadora para planejadores urbanos, profissionais da área ambiental e executivos em geral, dos setores pú-blico e privado.

A publicação oferece ferramentas, ou técni-cas de análises para tomadas de decisão, expos-tas de uma forma didática e interdisciplinar, com exercícios de aplicação. O lançamento do livro é oportuno para o contexto brasileiro. Segundo o autor, no Brasil, milhões de pessoas ainda pade-cem da falta de acesso aos serviços básicos de água, esgoto, coleta e tratamento de lixo. Muitos sofrem, e muitos até perdem a vida, vitimados pelas inundações e pelas repetidas tragédias ur-banas. Por outro lado, o Governo Federal não consegue aplicar os recursos financeiros desti-nados ao saneamento urbano.

Desafio

O desafio estratégico maior que se coloca no horizonte dos ges-tores do setor do saneamento no Brasil, para o autor, não é o da falta de recursos financeiros para investimentos. O recurso mais em falta, atualmente, é o da capacidade gerencial na aplicação eficiente dos recursos disponíveis. Conforme dados apontados na obra, durante o período compreendido de 2003 a 2008, por exemplo, o setor do saneamento conseguiu gastar apenas um de cada três reais disponi-bilizados pelo FGTS. E gastou apenas um de cada doze reais que o orçamento da União destinou para o saneamento no país. Em nú-meros totais, o setor conseguiu investir 2,9 bilhões de reais entre 2003 e 2008, o que é pouco, comparado aos 11 bilhões de reais contratados e empenhados no período, para os projetos do sanea-mento. Para agravar ainda mais esse quadro, de pouca capacidade de realização, o autor admite que pelo menos uma parte dos investi-mentos efetivamente realizados ainda corre o risco de se transformar em desperdício, na forma de obras abandonadas, atrasadas, ou mal dimensionadas – exatamente por deficiências de gerenciamento dos empreendimentos.

Conhecimento

O livro aponta que o Brasil dispõe de uma boa base de conhe-cimentos técnicos e de especialistas competentes, nos mais diversos campos do conhecimento. Mas a articulação desses saberes no con-texto da vida urbana ainda é uma deficiência – a qual se torna ainda mais evidente no caso dos projetos de saneamento. Os gestores do

setor tomam decisões que afetam, simultanea-mente, a saúde pública, o planejamento urba-no, o meio ambiente, e a realidade social. Além disso, suas decisões provocam impactos tanto em longo prazo, da ordem de décadas, como em curto prazo, 24 horas, ou até menos tempo. O “apagão da água” é uma ameaça sempre pre-sente, por exemplo. Conforme afirma o autor, os responsáveis pela área necessitam compre-ender, antes de tudo, a multidisciplinaridade da sua missão, das suas tarefas, e dos seus re-sultados. E precisam de ferramentas adequadas para definir essa missão, executar as tarefas e medir os resultados das suas decisões.

Diante das necessidades expostas, o livro proporciona aos gestores interessados uma abordagem didática da gestão estratégica aplica-da: discute conceitos teóricos em termos mul-tidisciplinares e interdisciplinares, apresenta exemplos, oferece ferramentas e explica como construir políticas e estratégias, na forma de es-colhas feitas sobre uma base conceitual consis-tente, como mecanismos para alcançar objetivos claros, bem definidos.

Estrutura

O livro é composto por 12 capítulos, assim distribuídos: Capítulo 1 – Conceitos básicos;

Capítulo 2 – Gestão econômica e financeira de projetos; Capítulo 3 – Gestão da demanda;

Capítulo 4 – Gestão de custos de sistemas de saneamento; Capítulo 5 – Gestão de investimentos em capacidade instalada; Capítulo 6 – Gestão da política tarifária;

Capítulo 7 – Gestão social dos serviços de saneamento; Capítulo 8 – Gestão do conhecimento e dos recursos humanos; Capítulo 9 – Gestão ambiental dos serviços de saneamento; Capítulo 10 – Políticas de gestão e planejamento estratégico; Capítulo 11 – Gestão e Regulação dos Serviços;

Capítulo 12 – Apêndice: conceitos e aplicação de matemática financeira.

Percurso

A obra é resultado da experiência do autor como professor da UFPR, em cursos de pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas (FGV), como engenheiro civil, formado na UFPR, mestre em Administração pelo Baldwin-Wallace College de Ohio, Estados Unidos, coordenador de projetos e superintendente na Sanepar. Atuou também em consulto-rias do Banco Mundial, da ONU, e da Organização Mundial da Saúde (OMS), em diversos países. São de sua autoria várias publicações sobre gestão estratégica de sistemas de saneamento, políticas tarifárias, otimi-zação de investimentos em saúde, saneamento e meio ambiente.

Referências

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